domingo, junho 10, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Ministério da Saúde apóia suspensão de panfleto da Parada Gay
Redação Terra

O Ministério da Saúde divulgou uma nota no início da noite desta sexta-feira em que apóia a decisão da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de retirar de circulação uma cartilha que supostamente trazia incentivos Ao uso de drogas no evento, que acontece neste domingo.

Na nota, o ministério diz que "alguns dos termos utilizados no folheto são adaptações dos termos contidos nos manuais de redução de danos para usuários de drogas, usados como referência nas ações de prevenção que, em hipótese alguma, podem ser considerados como incentivo ao uso de drogas".

A nota ainda traz dados sobre a redução de infecções de aids e outras doenças depois que o ministério passou a usar a estratégia.

Entre as recomendações do folheto estão "o uso de um canudo próprio" caso o usuário for cheirar cocaína. Outras drogas, como a maconha, também estão citadas: "Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado."

Além das dicas sobre o uso de drogas, a cartilha também traz material de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e pede para que as pessoas façam exames de prevenção, caso tenham mantido relações sexuais sem o uso de preservativos.

Todo o material possui o selo do governo federal e ainda vem com um anexo para que as pessoas apresentem o panfleto e tomem a primeira dose da vacina contra a Hepatite B nos postos de saúde da cidade de São Paulo.

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Vôo da Gol retido em Santiago há sete horas

Mais de cem passageiros da Gol, que deveriam fazer hoje de manhã o vôo 7457 entre Santiago do Chile e Buenos Aires, estão retidos na capital chilena deste as 6h da manhã (portanto, há sete horas), em virtude do forte neblina que atinge a capital argentina. Inicialmente, o avião da empresa brasileira deveria ter decolado às 7h30 (08h30 em Brasília). Segundo os funcionários da empresa no Chile, não há previsão de decolagem porque, até este momento, o aeroporto de Ezeiza continuo fechado em virtude da forte neblina. De Buenos Aires, o vôo da Gol segue para São Paulo e depois Rio de Janeiro.

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Revista IstoÉ: advogado Calmon é 'Dr. Pinóquio'

A revista IstoÉ que está nas bancadas chama de mentiroso o advogado Pedro Calmon Mendes, que defende os interesses da jornalista Mônica Velloso, ex-amante do senador Renan Calheiros. A revista, que o trata por "Dr. Pinóquio", lembrou que há duas semanas ele negou a existência de um fundo de R$ 100 mil para a formação cultural e educacional da filha do senador, mas logo apareceram recibos nesse sentido assinados pela dupla (a jornalista e o próprio advogado). Há uma semana, diz a revista, o mesmo Calmon negou a existência de gravações e transcrições de telefonemas pessoais entre os ex-amantes feitas pela jornalista, mas IstoÉ teve acesso a documento em que o perito Aidano Faria afirma que examinou e atestou a veracidade das gravações a pedido do advogado. Ele também negou que sua cliente tivesse contestado o valor da pensão paga por Calheiros, mas não é o que consta do processo judicial sobre o assunto: segundo a revista, há uma petição em que ele pede um acréscimo de mais R$ 9 mil à pensão mensal, mas "por fora" - para IstoÉ, "de uma forma que sugere, no mínimo, que as duas partes deviam lesar o Fisco". A revista também descobriu que o advogado se apresenta como "Pedro Calmon Filho", mas na OAB está registrado como Pedro Calmon Mendes.

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Revista Veja: Ex-amante reafirma acusações a Calheiros

A jornalista Mônica Velloso concedeu entrevista à revista Veja que circula hoje confirmando, desta vez em "on", as acusações que tem feito contra o senador Renan Calheiros, com quem teve uma filha. Suas afirmações não têm o teor explosivo de uma Nilcéa Pitta (a ex-mulher que revelou negócios suspeitos do ex-prefeito paulistano Celso Pitta), mas cumprem o papel de seguir constrangendo o presidente do Senado, especialmente na semana em que vai apresentar sua defesa no Conselho de Ética. Segundo resumo da própria revista, a jornalista reafirma em sua entrevista que ". o dinheiro que recebia era sempre pago pelo lobista da Mendes Júnior; . os pagamentos eram sempre em dinheiro vivo; . como regra, os pagamentos eram feitos no escritório da Mendes Júnior em Brasília. Poucas vezes aconteceram fora dali; . Renan Calheiros nunca falava de dinheiro e nunca lhe dissera que o dinheiro era dele; . sempre que tinha de tratar de dinheiro, o interlocutor era o lobista Cláudio Gontijo, nunca o senador."

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PSOL quer candidatura de Heloísa Helena à prefeitura do Rio

Dirigentes do PSOL já admitem a possibilidade de Heloísa Helena ser candidata à prefeitura ou à Câmara Municipal do Rio de Janeiro no ano que vem. Por enquanto, a ex-senadora descarta a possibilidade.
“Não me sentiria bem em transferir o título para disputar uma eleição. Seria uma manobra eleitoreira que a gente tem condenado”, disse a comunista.
Nas eleições presidenciais de 2006, Heloísa Helena obteve 20,4% dos votos válidos na cidade do Rio e 17,1% no estado, o que viabiliza candidatura

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"Cada país cuida do seu nariz"
Reinaldo Azevedo

Lula é mesmo uma piadista. Aproveitou a reunião do G-8 para fazer humor terceiro-mundista. Ele não gostou da abordagem final dos sete ricos mais a Rússia para as questões do meio ambiente. Segundo o Babalorixá de Banânia, quem tem de se comprometer com metas rígidas de redução de emissão de poluentes são os países ricos. Impor metas aos pobres seria uma forma de impedi-los de se desenvolver, de crescer. E, acredita, é chegada a hora de os ricos aceitarem essa realidade.
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Não sei se estou entendendo, mas acho que Lula está pedindo à Europa e aos EUA que desacelerem de modo significativo suas respectivas economias em benefício dos povos sofridos da América Latina e África. Ninguém aceitou a sua proposta.

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Se falassem português de Lula, talvez os chefes dessas nações lhe dissessem: “Cada país cuida do seu nariz”. Ou este achado moral do Apedeuta vale apenas para justificar a ditadura venezuelana?

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Pensando bem, Lula não é piadista. É a piada.

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O G-8 e a decepção de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu da Cúpula da Alemanha visivelmente contrariado. O G-8 ignorou as posições dos emergentes convidados e cravou compromisso sobre temas delicados ao mundo em desenvolvimento, entre os quais a liberação dos investimentos diretos, a reabertura das discussões sobre a quebra de patentes em casos de emergência de saúde pública e o compromisso de redução de emissão de gases poluentes.

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Para Lula, a maioria das propostas dos emergentes não foi discutida. "Eu fiz questão de dizer que não tinha havido essas discussões e que, portanto, tinha coisas no documento do G-8 com as quais nós não poderíamos concordar", relatou o presidente.

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"Eu propus que o G-5 (os cinco emergentes) e outros países fossem convidados se reúnam antes com o G-8, que disséssemos o que pensamos antes. Para que, quando eles forem fazer a reunião (reservada) do G-8, levem em conta a existência das nossas propostas." E nada disso aconteceu, segundo Lula, que não esconde sua contrariedade com as atenções dadas ao presidente Bush. (AE)

Bancos: 600 bilhões em quatro anos

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Há poucos dias, ao instalar um fórum econômico em São Paulo, o vice-presidente José Alencar, crítico declarado e permanente do endividamento brasileiro, revelou que, ao longo dos quatro anos do primeiro governo Lula, o País pagou aos bancos, de juros, nada menos que 600 bilhões de reais Não para amortizar, e sim, o que é mais grave, apenas para rolar a dívida interna do País, que agora atinge 1 trilhão e 200 bilhões de reais, conforme o balanço que mensalmente a Secretaria do Tesouro publica no Diário Oficial.

Este ano, por exemplo, o desembolso com a taxa em torno de 12 por cento cobradas pela rede bancária está previsto na escala de 165 bilhões de reais. Não existe despesa pública maior do que esta. José Alencar afirmou que de 2003 a 2007 o governo poderia ter pago a metade dos juros que pagou. Ainda assim - acrescentou - continuariam figurando entre os mais elevados do mundo. Principalmente para aplicações sem o menor risco, sem maiores investimentos, sem muito trabalho, apenas movimentando máquinas de calcular das mais simples. E também sem empregar muita gente na tarefa.

Para que se tenha uma idéia exata do montante da dívida interna, basta compará-la com o orçamento da União para este ano, que é de 1 trilhão e 556 bilhões de reais. O endividamento representa praticamente 75 por cento do total da lei de meios. Para dimensionar o peso dos juros em quatro anos, estabelece-se a mesma comparação. Eles significaram 40 por cento do teto orçamentário projetado para 2007. Em termos de PIB, a dívida interna significa algo em torno de 56 por cento. É demais. Relativamente à inflação que o IBGE aponta para os últimos doze meses, os juros reais são de 9 por cento. O IBGE calcula 3 pontos no índice inflacionário. Os bancos recebem 12 pontos, coincidentemente pelo período de doze meses.

José Alencar, ao criticar a taxa paga, condenou de forma direta a política colocada em prática pelo Banco Central. Sem dúvida. Mas não ficou só na imagem generalizada. Especificou. Disse que se o País tivesse desembolsado 300 bilhões em quatro anos, em vez de 600 bilhões de reais, os programas de educação, saúde, saneamento, transportes, segurança, teriam avançado muito mais do que avançaram. Mas como os banqueiros capitalizaram soma tão alta de recursos, o poder público ficou sem possibilidade de agir como gostaria. Além disso, os juros recebidos pelos bancos contribuíram fortemente para aumentar a concentração de renda no Brasil.

