quinta-feira, maio 19, 2011

A política de deseducação do MEC

Adelson Elias Vasconcellos

Na segunda feira, a exemplo de muitos outros autores, desci o sarrafo na porcaria que representa para o país e seu povo, a adoção de livros do tipo o de Heloisa Ramos, “Por uma vida melhor”, com sua bestial apologia ao erro. Pela desgraça que representa tanto para a educação quanto para a construção de um país melhor, mais justo, mais moderno, mais civilizado, a crítica até que foi leve. Tentativa como a que o MEC patrocina merece repúdio total da sociedade. Não lhe cabe aleijar os patrimônios da nação brasileira em que o idioma, a exemplo da bandeira, do hino, do território e da moeda, são totens sagrados. Pelo contrário, sua colaboração deve ser no sentido de fortalecer o amor e a conservação destes patrimônios, que são propriedades inalienáveis do povo, não do governo muito menos de um ministério.

Vocês leram no post abaixo, do jornalista Reinaldo Azevedo, a origem desta bestialidade. Outros textos desta edição são taxativos na crítica ao absurdo impetrado pelo MEC, e num país em que 75% de sua população mal consegue assinar seu próprio nome: são considerados analfabetos funcionais.

Pois bem, gostaria de agora analisar a coisa toda pelo aspecto conceitual. Começo por lançar a seguinte questão: sobre que régua é medida a alfabetização de um povo, pelo domínio da linguagem escrita ou falada? Voltando um pouco ainda: como se dá o processo de alfabetização das pessoas, crianças ou adultos, pela linguagem escrita ou falada?

Apenas por aí é que se pode medir o tamanho do absurdo que Heloisa Ramos e seus seguidores, todos devidamente patrocinados pelo MEC, leia-se com o dinheiro do nosso bolso, apregoam e defendem. Aprender a falar é coisa que acontece nos primeiros anos de vida, e para isto não é preciso escola. Acontece como elemento natural do desenvolvimento dos indivíduos nas suas residências, no bairro, ou numa casinha de sapê.

Ao contrário, a linguagem escrita precisa de método, de normas técnicas e regras, que serão ministradas por profissionais de ensino devidamente treinados e preparados para isto.

Assim, por melhor que os alunos se expressem, se não souberem desenhar seus próprios nomes, ou ao menos não forem suficientemente capazes de lerem e compreenderem textos, os mais simples, não serão considerados “alfabetizados”. E o que torna o indivíduo habilitado para a vida adulta e, mais especificamente, para o exercício da mais rudimentar das profissões, é justamente seu grau de alfabetização.

Só por este elementar ângulo é que se dimensiona o quanto é ridícula e vigarista a tese de se admitir que uma escola, seja de que nível for, pode se propor a ensinar o errado como norma “modernosa” de ensino. Se nos aprofundarmos ainda mais, constataremos que mantida esta prática, de se aceitar o erro apenas como inadequado, tiraremos da educação um de seus papeis fundamentais. A escola, nos países que patrocinaram verdadeiras revoluções positivas na educação de seu povo – casos como os da Coréia do Sul e, atualmente, a China – não é encarada apenas como um local onde as crianças vão receber um volume determinado de conhecimentos. É também o local onde alguns valores serão transmitidos como preparadores para a vida adulta. Se, desde cedo, ensinamos que o erro é admissível, que tipo de geração estaremos formando para o futuro do país? Assim, a transgressão à lei e à ordem poderão, também, ser admitidos como fatos normais e o resultado desta balela toda será construirmos um caos, retornarmos à barbárie.

Não, definitivamente, a escola não é lugar para se praticar esta “luta de classes”. Ali, todos devem ser preparados e orientados para adotarem, no futuro, as melhores posturas, e utilizarem da melhor forma que lhes for possível as ferramentas que o conhecimento lhes pode proporcionar.

Quando o MEC lava as mãos diante de um absurdo destes, já é possível reconhecer o que verdadeiramente está em curso. Reparem no seguinte: o que de fato transforma o homem em cidadão livre e melhor é a educação, seu grau de conhecimentos e informação. Se desde cedo se admite conviver com o certo e o errado em um mesmo plano de tolerância qual a mensagem que estamos transmitindo? A resposta resume-se em insegurança diante de um mundo civilizado.

O que, no fundo, o MEC está fazendo é, justamente, rasgar os princípios civilizatórios mais comezinhos sobre os quais o país se ergue, se desenvolve e prospera.

Apenas pelo lado conceitual já se teria elementos suficientes para desmontar esta argumentação ridícula de se adotar, como livro didático, um que se dedica a insuflar o erro como norma. E, a partir daí, destruir a concepção do que seja “civilização”. Ora, o que foi que tirou o ser humano da escuridão, do obscurantismo, do atraso, acaso não terá sido a escola como centro erradicador de conhecimentos e transmissor de valores? Não foi por este centro que o ser humano livrou-se das amarras que o escravizaram por séculos?

Deste modo, o entendimento que se deve ter do verdadeiro papel que a escola deve desempenhar nas sociedades modernas é permitir que o indivíduo receba os instrumentos pelos quais ele poderá se desenvolver e evoluir e, de tal forma, que se torne não apenas mais livre e mais senhor de seu destino, mas também para que se reduzam as desigualdades, porque é justamente a ausências destes instrumentos o que o torna excluído e amplia as diferenças e distâncias.

Além, disto, pergunto aos pais e mães: que expectativa eles têm ao matricularem seus filhos na escola? Não será justamente a de que eles possam ser pessoas melhores do que foram seus país com os conhecimentos que receberão? Não é lhes garantir um futuro melhor, com menos dificuldades e restrições que a escuridão que o analfabetismo proporciona e condena? E de que forma se concretiza este “projeto”, este desejo, esta expectativa, não é justamente a capacidade de lerem,  escreverem e se expressarem em seu próprio idioma?

Não, não é pela fala que avaliamos quem está melhor preparado para a vida adulta e profissional. É pela capacidade de ler e escrever, além é claro, pela soma de valores humanos de que o indivíduo é possuidor e atento e dedicado seguidor. A este conjunto é que chamamos de educação. Tentar desvirtuar esta visão é condenar os mais pobres, os que têm menor acesso à informação e ao conhecimento, a permanecerem no atraso em que se encontram, é investir na manutenção das desigualdades, é perenizar a miséria e a ignorância. Porque estejam certos de que, caso o MEC e alguns educadores, discípulos desta teoria vagabunda, insistam em manter este absurdo como norma de ensino, o resultado final que se terá será a de se perpetuar a injustiça social no Brasil como “fenômeno de sucesso”. E, se assim for, o país, lamentavelmente, dá as costas para a civilização e decretará que é a ignorância o instrumento que alimenta o progresso. Que eles festejem sua mediocridade, é uma escolha que lhes cabe: entretanto, acaso é esta a escolha do povo brasileiro? Tenho para mim que o povo deseja justamente o contrário. No Editorial do jornal O Globo, comenta-se sobre o projeto do “politicamente correto” que este besteirol da apologia ao erro representa. Trata-se justamente do contrário: o projeto defende é o politicamente incorreto, onde a vítima, infelizmente, será a população mais pobre que continuará excluída da modernidade e, o pior, permanecerá escrava da sua própria ignorância. A opção do ministério que Haddad comanda é nivelar por baixo. E ele, terá estudado prá que, prá isso?

Vimos na semana passada as fraudes do PROUNI. Abaixo temos as fraudes do PROJOVEM, como em passado não muito distante tivemos fraudes no ENEM e no FUNDEB. Ou seja, onde houver governo petista, a fraude veste seu manto dourado para se dizer “presente”. Fernando Haddad, não satisfeito, agora quer nos engabelar com a fraude do livro “didático” que, ao contrário de todos os sistemas decentes de ensino do mundo, quer nos impingir que o errado não é tão errado e que, ser ignorante em relação ao próprio idioma pátrio, passou a ser uma moderna forma de inclusão. Para os críticos desta “modernidade caótica”, a vacina jumentina já vem pronta para aplicar seu golpe fatal: é preconceito linguístico reparar no erro do companheiro que escreve agressões à língua nacional.

Para encerrar, deixo abertas algumas questões que, me parecem, mostram de que lado está o verdadeiro preconceito que os detratores do idioma tanto acusam: se a população mais pobre passou a ter mais acesso à educação, o que é ótimo, e se as escolas precisam adequar seus conceitos e linguagem à fala dita “popular”, onde está escrito ser imperativo que a linguagem popular deva ser ignorante? Por que não pode ela ser culta também? Por que seus erros não podem ser corrigidos? Por que, cada vez que nos referimos a  povo, popular e outras derivações, tais expressões devem estar associadas ou serem sinônimos de ignorância, pobreza, miséria e desigualdade? Por que não se pode conceder e conceber que o povo possa ser culto, rico e igual? Acreditem, o mal que estes tais “progressistas” fazem ao que chamam de “oprimidos” vai muito além do simples preconceito. Esquecem que povo é composto por pobres e ricos, cultos e analfabetos, gordos e magros, homens e mulheres, jovens e adultos, pretos e brancos. Não existe meio povo, ele é a soma de todos os seus indivíduos, independente de suas diferenças sociais, econômicas, físicas, ou culturais.

