terça-feira, junho 14, 2011

Atenção ambientalistas: contra fatos não há terrorismo possível.

Adelson Elias Vasconcellos


Os números abaixo são oficiais, portanto, merecem crédito. E eles são indiscutíveis para se desmentir a pedra filosofal de dona Marina Silva e seu séquito de terroristas do meio ambiente.

Há um absurdo que corre o país contra o novo Código Florestal recentemente aprovado na Câmara de Deputados, seja tanto da parte do governo que está aí, quanto de boa parte da imprensa. Neste último grupo se incluem, incrivelmente, alguns que se arvoram em analistas econômicos! Arre!!!

Mas vamos lá. Nos últimos trinta anos, vocês sabem em quanto cresceu a produção de alimentos no Brasil, crescimento assentado em ganhos de produtividade, pesquisa e tecnologia de ponta? Incríveis 220%!!! Tal aumento nos proporciona sermos os mais competitivos produtores de alimentos em todo o mundo. O último baluarte a cair, em favor do Brasil, é a produção de frangos, que por anos a fio foi liderada pelos Estados Unidos.

Boa parte desta produção se deve, sobretudo, ao aumento da pecuária de corte na região centro-oeste, para onde os produtores se deslocaram pelo fato de se estar próximo à região produtora de grãos, o que ocasionava em menor custo de produção. Mas a revolução no campo se fez justamente ai, a conjugação de aumentos exponenciais na produção de grãos que porporcionaram investir em aumentos consideráveis em rebanhos.

Quem conhece a região centro-oeste sabe que a terra ali é imensamente pobre. Não presta sequer para o cultivo de pastagens capazes de alimentar rebanho algum. Foi o espetacular trabalho da Embrapa que permitiu que o Centro-Oeste se transofrmasse em verdadeiro celeiro. Milho, soja, algodão, dentre outros, se multiplicaram às toneladas.

Hoje, não apenas o brasileiro tem uma alimentação farta, saudável  e barata à sua disposição, como ainda o país pode acumular seus atuais 300 bilhões de reservas internacionais graças às divisas proporcionadas pelos excedentes de produção agropecuária para o mundo todo. E se a inflação foi contida e o país pode, finalmente, encontrar e abraçar sua desejada estabilidade econômica deve-se, em grande parte, ao volume de alimentos que sai do campo.

Pois bem: medindo-se os ganhos de produtividade, o Brasil alcançou impressionantes 150% neste mesmo período. Ou seja, com a mesma área plantada, conseguiu aumentar o volume do que é produzido apenas com pesquisa e tecnologia.

Mas aí vem o dado mais deslumbrante e faz Marina Silva e seu festival de bobagens emudecerem. Esse colossal aumento na produção e na produtividade provocou apenas e tão somente um aumento de 30% da área plantada de há exatos 30 anos atrás. É isso mesmo: enquanto o volume produzido crescia em 220%, o acréscimo da área utiliza para este mesmo aumento foi de apenas 30%, nos últimos 30 anos. Não é formidável?

Onde, então, se pode alegar que, tanto o antigo quanto o novo Código Florestal, são responsáveis pelo aumento do desmatamento que ocorre no país? Se eles acontecem de maneira brutal, busque-se qualquer outro culpado, menos os produtores rurais brasileiros. Já afirmei aqui: madeireiros, garimpeiros e os vigaristas da biopirataria são muito, mas muito mais lesivos ao meio ambiente do que os produtores agropecuários que, como os números acima atestam, praticamente não desmataram quase nada proporcionalmente ao benefício que seu trabalho produz para o país e sua população.

Por que então não se voltam as baterias para atacar os verdadeiros vilões? Simplesmente, não sei. Ao longo do tempo, criou-se uma prevenção contra os produtores rurais, uma espécie de preconceito surrealista, produto, talvez, de sua teimosia em querer trabalhar honestamente ao invés de viverem das benesses que o paternalismo picareta do Estado proporciona para outras “categorias”.

O brasileiro não tem do que se envergonhar de seus produtores rurais, pelo contrário. Deve olhar para estes eternos injustiçados e aprender com eles alguma coisa. Aquela baboseira toda de “latifundiários” é coisa colonial, discurso de malandro porco que não sai dos palanques e dos rótulos do esquerdismo bocó.

Há muitas áreas agricultáveis ainda por explorar? Claro que há. Há muitas propriedades improdutivas que mais servem a especulação do que para a produção de alimentos? Por certo, mas já foram muito mais e ano após ano este pedaço inútil se reduz de forma constante. Este discurso mistificador do MST é apenas o discurso cretino de quem quer justificar seus crimes e sua vagabundagem bancada com dinheiro público, com uma causa “nobre” que, de nobre, e todo o país já conhece, não tem coisa alguma.

