quinta-feira, maio 12, 2011

Se alguém do governo disser que “educação” é prioridade podem chamar de mentiroso.

Adelson Elias Vasconcellos

Vimos aqui na semana passada a fábula de vigarices que se comete, por todo o país, sob a tutela do tal PROUNI. Aliás, não foi por falta de aviso. Desde que Lula se apropriou da ideia e, como sempre, a utilizou para fins unicamente eleitoreiros, sem ter a menor preocupação quanto a qualidade e os benefícios do programa, além, é claro, de manter estreita fiscalização para que o mesmo não fosse deturpado e fraudado, sempre se disse aqui que o país estava gastando dinheiro bom em programa ruim.

Aquela plataforma de lançamento de programas em que se converteu o governo Lula, jamais teve a preocupação de atingir outros objetivos que não os eleitorais. Não por outro razão, a maioria simplesmente naufragou e ficou pelo caminho. Mesmo aqueles que Dilma procura dar continuidade, o que não lhes falta é o vício com que foram concebidos: garantir o curral eleitoral.

Pois bem: neste domingo que passou, novas fraudes vieram a público e o senhor Haddad já anuncia medidas novas para tentar corrigr a prática antiga de corrupção e desvios. Contudo, nenhuma medida será suficiente se, diante das fraudes antigas, não se buscar punir exemplarmente os vigaristas, além da ação de reembolsar o Tesouro Nacional do dinheiro desviado ou mal aplicado.

Mas a reportagem que realmente mais indignação causou foi sobre a merenda escolar, se é que aquilo que estão servindo nas escolas públicas pode-se chamar de “merenda”. Porcos são mais bem alimentados do que nossas crianças.

Vejam o seguinte: quando determinada prefeitura deixa de prestar contas do dinheiro recebido, quem é que acaba punido? Justamente a vítima, ou seja os estudantes. Para punir a prefeitura inadimplente, o governo federal suspende o repasse de verbas que terá, como consequência, a suspensão da merenda escolar na rede pública de ensino daquele município. Já disse aqui bem recentemente: por que não suspende ou retém o salário do prefeito e dos vereadores e secretários municipais, com o bloqueio de bens? Por que são os estudantes que sofrem ou devem sofrer as consequências do mau administrador público?

E agora, conforme a Rede Globo mostrou, vemos em que condições miseráveis a mereda é preparada e a qualidade péssima com que é servida. Não basta esta palhaçada de se exibir o cardápio para fazer de conta de que está tudo bem. É preciso fiscalizar, é preciso checar se de fato o que está sendo dito e prometido, está sendo cumprido.

Quando se chega a tal situação de desleixo e descaso, alguém pode acreditar quando nossos governantes declaram em suas plataformas ou discursos, ser a educação uma prioridade máxima de suas atuações? Mentira, vigarice, mistificação, embromação.

E se tudo isso ainda fosse pouco, a mesma Rede Globo, no Jornal Nacional desta semana, vem apresentando uma série de reportagens sobre a má qualidade do ensino Brasil em seus diferentes níveis. Vejam lá: uma das principais causas pela altíssima evasão escolar, principalmente, no ensino médio, é por absoluta falta de professores. Viu-se uma aluna assumindo o papel que deveria estar entregue a um profissional do ensino. Na terça-feira, um aluno deixava de ir à aula, porque o diretor lhe pediu para servir de porteiro da escola. É o fim da picada!!!

Na reportagem de ontem sobre o ensino médio, vimos que a falta de professores tem sido uma das grandes razões para a evasão escolar chegar a incríveis e absurdos 50% no ensino médio. Pois bem: a quem compete contratar, pagar e manter os professores na rede pública? Ao Estado, e em todos os seus níveis. Por outro lado, questionamos: por que razão, ou melhor, qual a maior razão para que faltem professores nas escolas? Salários baixos e falta de condições materiais para o exercício de sua profissão. E a quem culpar? Simples: o Poder Público. Enquanto no Brasil a preocupação com a educação não for central, enquanto por aqui vamos torrando bilhões na construção de palacetes para abrigar meia dúzia de servidores, enquanto a classe política dedicar-se apenas em alimentar e forrar seus próprios bolsos às custas do sacrifício e miséria do povo, não conseguiremos arrancar boa parte da nação das trevas do atraso e do analfabetismo. As imagens exibidas pela reportagem, que estampam o estado miserável das “refeições” servidas à crianças em todos o país, são revoltantes.

E não pensem que este é um “casinho” de menor importância. Um país rico como o nosso, com imensas possibilidades e oportunidades de desenvolver seu povo como é do conhecimento do mundo inteiro, colocar-se na 56º lugar, dentre 65 países pesquisados e avaliados em termos de qualidade de ensino, é injustificável e vergonhoso. Sabendo que, menos de um terço dos alunos que CONSEGUEM concluir o ensino médio, conseguem ter noções exatas de Língua Portuguesa e ainda menos ainda em Matemática, é atestar que não apenas os governantes, mas o país como um todo, ainda não conseguiu ter consciência precisa e necessária da importância da educação para o futuro do próprio país.

Além disto, sabemos que uma grande parcela de alunos que comparecem à rede pública de ensino, o fazem não pelos conhecimentos que receberão, não pelos valores que lhe serão transmitidos para tornarem-se, no futuro, cidadãos melhores. Lá estão por conta da merenda escolar, por ser a única refeição que terão na volta do dia. Ainda durante a campanha eleitoral em 2010, uma pesquisa que procurou apurar a percepção do país quanto a evolução da qualidade de ensino constatou que, para a imensa maioria, a presença da merenda escolar era tido como fator principal para entenderem que a qualidade de ensino melhorara.

Assim, enquanto a sociedade como um todo permanecer inerte diante da calamidade em que a educação pública se transformou, não haverá meios do país transformar seu povo em rico e desenvolvido. Não há outro caminho, não há plano B, não nos resta alternativa. Por mais tecnologia que se coloque à nossa disposição, seremos ineptos em dela tirar o proveito que se poderia diante da escuridão que o atraso intelectual representa.

É bom que esta tomada de consciência aconteça rapidamente. Conforme o Censo de 2010, o Brasil é um país a caminho do envelhecimento de sua população. E o que se esperar do futuro, com tamanho atraso intelectual? Se nada for feito, ainda nos custará muito caro tanta ignorância e tanto descaso! Bem mais ainda do que a fortuna que já pagamos no presente.

Em tempo: quando você, leitor e leitora, ouvir o governo afirmar, com o seu cinismo habitual, de que a educação é prioridade e que a qualidade do ensino está melhorando, diante das reportagens que seguem abaixo, todas atuais, vocês estão plenamente habilitados a chamá-los de mentirosos. O discurso fala de uma coisa totalmente contrária à nossa realidade.

Escolas públicas oferecem aos alunos merenda estragada

Fantástico, Rede Globo

Em um mês de investigação, uma equipe do programa flagrou a péssima qualidade da merenda em escolas públicas do país: comida estragada, vencida, armazenada de qualquer jeito, intragável.

Atenção, mães e pais com filhos em colégios públicos. Em um mês de investigação jornalística, o Fantástico encontrou na merenda escolar: comida estragada, vencida, armazenada de qualquer jeito, intragável. Uma situação revoltante, de deixar qualquer um indignado.

"Uma boa alimentação, coma frutas, verduras e legumes", diz o recado no mural. Na teoria, tudo certo. Mas, na prática... Um homem traz os alimentos da merenda: carne moída. A comida veio em um caminhão, exposta ao sol e sem refrigeração. Nas embalagens, não há nome do fabricante nem data de validade.

A merenda é para uma escola estadual de Novo Gama, em Goiás, de 95 mil habitantes, a 40 quilômetros de Brasília. São cerca de 1,5 mil alunos.

“Eu lancho só de vez em quando. Dia desses, nós achamos uma barata dentro do lanche”, conta um aluno.

Na cozinha da escola, foram achados três gatos andando de um lado para o outro. Este é só um entre os vários péssimos exemplos que o Fantástico encontrou durante um mês de investigação jornalística. São dezenas de flagrantes de descaso.

“Não tem nada para comer. Ficamos sem”, diz Graziele dos Santos, de 12 anos.

Quinta-feira, 7 de abril. Natal registra 31ºC e uma escola não tem água. as crianças têm que levar de casa. E esse não é o único problema. Às 15h, os alunos foram embora mais cedo porque não havia merenda.

“Está sem lanche”, contou Micarla dos Santos, de 11 anos.

Foram apenas duas horas de aula – uma situação que se repete em outras escolas municipais de Natal.

“Nos sentimos obrigados a diminuir o horário pelo fato de muitos passarem mal, com dor no estômago e até mesmo desmaios”, revela a coordenadora pedagógica Elaine Medeiros.

Em um colégio com 400 alunos, a cozinha está completamente vazia. Percebe-se que o fogão não é usado há muito tempo, nem as panelas. No depósito foi encontrado milho vencido.

“Isso é um descaso com os pais, com as crianças”, comenta Marlene da Silva, avó de uma aluna.

“Nós já estamos com toda uma logística montada para a normalização completa em todas as escolas da rede”, assegura o secretário de Educação de Natal, Walter Fonseca.

A equipe do Fantástico visitou mais de 50 escolas públicas – estaduais e municipais – de cinco estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Todos sempre se apresentaram como jornalistas.

Em Itaparica, cidade turística baiana, foram a duas escolas municipais. Uma funcionária contou que quase não tem merenda e, naquele momento, só havia açúcar no estoque. Desde o início do ano, a geladeira da escola está vazia. Só tem água gelada.

