terça-feira, julho 30, 2013

Apesar de avanços, educação ainda trava desenvolvimento no Brasil

BBC Brasil

Educação teve maior avanço, mas partiu de patamar mais baixo

Os municípios do Brasil alcançaram, em média, um índice de desenvolvimento humano alto, graças a avanços em educação, renda e expectativa de vida nos últimos 20 anos.

Mas o país ainda registra consideráveis atrasos educacionais, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pela ONU e pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 aponta que o IDHM (índice de desenvovimento humano municipal) médio do país subiu de 0,493 em 1991 para 0,727 em 2010 - quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento.

Com isso, o Brasil passou de um patamar "muito baixo" para um patamar "alto" de desenvolvimento social.
O que mais contribuiu para esse índice foi o aumento na longevidade (a expectativa de vida da população subiu de 64,7 anos para 73,9 anos). Também houve aumento na renda, de 14,2% ou (R$ 346,31) no período.

Os maiores desafios se concentram na educação, o terceiro componente do IDHM. Apesar de ter crescido de 0,279 para 0,637 em 20 anos, o IDHM específico de educação é o mais distante da meta ideal, de 1.

Em 2010, pouco mais da metade dos brasileiros com 18 anos ou mais havia concluído o ensino fundamental; e só 57,2% dos jovens entre 15 e 17 anos tinham o ensino fundamental completo.

Permanência na escola
"O desafio de colocar as crianças na escola foi superado", disse Daniela Gomes Pinto, do Pnud (Programa de Desenvolvimento da ONU), ao apresentar o Atlas. "Agora, o desafio é manter as crianças na escola e completando os ciclos (escolares) na idade certa."

A pesquisadora afirmou que é importante que, aos 5 anos de idade, as crianças já estejam na escola; aos 16, tenham o ensino fundamental completo; e, aos 19, concluam o ensino médio.

Atualmente, segundo os dados de 2010, apenas 41% dos jovens de até 20 anos têm o ensino médio completo.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu um "imenso desafio" na área, mas destacou que a educação é o componente que, tendo partido de um patamar mais baixo, registrou os maiores avanços, graças ao aumento no fluxo de alunos matriculados nas escolas.

O índice de crianças de 5 e 6 anos que entraram no sistema de ensino passou de 37,3% em 1991 para 91,1% em 2010.

Municípios
Segundo o Atlas, dois terços dos 5.565 municípios brasileiros estão na faixa de desenvolvimento humano considerada alta ou média. Ao mesmo tempo, a porcentagem de municípios na classificação "muito baixa" caiu de 85,5% em 1991 para 0,6% em 2010.

As cidades com notas mais próximas de 1 no IDHM são São Caetano (SP, com índice 0,862), Águas de São Pedro (SP, com 0,854) e Florianópolis (SC, com 0,847).

Os piores índices foram registrados em Melgaço (PA, com 0,418) e Fernando Falcão (MA, com 0,443).

O relatório identificou uma redução nas disparidades sociais entre Norte e Sul do Brasil, mas confirmou que elas continuam a existir. Um exemplo é que 90% dos municípios das regiões Norte e Nordeste têm baixos índices de IDH em educação e renda.

O Atlas do Desenvolvimento Humano brasileiro contém, além do IDH dos municípios brasileiros, outros 180 indicadores socioeconômicos, com base em dados do Pnud, do Ipea, da Fundação João Pinheiro e do IBGE (Censo 2010), levando em conta itens como demografia, educação, renda, desigualdade social, e acesso a serviços básicos.

