quarta-feira, setembro 08, 2010

TOQUEDEPRIMA...

***** Elas & Elas...
Blog da Maria Helena R. R. de  Souza
Helena e Gilda, duas solteironas, são donas de uma farmácia.

Entra um homem e pede uma camisinha.

Helena atende e traz a camisinha:

- É pequena ! Reclama o freguês. E Helena traz uma maior:

- Ainda é pequena .. E Helena pega a maior do estoque.

- Desculpe, mas tem de ser maior....

Helena grita prá Gilda que está no armazém da farmácia:

- Ó Gildaaa ! Tem um homem aqui que precisa de uma camisinha maior que a XXL.!! O que é que eu ofereço?

- Casa, comida, roupa lavada e sociedade na farmácia!

***** Outra vez o PT
Sebastião “Karburê” de Arruda Neto

Cinquenta anos atrás, nós, caipiras do interior de São Paulo, tínhamos uma obrigação e um prazer nas manhãs de domingo. A obrigação era a de participar da missa das 10 horas, onde, fora o sermão, o resto para nós, então muito jovens, era tudo igual. O prazer era comprar o jornal de domingo e uma revista mensal da Disney.

Para comprar a revista, nós procurávamos, no primeiro momento, se contava a história dos Irmãos Metralhas, que sempre estavam executando ou tramando a falcatrua do mês, que podia ser contra a família Mickey, Donald, Pateta ou o Professor Pardal.

Quando que eu poderia imaginar que cinqüenta anos depois, todo mês eu ia ter um desprazer de ver um fato semelhante aos daquelas historinhas, mas lamentavelmente tão real e tão próximo de nós brasileiros.

Atualmente, ao invés de prazer, dá medo de comprar o jornal do final de semana. Porque, ao invés da expectativa que tínhamos com os Irmãos Metralha, agora temos temor de ver contra qual grupo político ou empresa estatal os “Irmãos Petistas” atacaram ou estão planejando baixarias.

Como brasileiro, jamais imaginei me sentir um Tio Patinhas, Donald ou qualquer outro personagem, que, ao invés de ser atacado pelos os “Irmãos Metralha”, acabar me decepcionando com os “Irmãos Petistas”. É triste a gente deparar com eles atacando instituições e usando o dinheiro publico para compra de dossiês, quebra de sigilo na Receita Federal de políticos, e de bandidos para fazerem o “serviço sujo”.

É esta sensação, aliada a uma nova e tremenda decepção, que sempre sinto ao ver a desfaçatez com que o presidente Lula desfila nos meios de comunicação, promovendo um besteirol inútil e fazendo de conta que não sabe nada dos absurdos que seus aliados aprontaram, aprontam e aprontarão no seu governo. Ao invés daquele prazer em comprar uma revista Disney e no final saber como personagens Disney venceram os “Irmãos Metralha”, me admiro com a audácia da versão brasileira dos vilões dos quadrinhos, representada pelos “Irmãos Petistas”.

E o chefe dos irmãos petistas sempre insiste que não sabe de nada. Mas as trapalhadas de bandidos mal organizados e de pouco Q.I. (Quociente de Inteligência), como o mentor deles, continuam a insistir nas mesmas trapalhadas absurdas, tal qual os veteranos personagens dos quadrinhos.

Só que, ao contrário do que ocorria na minha infância, os “Irmãos Petistas” não me fazem rir. Eles, na verdade, me fazem tremer, ao imaginar do que eles ainda serão capazes de fazer para se perpetuarem no poder.

***** Conversa vai, conversa vem...
Maria Helena R.R. de Souza

Hoje este papo é curto:

por que será que ninguém do MP, ou da OAB, ou da Igreja, ou da parte do Bispo. explicou didaticamente à população o que significa quebra de sigilo?

O que isso quer dizer: o que é sigilo, quais os crimes que podem derivar daí, mas em linguagem simples?

Para que não pensem, como estão pensando, que só vão acreditar quando virem o tal sigilo?

O Lula está de vítima de uma oposição malvada que fala de um sigilo quebrado, mas não mostra o sigilo, nem quem o tem quebrado em mãos.

O ar estranho que se abateu sobre o Brasil hoje, Dia da Pátria, é o mesmo que já sentimos de outras vezes...

Deve ser por isso que dona Dilma aparece com um ar tão pesado na foto feita ontem, e um comício. O ar seco e estranho deste setembro de 2010

***** Tara tributária

A Receita suspeita que o petista de Minas acessou por dez vezes só o cadastro, não o sigilo fiscal, do ex-ministro de FHC Eduardo Jorge, o EJ. Ou o analista é incompetente ou trata-se de um “maníaco do CPF”.

*****  A indignação de Aécio Neves
Renata Lo Prete, Folha De S. Paulo

Aécio Neves se declara "indignado" com a ideia de que haveria um acordo mediante o qual Lula sacrificaria Hélio Costa (PMDB), facilitando a eleição de Antonio Anastasia (PSDB) em Minas, enquanto o tucano não quebraria lanças por José Serra no Estado.

"Não falo com o presidente desde quando eu era governador", diz Aécio. "Quem faz esse tipo de intriga só atrapalha o Serra. Ele é testemunha do combate duro que enfrentamos aqui."

Sobre a acusação petista de que Minas e a luta interna tucana estariam na origem da violação de sigilos de pessoas ligadas a Serra: "Isso é piada. A cada dia surge mais uma digital do PT nessa história. Se o partido quer continuar a governar o país, deveria se comportar com mais seriedade diante de algo tão grave".

***** Nós pagamos o feriadão dele

O presidente da Infraero, Murilo Barbosa, começa nesta quartauma “visita técnica” por nossa conta a dois aeroportos no Uruguai

Enquanto isso...

A Infraero estende ao solo a bagunça nos céus do Brasil, com aeroportos sem estrutura e até sem vagas de estacionamento

****Bandido ilustre

Fundador do MST no Rio Grande do Sul e crítico de barragens para gerar energia elétrica, o falecido deputado petista Adão Pretto terá biografia patrocinada pela Eletrobras, com R$ 264 mil via Lei Rouanet.

Patrocinar biografia de bandido é cultura?

*****A incoerência religiosa

O islamismo aproveita a liberdade de credo, garantida nas democracias ocidentais, para fazer pregações e erguer mesquitas. Mas onde vigora o Alcorão, professar outra religião dá cadeia, chibatadas, deportação

***** Contribuição

Já que vale tudo no sigilo do contribuinte, dá para o eficiente violador da Receita vazar os dados dos cartões corporativos da Presidência?

***** Gabeira diz que Cabral tem inúmeras evidências de aliança com milícias

O candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira (PV), criticou nesta quarta (8) em seu programa eleitoral, seu adversário, o governador Sérgio Cabral (PMDB) que disputa a reeleição e o acusou de ter aliança com milícias "O governador Cabral e o seu PMDB, esses sim, têm inúmeras evidências na história recente de uma aliança política com as milícias", afirmou. Gabeira exibiu vídeo em que Cabral aparece em palanque ao lado do ex-deputado estadual Natalino Guimarães, condenado a 15 anos de prisão por formação de quadrilha armada e porte de arma de uso restrito. Outra cena mostra o governador com Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, irmão de Natalino e ex-vereador pelo Rio, também condenado. Porém, Cabral nega as acusações e afirma que a Polícia Civil, comandada por ele, prendeu os dois políticos

***** TSE nega liminar que pedia suspensão de propaganda da coligação de Serra. PT queria esconder a verdade de seus crime do país.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Henrique Neves negou liminar da coligação da candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT) para que fosse suspensa a inserção veiculada pela coligação de José Serra (PSDB), que diz que o consumidor teria desembolsado R$ 1 bilhão a mais por falha de Dilma, no período em que ela era ministra das Minas e Energia do atual governo. A coligação de Dilma argumentou, que a propaganda é "eminentemente negativa", e traz "mensagem sabidamente inverídica". Segundo o ministro, a propaganda questionada é baseada em notícia veiculada pela imprensa no último domingo. Nesses casos, "a jurisprudência do Tribunal admite a exploração crítica de notícias veiculadas nos jornais nos espaços reservados à propaganda eleitoral"

