terça-feira, março 22, 2011

A entrevista da Presidente: conceitos equivocados

Adelson Elias Vasconcellos

Dilma concedeu, pela primeira vez desde que assumiu, uma longa entrevista a um jornal, Valor Econômico, através do qual é possível conhecer o seu pensamento. Se durante a campanha, dona Dilma já fazia afirmações assustadoras sobre questões econômicas, agora, investida no cargo, certas “ideologias” e “conceitos” ou precisam ser revistos, ou, na dúvida, que nada diga em relação a certas coisas.

A entrevista é bastante longa para ser reproduzida. Como de hábito, prefiro apanhar o essencial e discorrer sobre ele.

Não foi à toa que, durante a campanha, Dilma precisou ser socorrida várias vezes a cada declaração que manifestava. Como também não é por outra razão que tem se mantido quase muda nestes primeiros meses de governo: Dilma não consegue emitir conceitos, principalmente na área econômica, que façam um mínimo sentido. Atropela a intenção de fazer com a possibilidade de poder fazer.

Começo pela confusão que a presidente fez em relação a medidas de controle da inflação. E começo por perguntar de quem é a culpa pelo surto observado no país de um ano para cá? Dos empresários maus, que resolveram, sem mais nem menos, tornarem-se inimigos do desenvolvimento? Dos trabalhadores que insistem em obter ganhos maiores em seus salários? Dos consumidores que passaram a preferir comprar apenas os produtos mais caros?

Ora, quem embalou o crescimento de 7,5% do PIB em 2010 foi o próprio governo do qual Dilma dividiu o palanque. Nem mais nem menos. E o objetivo pela gastança desenfreada, com amplo leque de medidas para expansão do consumo interno, foram obras do governo de que participou, buscando vencer as eleições de 2010. Esta maldade inflacionária desceu do Planalto feito enxurrada apenas com o propósito eleitoral. Nada além disto. Citem uma única grande reforma patrocinada pelo governo Lula que tivesse por meta afastar os entraves de um crescimento sustentável?

Nada. Tudo foi caso pensado para que a explosão de “boas notícias” na área econômica eclodisse na maré vermelha do pleito de 2010. Esqueceram apenas que um dia a conta seria apresentada ao distinto público eleitor-contribuinte. Agora, precisamos refazer o caminho e isto tem um custo que Dilma parece não ter se dado conta ou, se sabe, não quer confessar para não mexer no mito do governo anterior.

Ou bem uma coisa ou outra: ou se dá a devida importância ao equilíbrio fiscal, ou seja se gasta no exato limite do que se arrecada, ou a estabilidade econômica duramente conquistada irá para o espaço.

Assim, medidas restritivas ao crédito, elevação de juros ao consumidor e do compulsório dos bancos, forçam o consumo a se manter numa camisa de força que provocará, evidentemente, redução no ritmo de crescimento. Redução dos gastos públicos como anunciado, com corte de 50 bilhões, só pelo anúncio não se obterá o efeito desejado. É preciso podar despesas e investimentos. E isto forçará obrigatoriamente a redução do ritmo de crescimento.

Agora como acreditar que este governo tenha uma postura séria em relação ao equilibro fiscal quando, ao lado do corte, se anuncia expansão dos gastos no mesmo nível, com uma injeção de 55 bilhões no BNDES?

Ora, a questão central ainda é, ao meu ver, o diagnóstico equivocado e de palanque puramente eleitoral que o governo tem feito sobre as causas da inflação presente. Parece-me que Dilma tem certo receio de que a leitura correta dos diferentes fatores que alimentam a inflação, vá lhe tirar votos preciosos. É preciso ser mais sensato nesta leitura, e ver que uma das causas – porque a inflação se alimenta de diferentes causas – é sim o excesso de gastos públicos alimentando a demanda interna. Restringir a demanda interna não se faz apenas pela restrição ao crédito por parte dos consumidores na iniciativa privada. Se faz, também, pelo lado de menor gasto público e isto, necessariamente, obriga que o governo corte investimentos. Não dá é para manter o ritmo atual sem inflação, apenas jogando-se pelo lado mais fácil.

O governo precisa modernizar e atualizar seu pensamento. Quando se combate a inflação, é preciso primeiro enxergar TODOS os motivos que a alimentam. A gastança pública não pode ser esquecida. O governo é parte do problema sim, e DEVE ser, também, parte da solução. Enquanto no país tal leitura foi ignorada, o que se viu foram planos mirabolantes resultarem com o agravamento da inflação e todos os males sociais que ela nos causou por vinte anos. Foi a partir do Plano Real, com o equilíbrio das contas públicas, que o País pode enfim recuperar sua saúde econômica e voltar a crescer.

Até mesmo durante o governo Lula, várias foram as advertências que fizemos no sentido de que a obra da estabilidade não estava de todo pronta. Precisávamos avançar nas reformas faltantes para criar as condições necessárias para um crescimento sustentável de longo prazo. Contudo, o que se viu antes, e como agora parece querer desenhar-se, é que se tenta manter o que já se tem, mesmo diante de novas exigências, apenas para lustrar uma competência de governo com vistas a ele se manter em poder do mesmo partido.

Antes, o mundo exterior empurrou o Brasil e, de certa forma, ainda nos impulsiona pelo aumento da demanda por commodities. Mas o ritmo frenético de antes não se repete mais. Neste sentido, precisamos dar continuidade às reformas que ainda nos faltam. Reforma política é importante? Claro que é, mas não é a prioridade das prioridades. Onde estão as reformas previdenciária e tributária? De outro lado, a expansão dos gastos públicos, com o aumento do tamanho do Estado não pode se dar em velocidade maior do que o crescimento do PIB, ou fora dos limites do razoável, como, da mesma forma, não se pode alargar o lado das despesas de forma tão irresponsável. E isto tem sido praxe desde 2003. A estabilização é base do crescimento. Esta lição aprendemos duramente ao longo de décadas de desmandos. E ela não acontece por acaso. Exige dos governantes disciplina e responsabilidade nos gastos. A ambição política não pode tomar lugar da racionalidade econômica e em limites suportáveis do país, sob pena e risco do retrocesso doentio que nos custou anos de atraso e subdesenvolvimento.

O mais prudente, portanto, seria dona Dilma descer do palanque e se concentrar no Brasil real, nas suas dificuldades e necessidades presentes. Não é possível fazer tudo a um só tempo. Esta escada deve ser subida degrau a degrau, para se chegar ao topo sem sustos nem tropeços.

Sendo assim, e tomando-se por base os conceitos emitidos por Dilma Presidente na entrevista, o governo chegou a um ponto em que dos dois caminhos abertos a sua frente, terá que optar para seguir apenas por um. Ou o governo opta por dar continuidade ao seu projeto de poder e esquece de vez o caminho da governança com estabilidade, e lá adiante pague o preço político que vai lhe custar, ou escolhe este último também com custo político, porém com imensos benefícios para toda a sociedade. A lembrar dona Dilma em seus programa de culinária na TV, não se faz omelete sem quebrar os ovos. Portanto, sem contenção de gastos, sejam correntes ou de investimentos, não se conseguirá sustentar a estabilidade atual. O grande problema do grupo petista no poder, é que não foi ele quem pagou o preço político das reformas impostas pelo Plano Real. Recebeu o prato pronto e servido. Agora, diante da dificuldade, que é muito mais oriundo de questões internas, não consegue encontrar o caminho da racionalidade. Para que tal seja possível, o passo inicial é desenhar o diagnóstico correto que, segundo se depreende pelos conceitos expostos por Dilma em sua entrevista, está muito longe de ser feito.

Na reportagem que abaixo reproduzimos informa-se que as contas públicas desandaram em fevereiro. Pelo terceiro mês consecutivo, a atividade industrial segue lomba abaixo e o emprego da indústria segue estagnado. Fechar os olhos para esta realidade, com o doce encanto de que se produzirá o milagre de estancar a inflação, mantendo o ritmo de gastos, com as contas públicas desandando e a atividade e o emprego industrial em declínio fruto da forte valorização da moeda, é delírio supremo.

Repito: as condições da economia mundial mudaram e não se tem perspectiva de, no curto prazo, voltar ao ritmo pré-crise. Internamente, há uma série de indicadores alertando para as dificuldades e cobrando do governo ações mais rápidas sob pena e risco de se perder o controle tanto do equilíbrio fiscal quanto do próprio desenvolvimento. Assim, é bom que Dilma Presidente desça logo do palanque, a passe a governar com a seriedade que o momento exige. Ou trate de comprar um bom livro de economia. Uma boa leitura lhe fará bem, e o Brasil sairá no lucro se souber aplicar os ensinamentos.