4 provas da ONU do abismo entre o norte e sul do Brasil

Marco Prates
Exame.com

O IDHM, da ONU, mediu o grau de desenvolvimento das 5,5 mil cidades brasileiras. O cenário que emerge é da enorme distância entre as regiões Norte e Nordeste do Sul e Sudeste

Divulgação/Prefeitura 
Cidade de Melgaço, Pará, a cidade menos desenvolvida do Brasil, segundo o IDHM, da ONU.
Renda dos moradores é 15 vezes menor que 1ª colocada

São Paulo – O Brasil conseguiu deixar de ser um país de desenvolvimento humano muito baixo para cair na categoria de alto desenvolvimento em apenas 20 anos. A constatação é do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado hoje pelo Pnud, órgão das Nações Unidas. Mas a rápida evolução esconde ainda um grande fosso entre as regiões do país.

Basta dizer que não há nenhuma cidade no Norte ou Nordeste que seja considerada pela ONU com grau de desenvolvimento muito alto.

No Sul e Sudeste a situação é contrária: nenhum município ganhou cotação de desenvolvimento muito baixa.

Veja abaixo quatro provas, tiradas do relatório da ONU, que mostram que as disparidades ainda são enormes entre as regiões brasileiras, e um verdadeiro desafio para as autoridades:

1 – Só no Norte e Nordeste existem cidades com desenvolvimento “muito baixo”
O IDMH vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor. Para chegar a este número, o Pnud considera três subíndices, que também variam de 0 a 1: educação, renda e expectativa de vida.

O resultado disse determina o nível de desenvolvimento de um município:

Muito Baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito Alto
IDHM
0 a 0,499
0,5 a 5,999
0,6 a 0,699
0,7 a 0,799
0,8 a 1


A tabela abaixo mostra que cidades de muito alto grau de desenvolvimento são raras no Brasil, assim como as de grau muito baixo.

Região
Muito Baixo (nº de cidades)
Baixo                      (nº de cidades)
Médio               (nº de cidades)
Alto                     (nº de cidades)
Muito Alto                  (nº de cidades)
Norte
18
180
226
25
-
Nordeste
14
1099
647
34
-
Sudeste
-
73
695
871
29
Sul
-
5
400
769
14
Centro Oeste
-
10
265
190
1
Brasil
32
1.367
2.233
1.889
44


O problema é que Norte e Nordeste não apresentam nenhum município cuja educação, renda e qualidade de vida entrem na categoria muito alta. E, juntas, têm 32 cidades na categoria muito baixa.

Centro-Oeste, Sul e Sudeste não têm representantes na escala de menor desenvolvimento, uma categoria na qual o desejável seria que não houvesse mais integrantes no Brasil.
 

São Caetano do Sul (SP), tem o maior IDHM do Brasil: 
apesar dos avanços nos últimos 20 anos, levantamento mostra abismo entre norte e sul do país.


2 – Nível alto domina cidades do Sul e Sudeste
Em termos relativos, Sul e Sudeste têm a maioria de suas cidades com IDHM entre 0,7 e 0,799, o que lhes confere grau alto de desenvolvimento. Abaixo, tabela mostra distribuição em termos percentuais:

Região
Muito Baixo        (% de cidades)
Baixo                 (% de cidades)
Médio                  (% de cidades)
Alto                    (% de cidades)
Muito Alto        (% de cidades)
Norte
4,0
40,1
50,3
5,6

Nordeste
0,8
61,3
36,1
1,9

Sudeste

4,4
41,7
52,2
1,7
Sul

0,4
33,7
64,7
1,2
Centro Oeste

2,1
56,9
40,8
0,2
Brasil
0,6
24,6
40,1
33,9
0,8


Já no Nordeste e Norte, as cidades de nível baixo e médio de desenvolvimento, respectivamente, é que representam a maioria dos municípios.

3 – Regiões não aparecem entre as 50 cidades mais desenvolvidas do Brasil...
Na lista das 50 cidades mais desenvolvidas do Brasil, não há nenhuma do Norte ou Nordeste. A primeira a aparecer, na 76ª posição, é Palmas (TO), seguida da primeira nordestina, Fernando de Noronha (PE), na 77ª posição.