***** Governo autoriza liberação de R$ 1,9 bilhão para estimular exportações. Às vésperas das eleições ? Santo Deus !!!!

O governo autorizou a liberação de R$ 1,950 bilhão a estados, municípios e ao Distrito Federal para estimular as exportações no país. A Medida Provisória foi publicada nesta quarta (8) no Diário Oficial da União. Os recursos serão entregues ao final de cada mês em parcelas iguais até o final do ano. O Tesouro Nacional poderá, porém, antecipar os recursos à critério do Ministério da Fazenda. Do total dos recursos que cabe a cada Estado, a União entregará diretamente ao próprio Estado 75%, e aos municípios 25%. As informações são da Agência Brasil

***** Marina critica Lula na tevê por Dilma

A candidata à Presidência, Marina Silva (PV), criticou nesta quarta (8) o depoimento dado pelo presidente Lula no programa da candidata Dilma Rousseff (PT), defendendo a candidata petista das acusações de participação na quebra de sigilo na Receita. Questionada especificamente sobre o assunto ela disse que a fala dele "não contribui" para a solução do fato. "Não se pode esquivar que o fato é grave (...). O que não podemos é, em nome dos acertos, ser complacentes com os erros." A declaração foi dada após cerimônia da Fundação Abrinq na qual a candidata se comprometeu, se eleita, a ampliar investimentos em políticas para a infância e para a juventude.

O ponto G da alma

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

Toda hora um idiota me copia e joga na internet coisas que não escrevi. Há vários, em geral sobre mulheres e amor... Um deles diz : "as mulheres têm um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro."

Há mais... "adoro celulite... qual é essa de bundinhas duras?" e coisas assim. Acreditem que outro dia uma senhora me abordou eufórica: "Eu tenho bunda mole!..." Juro.

Por essas e outras, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida.

Não falarei das coxas, seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre. Vai ser um artigo apócrifo, escrito por mim mesmo.

Li em um lugar que cabeça de mulher é metáfora; de homem é metonímia... entenderam? Nem eu; acho que quer dizer que mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim, mais "ciência". Não quero falar de "mulher" sociologicamente, mas sim de seu "sétimo órgão" que todas têm, uma espécie de "ponto G" da alma.

Começo dizendo que "as mulheres nunca estão com a cabeça no lugar e, por isso, querem que os homens estejam com a sua no lugar onde elas acham que estão.

Não é só o exterior de uma mulher que nos interessa - a lingerie também é importante... A cosmética é a cosmologia da mulher"

Gostaram, feministas? Não? Pois é; essas frases são apócrifas também. Quem escreveu foi o polêmico sacana Karl Kraus, da época de ouro de Viena, famoso fazedor de aforismos e sátiras profundas.

Também faço meus aforismos, menores, claro, pois como também dizia o Kraus, "há escritores que conseguem dizer em 20 páginas aquilo para o que preciso até de duas linhas..."

Por isso, serei bem generalista, como só os bons apócrifos sabem fazer... Vamos lá.

O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo no seu rosto entediado... Será que ele me ama ainda?"

Elas só pensam nisso. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras mas, em geral, as mulheres não acreditam em nosso amor. Quando elas têm certeza dele, às vezes param de nos amar. Nelson Rodrigues me contou: "Uma mulher me disse: quando um homem me diz "eu te amo", perco o interesse na hora."

Mulher adora homem impalpável, impossível; ele ganha uma aura que as hipnotiza. Toda mulher é "Madame Bovary". O canalha é mais amado que o bonzinho. Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não a merece ou desprezar o devoto. Mulher não quer amor a seus pés.

Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão: convencer o canalha que ele a ama. Já vi mulheres abandonadas e humilhadas, dizendo, lívidas de esperança de uma volta: "Ele não sabe que me ama..."

Quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente (no fundo elas sabem que até a sinceridade é volúvel), um sorriso descrente lhes baila na boca. Preferem ser amadas que desejadas. Por isso, a satisfação erótica é uma corrida de obstáculos (Karl Kraus, de novo).

Elas estão sempre um pouco fora da vida social, mesmo quando estão dentro. Pode ser uma empresária brilhante mas, sob o tailleur de executiva, seu corpo lateja de saudades por alguma coisa que desconhece.

No Brasil das celebridades, o feminismo foi um mal-entendido. Muitas vezes rima com galinhagem ou até com uma forma velada de prostituição. Mas, vamos combinar que, no "design", somos uns jipes; elas são Mercedes-Benz voluptuosas e curvilíneas.

Muitas mulheres, para serem amadas, instilam medo no coração do homem. A carinhosa total entedia os maridos - sentem-se enclausurados numa prisão cinco estrelas. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor.

Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira uma mulher abandonada. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. Ninguém tem pena do corno. No entanto, o homem só atinge a idade viril quando é corneado. A mulher nunca é corneada, pois sempre se sente assim. O amor exige coragem. E o homem é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e, aí, dança...

A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante; a mulher quer o homem para se conhecer. A mulher quer ser possuída, mas não na base do "me come todinha". Falam isso no motel, para nos animar. Ela quer ser decifrada, pois não sabe quem é. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. O masculino é o "certo"; o feminino é o insolúvel. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens.

A mulher é metafísica; o homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; ela vive buscando atingir a plenitude mesmo que essa "plenitude" seja um "living" decorado com belas cortinas ou o perfeito funcionamento do lar.

A mulher é mais profunda - é a natureza se parindo. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do universo que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Por isso seja tão odiada pela estupidez de assassinos.

Elas têm algo de essencial - nós somos um apêndice.

Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade expectante e são obrigadas ao sexo ativo e masculino. A "supergostosa" é homem; ou melhor, é produto de seu desejo quantitativo - daí, mulheres peras, melancias.

No entanto, as mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica. Os homens, por fálicos, escamoteiam a depressão com obsessões bélicas, financeiras ou políticas.

As mulheres aguentam a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que fica feminino, como uma mulher perdida. Mas não é um mundo delicado, romântico e fértil como a mulher; é um mundo-mulher comandado por homens boçais.

À meia-noite violarei o teu sigilo

Marli Gonçalves (*)

Parece filme de terror, com a ameaça à espreita. Estamos virando um país de bandidos. Vivemos cercados de ameaças travestidas de oportunidades e o clima pesa, trazendo um desconforto quase insuportável, sufocante tanto quanto o ar seco e poluído. O frio sem hora, o calor que vai e vem. Todos viramos reclamões. Nada está exatamente bem. Algumas coisas estão péssimas. E, sinceramente, anda difícil respirar e relaxar.

Sai mês, entra mês e a gente só vê as coisas piorarem para o nosso lado. As contas fazendo pressão, vazando para dentro na soleira pelo vão da porta, pagando serviços ruins, incompletos, muito caros. Culpa do sistema. Caiu o sistema. O sistema está lento. Um momento, por favor! Sua ligação está sendo gravada a partir deste momento. Anote o protocolo, nº 361.354.861.751.744.2551.211-2010N.

Só por aí já descobrimos que somos milhões reclamando!Trilhões de vezes. Como compensação moral, essas companhias todos os anos lideram as listas de piores serviços, e ganham como "maior número de denúncias". O que eles devem gostar. Só podem. E sabe por causa do quê? Como é que você vai se livrar deles? Só mudando de país, ou virando eremita. Temos que enfrentá-los no meio das barbaridades e modernidades. Telefônicas, operadoras de tevê a cabo, seguros-saúde, seguros-computador-celular-casa, seguros obrigatórios, companhias de luz, gás, água e esgotos, cartões de crédito. Vai! Encara! Vai ficar sem luz, sem gás, sem comunicação, na fila do SUS. Vai se fornicar todo.

