sexta-feira, janeiro 07, 2011

Os Gigolôs e os Vampiros do Bordel Brasil

 Adelson Elias Vasconcellos


Os donos do Bordel Brasil


Uma das maiores irregulares cometidas por um governante brasileiro chamou-se mensalão. Nada há parecido na história republicana que se assemelhe a tamanha imoralidade. O classificado como chefe da quadrilha, José Dirceu, conta com o esquecimento da memória nacional para tentar impor sua “inocência”. Lula também. Ambos conseguirão impor esta aposta? No Brasil dos nossos dias, infelizmente, até isto é possível.

Como também é possível que os parlamentares votem na calada da noite, às pressas, um aumento imoral para si próprios de 62% e, para os ministros, de 130%, contra uma inflação medida de 20%.

Temos no noticiário outro rombo provocado pelos “políticos” brasileiros: o custo de 100 mil por cabeça, totalizando cerca de 5 bilhões aos cofres públicos, parlamentares cumprindo o mandato tampão por menos de 30 dias, com direito a todas as regalias inadmissíveis para um país sério, em que o dinheiro do contribuinte é tratado com um mínimo de respeito. Detalhe: o mandato será cumprido durante as férias do Congresso.

Já para os trouxas que pagam a farra desta tropa de molambentos, o mínimo acima de R$ 540,00, segundo o ministro Fazenda, é impensável, “quebraria o país”. E os aposentados? Azar deles, nada além da reposição da inflação.

De há muito tempo, o SUS se tornou o caminho mais rápido para a morte antecipada. Nem com ordem judicial o brasileiro consegue ser atendido na rede pública. Pior ainda se precisar de algum exame de laboratório, por mais simples que ele seja. Neste sistema de saúde de primeiro mundo segundo o governante Lula, “quase perfeito”, as pessoas morrem muitas vezes porque o governo se nega a conceder tratamento de valor irrisório. E se a situação já era caótica, agora o SUS anuncia com toda a pompa que reduzirá o valor a ser pago para os brasileiros terem tratamento contra o câncer, tratamento de leucemia e linfomas malignos. Duas portarias do Ministério da Saúde, que já entraram em vigor, fixam valores inferiores aos estabelecidos em junho de 2010. No caso da quimioterapia para o tratamento da LMC em fase crônica, o valor caiu de R$ 3.175 para R$ 2.489. Como bem lembrou Paulo Moreira Leite (veja artigo nesta edição), num país em que TODOS preços estão em alta, a redução é injustificável. Nem todos são o ex-vice-presidente José Alencar, cujo tratamento já custou ao país cerca de R$ 1,0 milhão de reais. É justo? Com José Alencar é mais do que justo, injusta e estúpida é a ignorância do governo para com o restante do povo brasileiro.

Já comentamos a cretinice do governo atual de não corrigir a tabela do imposto de renda na fonte. Indiretamente, é mais um confisco nas costas dos trabalhadores que, mesmo sem receber o equivalente a três salários mínimos, que já é mínimo, terá que arcar com imposto de renda – renda mínima, é claro.

Ou seja, enquanto a classe política e nossos governantes se esbaldam em regalias, algumas imorais, a tunga na classe trabalhadora continua inapelável.

Mas há duas questões preocupantes, mesmo que não sejam de todo estranhas e que merecem uma atenção maior da sociedade brasileira: de um lado, a fortuna torrada com os tais cartões corporativos, principalmente por parte da Presidência, e de forma acentuada em 2010, justamente, ano de eleição presidencial. Nada justifica que tais despesas sejam declaradas “sigilosas”, como, de modo geral, nenhuma despesa pública pode ser realizada com tal selo de “segredo de estado”. Isto serve apenas para encobrir a safadeza, o desvio, a realização de despesas particulares bancadas com dinheiro público – o que vem a ser crime.

Neste ponto, o governo Lula foi às últimas consequências. E sempre que uma investigação no Congresso tentou apurar a maneira corrupta do governo Lula gastar os recursos públicos, sua tropa de choque no Congresso tudo fez para impedir que se chegasse à verdade, numa demonstração inequívoca de que, de fato, a sujeira era muito maior do que a opinião pública pudesse imaginar. A doação escandalosa para as centenas de ong's fajutas é um exemplo bem acabado do assalto cometido. 

Agora, fora do poder, a ação de rapinagem dos cofres públicos permanece a todo vapor pelo senhor Lula da Silva & Família. A dois dias de encerrar seu mandato, conforme reportagem da Folha de São Paulo, num ato repugnante e repulsivo, obteve para dois de seus filhos, passaporte diplomático que lhes confere vantagens e tratamento especial em viagens ao exterior. Imoral e indecente é o mínimo que se pode qualificar ato tão bestial.

O documento confere tratamento diferenciado a seus portadores nas viagens a países que mantêm relações diplomáticas com o Brasil.

Vale relacionar algumas das “vantagens” concedidas aos “rebentos” de Lula da Silva, conforme descrição do Josias de Souza:

(...)
”Assim, por alguma razão que o Brasil desconhece, se Luiz Cláudio e Marcos Cláudio forem em férias ao exterior, viajarão no “interesse do país”.

Ao chegar ao destino, os filhos de Lula serão conduzidos a filas especiais e submetidos a controles mais brandos.

Desfrutarão de tratamento semelhante ao dispensado a presidentes e vice-presidentes da República, ministros de Estado e juízes de tribunais superiores, diplomatas e e congressistas.

Luiz Cláudio é o filho caçula de Lula. Hoje, é hospede do Forte dos Andradas, a instalação militar que Lula escolheu para passar as férias com a família. Marcos Cláudio é filho do primeiro casamento de Marisa Letícia. Foi adotado por Lula.

Os passaportes de ambos têm validade de quatro anos. Suas viagens servirão ao “interesse do país” pelo menos enquanto Dilma Rousseff for presidente.

Afora todas as vantagens, o Itamaraty livrou os Lula da Silva do pagamento de R$ 194.

É esse o valor da taxa que o governo cobra dos brasileiros convencionais que requisitam a emissão de passaportes ordinários”.(...)

Não bastasse tamanha regalia indecente quanto injustificável, TODA a família, mesmo que Lula já seja um ex-, encontra-se de férias, hospedada em unidade do Exército, bancada pelo contribuintes brasileiros. Não é a toa que Lula sempre defendeu que a carga extorsiva de tributos que os brasileiros são obrigados a suportar, era ainda pequena. De certo que é, já que bancar tanta desfaçatez não é barato nem para os países sérios onde os governantes respeitam o dinheiro público e o empregam exclusivamente em benefício da sociedade, que é quem paga a conta, e com serviços públicos minimamente qualificados, coisa que no Brasil estamos anos luz de distância de se conseguir.



Os sócios-gerentes:
uma aliança perfeita e sincronizada

Sejam vampiros ou simplesmente gigolôs, nada, absolutamente nada justifica que os brasileiros continuem bancando tanto descalabro e tanta irresponsabilidade. Em lugar algum do mundo civilizado, tamanho usura é praticada sem a devida e correta punição para os cafajestes que se apropriam do dinheiro como patrimônio seu. Esta cambada de vagabundos, Lula e Família inclusive, acham que o país tem a obrigação de sustentar sua luxúria e ociosidade, privilégios e regalias que eles próprios se concedem, a custa do sacrifício e da miséria de um povo mantido na escuridão do analfabetismo, sem educação e com um sistema de saúde que os aproxima da morte. Valem-se da boa fé de uma sociedade cuja grande maioria, analfabeta e sem informação, é capaz de vender sua própria consciência e vontade, em troca de mísera cesta básica, ou de uns caraminguás que lhes pagam o arroz e feijão no boteco mais próximo.

Gigolôs porque vivem da exploração do trabalho alheio. Vampiros porque lhes sugam todos os recursos em troca de coisa alguma, deixando-se largados à própria sorte.

Temos provado e comprovado ao longo de mais de quatro anos de existência do blog, o quanto o governo Lula se vestiu de mentiras e mistificação para a construção de um mito feito de lama. Deixamos claro que, em todas as áreas de atuação, a deterioração dos serviços públicos foi uma constante a desmentir o “maior governo da história”. E se tal aconteceu, não foi por falta de recursos, ou porque o mundo não ajudou. Foi falta de projeto de país, foi falta de compostura dos agentes públicos, foi falta de escrúpulos e competência do governante içado a um pedestal construído a base de sordidez e uma publicidade vexatória de fantasias e ilusões.

Lula teve todas as melhores oportunidades de encaminhar o país para um nível de decência e de construção que nenhum outro presidente na história pode desfrutar. Preferiu viver num mundo de ficção que, por outro lado, jamais outro presidente ousou desfrutar, talvez o que mais se aproximasse do figurino cafajeste tenha sido Getúlio Vargas. Mas este ao menos deixou algo para o futuro. Lula negou o passado, sequestrou e escreveu uma sórdida história tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3,00. Por herança e legado, deixou para Dilma um país onde o descalabro dos serviços públicos beira à indigência.

Agora, já tendo deixado a presidência, ao invés de viver uma vida de cidadão comum, que é o que ele passou a ser, prefere sequestrar a Presidência da República, que não lhe pertence pois trata-se de patrimônio da sociedade brasileira, para dela continuar praticando sua rapinagem e, feito gigolô, continuar sendo sustentado pelo esforço alheio. O Brasil, definitivamente, foi transformado em um enorme bordel de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com um povo fazendo “programa” para sustentar a elite de gigolôs e vampiros que lhes sugam até a vontade.

