Adelson Elias Vasconcellos
Os números abaixo são oficiais, portanto, merecem crédito. E eles são indiscutíveis para se desmentir a pedra filosofal de dona Marina Silva e seu séquito de terroristas do meio ambiente.
Há um absurdo que corre o país contra o novo Código Florestal recentemente aprovado na Câmara de Deputados, seja tanto da parte do governo que está aí, quanto de boa parte da imprensa. Neste último grupo se incluem, incrivelmente, alguns que se arvoram em analistas econômicos! Arre!!!
Mas vamos lá. Nos últimos trinta anos, vocês sabem em quanto cresceu a produção de alimentos no Brasil, crescimento assentado em ganhos de produtividade, pesquisa e tecnologia de ponta? Incríveis 220%!!! Tal aumento nos proporciona sermos os mais competitivos produtores de alimentos em todo o mundo. O último baluarte a cair, em favor do Brasil, é a produção de frangos, que por anos a fio foi liderada pelos Estados Unidos.
Boa parte desta produção se deve, sobretudo, ao aumento da pecuária de corte na região centro-oeste, para onde os produtores se deslocaram pelo fato de se estar próximo à região produtora de grãos, o que ocasionava em menor custo de produção. Mas a revolução no campo se fez justamente ai, a conjugação de aumentos exponenciais na produção de grãos que porporcionaram investir em aumentos consideráveis em rebanhos.
Quem conhece a região centro-oeste sabe que a terra ali é imensamente pobre. Não presta sequer para o cultivo de pastagens capazes de alimentar rebanho algum. Foi o espetacular trabalho da Embrapa que permitiu que o Centro-Oeste se transofrmasse em verdadeiro celeiro. Milho, soja, algodão, dentre outros, se multiplicaram às toneladas.
Hoje, não apenas o brasileiro tem uma alimentação farta, saudável e barata à sua disposição, como ainda o país pode acumular seus atuais 300 bilhões de reservas internacionais graças às divisas proporcionadas pelos excedentes de produção agropecuária para o mundo todo. E se a inflação foi contida e o país pode, finalmente, encontrar e abraçar sua desejada estabilidade econômica deve-se, em grande parte, ao volume de alimentos que sai do campo.
Pois bem: medindo-se os ganhos de produtividade, o Brasil alcançou impressionantes 150% neste mesmo período. Ou seja, com a mesma área plantada, conseguiu aumentar o volume do que é produzido apenas com pesquisa e tecnologia.
Mas aí vem o dado mais deslumbrante e faz Marina Silva e seu festival de bobagens emudecerem. Esse colossal aumento na produção e na produtividade provocou apenas e tão somente um aumento de 30% da área plantada de há exatos 30 anos atrás. É isso mesmo: enquanto o volume produzido crescia em 220%, o acréscimo da área utiliza para este mesmo aumento foi de apenas 30%, nos últimos 30 anos. Não é formidável?
Onde, então, se pode alegar que, tanto o antigo quanto o novo Código Florestal, são responsáveis pelo aumento do desmatamento que ocorre no país? Se eles acontecem de maneira brutal, busque-se qualquer outro culpado, menos os produtores rurais brasileiros. Já afirmei aqui: madeireiros, garimpeiros e os vigaristas da biopirataria são muito, mas muito mais lesivos ao meio ambiente do que os produtores agropecuários que, como os números acima atestam, praticamente não desmataram quase nada proporcionalmente ao benefício que seu trabalho produz para o país e sua população.
Por que então não se voltam as baterias para atacar os verdadeiros vilões? Simplesmente, não sei. Ao longo do tempo, criou-se uma prevenção contra os produtores rurais, uma espécie de preconceito surrealista, produto, talvez, de sua teimosia em querer trabalhar honestamente ao invés de viverem das benesses que o paternalismo picareta do Estado proporciona para outras “categorias”.
O brasileiro não tem do que se envergonhar de seus produtores rurais, pelo contrário. Deve olhar para estes eternos injustiçados e aprender com eles alguma coisa. Aquela baboseira toda de “latifundiários” é coisa colonial, discurso de malandro porco que não sai dos palanques e dos rótulos do esquerdismo bocó.
Há muitas áreas agricultáveis ainda por explorar? Claro que há. Há muitas propriedades improdutivas que mais servem a especulação do que para a produção de alimentos? Por certo, mas já foram muito mais e ano após ano este pedaço inútil se reduz de forma constante. Este discurso mistificador do MST é apenas o discurso cretino de quem quer justificar seus crimes e sua vagabundagem bancada com dinheiro público, com uma causa “nobre” que, de nobre, e todo o país já conhece, não tem coisa alguma.
