Revista Veja - Radar on-line
Um grupo de 150 juízes e desembargadores fluminenses, devidamente acompanhados por suas mulheres, embarca amanhã em vôo fretado do Rio de Janeiro para a Ilha de Comandatuba, na Bahia. Lá, ficarão até domingo hospedados num resort de luxo. Suas excelências participarão de um seminário sobre "ética nos relacionamentos de saúde", um evento patrocinado pelas seguradoras Amil, Golden Cross, Assim, o laboratório Fleury e pela Federação Nacional dos Seguros (Fenaseg). No site da Mútua dos Magistrados, organizadora do evento, metade do texto explicativo sobre o seminário é dedicado a descrever as maravilhas do local: "um cenário exuberante de 21 quilômetros de praia cercado por coqueiros centenários, jardins tropicais e natureza preservada".
Em setembro, o procurador Eduardo Lorenzoni, do Conselho Nacional de Justiça, apresentou uma proposta ao órgão proibindo juízes de aceitar presentes de partes interessadas em suas decisões. A sugestão deveria ter sido apreciada em 30 dias, mas até hoje continua em tramitação.
Sempre que espocam casos assim os juízes sacam a mesma defesa: os seminários são importantes para que haja reciclagem sobre determinados assuntos. Beleza. Mas por que essa reciclagem não pode se dar, por exemplo, num auditório do próprio Judiciário? Por que eles sempre ocorrem em hotéis paradisíacos, não raro fora do Brasil?
Código de ética
A farra dos juízes fluminenses em Comandatuba (ver nota abaixo) já gerou reações no Conselho Nacional de Justiça. O órgão abriu discussões para criar um Código de Ética da Magistratura, usando como subsídio um documento aprovado em julho, na República Dominicana, pela Corte Íbero-Americana de Presidentes de Cortes Supremas.
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COMENTANDO A NOTICIA:
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Em setembro passado, noticiamos aqui outra farra idêntica cumprida no mesmo local. Por ocasião do feriado de Sete de Setembro 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote. Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel.
Agora, e isto na época também havia sido criticado e condenado, sem nenhum pejo, temos o repeteco de algo que, se em nada fere nenhum dispositivo legal, no mínimo, do ponto vista moral pode-se dizer como de caráter duvidoso.
Acreditamos que a noção de ÉTICA na atividade pública deveria receber de parte de nossas autoridades, um pouco mais de atenção. Aliás, principalmente em se tratando do Poder Judiciário, sobre o qual sempre pairou suspeitas de favorecimentos em seus pareceres e julgamentos. E mesmo que que os mesmos sejam dados e emanados sob o restrito respeito à lei, isto não terá força suficiente para eliminar as suspeitas. Muito embora , há decisões em que a suspeita vai muito além. Apenas para exemplificar, é difícil o Poder Judiciário ser célere no julgamento de crimes do colarinho branco. As inúmeras “concessões” que são dadas, deixa a nítida impressão de que o Poder Judiciário mostra-se bastante duro com o pobre e o fraquinho, e muito, mas muito generoso mesmo(até demais muitas vezes) com os que desfrutam de poder ou de recursos.
E especificamente, nestes casos, não se justificam nenhuma alegação oficializada pelos doutos juízes e desembargadores. Se as reuniões são de trabalho, poderiam realizar-se em qualquer lugar da cidade, pois ali não faltam locais específicos e equipados para seminários e para este tipo de evento. E ainda, por quê um local paradisíaco, com todas as mordomias disponíveis, e com direito a acompanhante ? Como poderá um dos “convidados” julgar com isenção ações futura e que sejam contrárias aos patrocinadores desta farras "graciosas" ? Pu, efetivamente, as festas não são tão graciosas assim, havendo interesses escusos por detrás de seu aparente e formal caráter de trabalho ?
Pois é, depois tem gente que ainda se questiona sobre as reais razões para o aumento da criminalidade! Com os maus exemplos provindos de autoridades públicas ocorrendo diariamente e às dúzias, fica difícil para o cidadão comum entender ou melhor, discernir, o certo do errado!!! Poderia isto ser evitado ? Sim, bastaria ética e vergonha na cara das ditas (ou malditas) autoridades públicas. E isto parece estar muito longe de se alcançar ... Infelizmente !!!!! O caso é que nosso Poder Judiciário, assim como as autoridades dos demais podeeres adoram mesmo uma boca rica e livre, independentemente do pedágio que se terá que pagar ali adiante. Afinal, moral de fralda ou de cueca não enriquece ninguém mesmo ! Até porque para ser juiz ainda não existe prova eliminatória de caráter, portanto, ...