E se tudo isso ainda fosse pouco, exemplo sintomático da prevaricação é o Ministro do Turismo, quando ainda parlamentar, usar a verba de representação – ou seja, dinheiro público - para bancar a orgia um motel com 15 figurantes. Como prêmio, foi empossado como Ministro do Turismo. Ideli Salvatti, agora ministra da Pesca, que mal sabe a diferença entre um pirarucu e um robalo, também sua fez sua festa privada com dinheiro público, e ainda se acha no direito de ofender e esbravejar quando indagada a respeito, com se a melhor defesa que pudesse inocentá-la fosse o berro e a sua incrível capacidade de ser estúpida e mal-educada. Fica claro que o Bordel Brasil está infestado de gigolôs vampirizando o trabalho de 190 milhões de otários.

E acreditem: o que vemos hoje é apenas um dentre muitos capítulos do roteiro macabro de uma elite depravada corroendo não só os recursos financeiros do país para seu exclusivo deleite. A ética e a moral, difíceis de se sustentarem em tempos modernos, estão sendo sepultadas em covas rasas. Vai ser difícil por um fim nesta putaria toda, muito difícil... A propósito, vai uma camisinha aí?

Dilma, interrompida

Demétrio Magnoli (*) - O Estado de São Paulo

Ah, o exagero - a sombra monstruosa do exagero. "Lula estará conosco." "Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade": "o maior líder que este país já teve." "Seu nome já está cravado no coração do povo." Não é o elogio incisivo, mesmo mais que protocolar, ao presidente que saiu, companheiro de partido, responsável por seu triunfo. É a louvação desmedida, o adjetivo incontido, o culto despropositado, a metáfora de ressonâncias religiosas. "Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história." É Moisés, na travessia das águas e na jornada pelo deserto. Nos seus dois discursos de posse, Dilma Rousseff apalpou a linguagem das tiranias personificadas.

Condutor? Comandante? Eterno Presidente? Líder Genial dos Povos? Grande Timoneiro? A linguagem faz diferença, pois a política, em tempos de paz, é feita de palavras. Democracia é o regime das instituições, não dos líderes. Nas Repúblicas democráticas, nenhum líder sintetiza o povo - e exatamente por isso existem oposições legais. Delinquindo nos interstícios da lei, a Petrobrás batizou com o nome de Lula o campo petrolífero de Tupi. O culto a Lula é uma ferida na alma da democracia. Dilma subiu a rampa fazendo as orações desse culto bizarro.

Os discursos de posse de Dilma devem ser lidos como harmonias interrompidas. A presidente tenta desabrochar, insinua-se e esboça um aceno; ansiosa, tropeça e cai. Aqui e ali, por todos os lados, encontram-se os indícios da sua vontade de governar "para todos os brasileiros e brasileiras". Mas o propósito se estiola no caminho, sempre que colide com um dogma do lulismo.

Há o desejo discernível e, contudo, frustrado de construir uma narrativa realista do período pós-ditadura militar. "Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Por isso, ao saudar os avanços extraordinários recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje." Ela poderia ter dito: José Sarney consolidou as liberdades políticas, Fernando Collor iniciou a abertura comercial, Itamar Franco fez o Plano Real, FHC ergueu o edifício da estabilidade econômica. Mas não disse, pois pronunciar o nome de um predecessor seria incorrer no pecado da apostasia: a negação da primazia de Lula.

Lula falou quase sempre como chefe de uma facção - e, no dia de passar a faixa, referiu-se ainda aos opositores como "inimigos". Dilma, ao contrário, almeja falar como a "presidente de todos". Ela estendeu a mão aos partidos de oposição, sem pedir a ninguém "que abdique de suas convicções". Com o olho posto nas lições da campanha eleitoral, enfatizou o imperativo do combate à corrupção e declarou um compromisso "inegociável" com as liberdades individuais, de religião, de imprensa e de opinião. "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras", assegurou, reproduzindo a fórmula empregada no discurso de vitória. A declaração será posta à prova logo mais, quando a presidente abrir a gaveta onde repousa o projeto de controle estatal de conteúdos dos meios de comunicação, um presente de grego deixado por Franklin Martins, em nome de Lula.

Dilma prometeu uma política externa "baseada nos valores clássicos da diplomacia brasileira", oferecendo uma justificativa cifrada para o afastamento de Celso Amorim. Recitou, um a um, os princípios inscritos na Constituição: promoção da paz, não intervenção, defesa dos direitos humanos. "Direitos humanos", ela disse! É uma censura indireta a Lula, que elogiava ditaduras e traçava paralelos abomináveis entre presos políticos e criminosos comuns.

Entretanto, os interditos pontilham a estrada como campos minados. Logo depois dos direitos humanos, apartando-se do texto constitucional, Dilma mencionou o "multilateralismo". Em tese, o termo significa, apenas, o fortalecimento das instituições multilaterais, como a ONU, o FMI e o G-20. Na linguagem codificada do lulismo, condensa o impulso antiamericano que moldou a desastrada aproximação com o Irã. O "multilateralismo", nessa acepção pervertida, combina com a permanência de Marco Aurélio Garcia no posto de chanceler fantasma. "Lula estará conosco", lembrou a presidente que se sabe tutelada.

"Eu troquei meu nome e coloquei Dilma lá na cédula", avisou Lula na campanha eleitoral. O ex-presidente interpreta o novo governo como seu terceiro mandato e para exercer a tutela nomeou dois primeiros-ministros informais: Antônio Palocci, tutor externo, e Gilberto Carvalho, tutor interno. Ambos cometeram atos falhos antes do encerramento do primeiro dia de governo. Palocci dirigiu um pedido aos ministros: "Tenham-me como um de vocês, um da equipe, um do time." Ninguém que é "um de vocês" fala assim. Carvalho declarou em entrevista: "Lula não precisa de mim. Seria muita pretensão querer ser o espião do Lula no Planalto." O sarcasmo involuntário continua a ser sarcasmo.

Marta Suplicy nunca aprendeu a arte política da sublimação do desejo: a senadora proclama, gritando, o que deve ser sussurrado. Certa vez, nos bastidores de uma reunião da Direção Nacional do PT, incorporou a persona da rainha de Alice para exigir, aos berros, a expulsão imediata de uma corrente minoritária. Agora, na posse da presidente, alertou para a presença perene de Lula - "ele estará sempre disposto a ajudar Dilma no que ela precisar" - e enviou uma mensagem a interlocutores genéricos: "Há uma parceria entre Dilma e Lula que ninguém quebra."

Ninguém quebra? Se Marta tiver razão, Dilma não será, jamais, a "presidente de todos" - e não será nem mesmo a chefe de uma facção. Mas ela pode estar errada, pois a infalibilidade é um atributo exclusivo de Lula. Nessa hipótese, para o bem da democracia, o Brasil terá uma presidente, não um governo subterrâneo.

(*) Sociólogo, é Doutor em Geografia Humana pela USP.

Politicagem

Merval Pereira – O Globo

Tanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quanto o líder do PMDB, Henrique Alves, estão certos quando afirmam, de maneira direta ou indireta, que é irresponsável querer dar um aumento maior para o salário mínimo, ou então vincular a discussão do aumento à distribuição dos cargos no governo.

Mas tanto um quanto o outro esbarram em atitudes políticas de seus respectivos partidos, o petista de quando ainda era oposição, longo tempo atrás, e o peemedebista no presente, embora seu partido esteja no governo.

O salário mínimo foi fixado em R$ 540 de acordo com uma política acertada com os sindicatos em 2007, com validade até 2023, baseada em critério que combina a reposição da inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois anos anteriores.

Como o crescimento do PIB em 2009 foi negativo por causa da crise econômica mundial, o reajuste do mínimo será menor este ano. Mas com a economia tendo se recuperado em 2010, com crescimento próximo a 7%, em 2012 o mínimo terá um reajuste maior.

Não há, portanto, razão para mudanças de critérios, e o PMDB não deveria estar testando a capacidade do governo de aumentar sua proposta.

Esse papel deveria ser da oposição, que, aliás, tem uma bandeira para apresentar nesse sentido. Afinal, seu candidato à Presidência, José Serra, a certa altura da campanha, tentou sensibilizar o eleitorado lulista garantindo que levaria o salário mínimo para R$ 600 se fosse eleito.

Essa proposta, por sinal, fez com que Serra apresentasse um crescimento no Nordeste, por exemplo, onde o governo domina eleitoralmente.

Tanto o aumento do salário mínimo para R$ 600 quanto o 13 para a Bolsa Família foram promessas demagógicas buscando efeitos eleitorais nas camadas mais pobres da população.

Não foram suficientes, no entanto, para mudar a tendência do eleitorado, e nem mesmo para alterar o teor da oposição ao governo federal.

Uma famosa foto de maio de 2000 mostrando várias figuras importantes do PT rindo debochadamente, fazendo gestos com os dedos mostrando que o aumento do salário mínimo dado naquele ano pelo governo Fernando Henrique fora pequenino, é emblemática.

Estão nela três futuros ministros de Estado, então deputados federais: José Dirceu, Antonio Palocci, e Ricardo Berzoini.