Basta comparar a taxa anual de 12 por cento, para ficarmos no último degrau da escada, com as correções aplicadas aos salários. Os funcionários públicos, tanto os federais quanto os do Rio de janeiro, então, nem se fala. Enquanto os preços subiram (e sobem, aliás, como é natural) eles não conseguem sair do lugar. Por isso, francamente, fiquei surpreso com a afirmação feita pelo economista Paulo Guedes, no artigo que publicou em"O Globo" de 4/06, de que a massa salarial encontra-se em evolução no País. Só posso entender não ter ele considerado a inflação oficial e ficado apenas no movimento nominal dos salários. Mas movimento nominal não quer dizer muita coisa. Representa apenas uma correção.

Movimento por movimento, o que dizer do que favorece a economia particular dos estabelecimentos de crédito? Pode-se dizer, como inclusive Paulo Guedes disse, que a acumulação de capital contribuiu e contribui para tornar o crédito mais acessível. Até aí tudo bem. Mas isso está longe de significar progresso da massa salarial. Ao contrário, pois o recurso cada vez maior ao crédito significa uma compressão mais acentuada no volume de salários. Isso porque, como há tempos sustentou com clareza Homero Icaza Sanches, "o bruxo das pesquisas", o impulso ao consumo de parte de uma classe, qualquer classe, é sempre mais forte do que sua disponibilidade.

Ele estava ainda dirigindo as pesquisas da Rede Globo e seu estudo serviu para mostrar que, no plano comercial, ao contrário do eleitoral, não é decisivo somente levar-se em conta de qual segmento a que os entrevistados pertencem. Este fato, por si só, não será representativo da vontade que os consumidores expressam. Com base em Homero, nesta odisséia estatística, pode-se compreender bem um dos motivos que levam à expansão do crédito. A necessidade que o consumidor tem de adquirir. A necessidade, também, que os bancos têm de aplicar. Pois ganhando dinheiro demais, qualquer parcela parada na sua contabilidade significará uma perda inflacionária. E banqueiro não quer perder nada.

Isso é natural, ninguém quer. Nem tempo. Este tempo que todos nós estamos cansados de perder nas filas dos bancos porque eles empregam menos do que deveriam. Não influiria em seus lucros. Até porque os salários que pagam são dedutíveis no imposto de renda. Nós, assalariados, é que não podemos reduzir do IR as horas que todos os meses escapam de nossas mãos. Por isso, aproveito para citar Marcel Proust. Todos nós, consumidores, estamos eternamente partindo em busca do tempo perdido.

As perdas causadas pela concentração de renda são ainda maiores. E aumentam a cada dia, na medida em que a política de juros altos se mantém. Na há saída. Os salários, hoje, representam apenas 30 por cento do PIB, se tanto. Mantida a política atual, daqui a um ano sua participação relativa será ainda menor. E assim caminha o País na rota irreversível do conservadorismo. Ele venceu com FHC. Continua com Lula.

Dize-me com quem andas...

Fritz Utzeri, jornalista , Jornal do Brasil

Há algo estranho em Luiz Inácio da Silva. O termo "tefal", usado para designar FH quando os escândalos pareciam não atingi-lo, é pouco para caracterizar a invulnerabilidade do Molusco. Ele deve ter nascido com um campo de força à sua volta, desses de ficção científica. Nada o atinge, por mais que esteja no centro da ação. Senão, como explicar que a cada novo escândalo em seu entorno imediato, sua popularidade se mantém inabalada ou até cresce? Bem, lulas e outros cefalópodes são naturalmente escorregadios e velozes, daí ser difícil grudar algo neles.

Ou então estamos diante do máximo da alienação, coisa de Muito além do jardim, aquele filme com Peter Sellers no qual ele era um perfeito abobado cujas platitudes o transformaram num guru. Se fosse verdade, teríamos que admitir que o presidente da República é o pior avaliador de homens que já existiu. Alguém que desmoraliza até a sabedoria popular, na qual tanto se apóia em suas metáforas. Quer dizer que nossos avós erravam quando diziam: "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és"?

Difícil é crer nessa imagem alienada. O presidente é inculto, mas está muito longe de ser burro. Diria até que é muitas vezes mais inteligente que seu antecessor, FH. E nos escândalos mais recentes, demonstra que já está aprendendo a lidar de forma competente com eles, um verdadeiro mestre da enganação. Com duas faces, uma furibunda pouco conhecida a não ser pelos assessores, e outra para uso externo, geralmente bem humorada e sagaz.

Os envolvidos mais recentes nas tramóias são o próprio irmão e o compadre de Luiz Inácio. O mano mais velho, Vavá, foi pego mordendo bingueiros em troca de influência. Coisa rasteira que, se vendeu, não entregou. Ladrão de galinha, por suas próprias limitações, sujou-se magro. Bem que o mano mais novo disse que ele "não tem cabeça pra fazer lobby". Tudo nessa história é estranho. Por que desencadear a Operação Xeque-Mate (que rei morreu?) justo quando o presidente está no exterior? Por que tanto estardalhaço com o pobre do Vavá? Muito mais sério foi o que ocorreu com o Lulinha...

Se malandro fosse magnético, Luiz Inácio seria um ímã poderoso. A lista de gente não recomendável nas imediações do presidente é de estarrecer. Vejam o compadre Dario Morelli Filho (batizou um dos filhos do presidente), foi preso pela PF na Operação Xeque-Mate, por seu envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, cujo capo, Nilton César Servo, é amigo de Vavá e Dario.

Em escândalos mais antigos tivemos Oswaldo Bargas, marido da secretária do presidente; o churrasqueiro Jorge Lorenzetti, assessor especial de Luiz Inácio durante 17 anos; Paulo Okamoto, tão amigo que pagou uma dívida de R$ 29 mil e jamais cobrou do Molusco (ninguém me arranja um amigão desses!). E isso para não falar de Dirceu, Gushiken, Delúbio, Palocci (que acaba de ter os direitos políticos cassados por irregularidades como prefeito de Ribeirão Preto); Silvio Pereira, Berzoini, Genoino, Duda Mendonça, Humberto Costa, Silas Rondeau e Renan Calheiros.

Razão tinha o "quase-futuro- será-que-assume?" secretário da Sealopra, Mangabeira Unger, ao escrever que o atual governo é o mais corrupto da História. Em 1954, a UDN golpista denunciava a existência de um "mar de lama no Catete". Era uma pocinha perto do que vemos hoje, mas o único político brasileiro que tinha vergonha na cara se matou. Hoje acham graça, riem na nossa cara, não observam nem o decoro, nem a decência e não têm nem mesmo a hipocrisia de aparentar inocência e tentar inventar uma boa desculpa. Nem precisa. Qualquer porcaria serve, porque a absolvição já é garantida.

Eu quero saber de tudo

por Diogo Mainardi, Revista Veja
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Um delegado da Polícia Federal, citado por O Globo, definiu Vavá como "um cara simples, quase analfabeto, que enrola as pessoas". Eu diria que ele possui todos os predicados para suceder ao presidente da República. Vavá 2010. Dois anos atrás, quando VEJA publicou que Vavá intermediou encontros sigilosos no Palácio do Planalto entre homens de negócios e o principal assessor de Lula, Gilberto Carvalho, ninguém deu bola para o assunto. Por algum tempo, os oposicionistas ameaçaram convocar Vavá e Gilberto Carvalho à CPI dos Bingos, mas acabaram desistindo com o argumento de que a vida particular do presidente deveria ser mantida longe da luta política.
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Lula tem direito a uma vida particular? Renan Calheiros tem direito a uma vida particular? Algum político tem direito a uma vida particular? A imprensa acredita que sim. Mais do que isso: a imprensa acredita que pode determinar o que é um fato de interesse particular e o que é um fato de interesse público. Se um político tem um filho fora do casamento, a imprensa o considera um fato de interesse particular. Ela só passa a considerá-lo um fato de interesse público quando uma empreiteira paga suas contas.
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Os jornalistas conhecem a intimidade dos políticos. Eles ficam a maior parte do tempo bisbilhotando os detalhes mais sórdidos sobre essa gente. Mas só publicam o que, para eles, estamos aptos a entender. A imprensa atribuiu-se um papel civilizador. Ela argumenta que é uma selvageria julgar um político a partir de seus hábitos privados. Por isso, sonega sistematicamente qualquer notícia a esse respeito.
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Eu nunca me escandalizo com o comportamento dos outros. Mas me recuso a aceitar que a imprensa imponha seus valores omitindo os fatos. Se um senador é adúltero, eu quero saber. Se uma ministra dormiu com um presidente, eu quero saber. Se a mesma ministra traiu o marido com um líder oposicionista, eu quero saber. Depois concluo do jeito que quiser.
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Os brasileiros acham que o fetiche da imprensa americana pela vida amorosa dos políticos é um sinal de jequice. Eu acho que jequice é delegar a um repórter de uma sucursal de Brasília a escolha sobre o que eu devo ou sobre o que eu posso saber. Os políticos precisam se sentir permanentemente vigiados. Quando a imprensa acoberta seus deslizes privados, termina por acobertar também seus crimes públicos.
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A política brasileira é repulsiva. A gente deveria punir os políticos arruinando sua vida particular. Ao contrário do que se diz, não há nada de errado nisso. Se as aventuras sexuais de Marco Antônio foram relatadas pelos romanos, por que os brasileiros não haveriam de relatar as de Renan Calheiros? Renan Calheiros está para Marco Antônio assim como o Brasil está para a Roma Antiga. Marco Antônio 2010. Renan Calheiros 2010.

Bancada ruralista vai voltar a atacar

Tales Faria, Informe JB
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Há muito tempo não se ouve falar daquelas velhas pressões da bancada ruralista no Congresso contra o governo. É que o agronegócio tem ido muito bem na gestão do presidente Lula. Apesar de a nossa moeda, o real, andar superfaturada em relação ao dólar, o que, em tese, prejudicaria as exportações.

