domingo, abril 22, 2012

Ilhas Malvinas: Brasil apoiou tráfico de armas para Argentina


José Casado e Eliane Oliveira
O Globo

Ponte aérea montada por URSS e Cuba, com auxílio de Khadafi, teve dois voos diários

ARQUIVO O GLOBO
Litígio entre Argentina e Inglaterra nas ilhas Malvinas —
Explosão da fragata inglesa "Antelope" no Estreito de Sam Carlos

BRASÍLIA - As nuvens prenunciavam chuva forte em Brasília na noite da sexta-feira 9 de abril de 1982. O chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro assistia ao "Jornal Nacional", quando recebeu um telefonema do brigadeiro Saulo de Mattos Macedo, chefe do Comando Aéreo Regional: um avião cubano invadira o espaço aéreo brasileiro.

No mundo da Guerra Fria, Brasil e Cuba não mantinham relações diplomáticas. Por esse motivo, pela manhã, o Itamaraty negara permissão a um voo da Cubana de Aviación rumo a Buenos Aires. Às 20h40m, o chanceler telefonou para o presidente da República, general João Figueiredo. Minutos depois, dois caças decolaram da base de Anápolis — com alguma dificuldade porque a iluminação da pista fora afetada por raios — em direção ao ponto indicado pelos radares, 300 quilômetros a oeste de Brasília.

Seguiu-se um tenso balé noturno a oito mil metros de altitude. Durou tensos 82 minutos. Só acabou quando os pilotos brasileiros anunciaram a decisão de atirar.

O jato russo Ilyushin II 62-M, matrícula CUT-1225, aterrissou em Brasília às 22h12m. Impressionou agentes da Aeronáutica por um detalhe: tinha capacidade para decolar com 165 toneladas de peso e 180 passageiros, mas na cabine estavam apenas três pessoas — o diplomata cubano Emilio Aragonés Navarro, mulher e neto. Só puderam seguir viagem depois de seis horas de negociações entre os governos do Brasil e da Argentina. Nada se sabe sobre a carga.

Navarro chegou a Buenos Aires por volta das 7h de sábado, 10 de abril, com uma mensagem do líder cubano Fidel Castro para o presidente argentino, general Leopoldo Galtieri: oferta de armas e tecnologia de informações, sob patrocínio da União Soviética, para o conflito com o Reino Unido.

Começava uma operação de suprimento clandestino de armas para a Argentina, montada pela URSS, negociada por Cuba, e com participação do Brasil, Peru, Líbia e Angola.

Foi um episódio singular na lógica da Guerra Fria. Os russos mobilizaram Fidel para socorrer uma ditadura militar ferozmente anticomunista, que confrontava o principal aliado dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — o sistema de defesa criado para conter uma eventual invasão soviética na Europa.

Uma semana antes, na madrugada de 2 de abril, os militares argentinos haviam desafiado o Reino Unido invadindo o arquipélago Malvinas, a 500 quilômetros da costa. Pressupondo o apoio dos EUA, Galtieri contara ao embaixador norte-americano, Harry Schlaudemann, sua pretensão de ficar no poder por mais cinco anos, no mínimo. Só não calculara a reação determinada da primeira-ministra Margareth Tatcher — "o homem forte do Reino Unido" aos olhos do presidente Ronald Reagan.

Tatcher recebera em Londres o secretário de Estado dos EUA, Alexander Haig, na noite anterior à interceptação do avião cubano em Brasília. "A menos que impeçamos os argentinos de ter êxito, todos somos vulneráveis", ela comentou, conforme registros oficiais. Haig confortou-a: "Estou seguro de que a senhora sabe que não somos imparciais".

Ela despachara uma frota para as Malvinas, a 13 mil quilômetros de distância. Na conversa, agradeceu o suporte norte-americano, a partir da base da Ilha de Ascensão. Instaladas a 2,7 mil quilômetros da costa brasileira, na altura de Pernambuco, as antenas ali plantadas são os "ouvidos eletrônicos" de Washington no Atlântico Sul.

Antes de se despedir de Haig, Tatcher o conduziu a uma sala da residência oficial. E "deliberadamente" mostrou-lhe retratos de heróis britânicos das guerras napoleônicas, o almirante Horatio Nelson e o general Duque de Wellington — descreveu Haig, impressionado, em telegrama enviado à Casa Branca durante o voo de Londres para Buenos Aires.

Haig fez uma escala em Recife para reabastecer seu avião. Encontrou-se com o então governador de Pernambuco, Marco Maciel, a quem contou que aconselharia aos argentinos negociar, pois seriam vencidos por Tatcher com a ajuda dos EUA.

No dia seguinte reuniu-se com Galtieri. Ouviu do general, que já conversara com o emissário de Fidel, menção às "ofertas de ajuda militar de países não-ocidentais".

A União Soviética redicionara parte dos seus satélites Cosmos para vigilância no Atlântico Sul, onde também mantinha 25 barcos "pesqueiros". A CIA considerava "inusual" esse nível de cobertura soviética na região, mas arriscou um palpite em telegrama a Haig na manhã daquele 9 de abril: "A atividade militar soviética provavelmente ficará restrita aos dados de localização (da frota britânica)".

A Argentina enfrentava um bloqueio financeiro, comercial e militar europeu. Não tinha dinheiro, apenas US$ 400 milhões em reservas. Também não tinha as armas necessárias. Pagara à França por 14 caças Super Étendard e recebera apenas cinco, com cinco modernos mísseis Exocet. Sem informação de satélites, não poderia localizar navios inimigos — submarinos, nem pensar.

Os britânicos, ao contrário, já recebiam do Pentágono os códigos militares argentinos, imagens diárias e detalhadas das bases e do movimento em Port Stanley (agora Puerto Argentino, capital das Malvinas). Mandaram dois submarinos nucleares para a região, inspirando medo no chefe da Armada, almirante Jorge Anaya, o mais radical da Junta Militar. Desde 1978, Anaya carregava um manuscrito com seu próprio plano para invasão das Malvinas. Na hora da batalha, recolheu a frota aos portos do sul. E não a deixou navegar até o fim da guerra.

Quando Haig voltou a Londres, um Boeing 707 da Aerolíneas Argentinas aterrissou no Rio. Vinha de Tel Aviv, Israel, com destino à base de El Palomar, na periferia de Buenos Aires. Foi conduzido para reabastecimento ao lado de aeronaves civis no aeroporto do Galeão, apesar do porão estar lotado com uma carga de bombas e minas terrestres.

"Gradualmente" — registrou o Conselho de Segurança Nacional em memorando ao presidente Figueiredo—-, a Argentina estreitava "seus contatos com o Brasil, em graus diversos de formalidade". E requeria "cooperação em termos mais concretos".