Os 40 do mensalão e o ministério dos 40

Augusto Nunes, Veja online

Composto por 37 ministros de Estado e chefes de secretarias especiais com status de ministro, o mamute federal acaba de engordar mais algumas arrobas. Neste fim de semana, a presidente Dilma Rousseff anunciou a criação da Secretaria Especial de Aviação Civil. O comandante da inutilidade burocrática, ainda não escolhido oficialmente, será o 38° ministro.

O governo americano, por exemplo, funciona muito bem com 15 secretarias de Estado. Na China, onde os tentáculos do polvo estatal alcançam até o botequim da esquina, os ministérios são 27. O Brasil tem o mais obeso primeiro escalão do planeta, mas Dilma acha que é pouco. Além do pai-da-pátria que vai administrar o tráfego aéreo, quer pelo menos um ministro das Pequenas e Médias Empresas e um chefe (com status de ministro) da Secretaria Especial de Irrigação.

Como entender uma presidente que, enquanto promete cortar R$ 50 bilhões do Orçamento, aumenta a gastança com invencionices perdulárias? Por que não encarrega o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio de cuidar das pequenas e médias empresas? Por que não deixa a Aviação Civil por conta de um Ministério dos Transportes que funcione? Por que não inclui a irrigação entre as atribuições do Ministério da Agricultura?

Além da necessidade de arranjar emprego para sócios insaciáveis, a explicação talvez esteja no número cabalístico. A maior (e mais voraz) das quadrilhas federais, desbaratada em junho de 2005, juntou os 40 do mensalão. Em junho deste ano, o maior (e pior) dos ministérios da história republicana chegará a 40 integrantes. No Brasil que Lula inventou e Dilma preside, 40 é muito mais que uma cifra. É cicatriz, estigma, marca de nascença e destino.

Contas do governo desabam em fevereiro

Gustavo Patu, Folha de São Paulo

O governo Dilma Rousseff terá de anunciar nos próximos dias que o resultado das contas do Tesouro Nacional desabou no mês de fevereiro, depois de um megassuperavit contabilizado em janeiro e apresentado como evidência da austeridade da nova administração petista.

Os dados, ainda em análise na área técnica, lançam mais dúvidas em torno do compromisso firmado pela equipe econômica de voltar a cumprir integralmente as metas da política fiscal, não atingidas nos últimos dois anos, e reduzir os gastos públicos para ajudar no combate à inflação.

Ainda sujeitos a correções, os números preliminares mostram que no mês passado receitas e despesas ficaram quase empatadas, enquanto o governo anunciava seu programa de ajuste.

Já em janeiro houve uma poupança de mais de R$ 14 bilhões para o abatimento da dívida pública, o que no jargão técnico se chama de superavit primário.

Devido ao calendário da arrecadação de impostos, espera-se que o desempenho do primeiro mês do ano seja mesmo superior ao do segundo. São as dimensões da última queda que indicam a dificuldade de retomar o controle das contas após a aceleração dos gastos na crise econômica de 2009 e no ano eleitoral de 2010.

O resultado do mês passado ficará longe dos R$ 5 bilhões --mais de R$ 7 bilhões nas proporções de hoje-- de fevereiro de 2008, último ano em que as metas fiscais foram atingidas; tende a ser melhor, mas não o bastante, que os deficits na casa de R$ 1 bilhão nos anos de descumprimento da meta.

A receita teve crescimento próximo dos 10% acima da inflação, bem abaixo da alta excepcional que garantiu o superavit de janeiro --nos dois meses, o volume da despesa se manteve em alta.

Em entrevista na semana passada ao jornal "Valor Econômico", quando procurou responder à desconfiança dos investidores em relação à política anti-inflacionária, a presidente Dilma disse que os resultados fiscais de janeiro e fevereiro fechariam "de forma significativa" para os objetivos do governo.

No entanto, o governo encerrará o primeiro bimestre com um superavit muito parecido com o do mesmo período do ano passado. A promessa oficial é elevar o saldo do Tesouro dos R$ 47 bilhões de 2010 para R$ 82 bilhões, ou de 1,29% para 2,02% do Produto Interno Bruto.

O ajuste fiscal é motivo de declarações divergentes no governo e constrangimento político no Planalto. Durante a campanha eleitoral, Dilma negou a necessidade de um corte de despesas --agora chamado eufemisticamente de "consolidação fiscal" na retórica de Brasília.

Editoria de Arte/Folhapress

Afirmação e fato

Miriam Leitão, O Globo

A presidente Dilma Rousseff disse que não negociará com a inflação nem aceitará que ela suba. Daí em diante, todo seu raciocínio desmontou a afirmação. Acha que não há componente de demanda na inflação — que está perto do topo da meta, depois do PIB de 7,5% —; diz que se o país crescer, a inflação cairá; não vê contradição entre cortar R$ 50 bilhões e elevar gastos em R$ 55 bilhões.

Na primeira entrevista longa concedida pela presidente, e brilhantemente conduzida por Cláudia Safatle, do “Valor”, fica claro que a presidente desposa um conjunto de confusões teóricas que já nos levou a apuros no passado. Não há, como Dilma parece acreditar, um bando de malfeitores sádicos que tenha decidido no passado “derrubar a economia” só pelo prazer da derrubada.

A luta do Brasil contra a inflação descontrolada levou à adoção de medidas que reduziram o ritmo do crescimento, em alguns momentos; mas a falta de crescimento sustentado se deve a obstáculos não resolvidos ainda, como a falta de poupança.

Um grupo de pensadores econômicos sempre defendeu a tese de que é preciso aumentar a oferta de bens para depois derrubar a inflação. Esse debate tem data vencida. A tese ficou para trás por absoluta incapacidade de dirimir uma duvida básica: antes de ser crescimento, o investimento é demanda agregada.

Se a inflação baixa não é precondição, mas resultado final do processo, o que acontecerá no meio do caminho: alguma inflação e alguma gravidez?

O mais sensato é manter a economia estabilizada, como primeiro objetivo, para que haja mais segurança para o investimento e o crescimento se sustente. Depois de décadas de falso dilema, já está provado que a estabilização é base do crescimento; e que é perigoso pegar o caminho pelo lado contrário: aumentar o crescimento para elevar a oferta e assim derrubar a inflação.

Está datada também a tese defendida pela presidente de que a inflação não é de demanda. Houve um tempo em que o Brasil ficou parado nessa discussão: é-de-demanda-não-é-de-demanda.

Hoje, já se sabe que a inflação quando se eleva nunca tem uma razão apenas. A taxa subiu porque algumas commodities, principalmente alimentos, subiram de preços. Inúmeros fatores influenciam nesses preços, como se viu nos últimos dias. Há aumentos sazonais, como os escolares, mas nem todo aumento de preço é de temporada apenas.

Há também o fato de que o governo gastou demais no ano passado, o BNDES manteve seus estímulos em empréstimos subsidiados, o crédito cresceu fortemente animando consumidores às compras.

Todas as lenhas alimentaram a mesma fogueira.

Numa situação assim, alguém tem que recuar. Melhor que seja o governo. Os gastos públicos são cortados para que se possa manter o consumo privado. É diferente de “derrubar a economia”. É apenas uma questão de bom senso.

A presidente diz que o Brasil não cresceu além das suas possibilidades e que não vai derrubar a economia, mas os juros subiram e já se sabe que a economia crescerá menos este ano.

Ela não vê contradição entre anunciar R$ 50 bilhões de corte no orçamento e endividar-se em mais R$ 55 bilhões para emprestar para o BNDES, que emprestará para as empresas a juros abaixo do que o Tesouro paga. Isso é gasto público também e portanto incoerente com o corte de gasto.

Então suas frases fortes de que não aceitará a volta da inflação em nenhuma circunstância são tão convincentes quanto tudo o mais que ela disse que desmonta a frase.

O governo não pretende conter de fato seus gastos, nem os gastos extra-orçamentários via BNDES, e avalia que a inflação é um problema sazonal, que dá e passa.

O BNDES usa todos esses abundantes empréstimos para continuar tomando decisões controversas: financiar siderúrgica a carvão de Eike Batista e entrar de sócio nessa térmica da energia suja; financiar hidrelétricas na Amazônia sem cautela social e ambiental; ser sócio de frigoríficos que não comprovam a origem da carne que compram.

