* O velho truque das manchetes tendenciosas
*** Adelson Elias Vasconcellos
* A guerra das pesquisas já começou
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Para ganhar em 2010, PT propõe um debate vigarista
*** Adelson Elias Vasconcellos
* De novo, o Congresso envergonha o país
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Agora é para valer
*** Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga, Opinião Livre
* O tribunal racial da UNB
*** Roberta Fragoso Kaufmann, Instituto Millenium
* Meritocracia versus corporações do atraso
*** Marco Tulio Kalil Ferreyro, Instituto Millenium
* Para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa – Final
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa – 2ª Parte
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa – 1ª Parte
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Quem planta colhe
*** Ricardo Noblat
* Pontes de papel e alicerces do futuro
*** Paulo Guedes, O Globo
terça-feira, novembro 24, 2009
O velho truque das manchetes tendenciosas
Adelson Elias Vasconcellos
Divulgou-se na pesquisa CNT/Sensus, e com manchetes de primeira página, um outro dado que, de tão tendencioso, chega a parecer brincadeira, mas não é. Trata-se de um truque, de uma tentativa de tentar influir na escolha do candidato da oposição. Se esta tentativa já não por si só, imoral, a manchete que se antecipa à notícia é vergonhosa. Mas vamos a ela. Retorno depois para comentar e desmitificar o truque.
Pesquisa: chapas com Aécio lideram na corrida presidencial
A pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), avaliou o comportamento dos eleitores em função das chapas que poderão ser apresentadas para concorrer à Presidência da República em 2010. Nos três cenários pesquisados, as chapas que contaram com o nome do governador mineiro, Aécio Neves, saíram vitoriosas.
A maior margem de vitória seria com a chapa tendo José Serra como candidato a presidente e Aécio a vice. Neste cenário, a chapa tucana obteria 35,8% dos votos, contra 23,9% da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer; seguidos da chapa Ciro Gomes-Carlos Lupi (16,1%) e de Marina Silva-Guilherme Peirão Leal (5,2%).
Caso Aécio encabece a chapa tucana, com Serra de vice, o PSDB elegeria o novo presidente, com 31% das intenções de voto, seguido da chapa Dilma-Temer (22,6%); de Ciro Gomes-Carlos Lupi (18,1%); e de Marina Silva-Guilherme Leal (5,3%).
Aécio Neves também seria eleito presidente tendo Ciro Gomes como vice, com 32,4%. Neste cenário, a chapa Dilma-Temer teria 26,6%, e a de Marina Silva-Guilherme Leal 8,3%.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro em 136 municípios localizados em 24 estados. Ao todo foram entrevistadas 2 mil pessoas.
O presidente da CNT, Clésio Andrade, que já foi vice-governador de Aécio Neves, disse que apesar de seu vínculo político com Aécio, considera a pesquisa isenta.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Propositalmente, deixei para analisar, por último, o cenário em que a pesquisa revela as preferências do eleitorado quanto a prováveis composições das chapas, na forma como se desenham hoje, e não apenas os candidatos vistos isoladamente.
A manchete, aliás, é reveladora e constata na íntegra, aquilo que afirmei tanto no artigo anterior quanto aí em cima, na abertura: a de ser tendenciosa. Como vocês leram, ela diz assim: “Pesquisa: chapas com Aécio lideram na corrida presidencial”.
Ora, se algum menos avisado ler apenas a manchete, sem se deter no conteúdo da notícia, sairá por aí apregoando que Aécio é quem deve ser o candidato do PSDB à sucessão. Errado e ridículo. Com Aécio como cabeça de chapa, tendo Serra como vice, claro que a chapa das oposições ainda estaria à frente, mas a margem de vantagem já seria muito menor. Isoladamente, Aécio, sem se olhar quem será seu vice, perde a disputa. Este é o dado que interessa. Ele só será vencedor como candidato à presidência se compuser uma chapa com Serra.
Sob o ponto de vista do governador paulista, ele vence a disputa em todas as prováveis coligações que pode desenhar atualmente. E sempre com boa margem de vantagem.
Claro que os governistas adorariam que o candidato das oposições fosse Aécio, e sem José Serra junto do mineiro. Prá eles, tal idéia é o melhor dos mundos. E isto a pesquisa é bastante clara, quase indiscutível.
Está dito lá, reparem: A maior margem de vitória seria com a chapa tendo José Serra como candidato a presidente e Aécio a vice. Neste cenário, a chapa tucana obteria 35,8% dos votos, contra 23,9% da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer; seguidos da chapa Ciro Gomes-Carlos Lupi (16,1%) e de Marina Silva-Guilherme Peirão Leal (5,2%).
A pergunta que me faço e que fica é: terá o PSDB, em composição com o DEM, coragem de, a exemplo do erro cometido em 2005, com Alckmin, ir contra todas as evidências, e escolher um candidato que, isoladamente, tem menor chance de vencer, como as pesquisas estão indicando?
É simples, basta ver a pesquisa principal, leiam: No quadro onde José Serra é substituído pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o deputado Ciro Gomes sobe para primeiro lugar, com 25%, Dilma Rousseff também cresce para 21,3%, Aécio fica com 14,7% e Marina Silva cai para 7,3%.
Na disputa de segundo turno, a ministra Dilma Rousseff teve uma recuperação sobre José Serra no simulado de setembro para novembro. Serra caiu de 49,9% na rodada anterior para 46,8% em novembro e a ministra Dilma ganhou três pontos, de 25% para 28,2%.
A chefe da Casa Civil ganharia de Aécio Neves numa simulação do segundo turno com 36,6% contra 27,9% do mineiro. No cenário de José Serra e Ciro Gomes no segundo turno das eleições, o tucano venceria com 44,1% contra 27,2% de Ciro, mas ainda assim o governador de São Paulo teve uma queda de sete pontos percentuais.
Isoladamente, no primeiro turno, Aécio perde para Ciro Gomes (que Deus nos livre e guarde, arre!) e também para a ministra Dilma Roussef. E, quando se compara uma possibilidade de segundo turno entre Aécio e Dilma, quem vence é a ministra. Ora, santo Deus, será que as oposições, de novo, vão apostar em quem, isoladamente, sequer chegaria num segundo turno, quando confrontadas todas as variáveis possíveis? E, que mesmo que chegasse lá, continuaria perdendo, fosse para Ciro ou para Dilma?
Não, não se pode aventar a compulsão dos oposicionistas para uma segunda derrota, e consecutiva, insistindo em adotar a estratégia da ... derrota.
Assim, e a pesquisa não deixa nenhuma margem para discussão, a chamada chapa puro sangue, e conforme já tínhamos analisado dias atrás, onde aparece Serra com Aécio como vice, é a aposta certa, além de abrir caminho para uma permanência no poder por longa data. Tal composição daria a Aécio a visibilidade nacional que hoje ele não tem, e que seria maior mesmo que o mineiro desistisse de compor com Serra para tentar o Senado.
Portanto, se as oposições deixarem de lado as questões pessoais, adotando uma posição de unidade em torno de um grande projeto de GOVERNO, e não de poder, com propostas que restaurem o fortalecimento das instituições democráticas, em que se desenhem programas, reformas e ações indispensáveis para remover as principais amarras que nos impedem de crescer de forma sustentável, com segurança e equilíbrio, com respeito às leis e às liberdades individuais, a permanência no poder por longa data como afirmei será mera conseqüência, sem ser porém, a essência do trabalho que farão.
É disto que se trata quando se apela para uma chapa puro-sangue. Talvez ate os dois já estejam combinados entre si neste sentido, e o jogo de cena que ambos praticam no momento, seja muito mais no sentido de despistarem, para não se tornarem desde já alvos da guerra suja que os petistas sempre fazem em campanhas políticas e que se torna mais cruel e mais suja mediante o uso indecoroso da máquina e dos recursos do Estado. Aliás, tática em pleno andamento e que só o TSE não enxerga, apesar de ser esta uma de suas funções.
Por fim, é de se esperar que os analistas políticos das oposições se debrucem com carinho nesta pesquisa do CNT/Sensus, analisem friamente os resultados, e passem, de fato, a se comportar como favoritos, adotando a estratégia adequada e que, de certa forma, e isto a pesquisa não deixa dúvida, parece ser a de atender o que a maior parte do povo brasileiro está esperando. Assim, desta vez ao menos, as oposições não contrariem a vontade popular. Mais do eles, o preço a pagar representará enorme prejuízo para o país como Estado-Nação e suas instituições. E, como última informação, olhando-se os índices de rejeição de candidatos e chapas prováveis, registre-se que o menor índice de rejeições junto ao eleitorado, traz Serra na cabeça com Aécio de vice. Portanto, que o PSDB saiba atender o que o povo brasileiro espera que ele faça. Afinal, o povo é que o dono do voto, ou o PSDB acha que não?
O recado, então, é este: que tucanos e democratas, pelo menos desta vez, tenham juízo. O Brasil, de norte a sul, lhes ficaria imensamente agradecido. Amém.
A guerra das pesquisas já começou
Adelson Elias Vasconcellos
Sempre que uma pesquisa for favorável à Lula, acreditem, seus resultados ganharão proporções gigantescas em termos de divulgação. Claro,tudo será medido, avaliado e efusivamente entregue, pela máquina de propaganda comuno – nazi-fascista comandada por Franklin Martins, o terrorista que não se arrependeu.
Mas, para mim, ao menos, muito embora revelem muito, elas ainda revelam muito mais no seu resultado, do que as causas deste mesmo resultado. Afinal, a pesquisa, pelo menos aqui no Brasil, revela mito mais um quadro de um sentimento de momento, e não com que tintas este mesmo quadro foi produzido.