Por exemplo: fica sem pagar um mês. Algumas destas, em 15 dias já terão cortado as suas libertárias asinhas de consumidor. Outras cobrarão juros tão extorsivos que você logo sentirá o que é ser escravo. Sem documentos, sem lenços, nome no SPC, BNH, INAMPS, BC, BB, JC, TJ, TS, ST, SJ, no BIBIBI e no BOBOBÓ.

Vamos ao ponto: e as informações a seu respeito - de todo esse mundo paralelo - estão aí, nesse meio, rolando entre eles, nos cadastrando, vendendo nossos endereços e hábitos e nos taxando. Onde, raro, houver concorrência, sempre tem a hora que eles passeiam de mãos dadas. A piada que no futuro "não poderíamos ligar para pedir uma pizza de calabresa porque o atendente teria nossa proibitiva ficha médica" é só uma piada. Se puderem, venderão a pizza casada com uma promoção imperdível de remédios para o colesterol alto, uma lixeira para o descarte da embalagem que, cortada, valerá um bônus para uma sobremesa. Topam tudo por dinheiro.

Por outro lado, no Governo, no Estado, no que deveria ser a nossa garantia, estamos fichados, oficialmente. Tento fazer você entender melhor como as coisas estão funcionando. Mal. Quando um Governo é descoberto USANDO o sigilo fiscal, do Imposto de Renda, do Leão, da Receita Federal, o escambau contra QUEM QUER QUE SEJA, é grave. Muito grave. Gravíííííssimo! Quando a gente fica sabendo que - pior! - alguns desses mesmos dados estão sendo vendidos nas esquinas do comércio popular, em CDs a "10 real" já nem acredita. Mas, se o cara tiver más intenções, corre lá para comprar, para locupletar-se também.

Estamos virando um país de bandidos? Onde bandido vota em bandido porque, afinal, também quero uma boquinha? Onde se fecha os olhos para a censura? Onde se desrespeita os direitos mais fundamentais e tudo bem porque (ainda) não é com você?

Muito mais do que dizer "somos todos Francenildos". Ou "somos todos essa tal de Verônica Serra". Estamos sendo é todos otários, idiotas, monitorados, dependentes, enrolados, controlados e usurpados.

Falei claramente? Com certeza, melhor do que os caras andam fazendo na televisão, imbuídos de seus ares sérios, sorrisos falsos e com seus terninhos bem cortados. Que falam termos que eu bem queria saber como são exatamente entendidos na linha final, onde autoritário é positivo; ser chefe. E o popular se confunde entre a palhaçada e a vitória do pobre. Onde poucos sabem o sentido e a forma das leviandades, muito menos das palavras.

É poste, sabonete, lideranças - tudo sendo vendido em embalagens que nós mesmos fornecemos as dicas - escuta só. Se tanto falam em pai e mãe, é porque devemos estar mesmo órfãos e eles querem nos adotar, nos dando doces, prometendo educação, saúde, a transposição do rio São Francisco, o trem-bala de chupar otário, crack só na Bolsa, coisas PACas. São as novas dentaduras, óculos, muletas. Compram (ou vendem) seus votos com base nas ilusões da maioria. Um jogo de espelhos, tendencioso.

Nada disso é novidade no mundo do papagaio de botinas, encarnado em maioral, e sua turma, cada vez avançando mais em áreas sensíveis, inclusive nos subterrâneos, dos mares. E da liberdade. Tudo muito flex, muito Filme B, chanchada. O empresário rico distribui bondades, faz implante de cabelo e fala em filosofia; já não tem mais a carcamana figura de Abílios, Samuéis, Hermínios.

Cuidado: filmes de terror costumam ter corvos disfarçados em outros pássaros, manos infiltrados. Bruxas que viram lindas princesas. Sapos barbudos que viram ditadores encastelados. Beijos e abraços de morte. Perigo a cada porta ou gaveta que se abre, e eles arrombam! Filmes de terror mostram experiências, inclusive com o sangue dos vampiros, que um dia explodem, levando o laboratório aos ares. Filmes de terror também trazem fantasmas que se levantam de seus túmulos, ectoplasmas, ou seres imortais, ressuscitados da lama e do pântano.

Está certo. OK. A sorte é que nem todas as mocinhas estão distraídas tomando banho no chuveiro e que há ainda cavaleiros e mineiros empreendendo batalhas, como Quixotes.

E, dizem, não há mal que sempre dure.

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Sabe que todo mundo, no fundo, tem um sigilo que teme ser quebrado. E que ninguém gosta de ser refém.

PT fazendo escola do crime contra a constituição

Comentando a Notícia

Há coisa de um mês atrás mais ou menos, o acesso ao cadastro dos alunos inscritos do ENEM viraram porteira aberta. Claro que o ministro Haddad encontrou as costumeiras desculpas esfarrapadas para explicar o inexplicável. Resultado: explicou, mas não justificou.

No Estadão. Com.br/Educação, encontrei, em pleno 7 de setembro, esta pérola: Dezenas de Estudantes acusam candidato de usar banco de dados do ProUni - Gustavo Petta (PC do B-SP).

Declaração de um dos alunos foi sintomática:

“O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer desses meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração.”

Sabem quem é o responsável pelo cadastro do PROUNI? Isto mesmo, o mesmo MEC do ministro Haddad. A assessoria do MEC, tentando se justificar e mostrando certa afetação, informou que “Esse acesso que a UNE tem é institucional”. Como é que é? Acesso institucional? Isto quem deveria ter somos todos nós. E por que o da UNE é especial? Que privilégio imerecido e injustificável pode ter a UNE que é vedado aos demais cidadãos?

Mas independente das desculpas imbecis, o fato é que sigilo neste país virou moeda de troca, de compra e venda para gatunos, larápios e fazedores de dossiês políticos. Mais do que outra qualquer coisa, fica caracterizado o estado policialesco a que o país se acha mergulhado desde a chegada de Lula ao poder. Aliás, ele por o responsável último pela preservação e respeito às leis, ao invés de indignar-se do comportamento criminoso dos servidores e outros pistoleiros, fica indignado é com as vítimas, que reclamam pelo crime que contra elas está sendo praticado nas teias e porões do Estado irresponsável e leniente com o crime. Isto representa uma total inversão de valores, se é que neste governo existe ainda algum valor decente para ser preservado. Por Rodrigo Alvares, para o Estadão.

PT fazendo escola: Estudantes acusam candidato de usar banco de dados do ProUni

Bolsistas dizem ter recebido propaganda não solicitada de ex-presidente da UNE, que tenta vaga de deputado pelo PCdoB

Dezenas de estudantes bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) receberam na terça-feira da semana passada propaganda eleitoral não solicitada, enviada pela equipe da campanha do candidato a deputado Gustavo Petta (PC do B-SP). A acusação dos universitários é de que houve uso do banco de dados do programa.

O estudante de publicidade Ibrahim Cesar, de 21 anos, foi um dos primeiros a alertar para a irregularidade. “Percebi que meu nome estava completo e que a mensagem não era personalizada. Comecei a perguntar às pessoas pelo Twitter e na faculdade”, contou.

O estudante não foi o único bolsista do ProUni a receber o spam. Outros beneficiados de São Paulo contatados pela reportagem encaminharam a mesma mensagem. Para Ibrahim, o Ministério da Educação, que gerencia o programa cedeu o endereço eletrônico dele e de outros bolsistas. “O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer desses meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração.”

O e-mail, enviado pela campanha de Petta, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tinha como campo de assunto “Mensagens aos Prounistas”. “Aos amigos e amigas bolsistas do ProUni, você é um dos 704 mil estudantes brasileiros que estão mudando o rumo da sua própria história e do nosso país com a oportunidade de se formar no ensino superior a partir do Programa Universidade Para Todos, o ProUni.”

Reação.
A assessoria do MEC disse que Petta “vai ter de se explicar” sobre o caso. “Não demos o mailing do ProUni para ele. Nenhum mailing do MEC está disponível”, disse a assessoria. Para o ministério, o candidato pode ter obtido acesso aos dados por meio da UNE. Cerca de 40% dos bolsistas são do Estado de São Paulo.

