O Globo
Com Agências Internacionais
Apesar de divisão no Gabinete de Netanyahu, 13 dos 20 ministros votaram a favor da medida
Sebastian Scheiner / AP
Manifestantes israelenses protestam contra a libertação de prisioneiros palestinos
diante do Gabinete do premier Benjamin Netanyahu em Jerusalém
JERUSALÉM - O Gabinete do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aprovou neste domingo uma proposta para libertar 104 prisioneiros palestinos detidos por Israel a fim de retomar as negociações de paz. A libertação fora defendida na véspera por Netanyahu, que atrasou por uma hora e meia a reunião semanal para garantir que a maioria apoiaria a medida. Dos 20 ministros, 13, incluindo o premier, votaram favoravelmente, sete rejeitaram, além de duas abstenções.
— Este momento não é fácil para mim, não é fácil para os ministros do Gabinete, e não é fácil, especialmente para as famílias enlutadas, cujos sentimentos eu entendo — disse Netanyahu, referindo-se a famílias que perderam parentes em ataques de militantes. — Mas há momentos em que decisões difíceis precisam ser feitas para o bem da nação e este é um desses momentos.
O acordo é visto como essencial para reunir negociadores israelenses e palestinos para retomar as conversas de paz, congeladas desde 2010. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, exige que Israel liberte os detentos desde 1993, quando um acordo de paz provisório entrou em vigor. Desde então, Israel prendeu outros milhares de palestinos.
O plano de soltura dos prisioneiros será realizado em quatro etapas, com o primeiro grupo libertado nas próximas semanas, após uma reunião entre o ministro da Justiça israelense, Tzipi Livni, e principal negociador palestino, Saeb Erekat, em Washington próxima na terça-feira. A última libertação ocorrerá em cerca de nove meses. Os prisioneiros árabes israelenses incluídos no plano só serão liberados na quarta fase do processo.
No sábado, o premier emitiu uma carta aberta ao público israelense, apoiando a medida.
"Concordo em libertar 104 palestinos em estágios estabelecidos, após o início das negociações e de acordo com o seu progresso. Esta é uma decisão extremamente difícil. É doloroso para as famílias enlutadas, dói em todo o povo de Israel, e é muito doloroso para mim ", disse ele. “Mas os primeiros-ministros de vez em quando precisam tomar decisões que vão contra a opinião pública quando é importante para o país a fazê-lo".
Israel levará acordos de paz a referendo popular
Enquanto a aprovação da medida encontrou resistência, outra proposta conseguiu o aval mias rápido dos ministros neste domingo: um projeto de lei que submete a referendo qualquer possível acordo de paz com os palestinos. O governo disse em comunicado que buscará a aprovação "urgente e importante" para o projeto, pedindo ao Parlamento para acelerar sua tramitação.
"Qualquer acordo que possa ser alcançado nas negociações será submetido a um referendo", disse o escritório de Netanyahu.
O projeto é visto como um gesto conciliatório aos membros de direita do governo que estão receosos de concessões de Israel pode ter que fazer durante as negociações do processo de paz.
Alguns acreditam, porém, que a libertação de prisioneiros permitirá a Netanyahu contornar outras demandas palestinas, como a suspensão da expansão dos assentamentos judeus e uma garantia de que as negociações sobre fronteiras será baseado em divisões territoriais de antes da guerra de 1967, quando Israel capturou a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.
As conversas de paz naufragaram três anos atrás por um desentendimento sobre a construção de assentamentos judeus, que os palestinos dizem privá-los da terra que precisam para um Estado.