O crescimento moderno tem que ter qualidade. Não é possível repetir os mesmos erros. Este fim de semana chegou com as duas obras de hidrelétricas do Rio Madeira paralisadas. Em Jirau, por assustadores problemas trabalhistas, e em Santo Antônio, por anúncio preventivo feito pela empreiteira responsável.

Por ironia, o consórcio que constrói Jirau chama-se Energia Sustentável. E nada é sustentável, a começar do preço estabelecido inicialmente. O consórcio ganhou a disputa pelo preço baixo, que foi considerado irrealista pelo concorrente.

Na época, o governo disse que não aconteceria de novo o velho truque do passado de as empreiteiras pediram revisão de preço ao longo da obra. Pois já aconteceu: segundo o jornal “Valor Econômico” de 10 de março, Jirau que estava orçada em R$ 9 bilhões já está em R$ 13 bilhões.

O truque? O mesmo de sempre: alegar que no meio do caminho havia uma pedra. Mais escavações foram necessárias e a obra ficou mais cara. Simples.

Mas caro mesmo ficou nos últimos dias quando uma rebelião de trabalhadores estourou no canteiro de obras e o governo em vez de mandar fiscais do Ministério do Trabalho para ouvir os operários mandou a Força Nacional para ajudar a empresa num conflito trabalhista.

Hoje em dia, crescimento tem que ser sustentável do ponto de vista ambiental, e sustentado do ponto de vista econômico. A presidente não parece estar atenta para as duas exigências quando defende velhas interpretações sobre a natureza da inflação brasileira e quando seu governo toca projetos de grande porte na Amazônia sem as devidas garantias ambientais e sociais.

Afirmações e fatos precisam coincidir, do contrário, são palavras ao vento.

EUA voltam a descumprir acordo do algodão

Exame.com. e informações Agência Estado

Após processo movido pelo Brasil, a OMC condenou os subsídios americanos aos produtores de algodão

Stock Exchange
Na última reunião bilateral sobre o acordo do algodão no início de março em Brasília,
os negociadores brasileiros fizeram perguntas sobre o impasse na carne bovina,
mas os americanos não deram nenhum prazo

São Paulo - Os atrasos dos Estados Unidos em cumprir os compromissos assumidos com o Brasil no acordo do algodão provocam constrangimentos entre os dois lados. O problema agora é com a carne bovina. O tema pode ser incluído na visita do presidente Barack Obama neste fim de semana. Os EUA estão adiando o início da consulta pública sobre a abertura de seu mercado para a importação de carne bovina brasileira. Pelo acordo do algodão, selado entre Brasil e EUA, isso deveria ter ocorrido até 31 de janeiro, mas ainda não foi feito.

Após processo movido pelo Brasil, a Organização Mundial de Comércio (OMC) condenou os subsídios americanos aos produtores de algodão. Como os EUA não retiraram o apoio, a OMC autorizou o Brasil a retaliar, elevando tarifas de importação para produtos americanos.

O Brasil concordou em suspender a retaliação até 2012, depois que os EUA ofereceram algumas contrapartidas, como um processo transparente de abertura do seu mercado para as carnes brasileiras. O trâmite está praticamente concluído para a carne suína, mas não avançou para a carne bovina.

Na última reunião bilateral sobre o acordo do algodão no início de março em Brasília, os negociadores brasileiros fizeram perguntas sobre o impasse na carne bovina, mas os americanos não deram nenhum prazo. "Evidentemente que o assunto incomoda. Estamos negociando a liberação do mercado americano para a carne bovina desde 1999. É tempo demais e esperamos a cooperação das autoridades americanas", disse Roberto Azevedo, embaixador do Brasil em Genebra e principal negociador do acordo do algodão.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brasil perde U$2 bi por ano com barreiras americanas

O Globo

A visita do presidente americano Barack Obama ao Brasil foi vista por especialistas como uma importante iniciativa para destravar as relações comerciais com os Estados Unidos. Porém, a única medida concreta nessa área, a criação de um grupo de monitoramento das relações econômico-comerciais, um dos acordos assinados durante a visita, é apenas um primeiro passo, dizem analistas.

Afinal, as barreiras americanas às exportações brasileiras ainda provocam prejuízos de ao menos US$ 2 bilhões por ano, segundo estimativas do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). E muitos entraves precisariam de mudanças legislativas, com aprovação de parlamentares americanos, para serem removidos.

Nesta segunda-feira, em São Paulo, em almoço com empresários, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, que estava na comitiva de Obama, disse que "ainda há muitos passos a serem tomados" para um comércio mais livre entre Brasil e EUA.

Mas ele não acenou com o fim das barreiras a produtos brasileiros. Em outro evento com empresários, o presidente do Banco de Importação e Exportação dos Estados Unidos (Ex-Im Bank), Fred Hochberg, admitiu que, entre os países que a instituição considera prioritários, o Brasil é o que tem recebido menos recursos nos últimos anos.

O Brasil chegou a ter um superávit comercial de US$ 9,873 bilhões com os Estados Unidos em 2005. No ano passado, o resultado foi um déficit de US$ 7,732 bilhões.

- O tratado de cooperação econômica assinado (no fim de semana) é importante. O próximo passo que os empresários acreditam que deve ser tomado é a assinatura de acordos para acabar com a bitributação - disse o secretário de Comércio dos EUA.

E o governo invade a Vale

Comentando a Notícia


Não é de hoje que esta pedra está sendo cantada: o governo praticamente oficializou junto ao Bradesco, sua decisão de remover do comando da Vale o senhor Roger Agnelli.

Segundo se diz, Dilma pretende colocar no comando de uma empresa PRIVADA, alguém de confiança do GOVERNO.

Seria cômico não fosse o Brasil um país que adora andar na contramão do bom senso. Seja a intromissão estúpida uma vingança contra o senhor Agnelli, que vem sendo urdida desde 2008, ainda no governo Lula, ou apenas uma forma de intervenção contra o processo de privatização da companhia, que tirou dos apetites dos cretinos milhares de vagas e bocas ricas, a verdade é que o Bradesco poderia ensinar algumas regrinhas ao governo Dilma de decoro por exemplo.

Não há uma única justificativa para esta pressão imbecil. Em todos os ângulos que se for analisar, o comportamento da Vale pós privatização foi exemplar, e sob o comando privado tornou-se talvez a maior mineradora do mundo, gerando milhares de novos empregos, bilhões em arrecadação de impostos e divisas, afora os bilhões de reais em investimentos que atraiu . Desde que passou ao controle privado, a empresa apenas cresceu e prosperou.

Sinceramente, são ações destrambelhadas como essa que tornam o país menor, mais embusteiro, mais provinciano, mais atrasado. Já é demasiado o espaço que o Estado ocupa na economia, como também é sufocante a extorsão em impostos e contribuições que pratica sobre empresas e trabalhadores. Não é preciso ainda invadir o terreno privado para intrometer-se na gestão empresarial. Será que não há coisas mais importantes que estão a cobrar do governo melhor gestão? Será que todas as estatais estão sendo geridas dentro dos princípios da boa administração? Será que todas são tão lucrativas para o país como tem sido a Vale?

E os serviços públicos a cargo do Estado, estão todos sendo oferecidos à sociedade de forma plena, digna e decente, sem corrupção e desvios, cumprindo religiosamente os deveres constitucionais a que estão sujeitos?

Este desvio de conduta do governo Dilma Presidente é um péssimo sinal. Demonstra o apreço que o governo não tem pela liberdade da atividade empresarial. Não é por aí que se atrairá os necessários investimentos que o país precisa tanto, pelo contrário.

Texto de David Friedlander, no Estadão:

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Depois de dois anos de bombardeio pela imprensa, o governo pediu pela primeira vez ao Bradesco, de forma direta, o cargo de Roger Agnelli, presidente-executivo da Vale. Foi na última sexta-feira, numa conversa entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão. O banco, por meio da Bradespar, é um dos principais acionistas da empresa.

O objetivo da conversa foi oficializar a intenção do governo de trocar Agnelli e iniciar a negociação em torno de um nome para substituí-lo. Dentro do banco, havia a ideia de, não sendo possível manter o executivo, organizar um processo de transição. A ideia de Mantega, no entanto, é combinar tudo agora e fazer a troca na assembleia de acionistas da Vale marcada para abril.

O ministro também disse que o governo ainda não teria preferência por um eventual substituto e propôs ao Bradesco discutir nomes de executivos de fora ou mesmo da atual diretoria. Brandão ficou de discutir o processo dentro do banco.

Procurados oficialmente e informados do assunto, Bradesco, Mantega e Agnelli preferiram não se pronunciar. A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda disse apenas que o ministro Guido Mantega conversa com o Bradesco sempre que necessário.