Era o PT oposicionista, que não dava bola para o bom senso e pressionava o governo tucano para dar um aumento maior ao salário mínimo.

Já no governo Lula, os que queriam ampliar a generosidade do aumento do salário mínimo foram chamados por Lula de “irresponsáveis”.

Da mesma maneira, hoje, o PMDB, que quer um salário mínimo maior que R$ 540 não por defesa do trabalhador, mas por interesses próprios, vai sendo apontado à execração pública quando ameaça misturar a distribuição de cargos com a votação no Congresso.

A ponto de ser obrigado a dar uma nota oficial dizendo que seria uma atitude irresponsável misturar $assuntos.

De certo é, mas o interessante dessa disputa é que o PT sempre fez isso enquanto era oposição, e agora o PSDB não consegue fazer o mesmo com o governo do PT, e o PMDB tentava pegar essa brecha para pressionar o governo.

Culpado, no entanto, com sua fama de fisiológico, o PMDB não consegue manter uma posição de consenso para pressionar o governo, ao mesmo tempo em que o PSDB não consegue se unir em torno de uma proposta mais ousada com relação ao mínimo, sabendo que um aumento maior seria realmente irresponsável.

O candidato tucano Serra, que tem fama de fiscalista e rigoroso nas contas públicas, tinha argumentos técnicos para justificar o aumento proposto, e acusava o governo de desperdiçar dinheiro público.

Mas essa não é uma bandeira que agrade ao PSDB de maneira geral, assim como foi difícil para os tucanos serem a favor do fim da CPMF, batalha ganha, sobretudo, pelo DEM no Congresso.

O novo governo petista, aliás, viu-se tentado a ir além logo depois da vitória, aceitando dar uma espécie de antecipação do aumento do mínimo de 2012, mas teve que recuar diante da precariedade das contas públicas.

Como alguns países, o Brasil repassa para os aposentados o chamado “ganho de produtividade” para o salário mínimo, mas antecipar esse ganho seria uma exceção que acabaria virando a regra, numa distorção do espírito da legislação em vigor.

Num sinal de que será mesmo preciso mexer na legislação previdenciária para conter o déficit crescente, o governo vem adotando a prática de aumentar a remuneração de dois de cada três aposentados (os que ganham o salário mínimo) em algo em torno de 5% ao ano todos os anos, o que aumenta o tamanho do débito.

Ao mesmo tempo, essa prática, iniciada no governo de Fernando Henrique, mas em ritmo menos intenso, é um dos pilares da melhoria do poder de compra da nova classe média brasileira, o que dificulta uma mudança de política isoladamente.

A desvinculação da Previdência do salário mínimo poderia permitir que a política de aumentos reais não colaborasse com o aumento do déficit, mas o governo petista nunca teve coragem de assumir essa tese, que é aceita internamente, mas não se transforma em proposta de governo por questões políticas.

Todas essas distorções e incongruências, fruto da baixa politicagem, têm que ser superadas se a presidente Dilma Rousseff quiser mesmo retomar a discussão das reformas estruturantes, entre as quais a da Previdência é das mais urgentes e precisa ser feita com objetivo de longo prazo.

Aliança contra o crime

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Na semana que vem o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, começa a percorrer o País em busca do apoio de todos os governadores para a construção de uma política conjunta de segurança pública.

O ministro inicia o périplo com um gesto simbólico, procurando primeiro os governadores de São Paulo e de Minas Gerais, não apenas porque governam os maiores Estados do Brasil, mas principalmente porque Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia são filiados ao PSDB, principal partido de oposição ao governo federal.

Convencido de que as divergências político-eleitorais têm sido o principal obstáculo ao entendimento e que sem ele o Estado não tem chance de vencer a luta contra o crime organizado, José Eduardo Cardozo irá desarmado aos governadores: sem planos prontos, disposto a ouvir, a construir projetos integrados e a compartilhar dividendos políticos.

"Não haverá heróis nem autores privilegiados porque a crise é séria, requer união de todos e a compreensão de que quando o crime entra no Estado é o Estado de Direito que fica comprometido", diz ele, anunciando que o pressuposto dessa aliança não é a adesão política.

"Se houver esse tipo de exigência ou qualquer forma de imposição, será uma tentativa fracassada." Como tantas outras. A despeito de reivindicar para o governo Luiz Inácio da Silva algumas realizações no setor, como a instituição do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) concentrado na área da prevenção, Cardozo reconhece que o Estado fez pouco ou quase nada nos últimos anos.

Tende a concordar com a tese de que presidentes oriundos da esquerda, Fernando Henrique Cardoso e Lula, de alguma maneira têm constrangimento em tratar de políticas de repressão por receio de se identificar com políticos ditos conservadores. "É uma hipótese real, mas chegamos a um ponto em que não temos saída: ou enfrentamos o problema ou somos derrotados por ele."

O ministro não vê chance de êxito fora da unidade de ação. E, para isso, acha essencial que a iniciativa de despolitizar a questão seja federal.

Não obstante a evidência de que a recente ação das Forças Armadas no Complexo do Alemão, no Rio, tenha sido possível por causa da aliança política entre Lula e o governador Sérgio Cabral, Cardozo considera que o pressuposto não pode ser esse.

Daí a ideia de iniciar essas conversas agora, bem longe na próxima eleição, em 2012. "Quando a eleição municipal se aproximar já deveremos ter avançado tanto nas ações e estabelecido uma integração administrativa tal que a disputa partidária ficará em segundo plano. Pelo menos é o que eu espero que aconteça."

As visitas aos governadores serão individuais, seguidas de encontros com os respectivos secretários de segurança.

Al mare.
O ministro da Justiça pretende manter a estrutura do Arquivo Nacional no Rio. E despachar algumas vezes por mês na cidade.

Arrumação.
A presidente Dilma Rousseff vai retomar com a imprensa um hábito comum no governo Fernando Henrique e que foi abandonado na gestão Lula: os contatos periódicos com jornalistas para conversas informais e encontros com diretores de veículos de comunicação.

Dilma começa na semana que vem com um café da manhã cuja lista de convidados está sendo elaborada.

Querubins.
PT e PMDB não têm razão para reclamações recíprocas. Nessa aliança ninguém pode dizer que a cigana enganou alguém.

Vão ser quatro anos de embate entre dois partidos que sabem o que é poder e não têm constrangimento na luta.

Diferente do pensionato para moças de fino trato e nenhum tato chamado PSDB, onde tampouco há serafins. A diferença essencial é que, enquanto defendem suas respectivas fileiras, os tucanos concentram energias no exercício da autofagia.

No momento, com especial destaque ao governador Geraldo Alckmin.

Presidente do STF decide manter Cesare Battisti preso

Laryssa Borges e Claudia Andrade, Portal Terra

Foto: Alessandro Buzas/Futura Press

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, decidiu nesta quinta-feira, em caráter individual, manter preso o ex-ativista italiano Cesare Battisti. Com a decisão, ele negou os apelos da defesa, encabeçada pelo advogado Luís Roberto Barroso, para que o italiano fosse colocado em liberdade imediatamente. O magistrado, que em sua decisão destacou que não haveria "fato novo" que pudesse comprovar uma suposta perseguição ao italiano caso ele retornasse a seu país de origem.

O magistrado remeteu o habeas-corpus que pede a liberdade imediata de Battisti ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso. Mendes, no entanto, só deverá analisar o pedido de soltura de Battisti a partir de 1º de fevereiro, quando tem início o Ano Judiciário. Ele poderá decidir sobre a liberdade do ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) tanto em caráter monocrático, quanto remeter o processo ao Plenário, para que todos os atuais 10 ministros da Suprema Corte opinem sobre a questão. O governo italiano havia solicitado ao STF na terça-feira a manutenção da prisão de Battisti, alegando que o alvará de soltura deveria ser analisado pelo Plenário do Supremo.

Tanto Peluso quanto Mendes defenderam, quando da análise do pedido de extradição de Battisti, em 2009, que era irregular o refúgio político concedido ao italiano pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro. O status de refugiado em tese poderia arquivar de imediato o julgamento do processo de envio do ex-ativista a seu país de origem, mas os ministros do STF decidiram na mesma ocasião que a palavra final caberia ao presidente da República.

No dia 31, último dia de seu governo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o argumento de que Cesare Battisti poderia ter a "situação agravada" caso fosse entregue às autoridades italianas como base para negar a extradição. "Conclui-se que há ponderáveis razões para se supor que o extraditando possa ser submetido a agravamento de sua situação pessoal", diz parecer do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Ex-integrante de organizações de extrema-esquerda, Battisti foi condenado à revelia pela Justiça de seu país à prisão perpétua por quatro assassinatos, ocorridos no final da década de 1970. Depois de preso, Battisti, considerado um terrorista pelo governo italiano, fugiu e se refugiou na França e na América Latina.

Ainda que a decisão de Lula tenha sido favorável ao ex-ativista italiano, o caso deve ser reaberto no STF. É que desde dezembro de 2009, após já ter confirmado que Battisti deveria ser extraditado ao seu país de origem, ministros da Suprema Corte admitem novos recursos no processo. O argumento que balizaria esses recursos seria um suposto descumprimento, pelo presidente Lula, do tratado de extradição firmado entre brasileiros e italianos em 1989.