Brasília começou a receber lista de pedidos: créditos e facilidades para operações triangulares de comércio com a Europa; aviões para entrega imediata; bombas incendiárias e munição para fuzis; sistemas de radar e querosene de aviação, entre outras coisas.

O Itamaraty recomendava "tratamento favorável" a quase tudo, enquanto a tensão aumentava no ritmo da marcha da frota britânica pelo Atlântico Sul.

Herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes era mesmo dentista?


Portal Terra

Foto: Wikimedia Commons/Divulgação

Na imagem, a obra Martírio de Tiradentes, óleo sobre tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo
O dia 21 de abril é feriado nacional em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, que foi enforcado e esquartejado em 1792 devido ao envolvimento com o movimento da Inconfidência Mineira, que reclamava a independência do Brasil.

Mas quando se aproxima a data, logo uma questão volta a ser questionada: por que Joaquim José da Silva Xavier era chamado de Tiradentes? Apesar das brincadeiras, a realidade é que, além da profissão original de tropeiro, ele foi assim reconhecido pela habilidade em lidar com problemas dentários, tendo até uma pequena maleta com alicates de extração de dentes, conforme explica o historiador Voltaire Schilling.

Ana Claudia Florindo, professora do 3º ano do ensino fundamental do Colégio Santa Maria, em São Paulo, amplia: "ao longo de sua vida, realizou trabalhos em diferentes profissões, foi médico prático e mascates, no entanto, destacou-se na região onde morava pela habilidade que tinha em tirar e colocar dentes feitos por ele mesmo, recebendo, inclusive, o apelido."

Tiradentes se uniu ao regimento dos Dragões de Minas Gerais como alferes em 1775, mas desistiu da carreira militar em 1787 e foi para o Rio de Janeiro. Na nova cidade, conheceu líderes de um movimento de independência. Ao voltar a Minas já tinha planos de transformar São João Del Rei na capital do País, libertar escravos nascidos no Brasil, mudar o governo para um república, entre outros sonhos.

A professora explica que nessa época Portugal cobrava impostos rigorosos na tentativa de evitar o contrabando de ouro retirado dos garimpos de Minas Gerais. Em um momento em que a extração diminuiu, já que o minério estava escasso, o governo português aumentou ainda mais os impostos.

Tiradentes e os líderes do movimento decidiram se revoltar após a medida. O golpe seria dado no dia do recolhimento de impostos, mas a monarquia portuguesa descobriu um dia antes o plano. A maioria dos presos recebeu penas relativamente brandas, como prisão ou exílio. Contudo, Tiradentes, que não tinha a mesma influência política dos demais, foi enforcado, esquartejado e teve o corpo exibido em praça pública.

As partes de seus restos mortais foram espalhadas pelas cidades em que havia discursado. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica.

Tiradentes se transformou em herói após a Independência, em 1822. No entanto, conforme explica o professor e historiador Voltaire Schilling, na época do Império (1822-1889), somente pequenos grupos republicanos é que celebravam o dia 21 de abril. Era um culto fechado que atraia os que eram contra a monarquia e os maçons em geral. E foi somente depois da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, que o 21 de abril tornou-se relevante de fato e foi transformado em feriado nacional.

O corpo fala: desejo por certos alimentos pode ser falta de nutrientes

Thaís Sabino
Portal Terra
Com fotos da Getty Images 

Na TPM, a mulher tem mais necessidade de comer chocolate e doces por uma queda da setoronina


No meio da tarde surge aquela vontade de comer um brigadeiro, ou de repente você imagina um pedaço suculento de carne vermelha, coberta com molho e queijo. Pensamento de gordinho? Talvez não. A falta de determinados nutrientes no organismo pode ser sinalizada pela vontade de comer determinados alimentos, para se obter o equilíbrio nutricional, explicou a professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Senac, Tatiane de Oliveira.

"Sempre que fazemos algum tipo de dieta restritiva, ou ficamos muito tempo sem comer, acabamos exagerando quando presentes em um local com grande disponibilidade de alimentos, como uma pizzaria ou churrascaria", exemplificou a professora. A nutricionista Roberta Silva esclareceu que estes sinais acontecem quando a pessoa não tem uma alimentação balanceada e deixa faltar alguns grupos alimentares.

Longos períodos sem se alimentar, excesso de atividade física, dieta pobre em vitaminas e minerais, hipoglicemia e outros fatores podem causar a deficiência em nutrientes. Uma observação das nutricionistas entrevistadas pelo Terra é a vontade de comer chocolate durante a TPM. "As mulheres sofrem alterações hormonais, como a queda da serotonina, hormônio relacionado ao bem estar. O chocolate pode elevar os níveis deste hormônio, pois contém triptofano que é o precursor na produção de serotonina em nosso organismo", justificou Tatiane.

Para evitar abusar no doce, devorar um sanduíche hipercalórico ou exagerar em um rodízio de pizza, basta estar com o organismo balanceado, de acordo com Roberta. "É preciso consumir alimentos de todos os grupos, Com o tempo, a pessoa para de sentir vontade de comer doces e comidas gordurosas, ela se acostuma a uma alimentação saudável", disse Roberta. Legumes, verduras, cereais, carboidratos, vitaminas, minerais e proteínas não podem faltar.

A professora de Nutrição da faculdade Anhembi Morumbi, Fernanda Correa, disse que os alimentos "fast" costumam ter menos vitaminas e nutrientes e mais gordura. "Observo que as pessoas ingerem poucos alimentos fontes de cálcio, muita fonte de lipídios, gordura e carboidratos. O mais comum são dietas hipercalóricas", afirmou. Segundo a professora, a pessoa fica obesa, mas pode ter anemia, deficiência de ferro e outros nutrientes.

Veja a seguir qual substância está faltando no organismo, de acordo com a vontade de comer certos alimentos.


Hambúrguer e fritas: "Nem sempre a vontade de comer determinado alimento está relacionada a uma deficiência, pode ser apenas uma vontade mais caracterizada com a gula, ou vontade emocional, do que com a fome fisiológica", disse a professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Senac, Tatiane de Oliveira. O estresse e longos períodos sem se alimentar podem causar este desejo. A sugestão da professora é fazer de quatro a seis refeições diárias para o corpo equilibrado.


Pizza: A vontade de comer pizzas e massas pode estar relacionada com redução de glicose séria, disse Tatiane. Outro problema pode ser a queda no triptofano e consequência deficiência de serotonina e desequilíbrios nos níveis de insulina. Para não ganhar quilos extras devorando uma pizza inteira, reponha os nutrientes com pães integrais, biscoitos, arroz e cereais.