De barriga vazia, Marcelino, de 11 anos, aluno do 6º ano, volta para casa, onde mora com a irmã e a mãe. O pai morreu. Desempregada, a mãe conta que não é todo dia que a família consegue comer.

“Lavei umas panelas para uma criatura lá embaixo. Daí, comprei um peixe e um feijão. Tenho que dar um jeito de não deixá-los sem almoçar”, conta Maria Margarete dos Mares.

“Com essa falta de merenda, automaticamente eles não vêm. Há uma evasão”, revela Jurail dos Santos, funcionário de uma das escolas.

O Fantástico foi atrás de explicações. Um funcionário informou que o prefeito havia encerrado o expediente às 14h. A equipe de reportagem ligou todos os dias desta semana para a prefeitura de Itaparica. Foram deixados vários recados, mas ninguém retornou.

Este ano, o Ministério da Educação vai repassar mais de R$ 3 bilhões a governos estaduais e prefeituras para a compra de merenda. O objetivo é beneficiar 45 milhões de estudantes. A Controladoria-Geral da União ajuda a fiscalizar como o dinheiro é gasto.

“Nós temos visto problemas nas áreas de licitação e também no recebimento, na armazenagem e no preparo da merenda”, diz Valdir Agapito Teixeira, secretário de Controle Interno da Controladoria-Geral da União.

Fotos tiradas pelos fiscais da controladoria são a prova do descaso. Em São Bento do Tocantins, por exemplo, foi encontrado um sapo ao lado da comida.

Em Branquinha, Alagoas, não havia água potável no colégio e no armário da merenda, um foco de baratas.

“Nós temos encontrado coisas absurdas de armazenamento em banheiro, em condições sem ventilação”, diz Valdir Agapito Teixeira.

Em Nazaré, Bahia, as refeições dos mais de quatro mil alunos da cidade saem de uma cozinha da prefeitura. Segundo uma funcionária, as crianças comem biscoito de má qualidade por pressão do fornecedor dos alimentos.

“Eu falei que não ia receber. Então, não teria merenda. Eu fui pressionada pelo fornecedor que venceu a licitação. O biscoito não tem um sabor agradável”, diz a funcionária.

Depois de saber que o Fantástico preparava a reportagem, a prefeitura de Nazaré informou que o contrato com o fornecedor foi cancelado e que a nutricionista pediu demissão.

E o que dizer quando a merenda está toda estragada? Foram encontradas embalagens de arroz dentro do prazo de validade em local inadequado. A escola municipal fica em Vera Cruz, cidade baiana de 37 mil habitantes, na Ilha de Itaparica. A instituição tem 17 alunos. A merenda é feita no mesmo local em que ficam o estoque e o fogão. Bem ao lado, fica o banheiro.

Foi encontrada comida vencida e mofada. O macarrão estava com bicho.

“Isso não representa a realidade do município na gestão da merenda escolar nem na gestão da educação de modo geral. Não vai acontecer mais de maneira nenhuma”, assegura o prefeito de Vera Cruz, Magno de Souza Filho.

O Ministério da Educação (MEC) determina o que deve ter no prato dos estudantes. A merenda precisa suprir, no mínimo, 20% das necessidades nutricionais diárias e ter pelo menos três porções de frutas e hortaliças por semana. Doces e alimentos enlatados, semiprontos e embutidos podem ser oferecidos, mas com moderação. Exemplo de embutido é a salsicha, muito comum nos colégios por onde a equipe do Fantástico passou.

Este é o cardápio do mês da escola municipal em Novo Gama, Goiás: salada, seleta de legumes, filé de peixe ao forno, lasanha. Mas, segundo os funcionários, isso é só no papel.

“No cardápio, é chique demais. Mas, na prática, não vem. É fantasioso, para ganhar a verba. Mas não chega”, diz uma merendeira.

Quando o arroz está cheio de insetos, a recomendação é ir para o lixo, mas não na escola goiana.

“Eu mostrei para a nutricionista. Ela falou para eu colocar no sol que resolve o problema, e o bichinho sai”, conta uma merendeira.

A Secretaria de Educação de Novo Gama informou que não permite a distribuição de merenda com irregularidade. Negou que o cardápio seja fantasioso, alegando que a merenda muda, conforme os alimentos em estoque.

Em escola municipal de Santa Teresinha, na Bahia, a tubulação de esgoto passa pela cozinha. O charque estava sem data de validade. Entre os sacos de comida, muitas formigas.

Em novembro passado, na Bahia, a Polícia Federal prendeu sete prefeitos. Entres a acusações, desviar verbas federais e favorecer uma empresa distribuidora de merenda, que superfaturava preços e não entregava comida. Entre os políticos presos, estava o prefeito de Santa Teresinha, Agnaldo Andrade. Ele ficou dois dias na cadeia e continua no cargo.

A nutricionista da prefeitura reconhece que a merenda não supre as necessidades nutricionais, mas alega que os ingredientes, mesmo insuficientes, são de boa qualidade. Diz que as embalagens são lavadas e que, por isso, as etiquetas com a validade e a fabricação caem.

Na nota, há uma foto mostrando como o município diz ter resolvido o problema do esgoto na cozinha. Sobre as formigas, a nutricionista alega que os funcionários são orientados a limpar a despensa uma vez por semana.

Uma das explicações para tantos problemas nas merendas é a corrupção. O Fantástico teve acesso, com exclusividade, a dois depoimentos que, segundo o Ministério Público, ajudam a entender o caminho das fraudes.

O Fantástico não mostrou o rosto das pessoas porque a investigação ainda está em andamento. As testemunhas dizem que têm medo de morrer, que estão sendo ameaçadas.

Genivaldo Santos é ex-sócio da Verdurama, empresa paulista do ramo de refeições prontas. A chamada merenda terceirizada é quando a cidade contrata uma empresa e paga para que ela fique responsável pela alimentação dos alunos. Genivaldo, que esteve à frente da Verdurama entre 2002 e 2008, foi interrogado em março deste ano por um promotor de São Paulo.

“Eu tinha a finalidade de pagar algumas propinas de alguns municípios. A média da propina era de 10%”, revela. Esse valor corresponde a cerca de R$ 70 milhões de propina por ano.

O ex-sócio da Verdurama aceitou contar tudo em troca de uma possível redução da pena. Genivaldo Santos confessa que, durante a gestão dele, as refeições servidas em 28 cidades de cinco estados eram de péssima qualidade.

“Sempre é um pedaço de meia salsicha, ou ovos, ou arroz ou bolacha. Na maioria das vezes, o que consta no contrato nunca foi cumprido”, conta Genivaldo Santos.

Em nota, a atual direção da Verdurama diz desconhecer o pagamento de propina e que se há algum responsável pelas supostas irregularidades, ele é Genivaldo Santos.

Agora, quem fala é uma testemunha-chave em uma investigação contra a prefeitura de Taubaté, no interior paulista. O homem acusa o atual prefeito, Roberto Peixoto, e a primeira- dama de receber propina de uma empresa de merenda chamada Sistal. Ele diz que, duas vezes por mês, durante três anos, entregou dinheiro da corrupção para o casal.

“Eu servia de mulas para eles”, conta. O homem calcula que Roberto e Luciana Peixoto receberam cerca de R$ 5 milhões de propina. “Eles estão montando uma boate em Taubaté agora”.

A casa de shows é uma das maiores da região e está registrada na junta comercial em nome de Anderson da Silva Ferreira, o genro do prefeito.

O Fantástico também foi a um sítio. A testemunha do Ministério Público disse em depoimento e também para a equipe de reportagem que o sítio está entre os bens comprados pelo prefeito com dinheiro de propina.

Segundo o denunciante, o valor do sítio foi R$ 250 mil reais, pagos em agosto de 2007.

“O pagamento foi feito à vista, de uma vez só, e o dinheiro foi levado na bolsa. Ele parou o carro ao lado do meu. Eu coloquei a bolsa dentro do carro dele”, relata a testemunha.

“Já existem provas materiais no sentido de que houve pagamento de propina e aquisição pelo prefeito de bens imóveis incompatíveis com os seus rendimentos”, constata o promotor de Justiça Sílvio Marques.

Em nota, a Sistal diz que jamais pagou propina a Roberto Peixoto. O Fantástico procurou o prefeito de Taubaté. Sobre essa nova denúncia, ele indicou para falar o secretário de governo.

“É uma acusação descabida. O objetivo do prefeito não era ter nenhuma vantagem pessoal com este contrato. Muito pelo contrário, era melhorar a alimentação, a merenda escolar da nossa cidade. A casa de shows pertence ao seu genro, portanto, não tem nenhuma ligação jurídica ou econômica com o prefeito”, afirma o secretário de Governo de Taubaté, Adair Loredo dos Santos.

“Mais de 50 prefeituras estão sendo investigadas neste momento em todo o país. O Ministério Público tem prova documental e prova testemunhal do pagamento de propina”, diz Sílvio Marques.

Depois de três anos de investigações e mais de 40 pessoas ouvidas, o Ministério Público de São Paulo acusa seis empresas de participar da máfia da merenda.

“Eles se reuniam frequentemente na capital de São Paulo e dividiam o mercado de licitações no Brasil todo”, conta o promotor de Justiça de São Paulo Arthur Pinto de Lemos Junior.