Grande parte da produção agropecuária brasileira advém do trabalho de pequenos e médios produtores. Somam hoje mais de 3,5 milhões de trabalhadores num universo de 5 milhões de proprietários. Além disto, é bom não perdermos de vista a atuação cafajeste de milhares de ONGs picaretas, estrangeiras em sua maioria, devidamente financiadas por fundações e organismos estrangeiros que, em nome da preservação do meio-ambiente, pretendem é interromper o ciclo virtuoso do crescimento da produção rural brasileira que, apesar das injustiças e acusações bestiais, consegue, por seu trabalho e dedicação, chutar o traseiro destes vagabundos do discurso fácil de fim do mundo, e erguer-se como a atividade que melhor sustenta a estabilidade e o crescimento do país. E olha que eles ainda precisam enfrentar as agruras da falta de armazéns, portos inoperantes e devasados e estradas, que mais caminhos para o inferno do que corredores para escoamento da produção.

Portanto, que o Senado Federal não se deixe contaminar pelos anjos salvadores do meio ambiente porque, no fundo, não apenas seus dados são enxovalhados pelo proselitismo mais ordinário, como também não conseguem provar suas teses estúpidas com que tentam demonizar quem realmente trabalha e produz. Em trinta anos, aumentar em 220% a produção de alimentos com um acréscimo quase insignificante de apenas 30% na área plantada, convenhamos, é uma verdade capaz de emudecer a voz e os argumentos tolos de uma Marina Silva da vida. Que ela denuncie, por ser verdadeira, a destruição que garimpos e madeireiras provocam ao meio ambiente, e o que é pior: sem retorno ou benefício algum para o país.

Se focarmos apenas o período de 1995 a 2001, será possível dimensionar de forma indiscutível a enorme contribuição do campo para a economia do país. A política agrícola a partir de 1995 foi a de combinar, de forma eficiente, a utilização de instrumentos econômicos como o crédito rural e os programas de suporte à comercialização com instrumentos estruturais como a pesquisa agropecuária.

O crédito rural oficial foi reformulado para estimular uma participação maior do setor privado. As dívidas anteriores foram securitizadas e a estrutura governamental de apoio à comercialização passou por profundas mudanças com a criação de instrumentos mais modernos e menos intervencionistas. Na pesquisa agropecuária foram adotadas várias medidas para torná-la mais afinada com o mercado e portanto mais objetiva em termos de áreas a serem pesquisadas e de produtos a serem desenvolvidos.

Tal esforço foi decisivo para que o Brasil elevasse sua safra de grãos de 73,5 milhões de toneladas, em 1995, para 98,3 milhões de toneladas, em 2001.A produção brasileira de grãos aumentou de 32%, no período, enquanto que o crescimento da área plantada foi de apenas 2,9%. Em 2010, nossa produção agrícola cravou mais de 140 milhões de toneladas.

O setor do agronegócio abrange a cadeia produtiva de indústria e serviços ligada aos produtos da agropecuária: produção de equipamentos e serviços para o campo e a transformação dos produtos, como as indústrias de alimentos e frigoríficos (em resumo, envolve as atividades dos complexos agroindustriais, isto é, atividades primárias, secundárias e terciárias da cadeia produtiva). Esse setor da agricultura e pecuária contribui com cerca de 30% do Produto Interno Bruto – PIB (aprox. 20% da agricultura e 10% da pecuária – O PIB do Brasil é de US$ 1,8 trilhão), 37% das exportações e 35% dos empregos brasileiros.

Aliás, o governo federal, mesmo que não admita, sabe bem desta verdade e tem nas mãos os verdadeiros números que desmontam a pirâmide de mentiras. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil poderá ter um crescimento de até 23% na produção de grãos entre as safras de 2010/11 e 2020/21 e o crescimento da área plantada em 9,5%. Sabe, ainda, que os números demonstram que a produção agrícola não depende do aumento das áreas agricultáveis e dessa forma, não será necessário alterar o Código Florestal para expandir a produção de alimentos. Segundo o ministro Wagner Rossi (Agricultura), existem cerca de 120 milhões de hectares já desmatados que podem ser recuperados para atividade agrícola ou de reflorestamento.

Está na hora de Marina Silva e seus seguidores pararem de assombrar com suas mentiras a opinião pública, seja do Brasil ou do Exterior. A atividade agropecuária  nada tem a ver com o desmatamento que ocorre no país. O Novo Código Florestal nada a ver com os crimes ambientais que são cometidos de forma desbragada fruto da falta de fiscalização e da licenciosidade com que são tratados quando flagrados pelo Poder Público. Que ela trate de combater os verdadeiros vilões do meio ambiente, e pare de jogar a sociedade contra si mesma e, mais especificamente, contra pessoas que trabalham honestamente, muitas vezes tendo que lutar contra as intempéries do tempo, a falta de estrutura para escoamento de sua produção e os discursos e os preconceitos descabidos e canalhas de uns e outros. A robustez dos números acima apresentados não deixam margem para fantasias e mistificações. O campo merece, aguarda e exige o respeito que lhe é devido.

