quarta-feira, abril 04, 2007

O culpado é o presidente

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

"Eu não decido sob pressão", jactou-se em 1974 o general-presidente Ernesto Geisel, irritado com demandas da sociedade brasileira vocalizadas pela oposição parlamentar. "Eu só decido sob pressão", replicou o deputado Ulysses Guimarães, presidente do velho MDB. Geisel não demoraria a aprender que o doutor Ulysses nem tentara ministrar-lhe uma lição. Apenas fizera uma constatação elementar.

Nos anos seguintes, tal constatação seria reafirmada pelo penúltimo mandarim do regime dos generais. Pressionado pela guerra surda na cúpula das Forças Armadas e pelo tiroteio verbal nos quartéis, demitiu comandantes militares e um ministro do Exército. Pressionado pela voz rouca da rua, e por perturbadoras rachaduras no sistema edificado em 1964, desencadeou o processo de abertura política antes que tudo desabasse como um prédio de areia de Sérgio Naya.

Geisel fez, enfim, o que fizeram todos os líderes desde o dia da criação, e o que todos farão enquanto o mundo existir. Porque nenhum governante, na democracia ou na ditadura, escapa a pressões permanentes. Muda a intensidade, condicionada por incontáveis fatores, redesenhada por acasos. Muda a forma de expressá-las: berradas nas ruas ou apenas murmuradas nos labirintos do poder, podem produzir efeitos idênticos. O que não muda é a regra reiterada ao longo dos séculos: quem espera por calmarias para tomar decisões está perdendo tempo - e desafiando a paciência da sociedade.

Na contramão de Geisel, que acabou por render-se à evidência, o presidente Lula, outrora bom de cintura, parece ter-se convencido de que pode controlar a força dos ventos, ou modificar-lhes a direção. "Não adianta me pressionarem, só troco um ministro quando quero", tem repetido o chefe do governo, agora para justificar a injustificável permanência do companheiro Waldir Pires no Ministério do Apagão.

Lula usou a frase para manter no Ministério da Previdência Social o senador Romero Jucá, um fazendeiro do ar que ofereceu em garantia, para conseguir dinheiro no Banco da Amazônia, terras que nunca teve no Pará. Não hesitaria em usá-la se a nomeação do deputado Odílio Balbinotti se tivesse consumado antes da revelação, pela imprensa, de que o homem escolhido para o Ministério da Agricultura prosperava nos campos da delinqüência.

Logo estará usando a frase em defesa do senador Alfredo Nascimento, de volta ao Ministério dos Transportes. O parlamentar do PMDB é acusado da prática de crimes eleitorais pela Justiça do seu Estado. Freqüenta como réu cinco processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Quatro tratam de casos de improbidade administrativa. No quinto, aparece como suspeito de crime de responsabilidade.

Governar é escolher, sabem os estadistas. Escolher entre caminhos, escolher entre idéias. E escolher entre pessoas. O retorno de Nascimento a um dos mais lucrativos ministérios sugere que Lula, além de equivocar-se com dramática freqüência na escalação do time, agora virou reincidente. Corre o risco de montar uma equipe semelhante à que inspirou o comentário atribuído a Getúlio Vargas: "Metade do meu ministério não é capaz de nada. A outra metade é capaz de tudo".

Lula se apresenta como responsável por todos os acertos federais. Os erros são sempre dos outros, mesmo se cometidos por gente que manteve no emprego por teimosia. Finge ignorar que tanto as virtudes quanto os pecados de um governo são postos na conta do chefe.

No momento, simula empenhar-se na busca dos responsáveis pelo colapso da aviação civil. Todos estão no centro do poder ou nos seus subúrbios, por indicação do próprio Lula ou de algum preposto. O culpado pelo apagão é o presidente.

TOQUEDEPRIMA...

Walfrido mostra que gosta mesmo de deputado

A prova de que Walfrido dos Mares Guia, novo ministro de Relações Institucionais, gosta tanto de deputados e senadores como disse Lula, foi o abraço desavergonhado em Augusto Farias (PTB-AL), irmão de PC Farias, e em Agnaldo Timóteo (PR-SP), dos principais defensores de Paulo Maluf (PP-SP) em São Paulo.

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Lula manda recado para a bancada ruralista

O que Lula diz sobre Rinhold Stepchanes (PMDB-PR), novo ministro da Agricultura, que sofreu restrições da bancada ruralista na Câmara e do ex-ministro Roberto Rodrigues:

- Esse não pode ser um ministério para atender aos que gritam mais.

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Recordar é viver - A advertência de Brizola

Da série de vídeos sobre campanhas eleitorais passadas: mais um de 1989 quando Lula e Leonel Brizola se enfrentaram para ver quem iria para o segundo turno da eleição presidencial contra Fernando Collor.

O vídeo que segue foi usado na campanha de Collor no segundo turno. No início, mostra Lula recebendo o apoio de Mário Covas (PSDB), que levanta o braço dele, e depois o apoio de Brizola. Por fim, mostra Brizola durante um dos debates do primeiro turno.

O que ele disse sobre Lula naquela época podia fazer sentido. Hoje não faz mais. Certo ou errado, Lula não "come pela mão de ninguém". Os outros é que estão comendo pelas mãos dele.

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O mandato pertence ao partido
Senador Marco Maciel (PFL-PE).

"A troca de partidos contribui para diminuir o grau de representatividade do regime democrático brasileiro, pois o voto dado a um partido é transferido a uma outra legenda, o que implica desrespeito à vontade do eleitor e alteração da representação política saída das urnas.

Disso decorre a falta de identidade partidária, pois o eleitor não vincula o candidato ao partido político e, por conseguinte, ao programa e aos estatutos partidários. Com isso, passa a votar no indivíduo, muitas vezes em função de critérios pessoais, em descompasso com o próprio sistema que – como se viu – necessariamente relaciona o voto ao partido."

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STF procura governo para debater cortes
Do Jornal do Brasil:

"Depois de uma reunião de duas horas dos diretores administrativos dos tribunais superiores, sobre os efeitos do corte de 24,6% nas despesas não-obrigatórias do Judiciário, determinado pelo governo, o presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, ligou para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com o qual "abriu um canal de diálogo", segundo um de seus assessores. Os presidentes dos tribunais superiores, do Conselho da Justiça Federal e do Conselho Nacional de Justiça vão se reunir no início da próxima semana, para discutir os possíveis ajustes a serem feitos em seus orçamentos, tendo em vista o contingenciamento promovido pelo Executivo."

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Oposicionistas fazem panfletagem em aeroporto. É o certo
Reinaldo Azevedo

Leiam o que está na Folha On Line. Volto depois.

Deputados federais da bancada paulista fizeram uma manifestação na tarde desta sexta-feira no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em favor da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo na Câmara.Munidos de faixas e cartazes, os deputados tucanos Vanderlei Macris, Paulo Renato Souza, José Aníbal e William Woo, além de Luiza Erundina (PSB), abordaram passageiros e colheram assinaturas para um abaixo-assinado que pede a investigação da crise no setor aéreo na Câmara.Vítima de atrasos e cancelamentos de vôos, a maioria dos passageiros aderiu à iniciativa dos parlamentares e assinou o documento.