Influência. Embora a Vale tenha sido privatizada em 1997, o governo exerce influência na companhia por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão de empresas estatais liderados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que são acionistas da mineradora. Junto com a Bradespar (empresa de participações ligada ao Bradesco) e da trading japonesa Mitsui, eles controlam a Vale.

O governo nunca assumiu a intenção de trocar Agnelli, que era próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a crise de 2008. A fritura do executivo vinha sendo feita por meio de mensagens anônimas, antes atribuídas a Lula e agora à presidente Dilma Rousseff, dando conta do desconforto do Planalto com o comportamento de Agnelli na Vale.

De acordo com essas versões, o governo quer na Vale alguém mais alinhado com seus interesses e disposto a seguir uma programação planejada por Brasília. Numa comparação frequente, o governo gostaria que a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo e segunda maior mineradora do planeta, seguisse o exemplo da Petrobrás - embora a mineradora seja empresa privada, de capital aberto e milhões de acionistas.

Atritos
Perto dos dez anos na presidência da Vale, Agnelli teve acesso privilegiado aos gabinetes mais importantes de Brasília durante boa parte do governo Lula. Os ventos mudaram de lado na crise global de 2008, quando a Vale demitiu funcionários e suspendeu alguns investimentos - justamente no momento em que Lula dizia que a crise internacional era uma “marolinha” e não afetaria o Brasil.

Perdendo oportunidades e a cultura inútil.

Adelson Elias Vasconcellos



Sobre a visita de Obama, sinceramente, não há muito a dizer. Os analistas, de um lado e outro, esgotaram todos os pontos e os pingos para registrar a visita e as consequências que elas poderão gerar tanto para americanos quanto brasileiros.

Mesmo que possa resvalar no lugar comum dos comentários, destaco algumas coisinhas: a primeira, o objetivo com que Obama encarou esta visita ao Brasil. Estreitar laços para ampliação de negócios de interesse dos americanos. Durante o tempo que aqui esteve, não se ouviu do presidente americano nenhuma referência à pretensão brasileira de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, ao contrário, por exemplo, do compromisso ou recomendação que fez em relação à Índia.

Pouco antes de sua chegada, o Brasil se abstivera de votar sanções à Líbia. E se novas votações houver em que se esteja julgando regimes autoritários e tiranos mundo afora, o Brasil, como tem sido praxe desde 2003, sempre ficará a favor das tiranias, mandando para o espaço os tais direitos humanos.

E isto não é recomendável aos olhos dos americanos. Por isso, a reserva de Obama em relação tema.

Outro detalhe, mas que não chega a ser surpresa alguma, foi a ausência de Lula no almoço oferecido aos ex-presidentes brasileiros. Numa ocasião em que o ex não poderia ser a estrela do show, cumprir papel de coadjuvante não cai bem ao orgulho de Lula. Daí porque sua ausência, sua falta de educação, e até sua falta de espírito público. Mais do que nunca, o “cara” precisaria de tratamento psicológico para entender que o mundo não gira em torno de sua pessoa.

Outro ponto, queria destacar estes novos tempos de mediocridade que infesta o Brasil. Em nenhum momento de seus discursos, Obama elevou a categoria de valor, a cor de sua pele. Destacou copisas como trabalho, amor, esforço pessoal e igualdade de oportunidades que um país democrático é capaz de oferecer. Seria nada além do óbvio não fossem os próprios brasileiros, terminada a reunião no Teatro Municipal a destacarem este aspecto.

Por fim, classifico a visita menor do que poderia ter sido. Ir ao Rio fazer turismo, até aí tudo bem. Mas o motor do país é São Paulo, o país é uma plena quase plena, poderia ter ido ao Congresso, mas tais visitas ficaram devendo. Pode ser que as negociações abertas em abertas em Brasília, deem um novo e necessário impulso ao relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Mas esta uma oportunidade para termos avançado bem mais em questões econômicas, por exemplo. Assim, e apesar das palavras elogiosas nos discursos e das boas intenções demonstradas entre sorrisos, creio que a parceria “estratégica” entre as duas nações está mais cheia de diferenças e desconfianças de parte a parte, do que de avanços em negócios benéficos para os dois lados, principalmente, para o Brasil, carente de investimentos em muitas áreas prioritárias além de alta tecnologia. Oportunidades como estas não surgem todo o dia. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçá-las só para mostrarmos o quanto somos diferentes. Diferenças existem, sim: eles são ricos, e nós, pobres. E, sem abdicar de nossa autonomia e independência, é possível nos aproveitarmos desta parceria com os americanos muito mais do que, aparentemente, o governo petista está disposto.

Precisamos amadurecer rapidamente nestas “visitações” de mandatários de um país a outro. Agora foi com Obama. Deveríamos ter concedido os dois dias da visita a negociar questões econômicas pendentes e abrir oportunidade em favor do país. Deixamos um dia, metade do tempo, para turismo.

Em sua primeira visita internacional Dilma foi à Argentina. Boa parte do tempo foi gasto em questões de pura fantasia e delírio. Na semana passada, contudo, repetindo o comportamento delinquente que vem mantendo já há alguns anos, os hermanos impuseram novas barreiras à importação de produtos brasileiros. Desta vez, foram calçados e tratores. Ou seja, não sei o que Dilma tratou com Christina Kirchner. Mas estas barreiras era uma das questões que a agendados encontros deveria ter priorizado. Pelo visto, foi outra oportunidade desperdiçada.

Convenhamos, no campo das relações bilaterais, nas quais deveríamos priorizar a abertura de mercados e atrair investimentos, ainda não saímos do jardim de infância.

Uma subcultura que nos diminui –
Um dos jornalistas que mais admiro é Reinaldo Azevedo. É dele um texto – excelente e oportuno – que tem revirado a internet com uma fúria insana e estúpida. Reinaldo criticou que o Brasil tenha submetido a Família Obama, em sua passagem pelo Rio de Janeiro, a duas sessões de capoeira, como se tais exibições pudessem elevar o povo brasileiro a um andar superior dentre as nações do planeta.

A crítica do jornalista é oportuna sim e, mesmo aqueles que discordam, deveriam antes se ater ao que foi escrito e criticado e, dentro do contexto, arrolarem suas opiniões contrárias.

Porém, no Brasil destes tempos de insensatez, onde a divergência e a diferença são enxotadas lomba abaixo, discordar do fascismo dos “politicamente corretos” merece ser chicoteado em praça pública, ser desqualificado e humilhado e, se pudessem, ser expulso do país.

Ora, antes mesmo de sair dos Estados Unidos em direção ao Brasil, Obama, para defender-se dos que o criticavam pela data da viagem ser em um momento ruim – Japão, Líbia e Oriente Médio – defendeu-se dizendo que ia em busca de oportunidades de negócios em favor da geração de empregos para o país. Aqui, o Brasil tão carente de tecnologia e investimentos no curto prazo, com questões graves a discutir como a taxação do etanol, do suco de laranja, dos laminados de aço, etc, além da questão do algodão ainda pendente, deveríamos como digo acima, ter aproveitado a visita para esgotar estas questões, ao invés de dedicar um dia inteiro para exibição de valores culturais. Nada contra a capoeira, mas por que ela deve ser oferecida em sessão dupla para o presidente americano que aqui veio para tratar de negócios? Está na hora do Brasil ser grande e maduro não apenas nos discursos, mas também nas ações. Até porque capoeira é nossa única manifestação cultural com sangue de brasilidade. Tais expressões dizem muito mais da África do século passado do que do Brasil do século XXI.

Há alguns dias atrás publiquei aqui um estudo dando conta de que os negros brasi9leiros tem seu DNA muito mais europeu do que africano, como considero um atraso este debate de cor de pele ser moeda de valor para agraciar uns e penalizar outros. O que conta no indivíduo é sua cor, e sim seu caráter, e isto independe da coloração. Há bons e maus em todos os gêneros e cores.

Se é para mostrar o quanto evoluímos como país, o melhor que se tinha a fazer era sentar do outro lado da mesa e ali colocar em debate as diferenças de tratamento dos americanos em relação aos nossos produtos. Era mostrar e oferecer aos americanos as ricas oportunidades de negócios que o Brasil tem para oferecer. Era abrir uma imensa janela de oportunidades para que seus empresários pudessem investir aqui dentro favorecendo nosso desenvolvimento. Perder metade do tempo com espetáculos dançantes só serviu para mostrar o quanto ainda precisamos nos despir dos vês do colonialismo cultural. Faltou, neste quesito, submeter a família Obama a um ritual de pajelança indígena. Afinal, os índios estão aqui há mais tempo do que os negros.

