Comentando a Notícia
“Brasil vincula volta do Paraguai ao Mercosul à entrada da Venezuela”, é a condição imposta pelo governo brasileiro para levantar a suspensão imposta ao Paraguai porque o país ousou cumprir sua constituição.
O governo Dilma está começando a passar dos limites. Reparem este caso que acaba de criar com o Paraguai (e não foi o primeiro).
Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai, foi deposto do cargo por ter pisado na bola. E, dentro do que determina a Constituição paraguaia, foi deposto num processo sumário, muito embora, reclamasse do prazo curto para sua defesa. Mas os mecanismos legais todos estavam alai previstos e seu processo de impedimento não se tenha desviado uma vírgula do que previa e prevê a Constituição.
Mas Lugo era amigo e parceiro do clubinho de cretinos que fundou a tal UNASUL, pela qual se tenta implantar na América do Sul, o tal “socialismo do s[éculo 21” de que tanto se gabava Hugo Chavez (que nem prá múmia prestou, mas isto é outro assunto).
Esta tentativa de voltar ao passado, sequer respeita limites legais como a Venezuela é bem um exemplo acabado. Chutam-se as leis, as instituições, a ,liberdade de expressão – é proibido discordar do regime -, chutam-se qualquer obstáculo que impeça do socialismo vingar.
Assim, a gente vê Argentina. Bolívia, Equador, Nicarágua. A própria Venezuela, e se pretendia através do Lugo ver o regime imbecil triunfar no Paraguai.
Sempre houve um quê de discórdia do Brasil e Argentina contra o Paraguai EME razão de que o Congresso deste país se negar em admitir a Venezuela como sócia do Mercosul. E, convenhamos, os paraguaios nada mais fizeram do que seguir estritamente o que determinam os fundamentos da criação do bloco: nenhum parceiro será admitido sem anuência de todos os demais parceiros e desde que esteja vivendo a plenitude do regime democrático.
Bem, a Venezuela nunca foi uma belezura em termos de “garantias democráticas”. A existência de eleições não convalida coisa alguma. Cuba, China, até o Brasil ao tempo do regime militar, tinham e têm eleições, e nem por isso tal acontecimento legitimam um regime democrático nestes exemplos citados.
Assim, num golpe asqueroso, Brasil e Argentina, aos quais se juntaria depois o Uruguai aplicaram um golpe no Mercosul: suspenderam o Paraguai do bloco sob uma suposta e falsa quebras das regras. Afastado o Paraguai, se apressaram em admitir a Venezuela.
Passado cerca de um ano deste acontecimento triste para a diplomacia brasileira, eis que o Paraguai realiza eleições e vê escolhido alguém que não se caracteriza, no perfil, ao modelo de governante adorado pela gente da UNASUL, o tal clubinho das esquerdas (a UNASUL é, na verdade, apenas a institucionalização do Foro de São Paulo).
Logo após a eleição encerrada, e o vencedor proclamado, rapidamente Argentina e Uruguai cumprimentaram Horacio Cartes e o convidaram para participar de uma próxima reunião do Mercosul.
E o Brasil? Não apenas cumpriu um nojento descaso com o país vizinho, não enviando nenhum gesto amigo pela vitória eleitoral de Cartes, como ainda impôs para o Paraguai ser aceito no Mercosul que ele aceite a Venezuela. Ou seja, o Brasil quer, dentro da república Paraguai, impôs-se acima de seu Congresso que, até onde se sabe, representa legitimamente o povo daquele país e que tem total autonomia para decidir se quer a Venezuela como sócia Lou não. A isto se chama de “imperialismo”. Quanto a decisão em si prefiro não expressar o que esta atitude realmente representa.
Em resumo: a política externa brasileira se transformou em um enorme circo, uma verdadeira palhaçada incapaz de respeitar autodeterminação das nações vizinhas, tentando impor-lhes regras que vão além dos limites da decência.
Não sei que autoridade foi quem criou esta “condição” especial, e sequer desejo saber. Mas isto se chama num linguajar direto de “canalhice”. O Brasil não tem competência para se intrometer nos assuntos internos de uma nação e colocar-se acima de uma decisão legítima de seu Congresso Nacional. Afinal , aquele país é uma democracia legítima, tem Congresso escolhido em voto universal pelo povo paraguaio.
Há anos nosso país reivindica uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Creio que são atitudes ordinárias como esta que até hoje ninguém o atende. Há discursos de apoio, mas no fundo o mundo civilizado sabe que o Brasil, sob o comando desta gentalha assentado no poder, nos tira qualquer merecimento para ver aceito este antigo pleito. De fato, não fazemos por merecer. Não temos estatura moral para tanto.
Como uma política externa comando com tamanho arbítrio e eivada de pequenos déspotas e tiranos vestindo um socialismo medieval, e com mentalidades tão perniciosa até ao bom equilíbrio de forças do planeta, o Brasil não faz por merecer sequer respeito. Quando uma país se alegra de ser por parceiros gente como Castro e Ahmadinejad, convenhamos, não tem mais fundo de poço pra descer.
A questão de retorno do Paraguai deve ser entendida como secundária. O governo brasileiro deveria, primeiro, ter estendido um gesto de cordialidade e cumprimentar o presidente. Ou acaso vai querer exigir que o Paraguai tenha como presidente o que a nossa diplomacia caquética escolher? Perdemos uma boa oportunidade de ao menos demonstrar educação e civilidade.
Para encerrar: há alguns dias, simplesmente, o Rei da Noruega fez uma “visita surpresa “ a uma aldeia indígena localizada na Amazônia. Ao menos nosso ministério de Relações Exteriores tomou conhecimento? O nobre europeu acaso solicitou permissão para trafegar em terras brasileiras em visita a uma aldeia indígena? Qual o propósito da visita? Querem saber? Tampouco a Polícia Federal tomou conhecimento prévio.
Não há como negar: O Itamaraty virou palhaçada e o governo Dilma mandou o senso do ridículo às favas!