Assinado em Roma em outubro daquele ano, o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália prevê que o governo entregue o extraditando, sob pena, de acordo com o advogado Antonio Nabor Bulhões, de Lula poder responder junto ao Congresso brasileiro ou até à comunidade internacional para desobediência ao documento bilateral.

Battisti está preso no Brasil desde 2007

Caso Battisti e a diplomacia companheira

O Globo - Editorial

O lulopetismo patrocinou profunda reciclagem em quadros da administração pública. Pela primeira vez depois da redemocratização, desembarcaram em Brasília corporações sindicais e diversos agrupamentos de esquerda com chance real de tomar conta de espaços importantes no aparelho de Estado. Foi o que aconteceu.

Os chamados cargos de confiança — quadro ampliado nos últimos oito anos para 22 mil postos, população de muita cidade brasileira — permitiram uma farra, pois podem ser preenchidos numa canetada, sem qualquer exigência, a não ser o compadrio político, ideológico ou pessoal.

Áreas da máquina pública foram “doadas” a aliados, casos do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, privatizados por organizações sem terra. Desvio que o novo ministro, Afonso Florence, parece querer corrigir. A ver.

Mas, ao lado da ocupação de gabinetes e da invasão de folhas de salários, houve a captura de políticas que devem ser de Estado pela ideologia nacional-estatista e terceiro-mundista carregada como andor pelo lulopetismo.

A crise em torno do exilado italiano Cesare Battisti, centro de séria rusga diplomática entre Roma e Brasília, deriva da brusca mudança de eixo executada nestes últimos dois governos na política externa brasileira. De multilateralista e equilibrada, ela se tornou terceiro-mundista e antiamericanista à moda dos anos 60 e, na América Latina, em consequência, alinhou-se na defesa ativa do regime cubano e da nova onda de nacional-populismo iniciada com a chegada de Hugo Chávez ao governo da Venezuela.

E, quando ideologia passa a comandar políticas públicas, tudo pode acontecer. Como o tratamento com pesos e medidas diferentes de questões idênticas: se atletas cubanos desejam ficar no país para escapar do stalinismo tropical de Fidel, eles são detidos e colocados em avião venezuelano de volta à ilha (depois, eles escaparam para territórios seguros: Estados Unidos e Europa); se o exilado é Cesare Battisti, ex-militante da extrema esquerda italiana, a sua linhagem ideológica leva a que autoridades façam o possível para que ele não cumpra a pena de prisão perpétua estabelecida pela Justiça da Itália, por quatro assassinatos cometidos.

O então ministro da Justiça, Tarso Genro, atropelou a decisão do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), em que o próprio representante do ministério votou pela aceitação do pedido de extradição feito pelo governo italiano, e manteve Battisti no Brasil, onde se encontra preso à espera de decisão final, a ser dada agora pelo Supremo. Tarso alegou proteger Battisti de “fundado temor de perseguição por opinião pública” (?!).

Há um imbróglio jurídico a ser resolvido: o STF, por 5 a 4, decidiu pela extradição, mas concedeu ao presidente Lula a palavra final. Este a usou, no último dia de governo: concedeu status de refugiado a Battisti e deflagrou de vez a crise.

Há recursos do advogado de Battisti e da Itália, os quais o Supremo examinará depois do recesso, em fevereiro. A não ser que o presidente da Corte, Cezar Peluso, volte atrás e resolva decidir já.

Uma crise desnecessária, causada pela subjugação de interesses de Estado a preferências partidárias. É evidente a contaminação política do caso. Mas registre-se que das manifestações ocorridas na Itália contra a decisão de Lula também participaram partidos de esquerda.

É de temer o que nos espera para 2011

Claudio Schamis, Opinião & Notícia

Será que é isso que nos espera? Arrocho na gente e vida ‘relativamente’ mansa com salários faraônicos para deputados, senadores, ministros e agregados?

Ano novo! Feliz 2011! Somos guerreiros sobreviventes. Ufa, o pior já passou! Que é justamente o primeiro dia útil para alguns do difícil recomeço. E não é porque o Lula tá de chinelos, comendo pastel, lendo jornal – pasmem! – e vendo televisão – podem pasmar! É de pasmar – que vou reservar um lugar no sofá da sala para assistir ao Big Brother Brasil 11 comendo batatinhas fritas. Um, dois, três.

Ia contar até dez para não explodir de vez, depois de ver a foto do ministro do Turismo, Pedro “Taradão” Novais, assumir mesmo o cargo. Alguém viajou nessa história. Mas a cúpula do PMDB, já armou um esquema e escoltou o ministro para que não houvesse nenhuma ‘piriguete’ querendo repetir o programa. A escolta contava com nada mais nada menos que o homem incomum, José Sarney, e também com sua filha, Roseana Sarney (Meda!) e, de quebra, ainda com Michel Temer.

E é de temer o que nos espera, depois da grande surpresa e piada contada por Novais quando anunciou um esforço concentrado de 120 dias – porque 120 dias? – que inclui o fim da farra de recursos do ministério para festas e folguedos. Mas será que motel vai ainda poder? Também ficou estranho a piadinha que Novais soltou ao abraçar apertado a filha, Cláudia, que usava um vestido tomara que caia (mas não caiu) de cetim preto e que chamou a atenção pelo corpo bem torneado, quando disse que era a namorada dele. Sua esposa com olhar crispado não quis nem comentar a piada nem o episódio envolvendo o maridão na festinha com 15 casais num motel e pago com o meu, o seu, o nosso dinheiro, através da verba indenizatória da Câmara. E chorando, Novais, mandou avisar aos seus inimigos que está bem de saúde e se defendeu dizendo que nunca fez nada de que pudesse se envergonhar.

Então tá!

Mas então…Que coisa feia isso do ministro Mantega dizendo que o governo vai vetar o salário mínimo acima de R$ 540,00. Legal isso, né? Alguém explica isso? Por quê? Puurrrrrrrquêeeeeee? Como diria Tim Maia: “É engraçado, às vezes a gente sente, e fica pensando, que está sendo amado (pelo governo), que está amando (o governo), e que encontrou tudo o que a vida podia oferecer, e em cima disso, a gente constrói os nossos sonhos, os nossos castelos (tem deputado que já tem o seu) e cria um mundo de encanto onde tudo é belo (até o Lula e agora a Dilma) até que… Me dê motivo, foi jogo sujo, a dor e forte demais para mim. Agora é tarde, não tem mais jeito, o teu defeito (sempre) terá perdão. Já que você quis assim, tudo bem! Podes crer, eu vou sair por ai (e tentar arrumar mais um emprego). Me dê motivo”. É, me dê motivo, para o governo Lula não ter vetado o aumento abusivo dado pelos parlamentares para eles mesmos? Diz aí, Mantega!

Será que é isso que nos espera? Arroxo na gente e vida ‘relativamente’ mansa com salários faraônicos para deputados, senadores, ministros e agregados?

Dilma, qual é? Oh, tô de olho! Tenho em meu poder a lista completa de suas promessas de quando você era candidata e tenho gravado suas promessas de você já empossada presidente. Faz isso comigo não. Não votei em você, mas moro aqui. Sou trabalhador. Abre o olho! E não faz isso com quem votou em você. Se bem que essa gente talvez nem ligue muito para certas muitas coisas, pois Lula aprontava muitas e boas e o povo ainda aplaudia. E achavam tudo lindo. Quem acha tudo lindo é Caetano!

Mas comigo não, chulé! Já disse, tô de olho!

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambientes fechados.

E Feliz 2011! Com muita paz, leitura e poesia! ( frase bônus)

O governo como banquete

O Estado de São Paulo

A primeira crise política do novo governo é assunto exclusivo do próprio governo. A oposição fica a distância, enquanto o partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, se engalfinha com seu maior aliado, o PMDB, na disputa de cargos do segundo escalão. Fisiologismo? Sem dúvida, mas a história é mais complicada e envolve o próprio sentido da palavra "governo". Para o espectador superficial, essa briga é apenas mais um aspecto singular da cena política brasileira, tão peculiar e tão própria do País quanto a jabuticaba. Não se governa o Brasil sem alianças, por causa do sistema partidário, e alianças pressupõem um arranjo parecido com um condomínio. Até aí, nenhum mistério, mesmo para o observador estrangeiro. Mas a singularidade da política nacional vai muito além desse ponto. Uma de suas manifestações foi a entrevista do ministro Guido Mantega, na terça-feira.

O governo, disse o ministro, vetará qualquer aumento do salário mínimo superior àquele proposto pelo Executivo. Por essa proposta, o salário básico nacional passa de R$ 510 para R$ 540. Esse valor está embutido, por exemplo, na projeção dos gastos da Previdência Social. Cada real a mais ocasiona um acréscimo de R$ 286,4 milhões na despesa orçamentária. Se o Congresso mexer na medida provisória relativa ao salário mínimo e aprovar um valor acima dos R$ 540, agravará o desequilíbrio das contas públicas e tornará mais difícil o controle da inflação, uma das dores de cabeça do novo governo.

A quem se dirigia Mantega? Não só à oposição, mas principalmente ao PMDB e aos demais partidos da chamada base aliada. Parlamentares do PMDB já haviam manifestado a disposição de propor um salário superior aos R$ 540. Se o fizerem, terão com certeza o apoio de outros "governistas", especialmente daqueles vinculados ao sindicalismo. Mas a disposição dos peemedebistas é interpretada principalmente como chantagem de quem se sentiu esbulhado pelo partido da presidente Dilma e exige uma reparação.

