Paulo Rabello de Castro, Folha de S. Paulo
Com a virada de 2009, Lula e o Brasil vêm de fato merecendo a exclamação histórica de Obama: “Esse é o cara!”. Os mercados também estão repetindo: “Essa é a bola da vez!”. E as seguidas valorizações de papéis e ativos produtivos, desde o início do ano, parecem comprovar que a boa fase da economia brasileira veio para ficar.
Há, de fato, razões objetivas para o otimismo reinante. Primeiro, o fator diferencial: enquanto muitos vão péssimo, o Brasil se destaca por ter retomado a marca do PIB pré-crise.
Segundo, pelo fator China, pois, enquanto esta continuar pedalando sua torrente de empréstimos e o sistema bancário deles resistir, estará assegurada a demanda que sustenta os preços de nossas commodities. E lá vamos nós!
Terceiro, a bolhinha do nosso crédito doméstico. Pelo quarto ano consecutivo, a expansão do crédito pessoal, público e para empresas crescerá pelo menos o dobro do ritmo da produção interna. Consumo e importações crescem em escalada.
Por último, sobe o gasto público, também ao dobro da expansão do PIB, com ênfase na despesa corrente. O Congresso aproveitou para contratar despesas de pessoal que acrescentam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões anuais aos futuros Orçamentos. É uma festa contagiante.
Os fiscalistas de plantão, mal-humorados, querem estragar o ambiente, lembrando que esse “modelo” de gastança pode estar contratando novo estancamento da economia mais à frente. Essa é a última coisa que gostaríamos de ver no horizonte. Entretanto, alguns sinais desalentadores indicam a importância do alerta. A dívida bruta do setor público voltou à casa dos 70% do PIB. Como os atuais juros são de um dígito, o reflexo financeiro sobre o endividamento é moderado.
Mas, se o BC precisar elevar a taxa básica, o custo da dívida subirá rapidamente, comprometendo o minguante superavit primário. Este, por sua vez, ficou praticamente zerado com as medidas, corretas, aliás, de correção anticíclica. A má notícia é a forte elevação do deficit fiscal total para mais de 4% do PIB. Foram gastos correntes, estéreis do ponto de vista de ganhos futuros, os responsáveis pelo avanço do desequilíbrio das contas públicas. Os investimentos públicos ficaram para trás.
Nada mais de negativo conseguirá se grudar à imagem do presidente Lula, que terminará seu mandato com glórias de um Luís 17, tendo sobrevivido à guilhotina política para encerrar um ciclo de ressurreição da fama externa e da autoestima interna do Brasil. Passadas, porém, as festas da realeza e a estreia do filme do pressagiado, com direito a choro até de cabra-macho, é de esperar um pouco mais de humildade pelos desafios que herdamos da atual fase.
Com uma taxa de poupança cadente, ou seja, a economia guardando cada vez menos recursos para seu futuro, e um “modelo”, como cunhou Raul Velloso, especialista no assunto, de alto consumo presente e baixo investimento, estaremos condenando o Brasil ao mesmo tipo de dependência ao capital estrangeiro, sob forma de poupanças externas, que virão, sim, explorar o nosso pré-sal, o pós-sal, a siderurgia, a petroquímica, o grande varejo, a banca de investimentos, com todos os riscos de volatilidade historicamente associados à nossa crônica carência de poupança nacional.
Na raiz desse defeito de fabricação do modelo de crescimento brasileiro, está o disparate dos gastos públicos correntes, cuja demanda permanente de mais carga tributária impede o brasileiro de investir mais, comandando assim seu próprio destino.
domingo, dezembro 06, 2009
Saudades da maleta
Guilherme Fiuza, Revista Época
A corrupção no Brasil vai de mal a pior. Essas cenas de gente graúda, em gabinetes governamentais, enfiando maços de dinheiro nas meias e nas cuecas estão pegando mal. Que fim levaram as maletas?