“Esse acesso que a UNE tem é institucional, não poderiam ter feito isso”, afirmou a assessoria. “Petta pode colocar a candidatura em risco e ser impugnado por causa disso.”

Se apoiasse a candidata de Lula, Fernando Henrique seria canonizado pela seita

Augusto Nunes, Revista Veja

Se não lhe sobrasse a dignidade que falta a tantos cardeais da oposição, se não soubesse o que é o sentimento da honra, se não tivesse uma história a preservar, Fernando Henrique Cardoso trataria de fazer o que já teriam feito, em seu lugar, os oportunistas monitorados pelo imediatismo cretino dos marqueteiros: perguntaria ao chefe da campanha de Dilma Rousseff se está interessado numa declaração de apoio à candidata. Claro que sim, berraria Lula ainda no meio da pergunta. E nem esperaria o fim da conversa para convocar uma cadeia nacional de rádio e TV, e comunicar aos brasileiros, na hora do Jornal Nacional, que fora Lula nunca antes neste país houve um governante como FHC.

Os devotos da seita , como ensinaram os casos de José Sarney e Fernando Collor, são todos desprovidos de autonomia afetiva: amam quem está com o chefe, odeiam quem está contra o chefe. Anunciada a canonização, tanto os Altos Companheiros quando os soldados rasos das milícias se poriam de joelhos para rezar em louvor de São Fernando Henrique. No mesmo dia, o Grande Satã do PT seria instalado na vaga mais espaçosa do altar companheiro. E o horário eleitoral governista começaria a contar ao Brasil quem é o mais recente aliado de Dilma Rousseff.

O primeiro programa, dedicado ao Plano Real, provaria que a inflação foi vencida por FHC. O segundo, amparado na Lei de Responsabilidade Fiscal, provaria que foi ele o único presidente a impor limites à gastança criminosa do dinheiro público. Um ensaio do professor Antonio Cândido registraria a importância da obra do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Um artigo da professora Marilena Chauí lembraria que o mundo que se ilumina quando ouve Lula fica cheio de estrelas quando lê Fernando Henrique. E a UNE finalmente voltaria às ruas para exigir que o professor Fernando Henrique Cardoso fosse aclamado paraninfo de todas as turmas diplomadas em 2010.

No último programa da temporada, Lula juraria que nunca ouviu falar em “herança maldita”: se alguém ousasse usar tal expressão em sua presença, sairia da sala aos arrancos, solidário com o homem que fixou as diretrizes da política econômica. Depois de lembrar que só por isso o Brasil sobreviveu a crises internacionais e continua crescendo, Lula lembraria, com Henrique Meirelles ao lado, que entregou a presidência do Banco Central a um deputado federal eleito pelo PSDB porque não se mexe em time que está ganhando.

Em menos de três semanas, os brasileiros descobririam que devem ser creditados à Era FHC os programas sociais que originaram o Bolsa Família, o tratado de paz que encerrou o interminável conflito fronteiriço entre o Peru e o Equador, a construção do gasoduto que liga a Bolívia ao Brasil, o processo de privatização que ressuscitou ou modernizou empresas devastadas pelos tumores da corrupção, do empreguismo e da incompetência.

Há quase 16 anos, Lula e seus devotos tentam transformar um grande presidente em traidor da pátria e inimigo do povo. Há quase oito anos, a oposição engole em silêncio críticas improcedentes, versões fantasiosas e falsidades infamantes. Os petistas não acreditam numa única palavra do que dizem. Os tucanos acreditam, sugerem os programas do horário eleitoral.

Já que raramente aparece no horário da oposição, por que Fernando Henrique Cardoso não pergunta se o PT está interessado em mostrá-lo na tela? Os portadores de miopia pusilânime merecem esse castigo. A sorte do país que presta é que FHC prefere pensar nos brasileiros decentes. Caso fosse como os outros, bastaria o telefonema para Lula. Ainda acabaria nomeado, com a aprovação unânime da base alugada, Presidente de Honra do Brasil.

Desenvolvimento com ética

Ruy Martins Altenfelder Silva (*) - O Estado de S.Paulo

Pode existir desenvolvimento econômico, social e político de uma nação sem obediência aos princípios éticos? Em outras palavras, é possível o desenvolvimento a qualquer custo? Apesar da disseminação da crença em contrário, a História mostra que a resposta é negativa, pois, entendido em seu sentido mais abrangente, o desenvolvimento é impossível sem que dele participem cidadãos honestos, probos e comprometidos com os princípios éticos e morais, gerando um benéfico efeito cascata que, acredito, constitui, se não o único, pelo menos o mais promissor caminho para corrigir as graves injustiças e atenuar as perigosas tensões entre as nações, que marcam este início de século 21.

As reflexões de um dos incontestes líderes mundiais - cujas palavras transcendem a expressiva comunidade católica (perto de 1,2 bilhão de pessoas no mundo, segundo o Anuário Pontifício) - traçam um cenário perturbador, nascido da atual tendência a alijar os conceitos da ética da finalidade maior do esforço humano, que deveria ser a busca da felicidade e da justiça nas relações sociais, e não simplesmente do lucro de vários tipos a qualquer preço, em prejuízo de uma concreta sustentabilidade do desenvolvimento.

Na recente e aguardada encíclica Caridade na Verdade, o papa Bento XVI adverte que, quando prevalece o primado da técnica, a consequência é uma tremenda confusão entre fins e meios: o empresário considerará o máximo lucro na produção; o político, a consolidação do poder; o cientista, o resultado de suas pesquisas; e assim por diante. Em consequência, sob a rede das relações econômicas, financeiras ou políticas, vicejam incompreensões, contrariedades e injustiças, os fluxos dos conhecimentos técnicos multiplicam-se em benefício de seus detentores, enquanto as condições de vida das populações que vivem sob tais influxos - e quase sempre na sua ignorância - permanecem imutáveis e sem assegurar efetiva possibilidade de emancipação.

Como, é evidente, a marginalização da ética constitui uma questão que não respeita fronteiras, ela contamina os princípios que devem reger a convivência entre os povos e, inevitavelmente, resvala para a atual (má) qualidade das relações internacionais. O papa identifica o grande risco de a paz ser considerada uma mera produção técnica, fruto apenas de acordos entre governos ou de iniciativas tendentes a assegurar resultados econômicos. Entretanto, na visão de Bento XVI, a construção da paz exige pertinência nos contatos diplomáticos e, para que tais esforços possam gerar efeitos duradouros, seria necessário que se ancorassem em valores verdadeiros, entre os quais se inclui a capacidade de ouvir a voz das populações interessadas e atender a seus anseios.

Os meios de comunicação, que tiveram seu poder de penetração multiplicadíssimo com a disseminação da internet, também não escaparam do rigoroso crivo da análise papal. Para Bento XVI, "parece absurda a posição dos que defendem a neutralidade da mídia, reivindicando a sua autonomia relativamente à moral". Assim como ocorre com o espírito da lei, sempre mais poderoso do que sua forma, a leitura atenta da encíclica deixa claro que essa orientação não embute uma defesa da censura ao direito à informação, mas trata-se de um chamado à responsabilidade que, se atendido, apenas reforçará a liberdade de imprensa. Afinal, se a imprensa é um dos mais fortes pilares de proteção dos direitos civis, sua atuação não pode ignorar o pressuposto da ética.

A bem da verdade, registre-se que não faltam exemplos dessa postura correta. Um deles é um dos muitos protagonizados por este jornal, que, ao se levantar contra a escalada da impunidade e da corrupção, que se alastram pelo tecido social, está proibido de abordar um caso de interesse público e vem sendo mantido sob censura há mais de 400 dias, sem que haja indício de quando a condenação venha a ser julgada no mérito e, pois, suspensa de direito. E, pior, sem que haja uma reação da sociedade diante dessa ameaça de retorno da censura à informação. Ameaça, aliás, que já se concretizou em vários países, num retrocesso inimaginável há poucos anos, e no Brasil se vem manifestando em iniciativas recorrentes que, em nome de uma pretensa democratização da informação, embute o risco de colocar os meios de comunicação sob o controle ou até, o que é mais grave, a serviço de interesses menores de eventuais detentores do poder público.