Algum fisiologismo pode parecer normal na relação entre partidos aliados. O mesmo se pode dizer sobre a disputa de poder num condomínio político. Mas o caso é muito mais grave na relação entre PT e PMDB. Não se trata, nesse episódio, de uma disputa secundária entre grupos unidos, essencialmente, por uma proposta comum de governo. Essa proposta compartilhada não existe. Ou existe, na melhor hipótese, apenas como um compromisso nominal, necessário para a confecção de uma bandeira de campanha. O fisiologismo e o desejo de controlar instrumentos de poder - e, portanto, de conquista de vantagens de todo tipo - são os únicos cimentos dessa aliança. Não há nada além disso.

A presidente Dilma Rousseff e seus principais assessores anunciaram como uma de suas prioridades uma arrumação fiscal em 2011. Anunciaram também a disposição de conter as pressões inflacionárias, muito fortes desde o ano passado. Em países com tradição política diferente, esses objetivos seriam partilhados por todos os participantes da aliança de poder - e até por uma oposição à altura do seu papel institucional.

Ao ameaçar o governo com a apresentação de medidas incompatíveis com a política fiscal, peemedebistas deixaram claro seu absoluto desinteresse em relação aos objetivos do governo. De tão escandalosa, essa realidade acabou provocando uma reação do vice-presidente Michel Temer. O PMDB, segundo ele, só apoiará uma proposta de salário mínimo "compatível com as possibilidades do erário". O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, peemedebista como Temer, declarou-se disposto a assumir o papel de moderador no debate entre Executivo e Legislativo.

Segundo Garibaldi, o PMDB, "como qualquer outro partido", vai lutar pela melhoria do salário mínimo. Mas tem sentido considerar o PMDB um partido como qualquer outro? Sim, tem sentido, no singularíssimo sistema brasileiro. Em outros países, participar do governo significa assumir responsabilidades comuns em relação a um projeto comum. No Brasil, significa participar das vantagens do poder, em troca de um apoio ocasional e sujeito a nova negociação, com novo preço, em cada circunstância. O fisiologismo, nesse caso, não é acidente, mas a essência.

Luz para poucos no país

Nicholas Vital, da EXAME

Apesar de toda a propaganda em torno do programa Luz para Todos, há ainda 2,5 milhões de residências no país sem acesso à energia elétrica

Cristiano Mariz/EXAME.com
Joaquim Macedo e a mulher, Agostinha:
nascidos e criados em Betânia do Piauí, eles nunca tiveram energia elétrica em casa

O agricultor piauiense Joaquim José Macedo, de 68 anos, não é um entusiasta da política, mas tem na ponta da língua muitas das propostas feitas pela presidente eleita, Dilma Rousseff, durante sua campanha. Ao lado da mulher, Agostinha Maria, de 70 anos, ele ouvia diariamente o horário eleitoral pelo velho rádio de pilha que ocupa um lugar de destaque na sala de sua casa humilde, com tijolos à mostra. O casal, visitado pela reportagem de EXAME, mora na zona rural de Betânia do Piauí, município de 8 000 habitantes, localizado a 500 quilômetros da capital, Teresina. “Só conhecemos a voz da Dilma”, afirma Macedo. “Se eu encontrar com ela na rua, não vou saber quem é.”

Os Macedo não têm televisão. Também não têm geladeira, ventilador nem qualquer outro eletrodoméstico. O motivo: a área onde moram não é atendida pela rede elétrica da estatal Eletrobras Piauí, antiga Cepisa, considerada uma das piores distribuidoras de energia do país. Nascidos e criados em Betânia, os Macedo nunca tiveram energia elétrica em casa. Segundo eles, muitas promessas já foram feitas nos últimos 20 anos, mas até hoje não há sinal de luz por perto. “Desta vez, espero que a presidente Dilma cumpra o que disse na campanha e leve realmente a luz para todos os brasileiros”, diz ele.

Estatísticas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que o Brasil ainda possui quase 2,5 milhões de domicílios sem atendimento, ao menos oficialmente, da rede elétrica, a maioria deles nas regiões Norte e Nordeste. São cerca de 10 milhões de pessoas que vivem na escuridão, 640 000 apenas no Piauí, estado com o maior índice de residências sem abastecimento: 24%. Em São Paulo, o estado em melhor situação, esse índice é 0,4%. No Piauí, a cidade de Betânia é a que possui o mais baixo índice de atendimento: apenas 17% das 1 810 casas — ou seja, 309 lares — estão oficialmente ligadas à rede elétrica. A cidade também não tem rede de saneamento e a água potável chega por caminhões-pipa.

Pode-se dizer que entre os brasileiros que estão no escuro também figura o principal executivo da Eletrobras Piauí, Pedro Hosken. Presidente da companhia desde abril de 2010, ele despacha do Rio de Janeiro, a mais de 2 000 quilômetros de onde estão os problemas, e afirma desconhecer a situação operacional do negócio. Hosken diz não saber que no núcleo urbano de Betânia do Piauí, onde as linhas de transmissão da empresa chegaram há seis meses, o serviço ficou pela metade. Até agora as ligações domiciliares não foram feitas. Mas, com os postes por perto, muitas casas estão roubando energia por fios puxados clandestinamente, os chamados “gatos”. Hosken não sabe também que os funcionários da Eletrobras Piauí vêm instalando medidores de consumo em casas com “gatos”. Ou seja: eles não fazem a ligação oficial, mas instalam o equipamento na saída da linha ilegal.“É uma coisa absurda, que eu vou mandar averiguar”, diz Hosken. Ele admite que a situação da companhia é complicada. Em 2008, quando a Eletrobras iniciou uma intervenção para sanear a Cepisa, o prejuízo acumulado era de 1,3 bilhão de reais, 130 000 clientes estavam sem medição de consumo e o nível de inadimplência médio era de seis meses e meio. “Aportamos 1,2 bilhão de reais para respirar”, afirma Hosken. “Mas as condições ainda são difíceis. O nível de perdas é elevado e os funcionários estão desmotivados.”

Em Betânia não existe posto de atendimento da concessionária. Quando algum problema é identificado, técnicos precisam ser deslocados da cidade vizinha de Paulistana, num trajeto de 50 quilômetros por estradas de terra. Muitas vezes, reparos simples levam dias para ser feitos. “O atendimento da Eletrobras na cidade é péssimo”, afirma o prefeito José Evangelista da Rocha (PDT). “Já fui cobrar melhorias várias vezes, mas os prazos nunca são cumpridos.” A Eletrobras Piauí diz que foram feitas mais de 100 000 novas ligações de energia no estado em 2009 e 2010, números que ainda não teriam sido computados pela Aneel nas estatísticas. Faltaria ligar cerca de 50 000 casas. “Vamos chegar ao fim de 2011 com todos os domicílios conectados à rede elétrica”, afirma Pedro Hosken. Enquanto isso não ocorre, famílias que ainda não têm acesso ao serviço levam uma vida quase medieval. A varredora de rua Leonice dos Santos Alves, de 35 anos, mora no centro de Betânia com os quatro filhos, o neto recém-nascido e o genro em uma casa de apenas um cômodo. “É uma situação bem ruim”, afirma Leonice. “Temos uma criança pequena e não podemos guardar leite ou um pedaço de carne porque não dá para ligar uma geladeira.”

Mercado paralelo
Diante da ausência da concessionária, os betanhenses cada vez mais adotam “gatos” para sair do escuro. Na cidade, por toda parte é possível ver postes de madeira improvisados e fios pendurados, estendendo-se até por mais de 1 quilômetro. Alguns ex-funcionários da Cepisa passaram a oferecer ligações clandestinas. Cobram 30 reais pelo serviço. “É só subir no poste, fazer a emenda e puxar até a casa”, diz um desses especialistas, que prefere não se identificar. Ele conta que, desde que os novos postes foram instalados, fez pelo menos 50 extensões ilegais. “Fora as mais de 100 que eu tinha feito antes.” A proliferação desse mercado tem criado novas situações esdrúxulas.

A funcionária pública Ilda Venância da Silva, de 37 anos, foi uma das pessoas que contrataram os serviços do ex-empregado da Cepisa. Ela mora com o marido e três filhos numa casa modesta na periferia de Betânia e viu um poste da Eletrobras Piauí ser instalado na porta de casa. Cansada de esperar pela ligação oficial, decidiu puxar um “gato”. Meses depois, os técnicos da concessionária apareceram em sua casa. Disseram que iriam colocar um relógio medidor de consumo e que voltariam em alguns dias para fazer a ligação oficial. A moradora autorizou o serviço e o relógio foi instalado na fiação existente. Os funcionários nunca mais voltaram, mas as contas de luz começaram a chegar — e em dobro. Devido a um erro da companhia, Ilda tem recebido duas faturas todo mês. “A gente tenta fazer a coisa certa, mas aqui é impossível”, diz ela, que vem pagando as contas por medo de ter o nome inscrito no cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito.