Argentina barra sapatos e tratores brasileiros

Elder Ogliari - O Estado de São Paulo

1.200 máquinas agrícolas e 870 mil pares de calçados esperam até 120 dias para entrar no país vizinho, pois as licenças de importação não são liberadas

Pelo menos 1.200 máquinas agrícolas e 870 mil pares de calçados estavam retidos ontem em depósitos e pátios de empresas brasileiras à espera de licenças de importação da Argentina.

Atrasos, que chegam até a 120 dias, colocam em risco os negócios de todo o ano. Agricultores argentinos podem perder o interesse na aquisição de equipamentos logo depois da safra da soja, que está no fim. E os compradores de calçados também, porque no ritmo atual, as coleções de outono e inverno tendem a chegar depois da estação.

O levantamento dos volumes retidos foi feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). A maioria dos fabricantes brasileiros de calçados e máquinas agrícolas está localizada no Rio Grande do Sul.

Os empresários não têm conseguido obter explicações do governo argentino, nem por vias diretas nem por intermédio de autoridades brasileiras. Em 17 de fevereiro, Buenos Aires aumentou a lista de produtos que precisam de licença não automática para importação de 400 para 600 itens alegando necessidade de proteger a indústria local. O recurso é admitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), mas o prazo para a emissão da autorização é de 60 dias.

"Neste ano, nenhuma licença foi emitida", revela o vice-presidente da Anfavea, Milton Rego, admitindo que os negócios estão paralisados. Os contratos já feitos e emperrados pela burocracia argentina correspondem a US$ 150 milhões. O Brasil envia 7 mil tratores e 1.500 colheitadeiras por ano e, com esse volume, detém 80% do mercado argentino. A fatia é significativa para os fabricantes nacionais porque corresponde a 30% de tudo o que eles vendem para o exterior e a 5% de tudo o que produzem. "É legítimo um governo querer desenvolver sua indústria, o que não é legítimo é rasgar o acordo automotivo (do Mercosul, que não prevê as licenças não automáticas)", comenta Rego.

No caso dos calçados não há uma paralisação, mas o ritmo da emissão das licenças ficou tão lento que há remessas contratadas há 120 dias que ainda estão nos depósitos dos fabricantes. Considerando-se o preço médio de US$ 20 o par, cerca de R$ 17 milhões deixam de circular. Em 2010 o Brasil exportou 14 milhões de pares para a Argentina pelo valor de US$ 167,3 milhões.

Pior momento.
O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, lembra que desde 2009, quando o Brasil concordou com a limitação dos embarques para a Argentina a 15 milhões de pares, não havia mais atrasos na emissão das licenças. Por informações de importadores, os brasileiros sabem que o governo argentino está trocando o sistema de emissão de licenças do manual para o informatizado. Esse poderia ser um motivo para o atraso."Se for isso mesmo, escolheram o pior momento", lamenta Klein.

Como nesta época do ano a indústria calçadista está remetendo para seus distribuidores do hemisfério sul as coleções de outono e inverno, a preocupação de todos é com a perda dos negócios da estação e também do futuro: "Se não disponibilizarmos o produto não perdemos só as vendas, mas também pedidos para as estações posteriores e sofremos prejuízos na imagem."

Uma das empresas que tem cargas à espera de liberação em seus depósitos é a West Coast, de Ivoti. "Neste momento 10% da produção voltada para a Argentina espera licença há 90 dias, 36% espera há 70 dias e 14% há 60 dias", calcula o gerente de exportações John Schmidt.

"Se não houver liberações até o final do mês o índice chegará a 96%", prevê. Sem citar valores absolutos, o executivo revela que 20% das exportações da empresa vão para a Argentina.

A inútil reforma política!

Comentando a Notícia

Excelente artigo da jornalista Mary Zaidan, publicado no blog do Noblat. De fato, pelo andar da carruagem, a tal reforma política em curso no Senado, vai contra a sociedade brasileira. Duvido que se alguém fizesse uma pesquisa junto ao eleitorado, não encontraria ampla aprovação do instituto da reeleição para os cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente). Tanto é que, desde sua criação, poucos foram os governo com aprovação favorável que não foram reeleitos. Acredito, até, que nenhum. O que se poderia fazer para evitar a bandalheira promovida por Lula para eleger Dilma em 2010, e a si próprio em 2006, é obrigar que o postulante à reeleição se desligasse do governo, além de se cobrar do TSE maior atenção às infrações que se cometeu neste tempo.

Também a jornalista chama a atenção para a palhaçada que o Senado insiste em manter com relação aos suplentes. É a maneira de manterem as velhas oligarquias sem representatividade eleitoral.

E a outra palhaçada é a manutenção do voto obrigatório. Pergunto: de que os políticos brasileiros tem tanto medo em se acabar com este despropósito de se tornar em dever um direito?

Eis aí questões que o Senado parece desconhecer a posição do povo brasileiro. Se todas estas questões fossem colocadas em um plebiscito, por exemplo, certamente que a imensa maioria da população iria totalmente contra aquilo que os senhores senadores nos pretendem empurrar goela abaixo, e sem abrir um debate decente com a sociedade, que é afinal quem deveria dar o veredito final. Mas qual?E lá os políticos brasileiros estão minimamente preocupados com o que pensa ou deixa de pensar aqueles que pagam a salgada conta de inutilidades que eles não se cansam de praticar?

Mais e mais o que se dizem representar a sociedade, se distanciam dela. É como se os mandatos de deputados e senadores lhes pertencessem de forma privada e definitiva. Por que não se debate com a sociedade aquilo que lhe diz respeito diretamente, ou por que não se encomenda uma de opinião para saber-se o que o eleitor deseja?

Depois nossos gigolôs se pretendem amuados quando se decreta que todo o político brasileiro é safado e ladrão! Podendo corrigir-se, se comportam como prima donas da verdade absoluta! Não passam de um bando de covardes!

Segue o excelente artigo da Mary Zaidan.

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A Comissão de Reforma Política do Senado faz a pulga coçar bem detrás da orelha. Da velocidade que imprimiu aos trabalhos às cortesias entre desafetos.

Como um falcão peregrino, ave de rapina tida como a mais rápida do planeta, a Comissão aprovou em uma única semana cinco tópicos da reforma: acertou na mudança de datas de posse do presidente da República, governadores e prefeitos, fingiu que acabou com os suplentes de senador e embrulhou terno velho como roupa nova ao enterrar a reeleição, ressuscitar o mandato de cinco anos para os cargos executivos e manter o voto obrigatório.

Tão tortos quanto os remendos foram as justificativas para cosê-los. “No nosso entendimento a reeleição é um fator que compromete a democracia”, argumentou o senador petista Humberto Costa (PE). De duas uma: ou ele enxerga mutretas que comprometeram o país na reeleição de seu chefe supremo Lula, ou perdeu uma belíssima chance de ficar calado.

O tucano Aécio Neves não ficou atrás. Postou-se contra a reeleição, o mesmo instituto que permitiu que ele reinasse sobre Minas Gerais por oito anos. E, como se não bastasse, explicou sua posição contrária ao voto facultativo com a autocrática idéia de que o país ainda não está maduro. Há de se perguntar de quem mesmo é a crise de maturidade.

Nos dois casos, fica claro que motivação da maioria dos integrantes da Comissão passou longe dos interesses do eleitor. Aliás, a ele não se perguntou se é ou não a favor da reeleição e da obrigatoriedade do voto. Não se perguntou nada. Nem se cogitou, mesmo só como um gesto de reverência, transformar essas questões em temas plebiscitários, de consulta popular. Afinal, é o eleitor quem vota, portanto, ele é que deveria decidir se quer ou não ser obrigado a fazê-lo; se quer ou não reeleger o prefeito, o governador ou o presidente da República. Dispensa tutela para tal.

As decisões da Comissão não são definitivas, mas têm o dom de antecipar como esses temas transitam pela Casa, até porque se viu pouca oposição a elas. Caberá à Comissão Especial que nesta semana se instala na Câmara amplificar o debate, com a proposta de discutir ponto a ponto a reforma de que o país necessita, em uma louvável iniciativa que inclui a participação popular via internet.

Oxalá dê certo, porque até então a apressada produção do Senado desrespeita o eleitor ao taxá-lo como incapaz e por que não dizer, inútil. Mantém em voga o hit do Ultraje a Rigor, dos anos 80: “A gente não sabemos tomar conta da gente. A gente somos inútil. Inútil!”