Na recente pesquisa CNT/Sensus que está nas ruas e bocas do país, não foge ao figurino.Aliás, ela se dedica muito mais a engrandecer aquilo que a máquina de Franklin Martins tem se dedicado há muito tempo: a mistificação de Lula.
Mesmo assim, ela, a pesquisa, nos fornece excelentes elementos de análise, e como que corrobora boa parte de muitas teses que temos defendido neste espaço.
Começa pela revelação de que, hoje, pouco mais de 20% do eleitorado, votariam em quem Lula indicasse. Cume qui é? Uauuu. Senão vejamos: sabe-se que o eleitorado cativo do Pete, em todo o país, é de um terço do eleitorado, coisa de 30 a 35%. Sabe-se que Lula tem uma popularidade recorde de 82%. E, mesmo assim, ele conseguiria transferir apenas 20%, apesar de todo o assistencialismo distribuído ao longo do tempo em que está no poder? Eis aí um número bem curioso, senão revelador não é mesmo?
Acontece que, dos 82% que reverenciam Lula, grande parte já sabe que ele não concorrerá em 2010. Sendo assim, o cenário passa a ser outro e, neste caso, um percentual mínimo apenas aceita seu “projeto de poder”, até por desconhecê-lo, mas são assistidos e beneficiários dos programas que asfixiam a consciência individual dos cidadãos. Deste modo, eles se tornam mais vítimas do que beneficiários do crime.
Dentre o restante, sabem alguns que Lula indicou Dilma para sucedê-lo e dela, grande parte do eleitorado, tem mais dúvidas do que certezas. Afinal, ela nunca na sua vida concorreu a coisa alguma ! Portanto, para os horizontes da campanha de 2010, e mais ainda, para os futuros quatro anos que se seguirão pós Lula, ela é mais um ponto de interrogação do que qualquer coisa. Isto visto pela ótica do eleitorado. Claro, quando a campanha legal começar para valer, é bem provável que aquele número de 20,0% tende a crescer. Mas, como já disse, ele se limita a um terço, por enquanto, caso o PSDB não incida nos mesmos erros cometidos em 2005.
A briga se centrará justamente na média do eleitorado, porque outro um terço JAMAIS votará em quem Lula indicar. Isto é certo. Assim, resta o meio de campo de um terço que pode se inclinar de um lado para outro, e nisto dependerá que candidatos vão concorrer de fato e,mais propriamente, do que eles tem a dizer. Esta parte também é sensível,pelo menos uma parte dela, aqueles “acontecimentos” tão comuns em campanhas de baixo nível tais como dossiês, escândalos, acusações, e até a discursos e comportamento durante a campanha dos candidatos.
É bom saber que, em relação a 2010,o jogo só está esquentando. Ele mal começou. E tudo quanto a pesquisas de agora indicam, poderá sofrer enorme mudança. Mas é bom a oposição se precaver: os petistas farão de tudo para impor as “regras” do debate. Comento isto de forma bem clara e simples no artigo final desta edição.
Como também tenho feito a advertência para os virtuais candidatos da oposição, Aécio Neves e José Serra, deitem por terra ressentimentos, vaidades pessoais, afora querelas de disputas regionais, porque este clima só divide e fornece armas e munição aos governistas. Se há, de fato, o desejo de retornarem ao poder, e para o bem do país, é preciso que voltem, em momento algum devem oferecer campo para os mensageiros do Planalto se infiltrarem e espalharem suas intrigas, como o Ciro Gomes tem feito. Como o José Dirceu tem espalhado. Porque o governo sabe, e teme, que uma chapa puro sangue, e com uma campanha competente, com um discurso e debates honestos, seria praticamente imbatível.
Há um outro fato (parece que encomendado sob medida) que a pesquisa revela e que, aparentemente, tende a mostrar que, para os brasileiros, Lula é melhor do que FHC. E digo sob medida, além de tendencioso, porque este é dado que procura intimidar o adversário. Vimos acima que o PT está tentando impor seu discurso no debate mas, prá variar, de forma falseada, vigarista. Eles querem uma comparação pura e simples de feitos, desconsiderando completamente as condições de país e de mundo em que os feitos foram realizados.
Por que afirma que o dado da pesquisa é tendencioso? Porque a intenção é meter medo. Se o governo de Lula é mais querido pelos brasileiros do que o de FHC, então, se o PSDB cair no truque, evitará o debate, e os petistas poderão cantar as glórias de sua impostura. E, sem contraditório, evidente que o caminho fica livre. Pode ser asqueroso e pode ser imoral, mas faz parte da estratégia do jogo, e cada qual deve jogar com o que tiver de melhor. Se ao petê o que lhes sobra é a impostura, a mentira, a mistificação e a manipulação da verdade, então deixem eles mostrarem sua verdadeira face. Às oposições cabe buscar o discurso oposto, não terem vergonha do governo de FHC, até pelo contrário, devem se orgulhar e agradecer a ele ter comprometido seu próprio cacife político (preço caro, hein!) em favor de um projeto de governo que encaminhou o país para um futuro venturoso. Este ônus político é que deve ser exibido, e não a covardia de se refugiarem em si mesmos e aceitarem passivos que o outro lado dite as regras do debate.
O dado da pesquisa, acreditem, apesar de ter sido encomendado sob medida, e seu resultado, ser claro, tendencioso, revela por outro lado, uma realidade que não pode nem deve ser ignorado, porque, ainda assim, ele revela uma verdade: a de que tanto tucanos, estes principalmente, quanto democratas, tem sido preguiçosos, acovardados e, acima de tudo, incompetentes, seja no discurso do que pretendem para o Brasil a partir de 2011, caso se elejam, ou na defesa de suas conquistas e realizações e que, conforme afirmei e demonstrei, e que o mundo civilizado , por isso mesmo bem informado, saber e reconhece que, não foram poucas. Porque elas estão na base e na essência do país melhor que hoje podemos viver.
Inconcebível é as oposições esperarem, como tem acontecido, que a imprensa faça o papel que às oposições cabe cumprir. Além da oposição, propriamente, dita , ao governo atual, e o reconhecimento e divulgação dos feitos realizados enquanto permaneceram no poder. Até que, vez por outra, surge na imprensa, artigos e reportagens como que a relembrar estes feitos, até por dever de ofício de informar a verdade, mas não por lhes competir “praticar marketing” em favor de um partido ou por serem simpáticos a uma determinada corrente ideológica.
Portanto, ao PSDB e DEM compete saírem de seus casulos, e porem a preguiça e a covardia de lado, e partirem para o trabalho árduo que tem à frente, sem nada temer tampouco a esconder. Vencer ou perder eleições faz parte do jogo. Lula disputou e perdeu três eleições consecutivas até conseguir o tom certo para vencer. Mas é preciso marcar e firmar presença, ocupar espaços, impor debates e transparecer sinceridade de propósitos. Precisam ter projetos alternativos além da porcaria que vige entre nós. Cedo ou tarde, a semente lançada ao solo há de vingar, porque estejam certos de uma coisa: a verdade cristalina, sem subterfúgios, sem hipocrisia, mais dia menos dia acaba prevalecendo.
Sendo assim, antes de saírem a campo para acusar que as pesquisas são manipuladas, e elas até podem ser, mas não todas, devem extrair dela o que de bom elas revelam. Aceitar os cenários que elas desenham e, dentro de suas pretensões, buscarem caminhos, soluções, alternativas para enfrentar, contornar e superar as dificuldades, trabalhando sempre em conjunto e com olhos postos num Brasil melhor, reverterem prováveis cenários adversos. Ou seja, a palavra-chave, como em qualquer campo da atividade humana, é TRABALHO. Não há outro jeito.
Para ganhar em 2010, PT propõe um debate vigarista
Adelson Elias Vasconcellos
Dois fatos do dia, e ambos em relação ao Pete, merecem ser comentados. O primeiro dis respeito a uma entrevista concedida pelo provável comandante das ações do partido, durante a campanha em 2010 As primeiras apurações do eleição direta do PT confirmam o favoritismo do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE) para comandar a próxima direção PT. Dutra tem o apoio do presidente Lula e da presidenciável Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil.
Dentre tantas tolices que Dutra despejou nas entrevistas, uma delas merece destaque, por revelar qual a estratégia será empregada para que os petistas elejam Dilma como sucessora de Lula. Pergunttado sobre o mote da campnha de 2010, ele disse: . (...) Vamos mostrar como se comportou a economia brasileira numa crise de alguns poucos bilhões de dólares, que foi a crise da Rússia em 1999; e como se comportou numa crise que envolveu trilhões de dólares, atingindo o centro do capitalismo internacional - explica Dutra. “(...).
Se o PSDB, ou parte dele, quiser cair no truque, paciência. Sempre defendi que o PSDB foi incompetente para defender suas conquistas e realizações durante o governo de FHC. E não foram poucas.
Porém se Dutra, tanto quanto a dupla Lula – Dilma insistir na pilantragem, a comparação não deveria ser forma proposta por eles, por ser simples vigarice. A ordem certa dos fatos, a comparação realmente DECENTE E HONESTA deveria ser:
a) Apresentar e exibir a situação do Brasil que FHC encontrou e a que Lula recebeu de FHC;
b) A situação da economia mundial durante o governo de FHC e durante a temporada de Lula no poder.