Uma das empresas investigadas é a SP Alimentação. O dono, Eloizo Durães, chegou a ser preso ano passado, acusado de pagar propina a dois vereadores de Limeira, interior paulista. Entre as 13 cidades atendidas pela empresa, estão quatro capitais: São Paulo, Recife, São Luís e João Pessoa.

Recentemente, em 9 de fevereiro, a Promotoria de Defesa dos Direitos da Educação entrou na Justiça com uma ação civil pública apontando irregularidades na merenda de João Pessoa. São réus o prefeito Luciano Agra e a SP Alimentação.

O Fantástico foi a uma escola municipal de João Pessoa, com cerca de 800 alunos. A merenda do dia foi mungunzá, uma comida típica do nordeste, à base de milho e coco. Mas muitos alunos recusam o mungunzá da escola. Reclamam do gosto ruim. Parte da merenda vai para o lixo.

Em um documento de 2010, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação apontou que os cardápios das escolas de João Pessoa não atendiam às necessidades de calorias e de alguns nutrientes. E, de acordo com o Ministério Público, ex-nutricionistas da SP Alimentação eram obrigadas a transportar alimentos em seus carros particulares, gerando grave risco de contaminação.

O Fantástico foi a outra escola da capital da Paraíba, onde estudam cerca de 700 crianças. A equipe de reportagem acompanhou a entrega da carne. Sob sol forte, a uma temperatura de 31ºC, a carne é transportada em um veículo não refrigerado. A comida chega a ser colocada em cima do carro.

“Vem congelado”, justifica um funcionário.

Na escola, neste dia, as crianças comem macarrão com carne. Muitas crianças reclamam da qualidade da merenda. Parte dela vai para o lixo. A equipe do Fantástico ficou quatro dias em João Pessoa. Em todos, foi registrado o desperdício de comida. Em um colégio, segundo o diretor, a merenda jogada fora daria para alimentar mais de cem crianças

Em janeiro, o Ministério Público recomendou à prefeitura que o contrato com a SP Alimentação não fosse prorrogado. Mas isso não aconteceu. A Secretaria de Educação de João Pessoa disse que a contratação da empresa foi acompanhada pelo Tribunal de Contas da União e que está dentro da lei.

Alegou também que a maioria das crianças aceita bem os alimentos servidos. Também em nota, a SP Alimentação disse que obedece a todos os procedimentos legais e que 90% dos diretores das escolas de João Pessoa aprovam a merenda da empresa.

O Fantástico pediu à professora de ciências dos alimentos Gilma Sturion, da Universidade de São Paulo (USP), que analisasse dez cardápios de escolas visitadas pela equipe de reportagem do programa, inclusive das de João Pessoa.

“Têm baixo valor energético, é muito deficiente em frutas e hortaliças. Todos os municípios têm condições de fazer uma boa merenda, é só otimizar os recursos. Um prato com arroz, feijão, alface, beterraba, carne e chuchu refogado sairia por R$ 0,80. Se fosse frango, sairia por R$ 0,60”, diz a professora.

O Fantástico procurou o MEC. Em nome do ministério, falou o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Daniel Silva Balaban.

“Aqueles maus gestores são processados administrativamente, e, se for o caso, criminalmente”, diz. Sobre a merenda terceirizada, ele afirma: “Nós não apoiamos a terceirização da merenda porque achamos que a merenda escolar deve ser realizada em cada município. Recurso do governo federal não pode ser utilizado para pagamento de terceirização”.

Das mais de 50 escolas que o Fantástico visitou, entre os vários flagrantes de descaso, foi encontrada uma situação que é um resumo do que acontece em muitos colégios públicos. Uma escola estadual que fica em Águas Lindas de Goiás tem quase 2,3 mil alunos e um apelido: Carandiru – referência ao famoso presídio paulista que já não existe mais.

“Os alunos brigavam muito, vinham armados. Daí, esse nome”, explica a diretora da escola, Maria Cleusa Ribeiro.

Na instituição, a merenda só sai, diz a diretora, por causa do esforço dos funcionários.

“Compramos fiado, porque o dinheiro nunca chega no início do mês para podermos comprar. Algumas crianças necessitam desse lanche mesmo. Elas vêm por causa da merenda”, diz a diretora.

A Secretaria de Educação de Goiás diz que vai tomar providências, inclusive na escola que tinha gatos na cozinha.

“Nós vamos mandar uma equipe para ver isso de perto. Se chega alguma denúncia aqui, no dia seguinte, tem uma equipe no local”, assegura Sonia Piero Bom, superintendente de gestão da Secretaria de Educação de Goiás.

Uma aposentada de Águas Lindas de Goiás cuida dos sete netos. A família vive com cerca de R$ 500 por mês.

“A gente não passa um dia sem comer. Só que não é coisa boa. Tem dia que eles dizem que não teve lanche e ficam com fome. Quando eles lancham lá, já ajuda”, conta a aposentada.

“Interfere na aprendizagem do aluno, no desenvolvimento da criança. Então, eu acho que teriam que priorizar. E isso se faz quando se quer”, conclui Gilma Sturion.

Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem.

O que o Brasil quer ser quando crescer?

Gustavo Ioschpe, Revista Veja

Você sabe qual é o plano estratégico do Brasil? Quais são as nossas metas, aonde queremos chegar? Que tipo de país queremos ser no futuro? Eu confesso não saber. Os slogans e prioridades dos últimos governos não apontam para um programa positivo, sobre nossos anseios e planos, mas sim para uma agenda negativa: sabemos aquilo que não queremos ser. Não queremos ser um país excludente, mas sim “um país de todos”. Queremos a perseverança – “sou brasileiro e não desisto nunca” –, apesar de não estar claro qual o objetivo da persistência. Dilma agora fala na “erradicação da miséria” como seu grande objetivo. Ainda que nobre, tampouco aponta um rumo, apenas indica o que não queremos ser. Há inúmeras maneiras de ser um país de todos e em que não há miséria. A Suécia dos dias que correm, por exemplo. A Alemanha também seria boa candidata. Mas esses dois países são bastante diferentes, e chegaram a esse ponto por caminhos distintos. Qual será o nosso? Seremos o celeiro do mundo? Tentaremos quebrar a escrita e nos tomar a primeira nação a alcançar o patamar do Primeiro Mundo através da exportação de commodities? Seremos um centro industrial? De baixa tecnologia ou alta? E a nossa economia política? Manteremos essa pseudossocial-democracia que vem imperando por inércia? Que nível de desigualdade de renda toleraremos, que peso o estado terá? Sucumbiremos ao apelo do consumismo, à la EUA, ou privilegiaremos o tempo livre e a exploração cultural, como faz a França? As questões se acumulam e eu, pessoalmente, não conheço nenhuma liderança política ou intelectual que tenha esboçado um projeto completo de país para a geração de nossos filhos e netos. Pode ser que esse improviso dê certo. Pode ser que tropecemos no modelo ideal à medida que fizermos o caminho. Mas creio que estamos mais propensos a validar o antigo ditado chinês segundo o qual não há bons ventos para quem não sabe aonde quer chegar.

Uma das áreas que mais sofrem com essa indecisão é a educação. Há uns cinco anos, fiz uma consultoria para o Ministério da Educação em que analisei o trajeto de países que, no passado ou atualmente, tiveram grandes avanços em sua educação. Foram examinados dez países que podiam dar algumas lições ao Brasil: Alemanha, Argentina, Austrália, Coreia, Chile, China, Espanha, Irlanda, Inglaterra e Tailândia.

Uma das conclusões do estudo (disponível na íntegra em twitter.com/gioschpe) foi que, nos países em que os saltos educacionais acompanharam saltos de desenvolvimento, a modelagem do sistema educacional estava profundamente atrelada ao projeto estratégico da nação. Isso se dá de duas maneiras.

A primeira é que a visão de futuro que essas nações perseguem é o elemento primeiro e fundamental a nortear as ações de governantes e lideranças da sociedade civil da área educacional. Assim como a infraestrutura, a tributação, as relações exteriores e muitas das demais áreas que são responsabilidade de governantes, a educação não funciona autonomamente: ela se subordina a um projeto de país.

A segunda é que não apenas o objetivo educacional está atrelado ao objetivo econômico-estratégico, mas também o tipo de educação priorizada é determinado pelo caminho escolhido pelo país pára atingir seu objetivo de crescimento. Esse modelo de crescimento, por sua vez, deriva de uma série de características e vantagens comparativas específicas do país em questão. Tanto a China quanto a Irlanda buscam se desenvolver, mas optando por caminhos bastante distintos. A China, com seu enorme território e população, quer ser a fábrica do mundo, começando pelos itens de baixo valor agregado e gradualmente subindo os degraus necessários rumo às indústrias mais desenvolvidas. Seu sistema educacional acompanha e abastece a empreitada: a educação básica da província de Xangai recentemente ficou em primeiro lugar no mundo no teste Pisa, e nas universidades o governo faz um esforço concentrado para repatriar os cientistas de origem chinesa que hoje trabalham nas grandes universidades ocidentais. A China preserva sua indústria, interfere no câmbio e exporta para o mundo. A educação chinesa é rígida, tradicionalista, competitiva.

Já a Irlanda é um país pequeno demais para adotar estratégia semelhante. No fim dos anos 80, transformou-se em uma nação de grande abertura para o mundo e com baixos impostos. Valeu-se de um ativo importante – falar inglês – para atrair empresas globais. Preocupou-se em ter uma população qualificada em todos os níveis: até hoje, tanto no ensino secundário quanto no universitário, o aluno pode escolher entre uma escola acadêmica, que leva à universidade, e uma escola vocacional profissionalizante, que leva, também no ensino superior, a institutos técnicos. O jovem sai do sistema educacional com uma educação de ponta, quer ele vá ser cientista e advogado ou gerente de banco e agente de viagens. Poderá trabalhar, com competência e criatividade, nas empresas estrangeiras que adotam a Irlanda como base europeia.