Chocolate na TPM: De acordo com a nutricionista Roberta Silva, a vontade de comer chocolate pode ter relação com uma queda de serotonina, por conta das alterações hormonais. O chocolate é fonte de triptofano, que estimula a produção da substância do bem estar. "Nessa situação, as pessoas podem optar por um chocolate meio amargo com pelo menos 50% de cacau, pois além de conter o triptofano, possui outros benefícios", sugeriu a professora Tatiane.


Doces em geral: Pode ser deficiência de triptofano no organismo, que desencadeia ansiedade, depressão e irritação. "Além disso, estudos relatam que períodos longos em jejum induzem uma maior produção de um hormônio chamado grelina e este induz o indivíduo a procurar alimentos de maior densidade energética", disse Tatiane. Segundo ela, a queda de glicose também faz o indivíduo buscar os doces.


Comida: Após preencher várias refeições com lanchinhos, surge aquela vontade de comer comida "de verdade": arroz, feijão, salada e uma carne. "Pode ser sinal de que o corpo está sentindo falta de pratos mais elaborados", disse Roberta. De acordo com Tatiane, os lanches "têm rápida digestão e, principalmente devido ao baixo conteúdo de fibras, induz a fome mais precocemente. Indiretamente acontece a procura por uma refeição completa", explicou Tatiane.


Queijo: O desejo por comer queijo ou alimentos recheados com ele, pode significar a falta de cálcio no organismo. De acordo com Roberta, um adulto precisa de 1200mg de cálcio por dia, que equivale a: um copo de leite desnatado, 1 fatia de queijo minas fresco, 200 ml de iogurte, quatro colheres de espinafre cozido e duas colheres de sopa de couve refogada.


Feijão: Feijão também é uma importante fonte de Ferro, portanto, a necessidade de consumo dos grãos pode sinalizar a deficiência do mineral, segundo Tatiane.


Tomate: De acordo com a nutricionista Roberta, sentir desejo em comer tomates, pode ser um sinal do cérebro de que está faltando potássio no organismo. A banana é uma fruta que auxilia na reposição da substância.


Frutas cítricas: "Pode significar a deficiência de vitamina C", disse Tatiane. As pessoas também costumam ingerir frutas ácidas após refeições pesadas, pois elas ajudam na digestão e são refrescantes, informou a professora Fernanda. De acordo com Roberta, o abacaxi tem bromelina, que ajuda na digestão da proteína, por isso é bastante consumido em churrascarias.


Café: A vontade de tomar café pode indicar a queda da dopamina, um neurotransmissor da motivação. A pessoa começa a ficar cansada e toma café, pois a cafeína ajuda a estimular o sistema nervoso central, disse a nutricionista Roberta.


Água: Desejo por tomar muita água, na maioria das vezes, é um sinal de desidratação, segundo Tatiane. O calor intenso, baixo consumo de líquidos ao longo do dia e o consumo de comidas salgadas podem causar a sede. "Uma pessoa que pratica exercícios intensos,perde sais minerais e água. Quando termina, precisa beber sucos, água e repositores. O ideal é consumir de 1,5 a 2 litros de água por dia.


Frutas em geral: "A vontade de comer frutas pode sinalizar a redução de diversas vitaminas e minerais no nosso organismo", disse Tatiane. Além da queda de carboidrato ou glicemia e até mesmo a desidratação, completou. O ideal é o consumo de quatro a cinco frutas variadas por dia, pois isso irá contribuir para a adequação da ingestão de vitaminas, minerais, água e fibras.


Carne vermelha: De acordo com Roberta, as carnes são fonte de ferro, quando uma pessoa faz dieta restritiva ao alimento, o cérebro pode pedir por esta substância e induzir o desejo pelo consumo de carne. A falta de ferro pode causar anemia.


Leite: A vontade de tomar leite pode estar relacionada à deficiência de cálcio, nutriente essencial para a formação dos ossos e dentes, segundo Tatiane. O consumo de leites e derivados de forma equilibrada ajuda a suprir a falta.

Saiba qual a refeição ideal para seu treino


Exame.com
Informações de Sarah Bowen She da RUNNERS

Para cada tipo, existe uma refeição que casa direitinho. Uma má alimentação pode até piorar o seu rendimento

Wikimedia Commons
Para satisfazer seu estômago sem extrapolar nas calorias, 
a nutricionista sugere o consumo de alimentos ricos em fibra, 
que contribuem para a sensação de saciedade

São Paulo - Quando a ultracorredora Ronda Sundermeier começou a sentir que estava com ritmo lento durante seus treinos de tempo run, ela não soube identificar o que havia de errado, já que o treino em si não mudara. Então, ela conheceu uma nutricionista que detectou o problema: a quantidade de alimentos que Ronda vinha consumindo depois dos treinos não era suficiente para uma boa recuperação.

Então, Ronda passou a consumir uma bebida à base de carboidratos e proteínas logo após a corrida, e fazer uma refeição completa em até 45 minutos depois do término do treino. “Os resultados foram excepcionais”, diz a ultracorredora. “De repente, tive a sensação de estar com pique total nas partes mais difíceis dos treinos”.

A maioria dos corredores sabe que, logo após uma sessão de exercícios, precisa de uma alimentação saudável, composta de carboidratos e proteínas. Mas a experiência de Ronda prova que cada situação requer uma exigência nutricional. Para disputar uma prova noturna de 5 km, em ritmo leve, você não precisa da mesma estratégia de alimentação que usaria para um tempo run de 20 km em ritmo pesado.

“O corpo precisa de nutrientes para construir os músculos e manter a forma física, mas nem sempre é fácil definir quando, o que e quanto deveríamos comer”, diz Deborah Shulman, nutricionista do esporte no Colorado, Estados Unidos.

Fazer a refeição certa, na hora certa, faz toda a diferença. Depois de reformular sua dieta, Ronda quebrou o recorde na Grand Teton, ultramaratona de 160 km. Veja como fazer refeições sob medida, em cinco situações comuns nos pós-treinos.

Pós-treino: você correu 5 km e está morrendo de fome
O que comer:
Depois de uma corrida curta e leve, você não queimou muitas calorias nem exigiu demais dos músculos. Então, geralmente, não precisa comer muito. "Mas se estiver com muita fome, isso é sinal de que seus níveis de carboidrato estão baixos, e quando você começou a correr tinha pouca reserva desse nutriente", diz Deborah.

