Adelson Elias Vasconcellos
1.- Incompetências no Enem;
2.- Dados dos inscritos no ProUni abertos na internet;
3.- Fraudes em cascata no Prouni e PróJovem;
4.- Tentativa de censura à obra de Monteiro Lobato:
5.- As mentiras e atrapalhadas na montagem do tal Kit-gay, que não passa de degradante apologia ao homossexualismo e molestamento infantil, além de sua distribuição em escolas públicas apesar de sua suspensão determinada pela presidência da República;
6.- Distribuição nas escolas públicas de livro de Língua Portuguesa ensinando que é certo falar errado.
Assim, muito rapidamente, estas seriam as principais ações de pura incompetência do ministro que deveria cuidar da principal pasta do governo, a da Educação, e que, como se vê, está longe de reunir condições para realizar o trabalho que dele se espera e que o país precisa para sair do atraso.
Poderia incluir aí os inúmeros livros que considerou “didáticos”, principalmente os que tratam de história, e que não passam de compêndios de pura ideologia política e que, de forma vil, reescrevem de forma mentirosa e asquerosa a história tanto do Brasil quanto do mundo.
Há poucos dias, o ministro concedeu uma entrevista que, já não bastasse toda a sua “obra” à frente do MEC, já seria, por si só, motivo o bastante para demiti-lo, sumariamente.
Agora, o país fica sabendo que “os livro” do MEC também conseguem destruir toda a exatidão da Matemática. Para que se tenha a grandeza do absurdo que o tal livro representa, o próprio MEC reconheceu ser tão numerosa a quantidade de erros que, simplesmente, suspendeu a distribuição da obra, por achar insuficiente a impressão de uma errata à ser adicionada ao livro.
Assim, impõem-se a seguinte pergunta: de quantas incompetências mais a presidente Dilma precisará para dispensar e demitir o senhor Fernando Haddad do ministério da Educação? Até quando e por quantas vezes o país será surpreendido com derrapadas deste teor que, considerando a própria estrutura de que dispõem o MEC, não se justificam de maneira alguma?
Efetivamente, chega a ser constrangedor ver como Dilma foi colocada na presidência do país, carregada por Lula, e assistir seu desgaste a partir de uma estrutura que não foi montada por ela própria. Saber o pepino que representa para seu governo a herança maldita que herdou de Lula e não poder sequer assoprar um único resmungo. Saber que, muitos de seus ministros, continuam fiéis e sob influência direta do antecessor e padrinho. Fosse Dilma dona de seu próprio nariz político e, por certo, já teria antevisto todos os percalços que tem atravessado neste primeiro semestre. Claro que ela sabia que teria a presidência, mas não o poder.
Creio que Dilma, em relação à Palocci, não tem por que adiar sua demissão. Talvez prolongue a agonia até encontrar quem o substitua, tarefa, conforme afirmei aqui ao comentar a tal entrevista dada por Palocci, que não será nada fácil.
Mas é visível que o ministro Haddad já está – se é que isto não aconteceu ainda - com seu prazo de validade esgotado. Alguém que, tendo que justificar o tal livro que considerado certo o errado, é capaz de avançar mais ainda na sua estupidez, não pode continuar respondendo pelo ministério mais importante dentre os quarenta que compõem a Esplanada. Respondendo a uma observação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que lembrou que até o ditador da URSS Josef Stálin defendia a norma culta da língua, Haddad decidiu filosofar. E atacou seus críticos com estas palavras, diante de uma comissão atônita:
“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.
Cumé, meu caro senhor? Quer dizer que as diferenças entre Hitler e Stálin precisam ser “devidamente registradas” em benefício de um deles, no caso, o líder comunista, sem ignorar que ambos “fuzilavam seus inimigos”. Ler a obra dos autores antes de fuzilá-los — o que Hitler não fazia, segundo ele — estabeleceria a superioridade de um sobre o outro. E o que isto tem a ver com livro de língua portuguesa que dita ser certo falar errado? Mais: que valor literário podem ter Hitler e Stalin diante dos milhões que ele mandaram massacrar? E mais: Stálin, ao que se sabe, odiava os intelectuais. Condenou Bukharin à morte, proibiu obras de Pasternak e marginalizou o poeta Maiakóvski. Facismo, meu caro senhor, é conduzir com extremada incompetência e com um viés ideológico a pasta mais importante dentre todos os ministérios, selecionar e distribuir livros didáticos ou que resvalam no erro como didática de ensino ou, descaradamente, distorcem a história para impor uma doutrina política de mentiras e mistificações. E toda este “programa” ser enquadrado, ainda, dentro de um projeto de poder, ao invés de um projeto de país.
Tamanha estupidez dita assim, como quem informa que o Santos é finalista da Libertadores, merece repúdio e destituição do cargo com a máxima urgência.