No Brasil, que tem um dos piores sistemas educacionais do mundo, as coisas são ao contrário. Não temos um projeto de país e a educação é desconectada do país. Não é percebida como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento, mas como um fim em si mesmo, como um direito do cidadão e ponto. Quando os educadores se referem à sociedade, o objetivo mais frequente não é perscrutar-lhe os anseios, mas reclamar. Não fossem os malditos pais dos alunos (que não cooperam, são incultos, bebem, mimam seus filhos, divorciam-se deixando famílias desestruturadas…), a escola brasileira produziria os resultados de uma Finlândia. Pior ainda, o pensamento educacional brasileiro é tão original e autóctone quanto a arquitetura que recria o neoclássico parisiense no topo de espigões às margens de rios fétidos. Somos o pior tipo de colonizados: formalmente livres, mas intelectualmente amarrados às antigas metrópoles, incapazes de pensar sozinhos. Nossa teoria educacional é importada de outros países, porque o que dá gabarito é estar inserido na discussão dos temas candentes na Europa ou nos EUA, mesmo que seja a respeito dos problemas deles, que não têm nada a ver com os nossos.

A sociedade civil precisa recuperar nossa educação e subordiná-la aos interesses nacionais. Precisamos criar uma geração de pensadores que se esqueça dos simpósios em Madri e pense no que funcionará para alfabetizar as crianças de Madureira. E precisamos de um projeto de país – criado aqui, tendo em mente nossa cultura, recursos e instituições – que oriente e catalise todo esse esforço. Enquanto esse projeto não chega, nossa escola deve se mobilizar para construir o primeiro passo, comum a qualquer projeto futuro: toda criança plenamente alfabetizada ao fim da 2ª série.

P.S.: o artigo do mês passado foi para a gráfica no dia da tragédia de Realengo. Pensei em abordar o tema neste mês, mas não há nenhum aprendizado para o país: foi o ato de um doente mental. Lamento muito a trágica e estúpida perda de vida de doze crianças, mas acho que devemos nos ocupar mais dos milhões de anônimos de nossas escolas, que são diariamente massacrados e intelectualmente amputados por um sistema que, sem estardalhaço, lhes suga a possibilidade de uma vida plena e digna.

Ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil ao longo dos anos

Jornal Nacional, Rede Globo

Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática. Mas, até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos.

O ensino médio, no Brasil, tem os maiores índices de abandono na comparação com outras etapas da educação. É o que Alan Severiano mostra na terceira reportagem da série que o Jornal Nacional exibe nesta semana.

O sonho de virar advogada vai ter de esperar. Aos 17 anos e grávida de cinco meses, Polyana abandonou o segundo ano do ensino médio em uma escola do interior do Piauí: “Eu vou ter a criança e não vou poder sair toda hora pra amamentar”, conta.

A notícia desapontou o pai, que só sabe escrever o nome, e a mãe, que parou na sexta série: “Tem que chegar mais longe do que a mãe conseguiu. Por mim, ela estaria na escola ainda”, diz a mãe de Polyana.

Polyana contribui para uma estatística desanimadora no Brasil: a da evasão. De cada dez alunos que entram no primeiro ano do ensino fundamental, só metade conclui o ensino médio até 19 anos. E a estatística já leva em conta dois anos de atraso.

Muitos começam faltando: em uma escola, 30% abandonaram a sala de aula no ano passado. “Chega aqui, tem dois, três professores, ou então tem as duas primeiras aulas, ai não tem a 3ª, 4ª, 5ª, ou então tem só a 3ª, a 4ª, a 5ª, esse aluno termina desistindo”, diz o diretor da escola, José Basílio.

Lá, quem escreve no quadro, não é a professora. “Ela foi embora, deixou os alunos sem aula, sem nada. Ai eu assumi a responsabilidade, eu sou a líder da sala e assumi”, conta a aluna do primeiro ano do ensino médio Mariana Barbosa.

Um mês depois do início das aulas, ainda faltavam seis professores para completar o quadro. “Já chegou o período de provas e os professores ainda não chegaram. O de química e o de informática”, afirma a aluna Ana Paula Oliveira.

Os computadores, sem acesso à internet, passam o dia desligados. Nem na biblioteca é possível pesquisar. A preocupação de muitos é o vestibular.

“Acho que não tem nem uma mínima possibilidade de competir com os outros alunos desse jeito”, conta Kananda Teixeira.

O Piauí é o estado com o pior desempenho no ensino médio. Nota 3 no Ideb, o indicador de qualidade do Ministério da Educação.

Ao chegar em uma escola da zona norte de Teresina, que tinha sido previamente avisada sobre a entrevista, a equipe foi surpreendida por uma reforma relâmpago que começou no próprio dia da visita. Ao todo, 17 homens foram contratados para limpar, pintar, trocar as telhas da escola. Até carteiras novas chegaram.

“Disseram que vinha fazer uma reportagem e acharam melhor filmar mais limpinho desse jeito”, conta o mestre de obras Antonio Rodrigues Neto.

Se a estrutura física pode ser remendada, o que de fato dá significado à escola talvez exija uma reforma mais complexa. “São aulas muito chatas, aulas que a gente prefere ficar fora da sala do que estar dentro assistindo”, explica Thomás de Aquino Neri, de 20 anos.

De manhã, a maioria é jovem. À noite, adultos que trabalham. Como falar para turmas tão diferentes? “Tem toneladas de matérias que abordam de todos os assuntos possíveis. Não é todo mundo que precisa aprender tudo”, explica Ana Lucia Lima, diretora do Instituto Paulo Montenegro.

“A gente percebe que nem todo mundo acompanha o raciocínio”, conta um professor.

Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática.

“Tem coisas que eu não sei onde eu vou usar. E aí desestimula”, diz um aluno.

O ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil e tem os piores indicadores. Até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos. Isso significa que, além de melhorar a qualidade, as escolas terão de se preparar para receber mais gente.

Se a lei fosse cumprida hoje, seria necessário criar três milhões de vagas. No Piauí, muitas escolas estão fechando turmas à noite, segundo o governo, por falta de procura.

O ministro da Educação diz que o maior desafio para atrair os alunos é fazer com que os estados adotem um novo currículo. O atual, muito voltado para o vestibular, já foi substituído em 700 escolas.

“Nós temos ainda um mal no Brasil que é o vestibular. Nós precisamos superar isso, ter um currículo mais enxuto, mais equilibrado, do ponto de vista das disciplinas, e que ofereça também perspectivas na direção da cultura e do trabalho”, diz Fernando Haddad.

Quem está na escola tem pressa. O futuro depende de botar em prática uma palavra de nove letras.

A Secretaria de Educação e Cultura do Piauí informou que ampliou a equipe de engenheiros e criou uma comissão de vistoria para melhorar a situação das escolas. Na semana passada, o Conselho Nacional de Educação aprovou novas diretrizes para o ensino médio, inclusive a flexibilização do currículo, citada pelo ministro Fernando Haddad na reportagem, e uma ampliação da carga horária. A palavra final nessas possíveis mudanças caberá ao ministério.

Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem.

Apenas 25% dos alunos que terminam o fundamental aprendem o que deviam da língua portuguesa

Jornal Nacional, Rede Globo

No Brasil, mais de 700 mil crianças de 6 a 14 anos ainda estão fora da escola. Na escala de 0 a 10 do Ideb, o indicador de qualidade do MEC, a média dos estudantes do 5° ano foi 4,6, em 2009.

O Jornal Nacional apresenta uma série especial de reportagens sobre os maiores problemas da educação no Brasil. Nesta terça-feira (10), o repórter Alan Severiano dá um panorama do ensino fundamental, que foi ampliado de oito para nove anos.

O Brasil do presente e o futuro do país passam pelo quarteirão do mercado financeiro de São Paulo, que movimenta bilhões de reais por dia.

Mas o que crianças da região vão ser quando crescerem? “Vai ficar que nem o pai, puxador de carroça, catador de papelão”, disse um catador. Sem endereço fixo, o pai diz que não consegue matricular os filhos.

Ana tem 8 anos, nunca foi à escola e tem uma enorme vontade de aprender a ler.

No Brasil, mais de 700 mil crianças de 6 a 14 anos ainda estão fora da escola. Apesar da ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos, nem todos os que frequentam a sala de aula aprendem.

No 5° ano, muitos ainda não conseguem ler. O Pará é o estado em que alunos do 5° ano tiveram pior desempenho no Ideb, o indicador de qualidade do Ministério da Educação. O número combina o resultado das provas oficiais com o índice de aprovação. Na escala de 0 a 10, a média dos estudantes brasileiros do 5° ano foi 4,6 em 2009. O Pará ficou com 3,6. A meta do país é chegar a 6 em 2022.

“A maioria dos alunos está saindo do 5° anos sem saber ler. Descobrir palavras conseguem, interpretar o que lê é que está o grande problema”, destacou o professor Haroldo Gonçalves.

Os alunos percorrem grandes distâncias para chegar à escola, onde 30% dos professores não têm nível superior.

A diretora de uma escola em Breu Branco, no Pará, mostrou um freezer vazio. No dia da visita da equipe do Jornal Nacional, não tinha merenda.