Desencarna, Lula!

Comentando a Notícia

Lula, como o diabo gosta (ou melhor: como ele gosta)
Lula jantou, ontem, com a comunidade árabe em São Paulo.
Sem ter que dividir o palco com ninguém estava no melhor da sua forma.

Na Folha de São Paulo há um texto que dá bem a “grandeza” de caráter do ex: ele se queixa das comparações que estão sendo feitas entre o seu governo e o Dilma.

O cara passou oito anos não apenas se comparando em tempo integral com todos os presidentes anteriores, sem contar a demonização canalha que praticou contra o governo FHC, sua maior obsessão.

Agora, talvez se considerando o santo dos santos, se irrita quando é comparado à sua sucessora. Choque de ciúmes? Falta de noticias sobre ele mesmo?

O fato é que a comparação deve ser feita sim, seja Dilma a continuação de seu governo ou não. Aliás, o desespero de Lula após sair do poder, sempre foi a inevitável comparação que seria feita não de estilos, como é o que se tem feito até aqui. Mas a confrontação dos números de que se gabou o tempo inteiro com a realidade do país que, sempre disse, eram totalmente contrários.

Teme assim, que a confrontação, as comparações e a exibição do Brasil real acabem por desmontar o mito que tentou criar em torno de si mesmo.

Esta frase por exemplo é exemplar: “..."Durante oito anos alguns adversários tentaram vender que éramos a continuidade do governo anterior. Agora que elegemos uma pessoa para dar continuidade, eles estão dizendo que está diferente".

Ora, ora, ora, senhor Lula. Primeiro, que o seu governo, nas áreas econômica e social, nada mais fez do que dar continuidade ao governo anterior. E isto não é nenhum demérito, já que as políticas sociais e econômica de FHC foram a base em que você se sustentou durante oito anos. Ou vai dizer que o Bolsa Família não teve sua raiz no Bolsa Escola? Ou vai querer negar que o Plano Real acabou em seu governo, e que você criou outro?

Ser continuidade de um bom governo não apenas é sinal de inteligência, como ainda colabora para uma obrigatória estabilidade sobre a qual se assenta o verdadeiro crescimento.

Quanto aos elogios excessivos em relação a Dilma, Lula parece ignorar o que ele próprio passou toda a campanha eleitoral afirmando país afora: a de que Dilma faria um governo melhor que o dele. É só recuperar-se os discursos para tal constatação.

De antemão, o que Lula precisa aprender é ler o que está escrito. O que mais intensamente tem sido valorizado no governo Dilma nem é o resultado de suas ações e medidas, e sim o estilo mais gerencial e prudente que ela adotou, contrariamente ao estilo bufão com que Lula inundou o país durante oito anos.

Há sim, isto é inegável, um clima mais civilizado de se governar, o que não é garantias de que será um governo melhor ou pior. Já disse que o governo Dilma deve ser visto pela ótica dos resultados que produz e nunca pela mudança de estilo de se conduzir à frente do Executivo Fe4deral. Neste sentido, outro texto da mesma Folha de São Paulo abaixo, também nos informa o furacão0 negativo que vem sendo produzido nas contas públicas. Aqui sim, Lula poderia ser ao menos mais sincero: o condutor da política econômica de Dilma é o mesmo de Lula, Guido Mantega. E, pelo visto, está incorrendo nos mesmos erros anteriores, um deles, é a falta de medidas no câmbio, capaz de por um freio de arrumação no enfraquecimento da atividade industrial, fruto de importações de bugigangas, que competem de forma desleal com os produtos nacionais. Já falamos muito sobre isto, e até agora Mantega não se coçou.

Lula deveria ser mais comedido neste tipo de crítica: fica parecendo mais um menino mimado que não consegue mais ter a mesma atenção de antes. Como já disse em outras vezes, Lula, tão logo saiu do governo, deveria ter procurado um analista para poder ultrapassar esta fase de desintoxicação do poder sem maiores traumas e sofrimentos.

Aliás, sua ausência no almoço oferecido aos ex-presidentes brasileiros durante a visita de Barack Obama, representa bem a falta que faz a Lula os holofotes centrados apenas na sua pessoa. Um pouco de bom caráter e grandeza de espírito não lhe fariam mal algum.

Segue a reportagem da Folha. Texto de Bernardo Mello Franco.

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Lula se queixa de comparações entre seu governo e o de Dilma

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem das comparações entre seu governo e o da presidente Dilma Rousseff.

Em tom de desabafo, ele acusou "adversários" de ressaltar diferenças de estilo na nova gestão com o intuito de atingi-lo. "É no mínimo hilariante", disse Lula.

"Durante oito anos alguns adversários tentaram vender que éramos a continuidade do governo anterior. Agora que elegemos uma pessoa para dar continuidade, eles estão dizendo que está diferente", completou.

Lula discursou em jantar oferecido a ele pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, em um clube na zona sul de São Paulo.

Um amigo do ex-presidente disse à Folha que ele está irritado com o que considera elogios excessivos a Dilma na imprensa. O petista considera que o tratamento amistoso tem como objetivo depreciar a herança de sua gestão.

A uma plateia de empresários de ascendência árabe Lula disse confiar no êxito da sucessora. "Eu conheço bem a presidente Dilma. Tenho certeza de que ela vai continuar [seus programas] e fazer mais coisas."

Após os "rasgados elogios" do presidente americano, Barack Obama, em sua visita ao Brasil, "quem sabe alguns que passaram dez anos criticando comecem a falar bem porque deu no "New York Times'", disse.

Rodrigo Capote/Folhapress
às relações do ex-presidente com países árabes

Lula participa de jantar no Monte Líbano em agradecimento

O tango do absurdo

Nelson Motta - O Estado de São Paulo

Parece um romance de Vargas Llosa, com seus políticos corruptos e intelectuais provincianos, mas é o que o escritor está vivendo na carne, como protagonista de uma polêmica que tem tanto de trágica como de cômica, no teatro do absurdo latino-americano.

Na Argentina, o diretor da prestigiosa Biblioteca Nacional, Horácio Gonzalez, e um grupo de intelectuais nacionalistas exigiram em carta aberta a Cristina Kirchner que fosse cancelado o convite a Vargas Llosa para fazer a abertura da Feira do Livro. Porque é um estrangeiro que fez críticas severas aos governos do casal K e por "sua posição política liberal e reacionária, inimiga das correntes progressistas do povo argentino".

O absurdo se encontra com o ridículo em Buenos Aires: como Jorge Luís Borges, o gênio literário argentino e diretor da Biblioteca Nacional por 20 anos, tinha posições políticas muito mais à direita do que o liberal Vargas Llosa, pelos critérios do atual diretor, não poderia ser convidado. Emir Sader estaria mais qualificado.

Cristina manteve o convite, mas a polêmica pegou fogo, pelo seu caráter simbólico. Vargas Llosa é um peruano duro e vai preparado para a recepção dos que ele chama de "piqueteiros intelectuais", que tentam calar qualquer voz discordante com seus bumbos e slogans. Para os argentinos deve ser doloroso lembrar que nos anos 40 eles viviam em um dos países mais prósperos do mundo, com um padrão de vida europeu e o melhor sistema de ensino das Américas, mas agora vão de mal a pior. E a culpa não é dos estrangeiros.

Não é só um episódio pequeno e constrangedor para os portenhos, é uma concentração de sintomas das doenças crônicas da América Latina: o nacionalismo, o populismo e o autoritarismo, que antes eram de direita, agora são de esquerda, sempre em nome da pátria. Como se houvesse um "autoritarismo do bem" e um "do mal", e as pessoas fossem divididas entre boas e más.

Parece um poema de Manuel Bandeira em que o médico diz que ele está condenado pela tuberculose:

"Mas, doutor, não é possível tentar um pneumotórax ?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."

Boa vizinhança

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Chefes de Estado não fazem nada por acaso. Cada gesto, cada palavra, cada movimento tem um significado específico. Quando se trata de um presidente dos Estados Unidos, então, todo ponto é letra a ser minuciosamente destrinchada e interpretada.

O embaixador Luiz Felipe Lampreia, chanceler durante um período particularmente venturoso das relações entre Brasil e Estados Unidos, o governo Fernando Henrique Cardoso e seis anos do governo Bill Clinton, enxerga na visita do presidente Barack Obama um interesse especial na reconstrução de um diálogo abalado durante o período Lula, notadamente no último ano em função do apoio do Brasil ao Irã.