Também inevitavelmente, ao seguir sua linha de pensamento com honestidade intelectual, o papa condena os graves desvios e insuficiências do capitalismo expostos pela recente crise financeira global e preconiza a criação de uma autoridade política mundial, com poder para gerenciar a economia global, respeitando os princípios da ética, revitalizando as economias atingidas pela crise e atenuando os desequilíbrios mais intensos. A instituição preconizada seria disciplinada por lei, reconhecida universalmente e investida de poder efetivo para garantir a segurança de todos, com respeito à justiça e aos direitos.

Utopia? Pode ser. Mas aqui vale lembrar que, na História da humanidade, as grandes revoluções benéficas nasceram quase sempre de sonhos aparentemente utópicos de líderes que valorizaram a liberdade, a justiça e a solidariedade. Portanto, creio que é absolutamente pertinente, em especial num momento em que os brasileiros irão às urnas para definir os rumos do País nos próximos anos, insistir em que desenvolvimento e ética são dois princípios inseparáveis e devem constar de todos os programas de governos, assim como integrar os valores a serem seguidos por instituições públicas e privadas que queiram cumprir seu papel social e conquistar o respeito e a admiração da sociedade.

(*) Presidente do Conselho Diretor do Ciee Nacional, do Conselho De Administração do CIEE-Sp e Membro Da Academia Cristã De Letras

O dueto Brasil-China

Rolf Kuntz - O Estado de S.Paulo

As contas externas são o ponto mais frágil da economia brasileira neste momento. De janeiro a agosto as exportações de mercadorias foram 28% maiores que as de um ano antes. O valor importado ficou 48,6% acima do registrado nos oito meses correspondentes de 2009. A tendência havia sido observada na fase de rápido crescimento até 2008, foi interrompida na recessão e voltou a manifestar-se com a recuperação da atividade. Embora involuntariamente, o Brasil vem cumprindo o papel proposto para os emergentes pelo Grupo dos 20 (G-20) e pelos principais dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI): os superavitários deveriam depender mais do mercado interno e importar mais. A mensagem foi dirigida principalmente à China, a maior potência exportadora, mas também o Brasil acabou seguindo o caminho recomendado.

No segundo trimestre, as importações brasileiras de mercadorias foram 56% maiores que as de um ano antes, enquanto as exportações ficaram 29% acima das de igual período de 2009. No caso da China, as diferenças em relação ao ano anterior foram, respectivamente, 44% e 41%. Proporcionalmente, a resposta do Brasil ao apelo do FMI e dos países mais desenvolvidos foi maior que a chinesa. Na Índia, as taxas quase empataram: 33% mais para as importações e 32% mais para as exportações.

Só um dos Brics, a Rússia, tomou caminho diferente, faturando 43% mais que no segundo trimestre do ano passado e gastando 33% mais com as compras de produtos estrangeiros. Ninguém pode acusar o Brasil de não colaborar para a recuperação da economia mundial - embora a China tenha sido a principal potência beneficiada pelas importações brasileiras.

Também a conta de serviços tem piorado, principalmente por causa da valorização do real. Essa conta inclui, entre outros itens, as viagens ao exterior, agora mais baratas por causa do dólar barato. No segundo trimestre, a contribuição do setor externo - transações com mercadorias e serviços - foi negativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com receitas 7,3% superiores às de abril a junho de 2009 e despesas 38,8% mais altas.

O descompasso entre importações e exportações foi apontado como o principal motivo de preocupação pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em seu comentário sobre as contas nacionais do período de abril a junho.

A redução do crescimento econômico para um ritmo equivalente a 4,9% ao ano foi avaliada como boa notícia pelos analistas do instituto, assim como pelos economistas do governo. Embora ainda vigorosa, é uma expansão mais sustentável que a do trimestre anterior. Mas por quanto tempo será sustentável, se o balanço de pagamentos continuar em deterioração?

As projeções do mercado financeiro e das consultorias para as transações correntes continuam sombrias. No último relatório Focus, baseado em pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), o déficit estimado para este ano aumentou ligeiramente, para US$ 50 bilhões. A previsão estava em US$ 49 bilhões duas semanas antes. Para 2011 o valor projetado foi mantido em US$ 58 bilhões.

De janeiro a julho, o déficit na conta corrente, US$ 28,3 bilhões, superou o de todo o ano passado, US$ 24,3 bilhões. Em 12 meses, o valor chegou a US$ 43,8 bilhões, equivalentes a 2,2% do PIB. Entre 2003 e 2007 a conta havia sido superavitária.

Nos 12 meses até julho entraram US$ 26,7 bilhões de investimento direto estrangeiro. O resto do buraco foi coberto com outros tipos de financiamento - empréstimos e aplicações especulativas -, menos estáveis e menos saudáveis para o País.

Segundo a análise do Iedi, a piora das contas externas é atribuível ao câmbio valorizado e a outros fatores "enormemente" prejudiciais à competitividade da produção nacional.

Não se discutem no texto esses fatores, mas são em geral bem conhecidos e compõem o chamado "custo Brasil". Para eliminar ou atenuar esses problemas, o próximo governo terá de trabalhar duramente. Parte da solução dependerá de inovações legislativas e do aumento da eficiência do setor público. Tudo isso vai exigir muita disposição para negociar, principalmente quando se tratar da alteração de impostos estaduais e da racionalização dos gastos da União. Desse esforço poderão depender também a política de juros e, indiretamente, a evolução do câmbio. O dólar barato tem contribuído para a contenção da alta de preços. Se a situação do câmbio mudar, o governo terá de cuidar de outros fatores inflacionários, a começar pelo desequilíbrio de suas contas.

Desafios para o futuro presidente

Suely Caldas (*) - O Estado de S.Paulo

O futuro presidente vai receber um país melhor, que reduziu as desigualdades sociais, manteve a economia organizada, seguiu o bem-sucedido tripé de Fernando Henrique Cardoso (metas de inflação-câmbio flutuante-controle fiscal), gerou empregos e promoveu crescimento econômico. Este é o lado bom do governo Lula a que os três candidatos com chances de vitória se comprometem a dar seguimento. Mas há o lado ruim, certas bombas de efeito retardado que o novo governante precisa desarmar logo se quiser governar em paz em direção ao progresso e qualidade de vida da população.

A pior delas acaba de explodir porque Lula, em vez de tentar desarmá-la, a inflou com mais dinamite: o condenável uso do Estado a serviço da candidata do governo fez a bomba explodir na Receita Federal, um respeitado e confiável órgão de Estado, que deveria zelar pelo sagrado direito de privacidade dos brasileiros e foi flagrado bisbilhotando a vida de opositores para usar na campanha eleitoral. Resultado: em poucas horas a credibilidade da Receita foi ao chão. E reconstruir o que está desmoralizado não é fácil, leva tempo. Será preciso trocar comandos, virar pelo avesso, fazer uma devassa para recuperar a imagem da Receita.

E que bombas são essas?

Reforma do Estado -
É o pior legado de Lula. Para acomodar companheiros, ele duplicou o número de ministérios, gerando gastos desnecessários. Para comprar partidos aliados, loteou o governo e o Estado com políticos despreparados e a serviço de seu partido, não da população. Tirou o caráter técnico, politizou e enfraqueceu as agências reguladoras, prejudicando a eficiência na regulação e fiscalização dos serviços públicos. Com isso a corrupção prosperou e predominou em seu governo.

Seu sucessor precisa desfazer esse aparato, eliminar ministérios inúteis, capacitar tecnicamente os funcionários nas funções de planejar e regular, economizar recursos direcionando-os para saúde, educação, saneamento, segurança e programas sociais. E, já na partida, dar um freio de arrumação na distribuição de cargos, valorizando funcionários de carreira e oferecendo à sua base aliada cargos de representação política, deixando os técnicos para quem for capacitado.