Os primeiros anos do ensino fundamental são a base para toda a vida escolar. Foi nessa etapa que a educação brasileira mais avançou recentemente. Mas ainda estamos longe de atingir uma meta importante: alfabetizar todas as crianças até 8 anos.

Dos 4 aos 8 anos, a área do cérebro responsável pela linguagem está em plena atividade. Se compararmos com a rede elétrica de uma casa em construção, é a hora de fazer o máximo de conexões. Quanto mais tomadas instaladas, maior a capacidade de fazer ligações no futuro.

E a criança que não se alfabetiza no tempo certo? “Tarefas de leitura e escrita serão tarefas que exigirão sempre muito esforço dela. E possivelmente ela não venha a ter a mesma habilidade que aquela que iniciou na idade mais apropriada”, explicou a psicóloga Nadia Aparecida Bossa.

O resultado é que no Brasil só 34% dos alunos que terminam o 5º ano sabem português como deveriam. No fim do ensino fundamental, o aproveitamento é ainda pior: 26%.

A possível explicação para o problema está na porta de uma escola em São Paulo. “A gente está saindo mais cedo, todo dia. Falta de professor. Venho na escola para aprender e não para sair mais cedo”, contou Leonardo Nates, de 11 anos.

Em Maceió, o retrato do desinteresse: centenas de carteiras quebradas com menos de dois anos de uso. Do pátio à secretaria, faltam funcionários.

“Eu fico no portão, eu ajudo na merenda. A gente funciona porque a escola precisa funcionar, mas é difícil”, relatou a diretora de escola Cely Barbosa.

Em outra escola, ameaçado por bandidos, o porteiro foi embora. No lugar dele, estava um aluno. “O diretor mandou eu ficar aqui fechando o portão. Quando chegar algum aluno, abrir o portão para eles entrarem. A minha aula pelo momento não estou assistindo”, disse Leandro Ferreira de Moraes, de 17 anos.

“A gente está levando o problema para a secretaria e espero que ela resolva o mais rápido possível”, declarou o diretor Jeferson Levino.

Com nota 2,9, Alagoas ocupa o último lugar no ranking do Ideb no fim do ensino fundamental, bem abaixo da média brasileira: 4,0.

A falta de estrutura nem é o maior problema. Estamos em 2011, mas alguns alunos ainda não saíram de 2010. As aulas que começaram no ano passado só vão terminar em julho, com sete meses de atraso. Em Alagoas, o calendário também virou inimigo do ensino. Foram seis greves nos últimos quatro anos.

“O pessoal das outras escolas passando e a gente aqui ficando. É ruim”, disse Joyce Tainá, de 15 anos.

“Fico sem vontade até de estudar, já pensei até em desistir”, desabafou outro aluno.

O exemplo não vem de cima. No mural, um erro de português é o sinal da falta de cuidado com a educação.

“Em um futuro bem próximo que alunos estamos formando? Sem vontade pela leitura, sem gosto pela leitura. A culpa talvez seja nossa, a culpa é da escola, a culpa é da sociedade, quem culpar?”, questionou um professor.

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo disse que o problema da falta de professores é pontual. Segundo a secretaria, o que foi mostrado nesta reportagem já foi resolvido e as aulas serão repostas.

A Secretaria estadual de Educação de Alagoas informou que foi criado um calendário especial para evitar mais prejuízos aos estudantes. E que, agora, apenas um em cada dez alunos está cursando o ano letivo de 2010.

A secretaria de educação de Breu Branco, no Pará, contestou as informações dadas pela diretora da escola, de que não havia merenda no dia da visita da nossa reportagem. De acordo com a secretaria, um relatório da própria direção teria registrado os cardápios oferecidos nos três turnos naquele dia. E o freezer mostrado, que estava vazio, seria da refeição dos professores e não dos alunos.

O repórter Alan Severiano disse que, ao pedir para ver o freezer das merendas, a diretoria da escola o levou ao que foi mostrado na reportagem.

Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem.

Apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados

Jornal Nacional, Rede Globo

A taxa de analfabetismo funcional é de 28%, apesar de ter caído entre 2001 e 2009. Desses, mais da metade estudou até a quarta série e 24% concluíram o ensino fundamental, na oitava série.

O Jornal Nacional dá início nesta segunda-feira (9) a uma série especial de reportagens sobre a educação no Brasil. O objetivo é apresentar informações que ajudem a entender os problemas e a necessidade urgente de encontrar solução para eles. É urgente para as nossas crianças e é urgente para o país.

Na primeira reportagem, Alan Severiano mostra que até houve progressos na educação, mas a oferta de mais vagas nas escolas não basta.

Pouco a pouco, um novo Brasil vai surgindo na paisagem. Apesar do horizonte enorme, há quem se sinta aprisionado: “Estudei até terceira série. Porque eu, trabalhando, não tinha tempo de estudar direito. Eu me arrependo”, conta um homem.

O Brasil é a sétima maior economia do planeta. Mas, no quesito educação, ocupa apenas o 53º lugar na prova que avalia estudantes de 65 países. Um contraste que arruína sonhos.

“Um engenheiro de obra, era meu sonho, mas não consegui. Fazer o que? Eu tenho 30 anos e não dá tempo mais não”, lamenta.

História comum no canteiro de obras: “Nós trabalhávamos na roça, não deu pra estudar”, diz um homem.

Hoje, essa limitação compromete a produtividade mesmo em profissões que não exigem tanta qualificação: “Ele realmente tem alguma dificuldade em ler um projeto, ler algum aviso no próprio canteiro e executar sua tarefa”, explica Agnaldo Holanda, diretor de obra.

Educação é o que dá a base para um crescimento sólido. A construção de um país com oportunidades para todo mundo depende do alicerce firme do conhecimento. E esse é um dos grandes nós do Brasil.

Só um em cada quatro brasileiros de 15 a 64 anos pode ser considerado plenamente alfabetizado. E o primeiro passo para enfrentar o problema é o diagnóstico. Há dez anos, um grupo de pesquisadores bate de porta em porta para saber o nível de alfabetização dos brasileiros.

“Entrevistamos 2.002 pessoas, que é uma amostra representativa de toda a população brasileira”, afirma uma das pesquisadoras. Em testes aplicados, perguntas do dia a dia que exigem conhecimentos básicos de português e matemática.

“Quanto você vai gastar para comprar dois quilos de frango e meio quilo de costela suína?”, pergunta uma pesquisadora.

Os números do Ibope mostram que, apesar de ter caído entre 2001 e 2009, a taxa de analfabetismo funcional ainda é de 28%. Uma parcela da população que mesmo sabendo ler e escrever, não consegue interpretar textos ou usar a matemática para resolver problemas do cotidiano.

Outro dado assustador: são analfabetos funcionais mais da metade dos que estudaram até a antiga quarta série e 24% das que concluíram o ensino fundamental na oitava série.

Como não consegue calcular frações, o pedreiro Valdemar de Barros adotou uma estratégia para não ser enganado no açougue: “Eu compro um quilo. Não tem negócio de um quilo e cem gramas, um quilo e cinquenta, porque depois eu não vou calcular e eu vou ser lesado e isso eu não gosto”, conta Valdemar.

A maior dificuldade do motorista Francisco Mendes, que estudou até a quarta série, é com a escrita e a leitura. Isso o impediu de progredir no trabalho quando surgiu uma oportunidade: “Vendedor, e eu não tinha esse estudo para vendedor, de maneira alguma. Perdi a promoção por falta de estudo”, explica Francisco.

Quando se leva em conta apenas os jovens, o drama é parecido. Mais de 36% dos que estudaram até o fim do ensino fundamental são analfabetos funcionais.

“Jovens com toda a condição de escolaridade que moram nas grandes cidades, que não dominam a leitura escrita para o seu desenvolvimento. São os brasileiros que vão estar como trabalhadores, como pais de família, como eleitores, como governantes nas próximas três décadas”, explica Ana Lucia Lima, diretora do Instituto Paulo Montenegro.

Para entender porque a educação brasileira se arrasta ainda hoje, é preciso voltar no tempo. A primeira Constituição, de 1824, já falava em educação gratuita para todos. Uma missão que ficou a cargo das províncias e só virou questão nacional nos anos 30, com a criação do Ministério da Educação.

“A gente investiu nisso muito tardiamente. Se você não tem uma educação pensada em termos nacionais, você vai manter a disparidade, a discrepância entre os estados da Federação”, analisa a professora de História a Educação Diana Vidal.

A partir dos anos 70, oito anos de ensino passaram a ser obrigatórios. A Constituição de 88 garantiu a todos ensino de graça e de qualidade.

Hoje, os municípios cuidam das primeiras etapas da educação, os estados ficam com o ensino médio e também podem assumir o fundamental. A União entra com o apoio técnico e financeiro.

A partir dos anos 90, esforço para não deixar nenhum brasileiro de 6 a 14 anos fora da escola. Com programas sociais que exigem a frequência nas aulas, 98% das crianças estão matriculadas. Muitas são a primeira geração de estudantes da família.

“Esses meninos têm uma dificuldade de entender o que é escola, para que serve a escola”, fala o diretor de escola Fernando Barroso.

O desafio é garantir que eles aprendam. “As crianças e jovens têm direito a educação de qualidade e todas. A gente tem visto ai algumas melhorias, mas ainda muito longe de ser na velocidade que a gente precisa para o país”, conta a diretora do Todos pela Educação Priscila Cruz.

Só com um salto de qualidade, o Brasil pode antigos corrigir erros e se expressar como uma nação desenvolvida.

Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem.