Se a boa e velha pasta 007 foi aposentada para evitar suspeitas, fica a dúvida: onde são transportados, nos dias de hoje, os inocentes relatórios, documentos de trabalho, papers e demais conteúdos extra-propina? Será que ninguém arranja pelo menos uma sacola de supermercado para essa gente?
Quando violou o painel de votação do senado, o atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, então tucano, foi a público esclarecer: “Eu não matei! Eu não roubei!” Provavelmente voltará à cena, em breve, para garantir novamente que não matou. A segunda frase ele não vai achar oportuno repetir.
José Roberto Arruda tem reputação de bom administrador, mas parece ter manias estranhas. Conseguiu ressuscitar do escândalo do painel. E foi trabalhar com Durval, o homem de 32 processos. Arruda deve julgar que tem sete vidas.
Mas tem uma só, e estava no lucro. Um lucro fabuloso para quem corrompera o sigilo eleitoral do Senado da República. Se fosse japonês, talvez tivesse renunciado ao vivo à sua única vida. Mas brasileiro não desiste nunca – até porque o eleitorado nacional não liga muito para essas traquinagens.
O partido Democratas está na dúvida se expulsa o governador do DF. Afinal, ele não matou ninguém.
Fica-se imaginando que tipo de providências o DEM estará tomando agora. É possível que esteja providenciando as tais sacolas de supermercado para o araponga de plantão, convidando-o a filmar tudo de novo, com mais compostura. Esse negócio de dinheiro na meia e na cueca, realmente, não dá.
O segundo maior partido da oposição não tem mais autoridade para criticar o autismo de Lula, que “não sabia” da orgia do mensalão montada por seus homens de confiança. O DEM não sabia das más companhias de Arruda – mas agora sabe, e decidiu conviver com elas, ao não decretar a expulsão sumária do governador.
O PSDB parece querer se atirar pelo mesmo ralo. Ficou esperando para passar a mão na cabeça do partido aliado, enquanto este passa a mão na cabeça do seu governador aloprado. Não se viu um tucano indignado no horizonte. Serão esses panetones tão saborosos assim?
José Roberto Arruda não é candidato a mera laranja podre da oposição. Foi líder do governo Fernando Henrique no Senado e é o único governador do DEM. É peixe grande. E é em torno dele que estão orbitando esses grossos maços de dinheiro vivo (será que panetones só podem ser pagos em espécie?).
Se Arruda ganhar novo direito à ressurreição, José Dirceu vai se queixar, com toda razão, de que é um injustiçado da política brasileira. E a política brasileira, generosa, estará convidando o país a dividir um quarto com Zelaya na embaixada em Honduras. Sem ar-condicionado, para não mascarar os odores.
O filme de Lula e a propaganda criminosa
Ipojuca Pontes, Opinião Livre
O articulista Zuenir Ventura, comunista light a serviço da patotagem do cinema novo, reverberou a opinião (“O Globo” 25/11/09) de Luiz Carlos Barreto, quem sabe bolado nos intestinos mentais deste produtor, de que o filme “Lula, o filho do Brasil” (no qual a Globo Filmes, empresa das Organizações Globo, investiu R$ 800 mil) foi produzido “para ganhar dinheiro, sem qualquer objetivo ideológico”. Antes, no mesmo espaço, fazendo marketing disfarçado, Ventura já havia caitituado o filme de Lula, que, segundo ele, iria “mexer com a emoção e encharcar o cinema de lágrimas”.
Por que esse tipo de gente reage à percepção generalizada de que o filme de Lula, estrategicamente amparado pela Secretaria de Comunicação do governo, feito com o aval e o empenho do próprio Lula, é uma peça de propaganda oficial a serviço do deletério culto à personalidade? O que se procura esconder por trás de tal pretensão? A quem se pretende enganar?