Para ele, a visita tal como foi concebida é um sinal de prestígio e de reconhecimento do fortalecimento da presença brasileira no mundo. Econômica e politicamente falando.

"É a primeira viagem de Obama à América Latina e é a primeira vez que um presidente americano vem aqui antes que o presidente brasileiro tenha ido lá." A iniciativa foi de Obama, depois que a presidente Dilma Rousseff anunciou que iria aos Estados Unidos em abril.

"Isso denota interesse de retomar um diálogo fluido e mostra quanto o Brasil é hoje um aliado mais valoroso do que já foi quando a desorganização da economia deixava o País relegado a um papel bem menos relevante."

Na opinião de Lampreia, a escolha do Rio de Janeiro como cenário do ponto alto da visita, no domingo, e a presença da mulher, Michelle, e das duas filhas de Obama buscaram acentuar o caráter de amabilidade e descontração à viagem.

As imagens produzidas no Rio, no Cristo Redentor, na Cidade de Deus pacificada e no discurso da Cinelândia, põem o presidente americano num cenário internacionalmente familiar. Diferente seria se visitasse São Paulo, cidade com características semelhantes a qualquer grande metrópole do mundo.

O Rio embeleza e ameniza o clima.

Ocorreu assim em 1997 com Bill Clinton, numa viagem precedida por um ambiente marcadamente antiamericano eivado de críticas aos "excessos" do esquema de segurança. Críticas logo dissipadas quando Clinton visitou o Morro da Mangueira, tocou tamborim na bateria da verde e rosa e, segundo Jamelão, exibiu-se "mais feliz que pinto no lixo".

Cenografia à parte, há o interesse econômico de parte a parte e a expectativa brasileira de que Barack Obama dê algum sinal que possa ser visto como apoio à reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança na ONU.

Alguma chance? "Washington sabe que é isso que o Brasil espera, mas por uma questão de resistência à divisão de poder não tem interesse em acelerar o processo de reforma do conselho. Alguma coisa deve ser dita, mas acho que a intensidade das palavras será uma decisão a ser tomada pelo próprio Obama depois da conversa com Dilma no sábado."

Luiz Felipe Lampreia vê apenas um "senão", para não dizer um risco, nessa amabilidade toda por parte dos EUA: a ideia de que a reconstrução das relações possa implicar um alinhamento automático do Brasil às posições americanas.

"Isso não pode nem vai acontecer, porque o Itamaraty tem histórico de política externa independente. Aproximação e diálogo fluido é uma coisa. Aliança incondicional está fora de cogitação."

Paralelo.
Ao declarar, em entrevista ao Estado, que o dinheiro entregue por ele à deputada Jaqueline Roriz era oriundo de superfaturamento de contratos do governo do Distrito Federal, o delator do escândalo que derrubou José Roberto Arruda falou a respeito de algo que Marcos Valério e Delúbio Soares calaram sobre o mensalão: a origem do dinheiro.

É exatamente o ponto em que o ministro Joaquim Barbosa sustenta a acusação tanto contra os petistas quanto contra o tucano Eduardo Azeredo. O dinheiro pode ter tido como destino o caixa 2 das campanhas eleitorais, mas teve origem no desvio de recursos públicos.

Daí a rejeição da tese das defesas de que houve "apenas" crime eleitoral e a denúncia da ocorrência de crimes comuns.

Me dá um colírio aí!

Claudio Schamis, Opinião & Notícia

Mas quando os olhos veem não é só o coração que dói. É tudo. Jaqueline Roriz que o diga.

É verdade quando dizem: “O que os olhos não veem o coração não sente”. E ainda bem que isso é verdade! Mas quando os olhos veem, não é só o coração que dói. É tudo. Chega até a doer a alma. E aí não tem jeito. Temos que aprender a lidar com a dor.

E é essa dor que deve estar sentindo agora Jaqueline Roriz quando soube que não tinha jeito, as imagens diziam tudo e mais um pouco. Esse ‘mais um pouco’ é que filha de peixe, peixinho é. Pois de sereia ela não tem nada. Jaque, para os íntimos, é nada mais nada menos que filha de Joaquim Roriz, quatro vezes governador do Distrito Federal e pilantra de carteirinha. E claro, covarde de marca maior, pois renunciou ao cargo para não ser cassado. Ele foi pego pela voz quando negociava a partilha de R$ 2,2 milhões com o então presidente do Banco Regional de Brasília, Tarcísio que não é Meira, e sim Franklin de Moura. E então, para honrar o nome da família, Jaqueline resolveu também negociar.

O que não deveria ter negociação é essa história do delinquente, seja ele deputado, senador, ou o que seja poder renunciar ao cargo, para escapar da cassação e poder voltar sorridente tempos depois. Mas aqui, essa é a Lei.

E é essa lei que vai julgar o destino de Jaqueline. E ainda corremos o risco de vê-la nua numa Playboy mostrando onde ela escondeu a propina recebida. Mas é tudo pela arte. E que arte! Só espero que tudo isso não acabe novamente com a arte de fabricar novos sabores de pizza que Brasília, a cada novo escândalo, consegue produzir.

Produzindo ou não pizza, Jaqueline disse que não vai renunciar. Mulher arretada.

Arretada ou não, meus olhos estarão abertos, mas não só para isso. E acho que seus olhos também deveriam ficar bem abertos para o que vem por ai. Tá pintando um namoro entre Garotinho, aquele mesmo, e Rodrigo Maia, que até sugeriu que Garotinho (deputado mais votado no estado apesar de tudo) fosse candidato a prefeito no Rio, mas que talvez não possa aceitar porque sua esposa, Rosinha, aquela mesma, deve, ao que tudo indica, disputar a eleição em Campos e, se assim fosse, teriam que morar em cidades diferentes.

Até aí, nada de diferente e novo. Isso só me dá mais medo. Só isso.

Mas não é só isso que me dá medo e me irrita. As constantes viagens que Fernandinho Beira-Mar, faz além de dispendiosas, mostram que estão fazendo de tudo para que numa dessas viagens aconteça o pior. O melhor que seria a queda do avião…tinham na verdade que trancá-lo em algum lugar e perder a chave. Simples assim. Até porque não estamos lidando com alguém que mereça qualquer tipo de respeito.

E é esse mesmo respeito que o pessoal do Programa Universidade para Todos (ProUni) não tem com ninguém. O Tribunal de Contas da União (TCU) descobriu numa auditoria que 29% das bolsas disponíveis entre 2005 e 2009, algo em torno de 260 mil vagas, não foram ocupadas. O que não impediu que as instituições privadas recebessem o desconto acordado no pagamento de impostos. E depois Lula aparecia cuspindo e dizendo só coisas boas que seu governo fez em prol da educação.

E Lula ainda se achando o todo poderoso, cobra vaga em Conselho da ONU. O que Lula pode querer fazer e realizar sentado na ONU? Alguém poderia abrir os olhos dessa gente? Eu até ajudo a pagar o colírio que se não for alucinógeno, não sei não.

E haja colírio para poder pingar nos olhos de quem já viu os vídeos inéditos de propina que assolam o Distrito Federal. Dizem que dá até para abrir uma pequena locadora.

O que vai ser disso tudo? Não sabemos. Ou no fundo sabemos e não queremos é assumir de vez que não tem jeito. Nenhum jeito.

Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

O rabo que abana o cachorro

O Estado de São Paulo

O Incra é uma enorme autarquia de eficiência administrativa discutível (suas metas de assentamento rural estão longe de serem cumpridas e os dados que divulga não são confiáveis), em primeiro lugar, porque se transformou num cabide de empregos do PT. Esta é a conclusão a que chegou o próprio governo petista, de acordo com uma minuta de portaria em estudo no Ministério de Desenvolvimento Agrário, divulgada pelo Estado (12/3), cujos termos revelam a intenção de criar mecanismos de controle sobre as 30 superintendências regionais do Incra. Essas superintendências definem planos e administram recursos com um grau de autonomia que foge ao controle até mesmo da presidência da autarquia. De fato, o Incra de hoje é fenômeno típico de um estilo de governo que durante oito anos usou a farta distribuição de cargos e benesses no aparelho do Estado para acomodar situações de desconforto e cortejar tendências políticas radicais, em troca de apoio e em benefício da imagem "progressista" do chefão. Como resultado, aquela autarquia se transformou num órgão muito mais poderoso do que o Ministério ao qual está vinculada. Situação que, aparentemente, o governo Dilma se dispõe a reverter.