De minha parte, entendo que, das duas, uma: ou não se corrige e não se educa de forma correta por absoluta incompetência dos educadores, alguns ao menos, ou pelo interesse canalha de se manter os pobres na ignorância eterna. O certo é que, ambas, são inaceitáveis para um país que se quer melhor e mais justo.

E uma última questão para o ministro Haddad e sua turma do MEC: quantos de vocês tem filhos estudando matriculados em escola pública e para quantos deles foi permitido que a educação seguisse as regras preconizadas no livro da professora Heloisa Ramos? Querem saber: não precisam dizer nada, sabemos bem qual a resposta.

Livros pra inguinorantes

Carlos Eduardo Novaes, Jornal do Brasil

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

Do Site Kibeloco: Por uma vida melhor... (apud MEC 2011)


Para a autora dos belo livro, com admirassão

Homenagem a Fernando Haddad, o grande Cedutor dos guverno Petista

A tropa de choque da “gramática diferenciada” pode botar o burro na sombra; não me assusto com a gritaria dos jihadistas lingüísticos deste aiatolá

Reinaldo Azevedo



Marcos Bagno: ele fez fama e fortuna afirmando que aquilo que seus leitores ignoravam não tinha mesmo a menor importância e era só autoritarismo...

Que burrice a tropa de choque dos amigos do professor Marcos Bagno tentar me intimidar na base do “sabe com quem está falando?” Desde quando eu dou bola pra isso? Fico ainda mais animado. Eu adoro chutar o traseiro de especialistas arrogantes, especialmente quando convertem ideologia vagabunda em ciência não menos. Marcos Bagno? Quem é esse há de se perguntar o leitor desavisado.

Às 17h55 desta segunda, escrevi o texto que segue no pé deste post, apontando a responsabilidade intelectual de Bagno nessa história de vale-tudo da língua portuguesa. Eu sabia bem o que estava fazendo. Seria mais grave do que chutar a santa. Bagno é um notório depredador da norma culta da língua e da gramática e transformou isso numa profissão rentável. Está para a lingüística como Gabriel Chalita está para a filosofia. E é quase tão prolífico quanto, mas com um agravante: Chalita é desprezado no mundo acadêmico; fazem chacota dele em qualquer circulo universitário com alguma seriedade. Seus livros, com aquela ignorância palavrosa cut-cut, dão motivos de sobra pra isso.

Já o tal Bagno, o “lingüista”, é visto como um verdadeiro aiatolá da língua alternativa. É também autor de livros infanto-juvenis, adorado pelos professores — em particular por aqueles que são incapazes de entender um manual de gramática. Bagno lhes dá a sensação de que sua ignorância é irrelevante ou é uma inteligência alternativa, e eles acabam achando que não ensinam gramática aos alunos ou porque não querem ou porque seria inútil. O fato é que não sabem.

Bagno é aquele tipo perigoso que, dada a constatação de que níveis de linguagem reproduzem, por óbvio, desigualdades sociais, logo conclui que a língua é causa da desigualdade, não uma conseqüência dela. Então ele tenta mudar a sociedade mudando, ora vejam!, a língua! Fez-se um teórico supostamente refinado do assunto e convence os ignorantes e os incautos com as suas facilidades. Uma coisa é constatar, e todos estamos de acordo, que, no geral, as aulas de gramática têm um nível sofrível; outra é decretar a sua inutilidade.

Segundo os dados do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos 2009 (Pisa), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ainda ocupa o 53º lugar no ranking geral, num total de 65 países que fizeram o exame. Uma vergonha! Os alunos brasileiros ficaram em 53º em ciências e leitura — superando Argentina, Panamá e Peru na América Latina, mas atrás de Chile, Uruguai, México e Colômbia — e em 57º em matemática. No ranking geral dos países avaliados na América Latina, o Brasil fica à frente de Argentina e Colômbia, mas aparece 19 pontos atrás do México (49º), 26 pontos do Uruguai (47º) e 38 do Chile (45º). Foram avaliados os processos educativos em 65 países, 34 deles da OCDE. Vinte mil estudantes brasileiros nascidos em 1993 responderam às provas de leitura, matemática e ciências.

Ora, é vergonhoso que uma economia do porte da brasileira — que, atenção!, investe, sim, relativamente bastante em educação — apresente um resultado miserável como esse. Como se dará o salto necessário? Com a professora Heloísa Ramos, ancorada nas teses de Bagno, a fazer a apologia da ignorância em nome do fim do preconceito lingüístico? Que língua será cobrada desses alunos na vida profissional?

Essa meninada não tem dificuldade nenhuma de se comunicar, por exemplo, na estranha língua das redes sociais, com seus códigos específicos. Ocorre que serão outros os textos que serão chamados a interpretar. A norma, a língua padrão, há de ser o eixo em torno do qual se organizam as demais experiências da linguagem. E ela não pode ser um código para iniciados, a que só alguns poucos têm acesso. É o padrão que nos unifica, já que a desejável diversidade nos separa. Não entender isso é não compreender coisa nenhuma e investir na bagunça. No caso de Bagno e desses professores que têm livros adotados pelo MEC, trata-se de uma bagunça muito rentável.

Pode-se ficar rico no Brasil fazendo profissão de fé na ignorância e ainda posar de democrata e libertador. Pra cima de mim? A turminha bocuda dos “especialistas bagnistas” pode pôr seu burro na sombra; aqui não se cria. A escola existe para tratar da norma. A vida se encarrega da diversidade, e ninguém precisa de professor para ensinar o erro. Uma das qualidades da democracia é permitir que cada um erre segundo a sua própria ignorância. Ninguém precisa de um Marcos Bagno e de Heloísa Ramos como organizadores da ignorância.

Segue o texto sobre Bagno que deixou a turma dele invocada. É assim que eu gosto. Quanto mais bravos ficam esses valentes, mais convicto estou de que foram pegos no pulo. Adoraria ver essa gente toda submetida a uma prova de gramática para testar seu conhecimento da língua. Há muitos malandros ocupados em referendar os erros dos alunos porque eles próprios não sabem o que é o acerto.

Se você já leu o que segue, vá para os comentários.

Este é o sacerdote do erro; é ele o burguês do socialismo na língua portuguesa; é ele quem faz de Lula uma teoria de resistência lingüística!

A professora Heloísa Ramos, a autora do tal livro que faz a apologia do erro, é, do ponto de vista intelectual, apenas uma noviça na área. O verdadeiro sacerdote dessa bobajada se chama Marcos Bagno, professor da Universidade de Brasília. É esse que vocês vêem acima.

O valente tem uma página na Internet. Ele é o propagador, nas escolas brasileiras, do conceito do “preconceito lingüístico”. Bagno denuncia o que não existe e propõe métodos profiláticos contra o mal que ele mesmo inventou. Professores de língua portuguesa, a maioria incapaz de entender e de ensinar gramática, apegam-se a seus textos como o náufrago busca uma bóia: “Ah, finalmente alguém diz que essa conversa de regra é bobagem!”. É batata, queridos! O sujeito radicalmente contrário a que se ensine o que é uma oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo costuma não saber o que é uma oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo. E ele sente, então, a necessidade de combater aquilo que ignora.

Resultado: professores de português se tornam “debatedores”. Essa praga está em todo lugar. Não pensem que floresce apenas em escolas públicas, em que não há critérios para medir o desempenho do professor. Textos do tal Bagno são debatidos também nas escolas privadas. Alguns tarados, sob o pretexto de “problematizar” o preconceito lingüístico, brincam mesmo é de luta de classes. A única função meritória de um professor de português é cuidar da harmonia de classes — da classe das palavras.

Na página de Bagno, encontro essas pérolas:

As pessoas que falam e escrevem sobre a língua na mídia em geral são jornalistas, advogados ou professores de português que não estão ligados à pesquisa, não participam do debate acadêmico, não estão em dia com as novas tendências da Lingüística - são os que eu chamo de gramatiqueiros”, critica Bagno. Para ele, esses “pseudo-especialistas”, ao tentar fazer as pessoas decorarem regras que ninguém mais usa, estariam vendendo “fósseis gramaticais”, fazendo da suposta dificuldade da língua portuguesa um produto de boa saída comercial.Outro “mito” tratado no livro Preconceito lingüístico: o que é, como se faz é a idéia, bastante difundida, de que a língua portuguesa é difícil. Bagno afirma que a dificuldade de se lidar com a língua é resultado de um ensino marcado pela obsessão normativa, terminológica, classificatória, excessivamente apegado à nomenclatura. Um ensino que parece ter como objetivo a formação de professores de português e não a de usuários competentes da língua. E que ainda por cima só poderia formar maus professores, já que estaria baseado numa gramática ultrapassada, que não daria conta da realidade atual da língua portuguesa no Brasil.