(Minha resposta é que para impor seus objetivos de perpetuação de poder os comunistas só acreditam na manipulação dos fatos).
Levantemos alguns dados que não permitem dúvidas quanto ao caráter político-eleitoreiro do filme em foco, um típico exemplar do que na Itália fascista se chamou de “cinema do telefone branco”:
1) A pesquisa em que o filme se baseia - fortemente maquiada - é de autoria da “companheira” petista Denise Paraná, assessora política na campanha do ex-sindicalista contra Collor de Mello, em 1989;
2) A editora do livro, que financiou a pesquisa, é nada menos que a facciosa Fundação Perseu Abramo, organismo criado pelo PT para dar “suporte ideológico” aos “companheiros de jornada”, em geral com verbas dos cofres públicos;
3) A logística financeira do projeto milionário, segundo informa “Veja” (25/11/09), é do homem de propaganda do governo, o ex-guerrilheiro Franklin Martins, “que teve influência decisiva na captação de recursos” tomados de empresas privadas dependentes do BNDES, banco dominado pelo governo petista;
4) O produtor do “bom negócio” é Luiz Carlos Barreto, velho predador dos cofres oficiais, que já se disse preso político e eleitor de Lula, embora de fato seja um ex-praça do corpo de Fuzileiros Navais com passagem pelos pântanos pouco ortodoxos de “O Cruzeiro”;
5) A linha de aberto culto à personalidade adotada pelo filme, seguindo modelo stalinista, faz de Lula uma cruza de santo com herói predestinado, tal qual um novo Moisés bíblico a abrir mares e levar os deserdados à terra da promissão. Neste sentido, convém lembrar que o publicitário oficial Duda Mendonça andou “burilando” a peça;
6) Embora o aval de Lula e os direitos de filmagens estivessem cedidos desde 2003, a “expertise” da produção programou sua exibição exatamente para 2010, ano de eleições presidenciais, no pressuposto de que o melodrama mistificador seria peça publicitária capaz de influenciar a massa ignara na hora do voto.
A idéia de beatificar Lula não é nova. Na campanha presidencial de 1989, enquanto parte do PT agredia Collor denunciando que ele era “filho de assassino” e “casado com duas mulheres” (exibia fotos no seu programa eleitoral de TV), outra facção da futura “quadrilha organizada” vendia Lula, de forma ensurdecedora, como um Cristo Iluminado, de conduta perfeita, ilibada e irretocável.
Foi preciso que aparecesse, nas páginas do “Estadão” (e, depois, no programa de Collor na TV), a enfermeira Miriam Cordeiro, ex-mulher do santificado Lula, tratando-o por consumado “canalha”. Entre outras verdades, a enfermeira afirmava que o “Cristo Iluminado”, desde que a tinha abandonado grávida de seis meses, discriminava miseravelmente a filha, Lurian, cuja vida, anos antes, queria “ver abortada”.
Agora a mitificação de Lula, em torno da qual está atrelada a candidatura da ex-terrorista Dilma Rousseff, reaparece. Nela o irrefreável Barreto explica que o herói da sua milionária obra de propaganda não é Lula, mas, sim, a mãe, D. Lindu, uma mulher devotada ao filho, a quem tratava com especial carinho. Se o que Barreto diz é verdade, Lula foi um filho relapso, para dizer o mínimo. Em depoimento ao repórter Mário Morel, no livro “Lula, o metalúrgico” (Nova Fronteira, Rio, 1989), “Frei” Chico conta que “a mãe ficou muito doente”, e que o irmão, Lula, já por conta da cachaça sindical, “não ia ver a velha”. E acrescenta: “Eu tenho uma irmã que tem uma bronca dele: “Pô, você não foi ver a velha”. E vai por aí.