Em compensação, todos os últimos lugares estão nas duas regiões.

Em Melgaço (PA), a renda per capita é 15 vezes menor que em São Caetano do Sul (SP), a primeira colocada em IDHM.

Posição Brasil
Estado
Cidade
IDHM
5.556
Amazonas
ITAMARATI
0,477
5.557
Pará
CACHOEIRA DO PIRIÁ
0,473
5.558
Pará
BAGRE
0,471
5.559
Acre
JORDÃO
0,469
5.560
Pará
CHAVES
0,453
5.561
Roraima
UIRAMUTÃ
0,453
5.562
Maranhão
MARAJÁ DO SENA
0,452
5.563
Amazonas
ATALAIA DO NORTE
0,450
5.564
Maranhão
FERNANDO FALCÃO
0,443
5.565
Pará
MELGAÇO
0,418


4 – Capitais 
Também nas capitais, com Florianópolis em primeiro e Maceió em último, há uma dominância das cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste nos primeiro lugares.

Palmas (10º lugar) e Recife (13º) ficam no meio do caminho entre as capitais.

Assim, apesar da ONU salientar que o IDHM brasileiro quase dobrou em 20 anos, com redução das desigualdades regionais, o caminho a ser percorrido permanece imenso. Algumas autoridades são esperançosas.

“O Brasil era um dos países mais desiguais do mundo, continua sendo, mas houve uma melhora. Podemos antecipar um futuro melhor”, afirmou o presidente do Ipea e ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri.


Os estados que subiram e caíram no ranking da ONU

Amanda Previdelli
Exame.com

Estados do norte do país pularam posições e ascenderam consideravelmente no ranking de desenvolvimento das Nações Unidas. Confira tabela

Wikimedia Commons 
Manaus, no Amazonas: estado foi um dos que mais subiu 
em posições no ranking da ONU, junto com o Tocantins

São Paulo – Tocantins e Amazonas são os estados brasileiros cujas cidades tiveram os maiores avanços em termos sociais, segundo ranking da Organização das Nações Unidas(ONU). De 2000 para 2010, os dois estados, apesar de não estarem ainda entre os dez primeiros, subiram quatro posições no ranking nacional.
Os quatro melhores colocados se mantiveram nas mesmas posições ao longo destes dez anos, com o Distrito Federal liderando o ranking, seguido por São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Outras regiões do Brasil não se mantiveram no topo, o estado do Pará, por exemplo, apresentou a maior queda: de 19º para 24º lugar.

Para montar o ranking, a ONU leva em consideração critérios nas áreas de educação, renda e expectativa de vida. Confira na tabela abaixo como se saíram os estados brasileiros de 2000 a 2010:

Estado
Posição em 2010
Posição em 2000
Alteração
Tocantins
14
18
subiu 4 posições
Amazonas
18
22
subiu 4 posições
Rondônia
15
17
subiu 2 posições
Paraná
5
6
subiu 1 posição
Goiás
8
9
subiu 1 posição
Amapá
12
13
subiu 1 posição
Bahia
22
23
subiu 1 posição
Paraíba
23
24
subiu 1 posição
Distrito Federal
1
1
igual
São Paulo
2
2
igual
Santa Catarina
3
3
igual
Rio de Janeiro
4
4
igual
Espírito Santo
7
7
igual
Mato Grosso do Sul
10
10
igual
Mato Grosso
11
11
igual
Sergipe
20
20
igual
Acre
21
21
igual
Piauí
25
25
igual
Maranhão
26
26
igual
Alagoas
27
27
igual
Rio Grande do Sul
6
5
caiu 1 posição
Minas Gerais
9
8
caiu 1 posição
Roraima
13
12
caiu 1 posição
Ceará
17
16
caiu 1 posição
Rio Grande do Norte
16
14
caiu 2 posições
Pernambuco
19
15
caiu 4 posições
Pará
24
19
caiu 5 posições