Viram? É mais um que ataca a norma culta, alegando, para isso, a sua condição de especialista. E todos os que discordam dele seriam meros “gramatiqueiros”. Bagno se tornou a referência culta dos militantes da ignorância. Bagno fez afama e, acho, fortuna afirmando essas coisas. Seus livros sobre preconceito lingüístico são um sucesso. Qualquer um que combata a gramática sem saber gramática é só um vigarista. Bagno é uma espécie de autor de auto-ajuda dos despossuídos da norma. Convenham: o ignorante fica feliz ao ler que aquilo que ignora não teria mesmo importância…

Não por acaso, quem apareceu ontem no jornal O Globo em defesa do tal livro adotado pelo MEC? Ele próprio. E encontrou uma saída típica dos petistas, acusando adivinhem quem… Sim, FHC!!! Leiam:

“Não é coisa de petista. Já no governo Fernando Henrique, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação lingüística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo transforma qualquer idioma usado por uma comunidade humana.”

Oh, não me diga! Quem nega que a língua seja viva? Quem nega a existência de diferenças entre a norma culta e a fala? Quem nega a criatividade do falante no uso do próprio idioma? Uma coisa é descrever esses fenômenos, tentar entender a sua gênese, ver como podem servir ao ensino; outra, distinta, é negar as virtudes da norma. É a sua compreensão que permitirá ao aluno, é bom deixar claro, entender direito o que lê.

A ser como quer esse valentão todo cheio de si, muito cônscio da sua especialidade, os brasileiros se dividirão em grupos com determinado domínio da língua e viverão, como dizia aquela musiquinha, presos “a seu quadrado”. O especialista Bagno, tão “progressista”, é um notável exemplo de reacionarismo. A seguir seu modelo, em breve, a língua portuguesa será um arcano cujo domínio pertencerá à elite dirigente. O “povão”, este de que os petistas dizem gostar tanto, que se contente com o domínio precário do idioma. Por que ter mais? Para as universidades vagabundas do ProUni, tá bom demais!

Professor que usa as aulas para debater “preconceito lingüístico” está enganando. Ou joga fora o dinheiro público, se escola pública, ou o dos pais dos estudantes, se escola privada. É como se um professor de matemática ocupasse seu tempo provando a inutilidade da matemática. Muitos se espantam: “Mas por que os nossos alunos são, na média, incapazes de interpretar um texto”. Bagno diria que isso é mentira. É que deram ao jovens o texto errado… Eles precisam ler alguma coisa que seja própria de sua classe. ..

Bagno sai em defesa do petismo porque ele próprio floresce junto com o PT. É o “intelectual” símbolo da cultura disseminada pelos petistas, pouco importa se filiado ou não.

Para todos os efeitos, ele seria o amigo do “povão”, não os seus críticos. Questionado, imediatamente evoca a sua condição de “especialista”, o que não seria o caso dos adversários intelectuais. Propagando a ignorância, tornou-se um nababo da sua própria especialidade: depredar a norma culta da língua. Se alguém tem ainda alguma dúvida sobre qual é a dele, leiam este outro trecho de uma entrevista:

“Outro grande perpetuador da discriminação linguística são os meio de comunicação. Infelizmente, pois eles poderiam ser instrumentos maravilhosos para a democratização das relações linguísticas da sociedade. No Brasil, por serem estreitamente vinculados às classes dominantes e às oligarquias, assumiram o papel de defensores dessa língua portuguesa que supostamente estaria ameaçada. Não interessa se 190 milhões de brasileiros usam uma determinada forma linguística, eles estão todos errados e o que apregoam como certo é aquela forma que está consolidada há séculos. Isso ficou muito evidente durante todas as campanhas presidenciais de que Lula participou. Uma das principais acusações que seus adversários faziam era essa: como um operário sem curso superior, que não sabe falar, vai saber dirigir o país? Mesmo depois de eleito, não cessaram as acusações de que falava errado. A mídia se portava como a preservadora de um padrão linguístico ameaçado inclusive pelo presidente da República. Nessas sociedades e nessas culturas muito centradas na escrita, o padrão sempre se inspira na escrita literária. Falar como os grandes escritores escreveram é o objetivo místico que as culturas letradas propõem. Como ninguém fala como os grandes escritores escrevem, a população inteira em teoria fala errado, porque esse ideal é praticamente inalcançável.”

A pergunta que não quer calar: por que ele próprio se expressa segundo a norma culta? Mais: nessa entrevita, Bagno, agarrado à demagogia, diz que podemos, sim, cultivar e gostar da nossa língua, mas sem esquecer quantas pessoas sofreram para que ela se impusesse. Entendeu, leitor? A cada vez que você ler, sei lá, um verso de Camões, acenda uma vela para o grande cacique Touro Sentado…

Ministério da Desigualdade

Rolf Kuntz - O Estado de São Paulo

O nome oficial é Ministério da Educação, mas podem chamá-lo Ministério da Desigualdade. Ministério da Incompetência também serve: a palavra tanto se aplica à atuação de seus dirigentes quanto se aplicará à condição das vítimas do padrão educacional proposto no livro Por Uma Vida Melhor, comprado e distribuído pelo governo. A presidente Dilma Rousseff prometeu trabalhar pela redução da miséria. Se quiser fazê-lo, terá de cuidar da qualificação de milhões de brasileiros para o trabalho. Mais que isso, terá de promover sua preparação para trabalhar numa economia cada vez mais complexa e exposta à competição internacional. Tratar os pobres como coitadinhos e incapazes conduzirá ao resultado oposto. Se há preconceito, não é de quem considera errada a violação da gramática. Preconceituoso e elitista é quem condena o pobre a uma instrução de baixa qualidade e ainda o aconselha a contentar-se com isso.

Os problemas de formação profissional e o mau desempenho dos alunos brasileiros em testes de avaliação foram apontados com suficiente clareza em artigo de Carlos Alberto Sardenberg, publicado anteontem neste caderno. Concorrentes do Brasil, incluída a China, estão empenhados em oferecer uma educação muito melhor a seus estudantes. Em vez de tratar os pobres como inferiores, autoridades educacionais desses países cuidam de prepará-los para se igualar aos melhores do mundo.

Não é preciso insistir nesse ponto. Mas é indispensável chamar a atenção para a concorrência em outro nível. No Brasil, quem tem bom senso e condição econômica tenta oferecer aos filhos a melhor educação possível. Pais instruídos procuram boas escolas e valorizam aquelas conhecidas pelo alto padrão de exigência. Rejeitam a ideia do diploma conquistado pelo caminho fácil. Além disso, estimulam os filhos a frequentar cursos de línguas e a envolver-se em atividades intelectualmente estimulantes. Nas melhores escolas, crianças pré-adolescentes são treinadas para combinar criatividade e rigor. Assim como as autoridades dos países mais dinâmicos e competitivos, as famílias brasileiras mais atentas aos desafios do mundo real continuarão em busca dos padrões educacionais mais altos.

Famílias saídas há pouco tempo da pobreza também reconhecem a importância de oferecer uma boa formação a seus filhos e por isso procuram escolas particulares. "Meu filho só tem 5 aninhos e já está aprendendo a ler e a escrever. Nessa idade, na escola pública, ninguém sabe nada ainda", disse uma agente de saúde citada em reportagem publicada no Estado de domingo.

Outra personagem da história explicou: "Não é metideza, é necessidade. Eu trabalho como empregada doméstica o dia todo. Meu marido é coletor de lixo e também passa o dia fora. Pagar a escola para a Gecielle foi a melhor opção". Mas ela descobriu também outra vantagem: "Com meus outros dois filhos não pude (pagar). A situação era muito pior. Na escola pública onde eles estudam já teve tiroteio. Na da Gecielle não tem nada disso e ela ainda aprende mais, tem lição de casa e tudo". Pois é: ela aprende, tem lição de casa e a mãe se mostra convencida de ter feito um bom negócio. As duas entrevistadas apostam nos filhos, apertam o cinto para pagar a escola e têm uma clara visão dos problemas: crianças pobres aprendem, como quaisquer outras, quando têm oportunidade.

Tratar os pobres com paternalismo, como pessoas incapazes de aprender a língua oficial e de aguentar os padrões de uma escola séria, é condená-los a ficar para trás, marginalizados e limitados às piores escolhas. Apoiar essa política é agir como se o mundo fosse esperar os mais lentos. Em países com políticas sociais decentes a solução é dar um impulso extra às pessoas em posição inicial desvantajosa.

O paternalismo é muito mais vantajoso para quem concede benefícios do que para quem recebe. Massas protegidas por Pais ou Mães do Povo tendem a ser dominadas com facilidade e nunca exercem plenamente a cidadania. Tratá-las como pessoas irremediavelmente inferiores é condená-las a ser politicamente subdesenvolvidas. Ensiná-las a conformar-se com "nóis vai" e "os menino joga bola" é vedar-lhes o acesso a aprendizados mais complexos e à possibilidade de pensar livremente. As oportunidades serão cada vez mais limitadas para os monoglotas. Muito piores serão as condições dos semiglotas, embora alguns, muito raramente, possam até presidir um país.