E bancada ruralista em paz é muito bom para qualquer governo, porque os parlamentares que compõem o grupo costumam jogar muito pesado no Congresso. Quando decidem encrencar, escolhem um tema bem importante para o Palácio do Planalto e avisam: "Chegou a hora do pau!". Quase sempre obrigam os governantes de plantão a cederem. E, em geral, a hora em que mais gritam é quando tratam das dívidas do setor

Pois é. A turma do agronegócio está de volta para pressionar o governo a renegociar, outra vez, as dívidas do setor. Algo em torno de R$ 20 bilhões. Na verdade, eles pretendem renegociar o que já foi renegociado e não chegou a ser pago.

O pior é que, segundo uma fonte desesperada do governo, o terreno é propício para mais uma benesse da viúva: PMDB forte e ministro da Agricultura - no caso o peemedebista Reinhold Stephanes - que não é do ramo e quer se afirmar junto aos agricultores e a seu partido.

Mais. O Banco do Brasil, que é o grande credor dos produtores rurais do país, não está com muita disposição de entregar o ouro. O vice-presidente de Agronegócio do BB, escolhido a dedo, é o ex-ministro da Agricultura Luiz Carlos Guedes, que segundo a mesma fonte "não é de abrir as burras por pouca conversa".

Ou seja, não bastassem as operações Navalha, Xeque-Mate e Furacão, não bastassem as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Apagão Aéreo e a CPI das ONGs, não bastassem as denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, não bastasse isso tudo, ainda vem aí mais uma encrenca para bagunçar um cenário político que vinha muito bem, obrigado.

E os pequenos!
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) cobrou em plenário, na terça-feira, a "edição urgente de uma medida provisória, com regras claras para a repactuação das dívidas rurais". Valadares não se classifica na bancada ruralista. Diz que não está reivindicando para o agronegócio e sim para pequenos produtores. Segundo ele, diversos pequenos produtores de seu Estado que ficaram de fora da Lei 11.322, de 2006, estão na iminência de perderem suas propriedades para os bancos, em leilões que deverão ocorrer já a partir do dia 18. "São micro, pequenos e médios produtores, com créditos antigos e endividados em função de secas consecutivas".

Mais um do PT
Por falar em Banco do Brasil, a sua Vice-Presidência de Tecnologia deve ir mesmo para as mãos do PT. Por obra, graça e indicação do presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, já está praticamente empossado no cargo o auditor José Salinas. É a contra-partida para o fato de o PMDB ter ficado com a Vice-Presidência de Governo do Banco, entregue, como é sabido, ao ex-senador Maguito Vilela.

Mais um da Dilma
A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, ficou um pouquinho mais poderosa esta semana. Arno Agostinho, que tomou posse na segunda-feira como secretário do Tesouro, é colega da ministra dos tempos em que ambos foram secretários do governo petista de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. A explicação para entregar o controle da secretaria à ministra é a baixa execução orçamentária e o alto superávit do Tesouro nos últimos meses. Dilma é a responsável pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E o programa precisa de verbas que são liberadas pelo Tesouro. Se o Orçamento não está sendo aplicado e o superávit cresce além da conta, é porque não se está investindo nas obras do PAC.

Mais Estados
Outra encrenca que está tomando corpo no Congresso é o movimento para criação de novos Estados, como o de Carajás, que seria seccionado do Sul do Pará. Há um projeto tramitando na Câmara - de autoria do deputado Giovanni Queiroz - para realização de um plebiscito sobre o assunto. Os deputados da região se revezarão fazendo discursos e abordagens aos novos colegas que chegaram ao Congresso e dizem que vão procurar os senadores. O ânimo do grupo aumentou depois que os maranhenses da região de Imperatriz ganharam apoio e estímulo do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para a criação de um novo Estado.

Ligações perigosas
Dario Morelli Filho, o compadre de Lula apanhado pela PF na Operação Xeque-Mate, foi chefe da Sama, a empresa de saneamento de Mauá. Trata-se da mesma companhia que, pouco depois, foi assumida pela Ecosama, subsidiária da Gautama de Zuleido Veras. As duas coisas aconteceram durante a gestão do petista Oswaldo Dias, prefeito da cidade entre 1997 e 2004.

Prende-solta
Piadinha que corre em Brasília: não confunda Gautama, a empreiteira, com Guantánamo, a superprisão que os EUA mantêm na ilha de Cuba. Gautama não prende ninguém!

Walfrido na China
O Brasil vai presidir pelos próximos dois anos a Associação Internacional de Conselhos Econômicos e Sociais e Instituições Similares (AICESIS). A entidade, que atualmente é presidida pela China, conta com 54 países membros, dos quais 46 são efetivos e oito, associados. Com isso o coordenador político do Palácio do Planalto, Walfrido dos Mares Guia, é outro que ficará um pouquinho mais poderoso. É que ele assumirá a presidência da entidade representando o Brasil. Walfrido toma posse do novo cargo em Pequim, no dia 20 de junho.

TOQUEDEPRIMA...

PF: Vavá teria usado nome de Lula para fazer lobby
Graciliano Rocha , Redação Terra

Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostrariam que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria usado o nome de Lula para pedir dinheiro, o que caracterizaria tráfico de influência. Na transcrição de um trecho das gravações, Vavá conversa com Nilton Cezar Servo, suspeito de ser um dos comandantes da máfia dos jogos, e diz que defende os interesses dele e de pessoas indicadas por ele. As informações foram passadas por uma fonte que teve acesso aos autos do processo que culminou com a Operação Xeque-Mate.

O irmão de Lula foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência na última terça-feira. As investigações indicam que em uma das conversas telefônicas, do dia 25 de março, os dois fariam referência ao presidente Lula: "Veio, veio, veio, e eu falei com ele sobre o negócio das suas máquinas", disse Vavá.

"Ele (Lula) falou pra mim pegar... (ininteligível) pra levar pra ele lá", completa o irmão do presidente, dando a entender que, no dia seguinte, ele conversaria com o irmão.

Segundo a Polícia Federal, o "ele" que aparece nas conversas seria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há indicativos de que as promessas tenham sido cumpridas.

Em sua análise, feita na transcrição das conversas telefônicas, a PF afirma que a "conversa indica que Vavá está usando o nome de seu irmão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para conseguir dinheiro junto a Nilton Cezar Servo".

Em outros diálogos gravados pela PF estariam promessas de beneficiar uma empreiteira em obras públicas do governo e influenciar o Judiciário.

Entre os dias 1º e 25 de março, Vavá e Servo falaram ao telefone pelo menos 12 vezes e, na maioria delas, o tema seria um combinado entre promessas de ajuda e pedidos de dinheiro. Segundo a PF, Vavá pediu R$ 5 mil ao empresário.

Também em março, Servo teria discutido com um cunhado sobre o comportamento do irmão do presidente, que, segundo ele, pediria dinheiro "insistentemente" e que, de acordo com uma conversa do dia 26 de março, o teria "passado para trás" num lobby para favorecer uma construtora não identificada.

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Grampo mostra amigo de Lula negociando com preso
Graciliano Rocha, Redação Terra

A Polícia Federal (PF) interceptou uma conversa telefônica entre Dario Morelli Filho, preso pela Operação Xeque-Mate desde segunda-feira, e um homem que, segundo a PF, seria um detento do sistema penitenciário de São Paulo. No grampo Morelli discute com o suposto preso - que não foi identificado - sobre a abertura de uma casa de jogos em Ilhabela, no litoral de São Paulo. A gravação foi feita no dia 29 de março deste ano.

"É um salão com aquelas máquinas de bingo", diz Morelli.

Na conversa, Morelli fala sobre um depósito em dinheiro para o suposto detento e afirma ter, além da casa de jogos em Ilhabela, "máquinas de rua". Na última quarta-feira, 23 máquinas de jogo foram apreendidas pela polícia na casa de jogos de Ilhabela.

Dario Morelli Filho é amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é padrinho de um de seus filhos. Ele é suspeito de ser sócio do ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, acusado de chefiar uma organização criminosa de exploração de caça-níqueis.

Na versão que apresentou à PF, Morelli afirma que sua relação com Servo seria de amizade, não de sociedade. Ele alegou ser uma espécie de gerente informal da casa de Ilhabela, que pertenceria a Servo. Ele receberia R$ 1,5 mil por mês para ir até a casa de jogos uma vez por semana.

A Deck Vídeo Bingo, em Ilhabela, está em nome da firma individual Renato Costacurta Prata ME. Prata, que também foi preso na segunda-feira, seria um "laranja" de Servo e Morelli, segundo investigação da Polícia Federal.

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Xeque-Mate: acusados teriam reclamado de Vavá
Graciliano Rocha, Redação Terra
Gravações da Polícia Federal (PF) que fazem parte das investigações da Operação Xeque-Mate, deflagrada na segunda-feira, mostram os presos Dario Morelli Filho e Nilton Cezar Servo falando sobre Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assunto em questão seriam as promessas não cumpridas de Vavá, indiciado por crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio.

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Na conversa gravada no dia 22 de março, Servo reclama para Morelli sobre Vavá. "Bem que você falou, aquele véio é picareta mesmo viu!", aponta a gravação da PF.

Morelli pergunta a quem ele se referia, e Servo esclarece que está falando de Vavá. Servo afirma que o irmão do presidente Lula teria voltado a lhe pedir dinheiro. Na gravação ele fala no valor de R$ 2 mil.

"Vavá é picareta mesmo, que (ininteligível) não presta mesmo", concorda Morelli.