Haddad, assim não dá, meu chapa!

Adelson Elias Vasconcellos

Bem que a presidente Dilma poderia ter aproveitado para, no troca- troca de ministros da semana passada, ter despachado o senhor Fernando Haddad, cujo trabalho à frente do Ministério da Educação, a cada dia, se torna mais incompetente chegando já ao ponto do ridículo.

O Jornal Nacional de ontem, 13/6, informou que muitas são as escolas públicas em que os alunos não receberam os livros didáticos deste ano, e se veem prejudicados para poderem acompanhar as aulas. Outros, estão tendo que aproveitar livros velhos, rasgados, caindo aos pedaços e alguns, inclusive, que não tiveram a graça de serem editados dentro das novas regras da reforma ortográfica. É um despropósito, senão uma verdadeira esculhambação!

É impressionante o que este cidadão está fazendo com a educação no Brasil. Por mais publicidade que o MEC mande veicular na mídia não consegue ocultar da sociedade o vergonhoso descaso, abandono e irresponsabilidade com que escolas, professores e alunos dos ensinos médio e fundamental têm sido tratados pela atuação calamitosa do senhor Haddad.

Durante a campanha de 2010, lembro bem das “conquistas” que se apontavam no campo da educação e, uma delas, era a questão da distribuição dos milhões de livros didáticos gratuitamente. Hoje, sabemos e somos surpreendidos que nestes “milhões” existiam milhares com grosseiros erros de matemática, de redação e alguns até que ensinavam que é certo falar errado.

O constrangedor nesta mais nova atrapalhada do MEC, é que a perspectiva dos alunos que não receberam livros didáticos ou mesmo os que receberam pela metade, é que a solução que a turma aponta está sendo remetida para 2012. Ou seja, quem recebeu, recebeu, quem não recebeu não recebe mais e estamos conversados. Que tipo de “autoridade pública” é esta que sequer se presta, diante da falha, a prontamente corrigi-la para não prejudicar estudantes em plena formação? Será que já não bastam os erros em livros didáticos, as greves intermináveis de professores, agora os alunos terão que conviver com a falta de livros? É muita incompetência e irresponsabilidade num só ministério!!!! E isto que se trata nada menos nada mais do que o PRINCIPAL e MAIS ESTRATÉGICO ministério dentre os quarenta ali-babás da Esplanada!

Nesta semana, a revista Veja relacionou os cinco ministros do governo Dilma que estão com a cabeça a prêmio e, graças a Deus, um deles é justamente Fernando Haddad. Não há uma semana que não somos surpreendidos com ações de pura incompetência e irresponsabilidade de parte deste senhor. Claro que ele não é o único capeta do MEC. Existem muitos outros que lá trabalham de forma sorrateira neste processo vigarista de tornar a educação brasileira no lixo em que está se transformando. Um processo de depuração no MEC se faz mais do que necessário.

A educação de um país, já disse aqui, é a ação estratégica mais importante dentre todas que um governo deve atentar, se o que se deseja é um país melhor e mais justo. Tanto se fala em programas sociais, inclusão, sustentabilidade, redução de desigualdades, extinguir a miséria e outras pérolas “progressistas” mais. Contudo,. naquilo que, verdadeiramente, importa que é a educação, mas não uma educação qualquer, e sim aquela de qualidade, que faz a diferença, que prepara adequadamente as futuras gerações para os desafios do futuro, evitando o que ora se assiste que é um apagão vexatório em profissões técnicas e imprescindíveis como engenheiros, por exemplo, a nossa anda na contramão. Tanto o governo petista e sua imensa militância do “amém” falam tanto em cidadania para justificar suas mazelas, mas se esquecem do principal: sem educação o que temos é um povo jogado às trevas do conhecimento, e não há país desenvolvido com um povo analfabeto.

Assim, o prazo de validade do senhor Haddad já se esgotou faz tempo. Para o bem do país e de uma educação de qualidade de seu povo, dona Dilma deve demiti-lo o mais rapidamente possível. Mas apenas provocar uma simples troca de nomes não resolverá o problema: é preciso mudar a orientação e, neste sentido, Haddad deve sair abraçado com uma leva de pseudo-educadores, de especialistas da vigarice uqe lá se encontram.  É intolerável que um ministro da Educação não consiga sequer conviver com a crítica, como foi o caso quando chamou de "fascistas" os que condenaram o livro que ensina que é certo o errado.  