O meio familiar e sindical em que Lula viveu e se formou pode, pelo menos em parte, justificar o seu caráter, ou melhor, a completa ausência dele. Vejamos como a coisa se dava. A esse respeito, a citada Denise Paraná reproduz sintomático depoimento de Lula, que, na certa, não figura na propaganda de Barreto. Confessa ele inconsciente e, por cálculo, aparentemente sincero: “A carne que a gente comia era mortadela que o meu irmão roubava na padaria onde ele trabalhava”.
O mesmo irmão (seria o lobista Vavá?) que roubou a padaria, certa vez apareceu em casa dizendo que tinha encontrado um pacote de dinheiro embrulhado num jornal, debaixo de um carrinho. Esse dinheiro considerável - relata Denise Paraná - foi usado “para quitar o aluguel atrasado em cinco meses e financiar a mudança da família para a Vila Carioca, em S. Bernardo do campo”. História esquisita, muito comovente, mas pergunta-se: e o dono do dinheiro, como ficou?
Quem sabe influenciado pelo irmão, o próprio Lula se jacta ao repórter Mário Morel (na obra citada) de ter, já rapaz feito, mandado o patrão “tomar no cu” depois de arrancar-lhe dinheiro de combinada hora extra que jamais cumpriu – o que não deixa de expressar, sem retoques, o seu peculiar senso ético.
No exercício da liderança sindical, o escolado Lula também não surpreende. Perduram nos anais da história seus encontros com Murilo Macedo, num sítio em Atibaia, interior de São Paulo, em que o “filho do Brasil” enchia a cara de cachaça e pedia – e recebia - grana ao ministro do Trabalho da “ditadura militar”.
Para não esgotar a paciência do leitor, avanço só mais um exemplo de como a propaganda de Barreto, municiada pelo governo, perverte a verdade dos fatos e constrói o deplorável mito: certa feita, na sua vida sindical, Lula, segundo relata Paraná, testemunhou impassível o brutal espancamento de um diretor de fábrica que, para não morrer, sacou o revolver e atirou para o ar. Diante da furiosa investida, em que os grevistas jogaram o homem pela janela, o nosso iluminado “condottieri” assim opinou sobre o massacre: “Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça”.
Na versão mentirosa do filme de Barreto, feita para empulhar o espectador, após ver o trucidamento, Lula corre na direção do irmão sindicalista, “Frei” Chico. E diz, horrorizado: “Ele também é trabalhador!”.
No entanto, é justo reconhecer, há uma contraditória verdade quando se diz que o “filme de Lula foi feito para ganhar dinheiro”. Em última análise, o que queriam Lenin, Stalin, Hitler, Mussolini, Mao, Fidel Castro e tantos outros ditadores menores ao financiar a propaganda (sutil ou grosseira) em torno de suas extraordinárias e inexistentes qualidades pessoais?
Resposta: a manutenção interminável do poder, isto é, vida palaciana, roupas, comidas e bebidas refinadas, serviçais requintados, viagens internacionais, salários colossais, amantes, honrarias, respeito subserviente, disponibilidade do largo aparato partidário e a subordinação das classes sociais, arbítrio sobre a liberdade dos outros, etc., etc., etc. - o que significa dizer dinheiro, muito dinheiro, especialmente para quem, no comando do aparato do Estado, explora a riqueza alheia, em geral sacada por força da violência coercitiva do bolso de quem trabalha e produz.
Por outro lado, convém lembrar, a crescente expansão do capitalismo de Estado associado ao aparelhamento da máquina pública pelas hostes do PT, tornou o Brasil um dos países mais corruptos e violentos do mundo, senão o mais violento e corrupto. Ou alguém dúvida que fenômenos como o “mensalão”, os financiamento do parasitismo revolucionário do MST e de personalidades como Stédile, Marco Aurélio Garcia e afins, as somas bilionárias dos fundos de pensão e dos sindicatos, a súbita riqueza de Lulinha, a diplomacia comunista de Amorim, os intermináveis jantares e confraternizações do Planalto, os fabulosos gastos com a propaganda do governo, a leniência da mídia com a ignorância comunista de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção eleitoral a partir de programas de aceleração do crescimento e suas vultosas comissões, os serviçais e a boa vida do Palácio da Alvorada (sempre em dispendiosas reformas) e a produção de filmes como “Lula, o filho do Brasil”, por exemplo, não são conseqüências diretas do Estado Forte do “companheiro” Lula, prenúncio do mais sórdido socialismo?