Para satisfazer seu estômago sem extrapolar nas calorias, Amy Jamieson-Petonic, nutricionista da Sociedade Americana de Nutrição, sugere o consumo de alimentos ricos em fibra, que contribuem para a sensação de saciedade. "Experimente comer um pão integral ou uma porção de figo seco", aconselha Amy. O seu estômago continua roncando? Para saciar o apetite, coma uma porção de alimentos que tenham lipídeos (gordura) na composição, como nozes ou um ovo, aconselha Molly Kimball, nutricionista do esporte em New Orleans.

Pós-treino: Você correu 45 minutos e está com pressa
O que comer:
Para muitos corredores, esse tipo de exercício é a base do treinamento, especialmente durante a semana, quando o tempo é escasso. Para corridas de menos de 60 minutos, não se preocupe em consumir a proporção exata de carboidrato e proteína após a corrida; em vez disso, consuma alimentos que contenham ambos os nutrientes. "Quando você corre mais de uma hora, a proporção carboidrato/proteína é mais importante", diz Amy.

Se você corre de manhã, faça e congele uma batida de iogurte e fruta na noite anterior à corrida; antes de sair para correr, tire a batida do congelador. Quando voltar do treino, ela vai estar perfeita para beber. Se você corre à tarde, leve para o trabalho um sanduíche de pão sírio com cottage, cubos de peito de peru, tomate e pepino, para comer na volta do treino. Você quer um jantar rápido depois de uma corrida noturna? Deixe no congelador filé de peito de frango ou salmão, embalado individualmente, e, para acompanhar, prepare arroz integral de saquinho, cujo cozimento é rápido, e aspargo cozido no vapor.

Pós-treino: Você fez uma corrida longa e difícil e ficou cansado
O que comer:
Quando você corre mais de uma hora, precisa de reabastecimento quase imediato. "No período de 30 minutos após o treino, o organismo fica bastante propenso a devolver carboidratos para os músculos", diz Deborah Shulman. Por isso, é preciso consumir carboidratos rapidamente. Para descobrir suas necessidades, tome seu peso como base. Se você pesa 65 kg, você precisa consumir cerca de 65 gramas (280 calorias) de carboidratos simples, em até 30 minutos.

Você pode consumir barras energéticas ou bebidas esportivas, pois eles são absorvidos rapidamente. Além disso, o consumo de proteína dá início à recuperação muscular. Uma hora depois desse lanche, faça uma refeição completa; o ideal é que a proporção carboidrato/proteína seja de 4:1. De acordo com um estudo da revista científica Medicine and Science in Sports and Exercise, o consumo de carboidratos e proteínas na mesma refeição resulta em níveis mais altos de glicogênio, se comparado ao consumo de carboidratos sozinho. Coma uma mini-pizza com molho de tomate, atum, milho e cebola ou um espaguete à bolonhesa, aconselha Deborah.

Pós-treino: Você está enjoado
O que comer:
Enjôo após uma corrida é um sinal comum de organismo estressado; o motivo pode ser desidratação, consumo excessivo de géis energéticos ou excesso de trabalho do corpo para gerar energia. Mesmo sem vontade, tente comer algo para reduzir a sensação de desconforto e acelerar a recuperação.

Não consuma géis energéticos nem goma de mascar. "Prefira um alimento que demore a ser digerido, como banana, biscoitos salgados e queijo. Eles ficam no estômago por mais tempo, protegendo-o contra o ácido gástrico e ajudando a neutralizar a sensação de enjôo", afirma Deborah. Amy Jamieson-Petonic ainda sugere chá de gengibre com açúcar e Molly Kimball prefere carboidratos leves e de fácil digestão, como tigela de cereal integral em flocos com leite desnatado e 3 castanhas do Pará picadas.

Pós-treino: Você correu à noite e já está quase na hora de dormir
O que comer:
Como você vai dormir logo, não coma demais. Se você fizer isso regularmente poderá ter uma indigestão, além de engordar. Uma forma de evitar a comilança depois de uma corrida noturna é "fazer uma refeição bem completa duas horas antes de correr", diz Deborah. Depois do treino, você não se sentirá faminto e poderá se abastecer com alimentos de fácil digestão.

A nutricionista Amy sugere o consumo de carboidratos e proteínas combinados, como torradas integrais com patê de frango (frango assado desfiado com maionese light) e uma tigela de frutas silvestres (amora, framboesa, etc). Essa combinação vai diminuir a fome e, "durante a noite, os carboidratos irão repor os estoques de glicogênio e as proteínas começarão a regenerar os músculos", diz Amy. Assim, você fica pronto para uma nova corrida no dia seguinte.

Coma melhor
Depois de uma corrida curta, consuma alimentos ricos em água, como frutas e vegetais. Eles saciam a fome, têm poucas calorias e reidratam o corpo.

Kraft faz acordo com Costa Coffee para cafés individuais


Exame.com
Com informações de Filipe Domingues, Agência Estado e
Dow Jones

Acordo entre as empresas seria para disponibilizar as bebidas mais populares no Reino Unido, por meio do sistema de cafés individuais Tassimo

Sean Gallup/Getty Images
Os clientes poderão comprar café sob demanda, 
durante qualquer hora do dia ou da noite

São Paulo - A companhia norte-americana de alimentos Kraft Foods anunciou nesta sexta-feira um novo acordo com a Costa Coffee, segunda maior rede de cafeterias do mundo, para disponibilizar as bebidas mais populares da Costa no Reino Unido, por meio do sistema de cafés individuais Tassimo. Os clientes poderão comprar café sob demanda, durante qualquer hora do dia ou da noite.

"Estamos ampliando nossos esforços para ganhar o segmento de café sob demanda no varejo e este novo acordo com a Costa é um exemplo disso", afirmou o presidente da Kraft Foods Europe, Hubert Weber. "O Tassimo é o sistema de cafés individuais mais fácil, mais rápido e mais barato, uma forma perfeita de levar a cafeteria favorita do Reino Unido às casas e escritórios britânicos." O valor do acordo não foi divulgado.

Adolescentes mulheres bebem mais que os homens, diz estudo


Cibelle Brito
O Globo

Unesp traz pesquisa sobre o uso de álcool por estudantes do ensino fundamental e médio. Amigos e classe social influenciam na bebida

GUITO MORETO
Pesquisa aponta que mulheres jovens bebem mais que os homens

As meninas exageram mais na hora de beber que os meninos. A afirmação é de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), que observou o uso de álcool pelos estudantes do ensino médio e fundamental das escolas públicas e privadas de Botucatu, no interior de São Paulo. Os 1507 estudantes entrevistados eram menores de 18 anos, e foram questionados sobre o consumo de álcool, drogas, comportamento violento e hábito de beber entre familiares e amigos.