Somente com tais premissas é que, as “comparações” que se quer fazer, serão possíveis. Enquanto um recebeu o país falido, sem crédito, com a economia em frangalhos e as contas públicas deterioradas e em estado deprimente, com a inflação galopante e sem controle, e sem um guarda chuva protetor para os pobres através de programas sociais, os indicadores de desenvolvimento humano em queda livre e com a economia mundial em constante instabilidade, o outro, recebeu tanto o país, quanto a situação mundial, em condições completamente contrárias: economia estável, contas públicas equilibradas, programas sociais implantados, crédito internacional recuperado com a dívida externa equacionada, programas de investimentos públicos em infra-estrutura montado e em andamento pleno, e poderíamos desfilar um rosário imenso de conquistas e realizações que serviram para colocar o país nos trilhos do progresso econômico e desenvolvimento social. E enfrentou este quadro nebuloso encontrando pela frente a economia mundial crescendo abaixo de 2% ao ano e com algumas economias em situação agravante, que acabaram provocando, pelo menos, cinco graves crises internacionais. E, mesmo com tudo isso, fez o país crescer em média superior à do crescimento mundial.
Dizer-se que, na crise de 2008, o Brasil se saiu melhor do que as que FHC teve de enfrentar, é mais do que ingenuidade, é uma vigarice deslavada. O primeiro ponto, por exemplo, é que tínhamos, em 2008, um sistema financeiro mais estável, robusto e regulado do que antes. E graças ao quê? Ao PROER e a todas as medidas adotadas naquele período. Programa e medidas, vejam bem que Lula e petê foram contrários ao extremo. O Brasil que FHC recebeu sequer moeda decente tinha... E isto, senhores, é apenas um dos muitos exemplos com os quais . se vê, se tenta mistificar um governo que, rigorosamente, em seus muitos pontos positivos, é apenas continuidade, não mais do que isso, de quem o antecedeu, e contra quem e em todas medidas que tomou, foi criticado, verbalmente agredido. E apesar daquela oposição imbecil, vejam só, depois os tais “críticos” mantiveram a mesma receita de eficiência e solidez . E eu até diria que, em alguns erros e defeitos, também...
Ora, é diante deste quadro que a comparação, qualquer comparação, pode e deve se dar. Não simplesmente pegar como o PT deseja e comparar realizações feitas sem analisar a conjuntura do mundo, sem considerar as situações totalmente diversas em que cada um encontrou o país. Entrar neste jogo, sem propor tal análise é vigarice suprema, é querer confundir para plantar uma falsa mistificação de que um é melhor governante do que o outro, quanto a realidade é o oposto.
Além do mais, o PSDB deve saber que, se aqui dentro, movido por uma máquina de propaganda maravilhosa ao melhor estilo comuno-nazi-fascista, que diante de um país em que 60% de seu povo não lê absolutamente nada, e do que resta, apenas pouco mais de 7% consegue manter-se informado, lá fora, contudo, onde os apelos canalhas da propaganda não vingam a mistificação, há o reconhecimento pleno de que Lula tem sucesso por aquilo em que deu continuidade do governo anterior, e não por aquilo que tentou fazer diferente. O artigo da revista britânica “The Economist”, da qual reproduzimos aqui alguns de seus trechos não deixa dúvidas sobre quem fez o quê.
Sendo assim, o PSDB poderia aceitar este debate, mas desde que as regras fossem a de analisar-se as condições do país e do mundo que cada governante, FHC e Lula, recebeu para governar. E, neste aspecto, com o jogo equilibrado, e com regras justas, a vantagem do PSDB é infinita. O que não se pode é querer comparar, pura e simplesmente, dois governos que viveram momentos completamente diversos porque, neste caso, é claro que aquele que encontrou momentos favoráveis, interna e externamente, sai em vantagem. E, desta forma, o debate já desanda, como disse e afirmo, para uma vigarice completa.
Na campanha de 2006, inclusive, o PSDB fez distribuir um livreto contando a passagem de FHC em oito anos de governo. Eu recebi o livreto e guardei. Mas se o tenho, é porque dele tomei conhecimento pela internet, e fiz o pedido. Mas quantos sabem de sua existência? Quantas tiveram a feliz oportunidade, como a que tive, de conhecer seu conteúdo? Pouquíssimos, e isto demonstra que em matéria de divulgação, ou apara usar uma expressão bem esquerdista, em matéria de marketing político, o PT dá de goleada nos tucanos. Eles vendem o que fazem e, principalmente, vendem como suas as obras alheias. Vendem com realizações programas que mal saíram do papel, mas que consideram como feitos acabados.
Dentro deste terreno, qualquer pessoa bem informada, sem necessariamente ser político, apenas honesto nos propósitos, tendo os dados verdadeiros à mão e não estatísticas manipuladas pela máquina da propaganda, ganha qualquer debate dos petistas. Porque se a discussão descer ao nível da mistificação, da vigarice, da manipulação, da comparação canalha, da apropriação indevida de obras alheias, acreditem: o PT é imbatível , A mentira está em seu DNA, é uma ferramenta indispensável, um elemento indissociável do caráter de ser petista. No terreno da indecência e da imoralidade, ninguém chega aos pés desta gente.
Portanto, se realize o debate conforme acima proposto. Que se tragam números e estatísticas reais,de antes, durante e depois. O diabo é que, diante da derrota iminente, com regras justas para um jogo equilibrado nas condições em que ele se desenrolará, os petistas, muito provavelmente, desistirão e tentarão outra artimanha. Esta gente detesta o jogo da verdade. Mas, pelo menos, ficará clara a sua falsidade, ficará clara e à mostra, toda a sua hediondez.
Uma última análise: muito petista está assanhado porque a pesquisa revela uma queda nas preferências em favor de Serra. Isto nem deveria surpreender a ninguém. Enquanto Serra se dedica ao governar São Paulo, sem contar com aquela fabulosa máquina de propaganda montada por Franklin Martins, Dilma Rousseff não sai das manchetes nem dos palanques pacmícios armados país afora para “fiscalizar” e “inaugurar” obras. Tanta exposição só pode lhe render alguns pontos percentuais a mais. E, nem assim, Serra deixa de figurar na liderança. Imaginem, então, com a exposição que a campanha lhe proporcionará. E que se registre: enquanto Dilma é a candidata governista à sucessão de Lula, só faltando oficializar no prazo determinado pela legislação eleitoral, no PSDB, ao contrário, Serra é candidato à candidato juntamente com Aécio.
Assim, com a vantagem de ser ministra de estado, contando com a máquina de propaganda oficial, além do descarado uso do aparelho e instituições do Estado a e em seu favor e, apesar da cegueira do TSE, que só não vê porque não quer ou porque não lhe convém, a campanha de Dilma segue a todo vapor, inclusive com o uso ilegal de funcionários do governo e das dependências dos subterrâneos do Planalto.
Portanto, nesta briga em que as regras deveriam valer para todos, mas que só é cumprida por um dos lados, porque a outra simplesmente as ignora, e se preciso lhes dá um belo chute, Serra, a esta altura do campeonato que, oficialmente não começou para oposições, porque a legislação os proíbe de agir, é um feito a ser comemorado e do qual as oposições não podem simplesmente ignorar.
De novo, o Congresso envergonha o país
Adelson Elias Vasconcellos
Ora é o Senado, ora é a Câmara de Deputados que, ao invés de ganharem destaque na página política do noticiário, acabam é na página policial mesmo. Esta gente não tem fastio, seu apetite para assaltar de forma criminosa os cofres públicos não tem limites.
Agora, foi preciso que a Folha de São Paulo recorresse à Justiça para ter acesso a informações que deveriam ser de domínio público, como de fato acontece em países sérios, com parlamentares que dignificam o mandato parlamentar ao contrário do que acontece aqui, onde dia após dia os nossos apenas enlameiam um pouco mais.
Em reportagem de Eduardo Bresciani, para o Portal G1, leiam mais uma crônica policial sobre a deprimente atuação de alguns “parlamentares” brasileiros. Comentaremos depois.a
Temer vai enviar denúncias de uso de notas frias por deputados à Corregedoria
Segundo jornal, 25 deputados usaram notas de empresas de fachada.
Temer defendeu penas alternativas a parlamentares no Conselho de Ética.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou nesta segunda-feira (23) que vai encaminhar à Corregedoria da Casa denúncias de que deputados usaram notas frias para justificar gastos com verba indenizatória, que é de R$ 15 mil mensais e destinada apenas para o ressarcimento de despesas com a atividade parlamentar. Reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" deste domingo (22) afirma que 25 deputados usaram notas de empresas de fachada.
Temer disse que encaminhará as denúncias até esta terça-feira (24) ao corregedor, deputado ACM Neto (DEM-BA). Caberá a ele decidir se abre investigações contra os colegas. Após a análise da Corregedoria, a Mesa Diretora decide se encaminha algum dos acusados ao Conselho de Ética.
“Vou mandar para a Corregedoria. Já conversei com o corregedor e veremos se há irregularidades nos casos listados. Vamos mandar aqueles que não sejam apenas indícios”, disse Temer.
A reportagem do jornal tem como base notas apresentadas pelos deputados entre setembro e dezembro do ano passado. Naquele período a Câmara não divulgava detalhadamente os gastos dos deputados. Agora, o CNPJ das empresas que cederam notas aos parlamentares é divulgado na internet.
Penas alternativas
O presidente da Câmara defendeu que o Conselho de Ética possa aplicar penas alternativas aos deputados em alguns casos. A ideia é que além de definir pela cassação ou não o Conselho possa suspender ou advertir quem cometeu alguma irregularidade.