PS – Se o espectador por acaso assistir “Lula, o filho do Brasil” e encarar o filme como propaganda enganosa, e não concordar com ela, pode muito bem passar no Procon. O artigo 37 do Código do Consumidor, que a considera um crime, é muito claro: é enganosa qualquer tipo de publicidade que divulga informação total ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor a erro de julgamento. A pena do responsável pela infração é de três meses a um ano de detenção e multa.
Constituinte não cura corrupção
Ruy Fabiano, Blog do Noblat
O escândalo político de Brasília propiciou a Lula recolocar em pauta uma tese polêmica: a da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.
Seria, segundo ele, o meio mais eficaz de combater a corrupção, por meio de uma reforma política profunda, tida sempre como prioritária e, no entanto, sempre protelada.
Não é a primeira vez que o presidente formula tal proposta.
Em 2006, ao receber uma comissão de juristas – entre eles, ex-presidentes da OAB, aos quais havia encomendado estudo sobre CPIs -, perguntou-lhes o que achavam da idéia. Não houve acolhida.
Mesmo assim, à saída da audiência, o Planalto informou que o tema havia sido debatido, insinuando que a iniciativa coubera aos visitantes.
No dia seguinte, os jornais mencionaram que a OAB cogitava de propor uma Constituinte, para as reformas política e tributária. Ocorre que a OAB, um ano antes, havia rechaçado essa idéia, por maioria absoluta de seu Conselho Federal.
A notícia provocou desmentido imediato e o tema saiu de cena. Voltou agora, a propósito do escândalo do governo Arruda. Constituinte, porém, só se justifica em caso de ruptura da ordem institucional, o que, obviamente, não há.
Suspeitou-se, na vez anterior, que o presidente pretendesse, com a Constituinte, obter, tal como seus aliados Hugo Chavez e Evo Morales, a reeleição ilimitada.
Fazia sentido – e por isso mesmo a comunidade jurídica a rejeitava. A nova defesa da tese, feita esta semana, quando o presidente visitava Kiev, intrigou o meio político.
O que a motivaria agora, quando já não há espaço para a reeleição?
A Constituição de 1988 prevê mudanças em seu texto por meio de emendas – e, quanto a isso, tem sido uma das constituições mais emendadas do planeta. Mas o processo de emendas é penoso – e caro. São votações em dois turnos, em cada casa legislativa – Câmara e Senado -, por três quintos em cada qual.
Numa Constituinte, é mais simples: a votação é unicameral e por maioria absoluta. Bastaria, pois, em tese, uma base governista como a atual para escrever a nova Carta.
Não há chances no presente nem sequer de discutir a matéria, mas, num hipotético governo Dilma, quem sabe?
Lula, afinal, luta pela continuidade de sua administração, por meio da eleição de sua ministra.
Inclusive, nas solenidades públicas em que a leva consigo (e que são quase todas), é saudado pelo slogan “Dilma é Lula de novo”.
Numa Constituinte, além de questões eleitorais e partidárias, outros temas controversos, que, no processo convencional de emendas, não obtêm consenso – caso da limitação da liberdade de imprensa - poderiam ser resolvidos pela óptica governista.
Lula já disse que, para ele, jornalista não deve opinar, só noticiar.
O que se sabe é que Constituinte nunca foi antídoto para a corrupção. Se o fosse, o Brasil seria um país purificado.
