A Revista VEJA, que chega às bancas neste final de semana, traz um quadro interessante chamado “O que a bolha ajudou a fazer e não vai murchar”. Nele, relaciona em diferentes países, dentre eles o Brasil, que foram enormemente beneficiados pela “bolha imobiliária” americana. Por aqui, destacam-se que as empresas nacionais captaram mais de 158 bilhões na BOVESPA e 20 milhões de pessoas emergiram da miséria (a expressão que a VEJA empregou foi “pobreza”. Prefiro “miséria" por entender que aspessoas sairam de um nada para um muito pouco. Porque não há manipulação estatística que me faça aceitar que uma pessoa que receba de três a cinco salários mínimos deixou de ser pobre e migrou para classe média. Isto só é aceitável num país que perdeu a consciência de si mesmo e a real noção de valor). E tamanho avanço de miseráveis para um degrau superior na escala econômico-social só foi possível graças ao progresso provocado, não apenas no Brasil, como de resto no mundo todo, cujo salto jamais se experimentou em tempo algum da humanidade justa pela torrente de capitais que circularam no planeta.
O quadro traz os benefícios havidos na China, por exemplo, onde mais de 400 milhões foram retiradas da pobreza, e foram construídos por todo o país mais de 30 mil quilômetros de ferrovias e outros 40 mil quilômetros de rodovias. Em Dubai foram investidos mais de 40 bilhões em projetos imobiliários. Em conseqüência dos investimentos na Índia, este país passou a deter mais de 65% do mercado mundial de tecnologia da informação e cerca de 46% no de Call Center. Imaginem quantos milhões de empregos foram gerados no mundo todo, o quanto de riqueza que foi produzida. A prosperidade trouxe enormes benefícios para o mundo todo, e muito dele o Brasil se beneficiou conforme já comentamos em inúmeros artigos.
Tão logo começou a crise, o senhor Luiz Inácio passou o tempo todo fazendo pouco dela, afirmando insistentemente que o Brasil estava blindado e que nenhum mal nos atingiria. Bravata pura e demagógica, porque seria impossível o Brasil ficar imune à uma recessão em escala mundial. Mas Lula, arrogante por natureza, só pensa em discursar de forma cretina, como é seu estilo, para tirar o melhor proveito político que puder, mesmo que jogue seu caráter e sua palavra na lama.
Nesta semana, em reunião do bando de cafajestes latinos, Chávez, Morales, Correa e o dito cujo, acabou mudando o discurso e reconhecendo a gravidade da crise. Claro isto foi em Manaus, portanto, longe de muitos palanques importantes nos quais Lula adora arrotar sua empáfia e, principalmente, má fé.
Também no início desta semana afirmou categórico e altaneiro que não editaria um pacote contra a crise (nós até comentamos isto aqui), porém no mesmo dia liberou parte dos compulsórios para aliviar o aperto monetário do sistema financeiro, liberou cinco bilhões para agricultura e estuda medidas para impactar exportadores. Anunciou ainda que o governo destinará 180 milhões, através da CONAB, para a aquisição de trigo, milho e sisal. Anunciou que o FGTS liberará para o BNDES cerca de 7 bilhões para continuidade dos investimentos privados, tendo em vista o arrocho no crédito. Claro que se trata de um pacote de medidas. Para fechar o embrulho, faltou apenas a fita para decoração, com o selinho de “Brasil: um país de tolos”.
Explicamos direitinho aqui neste espaço o quanto o Brasil foi diretamente beneficiado pela bolha imobiliária americana. E isto Lula, muito provavelmente, também sabe. Mas quem foi que disse que esta mente deformada aceita méritos que não sejam apenas os seus? Deitou e rolou sobre a crise americana, esquecendo-se que o “cassino” como ele gosta de acusar, jorrou bilhões e mais bilhões em títulos públicos que remuneram com os juros mais caros do mundo os investidores, fazendo com que a dívida interna saltasse de 600 bilhões em 2003, para 1,3 trilhões em agosto de 2008 (conforme o próprio Banco Central informou). Donde este ser pensante que nos desgoverna imagina tenha saído tamanho volume de dinheiro? E registre-se, ainda, que os jogadores de “cassinos” vão em busca de antros de jogatina que pagam os melhores prêmios. E, afinal de contas, o que tem sido a política econômica do senhor Luiz Inácio, insaciável na captação de mais e mais dinheiro dos jogadores, que entram à noite e vão embora raspando um pouco mais de nossas riquezas ? Justamente, um belo de um cassino, onde o proveito político fica com ele, e o lucro financeiro com os investidores estrangeiros, ou jogadores.
Assim, este senhor não tem moral para acusar quem quer que seja sobre “cassinos financeiros”.