A presidente Dilma Rousseff parece haver renunciado ao papel de Mãe do Brasil, planejado por seu antecessor e grande eleitor. Ao anunciar a intenção de oferecer aos pobres a porta de saída dos programas assistenciais, ela mostrou preferir um caminho mais democrático. Mas, para segui-lo, precisará livrar-se do entulho do paternalismo e da demagogia. Uma faxina no Ministério da Educação ajudaria muito.

O idioma é patrimônio da nação, não do MEC

Comentando a Notícia

Quanto mais o Ministério da Educação tenta se justificar em relação ao tal livro “Por uma vida melhor”, adotado em mais de 4 mil escolas públicas no país, distribuído a cerca de 500 mil alunos e bancado com dinheiro público, livro este que deseduca e desinforma e ainda cria, além da apologia ao erro, um preconceito onde não existe, mais insustentável fica o seu papel neste episódio.

Pressionado, a turma do ministério medíocre contra a educação, se saiu com esta pérola. O texto é de Cássio Bruno, para o Jornal O Globo. Comento em seguida.

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MEC lava as mãos no caso dos livros com erros

Professores condenam distribuição da obra: ‘Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância’

O Ministério da Educação informou que não se envolverá na polêmica sobre o livro com erros gramaticais distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático, do próprio MEC, a 485 mil estudantes jovens e adultos.

O livro "Por uma vida melhor", da professora Heloísa Ramos, defende uma suposta supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo a troca dos conceitos "certo e errado" por "adequado ou inadequado". A partir daí, frases com erros de português como "nós pega o peixe" poderiam ser consideradas corretas em certos contextos.

— Não somos o Ministério da Verdade. O ministro não faz análise dos livros didáticos, não interfere no conteúdo. Já pensou se tivéssemos que dizer o que é certo ou errado? Aí, sim, o ministro seria um tirano — afirmou ontem um auxiliar do ministro Fernando Haddad, pedindo para não ser identificado.

Escritores e educadores criticaram ontem a decisão de distribuir o livro, tomada pelos responsáveis pelo Programa Nacional do Livro Didático. Para Mírian Paura, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uerj, as obras distribuídas pelo MEC deveriam conter a norma culta:

— Não tem que se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular, não erudita, como se fosse um dialeto. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito.

Na obra "Por uma vida melhor", da coleção "Viver, aprender", a autora afirma num trecho: "Posso falar ‘os livro?’ Claro que pode, mas, dependendo da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito linguístico." Em outro, cita como válidas as frases: "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe".

Autor de dezenas de livros infantis e sobre Machado de Assis, o escritor Luiz Antônio Aguiar também é contra a novidade:

— Está valendo tudo. Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância. Estão jogando a toalha. Isso demonstra falta de competência para ensinar.

Segundo ele, o que estabelece as regras é a gramática.

— Imagina um jogo de futebol sem as linhas do campo. Como vão jogar futebol sem saber se a bola vai sair ou não? O que determina as regras é a gramática. Faltam critérios. É um decréscimo da capacidade de comunicação — observou Aguiar, também professor do curso "Formação de leitores e jovens leitores", da Secretaria municipal de Educação do Rio.

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COMENTO:
Veja que beleza o comportamento cretino do Ministério que deveria dedicar-se à educação mas que, por omissão ou pura bestialidade, abre mão do seu direito de resguardar e defender a educação do povo, para não parecer um tirano. Se alguma vez alguém abrisse concurso para expressões cretinas, por certo, e disparado, a justificativa acima seria vencedora. Não teria prá ninguém.

No artigo mais além com o qual encerramos esta edição, pus de lado a indignação e tratei de analisar o caso sobre o conceito correto do que seja “alfabetização”. Por ele, é possível compreender o quanto o MEC está fora de rota. Isto para se dizer pouco.

O leitor que acessar o artigo mais além compreenderá o que se move por detrás desta política da ignorância que o MEC tanto defende. De um lado, vejam como aqueles a quem pretensamente a política do erro pretende alcançar e proteger, acabam se voltando contra seus “iluminados”.

O jornal “O Estado de S. Paulo” destaca o crescimento do investimento de famílias das classes D e E em escolas particulares. O esforço financeiro, segundo a reportagem, obedece a diversas razões: a preocupação com a segurança, a ideia de que o ensino será melhor e, em alguns casos, a falta de vagas em escolas públicas.

O veículo analisa os dados do Ibope que revelam que, depois da ascensão da classe C, é a vez da D investir na escola particular e que as classes D e E representam hoje 1,6% nas estatísticas de gastos com educação no País. Uma outra tabulação, do Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, mostra que 21% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio da rede privada pertencem às classes D e E. Mais irônico impossível: enquanto o governo defende manter as classes D e E falando e escrevendo errado, elas próprias fogem como o Diabo da cruz em busca de melhor qualidade de ensino na rede privada.

E, por fim, vejam como o próprio MEC sequer sabe o que fazer para melhorar a educação brasileira. Enquanto o ministro Haddad defende o tal livro, o Enem exige norma culta. A aberração vai além: segundo o ministro, recolher exemplares da obra seria equivalente a praticar censura. Esperem aí: censurar seria proibir o livro de circular, o que ninguém até aqui requisitou, o que é diferente do que o MEC está fazendo ao distribuí-lo à rede pública e impor seus conceitos como regra didática. Já disse aqui que Heloisa Ramos tem o direito de acreditar e escrever sobre o que bem entender. Mas daí o MEC adotar a obra como “recomendada” aos estudantes vai uma abismal distância. Então, e fosse como entende o senhor Haddad, por que o ENEM adota e se orienta pelo conceito da escrita culta em suas provas?

A mesma orientação fez o coordenador do vestibular da UFRJ, Luiz Otávio Langlois.

— A universidade não vai mudar seus parâmetros do vestibular em cima de um livro. Na prova continuará valendo a norma culta da língua portuguesa — disse.

Haddad enfatizou que o compromisso da escola é com a norma culta. Beleza, e se é assim, que toda a obra que seguir orientação contrária, mesmo que liberada para ser comercializada livremente, seja descartada das recomendações da Política Nacional do Livro Didático. Porque, do contrário, é o próprio MEC adotando no ensino público a pedagogia da ignorância. Mesmo porque o Ministério da Educação não tem competência para agredir à gramática, que está acima dos conceitos e das vontades de educadores que, em nome de uma falsa modernidade, querem subordinar tanto a correção do idioma quanto o seu emprego, à sua própria ignorância e insignificância.

A pedagogia da ignorância

O Estado de São Paulo

Ao anunciar que o Ministério da Educação (MEC) não recolherá o livro didático com erros gramaticais distribuído a 485 mil estudantes, o ministro Fernando Hadad voltou a ser protagonista de confusões administrativas. Depois das trapalhadas que cometeu na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio em 2009 e 2010, agora ele afirma que não pode interferir no conteúdo das publicações adquiridas pelo Programa Nacional do Livro Didático nem julgar o que é certo ou errado em matéria de português, cabendo-lhe apenas decidir o que é "adequado" em política pedagógica.

Com isso, embora tenha por diversas vezes prometido melhorar a qualidade do ensino fundamental, Haddad, paradoxalmente, endossou a pedagogia da ignorância. Produzido por uma ONG e de autoria da professora Heloísa Ramos, o livro Por uma vida melhor defende a supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo que "é certo falar errado". Corrigir o erro é "preconceito". A tese não é nova, já foi rechaçada pela Academia Brasileira de Letras e sempre foi duramente criticada nas faculdades de pedagogia. Além disso, o livro do MEC que admite erro de português não é uma obra de linguística, mas uma publicação pedagógica. Não foi escrito para linguistas, mas para quem precisa de um bom professor de português para ler, falar e escrever de modo correto - condição básica para que se possa emancipar culturalmente.

"Não tem de se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito", diz a professora Míriam Paura, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. "Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo. A outra é validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre doze, seja na periferia ou no palácio", afirma o escritor Marcos Vilaça, presidente da ABL.

Sem argumentos para refutar essas críticas, o MEC alegou que a aquisição do livro Por uma vida melhor foi aprovada por "especialistas", com base em parecer favorável de docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e afirmou que o edital para a aquisição de livros didáticos enfatiza a importância de "novos tipos de reflexão sobre o funcionamento e as propriedades da linguagem em uso" e da "sistematização dos conhecimentos linguísticos correlatos mais relevantes". Isso dá a medida da falta de rigor do processo de escolha, que "desperdiça dinheiro público com material que emburrece, em vez de instruir", como diz a procuradora da República Janice Ascari.