Enquanto os EUA têm, desde sua fundação, uma única Constituição, aqui estamos na sétima: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1988 – sem contar a emenda nº 1, de 1969, que, por sua abrangência, equivale a uma nova Carta.
Corrupção se combate com a politização da sociedade, que requer como premissa taxas mais expressivas de educação.
O que pretendeu, então, o presidente ao ressuscitar tese tão polêmica, a propósito de tema que não lhe é estranho? Eis aí a pulga que coloca atrás da orelha dos políticos – e da nação.
Em Honduras venceu a democracia
Adelson Elias Vasconcellos
Não adiantou os indigentes morais que desgovernam a política externa brasileira fazerem a pressão que fizeram para restituir ao poder, em Honduras, o queridinho bolivariano que,a exemplo de Chaves & Cia., tentou subverter a constituição de seu país para impor sua ditadura ensandecida.
Menos mal que parte do mundo decente começou a abrir os olhos para dar-se conta do que realmente se tratava aquela fanfarronice que o Zé da Laya tentou fazer. Em boa hora, alguns países descobriram que o golpista não era Micheletti, e sim o fanfarrão de chapéu.
E, mesmo diante das evidências tão claras, Lula e seus amestrados, continuam não reconhecendo nem o governo de facto, tampouco as eleições livres e democráticas. E a sua vigarice continua ignorando as instituições democráticas daquele país, tanto quanto seu pleno estado de direito.
No acordo que o tal Zé da Laya firmou com o governo de Micheletti, acordo intermediado pelos Estados Unidos, que agiram de forma neutra na questão o tempo todo, não havia obrigatoriedade de recondução de Zé da Laya ao poder que tentou usurpar. Esta possibilidade seria, de antemão, submetida à aprovação da Corte Suprema e do Congresso hondurenhos, além do que, as eleições, previamente marcadas para 29 de novembro, foram mantidas.
Cerca de 300 observadores internacionais acompanharam o pleito e o consideraram absolutamente democrático, sem ferir a nenhum princípio legal. As únicas arruaças que se viu foram as patrocinadas pelos militantes do presidente deposto que, aliás, deveria era estar preso.
O Brasil, além de sua posição absolutamente vigarista, tentou intrometer-se em assuntos internos de um país estrangeiro, o que fere a nossa própria Constituição.Além disso, abrigou e ainda abriga o cretino em nossa embaixada sem sequer definir sua condição. E, o que também nossos dispositivos legais vedam terminantemente, permite que o canalha incite a população contra a ordem estabelecida de dentro da nossa embaixada contra às insittuições democráticas daquele país, promova baderna e pratique um descarado e também ilegal jogo político.
Em contrapartida, apesar da comunidade internacional apontar as fraudes nas eleições iranianas, apesar do próprio conselho religioso dquele país reconhecer ter havido "falhas", apesar da violenta e desmedida repressão aos protestos dos opositores, repelidos a bala, literalmente, Lula não se comoveu e rapidamente reconheceu a vitória de Ahmadinejad. Trata-se de uma evidente dupla moral. Critério este, aliás, que se usou para os pugilistas cubanos durante o Pan no Rio, em 2007, para devolvê-los ao sanguinário Castro, e que difere frontalmente no caso do assassino italiano Cesare Battisti.
A revista britânica, The Economist, que sempre tem tratado o governo brasileiro com certa reverência, chegou a questionar esta dupla personalidade de nossa política externa, ao indagar "Afinal, para que lado vai o Brasil?".
Aqui, neste espaço, abordando estes descritérios do senhor Amorim e seus parceiros de cretinices, já advertíamos quanto ao fato de que logo o mundo descobrirá quem realmente é Lula e qual a real intenção de sua política externa. E, ao invés de reverências, passaremos a ser tratados com certo resguardo. Afinal, país que acolhe prazeirosamente ditadores e com eles se banqueteia, que recebe de braços abertos terroristas e assassinos, não pode mesmo ser levado a sério, por lhe faltar base moral para impor discursos vigaristas ao mundo civilizado.