Além disto, deveria o MEC ser uma espécie de orientador e fiscalizador para que o ensino, principalmente de língua portuguesa, fosse uma honra para qualquer estudante. Contudo, distorcem o papel principal de ensinar, educar, para, de forma torta e vigarista, fraudar sua própria missão. Isto é possível constatar em concursos públicos e vestibulares, e até no ENEM, que se tornaram espécies de libelos de doutrinação porca e fedorenta. Além das reportagens do Jornal Nacional, o texto do Reinaldo Azevedo, (poderia citar dezenas de outros exemplos), dão bem a tônica do lixo que está sendo transmitido às nossas crianças. Não é a toa que 2/3 da população não consegue sequer interpretar um miserável texto com meia dúzia de palavras formatando uma ideia central.

Vimos aqui, a "beleza" do livro de matemática que ensina que 10 -7 = 4 e 16 – 8 = 6 , livro este que, além destes erros, tem tantos outros que o próprio MEC entendeu que melhor faria retirando-o de circulação. Uma errata acompanhando cada exemplar seria insuficiente. Se os gênios da turma que seleciona e aprova livros didáticos do MEC chegou a tal constatação, imaginem o quão absurdo não era o tal livro. Perguntinha: quem pagará ou arcará com os custos de uma nova publicação, o contribuinte? Deveriam TODOS os servidores, terceirizados e concursados, lotados no MEC, a começar pelo ministro, rachar entre si os custos de uma tiragem com as correções devidas.

Não se pode consentir que a irresponsabilidade do Estado continue a pesar sobre os ombros da população, porque somente com o “castigo” da indenização é que se passará ao nível de decência no Poder Público. E isto vale para qualquer erro ou delito. Se nós deixarmos de pagar qualquer imposto seremos penalizados pela multa e juros. Assim, a omissão ou desídia do agente público de qualquer nível para com a sociedade que lhe paga salários para servi-la, deve também ser penalizada na mesma proporção.

E, se ministros de Estado, no desempenho de suas funções, se comportam como é exemplo clássico o senhor Haddad, o melhor que se deve fazer é demiti-lo e devolvê-lo ao lugar de onde veio. Deveria, é claro, ser posto de castigo de joelho sobre milho, com uma edição atualizada de gramática portuguesa debaixo do braço, e com a missão de decorá-la no prazo de uma semana. Talvez dominando melhor o idioma não se propusesse em produzir tanta picaretagem.

A seguir, o texto da reportagem do Jornal Nacional. Clicando aqui, você assiste ao vídeo.

***

Estudantes mineiros sofrem com a falta de livros didáticos na metade do ano letivo

Em Itabirito, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, as aulas duram apenas 20 minutos. Os outros 30 são para os alunos copiarem a matéria do quadro e terem o que estudar depois. Muitos também acabam interrompendo outras turmas para pegar o material.

Quase no fim do primeiro semestre letivo, ainda há alunos de escolas públicas sem os livros didáticos. A situação, em Minas Gerais, está na reportagem de Isabela Scalabrini.

Depois da aula, João Vitor tenta estudar para a prova. Mas, não consegue porque recebeu apenas três dos seis livros didáticos. “A gente tem que estudar em dobro. Sem livro fica meio difícil”, conta o menino.

Em muitas escolas mineiras, os livros disponíveis são edições antigas e ficam trancados em armários. Em Itabirito, a 50 quilômetros da capital, alunos acabam interrompendo a aula de outras turmas para pegar o material.

Em uma escola, a aula dura 50 minutos. De acordo com os professores, os 20 primeiros minutos são para as explicações sobre as matérias. O restante, meia hora, os estudantes gastam copiando a matéria do quadro.

Esta é a única maneira deles estudarem, já que ninguém pode levar para casa os livros didáticos.

A professora de ciências prefere ditar: “Você pode observar que uma parte da sala já terminou e outra parte da sala ainda está fazendo. Então eu prefiro às vezes ditar, porque aí eu coloco a turma toda no mesmo nível”, conta a professora Alessandra Paranhos.

“A mão dói, dá até calo aqui nas pontas”, brinca o menino.

E tem outros problemas: “Os livros do ano passado já estão todos rasgados. Tão todos riscados”, afirma uma menina.

Além disso, as novas regras do acordo ortográfico não estão atualizadas. “Aprendendo um pouco errado”, diz outro menino.

De acordo com as secretarias de Educação de Belo Horizonte e Itabirito, a previsão do número de alunos, feita em 2010, ficou abaixo dos matriculados em 2011.

“O livro é importantíssimo, porque é um trabalho igual para todos, é o recurso que a gente tem, como escola pública é o nosso recurso principal. Mas a gente gostaria de ter livro para todas as turmas e nós estamos realmente em defasagem”, explica a professa Conceição Aparecida.