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Parada Gay tem panfleto orientando uso de cocaína
Redação Terra

Um panfleto feito para ser distribuído nos eventos da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo traz orientações sobre como usar drogas, entre elas cocaína, sem correr riscos.

"Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro", diz o material. Outras drogas, como a maconha, também estão citadas: "Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado."

Além das dicas sobre o uso de drogas, a cartilha também traz material de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e pede para que as pessoas façam exames de prevenção, caso tenham mantido relações sexuais sem o uso de preservativos.

Todo o material possui o selo do governo federal e ainda vem com um anexo para que as pessoas apresentem o panfleto e tomem a primeira dose da vacina contra a Hepatite B nos postos de saúde da cidade de São Paulo.

O Ministério da Saúde ainda não divulgou maiores esclarecimentos sobre a cartilha, embora confirme que os textos são associados à política de redução de danos do governo.

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Lula teve dias infelizes na viagem ao exterior
Cláudio Humberto

O que poderia ser uma viagem perfeita para o presidente Lula, com direito a assistir ao jogo da seleção brasileira contra a Inglaterra no novo estádio de Wembley, se transformou numa sucessão de explicações à imprensa. Primeiro foi a agressão do "companheiro" Hugo Chávez ao Senado brasileiro. Se a paz prometia reinar na chegada à terra de Ghandi, a Operação Xeque-Mate conseguiu azedar de vez a viagem presidencial ao exterior, com o envolvimento do seu irmão Vavá no escândalo. Lula encerrou a entrevista levantando-se após bater vigorosamente com as mãos espalmadas sobre a mesa, após afirmar que as investigações doem, "mas um dia vai para julgamento e vai aparecer quem é culpado e quem é inocente".

TRAPOS & FARRAPOS...

QUANDO A LEI NÃO LEGITIMA A DEMOCRACIA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Muitos têm defendido a não renovação da concessão da rede RCTV na Venezuela como um ato legal, e, por isto mesmo, plenamente democrático. Assim escrevem e falam como se a existência de uma lei pudesse conferir legitimidade a uma ação autoritária. Tanto o presidente Lula quanto seu partido, como alguns ministros e auxiliares se apressaram a negar validade aos críticos do ato bestial de Chavez, sempre calcados nesta tolice, a de que a lei dá ao governante o poder de agir e estando a ação escorada na lei, a insanidade é dita como democrática.

Será verdade, que toda a ação produzida a partir da existência de um instrumento jurídico confere o poder de tornar o ato como democrático ? Seria bom e conveniente que estes arautos da pantomima se debruçassem na história das civilizações para saberem que sua tese é falsa, e padece de qualquer senso lógico. Por séculos, tanto a escravidão quanto a servidão, fossem pelos costumes, ou por leis específicas foram ações legítimas à luz dos instrumentos jurídicos vigentes. E, mais próximo de nós, a própria ditadura militar esteve estruturada em leis, e até uma constituição, a de 1969, que lhe davam e emprestavam esta couraça protetora da lei. E nem por tudo isso, seja a escravidão, a servidão e a ditadura militar brasileira conferiam e se pareciam legitimidade “democrática”.

Portanto, caem por terra as justificativas, teses e demais gabolices com que se tentam armar para um cenário em que o ato ditatorial se revestiu dentro dos preceitos democráticos. A começar até porque a lei em que Chavez se fundamentou para negar a renovação da concessão da RCTV determina poder unicamente ao presidente para este procedimento. Até o Brasil teve o cuidado de prever que a renovação ou não devesse cruzar pelo Congresso Nacional, onde se presume se faz presente maior representatividade da vontade soberana de um povo. Sempre que uma decisão fica à mercê da vontade de um único dirigente, temos o caminho aberto para o autoritarismo. E é isso mesmo que se dá na Venezuela presentemente.

Outra tolice cantada pelas esquerdas e até por Lula para justificar as ações de Chavez é a de que ele foi eleito pelo povo, diretamente. Até isto acaba sucumbindo como tese.

Leiam a seguir uma breve biografia, tentando decifrar a quem ela pertence.

* Teve pouco rendimento na escola, com rendimento considerado medíocre;
* Fazia trabalhos manuais; Viveu ocioso por 2 anos;
* Foi declarado inapto para o seu ofício;
* Não tinha inclinação para o trabalho regular;
* Aderiu ao partido operário e foi fundador de um partido dos trabalhadores;
* Foi preso por agitação e conspiração contra governo;
* Ficou preso por pouco tempo;
* Depois de tentativas fracassadas de chegar ao poder, decidiu que o movimento precisava chegar ao poder por meios legais;
* Passou a receber doações de campanha de empresários (indústrias), que colocaram o partido em base financeira sólida;
* Utilizou-se de demagogia, fazendo um apelo emocional para a classe média e os desempregados, baseado na sua fé de que seu país acordaria de seus sofrimentos e assumiria a sua grandeza;
* Orador magnetizante, usou fartamente do artifício da sedução em massa, com a habilidade de um ator, recebendo grande apoio popular;
* Nestas condições, ele e o partido chegaram ao poder com uma votação expressiva.

Pois bem, vocês já adivinharam a quem pertence a “notável” biografia acima? Você encontrou alguma semelhança com a de Lula, né? Pois saibam que a personagem acima trata-se nem mais nem menos do que ... ADOLF HITLER.

Você esqueceu que o Lula ficou ocioso não somente 2 anos e sim 40 anos? Além disso, nem aluno ele foi, é analfabeto!Bem pior né?

Talvez fosse este o momento de lembrar algumas facetas de Lula e do PT para o leitor saber com que tipo de democrata o país está lidando.

- Negou-se a participar do Colégio Eleitoral mesmo não havendo outra saída;
- Expulsou três deputados que participaram;
- Não homologou a Constituição de 1988;
- Chamou a Carta de arranjo das elites;
- Negou-se a participar do governo Itamar, de olho nas urnas;
- Afirmou que o Plano Real daria errado;
- Opôs-se violentamente às reformas;
- Opôs-se violentamente às privatizações;
- Acusou e massacrou reputações sem provas, como José Dirceu admitiu à CPI no caso de Eduardo Jorge, por exemplo.

Uma vez no poder, fez mea culpa do que já não tinha mais remédio e propôs, vejam só: as mesmas reformas que antes havia rejeitado em nome do combate ao neoliberalismo! Na economia, aplicou as mesmas receitas, convencionalmente, ortodoxas, que antes chamava de "neoliberais". No topo do país, montou o maior esquema de corrupção de que se tem notícia; tentou, ainda antes de Chávez, criar o Congresso Paralelo com o Conselhão (é que deu errado); tentou e vai voltar a tentar censurar o jornalismo; passou a defender a Lei da Mordaça para o Ministério Público, que antes atacava; tentou criar mecanismos de controle da produção cultural; inventou uma moral própria que é pau para toda obra: “Faço, mas quem não faz?”; investe num arremedo de luta de classes no que respeita às políticas sociais; aparelha o Estado como nunca se viu; dissolveu de tal sorte as fronteiras entre Estado e partido, que Berozini, para escapar de uma acusação, é capaz de admitir como coisa legítima que o dinheiro público financie cartilhas para o PT — e a explicação, provavelmente, é mentirosa; aliou-se às piores oligarquias regionais na grande maioria dos Estados; passou, enfim, a adotar a ética do “enfiar a mão na merda”; deixa claro que considera alternância de poder um ato de sabotagem.

E, para complementar. Tentou forjar um dossiê fajuto para dar um golpe nas eleições de São Paulo e levar na marra a eleição presidencial. O fato de não ter dado certo, não apaga o crime. Ufa, não é pouca coisa, não !

Poderia enumerar ainda outras tantas questões. Mas daquilo que acima apresentamos ressalta uma certeza: a de que Lula não somente é igual a Chavez e Fidel, mas compartilha de suas idéias e métodos. A diferença é que o Brasil não é Cuba nem Venezuela, muito embora o intenso esforço do governo Lula e seu partido para chegarmos lá.

Portanto, seja pela via da eleição como Chavez usou para chegar ao poder, ou pelas lei de que faz uso para os seus atos de governo, nada disso merece ser considerado como legítimo estado de direito democrático. Tomem por exemplo o uso excessivo que Lula faz das medidas provisórias. E ele adora este instrumento. Não se enganem: a pele até pode parecer de cordeiro, mas o bicho que se esconde dentro dela é a do lobo: tirano, autoritário e ditatorial.

Ah, para vocês refletirem sobre o governo Lula, encerramos com uma sentença bem marcantemente nazista: "Que significa ainda a propriedade e que significam as rendas? Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? Nós socializamos os homens." (Adolf Hitler, citado por Hermann Rauschning, Paris 1939).
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Bingo ! E mais não precisa ser dito...