De acordo com os dados, 38,8% dos estudantes do ensino fundamental (6 a 9 série), e 73,5% do ensino médio afirmaram ter bebido pelo menos uma vez na vida. O uso de álcool no último ano foi relatado por 8,5% dos estudantes do fundamental e 40,7% do ensino médio. O estudo é o trabalho de dissertação da assistente social Priscila Lopes Corrêa, aluna do núcleo de Saúde Coletiva da Unesp. A pesquisadora diz que o crescimento percentual ocorre devido a idade dos estudantes, mais velhos no ensino fundamental.

Para a pesquisadora, o dado que mais chamou atenção está relacionado às mulheres. As estudantes estão mais propensas a “beber com embriaguez”, termo que define o consumo igual ou superior a cinco doses para homens, e quatro doses ou mais para as mulheres. O fato, somado à pouca maturidade dos adolescentes, pode favorecer o comportamentos de risco, como a prática do sexo sem proteção.

— Os principais fatores que influenciaram eram os amigos, a classe social, normalmente com melhor poder aquisitivo, e o jovens sem qualquer tipo de religião — diz a autora do texto.

Para a mestranda, o estudo demonstra a utilização e o contato de menores de idade com álcool, mesmo que isso seja proibido pela legislação brasileira.

— Falta fiscalização nos estabelecimentos que vendem bebidas, estabelecer uma política clara sobre o uso do álcool para pessoas jovens, e programas para prevenir o uso com promoção de práticas de lazer mais saudáveis — esclarece.

Com maior expectativa de vida e puberdade precoce, mulheres passam mais tempo inférteis


Natalia Cuminale
Veja online

Período em que a mulher é infértil já ocupa mais de um terço de sua vida

(Thinkstock) 
No Brasil, a mulher chega à menopausa em média aos 48,1 anos

Cada vez mais, o tempo de vida no qual uma mulher é fértil se aproxima do período em que ela é infértil. Dois fatores estão contribuindo para isso. A puberdade precoce está fazendo com que muitas mulheres menstruem mais cedo, e a expectativa de vida não para de crescer. Hoje, a expectativa de vida da mulher brasileira é de 76,7 anos, enquanto há 30 anos era de 65,7. Porém, a idade média em que a mulher brasileira chega à menopausa continua a mesma: 48,1 anos. “Embora a mulher tenha mais tempo de vida atualmente, a menstruação é geneticamente programada e o fim realmente ocorre nessa faixa etária. Não há como adiar”, explica Angela Maggio da Fonseca, professora de ginecologia da Faculdade de Medicina da USP. Por causa disso, hoje as mulheres passam mais de um terço de suas vidas em um período infértil, só revertido com tratamento hormonal.

Em algumas mulheres, a menopausa chega mais cedo. Segundo estudo realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenado por Angela, as mulheres que menstruaram antes dos 14 anos tendem a ter a última menstruação antes dos 50. Mas só é considerada precoce a menopausa que ocorre antes dos 40 anos. Entre as razões que podem antecipar o fim da menstruação estão fatores ambientais, socioeconômicos, estresse, altitude, desnutrição e tabagismo.

Outra pesquisa, conduzida por centros americanos de pesquisa sobre câncer de mama, entre 2004 e 2006, revelou que o dobro de meninas de sete anos de idade já apresentavam seios em relação às meninas pesquisadas em 1997. Problemas à vista. A puberdade precoce, no caso da mulher, aumenta o tempo de exposição ao hormônio estrogênio, fator de risco para o câncer de mama. E o levantamento brasileiro revelou que, quanto mais cedo a idade da menopausa, maiores são as chances de apresentar sintomas como ondas de calor, palpitações e melancolia. A boa notícia é que eles diminuem significativamente conforme o tempo passa. 

Obesidade – A pesquisa, que traçou o perfil da mulher brasileira na menopausa, mostrou que mais da metade das mulheres neste período está com sobrepeso ou obesidade e duas em cada três delas apresentam sintomas relacionados ao desequilíbrio hormonal. Para o levantamento, 6.000 pacientes, com mais de 40 anos, foram acompanhadas por mais de uma década. “A pesquisa é importante porque, ao saber as doenças que ocorrem e todas as características dessas mulheres, podemos proporcionar um tratamento mais adequado”, diz Angela. 

A drástica queda do nível de estrogênio pode trazer uma série de consequências para a saúde da mulher. Além dos sintomas citados no quadro abaixo, Luciano Pompei, membro da comissão nacional de climatério da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ressalta que a falta do hormônio acelera a perda de massa óssea, aumentando as chances de osteoporose, e também pode estar relacionada com o maior risco de doença cardiovascular.

Os riscos da terapia hormonal  
Devido a esses fatores, especialistas consultados pelo site de VEJA alertam que essa é uma fase que precisa ser acompanhada de perto pelo médico. “Apesar de ser um período de grandes transições, há muito do que o médico pode fazer pela mulher - do ponto de vista de tratamento de sintomas e de prevenção de problemas”, diz. “Mesmo que ela tenha medo, é importante desfazer mitos”, afirma Pompei. 

Pompei se refere ao medo das pacientes em relação à terapia de reposição hormonal, que ganhou força após uma pesquisa publicada pelo Journal of the American Medical Association, em 2002. Segundo os resultados, houve um aumento no risco de câncer de mama nas mulheres que fizeram uso dessa terapia. Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, diz que é preciso ter cautela na hora de indicar a terapia. “É preciso fazer uma avaliação dos riscos, se há histórico de câncer de mama, se a mulher fuma, tem problemas de coagulação. Atualmente, recomendamos a utilização apenas para pacientes com muitos sintomas “, diz. Segundo ele, existem alternativas capazes de tirar calores, melhorar o humor e a lubrificação da vagina. 

Ivaldo Silva, ginecologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que os hábitos de vida podem ter um papel muito importante para lidar com esse período. “É no momento da menopausa que muitas mulheres fazem uma avaliação de suas vidas. Além de ter que enfrentar o distanciamento dos filhos, os efeitos das alterações que ocorrem no corpo, este é o momento em que elas precisam optar por uma melhor qualidade de vida. Alimentação balanceada e atividade física podem ser o passo necessário para uma velhice saudável e com menos sintomas”, afirma.

Apesar de proibida a discriminação, homens gays não podem doar sangue


Exame.com
Com informações de  Carolina Pimentel,  Agência Brasil

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Norma nacional considera inapto à doação qualquer homem 
que tenha se relacionado sexualmente com outro homem no período de 12 meses

Brasília - Motivado por uma campanha da empresa onde trabalha em Belo Horizonte, o produtor cultural Danilo França, de 24 anos, decidiu doar sangue pela primeira vez. Junto com um grupo de colegas, seguiu as etapas previstas: preencheu a ficha de inscrição e foi para a entrevista com o médico do hemocentro. No momento da conversa, França descobriu que não poderia doar sangue porque mantém um relacionamento homossexual. “Fiquei atordoado, sem graça.”