“Existe uma mudança nas regras do Conselho, que é a da gradação das penas, que eu estou patrocinando. Às vezes não é caso de cassação imediata, mas de uma punição menor”, disse Temer
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Começo pelo fim, pelas tais penas alternativas. Olha, se Michel Temer quer mesmo dignificar o mandato parlamentar, isto exige outra postura, e não simples “repreensões” ao que traem a confiança do eleitor para se locupletarem. Temos uma das casas Parlamentares mais caras do mundo, e uma das ineficientes também. Ali, a última coisa que se trata é do interesse público. O interesse ou as conveniências pessoais são e serão sempre prioritárias. Repreensões para marmanjos que sabem bem quando erram? Que tem consciência de que esta ou aquela atitudes representam dolo à sociedade que os paga para servirem a esta sociedade e não para eles se servirem do mandato em proveito próprio? Ora, senhor Temer, tenha a santa paciência, repreensões se coaduna com colégio de adolescentes que ainda não desenvolveram bem suas consciências para discernirem entre o certo e o errado.
Falar em repreensões é o mesmo que falar em impunidade, é convidar os delinqüentes a voltarem a delinqüir. Quem trai o voto representativo, mediante assalto ao dinheiro que é público, e não privado em favor do deputado ou senador, deve é perder o mandato, pura e simplesmente. Puna-se o delinqüente com a perda do mandato tantas vezes quantas forem necessárias, e cedo ou tarde, o comportamento dos demais irá sofrer mudanças bruscas, e para melhor. Corte-se os salários dos faltosos, e cobre-se um índice de produção parlamentar mínimo. Corte-se os escandalosos privilégios, muitos imorais e obtidas de forma sorrateira e longe do conhecimento dos eleitores. E a representação também melhorará.
O que não é admissível é o Congresso ficar produzindo escândalos no atacado, sem a devida responsabilização e punição dos culpados, e ainda se achar no direito de exigir que a sociedade sustenta sua ganância e ostentação de marajás, para não se dizer coisa pior. Aliás, se houver uma mínima chance do Congresso brasileiro ser pior amanhã do que foi hoje ou tem sido até aqui, acreditem, eles não perderão a oportunidade...
Mas, ao noticiar mais esta patifaria de deputados, o Jornal Nacional, da Rede da Globo, foi mais longe. Foi buscar no parlamento sueco o modelo em que os nossos representantes deveriam se espelhar, como também demonstrar que o alto custo do congresso brasileiro além de desnecessário e inútil, é um acinte. Por si só, já seria um escândalo em qualquer país sério do mundo. Ainda mais em se tratando de um país com tantas carências e desigualdades sociais, onde a fome, a pobreza e a miséria se estampam a olhos vistos de norte a sul.
Adoro, especialmente, a parte em que a reportagem da Globo, entrevistando alguns dos malandros, precisou ouvir de cada um a máxima que Lula implantou diante do crime revelado: não sabem de nada, tudo foi legal, as empresas beneficiadas não são fantasmas, e que está tudo certo. Só faltou acrescentarem que a denúncia é perseguição política dos adversários. Ou seja, além do crime de falsidade ideológica, incorrem no crime de perjúrio à Nação. Isto é crime que deve ser punido imediatamente com a cassação do mandato. Nenhum político eleito pode se apropriar indevidamente de recursos públicos e sem pejo, ainda mentir à sociedade que o elegeu.
Neste primeiro vídeo, você assiste a reportagem sobre as notas frias e as desculpas fajutas de alguns dos delinqüentes.
Já no vídeo abaixo, você assiste o modelo em que o Brasil deveria se espelhar para compor a representação popular. Vale ainda um registro: a Suécia, além de ser um dos países mais civilizados do planeta, com uma qualidade de vida anos luz à frente da nossa, é um país rico. Mas, nem com sua riqueza, eles admitem sustentarem o enriquecimento de seus representantes pelo exercício da atividade política. Lá, ao contrário daqui, o mandato parlamentar é levado a sério, o recurso público é tratado com respeito, a transparência é absoluta, não há nenhum selo de CONFIDENCIAL ou segredo em nome da “segurança nacional” (caso dos tais cartões corporativos da presidência da república), ou sob qualquer outra desculpa imoral quando se tratar de prestar contas à Nação do emprego do dinheiro que da sociedade é extraído via impostos e contribuições. Ao leitor fique o convite para comparar e tirar suas conclusões. De minha parte,porém, eu antecipo afirmando que, em matéria de seriedade tanto política, quanto de governo, o Brasil vive ainda na idade das pedras.
Agora é para valer
Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga, Opinião Livre
Lula da Silva é saudado internacionalmente como um homem da “esquerda herbívora”, um moderado, um conciliador. Sempre fazendo piadas, usando metáforas futebolísticas, falando bobagem, bem-humorado é como se o presidente fosse o estereótipo do brasileiro, o “homem cordial” de que falou Sérgio Buarque de Holanda.
Para ser mais amado lá fora só faltava Lula ser carioca e não pernambucano aclimatado em São Paulo, porque estrangeiros são loucos pelo Rio de Janeiro de praias paradisíacas cheias de mulheres quase nuas, de povo feito de sol e mar. Para os visitantes bala perdida é pura adrenalina no país do carnaval e do futebol.
Entretanto, se Lula da Silva é o “cara” da “esquerda herbívora”, inofensiva, festiva é estranho que ele viva em idílios políticos com Hugo Chávez, Fidel Castro, Evo Morales e demais ditadores que representam a fina flor da esquerda primata do Terceiro Mundo. Parece que os caras lá de fora têm certa dificuldade em entender o Brasil e seu governante, percebendo apenas superfícies folclóricas e deixando de lado visões mais profundas sobre atitudes, comportamentos e ações que se desenrolam no país real em contraste com o país imaginário.
Sintomática a complacência internacional com o presidente da República e sua diplomacia tangida pelo chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia, quando aqui é recebida a figura abjeta de Mahmoud Ahmadinejad, o perigoso fanático que persegue, prende, mata seus opositores; não tolera liberdade de pensamento, religiosa ou das minorias; viola direitos humanos; frauda eleições, apóia grupos terroristas, diz que o Holocausto não existiu e prega de forma obsessiva a destruição de Israel.
Essa figura daninha e monstruosa, rejeitada pelas potências ocidentais que temem que Ahmadinejad desenvolva a bomba atômica, foi agraciado com um convite do “filho do Brasil”, que afirmou que o receberia de braços abertos. No rastro dos salamaleques o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afrontou o presidente israelense, Shimon Peres, quando da visita deste ao Brasil no último dia 11, ao dizer de forma arrogante que o Brasil fala com quem quiser. Quem sabe o ministro da Defesa acredita no persa, quando esse hipocritamente afirma em sua carta dirigida “à grande nação brasileira” que é “defensor da justiça, da ternura e da paz no mundo. Por certo Jobim ignora que Ahmadinejad está estendendo cada vez mais sua influência sobre a América Latina, sobretudo, através da Venezuela e da Tríplice Fronteira onde estão bases operacionais do Hezbollah e de outros terroristas.
Muito “terna” a besta-fera do Irã quando nega uma das piores manchas da humanidade, o Holocausto. Será que nosso “herbívoro”, que é a cara do país como ele mesmo disse certa vez, tem noção do que foi esse genocídio? Será que também nega as torturas, indignidades, horrores, mortes, tudo que foi infligido de mais pérfido aos homens, mulheres e crianças que cometeram o único “crime” de serem judeus? Pode ser simplesmente que tudo isso seja indiferente ao cara porque apenas lhe interessa negócios com o Irã, o que faz lembrar o título de um filme passado há muitos anos: “De como aprendi a amar a bomba atômica”. Afinal, nós também enriquecemos urânio.
Possivelmente a visita de Ahmadinejad, a intromissão do Brasil em Honduras, o antiamericanismo e o antissemitismo do governo petista e seu achego a ditadores, não impedirão que os olhos do mundo Lula da Silva continue como um esquerdista “herbívoro” e cordial. Talvez, apenas a Itália não esteja gostando no momento de ser taxada de fascista pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, mas se resignará a não receber de volta o terrorista Cesare Battisti.
Entretanto, para quem consegue observar certos sinais fica evidente que um processo cuidadosa e lentamente desenvolvido vai transformando a “esquerda herbívora” em “carnívora”. É que para alcançar ao poder mais alto da República o PT, em sua quarta tentativa, deixou de lado a linguagem virulenta, prometeu o paraíso aos ricos e aos pobres, vestiu seu “Lulinha paz e amor” de Armani e domesticou-lhe um pouco as maneiras. Uma vez no poder, uniu-se a gregos e troianos, esbanjou populismo, cooptou partidos e instituições, mandou às favas a ética, dominou o Congresso através de mensalões e outros “benefícios” e agora, chegando à reta final do segundo mandato, recrudesceu o ataque à imprensa e coroou seu domínio com a anulação do STF, conforme ficou demonstrado no caso do terrorista italiano. Com isso, definitivamente, o PT se tornou um partido acima da lei e, assim, sem nenhum pejo, trouxe de volta ao seu alto comando notórios mensaleiros, devidamente abençoados pela candidata Rousseff. Afinal, corruptos são os outros. Ao mesmo tempo, o PT retornou à idéia de Estado ampliado, do discurso requentado da esquerda revolucionária, da crítica ao neoliberalismo que tão bem praticou em sua fase “herbívora”. Não há dúvida de que se a dama de aço ganhar começará a fase “carnívora”. E Lula corre o risco de ouvir de sua escolhida: “Cale-se, você já ficou tempo demais, as rédeas estão conosco, agora é para valer”.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eu acrescentaria ao excelente artigo da socióloga, Maria Lucia Barbosa, que Lula está abrindo as portas para o reino das trevas. O tocador de flauta, está atraindo os incautos para um período de recrudescimento do país a estágios de primitivismo, e, conforme já demonstrei, que nos custou desmoralização internacional e estagnação econômica por longos vinte e cinco anos, sem falar do flagelo social que a miséria e a pobreza se encarregaram de espalhar.