A maioria dos vizinhos de Ilda, no entanto, não permitiu a instalação do relógio. Eles exigem um serviço de qualidade antes do início da cobrança. Devido ao grande número de ligações ilegais, o fornecimento de energia na cidade é irregular. No horário de pico, por volta das 20 horas, a eletricidade que chega às casas é insuficiente para ligar um ventilador. As lâmpadas ficam amareladas e todos os aparelhos precisam ser desligados das tomadas, sob o risco de, por causa de um pico da energia, nunca mais voltarem a funcionar. A dona de casa Emerenciana Jesus Neto, de 37 anos, já foi vítima da instabilidade da rede. Há cinco anos, teve a geladeira queimada por uma descarga elétrica. “Esse é o preço do ‘gato’ ”, diz. “Eu não vou arriscar comprar outra, pois vai queimar também.” Desde então, o eletrodoméstico é usado para guardar copos e panelas. “Troquei uma geladeira por um armário”, brinca ela.

Erro de avaliação
Depois do Nordeste, o Norte é a região que mais concentra brasileiros desprovidos de energia elétrica. Lá estão os outros três estados em pior situação logo acima do Piauí no ranking: Tocantins, Acre e Pará. Nesses locais, é compreensível a dificuldade de chegar com os fios até as famílias que vivem isoladas na imensidão amazônica. “A floresta e o clima desfavorável são barreiras naturais”, diz Flávio Decat, presidente da Celpa, concessionária paraense privatizada em 1998 e controlada pelo grupo Rede. “Além disso, o Pará é muito grande. Só o município de Altamira tem mais da metade do tamanho do estado de São Paulo.” Ele afirma que a Celpa fez mais de 100 000 ligações em 2010 e, com isso, o índice informado pela Aneel não corresponderia mais à realidade atual do estado. Como no Piauí, o objetivo no Pará é chegar a 100% de atendimento até o final de 2011.

O Programa Luz para Todos, lançado em novembro de 2003 pela então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, de início estabeleceu como meta atender à totalidade da população rural no país até o final de 2008. Mas houve erro de avaliação. Imaginou-se que seriam 10 milhões os brasileiros sem luz no campo. No caminho, foram descobertas muitas novas famílias que vivem no escuro, e não só na zona rural, como se vê no Piauí. O objetivo de levar luz para todos foi então postergado duas vezes. Para cidadãos como Joaquim José Macedo, de Betânia, será uma grata surpresa se em breve uma promessa de campanha se concretizar.

Itamaraty dá passaporte diplomático a filhos de Lula

Josias de Souza, Folha.com

Em 29 de dezembro, 48 horas antes do fim do governo, o Itamaraty concedeu passaporte diplomático a dois filhos de Lula.

O documento confere tratamento diferenciado a seus portadores nas viagens a países que mantêm relações diplomáticas com o Brasil.

Deve-se a revelação ao repórter Matheus Leitão. Em notícia veiculada na Folha, ele informa:

1. Pelas normas em vigor no Itamaraty, os dependentes de autoridades só podem receber passaporte diplomático em duas situações.

2. Concede-se o documento quando o dependente tem até 21 anos ou quando é portador de deficiência física.

3. Chamam-se Luís Cláudio Lula da Silva e Marcos Cláudio Lula da Silva os dois filhos do ex-presidente favorecidos pelo Itamaraty.

4. Luís Cláudio tem 25 anos. Marcos Cláudio, 39. Ambos usufruem de perfeita e invejável saúde.

5. Ouvido, o Itamaraty alegou que a dupla já dispunha de passaporte diplomático. Fez-se no dia 29 apenas a "renovação".

6. Longe de justificar, a explicação complica. Fica entendido que o privilégio vem de longe.

7. No caso de Marcos Cláudio, o beneficiário mais velho, o descalabro durou o tempo do governo do pai: 8 anos.

8. O repórter manuseou o ato do Itamaraty que concedeu o benefício aos filhos de Lula. Assina-o o ex-chanceler Celso Amorim.

9. O documento anota que os passaportes especiais foram emitidos “em caráter excepcional”.

10. Ministro de Lula nos dois reinados, Amorim escorou sua decisão no parágrafo 3º do artigo 6º do decreto 5.978, de 2006.

11. Nesse trecho, o decreto concede ao chanceler de plantão o poder de autorizar a emissão de passaportes diplomáticos “em função do interesse do país”.

12. Assim, por alguma razão que o Brasil desconhece, se Luiz Cláudio e Marcos Cláudio forem em férias ao exterior, viajarão no “interesse do país”.

13. Ao chegar ao destino, os filhos de Lula serão conduzidos a filas especiais e submetidos a controles mais brandos.

14. Desfrutarão de tratamento semelhante ao dispensado a presidentes e vice-presidentes da República, ministros de Estado e juízes de tribunais superiores, diplomatas e e congressistas.

15. Luiz Cláudio é o filho caçula de Lula. Hoje, é hospede do Forte dos Andradas, a instalação militar que Lula escolheu para passar as férias com a família.

16. Marcos Cláudio é filho do primeiro casamento de Marisa Letícia. Foi adotado por Lula.

17. Os passaportes de ambos têm validade de quatro anos. Suas viagens servirão ao “interesse do país” pelo menos enquanto Dilma Rousseff for presidente.

18. Afora todas as vantagens, o Itamaraty livrou os Lula da Silva do pagamento de R$ 194.

19. É esse o valor da taxa que o governo cobra dos brasileiros convencionais que requisitam a emissão de passaportes ordinários.

O trabalhador como peça descartável

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

O que significa o trabalhador, para o PMDB? Um zero à esquerda. Um lixo. Uma peça descartável.

Raras vezes se viu desfaçatez igual, na fisiológica luta do partido por espaços no governo Dilma Rousseff. Por conta de haver perdido os ministérios da Saúde e das Comunicações e os respectivos penduricalhos, mais os Correios, o PMDB ameaça votar contra o projeto que fixa o salário mínimo em 540 reais. Seus líderes falam da injustiça sofrida pelo trabalhador, pois o reajuste situa-se abaixo da inflação do ano passado. Dizem-se prontos a aprovar 580 reais. Caso, no entanto, o PMDB venha a ser contemplado com mais cargos, sentindo-se compensado, 540 reais bastam.

Na crônica do partido que um dia serviu de aríete para derrubar a ditadura, jamais seus dirigentes desceram tão baixo. Estivesse entre nós o dr. Ulysses e certamente pregaria a dissolução da legenda que ajudou a criar. Mandaria todos para as profundezas.

Mais vergonhoso nessa situação é o comportamento das bancadas, as novas e as velhas, que não tem participado da lambança dos comandantes. Porque nenhuma voz ouviu-se até hoje protestando diante da indignidade das negociações. Serão todos os deputados e senadores cultores do fisiologismo, também? Estarão à espera das migalhas desse banquete de horror, pretendendo tirar uma casquinha das nomeações?

O governo Dilma dispõe de teórica maioria no Congresso. A presidente da República apoiou e terá até participado da fixação do reajuste proposto ainda pelo presidente Lula. Mas o que dizer do Partido dos Trabalhadores? Seus parlamentares encontram-se fechados em torno dos 540 reais. Votarão em uníssono pela meleca, felizes todos com os mais de 60% de aumento que se deram, semanas atrás. O trabalhador que se dane, também para o PT.

Quanto ao PSDB e o DEM, sustentarão emenda propondo 580 reais. Serão os novos paladinos da justiça social? Nem pensar. O voto desses dois partidos exprimirá apenas a vontade de criar problemas para o governo. Em especial porque confiam na afirmação do ministro Guido Mantega, de que Dilma Rousseff vetará qualquer aumento, se porventura aprovado. Coisa que não acontecerá, é claro, dado o caráter de chantagem embutido na estratégia do PMDB.

Em suma, o trabalhador continua sendo peça descartável.

O novo governo na defensiva
No mínimo sofrível foi a solução dada pela presidente Dilma Rousseff para a crise com o PMDB. Ela simplesmente adiou para fevereiro o preenchimento das vagas de segundo escalão do governo, cobiçadas pelo partido. Empurrou a questão com a barriga. Espera que até lá os interesses possam ter sido compostos, alegando a importância de aguardar a eleição das novas mesas da Câmara e do Senado. Também um gesto de defesa foi o convite para o senador Romero Jucá permanecer na liderança do governo quando todos esperavam, inclusive o PT, a designação de alguém mais apropriado. Afinal, Jucá exerceu a liderança nos governos Fernando Henrique e Lula.

Ganharam a mão, querem o braço
Felizes com a anunciada privatização dos aeroportos e com a prometida redução de encargos nas folhas de pagamento de seus empregados, os dirigentes da Confederação Nacional da Indústria querem mais. Exigem a desoneração de investimentos, leia-se, das especulações financeiras. As estrangeiras já não pagam imposto de renda, por que não estender o benefício ao capital nacional? Alegam a importância de proteger os exportadores, desatentos ao fato de que cada vez mais o Brasil exporta produtos primários, prejudicando nossa própria indústria.

Bezerros, pandas, jegues e hienas
Dos Estados Unidos chegam notícias de um bezerro que nasceu com aparência de urso panda. Estão atrasados, os americanos, porque aqui no Brasil faz muito que os jegues nascem com aparência de hienas.

A luta desesperada dos partidos para abocanhar cargos no ministério e no segundo escalão do governo transforma líderes partidários em hienas atrás da carniça. No fundo, porém, são jegues, não percebendo como enfraquecem o poder público e as instituições. Acresce que em vez de indicarem gente apropriada para o exercício das funções, utilizam critérios meramente fisiológicos em seus pleitos.