Voltei
É isso aí. Parafraseando a música, deputado da oposição tem de ir aonde o povo atingido pela incompetência e/ou corrupção está. Dei a idéia aqui num posto das 2h59 de terça-feira: “Tudo bem. Entendo que governos não queiram CPIs. Dentro do regimento e da legalidade, uma das funções dos governistas é mesmo impedi-las. Mas é claro que se pode fazer isso com mais ou com menos jeito; com desculpas novas ou com justificativas esfarrapadas. Segundo o comando petista, uma comissão de inquérito intranqüilizaria o país. Imaginem um apagão aéreo no governo FHC. Os parlamentares do PT, a esta altura, estariam fazendo panfletagem nos aeroportos.”
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E o negócio é não desistir. O próximo passo é fazer um kit de sobrevivência para os passageiros, acompanhado das devidas informações políticas, o que inclui a lista dos 308 patriotas que votaram contra a CPI.

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Venda de imóveis novos cai 3,9% em fevereiro nos EUA

NOVA YORK (EUA)- As vendas de imóveis novos nos Estados Unidos caíram inesperadamente em fevereiro, pelo segundo mês consecutivo, e para o menor nível desde junho de 2000, informou o Departamento do Comércio do país. As vendas cederam 3,9% em fevereiro, para a média anual de 848 mil unidades.

A estimativa dos economistas ouvidos era de aumento de 6,72% para a média anual de 1.002.500, depois de queda de 15,8% em janeiro, para 882 mil unidades. O dado de janeiro foi revisado em baixa de estimativa anterior de 937 mil unidades vendidas. O estoque de imóveis disponíveis para a venda nos EUA atingiu 546 mil unidades, suficiente para atender o atual ritmo de demanda durante 8,1 meses.

Este o maior período desde janeiro de 1991 quando o estoque de imóveis atendia 9,4 meses de demanda. Em janeiro, o estoque era previsto em 538 mil, capaz de atender 7,3 meses de demanda.

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Mais de 7 milhões na malha fina

Mais de sete milhões de contribuintes tiveram a declaração do Imposto de Renda retida na malha fina entre 2002 e 2006. Cerca de mil contribuintes ainda estão com a declaração sob análise. A documentação pode ficar retida por até cinco anos, caso a Receita Federal desconfie de irregularidade ou tentativa de fraude. Se confirmado algum problema, o contribuinte é autuado. Quem não cair na malha fina não está livre de ser investigado. Nos últimos quatro anos, a fiscalização resultou em uma cobrança de R$ 3,188 bilhões referente a impostos devidos, multas, juros.

De acordo com a Receita, 7% das declarações vão parar na malha fina. Neste ano, a expectativa é receber 23,5 milhões de declarações. Se a projeção se concretizar em 2007, cerca de 1,69 milhão de contribuintes terão as declarações retidas para análise. Os documentos podem ser liberados ainda nos lotes programados de restituições do IR - são sete, de maio a dezembro.

Privatizações levantam novo ‘cálculo’ do PIB de Lula

Correio Braziliense
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Grande parte do salto do Produto Interno Bruto (PIB) registrado pela nova metodologia de cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve ser creditada à privatização do setor de telecomunicações. O atual governo, portanto, colhe os frutos de uma decisão tomada no governo Fernando Henrique Cardoso e que sofreu forte oposição do PT e do próprio Luiz Inácio Lula da Silva. O autor da avaliação é o economista Amaury Bier, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda na administração passada.
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“O ministro (Guido) Mantega não deve ter prestado muita atenção ao fato de que foi a enorme expansão do setor de telecomunicações depois da privatização que fez a economia crescer mais. O governo Lula não fez nada para que isso acontecesse. Pelo contrário, o PT só tentou atrapalhar”, disse Bier, atualmente sócio da Gávea Investimentos. Mantega faturou politicamente a mudança dos números do PIB, comparando os dois governos.
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O novo método do IBGE aumentou o peso dos serviços na economia, passando de 56,3% para 66,7%, elevando a participação do setor de telecomunicações. Assim, a média de crescimento do PIB no governo Lula aumentou, enquanto a da gestão FHC caiu. A média do primeiro mandato de Fernando Henrique diminuiu de 2,6% para 2,44% e, do segundo, de 2,3% para 2,15%. “O IBGE tem uma reputação de credibilidade. O tema é técnico e espero que tenha sido tratado tecnicamente. Quero crer que ele tenha sido tratado com seriedade”, disse Bier.
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Mantega fez questão de alfinetar o governo passado. “Esses números comprovavam que a economia não estava mesmo crescendo naquela época. De 1995 a 2002, houve queda no ritmo de crescimento do PIB”, disse, citando exatamente o período FHC. A performance de Lula, em contrapartida, foi inflada. O crescimento médio anual passou de 2,6% para 3,5%. Sem querer polemizar, Bier não deixou sem resposta a espetada do ministro. “É uma pobreza de espírito total esse tipo de declaração, politizando algo que é eminentemente técnico.”

COMENTANDO A NOTICIA: E viva o super-aquecimento globalizado do PIB nacional ! Apesar de ninguém esteja ganhando absolutamente nada a mais com isso. É apenas, e tão somente, para elevar o ego presidencial, apesar de que a mediocridade continue a mesma.

Mais um lobista no ministério de Lula

Como deputado, novo ministro de Lula fez lobby para doador de campanha
Folha de S. Paulo
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Novo ministro da Agricultura, o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) fez lobby em defesa da Supermax, fabricante de luvas de procedimento hospitalar, junto ao governo em meados do ano passado.
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A empresa estava impedida de comercializar seus produtos. Pouco depois, a Supermax fez a maior doação da campanha do deputado: R$ 115 mil.
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Depois de receber uma série de denúncias de que a Supermax importava e negociava no mercado nacional luvas de baixa qualidade e sem o devido registro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, no dia 13 de julho, a venda dos produtos da empresa. Foi justamente aí que a Supermax acionou Stephanes.
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O dirigente da empresa no Brasil, Sérgio Schemberk, explicou a razão da doação e a relação da Supermax com o provável ministro: "Ele foi um dos deputados que viu a injustiça que estava acontecendo contra a Supermax, que entendeu o lobby que estava acontecendo contra a Supermax, e foi por duas ou três vezes lá na Anvisa a nosso favor".
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A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados recebeu denúncia sobre o caso e aprovou uma investigação sobre a relação entre a Anvisa e a Supermax.
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O caso foi remetido para o TCU (Tribunal de Contas da União). Em janeiro, o tribunal aprovou uma auditoria na Anvisa e, por conseqüência, a apuração das denúncias contra a Supermax.
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Por meio de sua assessoria, Stephanes afirmou que fez tudo às claras, tendo procurado a Anvisa por meio da assessoria parlamentar do órgão.
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Filho
Além de Stephanes, outros três políticos do Paraná receberam recursos da Supermax, entre os quais o seu filho, Reinhold Stephanes Júnior (R$ 38 mil), eleito deputado estadual pelo PMDB.
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"Ele teve reunião lá com o presidente da Anvisa, querendo saber o que estava acontecendo", contou Schemberk. "Foi no ano passado, quando a empresa estava parada."
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Cerca de um mês após a ida de Stephanes à agência, a Supermax fez a primeira doação ao deputado, R$ 100 mil, no dia 17 de agosto. Em setembro, a Anvisa liberou a comercialização das luvas da Supermax. No dia 17 de outubro, a Supermax doou mais R$ 15 mil. A campanha do deputado arrecadou um total de R$ 421.330.
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"O Reinhold é conhecido da família. O filho dele é amigo, ele é amigo. E, sabendo que ele é deputado e que a gente sempre ajudou ele, sempre ajuda a campanha dele, nós pedimos para ele, e ele prontamente intercedeu e quis esclarecimentos da Anvisa quanto a essas resoluções aí", disse Schemberk.
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PerseguiçãoO diretor da Supermax afirma que não há nem nunca houve quaisquer irregularidades na comercialização de seus produtos. Disse que, por esse motivo, após fiscalizar a empresa, a Anvisa liberou a venda das luvas.
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Ele afirma que sua empresa foi alvo de uma perseguição de um grupo concorrente do interior do Estado de São Paulo.
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Segundo os advogados da empresa, a Supermax não é alvo de investigação na Câmara, mas sim a Anvisa. A Proposta de Fiscalização e Controle número 128, aprovada no final do ano passado pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, informa em seu enunciado "verificar denúncias de irregularidades comerciais praticadas pela empresa Supermax Brasil Importadora".O ex-deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), que respondia pela relatoria da proposta de fiscalização, afirmou que a intenção era investigar tanto a Anvisa quanto a Supermax.