Assim, o continuísmo propalado, é falso. Não se trata de continuidade coisa nenhuma. Tendo se acercado do poder, e privatizado o Estado para o partido, em caso de vitória de Dilma, estejam certos, a constituição cidadã que Ulisses Guimarães proclamou em 1988, se tornará uma peça mais e mais obsoleta, em suas conquistas de direitos individuais.
Não apenas as escolhas dos rumo da política externa são sinais que externam esta tendência. As políticas internas em curso já são comprovações bastante claras e visíveis para quem tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir.
O tribunal racial da UNB
Roberta Fragoso Kaufmann, Instituto Millenium
Você já ouviu falar de Tribunal Racial? Só na Alemanha, nos tempos de Hitler? E no Brasil? Pois saiba que em Brasília, a poucos metros da Corte Constitucional, a UnB resolveu instalar uma Comissão Racial, de composição secreta, que com base em critérios secretos, define quem é branco e quem é negro no Brasil.
Desnecessário comentar sobre o verdadeiro massacre ao princípio da igualdade, da razoabilidade e da dignidade humana. Em pleno século XXI, o item 7, e subitens, do Edital n◦ 02/2009 do vestibular CESPE/UnB ressuscitou os ideais nazistas, Hitlerianos, de que é possível decidir, objetivamente, à que raça a pessoa pertence.
Em outras palavras: será constitucional que uma Comissão composta por pessoas arbitrariamente escolhidas pelo CESPE diga à que raça alguém pertence? Quais são os critérios utilizados? Em um País altamente miscigenado, como o Brasil, saber quem é ou não negro vai muito além do fenótipo. Após a Nigéria, somos o país com maior carga genética africana do mundo!
Nesse sentido, importa mencionar a recente pesquisa de ancestralidade genômica realizada em líderes negros brasileiros pelo geneticista Sérgio Pena. Na ocasião, observou-se que a aparência de uma pessoa diz muito pouco em relação à ancestralidade. O sambista Neguinho da Beija-Flor, por exemplo, possui 67,1% de ascendência européia. A mesma coisa pode ser afirmada em relação à ginasta Daiane dos Santos e à atriz Ildi Silva, nas quais a ascendência européia é maior do que a africana. Assim, no Brasil, há brancos na aparência que são africanos na ancestralidade. E há negros, na aparência, que são europeus na ascendência!
O professor Sérgio Pena, no estudo denominado Retrato Molecular do Brasil, chegou à conclusão de que, além dos 44% dos indivíduos autodeclarados pretos e pardos, existem no Brasil mais 30% de afrodescendentes, dentre aqueles que se declararam brancos, por conterem no DNA a ancestralidade africana, principalmente a materna (a medicina comprova a história de miscigenação precoce).
Nessa linha, infinitos são os questionamentos possíveis em relação aos critérios segregatórios (se é que existe algum critério) de definição racial utilizados pela tal Comissão. Por exemplo: quantos por cento de ancestralidade africana fazem alguém ser considerado negro? E se a pessoa for africana na ancestralidade, mas branca na aparência, e nunca tiver sofrido preconceito e/ou discriminação, isso faz com que ela também possa ser beneficiária da medida? E se o indivíduo negro estrangeiro tiver acabado de chegar ao Brasil para aqui ser residente, ele também pode ser beneficiário da política? E se o negro não descender de escravos, terá direito? E o branco na aparência que comprovar descender de negros escravos, poderá ter acesso privilegiado? E o negro que descender de negros que possuíram escravos, também poderá ser beneficiário?
Por outro lado, admitir que uma “Banca Racial” decida quem é negro no Brasil, utilizando-se de critérios arbitrários e ilegítimos, lastreada em perguntas do tipo “Você já namorou um negro?”; “Você já participou de passeatas em favor da causa negra?”, é totalmente ofensivo aos princípios da igualdade, moralidade, publicidade e autonomia universitária.
A questão que se levanta não é superficial: se não se pode definir objetivamente os verdadeiros beneficiários de determinada política pública, então sua eficácia será nula e meramente simbólica. De fato, a estupidez humana parece não encontrar limites.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí um artigo que gostaria de não precisar ler. Adoraria poder dizer que tudo ali é mentira, que não é bem assim como está sendo colocado, etc.
Infelizmente, cada frase no texto representa uma verdade. Cada advertência representa um alerta para a fragmentação social que se está implementando no país. A criação de uma “Comissão Racial” representa o que existe de mais abominável que se possa admitir, ainda mais quando esta comissão existe dentro de um ambiente universitário.
É bom que estes fatos venham a público para que fiquem registrado que, quando Dilma fala em continuísmo do governo Lula, ela está embasando todos estes programas,. todas estas ações.
Há poucos dias respondendo a um e-mail do excelente jornalista Pedro Porfírio, sobre o comentário que fiz sobre seu artigo (reproduzido aqui no blog, link), antes demais nada um lutador e defensor intransigente das causas nacionais, eu lhe disse que o artigo me lembrava e muito do saudoso professor Darcy Ribeiro quando se referia ao povo brasileiro: “ A miscigenação racial que modelou o povo brasileiro, produziu uma das raças mais linda do mundo: a raça brasileira”.
Ou seja, tanto quanto Darcy Ribeiro, quanto o jornalista Pedro Porfírio defendem uma causa que, a exemplo do afirmado por Roberta Kauffman, nestes e outros tantos artigos que ela já escreveu a respeito, não se pode consentir nesta divisão racial do nosso povo . Somos uma só raça, que, a exemplo dos regionalismos, tem diferentes cores e sabores, com um coração modelado em uma só bandeira: a verde amarela.
E, isto, vejam bem, não é uma questão de opinião de “brancos” ou de “negros”. É uma questão histórica, genética, portanto, absolutamente, científica. Quem prega o racialismo, e vemos que esta praga se dissemina até nos meios acadêmicos, infelizmente, está ignorando tanto a história quanto a ciência. A conseqüência, mais do que histórica, mais do que científica, será uma eclosão social sem proporções. Dolorosamente, está se lutando para acabar com “uma das raças mais lindas do mundo”, repetindo Darcy Ribeiro. E ela é linda fruto da miscigenação que modelou o branco, o preto e o índio, no povo maravilhoso que é o povo brasileiro.
Meritocracia versus corporações do atraso
Marco Tulio Kalil Ferreyro, Instituto Millenium
Recentemente, um artigo publicado na revista britânica “The Economist” traçou um panorama da situação da educação no Brasil, afirmando que a má qualidade das escolas, “talvez mais do que qualquer outra coisa”, é o que “freia” o desenvolvimento do país.
Citando os maus resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), tal revista constata que, apesar dos avanços que houve na política e na economia, no tocante à educação, o Brasil encontra-se bastante abaixo de diversos outros países em desenvolvimento, os quais concorrem conosco no mercado internacional.
Entre os fatores condicionantes da falta de qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar.
Na opinião da “Economist”, o governo brasileiro precisa investir mais na educação básica. “Assim como a Índia, o Brasil gasta muito com suas universidades ao invés de (gastar) com a alfabetização de crianças.”, diz a revista.
A publicação afirma também, que o Brasil precisa de professores mais qualificados, enfatizando que, “…Muitos têm três ou quatro empregos diferentes e reclamam que as condições de trabalho são intimidadoras e os pagamentos baixos.”
Apesar de todos nós brasileiros conhecermos “de cor e salteado” tais problemas na área educacional, a revista faz uma importante revelação: os sindicatos de professores “representam um grande obstáculo para melhorias”. “Quase qualquer coisa que atrapalhe sua paz causa greves”, afirma a publicação britânica, dizendo que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, por exemplo, se opôs “a uma proposta que obrigava os novos professores a fazerem testes para assegurar que são qualificados.”
A “Economist” defende ainda, que a receita para melhorar a educação no país seria “continuar reformando o sistema escolar, enfrentar os sindicatos dos professores e gastar mais em educação básica.” Finalmente, a revista conclui, “A conquista do mundo –mesmo a amigável e sem confrontos que o Brasil busca– não virá para um país onde 45% dos chefes de famílias pobres têm menos de um ano de escolaridade”.
Num exercício de reflexão, que lições devemos tirar destas verdadeiras constatações feitas pela publicação britânica? Sobretudo, creio que a política educacional brasileira deveria adotar a meritocracia como principal instrumento de avanço. Deveria por exemplo, ser implementado um sistema de avaliação de professores e escolas do ensino básico e não somente de alunos como é feito atualmente. Principalmente, é de salutar importância que tal avaliação seja utilizada como fator condicionante ao repasse de recursos a professores e escolas públicas. No tocante ao professor, pode ser instituída uma remuneração salarial condicionada a sua performance, que pode ser medida em diversas dimensões, como por exemplo, número de horas lecionadas, desempenho em sala de aula, pontualidade e rendimento escolar dos alunos. Já no que concerne ao diretor de escola, pode-se criar um sistema de premiação das escolas que apresentarem melhores resultados, com mais progressos na qualidade, direcionando as mesmas, mais recursos públicos capazes e produzirem ainda mais avanços, enfim, melhoria contínua. Difícil vai ser convencer os sindicatos de professores, tipo o CPERS aqui no estado, a quem podemos chamar de corporações do atraso, do subdesenvolvimento. Parodiando a afirmação da revista, diria até mesmo, que entidades como o CPERS são um freio ao desenvolvimento. Infelizmente. Alguém pode citar uma ação feita pelo CPERS em prol da qualidade da educação no estado do Rio Grande do Sul?