Um grupo de 150 juízes e desembargadores fluminenses, devidamente acompanhados por suas mulheres, embarca amanhã em vôo fretado do Rio de Janeiro para a Ilha de Comandatuba, na Bahia. Lá, ficarão até domingo hospedados num resort de luxo. Suas excelências participarão de um seminário sobre "ética nos relacionamentos de saúde", um evento patrocinado pelas seguradoras Amil, Golden Cross, Assim, o laboratório Fleury e pela Federação Nacional dos Seguros (Fenaseg). No site da Mútua dos Magistrados, organizadora do evento, metade do texto explicativo sobre o seminário é dedicado a descrever as maravilhas do local: "um cenário exuberante de 21 quilômetros de praia cercado por coqueiros centenários, jardins tropicais e natureza preservada".
Em setembro, o procurador Eduardo Lorenzoni, do Conselho Nacional de Justiça, apresentou uma proposta ao órgão proibindo juízes de aceitar presentes de partes interessadas em suas decisões. A sugestão deveria ter sido apreciada em 30 dias, mas até hoje continua em tramitação.
Sempre que espocam casos assim os juízes sacam a mesma defesa: os seminários são importantes para que haja reciclagem sobre determinados assuntos. Beleza. Mas por que essa reciclagem não pode se dar, por exemplo, num auditório do próprio Judiciário? Por que eles sempre ocorrem em hotéis paradisíacos, não raro fora do Brasil?
Código de ética
A farra dos juízes fluminenses em Comandatuba (ver nota abaixo) já gerou reações no Conselho Nacional de Justiça. O órgão abriu discussões para criar um Código de Ética da Magistratura, usando como subsídio um documento aprovado em julho, na República Dominicana, pela Corte Íbero-Americana de Presidentes de Cortes Supremas.
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COMENTANDO A NOTICIA:
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Em setembro passado, noticiamos aqui outra farra idêntica cumprida no mesmo local. Por ocasião do feriado de Sete de Setembro 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote. Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel.
Agora, e isto na época também havia sido criticado e condenado, sem nenhum pejo, temos o repeteco de algo que, se em nada fere nenhum dispositivo legal, no mínimo, do ponto vista moral pode-se dizer como de caráter duvidoso.
Acreditamos que a noção de ÉTICA na atividade pública deveria receber de parte de nossas autoridades, um pouco mais de atenção. Aliás, principalmente em se tratando do Poder Judiciário, sobre o qual sempre pairou suspeitas de favorecimentos em seus pareceres e julgamentos. E mesmo que que os mesmos sejam dados e emanados sob o restrito respeito à lei, isto não terá força suficiente para eliminar as suspeitas. Muito embora , há decisões em que a suspeita vai muito além. Apenas para exemplificar, é difícil o Poder Judiciário ser célere no julgamento de crimes do colarinho branco. As inúmeras “concessões” que são dadas, deixa a nítida impressão de que o Poder Judiciário mostra-se bastante duro com o pobre e o fraquinho, e muito, mas muito generoso mesmo(até demais muitas vezes) com os que desfrutam de poder ou de recursos.
E especificamente, nestes casos, não se justificam nenhuma alegação oficializada pelos doutos juízes e desembargadores. Se as reuniões são de trabalho, poderiam realizar-se em qualquer lugar da cidade, pois ali não faltam locais específicos e equipados para seminários e para este tipo de evento. E ainda, por quê um local paradisíaco, com todas as mordomias disponíveis, e com direito a acompanhante ? Como poderá um dos “convidados” julgar com isenção ações futura e que sejam contrárias aos patrocinadores desta farras "graciosas" ? Pu, efetivamente, as festas não são tão graciosas assim, havendo interesses escusos por detrás de seu aparente e formal caráter de trabalho ?
Pois é, depois tem gente que ainda se questiona sobre as reais razões para o aumento da criminalidade! Com os maus exemplos provindos de autoridades públicas ocorrendo diariamente e às dúzias, fica difícil para o cidadão comum entender ou melhor, discernir, o certo do errado!!! Poderia isto ser evitado ? Sim, bastaria ética e vergonha na cara das ditas (ou malditas) autoridades públicas. E isto parece estar muito longe de se alcançar ... Infelizmente !!!!! O caso é que nosso Poder Judiciário, assim como as autoridades dos demais podeeres adoram mesmo uma boca rica e livre, independentemente do pedágio que se terá que pagar ali adiante. Afinal, moral de fralda ou de cueca não enriquece ninguém mesmo ! Até porque para ser juiz ainda não existe prova eliminatória de caráter, portanto, ...