O golpe do comissariado

Elio Gaspari, Jornal O Povo (Fortaleza/CE)

Nesta semana, possivelmente amanhã, o comissariado do Partido dos Trabalhadores poderá fechar questão na defesa da instauração do voto de lista para as eleições de deputados. Estará dado um poderoso passo para a cassação do direito de os cidadãos escolherem seus representantes na Câmara. Aos trancos e barrancos, esse direito está aí desde o século XIX. A nomenklatura do PT, assim como as do PSDB e do DEM, quer impor um sistema pelo qual os eleitores ficarão obrigados a votar nos partidos, elegendo maganos colocados numa lista de acordo com as preferências dos donatários das siglas. É um sistema que se parece mais com as ordenações manuelinas do século XVI do que com a tradição do sistema eleitoral brasileiro.
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Hoje o eleitor escolhe um candidato e seu voto vai para o grande panelão da sigla pela qual ele concorre. O total de votos obtidos pelo partido num estado é dividido por um quociente que relaciona o tamanho do eleitorado com o número de vagas em disputa. São empossados os candidatos que tiveram maior votação. Nesse sistema vota-se num, mas freqüentemente ajuda-se a eleger outro. No Rio, os 51 mil votos dados ao tucano Márcio Fortes, ex-presidente do BNDES, socorreram o pecúlio de Silvio Lopes, o ex-prefeito de Macaé que teve a colaboração de 14 parentes na administração da cidade.
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Não haverá mais o voto no candidato. Nem em Fortes, nem em Lopes. Se o PT paulista puser o Professor Luizinho (59 mil votos em 2006) na frente de Arlindo Chinaglia (170 mil votos), Luizinho terá precedência.
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A pergunta é óbvia: quem faz a lista, e quem a ordena? Os partidos, com suas obras e suas pompas. Um bom exemplo de democracia partidária está na forma como o PT tratou o assunto. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou que 63% da militância do partido defende a manutenção do atual sistema eleitoral. A bancada de 83 deputados discutiu a proposta e dividiu-se, com leve vantagem para a lista. O comissário José Dirceu assombrou-se: "Andam propondo que a bancada do PT seja liberada para votar a reforma política, ou seja, cada deputado ou deputada vota segundo sua convicção. Quer dizer, estão propondo o fim do PT. É demais!" (Dirceu retificou essa afirmação ao perceber que, com o fechamento da questão, as convicções irão às favas e seu PT sobreviverá.)
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O comissariado petista convocou duas reuniões da Comissão Executiva. Uma para amanhã, outra para quinta-feira. Como seus 21 membros querem o voto de lista, a bancada e um pedaço da militância poderão ser atropeladas. Isso no PT, que é relativamente democrático. Nele, os defensores das listas expõem-se à contradita. No PSDB e no DEM, há grão-duques cabalando o golpe eleitoral sem botar o rosto na vitrine.
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Arma-se a hegemonia das máquinas partidárias. Salve, José Dirceu e José Genoino, ex-reis do PT. Alô, Eduardo Azeredo, ex-príncipe do PSDB. Viva Roberto Jefferson, imperador do PTB. Evoé, Valdemar Costa Neto, sultão do PL. Alvíssaras, Pedro Corrêa, ex-faraó do PP.
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O golpe eleitoral tem tudo para ser aprovado pelos parlamentares de um Congresso bafejado por hábitos de apropriações desmoralizantes. Não custa lembrar as palavras de Renan Calheiros na última posse de Lula:
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"Quem morreu não foi a democracia, não foi a ética, quem apodreceu foi o nosso sistema político uninominal." A menos que "sistema político uninominal" seja um codinome da "gestante", o doutor Calheiros quer adaptar as regras do jogo às conveniências de sua parentela.
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O cambalacho ilumina os deputados porque uma gambiarra determinará que as listas partidárias da eleição de 2010 sejam encabeçadas pelos parlamentares eleitos em 2006. Em poucas palavras: a prorrogação do mandato para cerca de 80% da Câmara.
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Tungada no direito de escolher seus candidatos, a patuléia será convidada a pagar a conta. Criando-se o financiamento público das campanhas, os contribuintes pagarão R$ 7 por eleitor alistado.
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Argumenta-se que, se a choldra pagar, acabarão as caixas paralelas.
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Parolagem. As caixas da malandragem só acabarão quando seus beneficiários tiverem medo de ir para a cadeia. Sem grades, sempre que houver alguém querendo dar dinheiro a candidato, haverá algum mensaleiro mordendo o mercado. O financiamento público das campanhas eleitorais brasileiras será mais um caso de taxação das vítimas.
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Estima-se que, com os mimos da reforma, o PRB poderá ficar com R$ 8 milhões. Pouca gente sabe, mas PRB é o Partido Republicano Brasileiro, que elegeu um só deputado. O PMDB, com 93 cadeiras, embolsará R$ 136 milhões. Isso sem contar o prestígio acumulado em diretorias da Petrobras, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil.
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Depois de tanta notícia ruim, uma boa. Há duas vozes petistas contra o voto de lista. São o deputado Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy. Zarattini foi o quinto mais votado na bancada do PT de São Paulo. Poderia ser um crítico silencioso da maracutaia, pois, se ela for consumada, seu mandato será prorrogado. Há poucas semanas, ele foi à tribuna da Câmara e advertiu:
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"Em vez de realizarmos campanhas nas ruas discutindo e debatendo com o eleitor, levando-lhe nossas propostas, ouvindo o que ele tem a dizer - o que é, inclusive, muito importante para reciclarmos nossos pontos de vista -, vamos levar essa disputa da formação da lista para dentro dos partidos. E salve-se quem puder, porque, lá dentro, a briga vai se dar em outros termos." Quais termos?, perguntaria Delúbio Soares.

Infraero tira a secretária de Lula

por Hugo Marques, na Revista Isto É
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Seja como presidente do PT, candidato à Presidência da República ou presidente do Brasil, nos últimos 13 anos Luiz Inácio Lula da Silva sempre teve seus lugares de trabalho ornados com lírios brancos e cravos vermelhos. E, nos últimos 13 anos, quem escolheu pessoalmente as flores foi sua secretária particular, Mônica Zerbinato. Nem mesmo o envolvimento do marido, Osvaldo Bargas, no escândalo da compra do dossiê contra os tucanos, no ano passado, chegou a abalar o cargo de Mônica no Palácio. Na terça-feira 5, porém, ela trocou de emprego. Começou a trabalhar no Setor Bancário Norte de Brasília, como chefe de gabinete na Agência de Promoção de Exportações e Investimentos. A mudança do local de trabalho foi discreta, mas carrega consigo uma boa explicação. É que, na mesma semana em que Mônica deixou o Palácio, chegaram a Brasília e começaram a circular no Ministério Público e na CPI do Apagão Aéreo as cópias dos cinco depoimentos que a empresária Silvia Pfeiffer prestou à Polícia Federal no Paraná. Em suas declarações, a empresária aponta para uma suposta participação de Mônica em irregularidades na Infraero, com o intuito de arrecadar dinheiro para o PT.
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A troca de emprego de Mônica é uma tentativa de tirar o Palácio do caminho da CPI do Apagão, onde, apesar do esforço dos parlamentares governistas, as irregularidades cometidas na Infraero serão abordadas. “Vamos entrar com todo o gás na Infraero”, avisa o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Silvia Pfeiffer deve depor dentro de duas semanas na CPI e, se reafirmar o que já dissera a ISTOÉ e confirmou na PF, poderá levar a própria Mônica a também se explicar. Em 11 de maio, Silvia assegurou ao delegado Flúvio Cardinelli Oliveira Garcia que o empresário Valter Samara, amigo pessoal de Lula, lhe prometeu facilitar negócios junto à Infraero, por intermédio de Mônica, em troca de 10% de propina para o partido do presidente. De acordo com o depoimento, na primeira quinzena de novembro de 2004 Silvia viajou com Samara no mesmo avião para Brasília e este a convidou para um churrasco no Lago Norte. Na festa, Samara avisou que Silvia poderia procurar “Mônica Bargas”, para que a secretária particular de Lula “interviesse junto à Infraero a fim de facilitar concessões de publicidade”. O churrasco ocorreu em uma casa alugada pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil, que representa os cartórios.
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Samara, que é dono de cartório em Ponta Grossa (PR), confirma alguns capítulos da história contada por Silvia, mas apresenta um novo enredo. O empresário diz que se encontrou com Silvia no Aeroporto de Curitiba e viajou com ela no mesmo avião para Brasília. Silvia, diz ele, ia resolver problemas ligados à Infraero. “Ela não tinha dinheiro para pagar a conta do hotel, para tirar a bagagem dela que estava no hotel”, diz Samara. “Eu tinha uns 200, quase 300 reais no bolso, peguei e dei para ela”. Afinal, onde entra Mônica nessa história contada por Samara? O empresário diz que Silvia reclamou de um problema no braço, “meio amortecido”, e precisava de uma consulta médica. “Foi aí é que veio a história da Mônica”, diz Samara. “Eu falei para ela: ‘Olha, tem uma amiga minha que pode te arrumar lá no hospital Sara Kubitschek.’” O empresário nega que Mônica tenha sugerido abrir as portas da Infraero para negócios escusos. “Para dar dinheiro para o PT, nunca seria a Mônica”, conclui Samara. “A pessoa para isso seria o Delúbio, o presidente do PT, que na época era o Genoino, o José Dirceu, qualquer um desses caras, menos a Mônica.” A ex-secretária de Lula, procurada por ISTOÉ, afirmou que nada iria declarar sobre o assunto. Para tirar essas dúvidas e desvendar os segredos da Infraero, o Ministério Público Federal está montando uma força- tarefa com o TCU e a CPI do Apagão no Senado. O representante do Ministério Público no TCU, Lucas Furtado, declarou que a Infraero “é uma caixa-preta em todos os sentidos”. Já foram identificadas irregularidades em obras da Infraero em dez Estados. O MP está rastreando as empresas que dividiram o mercado superfaturado das obras da Infraero no País. Até a Gautama de Zuleido Veras ganhou obra.

Gravações da PF indicam que Lula sabia da ação de Vavá

Agência O Globo

Presidente teria tentado impedir seu irmão de continuar com ilegalidades

As gravações telefônicas que a Polícia Federal fez na Operação Xeque Mate indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia das atividades de lobista do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e que tentou impedi-lo de continuar com elas. As informações constam em reportagem do jornal O Globo deste sábado.

Apesar dos apelos do presidente, o irmão de Lula teria pedido propinas, falado de suas negociações em órgãos públicos, como os Correios e Telégrafos, o Superior Tribunal de Justiça e revelado, em outras ligações, que a PF poderia estar fazendo monitoramentos de suas operações com os jogos ilegais.