A Secretaria da Educação de Minas Gerais anunciou que vai pedir o aumento da reserva técnica de livros didáticos de 10% para 15% a partir do ano que vem. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação declarou que a falta de livros é resolvida, na maioria das vezes, com a reserva técnica, mas não informou quando vai repor os livros nas escolas mineiras.

FRAUDE INTELECTUAL - Instituto do governo federal usa texto meu em concurso, faz patrulha ideológica, induz candidatos ao erro e atribui a Camões o que ele nunca escreveu. Recorram, senhores candidatos; serei testemunha!

Reinaldo Azevedo

Edição de "Os Lusíadas" organizada por Francisco Gomes de Amorim, de 1889

Caras e caros,

o texto ficará bastante longo, como verão. Mas a questão é importante porque estamos diante de mais uma evidência das distorções a que a esquerdopatia submete a educação no Brasil. Como resolveram usar um texto meu para fazer lambança, então eu me sinto obrigado a denunciar os vigaristas intelectuais. Eu gosto de uma boa briga. A turma lá deve saber disso, espero.

*

Já escrevi uma vez: eles não se cansam, mas eu também não me canso. Eles têm a sua rede de vigarice e maledicência, eu tenho os fatos. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte fez um concurso para contratar professores de língua portuguesa para o ensino médio e nível superior. A turma lá decidiu usar um texto meu, publicado na ediçao nº 2025 da VEJA, de 12 de setembro de 2007. Ele serviu de referência para seis questões. Cinco delas têm de ser anuladas. Candidatos que se sintam lesados e queiram recorrer à Justiça podem usar este meu post como suporte. Eu sou o autor. Eu sei o que escrevi. E o Instituto mentiu sobre o meu texto.

O artigo que escrevi foi submetido a um crivo ideológico e teve seu sentido deturpado. Atribuíram-lhe um conteúdo comprovadamente falso. Pior: o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte induz os candidatos a um erro no que diz respeito à gramática, além de atribuir a Camões o que ele nunca escreveu. Escárnio: o concurso seleciona professores de língua portuguesa!

Abaixo, leitor, reproduzo em azul o meu artigo, que critica a recente reforma ortográfica, à qual ainda não aderi em sinal de protesto. Quando for obrigatório, não terei saída. Ainda estou no prazo. Mesmo escrito em 2007, ele poderia servir também como contestação às bobagens presentes no livro de Heloísa Ramos, aquela que faz a apologia do erro. Na seqüência, publico em vermelho (claro!) as questões do tal instituto e o gabarito. E chuto traseiros com gosto.

*

Restaurar é preciso; reformar não é preciso

A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.

A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa “Comunicação e Expressão”, pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, “criatividade”. As aulas de sintaxe - sim, leitor, a tal “análise sintática”, lembra-se? - cederam espaço à “interpretação de texto”, exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases - reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado “uso criativo” da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.

Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras “do povo” não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção - ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas - pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.

Não é só a língua portuguesa que está submetida a esse vexame, é claro. As demais disciplinas passaram e passam pela mesma depredação. A escola brasileira é uma lástima. Mas é nessa área, sem dúvida, que a mistificação atingiu o estado de arte. Literalmente. Aulas de português se transformam em debates, em que o aluno é convidado (santo Deus!) a fazer, como eles dizem, “colocações” e a “se expressar”. Que diabo! Há gente que não tem inclinação para a pintura, para a música e para a literatura. Na verdade, os talentos artísticos são a exceção, não a regra. Os nossos estudantes têm de ser bons leitores e bons usuários da língua formal. E isso se consegue com o ensino de uma técnica, que passa, sim, pela conceituação, pela famigerada gramática. Precisamos dela até para entender o “Virundum”. Veja só:

“Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas
De um povo heróico
o brado retumbante”

Quem ouviu o quê e onde, santo Deus? É “as margens plácidas” ou “às margens plácidas”? É perfeitamente possível ser feliz, é certo, sem saber que foram as margens plácidas do Rio Ipiranga que ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Mas a felicidade, convenham, é um estado que pode ser atingido ignorando muito mais do que o hino. À medida que se renuncia às chaves e aos instrumentos que abrem as portas da dificuldade, faz-se a opção pelo mesquinho, pelo medíocre, pelo simplório.