A autora do livro politizou a discussão. "No tempo em que só a elite ia para a escola, talvez a norma culta bastasse. Hoje, com o acesso da classe popular, a formação tem de ser mais ampla. Nosso livro é direcionado para aquele que pode ter sido discriminado por falar errado", disse ela. Em outras palavras, exigir a correção de linguagem é ser preconceituoso. A reação foi imediata. "É um absurdo esse paternalismo condescendente de não corrigir erros gramaticais. Com isso, consolida-se o conceito de coitadinho, pernicioso e prejudicial ao desenvolvimento dos cidadãos. Qualquer um pode cometer os barbarismos linguísticos que quiser, mas deve saber que eles só se sustentam dentro de um contexto e têm preço social", diz a escritora Ana Maria Machado, doutora em Linguística e Semiologia, integrante da ABL e ganhadora do Prêmio Hans Christian Andersen - o Nobel da literatura infantil.

Como o País tem um padrão de ensino reconhecidamente baixo, o que se deveria esperar do MEC é um mínimo de responsabilidade na escolha dos livros didáticos distribuídos na rede pública. Ao impor a pedagogia da ignorância a pretexto de defender a linguagem popular, as autoridades educacionais prejudicam a formação das novas gerações.

É por isso que um grupo de membros do Ministério Público, liderado pela procuradora Janice Ascari, anunciou que processará o MEC por "crime contra a educação".

O projeto ‘politicamente correto’ de país

O Globo – Editorial

É por si só assustador que o ministério denominado de Educação aprove um livro didático que admita erros de português, e se recuse a recolhê-lo. As entranhas desta história, porém, são até mais graves.

A autora do desatino, Heloísa Ramos, tem uma justificativa articulada para admitir, em livro a ser usado em sala de aula, erros toscos de concordância verbal.

Em vez de “certo” e “errado”, a autora usa os adjetivos “adequada” e “inadequada” para qualificar a gramática utilizada, a depender do ambiente social de cada um.

A explicação enviesada serve de pista para a origem do absurdo. Este atentado à educação pública brasileira, considerada por unanimidade o maior empecilho a que o país atinja um estágio superior de desenvolvimento e se mantenha nele, se assenta numa visão ideológica da sociedade alimentada pela “mitologia do excluído”, ligada à “síndrome da tutela estatal”.

Todo aquele considerado “excluído” da sociedade precisa de um tratamento especial — de acordo —, a lhe ser concedido por um Estado que tudo sabe e toma decisões supostamente corretas para resgatar pessoas da exclusão. Aqui estão os problemas.

É por ser um projeto estruturado, de raízes bem fincadas em Brasília nestes últimos oito anos, que o MEC se curva à escolha do livro sob a alegação de que ele passou pelo crivo de professores universitários. Ora, que seja.

O MEC não pode admitir quaquer material didático, em nome do que for, com erro. “Nós pega o peixe” está tão errado quanto dizer que a soma de 2 + 2 é igual a 5. Deriva desta mesma mitologia do excluído o projeto, também engendrado no MEC, de fechar espaços de excelência há gerações a serviço do ensino de crianças com deficiências auditivas e visuais.

Por esta ideologia deformada, os alunos estão sendo “excluídos” da sociedade, ao terem um adequado atendimento especial. Mas é o contrário: fechados esses espaços (no Instituto Nacional de Educação de Surdos/Ines e no Instituto Benjamin Constant/IBC), estará, aí sim, decretada a marginalização dos portadores de necessidades especiais.

É característica desta cultura do politicamente correto produzir projetos com sérios efeitos colaterais. Um aluno que imagina poder atropelar as regras de concordância será condenado a empregos de baixa remuneração. Crianças com problemas físicos, sem professores e escolas preparados para elas, estarão de fato excluídas da sociedade.

Outro fruto legítimo deste projeto politicamente correto de país são as cotas raciais, em que o mérito fica em segundo plano, e toda a população branca de baixa renda terá barrado o acesso ao ensino superior. Ou, no mínimo, bastante dificultado.

Por trás de tudo está o entendimento de que cabe a um Estado forte, onipresente, zelar pela sociedade — mesmo que ela não queira. Decorre da síndrome da tutela estatal, num exemplo recente, a lei que estabelece a bizarra norma de roupas de baixo femininas e masculinas virem com etiquetas de alertas para cuidados com a saúde.

A mesma síndrome é responsável por tentativas ilegais da Anvisa de censurar peças publicitárias (apenas lei aprovada no Congresso tem este poder).

Até layout de farmácia foi regulamentado para evitar a “automedicação” (?!).

O livro de português com erros não é portanto algo isolado. Apenas se trata de um caso mais escabroso, decorrente da influência do politicamente correto em Brasília.

Por uma vida pior

Dora Kramer, O Estado de São Paulo

O Ministério da Educação decidiu não tomar conhecimento da adoção em escolas públicas do livro Por uma Vida Melhor, que “ensina” a língua portuguesa com erros de português. Avalizou, quando autorizou a compra e a distribuição, e depois corroborou seu apoio àquela ode ao desacerto ao resolver que a questão não lhe diz respeito.

Fica, portanto, estabelecido que o ministério encarregado dos assuntos educacionais no Brasil, além de desmoralizar os mecanismos de avaliação de desempenho escolar, não vê problemas em transmitir aos alunos o conceito de que as regras gramaticais são irrelevantes.

Pelo raciocínio, concordância é uma questão de escolha. Dizer “nós pega o peixe” ou “nós pegamos o peixe” dá no mesmo. “Os menino” ou “o menino”, na avaliação do MEC, são duas formas “adequadas” de expressão, conforme o conceito adotado pela autora, Heloísa Ramos, note-se, professora.

A opção pelo correto passa a ser considerada explicitação de “preconceito linguístico”.

De onde, “nós vai ao mercado todos os dias” pode ser um exemplo de construção gramatical plenamente aceitável em salas de aula e fora delas. “As notícia” também “poderá” ser “apresentada” todas as noites nos jornais de televisão sem que os apresentadores sejam importunados por isso.

Ironias à parte, o assunto é da maior seriedade. Graves e inacreditáveis tanto a tese defendida pela professora quanto a posição do ministério em prol da incultura que apenas dificulta o acesso a uma vida melhor. Aceitar como correta a argumentação de que a linguagem oral se sobrepõe ao idioma escrito em quaisquer circunstâncias e que não existe mais o “certo” nem o “errado”, mas sim o “adequado” e o “inadequado” em face das deficiências educacionais, equivale a aceitar a revogação de todas as regras.

Não apenas do português, mas de todos os outros itens que compõem o currículo escolar. Com precisão, a escritora Ana Maria Machado exemplifica: “Seria como aceitar que dois mais dois são cinco”.

Ou consentir na adaptação da história e da geografia ao estágio do conhecimento de cada um.

Tal deformação tem origem na plena aceitação do uso impróprio do idioma por parte do ex-presidente Lula, cujos erros de português se tornaram inimputáveis, por supostamente simbolizarem a mobilidade social brasileira.

Corrigi-los ou cobrar o uso correto da língua pelo primeiro mandatário da nação viraram ato de preconceito.

Eis o resultado da celebração da ignorância, que, junto com a banalização do malfeito, vai se confirmando como uma das piores heranças do modo PT de governar.

Multiplicação.
Amigos e correligionários manifestaram confiança na lisura e nas explicações do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para o crescimento de seu patrimônio de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões em quatro anos.

Confiança essa da qual poderão desfrutar também o restante dos brasileiros assim que o ministro deixar de lado as evasivas a informar exatamente como amealhou o capital.

O governo tentará deixar por isso mesmo, mas cabe ao ministro notar que seu histórico e suas pretensões não permitem acúmulo desse tipo de passivo.

Blefe.
Os produtores rurais têm pressa de aprovar o novo Código Florestal antes de expirar, em 11 de junho próximo, a validade do decreto que suspendeu temporariamente as punições a proprietários rurais que não tenham em suas terras o porcentual de mata nativa recomendado por legislação ambiental de 1998.

Mas o governo também tem muito interesse nisso porque, uma vez extinto o decreto, o poder público vai se deparar com a necessidade de dar uma solução para a quase totalidade dos produtores que amanheceriam o dia 12 de junho na ilegalidade.

Se não prorrogar o decreto, ver-se-á na desagradabilíssima contingência de se indispor com todo o setor agrícola. Sem falar no esforço que precisará empreender para fiscalizar e multar a nova gama de infratores.

Tu já pensou?

Ateneia Feijó – Blog do Noblat

Aprovado pelo MEC, o livro didático "Por uma vida melhor", da coleção "Viver, aprender", caiu na boca do povo. O motivo? A autora Heloisa Ramos considera correto se falar e escrever sem regras gramaticais. Imaginei que o tema seria um prato cheio em conversas apenas entre mestres e professores obedientes à norma culta.

Mas os exemplos lançados no livro, como o "nós pega o peixe", acabaram esquentando tanto a discussão que ela pipocou no meio leigo. A polêmica, contrários versus favoráveis à norma popular nas salas de aula, ficou ainda mais acalorada.