Portanto, a vitória da democracia em Honduras, dignifica aqueles resistentes que não concordam nem aceitam a desinstitucionalização brasileira. Como, também, impõem a Chavez e seus delinquentes, Rafael Correa no Equador, Evo Morales na Bolívia, e Lula no Brasil, seu primeiro grande revés contra o projeto de expansão no continente sulamericano, a política canalha de supressão da democracia, dos direitos e liberdades individuais.
Quem sabe, um dia, alguns brasileiros despertem da sua letargia e embriaguês e começam a se darem conta de que é possível resistir e de que, o outro lado de e além de Lula, Chaves, Correa, Morales, Ortega, chama-se liberdade, democracia, decência, honra, dignidade, valores sem os quais não se constrói futuro algum.
A lei é igual prá todos, e a moral também...
Adelson Elias Vasconcellos
Fui um dos que defendeu, em 2005, um processo de impeachmente contra Lula, por conta do mensalão. Quando estourou o caixa 2, da campanha de Eduardo Azeredo,em Minas, defendi que ele renunciasse a tudo e fosse se defender,direito que ninguém lhe pode negar. Da mesma forma, digo que Arruda deveria se afastar ou ser afastado do governo do Distrito Federal, para que as investigações do seu caso não sofram nenhuma espécie de condcionamentos ou constrangimento ou condicionamentos.
Não, em situações como as dos tres acima, a presença dos envolvidos nos governos ou no exercício de seus mandatos políticos não pode ser aceita. E nisto não está ausente seu direito de defenderem-se das acusações que lhe são dirigidas. Mas sua presença ou permanência em cargos de Executivos eleitos, tanto faz em que nível, é contrário ao bom andamento das investigações.
Contudo, ouve-se, outra vez, diante dos holofotes postos em Arruda, que é necessária uma reforma política urgente, porque só assim casos como esses de caixa 2 e mensalões poderão ser evitados.
Mentira!!! Se engana quem acha que o sistema é corrupto. Corrupto são os homens não o sistema. Nenhum desenho ou cenário político será suficientemente vacinado para evitar a existência dos canalhas. Eles estão presentes em todas as atividades humanas.
No caso da política brasileira, o que não existe é PUNIÇÃO para os desonestos, os vigaristas. Houvesse leis de repressão e punição, e não se veria disseminada no país esta cultura cretina de que os políticos tudo podem. A impunidade que esparramaram na vida pública é um vírus que se esparrama por toda a sociedade.
Político safado? Cadeia prá ele. Roubou? Bloqueem-lhe os bens, leiloe-se o que for necessário para ressarcir o erário, e tanto o safado quanto o ladrão, que sejam expulsos da vida política. Político ficha suja? Que seja impedido de concorrer a qualquer cargo eletivo. E, se responder a processos ocorridos enquanto apenas um cidadão comum,aí mesmo é que deve ficar fora da vida política.
Não é preciso mais do que punir exemplarmente os delinquentes da prática política desonesta, e impedir que continuem sendo bancados pela sociedade, de forma descarada, impune e cretina. Mas não apenas isso é o que basta. Veja-se o caso do mensalão petista ocorrido (ou estourado) em 2005: Lula já está se encaminhando para o final do seu segundo mandato, e até hoje ninguém foi julgado, quanto mais punido.
Portanto, justiça tem que ser feita no tempo certo. Justiça tardia não é justiça, é enrolação, é imunidade plena para a impunidade.
Então por que agora se volta a falar de reforma política? Bem, o que se pretende é criar um pretexto para se criar aqui as condições existentes na Venezuela, Bolívia, Equador,Costa Rica, etc... São os vícios da hipocrisia, são os uivos de um lobo faminto, vestindo-se de cordeiro, tentando amealhar para suas garras, um distraído país dormindo em berço esplêndido...
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