Adelson Elias Vasconcellos
Tempos estranhos estes vividos pelo Brasil atualmente. Um fotógrafo, para dizer a verdade sobre o artefato que explodiu na cabeça de um cinegrafista da Band, precisou esconder o rosto para não ser perseguido e ameaçado pelos bandidos travestidos de manifestantes, que a própria imprensa teima em chamá-los de pacíficos.
Tempos estranhos estes vividos pelo Brasil, quando um ministro da Justiça a quem cabe a primeira e última palavra sobre pedidos de extradição de bandidos condenados no país, presos no Exterior, mas que fica num jogo de empurra de passar a bola ora para o STF, ora para o Ministério Público, por temer assumir sozinho o ônus da censura de seus companheiros de partido.
Tempos estranhos, também, quando se vê um procurador oferecer dosimetria para um apenas indiciado, cujo processo penal sequer foi aceito e, portanto, aberto. Tentativa bestial de agradar a quem o nomeou?
Tempos estranhos, sim, quando uma imprensa livre, como jamais em sua longa história, atua com medo das vozes fascistóides de grupelhos de extremistas de esquerda nas redes sociais, e se distancia de sua verdadeira missão de informar, costurando os fatos conforme o “outro lado” determina que sejam narrados.
Tempos estranhos estes vividos pelo Brasil, suportando o peso de um governo inchado, balofo, incompetente, medíocre, e atolado em número crescente de escândalos e que, a par de sua ruindade, é nomeado como favorito para desgovernar o país por mais quatro anos.
Tempos estranhos estes num país com 50 mil homicídios/ano, mas que prefere demonizar a única força legal capaz de conter e reprimir a insegurança pública e que, acuada, já não sabe mais qual a sua verdadeira missão.
É preciso ser muito obtuso para não perceber a vertiginosa marcha que o país tem adotado contra a ordem, a paz, a harmonia social. Estamos escolhendo o medo como arma de defesa, e o silêncio com voz de protesto. Estamos preferindo como nomear nossos representantes as vozes da bandidagem, a quem delegamos o direito de sabotar, quebrar, bater, incendiar, depredar, tripudiar e até de escolher o lado mau da história como o lado do bem.
Pessoas honestas, trabalhadoras, pacíficas, devotadas ao bem e à paz, não têm nem estômago tampouco tempo para unir-se a baderna que vai transformando o país num campo infestado por selvagens, bárbaros e estúpidos.
As tentativas de se conter o avanço destes animais sobre os espaços públicos e até privados, vejam a contradição, são justamente torpedeada e até sabotadas justamente pelas autoridades estaduais e municipais constituídas, também com medo, também acuadas, também constrangidas por não encontrarem amparo na autoridade federal que continua apostando no quanto pior, melhor.
Cabeças rolaram no presídio de Pedrinhas e, de certa forma, ainda continuam rolando, e não se ouviu até agora um único suspiro que fosse de indignação de parte das autoridades federais para condenar a ação dos criminosos e baderneiros, como também não se pronunciou uma única palavra de conforto à família da menina queimada viva pela bandidagem.
Tempos estranhos, também, quando contrariando nossa legislação trabalhista, o Ministério Público do Trabalho, de resto, a própria Justiça Trabalho, jamais se posicionou contrária ao contrato firmado pelo governo brasileiro com o governo cubano, alimentando de forma esgarçada a importação de mão de obra escrava. E, o que é pior, aceitou de forma cúmplice e passiva que o tal contrato fosse tratado como “secreto”.
Tempos estranhos em que se destinam recursos públicos para a construção de um porto no exterior, em um país cujo comércio com o Brasil é ridículo, enquanto nossos portos agonizam a falta de infraestrutura para dar conta do fluxo de mercadorias e, a Justiça, até agora, não se pronunciou uma única vez para declarar ilegal a decretação do contrato de financiamento como “secreto”, contrariando dispositivos constitucionais.
Tempos estranhos estes em que um ex-ministro da Educação, transformado em prefeito de uma grande capital, determina o corte de material escolar distribuído nas escolas públicas da rede municipal e destinados aos alunos mais pobres e carentes.
O Brasil precisa recuperar, imediatamente, seu bom senso, precisa determinar que seu caminho é o da liberdade de informação, precisa impor aos seus governantes o dever de dar publicidade aos seus atos e impor-lhes a proibição de mentirem publicamente. Como devemos, também, impor limites à ação da bandidagem, sem medo de punir e prender, independente da condição do condenado.
Em suma, nossa opção deve ser não apenas a da modernidade, mas a da civilização da qual estamos nos distanciando de forma gradual e inconsequente.
PAC 3, ou antecipando promessas eleitorais
A senhora Rousseff, sem que tenha concluído o PAC 1.0 tampouco o 2.0, promete lançar o PAC versão 3.0. E, claro, pendurado na promessa, investimentos de muitos bilhões de reais, projetos magníficos, transporte público de primeiro mundo, ônibus novos e refrigerados, metrôs varrendo os grandes centros urbanos de ponta a ponta.
É claro que o lançamento de um programa desta magnitude, às portas de um pleito eleitoral, não pode ser levado a sério. Exemplo disto é a tal matriz de responsabilidade, montada sob medida para atender às exigências da FIFA e que, como sabemos, resultou em retumbante fracasso. Se este governinho da senhora Rousseff conseguir concluir ao menos metade do que foi prometido, terá sido uma conquista e tanto.
Assim, é de se perguntar: se estando no poder há 12 anos, o PT nada fez quanto a mobilidade urbana, apesar dos compromissos assumidos para a Copa e os Jogos Olímpicos, um novo programa bilionário pode ganhar crédito?
De modo algum. Os governos petistas tiveram tempo e dinheiro, não fizeram por falta de projeto, falta de interesse, falta de competência.
Mais quatro anos para ouvirmos promessas que não se cumprem é jogar tempo e dinheiro no lixo, além da paciência.
Este é um partido que prefere enviar o dinheiro dos contribuintes brasileiros para financiar e alimentar ditaduras no exterior.
A morte do cinegrafista
Com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, os Black blocs já tem um cadáver para chamar de seu.
Como se trata de um jornalista, talvez a imprensa progressista, que adora cultuar a bandidagem e demonizar a polícia, caia na real, e se dê conta do papel pouco recomendável que vem cumprindo desde que estouraram as manifestações de junho de 2012.
É sempre bom destacar que a atuação dos black blocs não tem por alvo apenas patrimônios públicos e privados. É desejo de seus comparsas abrir guerra contra a própria imprensa e a polícia militar. São bandidos, não manifestantes.