Uma norma nacional considera inapto à doação qualquer homem que tenha se relacionado sexualmente com outro homem no período de 12 meses. O mesmo vale para heterossexuais que, no mesmo período, se relacionaram sexualmente com várias parceiras.

Entidades de defesa dos direitos dos homossexuais reclamam da restrição e querem reacender o debate sobre o tema. “A cada fato novo, a gente tem que abrir a discussão. Se a pessoa usa preservativo e não tem comportamento de risco, não pode ser impedida de doar”, argumenta Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

A regra do Ministério da Saúde, que vigora há mais de sete anos e vale para todos os hemocentros, foi baseada em estudos internacionais que apontam que o risco de contágio pelo vírus da aids (HIV) é 18 vezes maior nas relações entre homossexuais masculinos, na comparação com relações entre pessoas heterossexuais. O motivo é a prática do sexo anal, que aumenta o risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (DST). Foi essa determinação que fez com que a Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (Hemominas) negasse ao produtor cultural a possibilidade de doar sangue.

Em junho de 2011, o ministério baixou uma portaria que proíbe os hemocentros de usar a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) como critério para seleção de doadores de sangue. “Não deverá haver, no processo de triagem e coleta de sangue, manifestação de preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, raça, cor e etnia”. Mas, na prática, os homossexuais masculinos ativos sexualmente seguem impedidos de doar sangue. Para as lésbicas, não há restrições.

O coordenador de Sangue e Hemoderivados do ministério, Guilherme Genovez, alega que a norma brasileira é avançada quando comparada à legislação de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, um homem que tenha tido, no mínimo, uma relação sexual com outro homem fica proibido de doar sangue pelo resto da vida. “Acima de tudo, está o direito de um paciente receber sangue seguro”, alega o coordenador, lembrando que os testes não identificam imediatamente a presença de vírus em uma bolsa de sangue.

Desde o ano passado, o governo federal está implantando o NAT, sigla em inglês para teste de ácido nucleico, para tornar mais segura a análise do sangue colhido pelos hemocentros. O exame reduz a chamada janela imunológica, que é o período de tempo entre a contaminação e a detecção da doença por testes laboratoriais. Com o NAT, o intervalo de detecção do vírus HIV cai de 21 para dez dias. Até agora, 59% do sangue doado no país passam pelo NAT. A previsão é que a tecnologia chegue a todos os hemocentros até julho.


Abelhas são capazes de manipular ideias abstratas, como os mamíferos


Exame.com
Com informações da AFP

Segundo pesquisadores, descoberta acaba com o pressuposto que apenas cérebros do tamanho do dos mamíferos seria capaz de elaborar um "saber conceitual"

Wikimedia Commons
Abelhas utilizariam dois conceitos diferentes para tomar decisões

As abelhas são capazes de levar em consideração as relações entre objetos, assim como conceitos abstratos - um privilégio que se acreditava reservado a cérebros como o dos mamíferos -, revela um estudo do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).

O fato de as abelhas poderem utilizar simultaneamente duas ideias abstratas é um resultado "completamente inesperado" que põe abaixo o pressuposto de que "a elaboração de um saber conceitual" necessita de um cérebro do tamanho do dos mamíferos, como o ser humano, destacam os cientistas neste estudo, publicado pela revista americana PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Em sua vida cotidiana, o ser humano utiliza os conceitos que relacionam objetos diferentes através de sistemas do tipo: "igual", "diferente", "maior", "acima de".

A equipe do professor Martin Giurfa (CNRS), da uUiversidade Toulouse III Paul Sabatier, demonstrou que as abelhas também eram "capazes de gerar e depois manipular conceitos para ter acesso a uma fonte de alimento".

"O notório", disse o professor, ouvido por telefone, "é que podem, inclusive, utilizar dois conceitos diferentes para tomar uma decisão, ante a uma situação nova".

As abelhas demonstraram que podem conseguir água com açúcar (a sua recompensa) ou a um líquido azedo (castigo) mediante dois orifícios colocados entre imagens que variavam de posição. Se serviam para isso das noções "acima de" ou "ao lado de", que associavam com o prêmio ou a punição.

"Ao final de 30 tentativas, as abelhas passavam a reconhecer, sem equívocos, a relação que as guiaria para a água açucarada", mesmo "quando eram utilizadas imagens que não viram nunca", explicou o professor Giurfa.

Segundo os cientistas, a experiência pôs em destaque que as abelhas ignoravam os estímulos realizados com imagens idênticas, "demonstrando que, além dos conceitos 'acima, abaixo e ao lado' manipulavam simultaneamente o de 'diferença' para tomar sua decisão".

"Esta capacidade, que se acreditava própria dos seres humanos e de alguns primatas, demonstra que as análises cognitivas sofisticadas são possíveis, na ausência de linguagem, apesar de uma arquitetura neural em miniatura", concluíram.

Essa investigação, assegura o CNRS em comunicado, "questiona muitas teorias em âmbitos como a cognição animal, a psicologia humana, as neurociências e a inteligência artificial".

Ursos polares surgiram há 600.000 anos


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Em artigo publicado na revista 'Science', pesquisadores mostraram que a espécie é cinco vezes mais antiga do que se acreditava

 (Alan Wilson) 
Com base em estudos anteriores, acreditava-se que o ancestral dos ursos
 polares era um urso marrom que viveu há 150 mil anos

Em estudo publicado nesta sexta na revista Science, cientistas mostraram que os ursos polares surgiram há 600.000 anos e são portanto cinco vezes mais antigos do que se acreditava anteriormente. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Centro Alemão de Biodiversidade e Clima (BiK-F) analisaram informações do genoma de ursos polares e marrons.

Ainda que os pesquisadores tenham dificuldades para estudar a história evolutiva dos ursos polares, um conjunto de evidências morfológicas, fisiológicas e comportamentais não deixa dúvidas de que esses animais são exclusivamente adaptados às condições de clima do Ártico.

Os ursos polares passam boa parte de sua vida no gelo do mar. Quando morrem, esses animais geralmente afundam no oceano ou permanecem encobertos por glaciares. A dificuldade de estudar a história deles é causada justamente pelo fato de que seus restos mortais raramente são encontrados.

Sem dispor de fósseis, pesquisadores levaram em conta os genes das atuais gerações de ursos polares - a informação genética de cada organismo carrega muitas informações sobre o passado. 