As escolas brasileiras, deformadas por teorias avessas à cobrança de resultados - e o esquerdista Paulo Freire (1921-1997) prestou um desserviço gigantesco à causa -, perdem-se no proselitismo e na exaltação do chamado “universo do educando”. Meu micro ameaçou travar em sinal de protesto por escrever essa expressão máxima da empulhação pedagógica. A origem da palavra “educação” é o verbo latino “duco”, que significa “conduzir”, “guiar” por um caminho. Com o acréscimo do prefixo “se”, que significa afastamento, temos “seduco”, origem de “seduzir”, ou seja, “desviar” do caminho. A “educação”, ao contrário do que prega certa pedagogia do miolo mole, é o contrário da “sedução”. Quem nos seduz é a vida, são as suas exigências da hora, são as suas causas contingentes, passageiras, sem importância. É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação.

Professores de português e literatura vivem hoje pressionados pela idéia de “seduzir”, não de “educar”. Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, dão um pé no traseiro de Camões (1524-1580), mandam o poeta caolho cantar sua namoradinha chinesa em outra barcarola e oferecem, sei lá, facilidades da MPB - como se a própria MPB já não fosse, em nossa esplêndida decadência, um registro também distante das “massas”. Mas nunca deixem de contar com a astúcia do governo Lula. Na citada prova do Enem, houve uma “modernização” das referências: em vez de Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii; em vez de Caetano Veloso, Titãs. Na próxima, é o caso de recorrer ao funk de MC Catra: “O bagulho tá sério / vai rolar o adultério / paran, paran, paran / paran, paran…”.

Precisamos de restauração, não de mais mudanças. Veja acima, no par de palavras “educação/sedução”, quanto o aluno perde ao ser privado da etimologia, um conhecimento fascinante. As reformas ortográficas, acreditem, empobrecem a língua. Não democratizam, só obscurecem o sentido. Uma coisa boba como cassar o “p” de “exce(p)ção” cria ao leitor comum dificuldades para que perceba que ali está a raiz de “excepcional”; quantos são os brasileiros que relacionam “caráter” a “característica” - por que deveriam os portugueses abrir mão do seu “carácter”? O que um usuário da nossa língua perderia se, em vez de “ciência”, escrevesse “sciência”, o que lhe permitiria reconhecer na palavra “consciência” aquela mesma raiz?

Veja o caso do francês, uma língua que prima não por letras, mas por sílabas “inúteis”, não pronunciadas. E, no entanto, os sempre revolucionários franceses fizeram a opção pela conservação. Uma proposta recente de reforma foi unanimemente rejeitada, à direita e à esquerda. Foi mais fácil cortar cabeças no país do que letras. A ortografia de Voltaire (1694-1778) está mais próxima do francês contemporâneo do que está Machado de Assis do português vigente no Brasil. O ditador soviético Stálin (1879-1953) era metido a lingüista. Num rasgo de consciência sobre o mal que os comunistas fizeram, é dono de uma frase interessante: “Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa”. Ora, dirão: este senhor é um mau exemplo. Também acho. O diabo é que ele se tornou referência de política, não de conservação da língua…

Já que uma restauração eficaz é, eu sei, inviável, optemos ao menos pela educação, não por uma nova e inútil reforma. O pretexto, ademais, é energúmeno. Como escreveu magnificamente o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), houve o tempo em que a terra surgiu, redonda, do azul profundo, unida pelo mar das grandes navegações. Um mar “portuguez” (ele grafou com “z”). Hoje, os países lusófonos estão separados pela mesma língua, que foi se fazendo história. A unidade só tem passado. E nenhum futuro.

*

Agora vamos às questões:

01. A organização das idéias apresentadas no texto é norteada pela

A) problematização da inutilidade da reforma ortográfica e da ineficácia das aulas de português e de literatura.
B) defesa de um ponto de vista alicerçado, sobretudo, em argumentos de autoridade.
C) crítica às teorias educacionais de Paulo Freire, associando-lhes a responsabilidade pelo insucesso das aulas de português e de literatura.
D) restrição temática a questões técnicas relacionadas à reforma ortográfica e ao ensino de língua portuguesa e de literatura, sem revelar posicionamentos de cunho político-ideológico.

Comento
Evidentemente, a alternativa mais correta é a “D”, já que não esboço posicionamento político-ideológico nenhum! Num dado momento, digo ali que uma postura errada atravessou vários governos. Quem me patrulha é o instituto. A alternativa “A” pode sugerir que eu considero ineficaz ministrar aulas de língua e literatura. Eu as crítico na forma como são ministradas hoje. Mais: em nenhum momento eu afirmo que a reforma é inútil. Inútil é aquilo que não serve pra nada, que é irrelevante. Eu estou dizendo justamente o contrário: ela até pode ser útil a um propósito que considero ruim. EU SOU O AUTOR DO TEXTO, SENHORES “CONCURSANDOS” (é uma licença, valentes!). Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “D”. Vamos à questão nº 2.