Direita, esquerda, loucura e método

Reinaldo Azevedo

Eu tenho, vocês sabem, uma definição do que são direita e esquerda assentada na história e, tanto quanto possível, livre, em princípio, de uma carga valorativa. Esquerdista, pra mim, é todo aquele que aceita, sob certas condições (alguns aceitam sempre), solapar a lei em nome do que entende ser justiça social. Direitista é quem não aceita esse solapamento e quer o triunfo da lei, independentemente de ela produzir mais ou menos justiça social. Reparem que estou sendo bonzinho. Não emprego o sinistro critério das mortes para julgar: extremistas de esquerda e de direita já mataram muito. A montanha de cadáveres da esquerda é bem maior sob qualquer critério que se queira. Adiante.
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Os partidários da social-democracia, por exemplo, querem-se da esquerda moderada e, por isso, rejeitam o stalinismo porque ele é avesso à liberdade; os liberais, incluídos na direita, repudiam a herança fascista porque, obviamente, ele foi antiliberal. Segundo o que vai acima (a minha própria definição, pois), sou de direita. Sempre que a lei vai para o diabo em nome da justiça, estou convicto de que se produz ainda mais injustiça — que vem a ser o exato contrário do que a esquerda diz pretender. De fato, eu não acredito que possa haver progresso sem o triunfo da ordem legal. Se e quando for o caso de mudá-la, o Parlamento é o lugar para tratar do assunto. Mundo afora, acho que essa clivagem distingue, se for o caso de se eliminar a marca excessivamente ideológica das palavras “direita” e “esquerda”, “progressistas” e “conservadores”.
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Mas não se distinguem só nos métodos e em como tratam a ordem legal. Esquerdistas e direitistas também têm visões opostas sobre o papel do Estado, do indivíduo, da família — alimentam, em suma, utopias e até escatologias contrastantes. Também nesse caso, creio que meu universo mental esteja mais à direita. No melhor do meu mundo, cada indivíduo se preocupa só consigo mesmo e com a sua família e responde pelos seus atos, com as regras de respeito ao outro devidamente interiorizadas, sem a necessidade de um Estado vigilante. A esquerda vê em cada indivíduo um risco e aposta que o contrato social, e só ele, é que pode regulá-lo. Nem uma nem outra viverão o melhor do mundo que imaginam. E, como disse, suas escatologias também são opostas: o fim do mundo para um direitista é o descrito por George Orwell em 1984. O do esquerdista é aquele anunciado por Francis Fukuyama em O Fim da História e o Último Homem — “Então não nos libertaremos mais?”, eles se perguntariam.
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Mesmo com o Banco Central entregue aos cuidados de Henrique Meirelles, o PT continua a ser de esquerda? É claro que sim. Uma esquerda que busca o socialismo? Bem, acho que os petistas já se tornaram mais cínicos do que isso. Imaginar que o Brasil possa, estando onde está, vir a ter uma economia planificada nos moldes socialistas me parece besteira. O mercado, reparem, não dá a menor bola para esse tipo de debate. Ele não quer saber qual é a ideologia do petismo. A sua pergunta sempre será a seguinte: o modelo rende? Rende. Então tudo está no seu devido lugar.
O PT tem a sua “utopia” sem jamais deixar de ser realista. Continua de esquerda, sim, porquanto não enxerga na ordem legal, nas instituições, um limite para a sua ação. Ao contrário: ao se dizer o partido dos “movimentos sociais”, assume o ambíguo papel de quem, no poder, responde pela aplicação da lei e, fora dele, pela sua transgressão. Na realização extrema dessa ambigüidade, é petista tanto o criminoso como o seu juiz, tanto o bandido como a polícia. No confronto entre a ordem e a desordem, a soma é diferente de zero, porque é evidente que a lei está sempre alguns passos atrás dos anseios. Ela existe, aliás, para regulá-los.
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Os direitistas, os conservadores, mostram-se ainda despreparados para entender esse jogo petista — e, por isso, estão comendo poeira. E talvez venham a comê-la ainda por um bom tempo. Quando Lula faz uma política econômica que, exceção feita a um detalhe ou outro, é do agrado do mercado, a crítica da "direita" ao petismo logo se deixa desvanecer pelo pragmatismo: “Afinal, ele está seguindo as regras”. Há uma enorme dificuldade de reconhecer que “seguir as regras” é uma precondição — ou condição necessária — para que todo o resto do arcabouço legal seja permanentemente confrontado pelo “ilegalismo” do que os petistas chamam “movimentos sociais” ou “sociedade organizada”. Como eles dizem, o "legítimo" vale mais do que o "legal".
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Eu, um “direitista” segundo os termos aqui aplicados, vejo, por exemplo, uma lenta, mas permanente, desinstitucionalização do país. Está presente na relação entre os três Poderes, na educação, na cultura política, na confusão entre o público e o privado, no reiterado desprestígio da ordem legal, na sem-cerimônia com que o estado, por meio de seus vários agentes, dá uma solene banana para quem paga as contas da máquina: o cidadão comum. E tenho muito claro que essas coisas não são ocorrências fortuitas, não. Há um projeto de poder que as organiza. E este projeto está em curso — na verdade, já é uma realização.
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Fiquemos com o caso dos controladores de vôo. Não, eu não creio, é certo, que Lula tudo fez para que a crise chegasse a esse ponto, até ser levado a desautorizar o comandante da Aeronáutica. O descalabro não resulta de uma conspiração, mas de uma consideração tipicamente da esquerda: as instituições são entraves para se chegar à solução, e não seus instrumentos — que é o que pensa a direita democrática.
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Ora, ora, ora... Há, sim, esquerdistas, petistas ou não, que sabem muito bem o nome do que praticam. Se forem de cepa legítima, desprezam a democracia porque tal modelo não coexiste com a crença de que uma classe ou grupo detém a verdade histórica. A rigor, alguém que se diz esquerdista e, ao mesmo tempo, democrata só está plantando antíteses no jardim. Se realmente consciente daquilo que é, ou será uma coisa ou outra. Mas há, admito, os que confundem impulsos de generosidade, seu desejo de justiça social, com o que imaginam ser um país ou um mundo governado pela esquerda. São ingênuos a serviço de uma causa cujo alcance desconhecem.
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O PT continua, sim, a ser de esquerda, em especial no entendimento que tem da política e na forma como imagina organizado o poder. Os inocentes ou muito interesseiros gostam de afirmar a existência de um Lula que contraria grandes interesses e que, por isso, é detestado pelas elites — aquela bobajada que se encontra, com freqüência, nos blogs dos anões. Alguém seria capaz de citar uma briga importante, uma que seja, que Lula tenha comprado com os “poderosos” (como eles gostam de dizer)? Vamos lá. Uma me basta. Não há. Lula é de uma subserviência exemplar.
Mas não é inocente. Não é bobo. Não é um qualquer. Sabem o que há em comum entre o mensalão e a desmoralização do comandante da Aeronáutica? A convicção plena, clara, exercida com desassombro, de que as instituições estão aí para ser superadas; de que as instituições são tabus, que devem ser quebrados; de que as instituições são vontades manifestas dos “inimigos” e precisam, pois, ser reformuladas, mudadas. É claro que Lula e o PT, ainda que fiquem cem anos no poder, não vão construir o socialismo porcaria nenhuma. Mas podem, sim, construir um modelo autoritário, para o qual a tradição esquerdista do partido é utilíssima.
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Repetindo, então, o já bastante citado Polônio, de Hamlet: o que Lula fez com a Aeronáutica é, sim, uma loucura. Mas tem método.