Algumas gravações deixam claro que Lula não participava dos arranjos do irmão. O compadre de Lula, Dario Morelli, preso na operação, ameaça avisar ao "titio" (Lula) sobre as "picaretagens" de Vavá. Outro preso pela PF, o ex-deputado do Paraná Nilton Cezar Servo (PSB), acusado de comandar uma quadrilha de jogos ilegais em vários Estados, chama o irmão de Lula de "véio cara de pau" e "picareta".

Servo disse em seu depoimento à PF que entregou dinheiro a Vavá, mas que se tratavam apenas de empréstimos. Os valores variariam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, segundo a PF.

Um dos telefonemas transcritos pela PF, feito às 20h do dia 20 de maio, indica que Lula teria pedido a um amigo de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, identificado apenas como "Roberto", para conversar com o irmão. Seria uma conversa sigilosa.

Em seu relatório, a PF descreve: "Observa-se também que o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva não tem qualquer participação ou mesmo conhecimento da prática dos crimes de tráfico de influência ou exploração de prestígio por parte de seu irmão Vavá."

Segundo a PF, a análise da conversa indica que Vavá está usando o nome de seu irmão, o Presidente da República, para conseguir dinheiro junto a Servo que, por sua vez, tentava vender a suposta influência de Vavá para terceiros, como indicam outras gravações.

Após participar da reunião de cúpula do G-8, na Alemanha, o presidente Lula deu entrevista coletiva e comentou sobre corrupção no país.

Segundo o presidente, a Polícia Federal e o Ministério Público devem continuar investigando o que for necessário, e se o combate à corrupção 'dói' para aqueles que estão aparecendo, no dia do julgamento os culpados serão separados dos inocentes.

Cartilha com apoio oficial ensina como consumir drogas

Reinaldo Azevedo

Por Daniel Bergamasco, na Folha desta sexta. Volto depois:

Impresso em 40 mil exemplares, um panfleto produzido para ser distribuído na Parada do Orgulho GLBT de São Paulo orienta os participantes sobre o uso de cocaína."Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro", diz o material, que também traz dicas sobre outras drogas: "Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado"; "Compartilhe a droga, nunca o material a ser usado".A cartilha estampa o selo colorido do governo federal, aquele do slogan "Brasil - Um País de Todos". O Ministério da Saúde confirma que os dados utilizados no texto são coerentes com a sua política de redução de danos (leia abaixo).Também estão impressos na cartilha logotipos dos programas contra DST/Aids do governo estadual e da Prefeitura de São Paulo, do Ministério do Turismo e da Embratur. Entretanto, segundo as respectivas assessorias de imprensa, os órgãos não tiveram participação na elaboração do material.
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O panfleto -que, dobrado em quatro partes, forma uma cartilha de oito páginas- começou a ser distribuído ontem, durante a Feira Cultural GLBT (sigla para Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), no vale do Anhangabaú (região central), principal evento paralelo à parada. A distribuição continuará no domingo, quando a parada deverá reunir 3 milhões de pessoas, segundo estimativa dos organizadores.Regina Fachini, vice-presidente da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, diz que o objetivo do texto é "alertar para o risco de contaminação durante o uso de drogas, de acordo com dicas do Ministério da Saúde". "É a idéia de redução de danos para afastar riscos de doenças transmissíveis, como a Aids", diz Fachini.
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Voltei
Se o Ministério Público tiver um pouco de brios, processa os responsáveis por essa cartilha — aliás, de quebra, poderia verificar se há dinheiro público, de qualquer esfera (União, estado e cidade), e, sendo o caso, acionar também esses entes. É um acinte. Um achincalhe. Uma vigarice. Redução de danos coisa nenhuma! Isso é apologia da droga, feita de forma descarada. Apologia e estimulo ao consumo. Com que então alguém precisa ser instruído? Não precisa.Olhem aqui: eu pouco me importo com os que as pessoas fazem com a sua vida privada. Se quiserem beber água até fazer explodir os rins, o problema não é meu. Aconselho, no máximo, que não o façam. Mas o estado brasileiro, que é democrático, tem firmado, até agora, que algumas drogas são ilícitas — e, pois, a sua apologia, categoria em que se insere o folheto, é um crime. E o estado brasileiro, ficando quieto, torna-se criminoso também. Nunca me importei que a passeata gay integrasse o calendário turístico do país. Se essa gente quer ser vista como atração, pra mim, tudo bem. Mas a piada agora se tornou dolosa.
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Aceito respostas, se houver: qual a diferença entre fazer uma cartilha de suposta redução de danos para o consumo de drogas e fazer uma outra, para bandidos e vítimas, de redução de danos em assaltos? Por que não usar uma variante da máxima já consagrada no Brasil do “estupra, mas não mata?” Por que não um manual de instrução com dicas de como assaltar bancos sem fazer vítimas fatais? De como achacar no sinal de trânsito sem pôr a vida dos motoristas em risco? Por que, enfim, não assimilamos o crime como parte de nossa rotina, de nossa cultura? Não me venham com a conversa de que a droga só põe em risco a vida do drogado. É mentira: o papelote que o consumidor leva no bolso põe uma arma da mão do bandido.
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É impressionante que sejam os organizadores deste tipo de evento a permitir essa barbaridade. Já não basta que o estado brasileiro gaste uma fortuna com os remédios gratuitos contra a Aids? Boa parte dos casos de contaminação está relacionada justamente ao consumo de drogas, e não serão cartilhas que glamourizam o vício que vão impor um limite. A Aids não é uma doença da pobreza, “social”, mas de comportamento. Exceção feita aos casos de contaminação por transfusão de sangue — uma minoria hoje estatisticamente desprezível — , a contaminação nasce de uma decisão errada do indivíduo. O estado não tem nada com isso. Mesmo assim, o conjunto da população arca com o custo do tratamento.
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A política de combate à Aids deve consumir mais recursos do que programas contra a tuberculose, que, creio, mata mais — nesse caso, com efeito, uma doença da pobreza. É possível que diarréia infantil também esteja na frente. Estou querendo cortar a verba? Não. Estou dizendo, isto sim, é que os recursos são fruto, em boa medida, da militância da comunidade gay que estará na avenida no domingo. A cartilha é um acinte à generosidade com que a sociedade acolheu o seu lobby.

ENQUANTO ISSO...

Assassinos de João Hélio têm acusação amenizada pelo MP

Quatro meses depois do assassinato do menino João Hélio, de 6 anos, dois dos quatro acusados de participar do crime não deverão ser processados por latrocínio (roubo seguido de morte), de acordo a acusação do Ministério Público Estadual (MPE). Com isso, a pena, que poderia chegar a 30 anos de prisão, poderá ser de no máximo 18 anos. O quinto acusado, um menor de 16 anos, está internado num centro de recuperação e poderá ganhar liberdade já no ano que vem.

Tiago de Abreu Matos, de 19 anos, e Carlos Roberto da Silva, de 21, são suspeitos de estarem no táxi que levou a quadrilha até o local do crime e ter dado cobertura à fuga. Os dois negam participação no assalto e deverão responder apenas por roubo (assalto à mão armada) e formação de quadrilha. A juíza da 1ª Vara Criminal de Madureira, Marcela Assad Karam, vai definir nas próximas semanas a responsabilidade criminal dos acusados.

Para o MPE, apenas Diego Nascimento Silva, 18, acusado de estar no carona do carro, Carlos Eduardo Toledo Lima, 23 anos, suspeito de dirigir o carro, e o menor, que estaria no bando de trás, participaram diretamente do crime. Todos negam ter visto que o corpo do menino ficou preso pelo cinto de segurança do lado de fora do carro. O pai de João Hélio, Elson Lopes Vieites, ficou revoltado com a Justiça.

- Infelizmente é o máximo de punição que nosso país permite. Espero no mínimo bom senso do juiz diante da barbaridade - diz.

ENQUANTO ISSO...

Juiz ordena que Paris Hilton volte para prisão

LOS ANGELES. O juiz Michael Sauer determinou que Paris Hilton volte à penitenciária para terminar de cumprir sua sentença por violar a condicional.

Ao afirmar que a herdeira da rede de hotéis Hilton não tem direito à prisão domiciliar, Sauer derrubou a decisão que permitia que Paris cumprisse o resto da pena em casa "sob condição médica não-especificada".

Chorando e gritando "Mãe, Mãe, isso não está certo", Paris foi levada da sala do tribunal por agentes do gabinete do xerife, depois de uma audiência requisitada por promotores de Los Angeles.

A celebridade, de 26 anos, havia sido transferida da prisão para sua casa, depois de ficar presa três dias. Paris começou a cumprir sua sentença na noite de domingo, depois de participar do MTV Movie Awards.

Símbolo do culto a famosos dos Estados Unidos, Paris foi flagrada dirigindo bêbada, em setembro do ano passado. Em janeiro, declarou-se culpada e foi condenada a três anos de liberdade condicional, depois de ter sua carteira de motorista suspensa.

Dias depois, pega dirigindo sem permissão, foi condenada a cumprir pena, que foi reduzida de 45 para 23 dias.

Depois da audiência que determinou a volta de Paris à penitenciária para cumprir os 45 dias iniciais de pena, o procurador da cidade de Los Angeles, Rocky Delgadillo, declarou que "nenhum indivíduo - não importa o quão rico ou poderoso seja - está acima da lei".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Não precisamos ir muito longe para entendermos do porque um país é rico e desenvolvido, e outro, permanece escorado na encruzilhada entre ser terceiro ou quatro mundos.