Mas Lula não seria quem é se não se aproveitasse de um palanque eleitoreiro, sua tribuna preferida, para, fazendo carreata no ABC para empurrar a candidatura de Luiz Marinho (continua a usar a máquina pública para fins eleitoreiros, o que é ilegal), e soltar suas pérolas cretinas e mistificadoras. Dentre as sandices proferidas destaco duas que merecem ao menos o devido reparo por se tratar, de um lado, de uma mentira grosseira e, de outro, um total desrespeito aos empresários da SADIA e da ARACRUZ. Ao comentar sobre a crise, acusou estas empresas de que, as enormes perdas cambiais que tiveram nos últimos dias, foi em razão não da crise mas de que "...Elas vinham especulando contra a moeda brasileira. Vinham praticando, por ganância, uma especulação nada recomendável...".
A mentira se dá por que elas não especulavam “contra” o real, e sim acreditaram na valorização da nossa moeda. E como o próprio governo demorou a compreender que a crise também nos atingia, os empresários não esperavam que a crise provocassem uma desvalorização tão rápida de nossa moeda frente ao dólar. O homem não dizia que estávamos blindados? Então, é isso, aí, quem acreditou quebrou a cara.
Se no início da semana Lula mudara o discurso e admitia a gravidade da crise, hoje, no palanque, resolveu desdizer-se. Observem: “...lá, (nos Estados Unidos) ela é um tsunami; aqui, é uma marolinha. Não dará nem para esquiar.” Bem, primeiro acho que ele confundiu “esquiar” com “surfar”. Segundo, se aqui é “marolinha”, qual a razão das medidas que seu governo tomou nesta semana?
Mais: a chamada “economia real” já foi atingida pela crise. Dentre as principais moedas, o real é a que tem apresentado maior desvalorização ante o dólar. Em setembro, a moeda brasileira perdeu 22,88%. Enquanto isso, o euro teve baixa de 4,8%, e o iene avançou 2,12%. A falta de dinheiro para emprestar afeta a indústria, mas sobretudo o agronegócio. Tanto que, a exemplo do pacote para ajudar os bancos menores, o Banco Central já mexeu nas regras do compulsório para ajudar a agricultura. O mercado financeiro aqui dentro sabe bem que, pelo menos três financeiras brasileiras de médio porte, enfrentam problemas de liquidez. Foram forçadas a parar de emprestar dinheiro. Foram autorizadas pelo Banco Central, como medida de emergência, a se financiarem através da emissão de papéis baseados em empréstimos a receber – sobretudo no formato consignado, onde o risco de calote é quase zero.
E, demonstrando toda sua maldade, leviandade e ignorância, ainda acrescentou que, crises menos graves do que a atual, já prejudicaram o Brasil de maneira drástica. "A crise americana é maior do que a asiática, é maior do que a crise do México, que quebraram o Brasil. E ela ainda não chegou diretamente ao País", disse. "Nós vamos ensinar a esses países como a gente vê uma crise dessas. Vamos enfrentar essa crise trabalhando mais e investindo mais." Resta saber de onde ele pensa que sairá o dinheiro ! quantos as crises passadas, devemos ressaltar: primeiro, o país recém estava arrumando sua casa, razão porque se achava tão vulnerável. Segundo, o mundo vivia momentos de turbulência e baixos índices de crescimento. Terceiro, a crise de agora tem afetado muito mais os países europeus e os Estados Unidos, ou seja, os ricos, em razão da ação vigilante de seus bancos centrais. Reparem que, a rigor, nenhum país emergente tem sido afetado pela crise, portanto, esta aparente calmaria não é uma exclusividade brasileira.
E, por fim, porque a âncora que nos posiciona nesta situação confortável não foi construída no governo do senhor Lula, e sim no governo de FHC com o Plano Real e todas as medidas adotadas naquela época, e contra as quais sempre Lula e seu partido foram contrários e fizeram ferrenha oposição.
O que me causa espanto nisto tudo, não é o discurso cretino de Lula. Isto tem sido assim desde que ele surgiu no cenário político. Mas, sim, a agressividade para com as empresas SADIA e ARACRUZ acusando-as de “gananciosas”. Gananciosas em quê, se a tendência era de uma constante valorização do real como moeda? Que mal há em continuar apostando nesta tendência para tentar aumentar sua receita, já que o governo lhes toma, sem o menor esforço, grande parte de seu capital de giro e lucro para distribuir em mensalões, cartilhas fajutas, ostentação nababesca para uma coorte de palacianos canalhas, vagabundos, larápios e ordinários? Pelo menos, os empresários tentam ganhar dinheiro com trabalho, e trabalho honesto, produtivo, que produz renda, gera empregos e paga o fausto ordinário dos gigolôs da Nação!
Dirigir-se a eles da forma leviana e desrespeitosa como Lula o fez, é um bofetada na cara de quem acredita neste país, e nele investe para gerar progresso e melhoria na qualidade de vida de seu povo. E o senhor Lula, a não ser o mau uso do dinheiro que toma da Nação, o que de útil e construtivo fez desde 2003 a não ser nos encher de vergonha ? Portanto, fica a pergunta inicial em aberto: estamos diante da cretinice a serviço da ignorância ou será o contrário?