Com base em estudos anteriores, acreditava-se que o ancestral dos ursos polares era um urso marrom que viveu há 150 mil anos. Esses resultados foram gerados a partir da análise de DNA de mitocôndrias, estrutura celular responsável por gerar energia para célula. Pesquisadores do BiK-F, junto com cientistas da Espanha, da Suécia e dos Estados Unidos, fizeram agora uma análise profunda da informação genética contida nos núcleos das células.

"Cada parte do genoma conta sua própria história. Analisamos DNA nuclear, que é herdado dos dois progenitores. Isso fornece um cenário mais preciso e detalhado da história evolutiva de uma espécie do que DNA mitocondrial, herdado somente da mãe", diz Axel Janke, autor do artigo que também liderou o recente sequenciamento do genoma do urso marrom. Com base nessa análise, descobriu-se que ursos polares na verdade surgiram no médio Pleistoceno, cerca de 600.000 anos atrás.

Isso quer dizer que os ancestrais do urso polar tiveram muito mais tempo para colonizar o Ártico e se adaptar às duras condições da região. Os estudos anteriores, que indicavam que os ursos polares eram cerca de cinco vezes mais jovens, considerava que esses animais eram um exemplo surpreendentemente de rápida adaptação de mamíferos a climas mais frios.

"Concluir uma história evolutiva de uma espécie tomando como base apenas DNA mitocondrial é como resolver um quebra-cabeça usando uma só peça em um universo onde várias estão disponíveis. Você precisa estudar vários produtores genéticos para formar o cenário completo", afirma Janke.

Saiba mais:

PLEISTOCENO
Época entre 1,8 milhão e 11.700 anos atrás compreendida dentro do período Terciário. Foi no Pleistoceno que ocorreu a maior parte das extinções da megafauna.


Pesquisa decifra como aspirina pode combater o câncer


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Remédio ativa enzima que tem resultados benéficos ao corpo

(Thinkstock)
Pesquisas recentes mostram que aspirina combate câncer e diabetes. 

A aspirina, além de combater a dor de cabeça, tem outros efeitos benéficos comprovados, como proteger contra problemas cardíacos. Estudos recentes mostraram que ela pode ajudar na prevenção do câncer e no tratamento contra diabetes tipo 2. Agora, um grupo de cientistas da Universidade de Dundee, na Escócia, descobriu o exato mecanismo pelo qual a substância atua no corpo humano e produz esses efeitos. 

Em nosso corpo a aspirina é quebrada em salicilato, o mesmo composto encontrado na casca do salgueiro, um remédio usado pela humanidade desde a antiguidade. O que os cientistas descobriram foi que, quando uma grande quantidade de salicilato atinge nossas células, ele ativa a enzima AMPK. Essa enzima é encontrada em muitos tipos de organismos, de humanos a plantas, e controla os níveis de energia da célula. Quando ativada, ela para os processos que consomem energia e dá início aos processos que a produzem. Desse modo ela regula uma série de ações, como o crescimento celular e o metabolismo. 

Para revelar essa ligação entre a aspirina e a AMPK, os cientistas testaram a droga em ratos que não tinham a enzima, e viram que a maioria de seus efeitos benéficos desapareceu.

Segundo os pesquisadores, a AMPK comprovadamente diminui a circulação de lipídios em ratos obesos e aumenta sua sensibilidade à insulina. Eles ainda sugerem que seus efeitos contra o câncer também vêm daí – a mesma enzima é ativada pela droga metformina, que também está associada ao combate à doença.  

CONHEÇA A PESQUISA:

Título original: The Ancient Drug Salicylate Directly Activates AMP-Activated Protein Kinase

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: S.A. Hawley; F.A. Ross; C. Chevtzoff; K.J. Walker; K.A. Green; K.J. Mustard; D.G. Hardie; M.W. Peggie; D. Zibrova; K. Sakamoto

Instituição: Universidade de Dundee, na Escócia

Dados de amostragem: Ratos sem a enzima AMPK

Resultado: A enzima AMPK comprovadamente diminui a circulação de lipídios em ratos obesos e aumenta sua sensibilidade à insulina. Os pesquisadores sugerem que seus efeitos contra o câncer vêm daí.

Saiba mais:

AMPK
Enzima que controla os níveis de energia da célula e regula uma série de ações, como o crescimento celular e o metabolismo. Quando ativa, ela para os processos que consomem energia e dá início aos processos que a produzem. A AMPK pode ser ativada de dois modos: pela falta energia na célula ou por um ativador sintético, o A-769662. O salicilato se ligaria à enzima no mesmo local que o ativador, embora sua localização exata ainda não tenha sido identificada.


Terapia do século XIX se mostra útil contra Parkinson

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Efeitos benéficos de cadeira vibratória, porém, podem vir do efeito placebo

(Thinkstock) 
Pacientes tratados com a tecnologia 
sentiram melhorias em sua função motora

O francês Jean-Martin Charcot é considerado um dos pais da neurologia moderna. No final do século XIX, ele desenvolveu uma cadeira vibratória para tratar a doença de Parkinson. A tecnologia alcançou bons resultados na época e conseguiu aliviar os sintomas de diversos pacientes. No entanto, Charcot morreu pouco depois, e não realizou estudos mais detalhados sobre como ela funcionava. Agora, um grupo de cientistas do Centro Médico da Universidade Rush, nos Estados Unidos, replicou o experimento e testou seus benefícios usando os parâmetros científicos atuais. 

A pesquisa, que foi publicada na edição deste mês do Journal of Parkinson's Disease, mostrou que a cadeira de fato aliviava os sintomas da doença. No entanto, os cientistas descobriram que as melhoras não necessariamente vinham das vibrações do aparelho, mas podiam ser resultado do efeito placebo.

A tecnologia foi desenvolvida por Charcot depois de conversar com seus pacientes que sofriam de Parkinson, e ouvir que os sintomas desconfortáveis e dolorosos da doença passavam após longas viagens de trem ou carruagem. Foi aí que ele teve a ideia de construir uma cadeira que copiava o chacoalho constante dos veículos. 

Para testar os benefícios da tecnologia, a equipe da universidade selecionou 23 pacientes com a doença, e os colocou aleatoriamente para sentar ou em cadeiras normais ou em cadeiras vibratórias que emulavam a invenção do século XIX. "Nós tentamos copiar o protocolo de Charcot com equipamentos modernos, para confirmar ou refutar sua observação histórica", disse Christopher Goetz, coordenador do estudo. Durante cada sessão de 30 minutos na cadeira, os voluntários ouviram um CD com sons da natureza, para ajudá-los a relaxar. O tratamento, diário, durou um mês. 