Caixa preta do apagão aéreo pode revelar o inimaginável

por Aluízio Amorim, Blog Diego Casagrande

Enquanto prossegue a crise nos aeroportos – algo inaudito na história da aviação brasileira – os governistas no Congresso, na base do rolo-compressor, esforçam-se para evitar que se instale a CPI do apagão aéreo. Ora, se não desejam que se investigue este misterioso apagão é porque o próprio governo e seus acólitos têm interesse direto na desmilitarização do setor.
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Reparem. Interesse direto significa, obviamente, que há por trás dessa tragédia vivida pelos usuários dos aeroportos brasileiros um plano montado pelo próprio governo através de agitadores profissionais da CUT. E, na esteira dessa ação de pura sabotagem, sobrevirá um campo aberto para o empreguismo e toda a sorte de articulações e malandragens políticas.
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É que o poder é um território restrito. O butim nunca é suficiente. Os detentores do poder sempre encontrarão dificuldades para acolher todos os seus sequazes na partilha do espólio resultante da tomada do poder. E, neste segundo mandato do PT, a “economia do poder” torna-se muito mais complexa para ser gerida, haja vista a coalizão que foi montada para viabilizar a vitória petista e, num segundo ato, a governabilidade.
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As dívidas políticas contraídas pelos atuais donos do poder vão aos poucos expondo cenas de desespero e loucura. O surrealismo toma o lugar da racionalidade.Em nome de interesses puramente pecuniários o estado de insensatez de certos “seres humanos” leva-os à prática do absurdo a ponto de não hesitarem em sabotar o transporte aéreo como forma de, mais adiante, poder ampliar o empreguismo de base estatal a fim de satisfazer o insaciável apetite por cargos e benesses.
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Regimes democráticos não suportam o vilipêndio das instituições. Ou verifica-se uma reação no sentido da prevalência dos instrumentos da legalidade ou o regime sucumbe a um estado de autoritarismo, ainda que este possa ser disfarçado. Há exemplos aqui mesmo, quando a ditadura civil-militar manteve, inclusive, aberto o parlamento e o faz-de-conta do jogo político. Havia até o partido da oposição onde se misturavam democratas e liberais sinceros, oportunistas ditos esquerdistas e uma ampla fatia que, por variadas razões, ficou de fora do poder.A diferença hoje é que praticamente não existe mais nenhum tipo de oposição. Houve um cooptação em massa. O que se delineia, entretanto, é que parece que os estrategistas do PT passaram da conta ao sabotar o transporte aéreo. Interesses que nem imaginam começaram a ser prejudicados.
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Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que aconteceu com o congelamento das contas bancárias decretado pelo governo Collor. Nunca convém esquecer que a ética capitalística jamais admitirá que lhes metam a mão nos bolsos ou que lhes imponham óbices às metas traçadas para os seus negócios, os quais exigem a rapidez do transporte aéreo.
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A solução do problema afunila-se rumo ao STF. Na atualidade, sobra apenas o Poder Judiciário como tábua de salvação do que resta da democracia brasileira. Apelo aqui, portanto, aos magistrados que compõem a mais alta corte da Justiça brasileira, que é o STF, um voto unânime favorável ao direito da minoria de instaurar a providencial CPI do apagão.
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Um gesto dessa envergadura da Alta Corte de Justiça tem duplo significado: a salvaguarda da democracia e o legítimo direito da Nação de ver aberta a caixa preta onde se esconde o interruptor do apagão aéreo. Dada a diligente – e truculenta – ação governamental contra a CPI, deduz-se a existência do inimaginável.

TOQUEDEPRIMA...

Cesar Maia critica ONG Viva Rio de cercear trabalho policial

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), criticou líderes comunitários e representantes da ONG Viva Rio por tentarem cercear o trabalho de repressão da Polícia Militar. Eles pedem o fim das trocas de tiros com traficantes. O prefeito defendeu o trabalho da polícia e disse que a iniciativa enfraquece o combate à violência.
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“O Viva Rio tem feito isso através dos anos e o resultado só piora a situação. O Viva Rio é uma das coisas mais perniciosas que aconteceram no Rio em matéria de segurança pública. Tenho certeza de que seus integrantes são pessoas qualificadas, de bem, mas completamente equivocadas. O que eles propõem sempre fortalece o tráfico de drogas e não a paz, a ordem”, ressaltou Maia.

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Jereissati: candidatura de Alckmin em 2008 é inevitável

O senador cearense Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB, afirmou nesta segunda-feira que quer a candidatura de Geraldo Alckmin para a Prefeitura de São Paulo em 2008. Além disso, o parlamentar disse que não tem certeza se Alckmin será o presidente nacional do PSDB: "Isso ainda tem muita coisa para discutir."
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Preparando a campanha do ex-governador para a Prefeitura, Jereissatti defendeu a CPI mista para apurar o apagão aéreo, que afeta muito a Capital paulista. “O PSDB defende que haja um esclarecimento, porque hoje nós estamos vivendo nova crise na questão do apagão. O setor aéreo está um caos. Isso não se concebe porque já vamos fazer meio ano assim. É necessária uma investigação profunda sobre o que está acontecendo", declarou.

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PFL quer a presidência da República, diz manifesto

Intitulado “Democratas”, o PFL anunciou hoje um manifesto que propõe um novo projeto de país juntamente com a mudança de nome do partido a partir desta quarta-feira (28.03). Constava no manifesto também a grande possibilidade dos Democratas lançarem candidato próprio à presidência da República em 2010.
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“Os Democratas propõem um jeito diferente de pensar o Brasil. Uma nova maneira de ver e enfrentar os nossos problemas. Terá como missão combater o tripé injustiça social, Estado máximo e cidadão mínimo”, disse o atual presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que transmitirá o cargo para Rodrigo Maia (RJ) na próxima quarta.

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Mercadante quer diálogo com oposição para votações do PAC

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, afirmou nesta segunda que o governo pretende negociar com PSDB, PPS e PFL a votação das sete medidas provisórias e das duas leis complementares previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Congresso Nacional.
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O senador acredita que o diálogo é necessário mesmo tendo maioria nas duas casas. “Opositores como PSDB e PFL têm um número muito grande de parlamentares e enorme poder de obstrução. No Senado, os dois partidos têm 30 representantes, se cada um faz um pronunciamento de 10 minutos, concede apartes de mais 10 minutos, e ainda têm condições de influenciar a ordem do dia, há imensa possibilidade de postergação das votações”, disse.
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Mercadante pede apoio à oposição para construir o que ele considera um projeto nacional e não meramente um programa do governo Lula. “O PAC é uma inflexão importante, porque foca na direção correta, em infra-estrutura, de investimentos em energia e logística, além de infra-estrutura social e urbana. É um programa importante para o País", afirmou.