No caminho em que o governo vai seguindo, Dilma não terá outra opção, se quiser ter vida feliz durante seu mandato, senão o da ruptura com a estrutura do governo anterior. Deverá deixar claro para Lula, por mais que lhe doa, que a presidente agora é ela, que Lula já é um senhor ex, e que deve cuidar de seus afazeres pessoais e deixá-la governar do seu jeito. Ou é isto ou Dilma comprometerá seu mandato, podendo contaminar, com crises sucessivas, a estabilidade política e institucional do país. Não pode continuar sendo joguete ou mero fantoche de aliados e militantes de seu partido.
O que está em jogo, e isto venho afirmando já algum tempo, é ou um projeto de Brasil ou um projeto de poder. As duas coisas juntas não poderão seguir, lado a lado, o mesmo caminho.
A Educação brasileira merece e precisa bem mais do um simples Haddad para, de forma concreta, dar sua enorme contribuição ao desenvolvimento do país. E não será com kits de puro proselitismo sexual, com vídeos de genuíno molestamento infantil, ou ainda, com livros que ensinam mal e errado disciplinas básicas com a língua pátria e matemática, ou aqueles que distorcem de forma ordinária a história para uma cretina prática de ideologização partidária, que alcançaremos os patamares de um povo educado e civilizado. A Educação do país é importante e estratégica demais para ser entregue a pessoas de categoria duvidosa. Está na hora da presidente compor seu próprio ministério para seu próprio bem, para o bem de seu mandato e, principalmente, para o bem do próprio país. A Educação brasileira, dada a sua importância, não pode continuar sendo comandada e orientada por viés ideológico, nem ser berço de experiências do tipo tentativa-e-erro. Basta de irresponsáveis, moleques e incompetentes.
Nesta edição, temos análises muito bem pensadas e representativas do quadro vexatório em que se encontra a educação do país. O artigo do Professor Nelson Valente (
clique aqui) sintetiza os dramas para os quais o país não encontrou respostas adequadas. Reparem que entramos já no nono ano de governo do PT e, praticamente, pouco ou nada mudou. Naquilo em que se pretendeu praticar uma “revolução” é visível o retrocesso. E, neste plano, os livros didáticos selecionados e aprovados pelo MEC para distribuição às escolas públicas é um caos. Deseducam, desinformam, distorcem e praticam um viés ideológico deprimente. É visível que a educação brasileira, comandada pela turma do MEC com Haddad à frente, permanece estacionada em posição secundária na escala de prioridades e o que é pior: nossos alunos estão sendo manipulados de forma acintosa dentro de um projeto de poder, nunca de projeto de país moderno e desenvolvido e em escala de prioridade máxima e urgente.
O governo petista pode lançar quantas bolsas pretender sob o pretexto de distribuição de renda e redução da pobreza e miséria. Contudo, e isto não é uma questão de opinião mas fato comprovado no tempo e na história mundial, o que concretamente liberta o indivíduo, lhe assegura cidadania e lhe garante futuro digno é a Educação. Não entender e até desprezar esta premissa básica é não entender nada de nada, é abraçar a ignorância suprema.
Portanto, se a presidente Dilma quiser, de fato, entrar para história como governante que contribuiu para o desenvolvimento do país, deve, de imediato, voltar seus olhos para o Ministério da Educação com a atenção que a pasta requer, demitindo, sem perda de tempo, o senhor Fernando Haddad, afora outros “assessores” que são verdadeiras nulidades e barreiras intransponíveis para o país ganhar um programa de ensino que priorize a qualidade, retirando do caminho todos os nós impeditivos de se alcançar este objetivo.
Um comentário final: se diz que a presidente, antes de tomar qualquer decisão em relação à Palocci, se reunirá com Lula. Ora, de quem é o ministério? Quem foi eleita para presidir o país, embalada na seiva da extrema competência, a “gerentona” do próprio governo anterior, cujo presidente não se cansava de engrandecê-la declarando mesmo que seu governo fora feito a quatro mãos? Ora, nem bem passados seis meses, e diante do primeiro arranca rabo interno de seu governo, ela precisa consultar o ex antes de decidir se deve ou não mudar um ministro? Pare com isso, madame: ao quem se sabe, quem quis ser presidente foi a senhora. Portanto, se goza do bônus de ser presidente de um país como o Brasil, que saiba arcar com o ônus que o cargo lhe impõe e passe a andar com suas próprias pernas. Deixe de ser pau-mandado, um laranja presidencial, e faça o que deve fazer por sua própria conta e risco. Tudo o que o Brasil não precisa é de uma rainha da Inglaterra reinando sem governar por estas terras.
EM TEMPO: Deixo para amanhã a abordagem que faria sobre questões econômicas do governo petista, uma delas, sobre a “maravilha” das concessões de rodovias feitas por Lula em 2007, segundo modelo desenhado pela atual presidente Dilma e, que coisa, hein!, apesar de não terem saído do papel, cobram pedágios e os reajustam acima da inflação. Nunca antes...