Como resultado, os pacientes que sentaram na cadeira vibratória apresentaram uma grande melhoria em suas funções motoras. Já os pacientes que sentaram nas cadeiras normais mostraram um grau um pouco menor de melhora, mas ela ainda foi significativa. Os dois grupos sentiram benefícios em relação à depressão, ansiedade, fadiga e horas de sono, além de terem se mostrado satisfeitos com o tratamento.

A conclusão dos pesquisadores foi que as melhorias não foram causadas pela vibração em si, mas por algum outro fator presente no experimento, como o efeito placebo. "Nossos dados sugerem que tanto os estímulos sensoriais auditivos somados ao relaxamento numa cadeira, como a simples participação na pesquisa podem ter benefícios equivalentes à vibração na função motora dos voluntários", disse Goetz. 

Opinião do especialista
Erich Fonoff - Neurocirurgião da Divisão de Neurocirurgia Funcional do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP

“Charcot foi um dos fundadores da neurologia como disciplina da medicina. Ele estudava várias doenças, entre elas o Parkinson. Como ele era muito conhecido, os pacientes vinham de longe para se consultar com ele. Eles iam de carroça ou trem, meios de transporte que tinham uma vibração. O que o médico percebeu é que os pacientes chegavam melhor, e depois de alguns dias pioravam. Ele atribuía isso a algo que tinha acontecido na viagem”

“Os pesquisadores usaram uma cadeira vibratória, dessas usadas para massagem. Como os dois grupos de voluntários apresentaram melhoras, eles concluíram que a vibração não era significativa. No entanto, a pesquisa mostrou que as pessoas que sentaram na cadeira vibratória tiveram um benefício um pouco maior. Podemos traçar duas hipóteses a partir disso. Ou as melhoras foram efeito de placebo ou o grupo de pessoas estudadas não era suficientemente grande para provar um pequeno efeito da vibração. Se esse efeito existir, ele deve ser menor que o de um remédio.

"O Parkinson é uma doença que afeta a sintonia dos circuitos neuronais. Uma das teorias que existe é que a falta de dopamina causa uma alteração nessa sintonia, e a informação não é carregada de modo efetivo entre os neurônios. Por isso acontecem os tremores. Quando você aplica uma vibração no corpo da pessoa, seus neurônios sensitivos capturam isso. É possível que, para cada paciente, exista uma frequência de vibração que melhore a sintonia entre seus neurônios. Isso é uma teoria, que também pode explicar porque os resultados dessa pesquisa não foram tão satisfatórios, já que foi aplicada a mesma frequência a todos os voluntários.” 

Saiba mais sobre a doença de Parkinson nos vídeos abaixo:

Erich Talamoni Fonoff, neurocirurgião da Divisão de Neurocirurgia Funcional do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq HC)





Como ela age no organismo?





Quais são os principais sintomas?





Saiba mais assistindo outros vídeos, clicando aqui. 

Hábito de comer carne pode ter ajudado expansão humana


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Estudo mostra que a inclusão de carne na dieta humana provocou uma série de mudanças que ajudaram o homem a se espalhar pela Terra

(Thinkstock) 
Estudo indica que dieta com carne ajudou a evolução humana

Estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, mostra que foi graças à dieta carnívora que o ser humano conseguiu se espalhar pela Terra. Publicado na edição desta semana do periódico PLoS One, o estudo mostra que quando os primeiros homens começaram a caçar e comer carne, as mulheres puderam desmamar mais cedo seus bebês, pois havia mais alimento disponível para a prole. Com a diminuição do período de amamentação, o intervalo entre um filho e outro foi encurtado.

Aprender a caçar foi um passo decisivo na evolução humana. Como esse processo exige habilidades complexas como comunicação, planejamento e uso de ferramentas, favoreceu também o desenvolvimento de um cérebro maior.

"Isso é conhecido há muito tempo, embora ninguém tenha mostrado anteriormente a forte ligação entre comer carne e a duração da amamentação, que é uma peça crucial desse quebra-cabeça", explica Elia Psouni, psicóloga desenvolvimentista da Universidade de Lund. Isso deve ter tido um impacto importante na evolução humana."

A duração média de amamentação dos seres humanos é de 2 anos e 4 meses. Esse intervalo não está muito ligado à expectativa de vida: chimanzés, que vivem menos, amamentam seus filhotes por 4 ou 5 anos.

Muitos pesquisadores tentaram explicar o período relativamente curto de amamentação dos humanos com base em teorias sociais e comportamentais. O grupo da Universidade de Lund mostrou que humanos, na verdade, não são diferentes dos outros mamíferos em relação ao tempo de amamentação.

Desenvolvimento cerebral - 
Ao colocar o desenvolvimento cerebral e a composição da dieta em uma equação, o período de desmame em humanos se encaixa precisamente com o modelo dos outros mamíferos. O modelo criado pelos pesquisadores mostra que os jovens de todas as espécies param de mamar quando seus cérebros alcançam um estágio específico no processo de desenvolvimento do cérebro. Carnívoros podem desmamar antes do que os onívoros e herbívoros devido à sua dieta.

Para realizar o experimento, eles aplicaram a esse modelo informações sobre a dieta e o tamanho do cérebro de cerca de 70 espécies de mamíferos de vários tipos. As espécies cujas dietas têm no mínimo 20% da energia originada pelo consumo de carne foram categorizadas como carnívoras. Segundo este critério, o ser humano é carnívoro, não onívoro (animal que se alimenta tanto de fontes animais quanto vegetais).

O modelo mostra que humanos não se diferenciam de outros carnívoros em relação ao tempo de amamentação. Todas as espécies carnívoras, desde animais pequenos como furões e texugos até outros maiores, como panteras, baleias assassinas e humanos, têm um período relativamente curto de amamentação. A diferença entre os humanos e grandes primatas (como orangotangos, chimpanzés e gorilas), que antes intrigava os pesquisadores, parece depender meramente do fato de que os seres humanos tornaram-se carnívoros (segundo os critérios da pesquisa), enquanto gorilas, orangotangos e chimpanzés são herbívoros ou onívoros.

A pesquisadora é cuidadosa ao enfatizar que esses resultados afetaram a evolução humana - e dizem pouco sobre os atuais hábitos da espécie: "A pesquisa é sobre como a alimentação carnívora contribuiu para a espécie humana se espalhar pela Terra, mas não fala nada sobre o que nós devemos ou não comer hoje para ter uma boa dieta."


CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Impact of carnivory on human development and evolution revealed by a new unifying model of weaning in mammals

Onde foi divulgada: revista PLoS ONE

Quem fez: Elia Psouni, Axel Janke, Martin Garwicz

Instituição: Universidade de Lund, Suécia

Dados de amostragem: mamíferos de 70 espécies diferentes

Resultado: Inclusão da carne na dieta humana foi decisiva para o homem se espalhar pela Terra