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Bornhausen diz que governo pratica novo mensalão

O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, afirmou nesta segunda-feira que o governo Lula está comprando parlamentares para deixarem a oposição. Bornhausen disse que há evidências que podem provar um novo mensalão.
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"Não há indícios, há evidências. Modalidades de atração governamentais estão existindo, como cargos e emendas [parlamentares]. Pode se reproduzir o que foi feito no passado", declarou.
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Desde outubro de 2006, sete deputados federais deixaram o PFL. O PR está quase dobrando sua bancada: começou a legislatura com 23 deputados e já tem 40 parlamentares na Câmara. Outro que acusa um novo mensalão é Roberto Jefferson, presidente do PTB. Segundo Jefferson, o governo está cooptando muitos políticos através do PR.

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Governo venezuelano anuncia desapropriação de 331 mil hectares

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou neste domingo a desapropriação de 330.976 hectares de propriedades privadas, 16 grandes extensões de terra de 29 proprietários, que segundo ele eram improdutivos. “Estamos intervindo nessas propriedades de acordo com a lei e vamos fazê-las produzir para a criação de gado de corte e de leite. Isto passa a partir de hoje a ser propriedade social para satisfazer as necessidades do povo”, disse.
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Chávez afirmou que qualquer tipo de reação por parte dos antigos donos das terras terá resposta contundente por parte do governo. Neste domingo, o exército venezuelano já combateu um grupo de pessoas que tentava reagir à medida em Morichalito, no estado de Apure. Foram usados na operação helicópteros de guerra (Mi-35), recém-chegados da Rússia.
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Ele ainda disse que os desapropriados deveriam na verdade agradecê-lo, pois não foi permitido aos trabalhadores rurais tomarem as terras por conta própria, como eles queriam inicialmente. “Os latifundiários deveriam nos agradecer porque faz alguns anos que os trabalhadores rurais pediam fuzis e eu poderia te-los feito conseguir para organizar uma guerra nestas terras”, declarou.

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Brigas por cargos movimentam R$ 6 bilhões

Os partidos da base aliada do governo Lula disputam os cargos de segundo escalão - um orçamento de R$ 6,2 milhões, considerando estatais, presidências e órgãos estratégicos. Sem contar grandes corporações como Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios.
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Todo esse dinheiro chegou a interferir na relação dos presidentes das duas Casas no Congresso. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoiou o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, desgostou. Influente no governo, Chinaglia quer tirar a presidência da Transpetro,subsidiária da Petrobrás, de Sérgio Machado (PMDB-CE), apadrinhado político de Calheiros.

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Advogado-geral da União defende o direito de Dirceu à anistia

O novo advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli, defendeu em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo o direito do deputado cassado, José Dirceu, de pedir anistia política e o foro privilegiado para autoridades públicas. Toffoli já foi funcionário de Dirceu na Casa Civil e advogado do PT.O advogado afirmou que as razões para a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson foram muito diferentes. Um teria perdido o mandato por ser o chefe do mensalão e o outro por não ter comprovado a existência do esquema. Toffoli disse que pretende participar mais das discussões políticas e confirmou que é muito amigo do ex-chefe da Casa Civil e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.

Ministeriável é réu em ação popular

Ministeriável é réu em ação popular por improbidade envolvendo o Banestado
Folha de São Paulo

O deputado federal indicado para o ministério da Agricultura Reinhold Stephanes (PMDB-PR) é réu em uma ação popular por improbidade administrativa relativa ao período em que ocupou a presidência do Banestado (Banco do Estado do Paraná).
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A ação está à espera de sentença na 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. A juíza do caso, Fabiane Pieruccini, afirmou que irá tomar uma decisão dentro de 30 dias.
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Movida por duas funcionárias do banco (comprado pelo Itaú no ano 2000), a ação popular pleiteia que Stephanes e outras três pessoas citadas devolvam ao banco R$ 2,2 milhões por pagamento indevido à empresa que edita o jornal ""Gazeta do Paraná".
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AcordoO pagamento foi aprovado em dezembro de 1999, quando Stephanes era presidente do Banestado.
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Na época, a diretoria do Banestado fez acordo para pagar uma dívida com a Arlequim Ltda., editora do jornal ""Gazeta do Paraná", de Cascavel, dois dias depois de o Tribunal de Justiça negar à empresa um agravo de instrumento que reclamava essa dívida.
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Stephanes presidiu o Banestado durante o governo de Jaime Lerner (1995-2002), que até então não reconhecia a dívida reclamada.
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A despesa com a Arlequim havia sido autorizada em 1994, durante o governo de Mário Pereira (PMDB).
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No governo Lerner (então no PFL, hoje no PSB), Stephanes foi o responsável pela administração do socorro de R$ 5 bilhões do Banco Central ao Banestado, para saneamento do banco e para sua preparação para a venda.
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O jornal, que fazia oposição ao governo na primeira gestão, parou com os ataques a Lerner e a sua equipe no período que precedeu o acordo.
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A Arlequim reclamava inicialmente pagamento de R$ 906 mil por suposta reserva de espaço publicitário no jornal ao Banestado. Levou o contrato firmado no governo de Mário Pereira à Justiça e apresentava, como comprovantes, material de divulgação da Secretaria de Cultura de Cascavel.
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Em uma das apelações do banco, o juiz considerou que o Banestado ""não deveria pagar pela prestação de serviço que não autorizou".
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O contrato também foi impugnado pelo Tribunal de Contas do Estado em 1995. No despacho, o então conselheiro João Feder considerou que seu pagamento violentava a moralidade administrativa, a Lei das Licitações e a Constituição.
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Dos R$ 2,2 milhões acordados, apenas R$ 1,6 milhão entrou no caixa do jornal "Gazeta do Paraná". O restante levantou a hipoteca de um apartamento da irmã do diretor da publicação, José Marcos de Almeida Formighieri.
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As bancárias Izabel Cristina Ribas de Lima e Zinara Mancet de Andrade Nascimento afirmam, na ação popular, que o acordo "foi uma imoralidade" e que o banco não poderia responder por dívidas assumidas pelo governo.

Ataque à produção de carnes brasileiras

Brasil pro brejo: inglês seduz endividados pecuaristas brasileiros a venderem gado no mercado futuro
Por Jorge Serrão, Alerta Total

Os executivos de uma poderosa transnacional australiana, controlada por investidores ingleses, assediam grandes pecuaristas brasileiros do Centro-Oeste-Sudeste para lhes propor um negócio irrecusável nestes tempos bicudos em que o agro-negócio brasileiro anda devendo mais de R$ 110 bilhões.
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A AWB Ltd, a maior empresa do mundo na área de produção de trigo, soja e alimentos em geral, prometem cobrir todos os custos da fazenda e da criação, adquirindo toda a produção definida previamente, a um preço pré-definido (no formato de mercado futuro). Tudo é pago adiantado, conforme promessa de Michael Wood Geld, negociador da AWB. O único risco para o criador é não conseguir entregar o gado com 17 arrobas a unidade, no final do ciclo produtivo contratado.Os ingleses querem dominar o potencial competitivo imbatível que o Brasil tem na produção de carne. Na pecuária extensiva, o Brasil é único. Como aqui é o “País do Sol”, nosso gado tem facilidade de se alimentar e crescer. A produção de carne brasileira não concorre com a cadeia alimentar do homem – ao contrário de outros países, que dependem de plantar ou importar grãos para alimentar o gado. Os pecuaristas brasileiros dominam todas as etapas da produção do gado.
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A intenção oculta dos anglo-australianos é deter, brevemente, o monopólio desta tecnologia, através do controle do processo econômico de comercialização do gado. Além disso, a AWB pretende controlar, futuramente, a cotação internacional da carne. A pecuária brasileira irá, estrategicamente, para o brejo. E o boi e a vaca vão para o controle da oligarquia financeira transnacional da City de Londres.
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A AWB ganhou notoriedade no noticiário internacional ao ser investigada pelas suspeitas de ter pagado subornos de mais de US$ 200 milhões ao regime de Saddam Hussein. A manobra era para que o Iraque garantisse a compra do cereal da empresa através do programa humanitário Petróleo em troca de alimentos, promovido pelo Governo Bush. Curiosamente, a empresa contribui com 3 mil Euros por ano para a Bush Children's Education Foundation of NSW. A fundação, que homenageia a família do atual presidente norte-americano e seu pai, ajuda a financiar o transporte de crianças das áreas mais remotas do campo a chegarem em escolas rurais.