Foi nesse clima que ouvi uma babá e sua colega, que cuidavam de duas crianças numa pracinha, a falar do assunto e de seus próprios filhos estudantes em escola pública:

- Tu já pensou? Só criança de bacana vai ter direito de aprender certo.

- Brincadeira... Não botei minha filha na escola pra ela acabar igual eu!

Depois, ao parar na banca de jornal, fiquei na escuta numa roda de bate-papo. Um papeador insinuou que o livro em questão seria para justificar a falta de cultura do ex-presidente. A politização do tema não seguiu em frente porque um outro contrapôs, dizendo que Lula é "um comunicador popular".

Na verdade, estavam todos mais preocupados com a atitude da garotada daqui por diante. Alguém foi cruelmente taxativo: "Coitada da professora de português!"

A coisa é séria. Muitas vezes o aluno mais criativo e que desenvolve melhor uma redação não tem qualquer reconhecimento. Tira nota baixa e se sente desprezado. Por quê? Porque comete erros gramaticais. Se isso acontece por uma dificuldade originada na falta de instrução de sua família, então ele deveria merecer mais atenção do professor.

Há diferença entre escrever bem e escrever certo. Escrever bem é uma aptidão a ser valorizada e estimulada. Jamais desprezada. Já escrever certo depende de estudo e prática em gramática; a qual se aprende na escola e durante toda a vida. Até como uma forma de ascender socialmente. Falar certo, idem. Pessoas escolarizadas ou autodidatas são as que conseguem se expressar bem e certo.

E a linguagem popular? Caracteriza-se por ser livre, diversa: em regionalismos, dialetos, gírias, internet... Em prosa, verso, cordel, letra de músicas. Também faz parte da ciência linguística.

O livro "Por uma vida melhor" confunde as funções de um linguista com as de um professor de português. Numa sala de aula, um professor tem que ensinar o aluno a gostar de aprender. Ponto. (Sem preconceito.)

Se pelo menos ensinassem Português

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de São Paulo

Os brasileiros falam de muitos modos. Há alguns programas de rádio no Nordeste que são simplesmente incompreensíveis para os paulistas. Um linguajar gaúcho bem cantado soa difícil em Manaus. Mas, quando se trata de estudar Matemática ou Ciências, todos os alunos brasileiros precisam saber o português, digamos, oficial, a chamada norma culta. Ou, ainda, quando uma companhia de Tecnologia da Informação (TI) lança um novo produto, uma máquina têxtil, por exemplo, o manual estará escrito no português normatizado, o dos dicionários.

Logo, as escolas brasileiras devem ensinar esse português, certo? Não é bem assim - é o que estão dizendo professores e linguistas alinhados na tese de que não há o certo e o errado no uso da língua. Há apenas o adequado e o inadequado. Assim, "nós pega o peixe" não está errado. E se alguém disser que é, sim, errado, estará cometendo "preconceito linguístico".

Essa tese se encontra no livro Por Uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender (Editora Global), que foi adotado, comprado e distribuído pelo Ministério da Educação a milhares de alunos. Daí a polêmica: trata-se de um livro didático, não apenas de uma obra de linguística.

Mas a polêmica está tomando caminhos equivocados. O pessoal favorável a essa tese argumenta com a variedade da língua falada e com a evolução permanente da língua viva, acrescentando algumas zombarias com o que consideram linguajar culto, das elites, mas que não passa de um falar empolado.

Um velho amigo se divertia fazendo frases assim: "ele saiu em desabalada carreira pela via pública", em vez de "ele foi correr" ou "fazer jogging".

Brincadeiras. No entanto, um aluno de 15 anos deveria rir dessa brincadeira.

O que o senhor acha, caro leitor? O aluno médio de uma escola pública brasileira perceberá o jogo com aquelas palavras? Entenderá sem esforços que se trata de um modo rococó de dizer algo simples?

Eis o equívoco em que nos estamos metendo. Em vez de tomar como prioridade absoluta o ensino da língua "oficial", aquela na qual vêm escritos os jornais, os manuais de TI, os livros de Matemática e os de Ciências, abre-se um debate para dizer que as crianças brasileiras podem falar e escrever "os menino pega os peixe".

É claro que podem. Mas precisam saber que esse não é o correto. E, se não souberem o correto, não poderão ler aquilo que os vai preparar para a vida profissional e para a cidadania.

Vamos falar francamente: uma pessoa que se expressa mal, que conhece poucas palavras e poucas construções, é uma pessoa que pensa mal, que compreende pouco.

Os alunos de Xangai foram muito bem no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) - o teste internacional para jovens do ensino médio, aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prova avalia o conhecimento da língua, Matemática e Ciências. Na imensa China, entre 1,35 bilhão de habitantes, falam-se muitas línguas e muitos dialetos. Mas há uma língua oficial, escrita e falada, na qual os chineses estão alcançando posições de ponta na ciência e na tecnologia. Ensinam a língua intensamente.

Os alunos brasileiros vão mal no Pisa. Apresentam baixíssimo índice de compreensão de textos. Não sabem Português, e esse é um problema social e econômico. A baixa educação simplesmente condena à pobreza.

Dizer aos meninos, em livros didáticos, que "nós pega o peixe" está certo não é apenas um equívoco, é um crime. E discutir essas teses é perda de tempo, energia e dinheiro.

É como se tivessem desistido. Como não se consegue ensinar o Português, então vale o modo errado. E quem pensa diferente é preconceituoso. E então não precisa ensinar mais nada, não é mesmo?

Nossos professores, educadores e linguistas deveriam concentrar seus esforços num tema: como ensinar a língua culta para todos os alunos das escolas públicas e rapidamente. Conseguido isso, depois que nossas notas no Pisa alcançarem os primeiros lugares, então, tudo bem, vamos discutir as variações e os modos populares.

Nada de mais.
O ex-vice-presidente da República e ex-senador Marco Maciel tem certamente uma ampla experiência política para transmitir. Mas não em assuntos de turismo e trânsito na cidade de São Paulo.

Mesmo assim, o prefeito Gilberto Kassab o nomeou conselheiro da São Paulo Turismo e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), cargos que exigem uma reunião mensal e pagam R$ 6 mil ao mês, cada.

Maciel aceitou. E desistiu das vagas na quinta-feira, 15 dias depois de ter sido nomeado. Disse que vai continuar lutando pelos "princípios sociais-liberais".

O prefeito não falou nada. Nomeou, desistiu, pronto, não tem nada de mais.

E, entretanto, os dois políticos revelaram um total descaso pelo cidadão (e contribuinte) paulistano.

O trânsito em São Paulo é um desastre. A cidade se pretende de "turismo de negócios", mas não tem hotéis nem centros de convenção suficientes nem estádio para a Copa do Mundo. Não há nenhum programa estrutural do prefeito para esses dois gargalos da metrópole.

Ou seja, nem Kassab poderia ter nomeado nem Maciel ter concordado. Só desistiram porque pegou mal na imprensa. Nenhum pedido de desculpas. Danem-se os moradores presos no trânsito.

A indignação dos brasileiros sensatos barra o avanço dos professores de ignorância

Augusto Nunes, Veja online

“Por que, em educação, todo mundo acha que conhece os assuntos e pode falar com propriedade? “, irritou-se a professora Heloísa Ramos. “Esse assunto é complexo, é para especialistas”. Segundo a autora de “Por uma vida melhor”, um linguista tem o direito de ensinar que falar errado está certo sem que ninguém tente defender o idioma e os estudantes. Feito o preâmbulo, Heloísa baixou o decreto: “Eu não admito mais que alguém escreva que nosso livro ensina a falar errado ou que não se dedica a ensinar a norma culta”.

Tão infeliz quanto a já famosa ”Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”, abre-alas do desfile de absurdos patrocinado pelo Ministério da Educação, a frase foi pulverizada por quem trata o português com o carinho que lhe negam os demagogos da linguística. Três exemplos:

Clóvis Rossi, colunista da Folha de S. Paulo:Os autores do crime linguístico aprovado pelo MEC usam um argumento delinquencial para dar licença para o assassinato da língua: dizem que quem usa ‘os livro’ precisa ficar atento porque ‘corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico’. Absurdo total. Não se trata de preconceito linguístico. Trata-se, pura e simplesmente, de respeitar normas que custaram anos de evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras”.

Merval Pereira, colunista de O Globo: “A pretexto de defender a fala popular como alternativa válida à norma culta do português, o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros, que terão efeito direto na sua vida na sociedade e nos resultados de exames, nacionais e internacionais, que avaliam a situação de aprendizado dos alunos, debilitando mais ainda a competitividade do país”.

Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras: “Discordo completamente do entendimento que os professores que fizeram esse trabalho têm. Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo, a outra é validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre 12, na periferia ou no palácio”.