Relação com o Congresso -
Se no governo FHC já existia o toma lá dá cá entre Executivo e Congresso, na gestão Lula virou regra comum. Não havia uma matéria em que, para votar, deputados e senadores não cobrassem favores, cargos, liberação de verbas. Desde o mensalão, no primeiro mandato, Lula mostrou-se fraco, cedeu e foi cedendo aos caciques do PMDB e demais partidos, até tornar o toma lá dá cá uma norma corriqueira.

O novo presidente precisa entrar mostrando força, invertendo essa relação perniciosa que desmoraliza a imagem do Congresso, decepciona e reforça a percepção dos eleitores de que "ali não se salva ninguém".

Dívida pública -
O preço do sucesso do governo Lula na economia - a expansão dos programas sociais, crescimento econômico e geração de empregos - foi o aumento do endividamento. Ele não vacilou em ampliar a dívida pública para emprestar dinheiro para o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal repassarem créditos de investimento às empresas e à Petrobrás. E a dívida bruta hoje já ultrapassa 60% do Produto Interno Bruto (PIB).

Quando era possível amortizar o valor principal, nos primeiros seis anos de prosperidade e expansão da arrecadação tributária, Lula não o fez e preferiu optar pelo aumento dos gastos correntes. Com isso o estoque da dívida continuou subindo. O novo presidente vai enfrentar o desafio de fazer o oposto: não se limitar a pagar só juros, retomar o bom hábito de amortizar, abater o valor total e ganhar mais segurança para atravessar seu mandato com menor risco de crise.

Gastos públicos -
Organizar o que Lula desorganizou, definindo prioridades e concentrando gastos em itens que façam a diferença para a qualidade de vida da população mais pobre. Ou seja, melhorar o atendimento em hospitais públicos, capacitá-los para aumentar o número de cirurgias e ampliar o orçamento para o Ministério da Saúde. Também na educação, qualificar professores, reduzir o analfabetismo funcional, oferecer ensino de qualidade. E ampliar gastos também para a segurança e o saneamento básico.

Investimento em infraestrutura - Apesar do bom desempenho econômico, Lula vai concluir seu mandato com uma taxa de investimento medíocre de 17,9%, muito abaixo dos 25% necessários para garantir um ritmo sadio de crescimento econômico.

O Estado até expandiu investimentos na reta final do governo com o PAC, o programa Minha Casa, Minha Vida e a promessa do pré-sal. Mas, para atrair investimento privado em infraestrutura, o governo Lula fez tudo errado, a começar pela politização das agências reguladoras e sucessivas mudanças em marcos regulatórios, que geram insegurança e afastam investidores. É mais um setor que o novo governante precisa virar pelo avesso para obter bons resultados.

Investimentos específicos -
Há três projetos que precisam de uma reavaliação, mesmo que o presidente seja Dilma Rousseff. São a Usina de Belo Monte, o modelo de exploração de petróleo da área do pré-sal e o trem-bala entre Campinas e Rio de Janeiro. Entre a concepção e a execução, os três apresentaram dificuldades que a razão aconselha a reavaliação.

O investimento em Belo Monte nasceu privado e vai terminar estatal, porque dúvidas quanto à rentabilidade afastaram investidores privados.

A complicada capitalização da Petrobrás para obter recursos e investir no pré-sal é apenas o começo das dificuldades que a estatal enfrentará para custear a maior parte desses investimentos. Seria o caso de o novo governo pensar em mudar o modelo e dividir esse custo com outras empresas privadas.

E o trem-bala, um sugador de dinheiro público de tão poucos benefícios, seria recomendável desistir dele e redirecionar os recursos para áreas mais carentes.

Reformas estruturais -
Por último, mas de importância fundamental para a eficiência da gestão pública, estão as reformas - política, tributária, previdenciária e trabalhista. Sem elas, o novo governante vai trabalhar como FHC e Lula: emperrado, limitado e dependente das circunstâncias.

(*) Jornalista e Professora de Comunicação da PUC-Rio.

Brasil adia até 2012 retaliação aos EUA sobre algodão

Ana Nicolaci da Costa, Reuters/Brasil Online

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro decidiu adiar até 2012 a aplicação de eventuais retaliações comerciais contra os Estados Unidos envolvendo a questão dos subsídios irregulares ao setor de produção de algodão norte-americano.

Em reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) nesta quinta-feira, ministros decidiram dar prosseguimento à negociação com os Estados Unidos buscando uma solução negociada para a disputa comercial, movimento que vai impedir que mais de cem produtos dos EUA recebam sobretaxas para entrar no Brasil, como autorizou a Organização Mundial de Comércio.

"O acordo ainda não é uma solução definitiva", afirmou o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, a jornalistas.

"O Brasil não abre mão do seu direito de aplicar as contramedidas a qualquer momento. Nós não temos interesse em retaliar. Nem os EUA têm interesse em ser retaliado", completou ele, explicando que em parte não houve interesse do setor privado nessa medida.

Em 2012, os EUA devem votar uma nova lei agrícola e já deram início a audiências. Para que o Brasil não exerça o seu direito de retaliar, a nova lei dos EUA deverá incluir mudanças nos programas do algodão.

As leis agrícolas dos EUA são legislações amplas que cobrem subsídio às safras, administração de terra, nutrição pública, biocombustíveis, pesquisa agrícola, exportação e programas de desenvolvimento rural.

CONDIÇÕES
Segundo nota do governo brasileiro, o acordo negociado entre as delegações de Brasil e EUA ao longo das últimas semanas "dá continuidade aos compromissos já assumidos no Memorando de Entendimento assinado entre os dois Governos em 20 de abril de 2010, que cria um fundo de apoio aos cotonicultores nacionais no valor de 147,3 milhões de dólares anuais".

De acordo com Marcio Cozendey, chefe de assuntos econômicos do Itamaraty, está em andamento o processo de abertura da conta para o fundo. Ele estima que no final da semana que vem ou início da próxima será feito o primeiro depósito.

No que diz respeito aos programas de apoio doméstico dos EUA, o acordo fechado entre os dois países determina que a base das discussões será o estabelecimento de um limite anual para os programas de suporte que distorcem o comércio, em patamar significativamente inferior à média entre 1999 e 2005.

Os EUA também já haviam concordado em fazer algumas adaptações no curto prazo no seu programa de garantias de crédito à exportação.

A Camex explicou nesta quinta-feira sobre essa questão que, além das consultas trimestrais regulares, haverá processo com revisões semestrais da operação do programa com foco no prazo do pagamento e prêmios de risco.

Os EUA haviam concordado também em reduzir barreiras à carne suína e bovina brasileira.

A retaliação foi aprovada pela OMC em novembro de 2009, como punição aos excessivos gastos de Washington para subsidiar produtores de algodão e também por causa de um programa de garantias para créditos a exportadores.

O Brasil foi liberado para adotar tarifas e quebrar direitos de propriedade intelectual, em um total avaliado em 829 milhões de dólares,.

Desde então os dois países vêm tentando chegar a um acordo para resolver a disputa sobre os subsídios ao algodão norte-americano.

"Uma vez concluído o processo legislativo que colocará em vigor a nova lei agrícola norte-americana em 2012, as partes examinarão as modificações introduzidas naquela legislação e avaliarão a possibilidade de informar à OMC que foi alcançada uma solução mutuamente satisfatória para o contencioso", completa a nota.

Carga tributária continua a ser das maiores do mundo

O Estado de S.Paulo

A recessão econômica e as isenções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ajudaram a reduzir levemente, em 2009, a proporção entre a carga tributária e o Produto Interno Bruto (PIB) - de 34,41%, em 2008, para 33,58%, no ano passado. Mas os dados distribuídos pela Receita Federal mostram que o Brasil continua a figurar entre os países que cobram tributos proporcionalmente mais altos.