Lavou, tá novo?

Por Adriana Vandoni, Prosa & Política
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Na semana passada o Brasil acompanhou a subida e queda de um pretenso ministro. Esse fato reabriu duas antigas dúvidas: sobre a origem das fortunas brasileiras e sobre a possibilidade de impedir que envolvidos em denúncias ou investigados, sejam candidatos a cargos eletivos, mesmo antes que suas ações tenham transitado em julgado.
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A seleção, de acordo com o entendimento das leis, fica por conta da população, que, segundo alguns, é sábia e apta para escolher o melhor.
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O presidente Lula escolheu para ministro da Agricultura o deputado Odílio Balbinotti. A escolha não durou 48 h. Contra o indicado pesam crimes graves do ponto de vista moral, mas que não foram cometidos por falta de competência ou retidão administrativa na gestão da coisa pública. Pode se caracterizar como presença de esperteza, mas falta de competência, jamais.
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Pesa sobre o cidadão Odílio Balbinotti, segundo o STF, crime de falsificação. De acordo com o processo, para conseguir um financiamento do Banco do Brasil, a empresa de Odílio teria forjado um pedido de empréstimo de 1,7 milhão de reais em nome de laranjas. Outro crime atribuído ao produtor de sementes e à Fundação MT, instituição de pesquisa fundada por Balbinotti e amigos, foi feita pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), de roubo na propriedade intelectual. Furto de sementes. De acordo com o processo, junto a Balbinotti estão um suplente de Senador e um Governador, ambos do Estado de Mato Grosso. Todos conhecidos como bem sucedidos empresários.Pois bem, Balbinotti desistiu de sua indicação, mas o Brasil tomou conhecimento de crimes que provavelmente lastrearam o seu sucesso empresarial. Há de se deixar claro, repito, que este não foi um crime de improbidade administrativa, foi apenas um cidadão comum que na ânsia de se dar bem, cometeu crimes.
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Quantas fortunas brasileiras estão alicerçadas em falcatruas, desvios ou roubos? Qual é a integridade de um país que enaltece infratores bem-sucedidos?Quanto à segunda dúvida que este fato reabriu, sobre a possibilidade de se candidatar, eu pergunto: Como pôde um cidadão tão complicado com a justiça se eleger representante dos cidadãos do Paraná? Seus eleitores tinham conhecimento das acusações que pesam sobre ele? Se o presidente da república se enganou ao escolhê-lo, o povo não pode ter se enganado?
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Esta é a mais explícita prova da responsabilidade (ou culpa) do Judiciário na qualidade do legislativo brasileiro. O povo não tem condições de conhecer a vida pregressa do candidato, que muitas vezes está envolvido em processos que corre em segredo de justiça, impedindo que o eleitor saiba para quem está dando seu voto.
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Outro Ministro já foi escolhido para ocupar o cargo que seria do deputado, e o Brasil, desatento, parece acreditar que a sua desistência o faz probo.
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Então é assim: lavou, tá novo?
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Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ.

O que podemos esperar deste desgoverno ?

Adelson Elias Vasconcellos

Ricardo Kotscho escreveu um livro no ano passado descrevendo parte do dia-a-dia do Lula como presidente e parte das campanhas eleitorais. Ricardo, só para lembrar, foi um jornalista que passou muito tempo ao lado de Lula, e que um dia resolveu contar detalhes desta figura caricata que parte da mídia retrógrada nacional, adora endeusar. No fundo, Lula é uma espécie de figura bizarra que soube aproveitar suas características de pelego sindical com a habilidade de negociador chantagista, em um determinado momento da história brasileira, mas que teve a capacidade de se manter sob o fio da navalha da ditadura militar para fazer uma política populista, devotada ao discurso vazio movido a ranço ideológico.

Não que Lula seja um luminar de idéias. Ele é, sim, de fato, um aproveitador. Não é de hoje que digo ser esta figura uma miragem distante da que alguns admiram e se curvam. Observem, a começar, seus discursos: sempre se endereçam ao um público distinto. Não se identifica uma linha coerente de pensamento político. Sempre é feito para agradar especificamente aqueles que o ouvem, mesmo que contraditório, muitas vezes, do que ele próprio tenha dito em outros discursos para platéias diferentes.

Porém, saindo do discurso para a vida diária, o que se vê é um bufão arrogante, inculto totalmente para comandar pessoas mais bem preparadas e que, na falta de argumentos para convencer, vai no berro e no palavrão, impondo sua vontade. A arma não é o argumento sensato: é a chantagem emocional, pelo fato da mãe analfabeta, ser ex-metalúrgico, pobre, semi-letrado, e por aí vai.

E regra geral, decisões que Lula toma são sempre do agrado do “povão”, por mais que os prejudique. A propaganda, o marketing presidencial tem este efeito. Mas na verdade, analisadas sob a linha da prudência e da razão, suas decisões mais prejudicam do que ao contrário. Sobre este tema, inclusive, dedicaremos algum artigo específico. Aqui é importante destacar o presidente ser ou não um governante com capacidade de comando.

Já defendo a idéia há muito tempo para não ficar, apenas agora e de maneira oportunista, me alinhando aqueles que começam a perceber um detalhe curioso sobre esta personalidade bizarra investida de mandato presidencial: Lula, com o discurso fácil, assimilável para públicos distintos, portanto falsos, e muitas vezes aproveitando-se de certas fraquezas de grupos nos quais perambula, é apenas um aproveitador barato. Nada além disso. Discordo de quantos lhe atribuem o tal “carisma”, ou a capacidade de “liderar”.

Lula teve sua ambição de ser presidente do país em cima de propostas falsas promessas (que se sabia não serem possíveis de se cumprir), em cima de falsos mitos apregoados pelos esquerdopatas nacionais. Alcançado o objetivo, para ele ali terminou a escada de ascensão política, e começava a de construção do mito. Em nenhum destes momentos está o interesse do país. Tanto que as coisas que deram certo em seu primeiro mandato, não foi ele quem construiu. Tratou apenas de vender a idéia de que era construtor de uma obra que já recebera pronta.

Só não foi deposto por conta e culpa da incompetência dos partidos que lhe faziam oposição, e só se reelegeu a custa de intenso uso da máquina pública, e da negligência da Justiça Eleitoral que resolveu poupá-lo (ou teve medo de fazer cumprir a lei). Vivêssemos em um país sério, e por certo Lula teria naufragado diante da incompetência sim, mas também por conta da política de corrosão das instituições que patrocinou e ainda patrocina como meio de se manter no poder eternamente, tanto ele quanto seu partido, e a maneira corrupta como esta política é desenvolvida e implantada.