Suponha-se que um ex-aluno de Heloísa Ramos resolva dispensar a norma culta na defesa oral de uma tese de doutorado. Suponha-se que faça parte da banca examinadora algum sacerdote da seita que acredita que na linguagem popular, como nos piores bordéis, tudo é permitido. As regras só valem para a linguagem escrita. Suponha-se que o expositor comece a apresentação saudando os integrante da mesa e os professor presente. Como reagiria o lingtuista do povo? Com aplausos e gritos de “bravo!”? Ou com um pedido antecipado de desculpas ao candidato a doutor condenado à reprovação?

Indiferente a exemplos do gênero, surdo ao coro dos sensatos, o MEC comunicou que não pretende recolher os exemplares distribuídos a 485 mil estudantes, jovens e adultos, pelo Programa Nacional do Livro Didático. A escolha das obras é feita por professores universitários, esclareceu um dos porta-vozes do silencioso Fernando Haddad. E é preciso respeitar a autonomia do campus. “Por uma vida melhor”, por exemplo, teve o aval de um grupo de docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

O MEC vai acabar mudando de ideia por força de ações judiciais, previne a procuradora Janice Ascari, do Ministério Público Federal. Aturdida com o que leu, Janice mandou um recado em bom português aos editores e autores: “Vocês estão cometendo um crime contra os jovens, prestando um desserviço à educação e desperdiçando dinheiro público com material que emburrece em vez de instruir”. Os livro pode ser emprestado a quem os autor quiser. Mas os brasileiros que mantêm o juízo e cada plural em seu lugar já mostraram que não vão admitir o triunfo dos professores de ignorância.

Para presidente da ABL, obra ‘valida erros grosseiros’

Dandara Tinoco, O Globo


Marcos Vilaça, presidente de Academia Brasileira de Letras

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marcos Vilaça, criticou ontem a adoção, pelo Ministério da Educação, do livro "Por uma vida melhor", que aceita o uso da linguagem popular com erros como "nós pega o peixe".

— Discordo completamente do entendimento que os professores que fizeram esse trabalho têm. Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo, a outra e validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre 12, na periferia ou no palácio — afirmou.

Vilaça foi enfático ainda ao comentar a declaração de um auxiliar do ministro Fernando Haddad, que ontem afirmou que o MEC não é o "Ministério da Verdade":

— Na língua, deveria ser (ministério) da verdade, sim.

No início da noite de ontem, a Academia divulgou uma nota oficial em que diz discordar da posição do ministério e que estranha "certas posições teóricas dos autores de livros".

Segundo a ABL, embora todas "as feições sociais" da Língua Portuguesa constituam objeto de análise para disciplinas científicas, o professor espera que os livros respaldem o uso da língua padrão, "variedade que eles (os alunos) deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona".

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Responsável por livro admite mudar texto
Responsável pela produção do livro didático "Por uma vida melhor", da Editora Global, a ONG Ação Educativa admite que poderá mudar o texto, numa eventual nova edição.

É o que disse ontem a coordenadora-geral da ONG, Vera Masagão. Ela classificou como infeliz a frase que considera correto, em certos contextos, falar com erros de concordância:

— Não acho que seja necessário recolher os livros, de forma nenhuma. Eventualmente, numa próxima vez, a gente pode colocar uma frase que não gere mal-entendidos. Concordo que a frase é infeliz, ainda mais destacada do contexto.

"Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar os livro?’. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico", diz a frase criticada por ela.

Para Vera, a leitura integral do capítulo deixa claro que o foco é o ensino da norma culta da língua. O capítulo se chama "Escrever é diferente de falar".

O professor Marcos Bagno, da Universidade de Brasília (UnB), disse que não há motivo para polêmica, porque já faz mais de 15 anos que os livros didáticos de língua portuguesa aprovados pelo MEC abordam o tema da variação linguística:

— Não é coisa de petista. Já no governo Fernando Henrique, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo transforma qualquer idioma usado por uma comunidade humana.

Visão perversa

Merval Pereira, O Globo

Há um aspecto perverso nessa crise do livro didático de português, que o MEC insiste em manter em circulação, que ultrapassa qualquer medida do bom-senso de um governo, qualquer governo.

A pretexto de defender a fala popular como alternativa válida à norma culta do português, o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros, que terão efeito direto na sua vida na sociedade e nos resultados de exames, nacionais e internacionais, que avaliam a situação de aprendizado dos alunos, debilitando mais ainda a competitividade do país.

O ministro Fernando Haddad, que já protagonizou diversas confusões administrativas, agora se cala diante dessa "pedagogia da ignorância" que apresenta aos alunos da rede pública a defesa de erros de português, como se fossem corretas ou aceitáveis expressões populares como "nós pega o peixe" ou "dois real".

(Aliás, cada vez que escrevo essas frases, o corretor de texto teima em sublinhá-las em verde, como se estivessem erradas. Esse computador ainda não passou pelo crivo do MEC).

Mas é o próprio MEC que veicula anúncios exaltando supostos avanços dos alunos brasileiros no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

O país registrou crescimento em todas as notas, embora continue muito abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e mesmo de alguns da América Latina.

Ora, se o próprio governo baliza sua atuação pela régua do Pisa, como justificar que a defesa de uma alternativa da fala correta seja uma política oficial do Estado brasileiro?

A professora Heloísa Ramos, autora do livro "Por uma vida melhor", da Coleção Viver, Aprender (Editora Global) acredita ser "importante que o falante de português domine as duas variantes e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala".

Seria preciso então que as escolas e faculdades ensinassem o português popular para os que foram alfabetizados pela norma culta, numa radicalização esdrúxula que esse raciocínio estimula.

O caráter ideológico de certos livros didáticos utilizados pelo MEC, especialmente de história contemporânea, ganha assim uma nova vertente, mais danosa que a primeira, ou melhor, mais prejudicial para a vida do cidadão-aluno.

Enquanto distorções políticas que afetem posições pessoais do aluno podem ser revertidas no decorrer de sua vida, por outros conhecimentos e vivências, distorções didáticas afetam a perspectiva desse aluno, que permanecerá analfabeto, sem condições de melhorar de vida.

Fosse o livro uma obra de linguística da professora Heloísa Ramos, nada a opor quanto à sua existência, embora seus métodos e conclusões rasteiras do que seja preconceito contra a fala popular possam, sim, ser refutados como uma mera mistificação política.

Se fosse um romance, não haveria problema algum em reproduzir a maneira de falar de uma região, ou os erros de português de um personagem.

Mas o livro didático não pode aceitar como certo o erro de português. Didática, pelo dicionário (?) é "a arte de transmitir conhecimento, técnica de ensinar" ou "que proporciona instrução e informação".

O fato de falarem de certa maneira em algumas regiões não quer dizer que este ou aquele linguajar represente o português correto.

A visão deturpada do que seja ensinar aparece na declaração de um assessor anônimo do MEC no GLOBO de ontem, alegando que não cabe ao ministério dizer "o que é certo e o que errado", e nem mesmo fazer a análise do conteúdo dos livros didáticos.

Se não exerce esses deveres básicos, o que faz o MEC em relação ao ensino do país?

Seria um equívoco lamentável e perigoso se o MEC, com essa postura, estivesse pretendendo fazer uma política a favor dos analfabetos, dos ignorantes, como se ela fosse a defesa dos que não tiveram condições de estudar.

Na verdade, está é agravando as condições precárias do cidadão-aluno que busca na escola melhorar de vida, limitando, se não impossibilitando, que atinjam esse objetivo.

Se, porém, a base da teoria for uma tentativa de querer justificar a maneira como o presidente Lula fala, aí então teremos um agravante ao ato criminoso de manter os estudantes na ignorância.

Querer transformar um defeito, uma falha da educação formal do presidente-operário, em uma coisa meritória é um desserviço à população.

Os erros de português de Lula não têm mérito nenhum, ele os explora para fazer política, é um clássico do populismo, cuja consequência é deseducar a população.

Mas ele nunca teve a coragem de defender a fala errada, embora goste de ironizar palavras ou expressões que considera rebuscadas.

Ele desvaloriza o estudo, com frases como "não sei por que estudou tanto, e eu fiz mais do que ele", ou quando se mostra como exemplo de que é possível subir na vida sem estudar.

Mas em outras ocasiões, estimula que a universidade seja acessível a todos, numa atitude que parece paradoxal, mas que ganha coerência quando se analisam os objetivos políticos de cada uma das atitudes.

Se, no entanto, o desdém pela norma culta do português transformou-se em política de Estado, aí teremos a certeza de termos chegado ao fundo do poço.

O inenarrável horror do conhecimento

Mario Guerreiro, Instituto Millenium

Num de seus magníficos poemas, o maior poeta da língua portuguesa, Fernando Pessoa, falava do “horror de conhecer”. Talvez tenha exagerado a dose, mas supondo que ele esteja certo, o povo brasileiro é o mais feliz do mundo, já que geralmente não faz a menor idéia do quanto é ignorante. Padece de um mal que desconhece: a epistemofobia crônica.