Países com serviços públicos de qualidade muito superior aos do Brasil têm carga tributária semelhante, caso da Grã-Bretanha, cuja carga é de 35,7% do PIB (1,3 ponto porcentual maior que a do Brasil), e da Alemanha, cuja carga de 36,4% é 2 pontos porcentuais superior à brasileira. Em outros países a carga tributária é muito superior à do Brasil, como na Noruega (42,1%), na Suécia (47,1%) ou na Dinamarca (48,3%), mas é incomparável a qualidade das redes de proteção social desses países com a do Brasil.

Em alguns países ricos - e em graus variáveis - a carga chega a ser menor que a do Brasil, como no Japão (17,6% do PIB); nos Estados Unidos (26,9%); na Suíça (29,4%); no Canadá (32,2%); e na Espanha, 33% do PIB.

Com carga de 34,4% do PIB, o Brasil cobrou dos contribuintes apenas 1,1 p.p. menos do que os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja carga média foi de 35,5% do PIB.

Em 2009, o Produto Interno Bruto brasileiro caiu 0,2% - e este foi o fator decisivo para a menor arrecadação de tributos. Mas a carga sobre a folha de salários aumentou 0,45 p.p. e os impostos sobre a propriedade não sofreram declínio. A Previdência Social arrecadou mais 0,35 p.p. e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mais 0,12 p.p. do PIB.

O tributo que mais contribuiu para a queda da receita foi o IPI, com 0,34 p.p. do PIB; seguindo-se o Imposto de Renda, com 0,32 p.p.; a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com 0,28 p.p.; e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 0,14 p.p. Cabe notar que a diminuição do IPI sobre veículos, materiais de construção e eletrodomésticos ajudou a atenuar a queda do PIB. A União perdeu mais receita (0,67 p.p.) do que os Estados (0,16 p.p.), enquanto os municípios conseguiram preservar a arrecadação, que depende do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Com a retomada da economia, a carga tributária voltará a crescer, como proporção do PIB. Além disso, poderá subir ainda mais, pois a candidata oficial à Presidência já prometeu recriar a CPMF ou tributo similar.

Dívida externa - o fantasma volta

Correio Braziliense

Débitos do país lá fora voltam a crescer com forte contribuição do setor público. Emissões de títulos do governo e da Petrobras fazem nível superar o de 2005

Longe dos debates nos últimos anos, a dívida externa do Brasil voltou ao radar de analistas e investidores. E retornou pelas mãos do governo, que tanto propagandeou o fato de o país ter se tornado credor internacional, ao acumular mais reservas em dólar do que o total dos débitos lá fora. Pelas contas do Banco Central, enquanto o endividamento externo global do país avançou, no ano passado, de US$ 4,1 bilhões para US$ 202,5 bilhões, o saldo devedor pertencente ao setor público disparou mais do que o dobro, exatos US$ 9,8 bilhões, passando de US$ 67,3 bilhões para US$ 77,1 bilhões — o patamar mais elevado desde 2005.

À primeira vista, o aumento da dívida externa pública não assusta. “Para um país que não tem poupança interna suficiente para crescer, como é o caso do Brasil, é normal buscar financiamentos no exterior”, diz o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do BC. “Mas é preciso que o aumento do endividamento externo se dê de forma equilibrada, consciente, para que não surjam problemas mais à frente”, ressalva. Foi justamente o excesso de dívida externa nos anos 1970 e 1980 que levou o Brasil a consecutivas crises cambiais e a decretar calotes que custaram caro à sua imagem.

Captações
Do crescimento de US$ 9,8 bilhões nos débitos do setor público, quase a metade foi obra do Tesouro Nacional, que, ao longo de 2009, fez cinco emissões de títulos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, captando US$ 4,1 bilhões. O restante das dívidas foi feito por empresas estatais, sobretudo a Petrobras, para tocar seu bilionário projeto de investimentos. “São operações de longo prazo e a um custo bem menor do que o cobrado no país”, explica o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Para ele, o mais importante, quando se olha o endividamento externo, é a parcela de curto prazo, mais vulnerável aos humores do mercado. E essa caiu no ano passado, de US$ 36,4 bilhões para US$ 30,5 bilhões. Ou seja, a dívida do governo aumentou, mas melhorou muito o seu perfil, combinando vencimentos mais longos e custos menores. Outro dado importante: as empresas privadas, por causa da crise mundial, que reduziu a oferta de recursos, botaram o pé no freio no endividamento. Ampliaram o saldo devedor em apenas US$ 249 milhões contra uma elevação de US$ 10,5 bilhões entre 2007 e 2008.

Na avaliação da economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, não há nada a comemorar em relação ao aumento da dívida externa do setor público. “Isso tem a ver com um Estado inchado, que gasta mal e não tem poupança suficiente para tocar obras importantes, como as de infraestrutura”, afirma. Ela ressalta que, nos últimos anos, quando o país ainda estava solidificando o terreno para galgar taxas de crescimento econômico maiores do que as verificadas nas últimas três décadas, não foi preciso o governo recorrer ao mercado externo para bancar a expansão do país. “Agora, porém, estamos vendo altas do PIB (Produto Interno Bruto) entre 4% e 5% ao ano. Mas, para que esse desempenho se mantenha, será necessário ampliar os investimentos. E, como o país não dispõe de recursos suficientes, terá que buscar lá fora, mesmo que por meio de dívidas”, complementa.

Cautela
O que mantém o ar de tranquilidade entre os analistas e os investidores que vasculham o endividamento externo é o fato de o Brasil ser credor internacional em dólar em US$ 61 bilhões. “Felizmente, aproveitou-se a onda de crescimento do mundo e de capitais fartos antes do estouro da crise mundial (em setembro de 2008) para se constituir reservas internacionais que hoje passam dos US$ 240 bilhões” diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos. Tal tranquilidade, no entanto, não impede os economistas de olharem com certa cautela os denominados indicadores de solvência externa no país, que, até o ano passado, vinham mostrando desempenhos excelentes e foram fundamentais para que o Brasil recebesse o grau de investimento das três principais agências de classificação de risco do mundo — Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s.

Em 2008, por exemplo, os gastos com a dívida (amortizações e juros) representavam 16,5% das exportações. Em dezembro passado, essa relação passou para 24,2%. Quer dizer, precisou-se de uma parcela maior das exportações para honrar os “serviços” da dívida externa. E mais: a dívida total do setor público, que em 2008 representava 42,4% da dívida externa total, passou a equivaler a 47,6%, isto é, quase à metade do endividamento. “Realmente, houve uma piora desses indicadores. Mas com a forte retomada da economia neste ano, veremos uma melhora boa nesses números nos próximos meses”, garante Altamir Lopes, do BC.

Dúvida no custo das reservas
Que as reservas internacionais do país foram fundamentais para que o Brasil atravessasse o pior da crise mundial de pé, ninguém tem dúvidas. Mas há uma certa decepção com a rentabilidade que a montanha de dinheiro acumulada pelo Banco Central — mais de US$ 240 bilhões — vem registrando. Em 2009, os ganhos totalizaram US$ 4,7 bilhões, resultado 34% inferior ao contabilizado em 2008 (US$ 7,2 bilhões) e o correspondente à metade do que o país pagou de juros, no mesmo período, pela sua dívida externa (US$ 9,1 bilhões). “A queda na remuneração das reservas decorreu dos juros menores pagos no mundo, como forma de estimular a economia global”, explica o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

O grosso das reservas está aplicado em títulos públicos dos Estados Unidos, com taxa próxima de zero. Mas como não há perspectivas de mudança rápida nos juros americanos ao longo deste ano, a tendência é aumentar os questionamentos sobre a necessidade de o Brasil continuar ampliando as reservas internacionais. A discussão deverá ganhar corpo, devido às perspectivas de elevação da taxa básica (Selic) no Brasil, aumentando o diferencial entre os ganhos do país com o “colchão anticrise” e o que o BC paga de juros para retirar do mercado os reais usados para a compra de dólares.