Por suas raízes sindicalistas, Lula nunca será do tipo de trabalhador construtor. Não ao menos de uma obra coletiva, de amplitude universalizada para o bem social. Sua “coletividade”, os companheiros sindicalistas, são tão ou mais vagabundos e preguiçosos do que ele, e gente deste tipo se interessa em agarrar-se a artimanhas que os sustente ao mínimo esforço. O petê foi, ao longo de sua trajetória, um partidão do não. Não ao trabalho, não aos projetos alheios, não a constituição atual que está aí, não às reformas, não a união nacional, não a um projeto sério de país, não a um esforço concentrado apartidário devotado a tornar um Brasil país de primeira linha. Durante muito tempo nunca aceitou coligar-se com quem quer que seja. Depois, convenceu-se que precisava ser um pouco mais maleável para poder chegar ao poder. E chegou. E uma vez instalado, tratou de privatizar o Estado para si mesmo. E sua ascensão junto aos mais pobres, se fez pelo combustível mais empregado: a greve. Fossem empresas públicas ou privadas, e atrás de cada greve lá estavam, sempre, PT, PC do B, CUT, mais juntando-se também o MST.

A crise do apagão é sintomático e bem característico do que seja um governo Lula. Observem que ninguém assume responsabilidade alguma. É um eterno empurra-empurra, marca do próprio Lula, que diante de crises e dificuldades trata de atribuir a culpa a terceiros, transferindo responsabilidades, que bem se sabe, são suas. A questão da segurança pública, a culpa é sempre da sociedade, das vítimas, nunca do governo. Apesar dos inúmeros planos lançados sob foguetório, o governo não cumpriu nenhum deles. A questão das estradas, foram quinhentos anos de abandono. Quando lançou um programa, o famoso tapa-buracos, sobrou buraco, e não faltou corrupção. A Aeronáutica desde 2004 adverte o governo da necessidade de urgentes providências para evitar a crise que ora atormenta o país. E nem assim se vê Lula tomado de coragem e humildade. Sempre se diz traído. Tal qual foi no mensalão, apesar de tantos o haverem advertido, e ele nunca ter esboçado um gesto para acabar com a lambança, até que ela estourou e ele candidamente (e descaradamente) declarar nada saber. E assim será sempre que o País precisar de um presidente com arrojo e competência: Lula nunca estará presente.

Portanto, tenho para mim, como muitas vezes já declarei, que Lula terá sido quando chegarmos a 2010 o maior anti-presidente que este país já pode ter. Seu governo é pífio e ridículo às últimas. Suas políticas “públicas”, se constituem muito mais em políticas de privatização petista do Estado brasileiro. Os méritos, ao final, e apesar do marketing vendê-lo como tal, terão sido as obras do Estado que recebeu pronto. E no que puder destruir, ele o fará.

A crise que Lula abriu com o comando da Aeronáutica, vocês identificam um modo de ação de tudo o que o petê, e aqui mais propriamente o próprio Lula, são capazes de realizar: um governo movido ao combustível dos aplausos. Não importa quão ridículo e nefasto o ato ou a decisão que se toma: o importante é agradar à torcida. Mesmo que a propaganda custe caro para vender a falsa idéia. Lula é incompetente como governante pela simples razão de que permanece no palanque e se comporta como um sindicalista pelego e retrógrado. Não tem comando, porque a ideologia de seu partido é o do desmanche. Não tem direção, porque o projeto do partido é o de poder, não de governo.

E seguimos andando contra a razão porque para o petê o caos é o estado natural para a implantação do socialismo burro e esquizofrênico, mas cujo resultado final agrada aos militantes: ocupação plena de todas as instâncias do Estado, no qual se locupletam à custa da miséria do restante do país. E não miséria econômica apenas: miséria moral, miséria intelectual, miséria profissional. Nação teleguiada para servir aos senhores donatários do Estado, e que para não morrerem de fome e faltar mão de obra escrava para manter o sustento dos vagabundos da Casa Grande, enchem as senzalas de bolsa miséria. E disto já falamos durante a campanha.

Sendo assim, Lula continua cavando um imenso fosso na qual pretende por a ferros a sociedade brasileira. Pelo menos aquela capaz de lhe opor resistência. O aparelhamento do Estado é bem sintomático. E em todas as direções o que se vê é falta de comando, é balbúrdia, é desorganização, é corrupção, é compra-venda de consciências, tudo tramado nas teias de um partido pervertido na sua própria essência, e na sua própria história. Não se pode acreditar que aqueles que sempre cruzaram os braços e se negaram em construir um país melhor, vão agora ter competência e energia para agirem de modo diferente. A ociosidade tornou-se o combustível móvel de sua ignorância.

E assim é o Brasil que vivemos. O pouco que consegue crescer é apenas na mudança da estatística. E se vende esta falsa imagem como a glória da patifaria disfarçada, quando no fundo o que se tem é uma mediocridade expandida, comandada pela bestialidade das almas que se vendem pelas luzes da propaganda enganosa.

Engane-se quem quiser. Não acredito em Lula e no petê desde que se fundaram. Quem se põem contra o progresso da sociedade, quem vende ilusões de paraísos construídos no “não” trabalho, não tem capacidade para ir muito longe em busca de país melhor. Muito do que se disse aqui durante a campanha, e para o qual não faltaram críticas e ofensas, pouco a pouco foi se consolidando e ainda está, como verdades cristalinas. E na questão do apagão, e mais especificamente na questão da contra-ordem que Lula deu quanto as decisões do comando da Aeronáutica, ele somente voltou atrás, por conta de ter se apercebido que colocara em cheque sua própria sobrevivência como presidente. Seu ato insano e inconstitucional, o levaria certamente a julgamento pelo STF, que se não acovardado novamente, e cioso de defender a constituição, o condenaria por crime de responsabilidade. Apenas esta foi a razão de Lula haver recuado. Não pense que ele se interessou em algum momento em beneficiar todos os agentes envolvidos no processo, passageiros inclusive.

Sendo assim, e como nas demais crises que este governo armou ele próprio, continuo sem acreditar em final feliz. Não que anteveja algum golpe de estado. O que é perfeitamente identificável é que o país segue desgovernado ladeira abaixo. Apesar dos resultados econômicos, muito mais pelo foi feito antes de Lula chegar ao poder, e pelos ventos favoráveis da economia mundial, do que por ações e medidas tomadas a partir de 2003. O que se vê é uma total cisão social, ruptura perigosa para uma desagregação ampla por todo o país. E não se trata de uma visão conservadora, não. É uma visão de que movido pelo caos, o país só tende a agravar sua enorme distância que nos separa do mundo civilizado. É a barbárie mesmo. E não há no horizonte, perspectivas de que sob o governo Lula, venhamos a reverter este processo. A preocupação deve nos atormentar para o que virá pós Lula. E um pós com o petê na oposição, e estando espalhado em todos os escalões do Estado brasileiro. Portanto, precisamos rezar para a crise aérea se desvanecer rápido. Afinal, dentro de pouco tempo precisaremos de aeroportos desafogados. Porque ou bem você aceita a mediocridade e a barbárie instalada e trata de se virar com ela aderindo à moda antiga, talvez até por falta de alternativa, ou trata de embarcar no primeiro vôo, sem bilhete de volta. O que se lamenta é que para repor o que jogamos fora com Lula no poder, demandará pelos duas a três gerações sacrificadas e devotadas a varrer do cenário todo ranço que estes imbecis tenha deixado. Acreditem: não será fácil transferirmos para nossos filhos este país caótico que se está montando.

Aliás, isto nos faz lembrar do Barão de Rio Branco quando disse: “No Brasil só duas coisas são organizadas: a desordem e o carnaval”. Por mais paradoxal que possa parecer, acreditem, até a organização da nossa desordem o petê está conseguindo destruir. Haja competência !!!