A tarifa de Itaipu e a estupidez nacional

Adelson Elias Vasconcellos

O Senado aprovou o reajuste da tarifa de energia que o Brasil paga ao Paraguai, pelo excedente de energia que o país vizinho tem direito mas que não consegue consumir. Simplesmente, entregaremos o triplo do que até então estava acordado.

Começo pelo seguinte: quem bancou não apenas o empreendimento todo, mas também a manutenção de Itaipu durante todos estes anos foi o Brasil. Paraguai jamais desembolsou um centavo sequer pela obra. E ainda, de lambuja, garantimos ao Paraguai uma receita graciosa por adquirir o excedente que ele não consegue utilizar.

Durante a campanha eleitoral que elegeu Fernando Lugo, sua maior promessa foi justamente a de rever os termos do Tratado de Itaipu. Lugo, como se sabe, frequentava o quintal onde também há as companhias respeitáveis do tipo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa e, claro, o Lula. Todos lhe emprestaram solidariedade e, por vias oblíquas, participaram de sua campanha para o eleger presidente do Paraguai.

Ou seja, Lula, então presidente do Brasil, para ajudar na eleição do amigo, prometeu atender sua promessa de campanha que atendia não aos interesses dos brasileiros, mas dos paraguaios.

Durante a votação no Senado, a base governista alegou algumas tolices sem sentido. Uma delas é a de que o reajuste não provocaria aumento de tarifa da energia que os brasileiros pagam. É mesmo? E de onde o Brasil retirará o montante que pagará a mais para o Paraguai? Dos salários dos senhores senadores? Das aposentadorias e “honorários” de palestrante que Lula cobra mundo afora? Negativo: quem pagará a conta da fraternidade entre amigos do continente é o contribuinte brasileiro. É no bolso de todos nós que arderá a chama amiga.

Outro vigarice alimentada pelos governistas foi a de que é importante que o país tenha vizinhos que se desenvolvam. Seria ótimo se não fosse por um pequeno detalhe: o povo brasileiro já carrega nas costas uma das maiores cargas tributárias do mundo. Em contrapartida, recebe do Poder Público uma gama de serviços públicos precários e indignos. Quando precisou promover um esforço para se desenvolver, os tais “ilustres” vizinhos nos deram uma banana. A Argentina, por exemplo, não perde tempo em retaliar os produtos brasileiros que entram em seu país, isto apesar do Mercosul. E, para arrematar, conforme demonstramos aqui, o brasileiro paga a segunda maior tarifa de energia elétrica do mundo, inclusive atrás do que é cobrado pelos “vizinhos”.

Então, por conta do quê o governo nosso, eleito pelo povo para defender nossos interesses, precisa nos obrigar a suportar impostos com maus serviços, para ajudar no desenvolvimento de países incompetentes que não conseguem promover seu desenvolvimento interno? Se o Brasil fosse um país rico, onde saúde, educação, segurança, transporte e infraestrutura fossem a fina flor de eficiência, vá lá: não nos custaria nada ajudar a quem precisa. Mas pergunto: no momento, não é justamente o povo brasileiro quem mais precisa da presença do seu governo? Então a troco do quê vamos impor mais este ônus ao já sobrecarregado contribuinte, só para que as esquerdas do continente se regalem sobre a miséria de seus povos, miséria fruto de incompetência e desmandos? Falei da Argentina, falo da Venezuela: com toda a fortuna que os petrodólares carreiam para os cofres do estado venezuelano, Chavez sequer conseguiu transformar seu país num território de bem estar e segurança. Pelo contrário: torrou dinheiro a rodo sem contrapartida alguma em benefício de seu povo. E agora somos nós que devemos “corrigir” os desmandos de maus governantes diante de tantas carências que os brasileiros ainda sofrem e que o governo petista alega falta de recursos para atendê-las no volume e velocidade que estas demandas cobram?

Mais: acaso não é o Paraguai o principal fornecedor do contrabando de armas, drogas e pirataria que entram Brasil adentro, causando-nos aborrecimentos e prejuízos de toda a sorte? Qual a contrapartida que o Paraguai assumirá pelo reajuste milionário – e indevido – da tarifa de Itaipu? A resposta é óbvia: NENHUMA. Continuará enviando para cá a maconha, as armas e a pirataria. E atenção: as armas e a maconha são matérias primas do crime organizado que, no país, matam cerca de 50 mil brasileiros por ano.

Vejam o ridículo da coisa: enquanto o restante do mundo elege governantes que se obrigarão a cuidar dos interesses de seus governados, aqui nossos governantes preferem atender os interesses dos outros, dos vizinhos, menos daqueles a quem deveriam direcionar o foco de sua ação.

Infelizmente, o Brasil continuará sendo governado com esta mentalidade xenófoba. E, sendo assim, o governo brasileiro sempre buscará o desenvolvimento, o bem-estar e a segurança dos vizinhos. Já para os brasileiros...

O Itamaraty rebaixado

Folha de São Paulo - Editorial

Alheio a protestos pela moralidade pública, o Itamaraty anuncia que manterá a validade dos passaportes diplomáticos concedidos a familiares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no apagar das luzes de seu governo.

Os documentos, que conferem a seus portadores tratamento especial em viagens internacionais, foram distribuídos a quatro filhos e três netos do então presidente.

Tudo sob o manto de um inexplicável "princípio de excepcionalidade" e da justificativa de que assim mandava o "interesse do país".

É do interesse do país, ao contrário, impor limites à cultura do privilégio na política brasileira.

A reação negativa da opinião pública, uma vez revelada por esta Folha a benesse indevida, levou o Itamaraty a modificar, no início do ano, as regras para a emissão de passaportes diplomáticos. Justificativas formais passaram a ser exigidas daqueles que pleiteiam o documento.

Seus nomes, uma vez aprovada a distinção, têm de ser publicados no "Diário Oficial da União".

Apesar do reconhecimento tácito do erro anterior, a chancelaria do governo Dilma Rousseff decide agora desafiar um pedido formal de cancelamento dos superpassaportes, apresentado pelo Ministério Público Federal. Argumenta que os diplomas foram conferidos antes da alteração nas regras e que, portanto, não cabem questionamentos à motivação ou à legalidade da decisão.

É evidente a motivação antirrepublicana da concessão, pelo ex-ministro Celso Amorim, de privilégios à família do chefe.

E a legalidade de seu gesto é, sim, questionável, mesmo segundo os frouxos parâmetros em vigor durante o governo a que serviu.

Nunca houve interesse público - critério exigido pelas antigas normas para a emissão dos superpassaportes. Só interesse privado.

Ao mesmo tempo, seria razoável esperar que a entrada em vigor de novas normas obrigasse o Ministério das Relações Exteriores a rever os documentos recentemente concedidos pela pasta.

Nada disso será feito, jacta-se o Itamaraty. A Justiça, provocada pelo Ministério Público, precisa então obrigá-lo a voltar atrás e, assim, recompor a reputação republicana de que sempre desfrutou.

Um partido travesti

Sebastião Nery

RIO – Ramos de Freitas, delegado e arbitrário, entrou para a história de Pernambuco, nos anos 20, como o terror das minorias marginalizadas. Ladrões, prostitutas, gays, desempregados e vadios pobres sofriam horrores nas mãos calvinistas do Dr. Freitas.

Era um delegado Padilha de Recife. Quem não trabalhava, apanhava. Quem não tinha carteira profissional, xadrez. Saía pelas ruas, dia e noite, catando gente de arrastão. Uma tarde chegaram à delegacia, presos, dois travestis. Dr. Freitas mandou buscar a palmatória enorme, grossa como um filé mal-passado, para dar uma dúzia de bolos em cada um.

O Delegado
Chamou o primeiro:

- Seu nome?
- Valquíria.
- Você não tem vergonha?
- Vergonha eu tenho, doutor. Eu não tenho é gosto de mulher.
- Vocês dois trabalham? O que é que vocês são?
- Nós “semos” homossexual, Dr. Freitas.
- Nós “semos”, não. Nós somos.
- Perdão, doutor Freitas, eu não sabia que o senhor também era.
- O que, seu sem-vergonha? Duas dúzias de bolos em Valquíria.

Itamaracá
Houve pancadaria em um baile de travestis no carnaval de Recife. Todo mundo preso. A delegacia ficou florida de remelexos, lantejoulas e paetês. O delegado Freitas foi fichando um a um e mandando embora:

- Seu nome?
- Greta Garbo.
- Seu nome?
- Marilyn Monroe.
- Seu nome?
- Lourdes.
- O que, seu sem vergonha? Lourdes é o nome de minha avó. Vai ficar seis meses na prisão de Itamaracá.

Seis meses depois, o delegado mandou buscar o Lourdes para soltar:

- Seu nome?
- Freitinhas.
- O quê, seu sem vergonha? Mais seis meses na prisão de Itamaracá.

Alckmin
Na democracia, cada um vai para o partido que quer e ninguém tem nada com isso.Mas o partido tem que ter uma cara, um rosto, um programa.

Como bem diz o governador paulista Geraldo Alkmin, “partido é como religião. Não há religião sem fé, não há partido sem programa, sem idéias”.

A degenerescência das instituições nacionais está chegando a tal nível de desfaçatez publica que mais de 100 governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, todos recém-eleitos na oposição, de repente resolvem sair de seus partidos para apoiar o governo. E não usam uma frase sequer para alegarem suas razões.

