domingo, junho 10, 2007

Bancada ruralista vai voltar a atacar

Tales Faria, Informe JB
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Há muito tempo não se ouve falar daquelas velhas pressões da bancada ruralista no Congresso contra o governo. É que o agronegócio tem ido muito bem na gestão do presidente Lula. Apesar de a nossa moeda, o real, andar superfaturada em relação ao dólar, o que, em tese, prejudicaria as exportações.

E bancada ruralista em paz é muito bom para qualquer governo, porque os parlamentares que compõem o grupo costumam jogar muito pesado no Congresso. Quando decidem encrencar, escolhem um tema bem importante para o Palácio do Planalto e avisam: "Chegou a hora do pau!". Quase sempre obrigam os governantes de plantão a cederem. E, em geral, a hora em que mais gritam é quando tratam das dívidas do setor

Pois é. A turma do agronegócio está de volta para pressionar o governo a renegociar, outra vez, as dívidas do setor. Algo em torno de R$ 20 bilhões. Na verdade, eles pretendem renegociar o que já foi renegociado e não chegou a ser pago.

O pior é que, segundo uma fonte desesperada do governo, o terreno é propício para mais uma benesse da viúva: PMDB forte e ministro da Agricultura - no caso o peemedebista Reinhold Stephanes - que não é do ramo e quer se afirmar junto aos agricultores e a seu partido.

Mais. O Banco do Brasil, que é o grande credor dos produtores rurais do país, não está com muita disposição de entregar o ouro. O vice-presidente de Agronegócio do BB, escolhido a dedo, é o ex-ministro da Agricultura Luiz Carlos Guedes, que segundo a mesma fonte "não é de abrir as burras por pouca conversa".

Ou seja, não bastassem as operações Navalha, Xeque-Mate e Furacão, não bastassem as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Apagão Aéreo e a CPI das ONGs, não bastassem as denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, não bastasse isso tudo, ainda vem aí mais uma encrenca para bagunçar um cenário político que vinha muito bem, obrigado.

E os pequenos!
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) cobrou em plenário, na terça-feira, a "edição urgente de uma medida provisória, com regras claras para a repactuação das dívidas rurais". Valadares não se classifica na bancada ruralista. Diz que não está reivindicando para o agronegócio e sim para pequenos produtores. Segundo ele, diversos pequenos produtores de seu Estado que ficaram de fora da Lei 11.322, de 2006, estão na iminência de perderem suas propriedades para os bancos, em leilões que deverão ocorrer já a partir do dia 18. "São micro, pequenos e médios produtores, com créditos antigos e endividados em função de secas consecutivas".

Mais um do PT
Por falar em Banco do Brasil, a sua Vice-Presidência de Tecnologia deve ir mesmo para as mãos do PT. Por obra, graça e indicação do presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, já está praticamente empossado no cargo o auditor José Salinas. É a contra-partida para o fato de o PMDB ter ficado com a Vice-Presidência de Governo do Banco, entregue, como é sabido, ao ex-senador Maguito Vilela.

Mais um da Dilma
A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, ficou um pouquinho mais poderosa esta semana. Arno Agostinho, que tomou posse na segunda-feira como secretário do Tesouro, é colega da ministra dos tempos em que ambos foram secretários do governo petista de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. A explicação para entregar o controle da secretaria à ministra é a baixa execução orçamentária e o alto superávit do Tesouro nos últimos meses. Dilma é a responsável pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E o programa precisa de verbas que são liberadas pelo Tesouro. Se o Orçamento não está sendo aplicado e o superávit cresce além da conta, é porque não se está investindo nas obras do PAC.

Mais Estados
Outra encrenca que está tomando corpo no Congresso é o movimento para criação de novos Estados, como o de Carajás, que seria seccionado do Sul do Pará. Há um projeto tramitando na Câmara - de autoria do deputado Giovanni Queiroz - para realização de um plebiscito sobre o assunto. Os deputados da região se revezarão fazendo discursos e abordagens aos novos colegas que chegaram ao Congresso e dizem que vão procurar os senadores. O ânimo do grupo aumentou depois que os maranhenses da região de Imperatriz ganharam apoio e estímulo do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para a criação de um novo Estado.

Ligações perigosas
Dario Morelli Filho, o compadre de Lula apanhado pela PF na Operação Xeque-Mate, foi chefe da Sama, a empresa de saneamento de Mauá. Trata-se da mesma companhia que, pouco depois, foi assumida pela Ecosama, subsidiária da Gautama de Zuleido Veras. As duas coisas aconteceram durante a gestão do petista Oswaldo Dias, prefeito da cidade entre 1997 e 2004.

Prende-solta
Piadinha que corre em Brasília: não confunda Gautama, a empreiteira, com Guantánamo, a superprisão que os EUA mantêm na ilha de Cuba. Gautama não prende ninguém!

Walfrido na China
O Brasil vai presidir pelos próximos dois anos a Associação Internacional de Conselhos Econômicos e Sociais e Instituições Similares (AICESIS). A entidade, que atualmente é presidida pela China, conta com 54 países membros, dos quais 46 são efetivos e oito, associados. Com isso o coordenador político do Palácio do Planalto, Walfrido dos Mares Guia, é outro que ficará um pouquinho mais poderoso. É que ele assumirá a presidência da entidade representando o Brasil. Walfrido toma posse do novo cargo em Pequim, no dia 20 de junho.