De minha parte não reivindico a criação desse neologismo composto das palavras gregas episteme (conhecimento) e phobia (temor patológico, horror). Simplesmente ignoro se algum conhecedor de grego clássico e dotado de espírito criativo cunhou “epistemofobia” antes de mim. Mas quem foi a mãe da invenção pouca importância tem, uma vez que é desnecessário saber a língua de Sócrates e Eurípedes, para já ter surpreendido o mal específico a que a expressão se refere.

No entanto, poucos espíritos nesta “Terra das Palmeiras” – Pindorama, de acordo com seus habitantes pré-descoberta – têm consciência do tamanho da ignorância da avassaladora maioria dos seus compatriotas pós-descoberta.

Mas, dizendo isso, não pretendo sugerir nenhum contraste entre os colonizadores europeus e os “nobres selvagens” inventados pela imaginação doentia de J.J. Rousseau. Não sou um autor romântico indianista nem muito menos acólito do terceiromundismo. Além disso, já li e entendi muito bem o livro do venezuelano Carlos Rangel: “Do bom selvagem ao bom revolucionário” (Editora da Universidade de Brasília, 1981) – leitura imperdível, para quem deseja conhecer essa América Latina e, em particular, o Brasil.

O fato, o lamentável fato é que o povo brasileiro é muito ignorante. E o que é pior: é tão ignorante que não manifesta o menor desejo de sair da sua condição pela aquisição do conhecimento. Sente-se muito bem na sua condição de epistemófobo convicto, tal como um Presidente da República que se orgulhava de ter chegado onde chegou, apesar de ser um perfeito apedeuta. E pensar que somente 4% dos eleitores acharam seus dois governos ruins ou péssimos…

Quem tem lido meus escritos em diversos sites da Internet já percebeu que este artigo prenuncia uma conclusão implícita em muitos artigos, mas, para quem não os leu, posso apresentar algumas evidências disso que estou falando, de modo a afastar a idéia de que tudo não passa de um suposto desejo de épater le bourgeois com um discurso frívolo e sensacionalista.

Será preciso dizer que o ensino neste País, em todos os graus, é um verdadeiro descalabro e um verdadeiro crime contra as futuras gerações cometido pelos responsáveis pela educação? No entanto, se a população desse importância ao conhecimento, há muito já teria exigido dos governantes sérias providências para erradicar essa calamidade. É um grave erro pensar que os protestos do povo nunca alcançam os ouvidos moucos de seus representantes políticos. Eles não podem ser totalmente indiferentes aos veementes apelos de quem os elegeu e poderá reeleger, por uma simples questão de sobrevivência nos seus cargos.

Será que os lestrigônios brasileiros, desmemoriados que são, já se esqueceram de movimentos populares como o “Diretas já!, “Fora Collor!”, etc., que acabaram produzindo efeitos políticos como a eleição de um Presidente – indireta, mas não menos democrática – e o impeachment de outro?

No entanto, parece que o povo não se sentiu fortemente indignado e ao ponto de realizar uma forte mobilização exigindo “Fora corrupção!”, “Boa educação já!”.

Pode-se dizer que o povo é como os atores de cinema na visão do grande diretor Hitchcock, o mestre do suspense. Ele dizia que os atores são como gado e que o diretor os conduz para onde bem entender.

Grande presunção? Talvez. Mas o fato é que, em “Os pássaros”, Hitchcock escolheu como atriz principal uma falsa loura que fazia comercial de sabão em pó na televisão. E o desempenho da moçoila foi impecável. Em “Janela indiscreta”, um de seus melhores filmes, o ator principal foi James Stewart, famoso canastrão de filmes de faroeste. E seu desempenho foi excelente! Parece que, nas mãos de Hitchcock, Tarcísio Meira vira Anthony Hopkins e Xuxa vira Meryl Streep.

O fato é que não existe movimento de massa espontâneo. Sem liderança capaz de mobilizar e direcionar um protesto, qualquer movimento não passa de mera arruaça, desprovida de finalidade precisa e incapaz de produzir grandes efeitos políticos.

Sem as grandes lideranças de Washington, Jefferson, Adams, etc., a Revolução Americana não passaria de focos isolados de rebeliões facilmente debelados pelas tropas inglesas. E de nada adiantaria o grito do Ypiranga, se as lutas pela Independência não fossem lideradas pela firme determinação de D. Pedro I, verdadeiro herói romântico, como Byron e Garibaldi!

É duro, mas é verdade: o povo brasileiro acha-se satisfeito com sua indigência cultural e nem sequer faz idéia da importância da educação, não só para o enriquecimento do espírito como também para a sua prosperidade e a de seu País.

A educação é essencial não só para o desenvolvimento econômico como também para uma democracia não descambar para uma oclocracia, como temia justificadamente Tocqueville em “A democracia na América”. Sem mão-de-obra bem qualificada não adianta ter alta tecnologia. Sem eleitores conscientes de seus direitos e deveres e chafurdando no pântano da ignorância, só serão eleitos representantes da mesma espécie ou pior.

Mas se o povo não deseja educação por desconhecimento do valor da mesma, os políticos não a desejam por esperteza. É mais fácil engabelar multidões de analfabetos funcionais do que um povo consciente de seus direitos como cidadãos que, entre outras coisas, é achacado pela mais alta carga tributária do mundo e na sua santa ignorância pensa que imposto é problema de rico e que ele, povo, não paga impostos quando compra pacotes de feijão e de arroz. O que os olhos não vêem o coração não sente…

Mas se acontecesse o improvável: os impostos fossem destacados dos preços de caixa das mercadorias? Ah! Isto o povo nem sonha e os políticos não querem! O povo jamais deve ficar sabendo que paga, no mínimo, uns 20% de impostos em cada mercadoria que compra! E para que? Ora, para sustentar isso que, em raro momento de inspiração, Nietzsche epitetou de “o monstro mais frio de todos os monstros frios”, ou seja: o Estado Máximo.

O Iluminismo é uma paisagem distante das belas praias de Pindorama, onde se banham os filhos de Macunaíma – “um herói sem nenhum caráter, o herói da nossa gente”, segundo os epítetos de Mario de Andrade – com sua frivolidade de Maria Antonieta, hedonismo de carpe diem horaciano e ignorância de Crassus, a assim chamada ignorância crassa.

Exemplo mais contundente foi a recente eleição para deputado federal do Estado mais rico da Federação de um palhaço analfabeto funcional, e com mais de um milhão de votos! Palhaços mesmo são seus eleitores ao se identificarem com ele.

E ainda por cima este mesmo bufão, uma vez atuando em sua função de representante do povo, acabou sendo eleito membro de uma Comissão de Educação do Congresso Nacional. Não há dúvida de que isso está de pleno acordo com a presença de Renan Calheiros na Conselho de Ética do Senado. Se é escolhido um cego como programador visual, por que não um perneta para bater um pênalti numa partida decisiva?

Entre os efeitos práticos, temos os de que faltam empregos para mão-de-obra não-qualificada e sobram os para mão-de-obra altamente qualificada. Que fazer? Exportar trabalhadores do primeiro tipo e importar os do segundo?!

Na realidade, o Brasil até já exportou os primeiros para os Estados Unidos e Portugal, mas só não tem importado os segundos por uma questão de “responsabilidade social” das empresas.

Os empregados têm que ser nossos, ainda que sejam meramente virtuais. E não podem ser despedidos em nome da contenção de despesas e do lucro da empresa, sob o risco de o próprio diretor da empresa ser ele mesmo despedido, como foi Roger Agnelli da Vale. Na realidade, essa tal de “responsabilidade social” não passa de “irresponsabilidade socialista”. Não produz lucros, mas rende muitos votos no País dos Analfabetos!

E é por isso que já dizia o saudoso Roberto Campos, um dos brasileiros que tiveram a mais aguçada consciência dos grandes males que nos assolam: “No Brasil, a burrice tem um passado glorioso e um futuro promissor”. E os brasileiros ainda costumam contar piadas de português…

Mais duas provas disso que estou afirmando: em artigos recentes, comentei o resultado da pesquisa feita pelo THE (Times Higher Education), instituição britânica avaliadora do desempenho do ensino superior em todo mundo. Nossa melhor universidade, a USP, foi classificada abaixo das 200 melhores em diversos países!

Comentei também o de uma instituição avaliadora da proficiência em inglês por não-nativos Nessa outra pesquisa foram testadas dois milhões de pessoas, de 16 a 30 anos, em 44 países. O Brasil foi classificado no 31.o lugar, isto mesmo: trigésimo-primeiro lugar dos 44 países examinados, ficando atrás de, por exemplo, Portugal, Argentina, México, Arábia Saudita e até mesmo de El Salvador, aquele pequeno país pobre da América Central.

É mole ou quer mais? Você ainda acha que não passa de grande exagero de expressão dizer que o Brasil é o “País dos analfabetos”? Cai na real, mermão!