Urge a necessidade da adoção de novos modelos organizacionais, a partir da introdução de um sistema de avaliação de desempenho, tal como aqueles que foram introduzidos há várias décadas em países da Europa e nos EUA, onde foram criados novos sistemas gerenciais na administração pública, focados em resultados. Nesse aspecto, sabe-se que o atual governo do estado considera a modernização da gestão pública, como um dos seus principais eixos de atuação. Sobretudo, devemos produzir um novo modelo para a administração pública, de forma mais célere. Neste aspecto, vale lembrar aqui os três conselhos dados pelo consagrado economista Milton Friedman e válidos para qualquer governo: Gaste menos, regule menos e cobre menos impostos.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Tanto o diagnóstico da The Economist, quanto os comentários feitos pelo Marco Túlio seguem na mesma direção das inúmeras críticas que temos feito aqui sobre a forma como o ensino é visto e maltratado no País. Como também a influência perniciosa dos sindicatos sobre as reformas tão necessárias para elevar a qualidade e que ele sabotam sem mais nem porquê. Por isso, e sei que muita gente pensa igual, a primeira reforma para qualificar o ensino no Brasil deveria a partir dos professores. Um sindicato deve lutar não apenas por melhores condições para o exercício profissional, mas deve atentar para que seus filiados tenham uma performance condiz\ente para o engrandecimento da própria profissão que representa. No Brasil, e particularmente nos sindicatos dos professores,o que vemos é uma politização de tal forma atrasada, e até violenta muitas vezes que nos leva a sugerir que, se é política que se pretende fazer, então que se feche o sindicato e se funde um partido político.
A questão aberta pelo Marco Túlio é muito pertinente: Alguém pode citar uma ação feita pelo CPERS em prol da qualidade da educação no estado do Rio Grande do Sul?
Eu, que praticamente vivenciei grande parte da minha vida em Porto alegre, digo sem medo de errar: foi a partir da politização da atividade do CPERS, como entidade de classe que os professores foram perdendo prestígio e qualificação, ganhando em troca um achatamento salarial gigantesco.
Na medida em que o CPERS foi abraçando ideologia política (a esquerda, devo acrescentar) o ensino público no Rio Grande do Sul entrou em declínio. E o mesmo fenômeno se repete em São Paulo e em outros estados. Ou bem os sindicatos dos professores representam a ATIVIDADE FIM que dizem representar para a sua categoria, ou se filiem a um partido político e lá vão exercer a defesa da suas ideologias. Mas poupem os sindicatos deste desvio de finalidade, devolvendo a ele a razão para a sua existência, que é dignificar e buscar qualificar e valorizar, em conseqüência os profissionais do ensino.
Para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa – Final
Adelson Elias Vasconcellos
A título de brincadeira: lendo um comentário feito por um jornalista, ele dizia que a produção do filme procurou apresentar um Lula que não agride o idioma, para não ser obrigada a apresentar o filme, que é falado em português, com legendas...
Brincadeiras a parte, se vocês acompanharam os noticiários dos últimos dias, devem ter visto dois comportamentos diferentes: a oposição descendo a lenha não no filme que, como peça cinematográfica, dizem os especialistas ser até bem fraquinho. A ótica da oposição é de que se valeu do oficialismo, do aparato do Estado, e das relações empresas/governo (um tanto oblíquas, como vimos), para se produzir um peça de pura propaganda eleitoral. E, de outro lado,petistas tentando negar a evidência, mas reconhecendo a importância do filme para a campanha da Dilma (um contraste impressionante entre o que se diz e o que se pensa), com o Ricardo Berzoini, presidente do PT, chegando ao absurdo de afirmar que a oposição, ao invés de criticar, deveria fazer um filme do FHC.
Bem, ao Berzoini, um recado: nem todo mundo é tão sem escrúpulos, tão sem moral, tão sem decência,como sói os petistas conseguem ser !
Cretinices à parte, o que fica é que o Brasil segue ladeira abaixo. Só num país que perdeu o norte moral, o senso crítico de decência, se permite produzir algo parecido. Isto é resultado da asfixia de sentidos e de valores a que estamos sendo submetidos desde janeiro de 2003.
Nenhum país civilizado do mundo permite tal “arrojo” ou tamanha desfaçatez. Não que eu não aceita que a vida de Lula possa ser contada em filme. Acho que até deve. Sua tenacidade, sua obsessão em ser presidente, indo contra todas as dificuldades que para ele se apresentaram quando surgiu como sindicalista, no ABC paulista, ainda no tempo da ditadura militar, é sim para ser contada. Mas, permitir que isto seja feito ainda quando está na presidência da república? Convenhamos, chega a ser asqueroso e nojento. Até porque, com tantos interesses em jogo, quem o criticaria através de um filme, ou quem se negaria em financiar o filme?
Nem é tanto pelo fato de ser uma peça de propaganda eleitoral e, sim, de se permitir jogar a instituição que representa, e que portanto deveria acima de qualquer vaidade pessoal preservar e respeitar, na vala de uma instituição qualquer, acessível a qualquer um, bastando mentir e mistificar. A história de cada indivíduo, já se disse, é um momento único da história humana. Ela pode se repetir em um ou noutro evento, mas seu conjunto pertencerá sempre e apenas aquele indivíduo. A nenhum outro mais.
Mas a instituição da Presidência da República, não é uma cosa nostra, não é uma casa de amigos de um clube privê, não pode ser vista de forma tão ordinária e vulgar, tão apequenada, e de forma tão imprudente. É uma propriedade da nação brasileira, do país, é o status maior da nossa cidadania, da nossa soberania, guia maior da nossa democracia. Quem nela é investido, o é de forma provisória, e lá estará para servir ao seu país, com o melhor que puder contribuir. Sua condução se dá por força da confiança conquistada junto ao eleitorado, que lhe empresta a cadeira e faixa presidenciais, para através delas prestar um serviço missionário. E para que o faça da melhor maneira possível, lhe é pago um salário, lhe são cobertas todas as despesas e lhe é permitido contar com aparato de meios, de estrutura administrativa e de pessoal que custa caro à sociedade. Não compete ao ocupante ali chegar e privatizar a instituição em seu nome, ou reduzi-la a menor expressão da democracia representativa.
Alguém poderá achar que minha crítica é muito moralista. Não só é como deve ser, porque o de que mais sentimos falta no Brasil é justamente da atenção para com os valores e princípios morais. Ou o que se encontra por detrás da impunidade, da violência, da corrupção disseminada em todos os setores da vidfa pública nacional? Nunca a expressão "o exemplo vem de cima" foi tão loquaz, tão vívida e pertinente como no nosso caso.
Quanto ao tema central deste artigo, para ficar latente a afirmação de que, para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa, há outro exemplo muito bem apanhado pela Folha de São Paulo, sob o título, "Publicidade-exaltação" invade os comerciais de TV”.
Muitas destas empresas, ou mantém negócios no exterior, ou tem suas matrizes lá instaladas. Pois bem, entrando no ritmo do ufanismo bocó, em tempos de histeria coletiva tanto quanto ao bom momento econômico quanto ao seu governante maior, novas peças publicitárias de empresas públicas e privadas usam o governo Lula como garoto-propaganda e falam até em "momento de ouro". Através da propaganda se enaltece a firmeza do país na crise e a capacidade de superação dos brasileiros. Que empresas públicas pratiquem esta política, apesar de moralmente condenável, ainda assim se entende. Mas empresas privadas pretendem o que com tal expediente? Mais favores do governo, é isto? Alguma desoneração amigável para sua atividade, ou a autorização camarada do BNDES para ampliação de seus negócios?
Qualquer pessoa de mediana formação moral entenderá que tal prática é abominável em um país sério. Esta gente toda está esquecendo de que o Brasil não nasceu tampouco foi descoberto em 2003. Chegamos até aqui, e vivemos este momento favorável, porque nossa história comporta mais de 500 anos, história com erros e acertos, mas, especialmente, porque no período de 1995-2002, o país soube plantar as verdadeiras raízes de seu modernismo e, só não se avançou mais e em maior velocidade, porque, apesar da continuidade imprimida por Lula em relação ao governo FHC, ele deixou de implementar outras tantas reformas de que precisamos para avançar muito mais.
Ou será que esta gente está feliz em pagar imposto antecipado em mais de 35,0% sobre o que produz? Ou será que estão satisfeitos com a infra-estrutura que encarece em três vezes os custos de produção? Ou será que estarão alegres por serem asfixiados por uma burocracia governamental imbecil que atrasa a realização dos negócios? Ou será que também estão felizes por ainda pagarem os juros mais altos do planeta? Ou ainda estarão contentes por uma bala perdida, dentre as tantas que flagelam as pessoas do país, não ter alcançado a si, ou a algum ente querido?
Portanto, nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Vamos comemorar sim, aquilo que temos de bom, vamos nos felicitar por vivermos este momento feliz do ponto de vista da economia. Mas não vamos cegar nossos olhos e achar que está tudo uma maravilha, porque a verdade é que não está. Longe disso. Há muito para ser feito, e mesmo olhando por dentro das realizações do governo Lula, há muitos perigos no ar que não devem ser ignorados. Uma delas, é a instabilidade institucional e a precariedade dos serviços básicos e da infra-estrutura. Mais: não se pode comemorar os bons ventos do consumo olhando-se apenas pelo lado do crédito farto. Isto é falso e de pouca duração. Há que se cuidar da expansão da massa salarial, verdadeira distribuição de renda, e da qual estamos luzes de distancia do que seria razoável.