Grande parte da produção agropecuária brasileira advém do trabalho de pequenos e médios produtores. Somam hoje mais de 3,5 milhões de trabalhadores num universo de 5 milhões de proprietários. Além disto, é bom não perdermos de vista a atuação cafajeste de milhares de ONGs picaretas, estrangeiras em sua maioria, devidamente financiadas por fundações e organismos estrangeiros que, em nome da preservação do meio-ambiente, pretendem é interromper o ciclo virtuoso do crescimento da produção rural brasileira que, apesar das injustiças e acusações bestiais, consegue, por seu trabalho e dedicação, chutar o traseiro destes vagabundos do discurso fácil de fim do mundo, e erguer-se como a atividade que melhor sustenta a estabilidade e o crescimento do país. E olha que eles ainda precisam enfrentar as agruras da falta de armazéns, portos inoperantes e devasados e estradas, que mais caminhos para o inferno do que corredores para escoamento da produção.
Portanto, que o Senado Federal não se deixe contaminar pelos anjos salvadores do meio ambiente porque, no fundo, não apenas seus dados são enxovalhados pelo proselitismo mais ordinário, como também não conseguem provar suas teses estúpidas com que tentam demonizar quem realmente trabalha e produz. Em trinta anos, aumentar em 220% a produção de alimentos com um acréscimo quase insignificante de apenas 30% na área plantada, convenhamos, é uma verdade capaz de emudecer a voz e os argumentos tolos de uma Marina Silva da vida. Que ela denuncie, por ser verdadeira, a destruição que garimpos e madeireiras provocam ao meio ambiente, e o que é pior: sem retorno ou benefício algum para o país.
Se focarmos apenas o período de 1995 a 2001, será possível dimensionar de forma indiscutível a enorme contribuição do campo para a economia do país. A política agrícola a partir de 1995 foi a de combinar, de forma eficiente, a utilização de instrumentos econômicos como o crédito rural e os programas de suporte à comercialização com instrumentos estruturais como a pesquisa agropecuária.
O crédito rural oficial foi reformulado para estimular uma participação maior do setor privado. As dívidas anteriores foram securitizadas e a estrutura governamental de apoio à comercialização passou por profundas mudanças com a criação de instrumentos mais modernos e menos intervencionistas. Na pesquisa agropecuária foram adotadas várias medidas para torná-la mais afinada com o mercado e portanto mais objetiva em termos de áreas a serem pesquisadas e de produtos a serem desenvolvidos.
Tal esforço foi decisivo para que o Brasil elevasse sua safra de grãos de 73,5 milhões de toneladas, em 1995, para 98,3 milhões de toneladas, em 2001.A produção brasileira de grãos aumentou de 32%, no período, enquanto que o crescimento da área plantada foi de apenas 2,9%. Em 2010, nossa produção agrícola cravou mais de 140 milhões de toneladas.
O setor do agronegócio abrange a cadeia produtiva de indústria e serviços ligada aos produtos da agropecuária: produção de equipamentos e serviços para o campo e a transformação dos produtos, como as indústrias de alimentos e frigoríficos (em resumo, envolve as atividades dos complexos agroindustriais, isto é, atividades primárias, secundárias e terciárias da cadeia produtiva). Esse setor da agricultura e pecuária contribui com cerca de 30% do Produto Interno Bruto – PIB (aprox. 20% da agricultura e 10% da pecuária – O PIB do Brasil é de US$ 1,8 trilhão), 37% das exportações e 35% dos empregos brasileiros.
Aliás, o governo federal, mesmo que não admita, sabe bem desta verdade e tem nas mãos os verdadeiros números que desmontam a pirâmide de mentiras. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil poderá ter um crescimento de até 23% na produção de grãos entre as safras de 2010/11 e 2020/21 e o crescimento da área plantada em 9,5%. Sabe, ainda, que os números demonstram que a produção agrícola não depende do aumento das áreas agricultáveis e dessa forma, não será necessário alterar o Código Florestal para expandir a produção de alimentos. Segundo o ministro Wagner Rossi (Agricultura), existem cerca de 120 milhões de hectares já desmatados que podem ser recuperados para atividade agrícola ou de reflorestamento.
Está na hora de Marina Silva e seus seguidores pararem de assombrar com suas mentiras a opinião pública, seja do Brasil ou do Exterior. A atividade agropecuária nada tem a ver com o desmatamento que ocorre no país. O Novo Código Florestal nada a ver com os crimes ambientais que são cometidos de forma desbragada fruto da falta de fiscalização e da licenciosidade com que são tratados quando flagrados pelo Poder Público. Que ela trate de combater os verdadeiros vilões do meio ambiente, e pare de jogar a sociedade contra si mesma e, mais especificamente, contra pessoas que trabalham honestamente, muitas vezes tendo que lutar contra as intempéries do tempo, a falta de estrutura para escoamento de sua produção e os discursos e os preconceitos descabidos e canalhas de uns e outros. A robustez dos números acima apresentados não deixam margem para fantasias e mistificações. O campo merece, aguarda e exige o respeito que lhe é devido.