Estudo
Em dezembro do ano passado, o economista Darwin Dib, do Banco Itaú Unibanco, fez um estudo para calcular o custo de se manter as reservas internacionais e chegou a um número espantoso: R$ 25 bilhões nos 12 meses terminados em outubro. “Esse custo tem que ser contrabalançado com o benefício de proteger o país a choques externos, diante do que aconteceu há um ano”, afirma. Mas ele pergunta: “Qual é o limite para a acumulação de reservas, dado o seu custo de carregamento?”. Dentro do BC, oficialmente, optou-se pelo silêncio. Mas, em debates internos, a cúpula da instituição não esconde a irritação. Para o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do BC, não há o que discutir sobre a importância das reservas. Porém, a seu ver, deve-se evitar os exageros, devido ao custo fiscal para o país. “Portanto, daqui por diante, o governo terá que medir até onde pode ir com as reservas, sobretudo porque não terá mais vida fácil para fazer o ajuste fiscal”, avisa.

Ou o Brasil reage, ou se cala e se curva diante da tirania

Adelson Elias Vasconcellos

Diante do espetáculo asqueroso proporcionado por Lula na propaganda política da Dilma, ontem, claro que não será apenas este espaço a se sentir indignado pela total falta de compostura que, infelizmente, tivemos que presenciar. Aquele cão raivoso que vimos ontem, tem se repetido nos palanques até antes de Lula ser presisdente. Se, quando oposição, alguma bravata era tolerada, o país, porém, não pode condescender com o comportamento imbecil patrocinado por alguém que, muito longe do respeito ao cargo que se acha investido,  se comporta de forma grosseira, estúpida e leviana, tudo porque as vítimas reclamam e cobram a apuração do crime cometido pelo Estado do qual Lula é representante maior, contra uma cidadão que paga impostos sustentam a luxúria e a ostentatação inútil de Lula e sua corte bucéfala,  há quase oito anos.   

Quem age daquela forma destemperada ao dirigir-se à Nação, levando ao ar um rol de mentiras e calúnias, com agressões verbais vulgares e despropositadas, espancando gratuita e injustamente quem por seu governo foi agredida em seu direito, está longe de entender o significado da expressão democracia. 

O que se viu na noite de ontem, foi um desajustado com ares de Tirano. Talvez por ser isto mesmo, é que somente consiga se identificar e se ajustar com os demais ditadores e tiranos que emporcalham alguns países mundo afora. 
Quem mistifica e reinventa a história de seu país a seu favor, com hipocrisias, mentiras e falsidades para se apresentar de forma mistificadora como estadista, esqueceu que o primeiro passo nessa direção deve ser a do respeito ao próximo, além de cultivar uma indispensável humildade inerente aos grandes homens. Aquele comportamente moleque e agressivo é demonstrativo de uma pessoa recalcada, arrogante, ressentida, invejosa ao extremo que não admite que outro ser humano possa lhe ser superior. Aliás, da forma mistificadora como Lula tem agido, principalmente neste seu segundo mandato, ele próprio não consegue ser superior nem consigo próprio.

Ou o Brasil se dá conta do tirano embutido na alma do senhor Lula, ou, em ele elegendo Dilma, terminará de impor ao país os tentáculos de seu autoritarismo. O direito do Lula termina onde começa o direito de Serra, de sua filha, do senhor Eduardo Jorge. Ele não é dono do Brasil e tampouco está acima das leis. Mas, principalmente, está mais do que na hora dele começar a comportar como homem adulto e maduro, e não como moleque atrevido e desmiolado. Há limites prá tudo, até para um simples operário, investido no cargo de presidente,  extrapolar as fronteiras do respeito às leis e ao povo brasileiro. Porque, no fundo, é o povo, e não Lula e seus capachos, lacaios e cúmplices, quem são os verdadeiros donos do Brasil.

Governo Lula: dois pesos, duas medidas.

Verônica Serra, filha do ex-governador José Serra, candidato pela coligação dos partidos de oposição, sabe-se vive e se sustenta sem depender do governo Lula. Não é funcionária pública nem recebe as bolsas caça votos que o governo distribui. Ela, por ter renda privada própria, não deve satisfações à quem quer que seja, a não ser à sua própria consciência. O governo Lula, por seus agentes menores, acostumados ao jogo baixo, ordinário mas não menos criminoso com que o PT sempre fez política, teve seu sigilo fiscal violado de forma ilegal, por duas vezes, uma delas através de uma procuração falsa, com um falso registro de cartório, onde sequer ela tinha assinatura registrada. Para esta cidadã, a agressão ao seu direito constitucional de privacidade, o governo Lula, por inúmeros de seus agentes e representantes, tem sido tratada com desprezo e descaso, como disse Dilma, "um mal feito", ou como o secretário de Lula, Gilberto Carvalho, "um episódio pequeno", ou até como definiu Lula, "futrica". Desafio o governo Lula a encontrar no país um jurista, desembargador ou até um simples advogado que não classifique a agressão sofrida por Verônica Serra como "crime do Estado contra uma cidadã". Porque, de fato, se trata de um crime, muito embora, tratado com total irrelevância pelo senhor Lula que, ao assumir a presidência da república, jurou cumprir e fazer cumprir a constituição do País. 

Neste 7 de setembro, descendo ao mais baixo degrau que um político sem caráter é possível descer, atacou a vítima e debochou da lei. Pois bem: Lula, que tem TODAS suas despesas pagas pelo Estado, ou em última análise, pagas pela sociedade que sustenta um Estado paquidérmico com impostos escorchantes para, em troca, receber serviços públicos da pior espécie e cuja responsabilidade é do governo Lula, posto que está no poder há 8 anos, tão logo assumiu o cargo, tratou de decretar sisgilo sobre as despesas pagas com cartão de crédito corporativo e realizadas por ele próprio, quando, por envolver dinheiro público, tais despesas, como em qualquer país decente do mundo, deveria respirar transparência, critério e responsabilidade.

Ou seja, dados sobre os rendimentos privados, e que a constituição determina que o Estado zele por seu sigilo podem, de forma criminosa, serem violados colocando em risco a própria segurança da vítima. Contudo, despesas bancadas pela sociedade, sobre as quais a transparência deveria prevalecer, porque realizadas por Lula, devem ser mantidas em sigilo? Por quê?  Falta de critério? Até pode ser, mas prefiro definir com total falta de respeito para com os cidadãos honestos do país que o sustenta, e total desrespeito às leis que um dia jurou cumprir. A isto não se chama de presidente, a isto não se chama democracia, a isto se chama de TIRANIA, porque sempre que um presidente, eleito ou não, colocar-se acima da sociedade a quem deve respeitar e servir, sempre que investido no cargo de mandatário de uma nação, alguém se comporte além dos limites legais estabelecidos, agindo de forma grotesca, arbritária, autoritária, estamos diante de um TIRANO.

Por que Lula insiste em não mostrar suas despesas? Por segurança nacional não pode ser, porque, em nenhum lugar do mundo se tem notícia de presidentes que tiveram sua segurança ameaçada por conta do que gastam ou deixam de gastar quando empossados no cargo. Por que, então,  ele trata com total desdém, o sigilo dos contribuintes que o sustentam?  Dois pesos, duas medidas?

Terá Lula esquecido dos discursos bravateiros que fazia ao tempo em que estava na oposição?

Por que insiste em manter impunes e até em negar os crimes graves cometidos por seus companheiros de partido? Ou tem alguma lei em vigor no país, que proíba de petista ser preso, julgado e condenado por seus crimes?

Tivesse respeito pelo país e pelo cargo em que se acha investido, tomaria duas providências imediatas: uma, DETERMINAR IMEDIATA APURAÇÃO DO CRIME, PEDINDO À VÍTIMA DESCULPAS PELO CRIME QUE O ESTADO CONTRA ELA COMETEU. E segundo, liberava à exibição pública, de forma imediata, antes das aleições de 03 de outubro, todas as suas despesas efetuadas no exercício da presidência, desde 2003 até 31de agosto deste ano. Claro, isto só seria possível se ele possuisse os atributos de dignidade, honra e caráter. Terá?