Lula não resiste aquilo que sempre usou: a chantagem

Apagão aéreo: Lula entrega tudo o que os controladores pedem, quebra a hierarquia militar e leva a sindicalização para as Forças Armadas
Reinaldo Azevedo


Na véspera do 43º aniversário do golpe militar de 1964, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter contornado um apagão aéreo e dado início a um curto-circuito institucional. Depois de seis meses de desordem, sem que o governo tivesse produzido ao menos um diagnóstico da crise, Lula cedeu à chantagem dos controladores, aceitando todas as suas reivindicações, quebrou a disciplina na Aeronáutica e levou a sindicalização para o seio das Forças Armadas, uma das causas daquele movimento de que se fala na primeira linha. É claro que não há risco de golpe militar. O risco, a partir de agora, é o da bagunça permanente. A rapaziada viu que é fácil.

- Os controladores querem uma gratificação imediata. Lula disse “sim”;
- Os controladores querem um plano de carreira. Lula disse “sim”;
- Os controladores querem a suspensão de toda e qualquer punição. Lula disse “sim”;- Os controladores querem o cancelamento da transferência de colegas. Lula disse “sim”;
- Os controladores querem o que chamam de interlocução permanente. Lula disse “sim”:
- Os controladores querem a progressiva desmilitarização do tráfego aéreo. Lula disse “sim”.

Ao dizer tantos “sins”, o Apedeuta tirou a autoridade do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, recém-empossado, e perdeu a sua própria. Informa o Estadão deste sábado: “A decisão de abrir negociação com a categoria e barrar a prisão de 18 sargentos insubordinados foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voava para Washington. À noite, assim que chegou à capital dos Estados Unidos, onde irá se encontrar com o presidente George W. Bush, Lula telefonou para o vice-presidente, José Alencar, e para e os ministros da Defesa, Waldir Pires, e do Planejamento, Paulo Bernardo. Recomendou que fizessem de tudo para reverter a crise provocada pela paralisação dos controladores de vôo e os lembrou de que o funcionamento do setor aéreo é ‘uma questão de segurança nacional’.”

Lula é mesmo um prodígio. Percebam que esta é, a rigor, a primeira crise séria do seu governo que não foi causada por uma acusação de corrupção. Todas as outras tinham petistas metidos em lambança e, a rigor, eram casos tanto de política como de polícia. Desta feita, um movimento reivindicatório assume contornos que flertam com uma crise institucional. Há seis meses, a patética figura do ministro Waldir Pires, da Defesa, perambula pelos corredores de Brasília produzindo explicações e nenhuma solução. Ele foi o primeiro, é bom lembrar, a tocar no delicado assunto da “desmilitarização” do setor e a defender que se ouvissem as “lideranças”.

Sou contra a desmilitarização em meio a essa balbúrdia e já disse por quê: os céus do Brasil serão entregues à CUT — que vive a sua fase pelega porque o governo do PT. E depois? Todos sabem qual é a resposta. Muito bem. Mesmo sem a passagem do setor para os civis, o movimento dos controladores assumiu características de movimento sindical, sem perder, no entanto, a sua fachada também militar. Os sargentos se auto-aquartelaram, e suas lideranças divulgaram um manifesto em que diziam não confiar mais em seus superiores.

O nome disso é indisciplina, e se resolve com cadeia. “O que está ocorrendo é o modelo típico de 63: meia dúzia de sindicalistas radicais insuflando a tropa”, disse ao Estadão deste sábado o tenente-brigadeiro da reserva Sérgio Ferolla, ex-presidente do Superior Tribunal Militar. Naquele ano, os sargentos tomaram a Rádio Nacional, cortaram as ligações telefônicas de Brasília com o País e prenderam oficiais e um ministro do Supremo Tribunal Federal. O movimento foi reprimido pelo Exército, que prendeu 600 sargentos. Ainda no Estadão: “Outro oficial lembrou que não se pode dar aumento diferenciado aos controladores. ‘Do contrário, daqui a pouco o mecânico do radar também vai querer’. Para ele, as Forças Armadas passam por uma crise. ‘A insatisfação é grande. Praça e oficial ganham pouco e vivemos uma fuga de quadros experientes para outras carreiras’.”

DespreocupadosE como o governo estava preparado para enfrentar um dos mais graves incidentes militares em mais de quatro décadas? O Estadão narra direitinho: “O mais sério desafio dos últimos meses, na vida do País — que, embora tenha durado menos de cinco horas, foi encarado como uma grave insurreição de militares — pegou a cúpula do governo inteiramente desmobilizada. Antes que o ministro Paulo Bernardo conseguisse o compromisso, já no final da noite, não havia no Distrito Federal uma única autoridade de primeiro escalão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava a caminho de Washington, e o vice, José Alencar, em Belo Horizonte. O ministro da Defesa, Waldir Pires, havia saído no meio da tarde para o Rio e estava no início da noite paralisado em um aeroporto enquanto o movimento grevista se espalhava pelos Estados. Também estavam fora de Brasília o ministro da Justiça, Tarso Genro e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, além dos ministros Paulo Bernardo, do Planejamento, e Walfrido dos Mares Guia, das Relações Institucionais. Nem com os diretores da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) se podia contar: eles também tinham viajado e não conseguiram voltar.”

Eis aí. Depois de seis longos e penosos meses de crise, mesmo com o anúncio da mobilização dos controladores em todo o país, não havia uma miserável autoridade de primeiro escalão em Brasília. Só não digo que o governo teve o que mereceu porque os maiores prejudicados foram os passageiros e porque, sob nenhuma hipótese, aceito rebelião militar — como sabem, sou contra o direito de greve para funcionalismo público, em qualquer função. Tanto menos acho aceitável desordem promovida por militares.

Volto à questão da crise. Depois de muito gogó e caos nos aeroportos, nenhuma solução no horizonte. Até que os controladores decidiram: “Ninguém voa mais; quem está no céu desce, mas quem está no chão não sobe”. E então o nosso sindicalista, aquele gênio saído do povo, aquele demiurgo que tanto se jacta de ser um exímio negociador, teve uma idéia brilhante: “E se a gente aceitar tudo o que eles estão pedindo?” Algum áulico deve ter respondido: “Boa idéia, presidente!” E assim foi feito. Imaginem este senhor enfrentando uma daquelas crises financeiras que costumavam varrer o mundo de tempos em tempos na década passada. Convenham: com Lula, não é preciso que ninguém especule contra o Brasil. Ele sozinho já é um adversário e tanto. Não há mal que outros possam nos fazer de que o governo do PT não se ocupe primeiro.Daqui a alguns anos (vejam o meu otimismo), olharemos para estes dias com olhos bem mais severos. Entendo por que os petistas deploram tanto a área econômica do governo. Não que possa estar imune a críticas. Ocorre que elas sempre são feitas por razões viciosas. Eliminem a gestão macroeconômica, que ao menos consegue ser convencional e manter a estabilidade, e vejam o que sobra: um histórico melancólico de aviltamento das instituições, de retrocesso, de que o aparelhamento vergonhoso do Estado é a face mais visível. O que faltava a Lula? Uma crise militar. Já não falta. Os anões do jornalismo áulico adoram atacar as privatizações havidas no governo FHC. Pensem, por exemplo, na importância que a economia da informação assumiu nestes dias e agora imaginem a ex-gigante Telebras loteada pela companheirada. Estaríamos nos comunicando por meio de tambor e sinais de fumaça.Os controladores fizeram chantagem, quebraram a hierarquia, insuflaram a indisciplina e levaram o que queriam. Sob o patrocínio de Lula e seus valentes. Não se enganem: o sindicato entrou nas Forças Armadas.