Como, também, o próprio equilíbrio fiscal, com a expansão contínua e crescente dos gastos correntes sem limites, podem comprometer ali adiante nossa estabilidade econômica. Além disto, há um avanço gradual do governo como agente econômico ativo, o que sempre foi danoso para o desenvolvimento do Brasil. A história está cheia de exemplos a nos lembrar de que não podemos cometer novamente o mesmo erro que nos atormentou e nos deixou estagnados durante 25 anos.
Nosso IDH-Índice de Desenvolvimento Humano figura entre os mais baixos do mundo, nossa qualidade de ensino é um freio para o desenvolvimento sustentável do país. Nossa renda per capita é uma das mais baixas do planeta.
Assim, um pouco de cautela neste ufanismo todo não nos faria mal algum e pela simples razão de que podemos achar que nada mais precisa ser feito no plano das reformas. Nada mais falso e traiçoeiro.
A seguir, o texto da reportagem da Folha de São Paulo que, antes de ser motivo de comemoração, se refletido, seria um belo texto a nos advertir para o excesso do tipo “já ganhou”.
Empresas aproveitam a popularidade do presidente Lula e o momento econômico favorável para fazer do governo seu garoto-propaganda.
Ambev, GM, Bradesco, Vale e Embratel produziram comerciais de televisão recentes enaltecendo a firmeza do país na crise, a capacidade de superação dos brasileiros, a harmonia entre o público e o privado e a relevância do país no mundo.
O Brasil é o país "da iniciativa privada em equilíbrio com o setor público", diz a campanha televisiva "Presença", do Bradesco, segundo maior banco privado brasileiro.
"Há dez anos, quem poderia imaginar a gente emprestando dinheiro para o FMI?", lembra o anúncio televisivo do carro Aprile, da Chevrolet/GM.
"A crise foi passageira", avisa comercial da maior siderúrgica do mundo, a Vale.
"O Brasil vive um momento de ouro", exalta o comercial da Brahma, marca da Ambev.
Para as empresas e publicitários envolvidos nos comerciais acima, trata-se de uma estratégia legítima, lógica e antiga.
De fato, não é a primeira vez que o setor privado exibe o otimismo do momento em campanhas publicitárias.
Do milagre econômico da ditadura -quando a Volkswagen exibiu um fusca desbravando o país da rodovia Transamazônica- às tentativas de estabilização da economia, várias campanhas seguiram essa linha.
Retornando:
Claro que se o propósito fosse editar um compêndio de exemplos (maus exemplos) para caracterizar a elite econômica como desinteressada do regime político do país, os exemplos deste artigo caberiam e bem. Mas, além destes, acreditem, há milhares deles.
Mas o comportamento de um bom números de empresas tanto em relação ao filme quanto às peças publicitárias, é demonstrativo de que, apesar da miséria estar esparramada de norte a sul, apesar da violência urbana, rural, e até do trânsito, apesar de todas as mazelas econômicas e conjunturais que flagelam pequenos e médios empresários, apesar da corrupção sem fim e da desmoralização crescente da classe política, apesar da impunidade que se mantém resistente quando se trata de agentes públicos da base governista, apesar de se saber que os ventos favoráveis que sopram na economia brasileira não tiveram origem neste governo, e sim no anterior, apesar da instabilidade institucional e dos programas que fragmentam etnicamente o povo e sedimentam um racialismo que nunca tivemos, ainda assim, apesar de todos estes flagelos, tem gente que acha motivos para comemorar. Gente que, sem dúvida, em seus negócios com o governo federal, está sendo muito favorecida. Gente que alimenta esperanças de haver continuísmo deste cenário. Resta saber a que preço ?
Para a nossa elite econômica, democracia é o que menos importa – 2ª Parte
Adelson Elias Vasconcellos
Muito bem, como vimos na primeira parte desta série, ficou claro que:
1° Apesar das negativas do governo, o filme é sim eleitoral, foi feito sob medida para azeitar a campanha de Dilma Rousseff e contou com a participação de assessores tanto do presidente quanto de seu partido.
2° Para os empresários que financiaram a “grande obra”, o filme foi apresentado como um abridor de latas, ou melhor, de portas, é só relerem o testemunho dado por um deles na primeira parte deste artigo. Não se trata de incentivos ou mero patrocínio `a cultura coisa nenhuma, a estória que se contou foi de se tratar de peça chapa-branca. Apenas isto.
3° Sob os argumentos empregados, e não sendo nem incentivos fiscais para a cultura (tão escassos para os verdadeiros artistas do país), como também o filme não contaria com recursos públicos, se praticou uma verdadeira antecipação de arrecadação de campanha. Isto se evidencia a partir do momento em que assessores e ministros do presidente e dirigentes petistas, participaram, como ficou exposto, diretamente na montagem final do filme. E que, após sua primeira exibição em Brasília, já saíram a campo afirmando de que o filme vai ajudar na campanha de Dilma Roussef...
Só um completamente idiota seria capaz de acreditar de que o propósito do filme não visa a campanha eleitoral. Ah, dirão alguns, mas o filme foi feito por diretor do cinema brasileiro .já aclamado pela crítica. E daí? Em que isto invalida o objetivo final? Em nada. Só deixa evidente que se buscou cooptar empresas e representantes da indústria do cinema brasileiro para se produzir uma peça de propaganda eleitoral com muita eficiência e com muitos recursos finaceiros.
Agora vejam a belezura das empresas que “financiaram” a grande obra. A seguir a relação com a devida apresentação da relação custo/benefício. As conclusões? Bem compete a vocês chegarem a elas ou não. Conforme comentário anterior, o financiamento ou patrocínio pode até ser legal, mas moral JAMAIS.
Segue a relação conforme a revista Veja apurou:
Como dizer não?
Lula, o Filho do Brasil foi patrocinado e apoiado por um grupo de empresas, a maioria delas com negócios com o governo, que doou 10,8 milhões de reais.
AmBev – Em 2005, o BNDES destinou 319 milhões de reais para a empresa de bebidas.
Camargo Corrêa – A construtora participa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, tendo recebido, em 2008, 102,7 milhões de reais.
CPFL Energia – O controle da distribuidora de energia está dividido entre a Camargo Corrêa, o BNDES e fundos de pensão de estatais.
EBX – Os empréstimos feitos pelo BNDES às empresas de Eike Batista ultrapassam 3 bilhões de reais só neste ano.
GDF Suez – A empresa faz parte do consórcio responsável pelas obras da hidrelétrica de Jirau e recebeu do BNDES empréstimo de 7,2 bilhões de reais.
Grendene – O BNDES aprovou, em 2008, financiamento de 314 milhões de reais para a aquisição total do controle acionário da Calçados Azaléia pela Vulcabrás dos mesmos controladores da Grendene.
Hyundai – Em 2007, o governo federal deu uma mãozinha para a implantação da fábrica da montadora em Goiás.
Neoenergia – O Banco do Brasil e a Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) detêm, juntos, 61% da companhia. Em 2008, o BNDES aprovou crédito superior a 600 milhões de reais para a construção de usinas pelo grupo.
OAS – Foi uma das financiadoras da campanha de reeleição de Lula. Participa das obras do PAC, tendo recebido, em 2007, 107 milhões de reais.
Odebrecht – Venceu em 2007, em parceria com a estatal Furnas, a licitação para a construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. O valor do investimento foi definido em 9,5 bilhões de reais, com 75% do total financiado pelo BNDES.
Oi – O BNDES aprovou, na semana passada, financiamento de 4,4 bilhões de reais, o maior valor já concedido para uma empresa de telecomunicações. Desde a aquisição da Brasil Telecom (BrT), bancos públicos já aprovaram empréstimos de mais de 11 bilhões de reais ao grupo Oi. O BNDES e a Previ têm participação no bloco de controle da companhia de telefonia.
Volkswagen – Tem contrato com o governo para o programa Caminho da Escola para a renovação da frota de ônibus escolares. Em agosto, entregou o primeiro lote de 1 100 veículos, pelo qual recebeu 223 milhões de reais.
Na terceira parte, vamos comentar um pouco mais este tema e tratar da reportagem da Folha que mencionamos no início.
Para nossa elite econômica , democracia é o que menos importa – 1ª Parte
Adelson Elias Vasconcellos
Sei que talvez este artigo vai incomodar muita gente, gente graúda. Com muito, mas muito poder econômico. Isto poderá reverter em alguns dissabores. Contudo, como o que me importa é a minha consciência, independente do dissabor que tiver de enfrentar, o farei tranqüilo.
Duas reportagens, uma na revista Veja e outra na Folha de São Paulo, demonstram que o título deste artigo faz sentido. Muito sentido.
De fato, para a elite econômica brasileira, pouco importa se no país vigora a plenitude democrática.
Peguemos o tempo da ditadura militar. Examinem quais empreiteiras prestavam serviços aos generais presidentes, e vejam se não praticamente as mesmas que agora se alinham a um governo pretensamente democrático?
Não se iludam: para os donos do capital independe quem sejam os donos do poder, desde que possam ganhar a vida e fazer fortunas, em suas relações com qualquer que seja o poder instalado.
Na revista Veja, há uma longa e esclarecedora reportagem em que fica claro o quanto nossos empresários estão muito longe de se importarem qual regime político vigora no país. Para eles, o mais importante, o mais relevante, são como as relações entre suas empresas e o Poder Público lhes pode engordar os lucros. E, neste sentido, mais importante do que qualquer arranjo político e até muito além do que qualquer noção moral,legal e ética nas relações poder público / iniciativa privada, o importante é “abrir portas”. Leia-se este “abrir portas”´ como as portas do cofre do Tesouro Nacional.