PSD
O “comprador-mor” dos tempos de Vila Rica no Brasil Colônia, que vinha de Portugal para fiscalizar a extração e compra do ouro, também não alegava nada. Pegava o ouro o carregava. O prefeito Kassab, de São Paulo, “comprador-mor” do novo partido, está tão seguro da insensibilidade moral do pais, que se sente dispensado de falar em qualquer programa:

- O partido não é de direita, nem de esquerda, nem de centro.

Deve ser de fundos. E ele sai pelo pais, de maleta na mão, como um mascate da política nacional, adquirindo gente com seu farnel partidário. A isso eles chamam de “novo partido”. Um partido travestido de partido.

O ‘Filósofo”
Essa é mais uma invenção do pais das jaboticabas. Quando não sabe bem o que a pessoa é ou faz, a imprensa o chama de “filosofo”. Um “professor” gaucho, também não sei de que (advogado ou lobista?), diz esta semana nas “Paginas Amarelas” da “Veja” :

- “A tentativa de proibir a publicidade de cigarro, de bebida e de alimentos parece inofensiva, mas sem publicidade a imprensa se torna dependente do governo, o que compromete a liberdade de expressão”.

É uma dose cavalar de cinismo. O pais sabe, e sabe sobretudo a saúde publica, que o controle da propaganda de cigarro diminuiu em 30% o consumo e as doenças do fumo. Agora, quando se quer limitar a propaganda de bebida para jovens e crianças,como é nos países civilizados, vem uma anta magisterial e diz que “compromete a liberdade de expressão”

“Liberdade de expressão” de quem? De um faturador de câncer?

Diárias de Hollanda

Guilherme Fiúza, Revista Época

Andaram criticando Ana de Hollanda por razões variadas.

Em todas elas, a ministra da Cultura contrariava a gestão anterior do seu ministério. Isto é: contrariava gente como Juca Ferreira (ex-ministro) e Emir Sader (ex-futuro ministro), os talibãs da burocracia cultural.

Vamos estabelecer um ponto pacífico: sempre que contrariar essa turma, Ana de Hollanda estará certa. Nem é preciso examinar a matéria em questão.

A ministra teve coragem de dar um tranco na “pirataria progressista”, essa corrente estranha que quer fazer revolução libertária na internet roubando direitos autorais dos outros.

Aí ficam esses Bin Ladens da cultura plantando veneno na imprensa contra a ministra. Como são persistentes, essas viúvas das boquinhas estatais.

Mas eis que a própria Ana de Hollanda resolve dar uma força aos seus coveiros.

Acusada de receber diárias do governo para passar fins-de-semana no Rio de Janeiro – onde tem casa – sem trabalhar, a ministra se saiu com uma pérola: as diárias custam menos do que as passagens para Brasília que ela economizou ficando no Rio.

Recapitulando:

a ministra tinha compromissos oficiais no Rio de Janeiro na sexta-feira e na segunda-feira;

tinha direito a passagens aéreas para voltar a Brasília na sexta e regressar ao Rio na segunda;

preferiu passar o fim-de-semana no Rio, na sua casa;

tem direito a diárias do governo se estiver trabalhando fora de Brasília;

achou normal ficar com as diárias descansando em sua própria casa, porque a conta das passagens aéreas seria mais alta.

É uma lógica formidável, que nos traz duas notícias – uma boa e uma má.

A boa é que Ana de Hollanda não é ministra da Fazenda.

A má é que a ministra da Cultura acredita que esticar o fim-de-semana no Rio é fazer um favor ao contribuinte – pelo qual merece uma recompensa em dinheiro.

Não tenham dúvidas, os companheiros vão querer também. Vem aí o Bolsa Domingão, para todos os funcionários que fizerem o sacrifício de descansar longe de Brasília.

Com essa tecnologia trabalhista, a ministra vai acabar dando razão aos talibãs.

Quem paga a conta dos novos Estados? Acertou: você

Jose Roberto de Toledo, Estadão.com

O Congresso criou uma impossibilidade matemática e jogou a solução no colo da Justiça eleitoral: como transformar uma bancada de 17 em 24 sem aumentar o total de 513 deputados federais? Parece piada. Não é.

Um dos argumentos dos defensores da divisão do Pará em três Estados é que não haveria aumento da representação paraense na Câmara. Do mesmo modo, seria mantido o teto global de 513 deputados federais. A conta não fecha.

A Constituição estabelece que “nenhuma das unidades da Federação tenha menos de 8 ou mais de 70 deputados”. Ou seja, os novos Estados de Carajás e Tapajós teriam, juntos, 16 deputados federais, e o que sobrar do Pará teria, no mínimo, outros 8, totalizando 24 representantes na Câmara. A atual bancada paraense é de 17 deputados. Faltam 7, portanto, para a conta fechar.

O limite máximo de 513 deputados federais é estabelecido por lei complementar. O limite mínimo de 8 deputados por Estado é fixado pela Constituição. Se diminuísse, 11 unidades da Federação perderiam cadeiras: Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Essas 11 UFs têm votos suficientes no Senado para barrar a mudança constitucional. Logo, se o Pará for mesmo dividido, o total de deputados deve subir para 520. As consequências disso são desastrosas, sob todos os sentidos.

Cada deputado custa, por baixo, R$ 27 milhões por legislatura. Os 7 novos sairiam pela bagatela de R$ 190 milhões. Mas a conta vai além: há as emendas parlamentares que implicam despesas no orçamento, a necessidade de construir anexos para abrigar os gabinetes dos novos parlamentares, mudanças para acomodá-los no plenário e por aí vai.

Somam-se as despesas com seis novos senadores, 48 novos deputados estaduais, a necessidade de construir edifícios para abrigar duas novas assembléias legislativas, dois novos governos estaduais, secretarias, tribunais de Justiça. E milhares de funcionários públicos para preencher esses prédios.

Além disso, as regiões a serem desmembradas não têm capacidade econômica para se sustentarem sozinhas. O economista Rogério Boueri, do Ipea, calculou para o site G1 que o governo federal teria que desembolsar R$ 2,2 bilhões por ano para cobrir as despesas de Carajás e Tapajós.

Esse é o custo financeiro direto. Mas há outras distorções embutidas nessa decisão tratada com indiferença pela Câmara. A principal delas é piorar ainda mais a representação da população brasileira no Congresso Nacional.

Com 9 Estados, a região Norte passaria a ser a mais forte politicamente no Senado, com 27 representantes, assim como o Nordeste. Mas cada senador nortista representaria menos de 600 mil pessoas, menos de um terço da representatividade de um senador nordestino, por exemplo.

Na Câmara, a bancada do Norte chegaria a 72 deputados federais. E, apesar de ter uma população só 13% maior do que o Centro-Oeste, teria 76% a mais de cadeiras (31 vagas) do que esta outra região.

Um dos riscos de retalhar o Pará é dar início a uma corrida para reequilibrar a distribuição de poder regional. Há propostas semelhantes para subdividir o Maranhão, o Piauí, a Bahia, o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, o Amazonas e Goiás.

Como ficou provado no caso paraense, as bancadas dos outros Estados tratam as propostas de subdivisão com um misto de desinteresse e leviandade, como se não houvesse implicações para a União nem para as outras unidades da Federação. Por isso, as proposições de plebiscito passam sem discussão.

Dessa maneira, a decisão final depende exclusivamente da “aprovação da população diretamente interessada”. Como sempre, o texto constitucional é dúbio. Qual é a população “diretamente interessada”? A da região de Carajás, a paraense ou a brasileira? Pelo tamanho da conta a ser paga, deveria ser a brasileira, mas o plebiscito deve se limitar ao Pará ou, até mais provável, apenas a Carajás/Tapajós.

A prevalecer essa interpretação e o descaso dos parlamentares com o tema, a multiplicação de novos Estados -como Gurguéia (PI), Pantanal e Mato Grosso do Norte- pode levar o Congresso Nacional a ganhar mais 36 deputados e 30 senadores.

E a conta é sua.

Lula é um fracasso no papel de conferencista

Ricardo Noblat

Reli, há pouco, a frase do dia postada ontem neste blog. Dizia assim: "Quando peguei esse país só tinha miserável. E eu, operário sem um dedo, fiz mais que o Bill Gates, Steve Jobs e esses aí."

Foi pinçada da palestra dada por Lula na última quarta-feira para convidados do Bank of America/Merrill Lynch reunidos na Casa Fasano, em São Paulo.

Lula recebeu R$ 250 mil pela palestra. Onde disse coisas do tipo "Wall Street não gosta de mim, mas o chefe deles gosta". Ou "tem que falar português em aeroporto americano, eles têm que entender o que a gente fala".

A expressão "nunca antes neste país" deu lugar "a nunca antes neste planeta", anotou Sonia Racy, colunista de O Estado de S. Paulo.

Quando Lula resolveu falar sobre o principal problema que aflige o governo - a inflação - foi para dizer que Dilma saberá resolvê-lo porque é competente. Invocou o testemunho de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, ali presente.

E como de costume, elogiou o que fez em oito anos.

Perguntei então aos meus botões (não é só o jornalista Mino Carta que se socorre dos próprios botões): até quando empresários importantes continuarão pagando fortunas a Lula para só ouvir bobagens, disparates, autoelogios e trivialidades?

Como palanqueiro, falando para o povão, Lula é imbatível.

Como conferencista para platéias sofisticadas pode ser razoável quando lê o que lhe dão.

Mas se improvisa, é raso como um pires. No máximo provoca risadas. Algumas de puro constrangimento.