A marca que o Brasil dará para o todos de que se tornou civilizado e desenvolvido, será justamente no dia em que todos forem efetivamente iguais perante a lei. No dia em que uns privilegiados não tenham mais o benefício de foros especiais. No dia em que os criminosos não mais sejam protegidos pela política do coitadinho, e as vítimas sejam tratadas com respeito pelo Estado. Aí se poderá dizer que o Brasil evolui. Até lá, seremos eternos selvagens vivendo a barbárie de nossas mazelas e ignorância.

Valhacouto da Pior Espécie

Por Márcio Accioly, Alerta Total
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Parece não existir nada de mais útil para o Sibá do que o Machado. Deve ser assim, com tal instrumento, que o senador acreano (PT), presidente do Conselho de Ética do Senado, pretende cortar de forma rude qualquer suspeita de ligação entre o senador Renan Calheiros e a construtora Mendes Júnior.
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No início da celeuma toda, Sibá Machado, que chegou àquela Casa sem jamais ter recebido nenhum sufrágio popular (ele é suplente de Marina Silva, atual ministra do Meio Ambiente), pretendia simplesmente arquivar o caso e passar uma esponja em qualquer tipo de acusação.
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Mas, agora, colocaram o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) para ser relator do processo, depois de o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ter dito da tribuna que quando recomendou o nome de Jefferson Peres (PDT-AM), “riram na cara” dele.Epitácio Cafeteira, como se sabe, é pau-mandado de José Sarney (PMDB-AP), como também é o ex-senador João Alberto (PMDB-MA). Este último, quando presidia o Conselho, costumava esquecer qualquer denúncia, exercendo prática corporativista.
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O país está mergulhado na maior desordem, com a população sem hospitais e sendo assaltada nas ruas, mas nossas “autoridades”, com aspas, dedicam-se à mesma prática dos quadrilheiros anônimos, carregando os recursos públicos e sendo perdoada.
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Como é que o presidente do Senado quer convencer pessoas de bem a acreditarem que ele mandava entregar uma quantia em dinheiro além de suas posses, mensalmente, através de funcionário de construtora com negócios com o governo?
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Estão todos desmoralizados. E essa desmoralização vai gerando ruptura institucional que irá afundar o país. Por que não se colocam os ladrões do dinheiro público na prisão? Por que não se dá o exemplo exigido às pessoas comuns?Todos os dias somos brindados com os mais vergonhosos escândalos e operações policiais, envolvendo inclusive parentes do presidente da República, mas ninguém é responsabilizado no sentido de responder prisionalmente pelas falcatruas cometidas. Se tiver um mandato, ou ocupar posto de relevância, estará salvo.
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O próprio presidente da República montou equipe administrativa a qual se viu, em sua maior parte, indiciada pelo procurador-geral da República. Foram 40 pessoas apontadas. A quem eles querem enganar? Onde estão os integrantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, acusados de crimes contra a União?
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Será que não existe mais nenhuma pessoa de vergonha, nenhuma lei que combata o crime em vigor? O senador Renan Calheiros, quando fez sua defesa rota e esfarrapada, falou sentado da cadeira da Presidência do Senado e ninguém disse nada.
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Da mesma maneira que sua excelência misturou o público com o privado, juntou a condição de senador com a de presidente daquela Casa, como se propriedade particular ou familiar que serve unicamente a seus propósitos.
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O país está sendo conduzido por súcia de quadrilheiros da pior espécie. Faz medo andar nas ruas, em qualquer rua, porque assaltos e seqüestros são realizados a qualquer hora do dia ou da noite e não se tem mais como frear instintos liberados.
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Os piores exemplos vêm de cima, das próprias autoridades. Nesta semana, na cidade do Recife, colocaram-se milhares de cruzes na praia de Boa Viagem, para rememorarem assassinados desde o início do ano, mortos barbaramente.
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A matança continua e não se toma a menor providência. As ditas autoridades apenas viajam e se deleitam com o poder, falando de um país que se desconhece, como se vivêssemos no melhor dos mundos. No colapso que virá, a conta será paga por todos.

A lição ética da monarquia

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Pela vereda iluminada do inesperado, esbarro com uma aula que é um curso completo de dignidade, compostura e coerência e que se encaixa como um gorro que se enterra até as orelhas nas cucas dos três poderes, a começar pelo Legislativo.

E o guia está amplamente credenciado para a lição que passa pelas 241 páginas do último livro do escritor, acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, uma obra-prima de nascença, de texto irretocável e título enxuto, D. Pedro II. Nos anexos, com o rigor de quem preza o leitor, oito páginas de Indicações bibliográficas lista e comenta as principais obras sobre a vida do imperador que durante quase meio século governou o Brasil.

Entre as que conheço e as que não li, aposto que nada se compara, na sucessão de achados e surpresas do grande livro que chegou às livrarias na hora exata.

Com o pedido de licença solicitada ao autor e para cutucar o interesse dos leitores, cato algumas pérolas do capítulo 14, pág. 97, O bolsinho imperial, que traça o perfil do segundo e último imperador do Brasil.

Às citações, entre aspas: "A manutenção de uma corte luxuosa no Brasil seria inviável até mesmo por causa da modesta dotação da família imperial, a lista civil. Ela era de oitocentos contos por ano. No início do reinado, isso representava apenas 3% da despesa do governo central. No final, os oitocentos contos estavam reduzidos a 0,5%. Ao longo dos 49 anos do reinado, o imperador nunca aceitou aumento da dotação, apesar de várias propostas nesse sentido feitas ao Parlamento. Além de não ter os hábitos perdulários das grandes cortes, D. Pedro não buscava acumular dinheiro. Anotou no diário: 'Nada devo, e quando contraio uma dívida, cuido logo de pagá-la, e a escrituração de todas as despesas da minha casa pode ser examinada a qualquer hora. Não ajunto dinheiro'".

"As viagens ao exterior eram custeadas com empréstimos porque D. Pedro se recusava a usar dinheiro público. Com o passar dos anos, foi reduzindo os gastos dos palácios".

"Além de não aceitar aumento de dotação, D. Pedro às vezes doava parte dela ao Tesouro. Em 1867, mandou descontar 25% da sua dotação como contribuição às finanças da guerra contra o Paraguai. A imperatriz seguiu-lhe o exemplo. As viagens às províncias causavam rombos em suas finanças, tantas eram as doações feitas. Só a de 1859 ao norte do Brasil custou mais de duzentos contos, um quarto da dotação. Grande parte do bolsinho imperial, como se dizia, ia para esmolas, doações a entidades beneficentes e científicas, pensões. Muitos pobres de São Cristóvão eram sustentados por esmolas que recebiam aos sábados, uma espécie de bolsa família em pequena escala".

"Boa parcela das pensões correspondia ao que hoje se chama bolsa de estudos. Muitos brasileiros estudaram no país e no exterior à custa do bolsinho imperial".

"Durante o Segundo Reinado, 151 bolsistas obtiveram pensões, 41 deles para estudar no exterior. No Brasil, foram 65 os pensionistas do ensino básico e médio, dos quais quinze eram mulheres. Os pensionistas no exterior recebiam ajuda para viagem, livros e enxoval. Em contrapartida, tinham de prestar contas trimestrais do seu aproveitamento e assumir o compromisso de regressar ao país ao final dos estudos".

"O descaso do imperador por dinheiro é bem ilustrado pela decisão de distribuir aos pobres os lucros, parcos, é verdade, da Fazenda de Santa Cruz, de propriedade da Coroa. Ele justificava a medida com o argumento de não querer que se dissesse que 'estava entesourando'. Por não entesourar, ao ser exilado teve de continuar a pedir empréstimos, que ainda não estavam pagos por ocasião de sua morte".

Nada a acrescentar. Sem comentários.

A democracia e a cassação da RCTV

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Enquanto o Senado brasileiro condenava o ato do presidente da Venezuela cassando a concessão da RCTV, e, por isso mesmo, sofria rude ataque de Hugo Chávez, o assessor especial do Planalto, Marco Aurélio Garcia, sustentava que existe liberdade de imprensa em Caracas. A atitude causou dupla surpresa. Primeiro porque, no mesmo dia, Luis Inácio da Silva solidarizou-se com os senadores e, portanto, com a moção que aprovaram. Segundo, porque não tem razão, além de ter explorado o limite de suas funções.

Assessor, como o nome define, assessora. Não decide. Mas abandonando este aspecto, o Senado federal defendeu o princípio democrático, que tem sua base principal na liberdade de imprensa e de opinião, na faculdade de crítica. De 1964, quando o movimento militar que derrubou João Goulart se implantou, até 1979, momento e que o general João Figueiredo chegou ao poder, aqui, no Brasil, não havia liberdade de imprensa.

Imperavam a violação dos direitos humanos, projetava-se a sombra ameaçadora da tortura sobre quem fizesse oposição. Todos nós, jornalistas, em particular, e os verdadeiros democratas, de modo geral, classificamos o período como ditatorial. Cito a posse de Figueiredo porque ela representa um limite histórico separando o ciclo dos generais em duas fases. Quando JF assumiu, os atos de exceção foram suspensos, com eles a censura peculiar principalmente aos períodos Médici e Geisel. Plenamente, a democracia só viria a se restabelecer em março de 85 com a posse de José Sarney.

Na Venezuela, com Chávez iniciou-se uma etapa gradativa de supressão das liberdades públicas, do emperramento das engrenagens democráticas. O presidente do país legisla por decretos. Desfechou forte pressão contra o Parlamento e conseguiu os poderes que desejava. Terá sido espontânea a delegação fornecida pelos parlamentares venezuelanos? Claro que não. Qual o Congresso que, por vontade própria, abre mão de seu poder de legislar e opinar? Nenhum.