02. Ao longo do texto, as opiniões sobre a reforma ortográfica revelam

A) juízos de valor assentados nos princípios da sociolinguística, para a qual a natureza variável da língua é um pressuposto fundamental .
B) juízos de valor consoantes com o senso comum, uma vez que, para os estudos sociolinguísticos, é impróprio afirmar que há línguas ricas e línguas pobres .
C) sintonia com o princípio de que toda língua apresenta variação social ou diastrática, mais especificamente no que se refere à variação de classe social.
D) sintonia com uma visão do senso comum assentada na concepção sociointeracionista de linguagem.

Das alternativas dadas, a mais correta e a “A”, mas dizem ser a “B” porque, afinal, eles não gostam de mim e acham que sou um sujeito reacionário, que se move pelo “senso comum”. A propósito, aquela digressão que fiz sobre “educação e sedução” é coisa que se encontra em qualquer esquina… Comuníssimo! Ora, eu escrevi o artigo justamente para demonstrar a “natureza variável da língua”: o “nosso” português é único, diferente dos demais; carrega as marcas da nossa história. A unificação pretendida é um delírio autoritário. Ao afirmar que a alternativa correta é a B, é forçoso admitir que eu defendi no texto a existência de “línguas ricas e de línguas pobres”. Os examinadores estão mentindo. Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “A”. Vamos à questão nº 3.

03. Na intenção de ilustrar como seria uma aula de português que, em vez de seduzir, eduque, Reinaldo Azevedo orienta os professores a “destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas” (l. 49). Segue o excerto a que o autor fez referência.

01- AS ARMAS e os barões assinalados,
02- Que, da ocidental praia lusitana,
03- Por mares nunca de antes navegados,
04- Passaram ainda além da Taprobana,
05- Em perigos e guerras esforçados.
06- Mais do que prometia a força humana,
07- Entre gente remota edificaram
08- Novo reino, que tanto sublimaram;
09- E também as memórias gloriosas
10- Daqueles reis que foram dilatando
11- A Fé, o Império, e as terras viciosas
12- De África e de Ásia andaram devastando,
13- E aqueles que por obras valerosas
14- Se vão da lei da morte libertando:
15- Cantando espalharei por toda parte,
16 - Se há tanto me ajudar o engenho e arte.

CAMÕES, Luís. Os lusíadas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990, p. 29. (Grandes obras da cultura universal; v.2.)

Em relação à orientação didática proposta por Reinaldo Azevedo, é correto afirmar:

A) não há justificativa sintática para admitir, nos catorze versos que antecedem a ocorrência do verbo espalhar, a função de objeto direto, pois eles se encontram antepostos ao verbo da oração principal .
B) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas de uma sequência de valor adverbial contida nesse conjunto de versos e adjunta do verbo espalhar.
C) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas do complemento do verbo espalhar, que aparece no verso quinze .
D) não há justificativa sintática para se atribuir transitividade direta ao verbo espalhar, uma vez que ele vem seguida pela preposição por
Agora a coisa fica muito séria. No meu texto, afirmo: “Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, [os professores] dão um pé no traseiro de Camões (…)”. Notem que nem escrevi que todos os 14 versos são objeto direto, mas poderia tê-lo feito porque, de fato, é isso mesmo; as orações adjetivas que se colam aos objetos não mudam a sua natureza.

Dizem os examinadores que a alternativa correta é a “C”, mas inexiste alternativa correta pela simples razão de que “espalhar” é, sim, um verbo transitivo direto; se é, seu complemento é o objeto direto. Vamos ver.

- O primeiro objeto direto está no primeiro verso:

O narrador de “Os Lusíadas”, na ordem direta, está afirmando:
“[Espalharei por toda parte] as armas e os barões assinalados.”
O que vai do verso 2 ao verso 8 são orações subordinadas adjetivas explicativas — e explicam aquele objeto direto.

- O segundo objeto direto está no verso 9 e parte do 10
“[Espalharei por toda parte] também as memórias gloriosas daqueles reis
O que se segue em parte do 10, no 11 e no 12 são orações subordinadas adjetivas restritivas.

- O terceiro objeto direto está em parte no verso 13:
“Espalharei por toda parte] aqueles
O resto do 13 e o 14 também têm uma oração adjetiva restritiva.

O que é mais espantoso na questão é que eles próprios admitem que esses termos são “complemento” do verbo “espalhar”. Está lá na alternativa C, que dão como correta. E o verbo “espalhar” tem qual transitividade? Um professor, à época, só descobri ontem, resolveu me contestar — e responderei em texto específico —, sustentando que todos aqueles complementos se referem a “cantando”. Lamento! Não é, não, valentão!