A matemática de Mantega contra a inflação

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

“Quando é preciso dar muita explicação, acaba saindo muita bobagem”

A inflação brasileira, medida pelo IPCA (índice do IBGE tomado como referência pelo Banco Central) cravou 6,51% nos doze meses acumulados até abril último. Furou o teto da margem de tolerância, pois a meta é de 4,5%, com um perdão de dois pontos para baixo ou para cima.

Não furou nada, replicou o ministro, em entrevista no último dia 06. A norma que define a meta, explicou, não considera a segunda casa depois da vírgula. Ou seja, “tecnicamente”, segundo Mantega, o teto é de 6,5%, desprezando-se os “quebrados”.

Ocorre que 6,5 equivalem a 6,50, de modo que, “tecnicamente”, o valor de 6,51 é maior que 6,50. Logo, o teto furou. Mas, admitamos, a discussão é meio inútil - afinal, estamos falando de 0,01. E por isso mesmo, o comentário do ministro é ainda mais estranho. Por que se arriscar a dizer uma bobagem matemática por tão pouco? Ainda mais considerando que conforme todas as previsões, inclusive do BC, a inflação anualizada vai passar dos 6,59%, aí sim estourando o teto da meta mesmo na matemática de Mantega.

Mas a outra observação do ministro, feita três dias antes, é mais grave. Disse ele que o IPCA de 6,3% (acumulado em doze meses até março) cairia para meros 4,73%, se excluídos os dois vilões, alimentos e combustíveis. Uma inflação normal, portanto. O problema estaria localizado em dois grupos de produtos, ambos sujeitos a pressões internacionais.

A conta ministerial está simplesmente errada, diz o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, em artigo publicado ontem na Folha de S. Paulo. Sua explicação: “... a inflação, contudo, é uma média ponderada dos diferentes aumentos de preços. Se a inflação total ficou em 6,30%, a inflação de alimentos (peso aproximado de 15%) alcançou 8,76% e a inflação de combustíveis (peso 4,5%) chegou a 5,42%, então a média dos demais preços deve necessariamente ter aumentado 5,89%, bem mais do que os 4,76% estimados pela Fazenda”.

Quer dizer, o ministro fez uma subtração direta quando deveria ter feito uma conta um pouco mais complicada.

É aquela história: precisa dar muita explicação, acaba falando o que não deve. O problema é que a cada dia aparece um vilão da inflação. Primeiro eram os alimentos. Depois, o etanol. Depois, roupas. Agora, os serviços. Mesmo sem ser ministro da Fazenda, dá para perceber que a inflação está espalhada e tem inúmeras causas - tudo a exigir ação mais enérgica do Banco Central e da própria Fazenda.

Como não querem ou não sabem o que fazer mais, caímos naquelas explicações.

Lei de jerico
Vai ser assim: todas as calcinhas, sutiãs e cuecas comercializadas no Brasil, aqui produzidas ou importadas, terão uma etiqueta de alerta.

Nas calcinhas, a etiqueta recomendará o uso de camisinhas e dirá que a portadora (ou usuária?) deverá fazer exames de colo de útero. Nos sutiãs, claro, virá a recomendação de autoexame dos seios. E nas cuecas, o alerta aconselhará exame de detecção do câncer de próstata.

Já é quase lei. O projeto com esse teor foi aprovado no Senado e na Comissão de Constituição de Justiça da Câmara. Se não houver recurso para votação em plenário, sobe direto para a mesa da presidente Dilma Roussef.

Se a presidente não vetar, o Congresso terá produzido uma das leis mais idiotas dos últimos tempos.

Claro que é bom alertar para aqueles exames de prevenção. Mas não tornando obrigatória uma etiqueta em todas aquelas peças, produzidas ou importadas.

Aprovada lei, o governo terá 180 dias para regulamentar as etiquetas. Festa para os burocratas. Será preciso definir os dizeres. Conforme a quantidade de palavras, vai o tamanho da etiqueta. As mensagens serão relativamente longas para passar todo o alerta legal.

Vai precisar de uma etiqueta de uns 5cm por 10cm, pois a letra não pode ser muito pequena. (E como fazer com as etiquetas em braile?)

Mais: a etiqueta vai onde, na frente ou atrás? Por dentro ou por fora? Em muitos casos, considerando modelos mais sensuais, peças de renda, a etiqueta será maior que a própria calcinha. Vai estragar todo o design. E o momento.

Já imaginaram? O rapaz e a moça se casam, vão para a primeira noite, champanhe, começam a tirar a roupa e o que vêem? Use camisinha, cuidado com o câncer de útero e da próstata, já apalpou o seio? (ela, não você).

Do ponto de vista econômico, é custo Brasil, financeiro e burocrático. Diz a lei que se a etiqueta, mesmo em peças importadas, não estiver nos termos da lei, o fiscal (fiscal de calcinhas e cuecas, uma nova carreia de estado) pode fechar a loja, a fábrica e a importadora.

Tudo inútil, pois como disseram ouvintes da CBN, é claro que a primeira coisa que a mulher fará será arrancar a etiqueta.

Verdade ou mentira: eis a questão!

Claudio Schamis, Opinião & Notícia

Essa é nova! Uma Comissão da Verdade em pleno Congresso. Alguns podem até achar que estou falando uma mentira.


Essa é nova! Uma Comissão da Verdade em pleno Congresso. Alguns podem até achar que estou falando uma mentira. Mas infelizmente não é não. Falando assim, parece até que sou um pessimista de carteirinha, mas é que já vimos tanta coisa que fica difícil de acreditar. Apesar de o objetivo da comissão que terá sete integrantes, todos eles com um salário de R$ 11 mil e todos indicados pela presidente Dilma, ser o de esclarecer as graves violações de direitos humanos durante a ditadura, eu não sei não, mas a palavra verdade pode pesar, e muito. Com certeza poderá ser um fardo muito pesado para todos. Eles.

Será essa mesma verdade que eles dizem mostrar em todos os seus atos transparentes? Será essa mesma verdade invisível que fez Lula acreditar e afirmar que o mensalão nunca existiu? Essa é a verdade de Lula? E foi esse mesmo Lula que disse que seu governo não deixaria nenhuma herança maldita. Verdade? Mentira! Das mais deslavadas. Pois segundo o que estamos vendo por aí, a verdade de Lula é a dele, pois a nossa está tendo que conviver com inflação alta, juros subindo, notícias de contingenciamento de verbas (necessárias para suprir promessas do governo que foi dele e hoje é da Dilma), várias obras paradas, e com os 16,2 milhões de pessoas em estado de miséria. Ou vai dizer que essa verdade não é bem verdade. Seria então uma meia-verdade? Ou uma meia-mentira?

Vai dizer então que é mentira que metade do país ainda não tem esgoto? Que mais de 3,5 milhões de domicílios não possuem sequer banheiro? Que são 132 mil domicílios onde crianças de 10 a 14 anos sustentam suas famílias? Que quase 14 milhões de brasileiros estão analfabetos? Digo estão porque se fosse vontade do governo…melhor nem continuar. E que mais de meio milhão de lares têm luz clandestina? Mentira? Só se for para governo ver, pois para eles isso é a mais pura e triste verdade.

E pode parecer também mentira, mas não é. A prefeitura de Taubaté (SP) publicou em seu portal de prestação de contas números que eles nunca acharam que alguém fosse se dar ao trabalho de verificar, mas o tiro saiu pela culatra, ou melhor, saiu do bolso do povo taubateano que viu estarrecido que a prefeitura pagava R$ 200 por uma caixa de bombom de 400 gramas, ou R$ 17 mil por quinze toneladas de ração para equino. Só se for para alimentar o prefeito e seus assessores. Não é possível. Tem ovo comprado a R$ 78 a dúzia e biscoito recheado de 195 gramas a R$ 195. Tem até chá mate por R$ 75. Deve ter muita gente nervosa por lá. A empresa que fornece isso é também a mesma que fornece vários outros itens e até recauchutagem de pneus. Confrontados, o diretor de contas, Eloy, disse que o que aconteceu no caso dos ovos foi um erro de digitação. Agora, os demais absurdos ele não soube explicar. Será que terá explicação?

E qual a explicação que o PT poderá dar para a festa que fez após decidir reintegrar Delúbio Soares, o tesoureiro do mensalão, que voltou com o apoio de 60 membros do Diretório Nacional. Será que vão dizer que tudo isso é uma mentira?

Mentira foi o que Durval Barbosa disse ao afirmar que deporia no caso da Jaqueline Roriz, pois tirou o time de campo dizendo que seria constrangido. Será que então para um político mentir não é constrangimento? Depor sim? E em favor da verdade?

Será então mentira que a família de Lula iria devolver os passaportes diplomáticos? Pois a verdade é que ninguém ainda devolveu.

Enquanto isso não acontece, José Dirceu, o ex-chefe da Casa Civil e réu no processo do mensalão, botou as manguinhas de fora e ameaçou se lançar à presidência caso o nome preferido e preterido por Dilma fosse indicado e levado ao posto de presidente do PT. E o final feliz da história é que Dirceu elegeu quem ele queria. Rui Falcão é o novo presidente do PT.

Mentira?

E não é que é verdade que o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu uma vaga no Senado para Cássio Cunha Lima que fora barrado pela Lei Ficha Limpa, pois Cunha Lima tem um passado manchado. Isso tudo porque ficou decidido que a Lei não teria validade para o ano passado.

E assim entre verdades, mentiras, meias-verdades e meias-mentiras, a gente vai levando como pode, o tempo vai passando, e…

Ou vai dizer que é mentira?

Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado. Salve nossa saúde!