Ao tempo da ditadura militar se construiu muita fortuna no Brasil, independentemente de quantos estivessem agonizando nos porões dos quartéis e das delegacias. O chorar e ranger de dentes dos torturados nunca comoveu a elite empresarial brasileira. Para eles o ruído dos níqueis sendo derramados em seus cofres é que importavam. O resto, bem, o resto são coisas pequenas. Afinal, para eles, pobre sempre chora por alguma coisa.
O que a reportagem deixa claro é que a elite empresarial está dissociada por completo com os nossos destinos. E isto é tão evidente que, desde 1996, a renda média da classe trabalhadora decresceu, em contrapartida com o crescimento da economia e dos muitos negócios que se abriram e se ampliaram.
Haverá empresários no país que pensam diferente Pode ser, mas são raros, raríssimos.
Se alguém se detiver em estudar em profundidade a história dos Estados Unidos notarão a simbiose existente entre empresários e o bem estar da nação. Por detrás das grandes universidades, cuja excelência acadêmica é reconhecida no mundo todo, estão as grandes empresas e os grandes financistas americanos. Na base de sustentação dos grandes museus, das grandes corporações médicas de altíssimo nível, nos investimentos em institutos de pesquisas em seus diferentes segmentos, lá você identifica não o poder público, nem tampouco os “incentivos fiscais” do Estado. É o capital privado que se faz presente, quase que integralmente.
Aqui, bem, você identifica um e outro grande empresário voltado ou devotado à causas humanitárias, ou de ensino. Mas são exceções. Mais identificados estão, em ações de pequeno porte filantrópico, empresários de nível médio.
Aqui, se o grande empresário não for favorecido por algum bônus partido do Poder Público, ele simplesmente ignora o próprio país. E isto não vem de agora, é secular.
Nesta primeira parte, conforme se verá abaixo,vamos republicar trechos da reportagem da revista Veja em relação ao tal filme sobre Lula, que nada mais é do que parte de um movimento organizado de culto à personalidade de um político vivo. Vivíssimo e que ainda está no poder. Nos Estados Unidos, cuja indústria cinematográfica sempre foi excelente em retratar fatos e personalidades de sua história, não se cometeu tal heresia nem quando Ronald Reagan, que antes de presidente fora ator em Hollywood. Por quê? Em primeiro lugar porque para os norte-americanos, a Presidência da República é uma instituição a ser preservada e respeitada, não pode ser tratada como coisa ordinária, vulgarizada ao relés do chão como estamos fazendo no Brasil. Em segundo lugar porque e apesar de serem o país no mundo que mais respeita a liberdade de imprensa e de expressão, com direito a derrubarem inclusive um presidente, Richard Nixon, o presidente não é imposto,lá está porque quis e sua função é estar a serviço da comunidade, e não colocar a sociedade sob seu jugo.
Isto me faz lembrar o jornalista Reinaldo Azevedo, quando responde qual a diferença,no Brasil, entre empresa pública e empresa privada. "A empresa pública existe para favorecer a empresa privada, e a empresa privada para favorecer a empresa pública". Perfeito.
Depois que sair, e se for o caso, então história serão contadas e, se interessantes, gerarão filmes, mas com o intuito de informar e entreter.
Mas vamos à reportagem da Veja. Ela começa descrevendo o protagonista principal do filme dizendo que “... Lula foi um líder sindical carismático e pragmático que se encaixou à perfeição no projeto de distensão política do regime militar por ser da esquerda não marxista, não alinhada com o movimento comunista internacional e, por isso, tolerada”
Depois, a reportagem vai descrevendo alguns fatos com relação ao filme que prefiro que os leitores primeiro leiam, e depois comento o saldo que tais fatos trazem para o momento presente do pais.
(...) “Antes mesmo de ser lançado em rede comercial, o filme está agitando os bastidores da política. Assessores envolvidos na campanha presidencial de Dilma Rousseff, a candidata escolhida pelo governo para suceder Lula, veem na película um poderoso instrumento eleitoral, capaz de fazer diferença na luta petista para se manter no poder”...
(...) “O ministro Franklin Martins acredita que a mitificação precoce de Lula pode ajudar a campanha de Dilma Rousseff”(...)
(...) “Os bastidores do projeto revelam que essas opções não foram meramente artísticas. Houve estreita colaboração entre os produtores do filme e a equipe de Lula. Em 2003, logo após adquirir os direitos da biografia oficial do presidente, Luiz Carlos Barreto obteve o aval do presidente para tocar o longa. Políticos próximos a Lula afirmam, sob a condição de anonimato, que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, teve influência decisiva na definição do esquema de captação de recursos. Antes da edição final, Barreto viajou para Brasília pelo menos duas vezes para exibir o filme a políticos próximos ao Planalto. A primeira sessão aconteceu há três meses. Participaram ministros, como Paulo Bernardo, do Planejamento, e Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, e deputados, como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini, da cúpula do PT. Os petistas, depois da exibição, acharam as músicas incidentais muito pouco dramáticas e sugeriram acrescentar músicas populares, que seriam mais facilmente assimiláveis – no que foram prontamente atendidos.”
“Para minimizar a aparência de uma obra chapa-branca, os produtores foram orientados a não aceitar dinheiro público nem incentivos fiscais. Sem muito esforço, captaram patrocínios de dezoito empresas (veja o quadro abaixo), num total de 12 milhões de reais, uma fortuna para os padrões cinematográficos nacionais. Entre as companhias doadoras, há as que têm negócios diretos com o governo, as que têm interesses no governo e as que são controladas por instituições ligadas ao governo... Ouvidas por VEJA, as empresas explicaram que esse tipo de doação faz parte da política de incentivos culturais que cada uma delas desenvolve. Nada a ver com o perfil do biografado. O diretor de uma empreiteira, no entanto, contou a VEJA, reservadamente, o que de fato os atraiu. Segundo ele, os produtores deixaram claro que se tratava de um filme oficial, de interesse e "autorizado" pelo presidente da República. As empresas desembolsaram quantias que variaram de 500 000 a 1 milhão de reais. "Que empresa não iria querer participar? Isso ajuda a abrir várias portas no futuro. Ou, pelo menos, a não fechá-las", admite o funcionário.”(...)
(...) “ A construção de um mito dentro de um regime democrático é coisa raríssima. Na política, o mito costuma surgir em estados ditatoriais, nos quais o exercício da crítica é proibido. Foi o caso de Stalin, na União Soviética, ou de Benito Mussolini, na Itália. Nesses países, assim como em Cuba de Fidel Castro ou na Alemanha de Hitler, a arte – e, em particular, o cinema – foi controlada pelo estado totalitário, numa tentativa de moldar o imaginário social em torno de um projeto de poder. O Brasil, claro, não se encaixa nessa categoria. Diz o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília: "No Brasil, a criação de um mito dentro de um regime democrático é uma situação inédita. Desde Getúlio Vargas não há um fascínio tão perigoso com um líder carismático".(...).
Estes são os trechos principais que destacamos e sobre os quais comentaremos no post seguinte.
Quem planta colhe
Ricardo Noblat
Zelaya, presidente deposto de Honduras, abrigado na embaixada do Brasil há 60 dias
O governo Lula tem nas mãos dois pepinos de bom tamanho – e um terceiro de passagem.
Os dois dos quais não se livrará tão cedo: Manoel Zelaya, presidente deposto de Honduras, há 60 dias hospedado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, e Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro assassinatos, recolhido a uma penitenciária de Brasília.
O terceiro pepino é de longe o mais ilustre e também o mais polêmico - Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, famoso por ter negado o holocausto de seis milhões de judeus durante a 2ª. Guerra Mundial.
Se dependesse dele, Israel já teria sido varrido do mapa. Detestado pela comunidade internacional, tratado como um pária, Ahmadinejad ficará 24 horas entre nós. Isola! Aproxime-se para lá!
Lula foi o único presidente de país importante que se apressou em considerar legítima a recente reeleição de Ahmadinejad. O momento em que procedeu assim coincidiu com a denúncia de que a reeleição fora fraudulenta. Milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã em sinal de protesto. Foram reprimidas duramente pelas forças de segurança do regime fundamentalista dos aiatolás.
Ahmadinejad é grato a Lula. O Brasil será o primeiro país ocidental a recepcioná-lo depois de sua nova posse. A visita foi planejada para deixar a impressão de que Ahmadinejad não é tão feio como parece.
Ele se reunirá com senadores e deputados no Congresso, visitará uma universidade de Brasília, dará uma entrevista coletiva e repetirá que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos – assim como o nosso.
Com o apoio dos Estados Unidos, Honduras realizará eleições gerais no próximo domingo.
Se os hondurenhos não seguirem a ordem de Zelaya para ficar em casa, se atentados terroristas não causarem grandes danos e se observadores internacionais derem testemunho da limpeza do processo eleitoral, a posição do governo brasileiro se tornará insustentável a longo prazo.
Em tempo: duas bombas explodiram, ontem, de madrugada na capital.
O ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, antecipou que o Brasil desconhecerá os resultados das eleições hondurenhas porque Zelaya não foi reconduzido ao seu cargo.
Zelaya e Roberto Micheletti, presidente de fato de Honduras, assinaram um acordo sob o patrocínio do governo americano que prevê o exame pelo Congresso da restituição do poder a Zelaya e a aceitação dos resultados das eleições.
O acordo não fixou uma data para que o Congresso decida o destino de Zelaya. Isso deverá ocorrer depois de proclamado os resultados das eleições e conhecido o futuro presidente, que tomará posse no final de janeiro.O acordo não obriga o Congresso a reempossar Zelaya.
O Brasil em nada contribuiu para resolver a crise hondurenha. Se ela acabar sem a volta de Zelaya ao poder, só nos restará um hóspede incômodo.
Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.
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