O “cantando” é o “modo” como o narrador espalhará — divulgará ao mundo e à posteridade — os feitos portugueses. E, como é um poeta, ele o fará “cantando” (à época, meu senhor, os poetas “cantavam” suas musas). Se fosse Leonardo Da Vinci, ele poderia dizer: “Pintando espalharei por toda parte”; se fosse Michelangelo, “esculpindo espalharei por toda parte”; se fosse Ideli Salvatti, “berrando espalharei por toda parte”; se fosse um examinador do tal instituto, “mentindo espalharei por toda parte”. Aqueles termos todos, na gramática, complementam o sentido do verbo “espalhar”. E o narrador o fará como, de que modo? “Cantando”.

O “cantando” é, nitidamente, uma manifestação da Oração Subordinada Adverbial Modal, que desapareceu, sem explicação, da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Não foi a única. A locativa também foi para o brejo. Mas, admito, isso pode dar algum debate, que fica para outro post. Mas atentem para o que vem agora.

Estupidez
Mas essa não é a coisa mais estúpida que fez o instituto. A transcrição do trecho de Os Lusíadas traz dois erros que alteram o sentido de maneira grotesca. O mais grave está no verso 16: onde se lê “há tanto”, o certo é “a tanto”; onde meteram um verbo, Camões escreveu uma preposição! Inexiste aquele ponto final do verso 5; se ele estivesse lá, o que vem depois seria um anacoluto. Que turma é essa capaz de fazer essa miséria com Camões? Mas entendo: eles transcreveram o trecho de “Grandes Obras da Cultura Universal”. Posso lhes emprestar — melhor não… — uma das minhas edições de Os Lusíadas. A mais antiga é uma preciosidade revisada por Francisco Gomes de Amorim, publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1889. Outra edição de referência é a organizada por Emanuel Paulo Ramos, da Porto Editora. Há diferenças. Mas em nehuma existe, obviamente, “há tanto”… Examinador que transcreve Camões de “Grandes Obras da Cultura Universal” merece chicote. Adiante.

04. No segundo parágrafo do texto, as ocorrências de uso das aspas evidenciam

A)uma forma de discurso relatado que apenas reproduz fielmente o que está sendo citado, sem que haja ruptura sintática .
B)fazer uma espécie de teatralização de algo dito em outro momento, de forma a atribuir maior fidelidade ao que está sendo dito, com ruptura sintática.
C)uma intenção de se manter, a distância, certas palavras, mas, ao mesmo tempo, dar legitimidade a esse distanciamento, sem haver ruptura sintática .
D)destacar trechos de afirmações cuja autoria não pode ser atribuída nem ao enunciador do texto nem algum outro enunciador.

O candidato deveria marcar a alternativa C, seja lá o que aquela coisa signifique. Eu não entendi o que faz lá aquele “se”, até porque, por uma questão de paralelismo, então seria preciso escrever “se dar”. Bem, eu sou o autor do texto, né? Eu não quis dar “legitimidade a distanciamento” nenhum, até porque não estendi o que essa borra quer dizer… Vamos à próxima.

05. Sobre o período É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação (l.47), é correto afirmar:

A) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como aposto de caminho.
B) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede educação, isso alterar-lhe-ia a função sintática .
C) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede “a” palavra educação, esta passaria a exercer a função de objeto direto do verbo devolver.
D) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como complemento nominal de caminho.

Que gente é essa, meu Deus! Na questão que poderia ser não-ideológica, eles erram miseravelmente porque são incapazes de interpretar um texto. De fato, pode-se considerar correta, como eles querem, a alternativa C, mas eu, que sou o autor, asseguro: a correta é a “A”. Basta ler o meu texto para perceber que eu criei uma oposição entre “educação” e “sedução”, entre “caminho” e “afastamento do caminho”. Logo, quem leu direito entendeu que, com efeito, “caminho” é, sim, um aposto de “educação”. Vamos à ultima.

06. Remetem às fases da forma prototípica da sequência dominante no texto

A) constatação inicial, problematização, resolução e conclusão-avaliação .
B) ancoragem ou afetação, aspectualização e relacionamento.
C) situação inicial, complicação, ações, resolução e situação final.
D) premissas, argumentos, contra-argumentos e conclusão .

A resposta certas e a “D”. Huuummm… É a única que dá para aceitar das seis, embora “aspectualização” seja um desses complicômetros universitários que não servem nem para catar cocô. É só o fácil falar difícil, na suposição de que as palavras de que dispõe a língua são insuficientes para traduzir o que essa gente tem a dizer. Mas convenham: no conjunto da obra, esse é o menor dos males.

A isso estamos reduzidos. No post lá do alto, vocês vêem a miséria que fizeram num vestibular da Universidade de Brasília. Aqui, o proselitismo intelectual vigarista não poupa ninguém: Reinaldo Azevedo ou Camões! Ele está morto, não fala. Eu falo e chuto o traseiro desses pilantras.