domingo, junho 10, 2007

TOQUEDEPRIMA...

PF: Vavá teria usado nome de Lula para fazer lobby
Graciliano Rocha , Redação Terra

Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostrariam que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria usado o nome de Lula para pedir dinheiro, o que caracterizaria tráfico de influência. Na transcrição de um trecho das gravações, Vavá conversa com Nilton Cezar Servo, suspeito de ser um dos comandantes da máfia dos jogos, e diz que defende os interesses dele e de pessoas indicadas por ele. As informações foram passadas por uma fonte que teve acesso aos autos do processo que culminou com a Operação Xeque-Mate.

O irmão de Lula foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência na última terça-feira. As investigações indicam que em uma das conversas telefônicas, do dia 25 de março, os dois fariam referência ao presidente Lula: "Veio, veio, veio, e eu falei com ele sobre o negócio das suas máquinas", disse Vavá.

"Ele (Lula) falou pra mim pegar... (ininteligível) pra levar pra ele lá", completa o irmão do presidente, dando a entender que, no dia seguinte, ele conversaria com o irmão.

Segundo a Polícia Federal, o "ele" que aparece nas conversas seria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há indicativos de que as promessas tenham sido cumpridas.

Em sua análise, feita na transcrição das conversas telefônicas, a PF afirma que a "conversa indica que Vavá está usando o nome de seu irmão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para conseguir dinheiro junto a Nilton Cezar Servo".

Em outros diálogos gravados pela PF estariam promessas de beneficiar uma empreiteira em obras públicas do governo e influenciar o Judiciário.

Entre os dias 1º e 25 de março, Vavá e Servo falaram ao telefone pelo menos 12 vezes e, na maioria delas, o tema seria um combinado entre promessas de ajuda e pedidos de dinheiro. Segundo a PF, Vavá pediu R$ 5 mil ao empresário.

Também em março, Servo teria discutido com um cunhado sobre o comportamento do irmão do presidente, que, segundo ele, pediria dinheiro "insistentemente" e que, de acordo com uma conversa do dia 26 de março, o teria "passado para trás" num lobby para favorecer uma construtora não identificada.

***************

Grampo mostra amigo de Lula negociando com preso
Graciliano Rocha, Redação Terra

A Polícia Federal (PF) interceptou uma conversa telefônica entre Dario Morelli Filho, preso pela Operação Xeque-Mate desde segunda-feira, e um homem que, segundo a PF, seria um detento do sistema penitenciário de São Paulo. No grampo Morelli discute com o suposto preso - que não foi identificado - sobre a abertura de uma casa de jogos em Ilhabela, no litoral de São Paulo. A gravação foi feita no dia 29 de março deste ano.

"É um salão com aquelas máquinas de bingo", diz Morelli.

Na conversa, Morelli fala sobre um depósito em dinheiro para o suposto detento e afirma ter, além da casa de jogos em Ilhabela, "máquinas de rua". Na última quarta-feira, 23 máquinas de jogo foram apreendidas pela polícia na casa de jogos de Ilhabela.

Dario Morelli Filho é amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é padrinho de um de seus filhos. Ele é suspeito de ser sócio do ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, acusado de chefiar uma organização criminosa de exploração de caça-níqueis.

Na versão que apresentou à PF, Morelli afirma que sua relação com Servo seria de amizade, não de sociedade. Ele alegou ser uma espécie de gerente informal da casa de Ilhabela, que pertenceria a Servo. Ele receberia R$ 1,5 mil por mês para ir até a casa de jogos uma vez por semana.

A Deck Vídeo Bingo, em Ilhabela, está em nome da firma individual Renato Costacurta Prata ME. Prata, que também foi preso na segunda-feira, seria um "laranja" de Servo e Morelli, segundo investigação da Polícia Federal.

***************

Xeque-Mate: acusados teriam reclamado de Vavá
Graciliano Rocha, Redação Terra
Gravações da Polícia Federal (PF) que fazem parte das investigações da Operação Xeque-Mate, deflagrada na segunda-feira, mostram os presos Dario Morelli Filho e Nilton Cezar Servo falando sobre Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assunto em questão seriam as promessas não cumpridas de Vavá, indiciado por crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio.

.
Na conversa gravada no dia 22 de março, Servo reclama para Morelli sobre Vavá. "Bem que você falou, aquele véio é picareta mesmo viu!", aponta a gravação da PF.

Morelli pergunta a quem ele se referia, e Servo esclarece que está falando de Vavá. Servo afirma que o irmão do presidente Lula teria voltado a lhe pedir dinheiro. Na gravação ele fala no valor de R$ 2 mil.

"Vavá é picareta mesmo, que (ininteligível) não presta mesmo", concorda Morelli.

***************

Parada Gay tem panfleto orientando uso de cocaína
Redação Terra

Um panfleto feito para ser distribuído nos eventos da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo traz orientações sobre como usar drogas, entre elas cocaína, sem correr riscos.

"Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro", diz o material. Outras drogas, como a maconha, também estão citadas: "Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado."

Além das dicas sobre o uso de drogas, a cartilha também traz material de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e pede para que as pessoas façam exames de prevenção, caso tenham mantido relações sexuais sem o uso de preservativos.

Todo o material possui o selo do governo federal e ainda vem com um anexo para que as pessoas apresentem o panfleto e tomem a primeira dose da vacina contra a Hepatite B nos postos de saúde da cidade de São Paulo.

O Ministério da Saúde ainda não divulgou maiores esclarecimentos sobre a cartilha, embora confirme que os textos são associados à política de redução de danos do governo.

***************

Lula teve dias infelizes na viagem ao exterior
Cláudio Humberto

O que poderia ser uma viagem perfeita para o presidente Lula, com direito a assistir ao jogo da seleção brasileira contra a Inglaterra no novo estádio de Wembley, se transformou numa sucessão de explicações à imprensa. Primeiro foi a agressão do "companheiro" Hugo Chávez ao Senado brasileiro. Se a paz prometia reinar na chegada à terra de Ghandi, a Operação Xeque-Mate conseguiu azedar de vez a viagem presidencial ao exterior, com o envolvimento do seu irmão Vavá no escândalo. Lula encerrou a entrevista levantando-se após bater vigorosamente com as mãos espalmadas sobre a mesa, após afirmar que as investigações doem, "mas um dia vai para julgamento e vai aparecer quem é culpado e quem é inocente".