Lula, nem ótimo nem bom

Roberto Macedo (*) - O Estado de São Paulo

Se ouvido na última pesquisa sobre o desempenho do ex-presidente Lula, eu estaria entre os 17% que o viram de regular para baixo. Ao estudar, fui ensinado a não me iludir com aparências, e o que predomina é uma versão de ótimo e bom que não corresponde aos fatos. É evidente que a economia esteve melhor sob Lula. Mas dizer que foi por causa dele é outra história. Surfou em duas ondas muito favoráveis. A externa, um crescimento ímpar da economia mundial, trouxe não só um melhor desempenho do produto interno bruto (PIB), mas também a superação de grave problema com que o Brasil se deparava havia muitas décadas, a tal escassez de divisas, responsável por muitas crises econômicas. Hoje sobram reservas e a última crise, que veio em 2008, não foi por falta delas, mas por contenção do crédito e de nossas exportações. O Brasil então escapou ao tradicional choque externo, com forte desvalorização cambial, aumento da inflação, dos juros, da dívida publica e pedido de socorro ao FMI.

A outra boa onda foi no plano interno, vinda dos governos Collor, Itamar e FHC, com renegociação da dívida externa, ajustes nas finanças públicas, inclusive privatizações, e abertura da economia, dando-lhe maior estabilidade e eficiência. Lula nunca reconheceu bem essas boas ondas. Sofismando, toma o que veio de bom depois dele como resultado de sua ação. Como corolário, o ruim não é com ele.

Vejo-o como um peão em rodeios. Neles, quem monta não recebe pontos se o animal não pula. Ora, Lula quase que só montou bichos mansos. Quando a crise pegou, o corcoveio da economia trouxe-o ao chão, mas aí veio com a conversa fiada da marolinha. Fez que não viu o vagalhão, que custou ao País perto de R$ 200 bilhões em crescimento perdido.

Também pode ser comparado ao comandante de um barco encalhado por uma estiagem, no leito seco de um rio. Vieram as chuvas, o barco desencalhou e o comandante diz que foi obra dele.

O número final do crescimento do PIB em 2010 deve ficar perto de 7%, e certamente se vangloriará disso, mas esquecendo o buraco de 2009, o que levará a uma taxa média próxima de 3,5% nos dois anos, ridícula se comparada à de países realmente empenhados em crescer, como a China e a Índia, a primeira, aliás, com suas importações ajudando muito o Brasil. Ao administrar, foi um desastre na área de pessoal, contratando mais sem maiores critérios, expandindo cargos providos sem concurso - em cuja elite hoje predominam companheiros sindicalistas -, e pagando salários bem maiores que os do mercado de trabalho, agravados pela aposentadoria privilegiada, que não conseguiu resolver. Também tornou obscuras e mais frágeis as contas governamentais, até mudando critérios de avaliação do superávit primário e expandindo fortemente a dívida bruta, além de usar boa parte do primeiro dinheiro do pré-sal para tapar buracos nessas contas.

Demonizou as privatizações, mas pouco fez para ampliar com vigor a capacidade de investimento da administração pública. Por essa e outras razões, são indispensáveis investimentos privados para a provisão de serviços públicos, mas relutou em fazer isso. Um caso emblemático está de novo nas manchetes, o crônico estrangulamento dos principais aeroportos, que não conseguiu resolver em dois mandatos. O nome disso não é competência. Ao sair, disse que foi fácil governar, mas a facilidade veio das duas ondas citadas, e também porque não enfrentou seriamente gravíssimos problemas. Como na infraestrutura, na saúde, na segurança e na previdência, entre outros. Também disse que pode ensinar a governar, mas quem precisa de ajuda é porque está difícil. Colocar gente no Bolsa-Família é fácil, com a economia gerando mais impostos, mas promover bolsistas via educação e trabalho é difícil, e não teve a mesma atenção.

Aliou-se ao que de pior existe na política brasileira. Emblemático disso foi que seu outrora inimigo político José Sarney fez questão de acompanhá-lo na viagem de saída. Na política externa, aliou-se a quem se marca pelo desrespeito à democracia, aos direitos humanos e até pelo cultivo de coca, optando por um terceiro-mundismo com ranço de antiamericanismo da esquerda de 50 anos atrás. Disse ser "gostoso (...) terminar (...) vendo os EUA, (...) a Europa (...) o Japão em crise", ignorando que com isso o Brasil perde exportações. No plano ético, procurou justificar o injustificável, como o mensalão e outros deslizes de companheiros.

Foi competente mesmo na arte da comunicação. Aí rivalizou com Chacrinha, tido como o maior comunicador da TV brasileira, que fez escola ao dizer que "quem não se comunica se trumbica". Lula tornou-se mestre ao praticar o corolário: quem se comunica se edifica. Só faltou jogar bacalhaus para as plateias.

Nessa comunicação foi auxiliado pela complacência de parte da mídia, também por conveniências, pois, conforme matéria recente da Folha de S.Paulo, ampliou de 499 para 8.094 o número de veículos de comunicação que recebem verbas de publicidade do governo federal. Outro aspecto da complacência é que Lula foi mais objeto de notícias do que de análises, nas notícias predominando sua "experteza" como comunicador. Terminou o mandato com mais um descaso pelo comportamento republicano, com a cumplicidade da companheira substituta. Como cidadão incomum, deixou Brasília no avião presidencial, posando antes como Romário na janela do piloto, quando nosso time retornou do tetra de 1994. Só faltou a Bandeira.

Vangloria-se de suas raízes humildes, de seu passado de operário, mas hoje se vê como um iluminado, bem acima dos que o elegeram e o endeusaram. Fiel mesmo às suas origens, Harry Truman, ao deixar o governo nos EUA, em 1953, saiu dirigindo seu carro, acompanhado apenas pela esposa.

(*) Economista (UFMG, USP e HARVARD), Professor associado à FAAP, é Vice-Presidente da Associação Comercial de São Paulo

O ex-presidente Lula decidiu

Uirá Machado, Folha de São Paulo

Caso a Itália recorra à Corte Internacional de Justiça de Haia (Holanda) para obter a extradição de Cesare Battisti, o Brasil deverá ser condenado por descumprimento de tratado bilateral entre os dois países, avaliam especialistas ouvidos pela Folha.

Se isso acontecer, o governo brasileiro deverá rever a decisão tomada pelo ex-presidente Lula em seu último dia de governo -quando anunciou que Battisti ficaria no país como imigrante.

Em resposta à decisão de Lula, o governo italiano recorreu ao Supremo Tribunal Federal e disse que pretende buscar a Corte de Haia caso não seja atendido.

Segundo o advogado Francisco Rezek, ex-juiz da Corte de Haia (1997 a 2006), os países não são efetivamente obrigados a cumprir as decisões daquele tribunal, mas, na prática, todos as cumprem voluntariamente.

"É tão absurda a ideia de descumprimento de uma decisão da Corte de Haia que nem cogito a possibilidade. Nunca um país deixou de cumprir tais decisões."

Na opinião de Rezek, ex-ministro do STF, a condenação em Haia "é certa", mas a situação nem deve chegar a esse ponto. "Antes, o STF certamente vai reparar o erro cometido pelo ex-presidente."

Maristela Basso, professora de direito internacional da USP, concorda que as condenações da Corte de Haia, embora se limitem a um "aspecto moral", têm um peso internacional muito grande.

"Nenhum país quer ser descumpridor das decisões de uma corte internacional. Ainda mais o Brasil, que quer assumir posições de liderança no mundo e almeja uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Essas intenções seriam desidratadas."

Segundo Basso, a situação da Itália na Corte de Haia seria "tão favorável" que nem precisaria de uma ação --cujo julgamento demoraria cerca de cinco anos. Bastaria um pedido de parecer --o que demoraria poucos meses.

Basso lembra que há a favor da eventual demanda italiana decisões das Justiças da Itália e da França, da Corte Europeia de Direitos Humanos e do STF, que, em 2009, negou refúgio a Battisti.

CARLA BRUNI
Segundo a Ansa, agência italiana de notícias, a primeira-dama francesa, Carla Bruni, negou ontem à noite que tenha pedido a Lula para não extraditar Battisti.

Assim como já ocorrera em 2009, um grupo de apoiadores das vítimas do terrorismo na Itália acusou Bruni de ter intervindo a favor de Battisti --segundo o grupo, a ex-modelo italiana teria pedido como um "favor pessoal".

Preso no Brasil desde 2007, Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país por quatro homicídios ocorridos em 1978 e 1979. Membro de grupo de extrema esquerda, ele nega e diz ser perseguido político.

Caso Battisti pode atrapalhar pretensões brasileiras na ONU

Priscilla Mazenotti e Renata Giraldi, da Agência Brasil

O ex-juiz Wálter Maierovitch considera que país pode perder força para ocupar o Conselho de Segurança se receber decisão desfavorável do Tribunal Internacional de Haia

WIKIMEDIA COMMONS
O ex-presidente Lula decidiu
não extraditar Cesare Battisti
para a Itália
Brasília - O impasse em torno da extradição do ex-ativista político italiano Cesare Battisti deve gerar ainda mais polêmica, segundo o especialista em direito internacional e presidente da Fundação Falconi, Wálter Maierovitch. Para o juiz aposentado, a divergência pode dificultar a pretensão brasileira em ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“A Itália anuncia que vai recorrer à Haia e alegar que houve descumprimento do tratado bilateral de cooperação judiciária. Se o parecer for favorável à Itália, criará uma situação para o Brasil muito ruim internacionalmente e compromete a nossa luta em ocupar o Conselho de Segurança da ONU”, disse em entrevista à Agência Brasil.

