segunda-feira, junho 06, 2011

O governo cria a nova fábrica de bolsas

Villas-Bôas Corrêa

Entre os mais curiosos cacoetes do governo nos últimos anos, ou mais precisamente, desde o atual governo da presidente Dilma Rousseff é a da criação das bolsas de imensa serventia, parecendo saco para as compras na feira-livre.

Não se passa semana sem que a presidente ou o vice, deputado Michel Temer não repassem para os repórteres que fazem a cobertura do governo, do Congresso ou das fofocas dos corredores e da sala do café, a informação que galga às manchetes da primeira página trombeteando o parto de mais uma bolsa.

A Bolsa Verde do dia é das mais imaginosas. Ela abre a bolsa do erário para ajuda mensal em dinheiro às famílias pobres que vivem em unidades de conservação e assentamentos sustentáveis. No caso é uma Bolsa pintada para conter a devastação da floresta.

Enfim, uma Bolsa que merece ser aplaudida de pé, como na ópera. E toda armada na confiança, a fé na palavra empenhada. Os moradores dariam a palavra de honra, com os dedos cruzados na boca, de que não derrubariam nem um pé de fícus.

O plano é mais sofisticado. Vai aos detalhes. E deverá ser lançada naturalmente pela presidente Dilma Rousseff na próxima quinta-feira, informa o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Roberto Vizentin, que acabo ter o prazer de ser informado da sua existência.

Não é uma bolsa com recursos para as compras semanais de uma família de classe média nas feiras-livres. Talvez para o arremate das xepas

Mas, o compromisso de não devastar as florestas poderá chegar a R$ 100 por mês, o pacote que teria o objetivo de diminuir a pressão de madeireiros e atravessadores que se aproveitam da miséria dos moradores para derrubar árvores, em troca de níqueis ou notinhas de míseros reais.

Vizentin, com a pompa de ministro interino, visitou o projeto agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna (PA) na semana passada. Voltou com a denúncia de que lá os assentados vendem castanheiras por R$ 80 a madeireiros da região.

E também descobriu a pólvora: há cerca de 200 mil famílias de extrema pobreza, vivendo nesta área de conservação, assentamentos sustentáveis e no entorno dessas áreas em torno o país e que deveriam receber incluídas no Bolsa Família e recebam os dois benefícios. Mas, também seriam proibidas de praticar a pesca predatória.

Vizentin promete milagres: “Além da ação enérgica do Estado, temos que viabilizar uma economia que gere renda e condições de vida para os moradores”

Sonha alto: “Se isso vingar, vai ser muito bom para a ação governamental. Essas áreas representam uma barreira para a expansão do desmatamento e da transformação da floresta e pasto”.

Não faltam idéias e boas intenções ao governo, da presidente Dilma aos ministros, secretários, servidores.

E é a equipe da presidente Dilma também está sendo convocada para um acerto dos ponteiros. Antes de embarcar para o giro de 30 horas ao Uruguai, a presidente teve um encontro com o vice, deputado Michel Temer. E na terça-feira reunirá governadores e prefeitos de capitais onde serão realizados jogos na Copa de 2014.