A magistratura encontra-se acuada, o noticiário internacional revela casos de isolamento de juízes de suas funções. Mas não fosse isso, a cassação da RCTV revela um episódio de intolerância que nada tem de democrático. Afinal, a principal emissora da Venezuela não teve sua concessão cassada por apresentar a presença de capital estrangeiro em sua razão social. Foi cassada apenas porque o presidente possui este poder. Nada disso.

Todos sabem que foi cassada por fazer oposição. E o ato significou uma ameaça a todos os órgãos de comunicação que atuam naquele país. Tanto assim que o próprio Chávez, ao cortar a RCTV do palco iluminado da comunicação, aproveitou para dirigir uma advertência a todos os jornalistas e proprietários de órgãos de comunicação. Apóiem o governo. Um governante que age assim não possui espírito democrático. Falando mais claramente: não é um democrata. Não se pode defender a democracia apenas quando se está na oposição.

Os verdadeiros democratas a praticam quando estão no governo. Pode-se criticar o presidente Lula por vários motivos. Mas ninguém honestamente, poderá afirmar que não age democraticamente. Age. Ao contrário De Hugo Chávez. Marco Aurélio Garcia, como assessor pessoal do presidente, não percebeu o contraste?

As ações antidemocráticas, aliás, como tudo na vida, começam em algum ponto. Iniciam-se quando os que exercem o poder passam a rejeitar as críticas e a interpretá-las como agravos pessoais confundindo a si próprios com as instituições que representam. Ao longo da história, tem sido invariavelmente assim. Os exemplos são infindáveis. O maior risco ao regime democrático nasce com a intolerância.

Chávez, na Venezuela, revelou-se intolerante. Não tentou rebater as críticas com palavras e fatos. Com ações concretas de governo, o que lhe seria fácil. Enveredou pela estrada que leva os adversários ao silêncio. Como aconteceu no Brasil. Não apenas de 64 a 79, ciclo dos generais no poder, mas também na ditadura Vargas, de 37 a 45.

Democracia não pode apenas ser apenas o que se quer quando se está de cima e o que se rejeita quando e está de baixo. Democracia é um regime, não de uma, mas de várias verdades. Da mesma forma que da discussão nasce a luz, do livre debate surgem as melhores idéias. Por isso, não é suficiente alguém condenar a opressão quando está sendo oprimido e defendê-la quando se transforma em opressor. Nem sempre o oprimido é contra a opressão. Muitas vezes a condena por não ser ele o opressor. Neste caso, pode ser tudo, menos democrata.

O movimento revolucionário de 64 começou para assegurar a democracia contra a ameaça sindical que se descontrolava e abalava a posição de Goulart. Como acabou? Com o Ato Institucional número 1, seguido do Ato 2, culminando com o Ato 5, este então o mais radical de todos.

Os democratas de 63 transformaram-se nos adeptos da ditadura militar. Como se a política fosse um jogo de futebol. Política, algo extremamente complexo, não é uma competição esportiva. Muito menos um palco de terror. No esporte, um vence, outro perde. Na política, quem vence ou perde é o país. A falta de liberdade, em si, é uma derrota.

TOQUEDEPRIMA...

Mistura de álcool na gasolina subirá para 25%

O governo deverá aumentar o conteúdo de álcool na gasolina para evitar que a produção de etanol nos últimos meses se transforme em um problema para o mercado interno e, principalmente, para os usineiros. Segundo o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mario Mugnaini, o governo aumentará o conteúdo dos atuais 23% para 25%. "A medida já foi aprovada pelo Ministério da Agricultura e deve ser anunciada nas próximas semanas", afirmou.

Nos últimos meses, com investimentos volumosos em novas usinas em todo o País, a projeção é de que a produção de etanol no Brasil poderá dar um salto em breve. "Mas para que não tenhamos uma superprodução e um excesso do produto no mercado, temos de tomar certas medidas", defendeu o secretário-executivo da Camex. Dados da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica) já apontam que a safra deste anos de cana será a mais alcooleira em mais de uma década.

Isso porque, com o interesse pelo etanol e a maior remuneração prevista, muitas usinas passarão a produzir mais combustível que açúcar. Tradicionalmente, 50% da produção de cana é destinada ao açúcar. Neste ano, proporção deve cair para 46%. "Existem cerca de 44 novas usinas sendo construídas no País e que precisarão da cana para fabricar o combustível. Mas precisamos cuidar para que esse equilíbrio seja mantido", defendeu Mugnaini.

Com o aumento do conteúdo de etanol na gasolina, o governo quer dar vazão a essa nova produção e evitar que haja um excesso nos estoques. Para 2007, 420 milhões de toneladas cana devem ser produzidos. Em 2006, o volume chegou a 380 milhões de toneladas. Mugnaini lembra que, diante da superprodução, há mesmo quem tema por uma queda forte no preço do açúcar. "Já experimentamos uma redução importante. Mas se houver um excesso de cana, os valores podem ser ainda mais baixos", alertou.

No ano passado, o governo já havia decretado o aumento do conteúdo de álcool na gasolina. Para cada litro de gasolina, 23% deveria ser de álcool. Antes, a taxa era de 20%. O secretário-executivo ainda confirmou que irá deixar a Camex ao final do semestre.

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Censura pode 'desfigurar' rede, alerta Anistia
Veja online

A internet pode sofrer uma profunda transformação negativa nos próximos anos em função da censura praticada pelos governos de países antidemocráticos. De acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira pela ONG Anistia Internacional, os países que restringem o acesso à internet atrapalham o desenvolvimento da rede e podem fazer com que ela fique "desfigurada" no futuro. Pelo menos 25 países censuram a rede.

O documento diz que o "vírus da repressão na internet" se espalhou - antes restrito a poucos países, agora atinge dezenas de nações. A Anistia acusa ainda os grandes grupos de tecnologia, como Google, Microsoft e Yahoo. O relatório diz que essas empresas são cúmplices do problema, pois aceitam as restrições impostas pelos países antidemocráticos - como a China - em nome dos negócios.

"O modelo chinês de internet, que permite o crescimento comercial mas não a privacidade e a liberdade de expressão, está ganhando popularidade", diz Tim Hancock, diretor da Anistia. "Poucos países faziam isso há cinco anos, mas agora há dezenas que bloqueiam sites e prendem blogueiros. Precisamos agir. Caso contrário, a internet pode mudar tanto nos próximos anos que não vamos mais reconhecê-la."

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França: Um luxo de museu
Revista EXAME

Um dos maiores conglomerados de artigos de luxo, o grupo francês LVMH contratou o badalado arquiteto canadense Frank Gehry para projetar seu novo museu em Paris. Para quem não se lembra, Gehry é o autor do desenho do Museu Guggenheim, na Espanha. Serão 20 000 metros quadrados para receber obras de arte moderna e contemporânea e também exposições inspiradas nos produtos da marca. O novo espaço cultural custará 127 milhões de dólares e será aberto até 2010.

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"Dói", diz Lula sobre combate à corrupção pela PF
Reuters

BERLIM - Após participar da reunião do Grupo dos Oito na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a Polícia Federal está cumprindo seu papel ao investigar denúncias de corrupção e que cabe à Justiça esclarecer quem é culpado e quem é inocente.

- Dói. As pessoas que aparecem sofrem, mas um dia vai a julgamento e vai aparecer quem é culpado e quem é inocente -, disse Lula a jornalistas.

Ele declarou ainda que rejeita pressões para diminuir o processo de investigação e também as apurações realizadas pelo Ministério Público.

- A única coisa que eu tenho pedido para eles é que sejam prudentes, para não condenarem inocentes e não absolverem culpados. E eu acho eles estão fazendo isso direitinho -, afirmou.

As declarações foram dadas antes de Lula deixar o vilarejo de Heiligendamm, onde os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia se reuniram. Brasil, China, México, Índia e África do Sul participaram do encontro como convidados.

No encontro, o G8 se concentrou nas discussões sobre o aquecimento global.
- Os países mais pobres e os países em desenvolvimento têm muito a ver com essa discussão da questão climática para evitar que a discussão seja um instrumento de inibição de crescimento dos países pobres ou dos países em desenvolvimento -, afirmou Lula.

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Isenção de Tuma para julgar Renan é questionada
De O Globo

"Entidades da sociedade civil e integrantes do Congresso consideraram ontem que o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), perdeu isenção para investigar e julgar o processo por quebra de decoro parlamentar do presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de receber ajuda de um lobista para pagar despesas da mãe de uma filha. As críticas ocorreram depois que Tuma declarou, semana passada, que seu desejo era inocentar Renan. A avaliação se aplica tanto ao trabalho na Corregedoria quanto a uma eventual relatoria da representação do PSOL no Conselho de Ética, pedindo a abertura de processo por quebra de decoro.

A crítica mais contundente partiu do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. Ele afirmou que Tuma prejulgou o caso Renan, e com isso, ficou sob suspeição:

— A ausência de isenção significa o prejulgamento. E não pode o julgador, sob pena de tornar nula a própria investigação, prejulgar o investigado. A isenção é um atributo inerente a qualquer poder responsável por investigar e julgar. Neste caso, o senador Romeu Tuma antecipou sua posição pela absolvição. Essa postura é preocupante e incompatível com a função. Não pode pairar dúvida, pois estamos discutindo uma investigação num dos cargos mais importantes da República."

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Estrela brasileira
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Levou quase três anos para começar a voar comercialmente pelos céus brasileiros o primeiro EMB-190, um jato regional da Embraer lançado em 2004 com capacidade para 100 passageiros. O modelo é um sucesso de vendas no exterior, já vendeu mais de 800 unidades e levantou cerca de 1,8 bilhão de dólares para os cofres da companhia. Nunca despertou, porém, o interesse das voadoras brasileiras. Os primeiros EMB 190 a voar pelo Brasil pertencem à panamenha Copa Airlines e fazem a linha Manaus-Cidade do Panamá.