O caso extrapolou as relações Brasil e Itália e, além de poder ser remetido à Haia, será discutido no dia 31 em sessão da União Europeia.

No Brasil, o assunto retornará à análise do Supremo Tribunal Federal em fevereiro, após o fim do recesso do Judiciário. Em seguida, passará para as mãos da presidenta Dilma Rousseff. Na avaliação de Maierovitch, o STF deverá anular a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não conceder a extradição, e manter decisão inicial de enviar Battisti de volta à Itália.

Para o jurista, a decisão de Lula tem equívocos. “Há, aqui no Brasil um esquerdismo que acha que Battisti é um heroi, como foram aqueles que lutaram no Brasil contra a ditadura, nos anos 70.”

O primeiro problema, para o jurista, é que o Supremo, ao negar a extradição, determinou o envio do caso a Lula, mas decidiu que ele deveria decidir sob à luz do tratado internacional de cooperação jurídica entre os dois países. “O Supremo entendeu que a decisão do presidente não seria livre do tratado. Ele poderia decidir desde que cumprido o tratado”, explicou.

O segundo ponto equivocado, segundo ele, foi o envio do caso para análise da Advocacia-geral da União, que elaborou parecer contra a extradição. Para ele, o assunto deveria ser deixado sob a responsabilidade do Itamaraty, pois se trata de um assunto de política internacional. “Se a questão era política de relações internacionais, quem deveria dar o parecer era o Ministério das Relações Exteriores”, comentou.

Battisti continua preso no presídio da Papuda, em Brasília. No Supremo, além do pedido do governo da Itália para que a decisão de não extraditar seja revertida, tramita pedido da defesa para libertar o italiano imediatamente.

Para entender o caso do ex-ativista Cesare Battisti
Nos anos 70, na Itália - Integrante do grupo guerrilheiro Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Cesare Battisti é acusado de participar de quatro assassinatos – de um joalheiro, um policial, um carcereiro e um militante;

Em 1979, Battisti segue para a França - O ex-ativista foge da Itália, escapando da prisão, e segue para a França onde o governo francês decide extraditá-lo;

Em 1988, a Justiça de Milão condena o ex-ativista – À revelia, Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália. O ex-ativista nega todas as acusações;

Em 2004, a chegada ao Brasil – Battisti sai da Itália e foge para o Brasil, depois de viver por mais de dez anos na França;

Em 2007, a prisão preventiva - O ex-ativista é preso no Rio de Janeiro e transferido para a Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está detido preventivamente. Ele tem reconhecida pelo Ministério da Justiça a condição de refugiado político;

Em 2010, no Supremo Tribunal Federal (STF) - A Suprema Corte aprova o parecer do relator, ministro Gilmar Mendes, favorável à extradição de Battisti, mas há a recomendação de decisão final do presidente da República;

Em 31 de dezembro de 2010, no Palácio do Planalto - Depois de sete meses, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva acata parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) e nega a extradição. Para Lula, o retorno de Battisti à Itália pode agravar a situação do italiano e gerar perseguição política;

Em janeiro de 2011 - A defesa do italiano pede a imediata soltura de Battisti. Ao mesmo tempo, o governo italiano contesta decisão do governo brasileiro e apela para que a presidenta Dilma Rousseff reveja a medida. Há protestos nas principais cidades italianas e ameaças das autoridades de retaliação ao Brasil. O processo de Battisti é desarquivado pelo Supremo, com base em dois documentos: o pedido de liberdade feito pela defesa e a contestação da decisão de Lula. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pede que o tema seja discutido em uma sessão da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica. Ele promete levar o assunto também à Corte Internacional de Haia, na Holanda. A Itália insiste na extradição.

Futuro de Battisti
No final de janeiro de 2011 - A posição do Brasil sobre o caso Battisti deve ser discutida em sessão da União Europeia.

Em fevereiro de 2011 - Com o fim do recesso do Judiciário brasileiro, o STF deve voltar a discutir o caso. A decisão deverá ficar a cargo do relator do processo, ministro Gilmar Mendes. O Supremo deve analisar os argumentos usados por Lula para manter Battisti no Brasil. Também será considerada a argumentação do próprio Ministério da Justiça de conceder refúgio político ao italiano. Essa decisão foi considerada ilegal pelo STF.

Ameaças nas relações Brasil e Itália - Autoridades italianas ameaçam retaliar o governo brasileiro, caso seja mantida a decisão de não extraditar Battisti. Entre as medidas estão a imposição de regras para a entrada de turistas brasileiros na Itália e o adiamento da conclusão de um acordo envolvendo 5 bilhões de euros de material militar dos italianos para o Brasil.

O Último Ato Mesquinho de um Político Menor

Gilberto Barbosa de Figueiredo, Alerta Total

Afinal, quem é esse Sr Vannuchi? Definitivamente, não se trata de um político de reconhecido sucesso. Célebre? Talvez por seus ataques de rancor, nunca por ter gerado algum ato construtivo. Manteve-se como secretário do governo Lula, muito mais em consideração a uma longa amizade com o primeiro mandatário do que por contribuições efetivas ao governo. Sim, porque inúmeras foram as oportunidades em que sua insistência em revelar seu caráter revanchista e totalitário provocou constrangimentos desnecessários dentro da equipe governamental.

Já próximo ao apagar das luzes da gestão Lula foi protagonista de um malfadado Programa Nacional de Direitos Humanos 3 que, de tão ruim, teve de ser revisto poucos dias após ter vindo a público – ruim, autoritário e totalitarista, um verdadeiro atentado contra os princípios democráticos. Conseguiu desagradar amplos e variados segmentos da sociedade brasileira. Através de um decreto, cujo texto o presidente alegou nem ter chegado a ler, expôs sua verdadeira face, sua ânsia em ideologizar o dia a dia dos cidadãos, sua real intenção de desconstruir o acervo cultural amealhado, em nosso país, ao longo dos séculos da vida nacional.

Direitos humanos, em sua concepção, significam qualquer coisa em que o governo deva meter sua colher, ainda que de forma arbitrária. Com uma canetada, pretendeu santificar terroristas e assassinos, tornar letra morta, unilateralmente é claro, a lei de anistia, censurar a mídia, abolir princípios e valores cristãos, substituir a justiça por comitês marxistas, em casos de invasões de terra, provocar uma lavagem cerebral em nossos alunos, através da revisão do material didático e da indicação de livros para leitura.

Foi justamente nessa última área que engendrou seu derradeiro ataque. Foi anunciado que sua Secretaria, nos últimos momentos de seu governo, em parceria com o Ministério da Educação, iria distribuir à rede escolar um CD ROM, mostrando os “horrores da ditadura militar”. Poucas iniciativas poderiam ter sido mais inoportunas. Em um tempo em que as parcelas mais representativas da sociedade procuram consolidar um clima de conciliação; em um tempo em que expressivas lideranças de esquerda falam que não é hora de se cultivar rancor; em um tempo em que a própria presidente recém empossada prega, em seu primeiro pronunciamento, a união entre todos os brasileiros, surge tal esdrúxula medida.

Logo na educação, tão carente em nosso país de ajustes positivos. Segundo relatórios da UNESCO, há real insuficiência na qualidade educacional, a partir da má gestão dos sistemas e das escolas, da formação ineficaz dos profissionais da educação e de suas precárias condições de trabalho. Não é, pois, sem motivo que ainda sofremos com números em repetência e abandono da escola entre os mais desfavoráveis da América Latina, o que nos leva a baixos índices de conclusão da educação básica.

Logo na educação, área em que repetidas pesquisas expõem uma grande parcela de alunos, em todos os níveis, com deficiências graves em disciplinas críticas, resultando em baixa capacidade de absorção de conceitos científicos, prejudicando, dessa forma, a inclusão desses indivíduos no mercado de trabalho e comprometendo a própria capacidade do País de se desenvolver de forma sustentada.

Logo na educação, campo no qual o Brasil tem amargado sucessivas frustrações em termos de cumprimento de metas, particularmente quanto ao plano do MEC em vigor. De acordo com esse plano, deveríamos estar hoje com uma taxa de 4% de analfabetismo – estamos nos 10%. O mesmo descompasso verifica-se no outro extremo da escala, no ensino superior. Longe da meta de 30%, ainda patinamos em 14%.

Logo na educação, tão carente de material de qualidade. Mas de material sério, nunca de objetos cujo único sentido está na disseminação do ódio e da mentira.

Caso o secretário e o ministro julguem mesmo importante relembrar, com nossos alunos, o tempo do regime militar, deveriam ter, pelo menos, a honestidade de mostrar ambos os lados. Deveriam informar que as últimas grandes obras de infraestrutura – em estradas, portos, energia, comunicações, etc – foram feitas naquele período. Deveriam informar, com especial ênfase, as atrocidades cometidas por bandidos terroristas que almejavam transformar o Brasil em uma grande Cuba e hoje posam como defensores da democracia.

Nota:
Os crimes cometidos pela esquerda armada no Brasil podem ser encontrados no endereço: http://www.ternuma.com.br/