Vinte e seis das 30 superintendências regionais são dirigidas por petistas, a maioria filiada à tendência Democracia Socialista, que desde 2003 domina o órgão. Durante os oito anos do governo Lula, a reforma agrária, historicamente uma das mais importantes bandeiras de seu partido, permaneceu praticamente congelada. Mas, entretidos com os jogos do poder, que incluem a manipulação de vultosos recursos orçamentários, os esquerdistas acomodados no Incra não perturbaram a paz e ajudaram a inflar o prestígio do chefe do governo. É assim que a autarquia criada em 1970 tem cumprido sua missão de "implementar a política de reforma agrária e realizar o ordenamento fundiário nacional, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável", como está definido em seus estatutos.

O próprio governo Lula, com o pragmatismo que o levou a manter os fundamentos da política econômica e dos projetos sociais de seus antecessores, encarregou-se de desmitificar o tema reforma agrária, minimizando na prática a importância do conflito ideológico entre agricultura familiar e agronegócio. Assim, o trabalho do Incra deixou de ser prioridade de governo. Mas nem por isso a autarquia deixou de crescer. Hoje tem cerca de 6 mil funcionários, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário dispõe de cerca de 250. E em 2010 trabalhou com um orçamento de R$ 4,3 bilhões, oriundos da dotação de R$ 6,3 bilhões que coube à Pasta à qual se vincula. E como a atividade-fim original parece já não ter a mesma importância, todo esse aparato tem cumprido um importante papel propagandístico.

Recentemente o Incra anunciou que o governo Lula é o grande campeão da reforma agrária, tendo sido responsável pela incorporação de 48,3 milhões de hectares às áreas de assentamento e pela distribuição de lotes a 614 mil famílias. Mas em reportagem de Roldão Arruda publicada pelo Estado em 28 de fevereiro, ficou demonstrado que esses dados foram inflados artificialmente. Segundo informações divulgadas pelo próprio Incra desde 2003 e analisadas pelo pesquisador da USP Ariovaldo Umbelino de Oliveira, um terço (26,6%) das famílias cujo assentamento se atribui ao governo Lula, antes disso já vivia e produzia na zona rural, mas sem título de propriedade. O governo tão somente as incluiu nos programas de apoio à agricultura familiar. Além disso, 38,6% do total de novas famílias dadas como assentadas são pessoas que ocuparam lotes abandonados em áreas de reformas já existentes. Trata-se, portanto, de simples reordenação fundiária e não de novos assentamentos.

É compreensível, portanto, que o governo Dilma se disponha a enquadrar o Incra nos princípios da boa gestão da coisa pública, com o que estará pondo fim ao singular fenômeno, nas relações da autarquia com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, do rabo que abana o cachorro.

A mediocridade impera no Congresso Nacional

José Carlos Werneck, Tribuna da Imprensa

Quando iniciei minha carreira jornalística, em 1969, como repórter da sucursal de Brasília de O Globo, estranhei quando um veterano jornalista, responsável pela cobertura do Congresso Nacional, dizia a todos os novatos que “a política era uma das atividades mais sujas do mundo.”

Eu particularmente ficava indignado, pois desde o tempo que a Capital era no Rio de Janeiro, gostava de assistir, tanto no Monroe quanto no Palácio Tiradentes e depois em Brasília, os discursos feitos pelos grandes oradores, não importando sua ideologia e sua filiação partidária.

Ficava empolgado com a inteligência de Carlos Lacerda e de Santiago Dantas, com seus discursos repletos de cultura e erudição, verdadeiras aulas magnas sobre os mais variados assuntos, que dominavam plenamente e com total segurança. Isso sem falar no destemor de Adauto Lúcio Cardoso, na fina ironia de Aliomar Baleeiro, na serenidade de Milton Campos e na elegância de Afonso Arinos.

Hoje, quando vejo as entrevistas e declarações feitas pelos senadores e deputados do Congresso recém-instalado, fico assustado e totalmente descrente de que seus membros, com raríssimas e honrosas exceções, possam fazer alguma coisa de útil em benefício do País.

Sei perfeitamente que o funcionamento de um Poder Legislativo pleno não depende tão-somente de um Congresso Nacional composto de grandes oradores e de homens e mulheres possuidores de rara inteligência e vasta cultura.

O Legislativo é o mais democrático dos Poderes, por reunir representantes das mais variadas origens e profissões. É o retrato mais perfeito de uma nação. É um verdadeiro cadinho onde se misturam as mais variadas tendências e opiniões. Os que lá estão conquistaram seus mandatos pelo mais poderoso instrumento da Democracia: o voto popular, que tem o mesmo valor, seja ele do mais rico banqueiro ou do mais humilde operário.

Pobre do País que tiver um Legislativo composto só de jurisconsultos, de sábios e de refinados intelectuais. Mas daí irmos de um extremo a outro, também, é uma aberração. Nunca o Congresso Nacional esteve tão carente de homens de talento e preparados para exercerem suas tão nobres e importantes atribuições.

Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal sempre tiveram, em sua História, figuras exóticas, homens de pouco saber e até mesmo semianalfabetos. Mas, sem dúvida, eram uma minoria, que se perdia entre tantos representantes à altura de suas funções.

Mas a atual Legislatura parece primar pela indigência intelectual, pelo despreparo e pela primariedade. Parece que a mediocridade fez questão de imperar triunfante no Legislativo brasileiro.

Isto tudo sem falar nas alianças espúrias, em que não só antigos adversários, mas até inimigos ferrenhos, sorriem e se aliam em conchavos que, ao que tudo indica, nem de longe visam o bem público.

Nunca em toda a minha vida pensei, um dia, que iria concordar com aquele velho companheiro, que teimava em afirmar que “a política era uma das atividades mais sujas do mundo”.

Pobre Brasil!

Farra do boi no Senado. Há 3,5 funcionários para cuidar de cada um dos carros dos parlamentares

Carlos Newton, Tribuna da Imprensa

Cada empregado terceirizado no setor custa R$ 7,346 por mês. Aonde vamos parar, Sarney?

Já abordamos aqui as mordomias do Senado. Pedro Simon (PMDB-RS) recentemente fez um discurso e denunciou que existem 13 mil funcionários por lá. Mas oficialmente a Mesa Diretora só reconhece ter hoje pouco mais de 5,2 mil servidores efetivos e comissionados, e entram na folha de pagamento mais 2,4 mil aposentados e pensionistas, incluindo a partir de fevereiro os inativos Gerson Camata (R$ 26,7 mil), Marco Maciel (R$ 24,4 mil), Jader Barbalho (R$ !9,2 mil), Cesar Borges (R$ 11,4 mil) e outros.

Os 5,4 mil funcionários que faltam nas contas oficiais do presidente José Sarney seriam terceirizados. Por isso, as despesas com pessoal em 2010 responderam por mais de 80% dos R$ 3 bilhões gastos pelo Senado. Consumiram R$ 2,543 bilhões, valor R$ 323 milhões maior que o gasto em 2009.

Só na Coordenação de Transportes existe uma média de 3,5 funcionários para cuidar de cada carro. O Senado tem 89 veículos que rodam a serviço dos 81 parlamentares e representantes da Mesa Diretora. Quer dizer, há oito automóveis na reserva ou servindo duplamente aos membros da Mesa. Dos 310 funcionários do transporte, 232 são ligados diretamente ao Senado e 78 outros contratados por meio de empresa terceirizada, a um custo de R$ 573 mil mensais. Isso dá um custo de R$ 7.346 por funcionário terceirizado no setor.

É uma verdadeira farra do boi, Os gastos com pessoal no Senado subiram 14,5% em 2010 e a previsão é de um crescimento de mais 11,7% pelo Orçamento aprovado pelo Congresso para 2011. As despesas com pessoal estão acima do previsto quando foi aprovado, no ano passado, um plano de carreira para os servidores da Casa. A justificativa é de gastos com contratações de mais servidores, aposentadorias e pagamento de correções salariais determinado pelo Judiciário.

A Secretaria de Recursos Humanos do Senado é comandada desde 2009 por Doris Marize Peixoto, que hoje é favorita para suceder Haroldo Tajra na direção geral da Casa. Por coincidência, mera coincidência, é claro, antes de assumir a função atual, ela foi chefe de gabinete de Roseana Sarney, filha do presidente do Senado, José Sarney (ele, sempre ele).

A situação é uma afronta à cidadania, pois não condiz com a realidade brasileira. Os números expõem o inchaço da Senado, que não consegue realizar uma efetiva reforma administrativa. Ao assumir seu terceiro mandato como presidente, em 2009, Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), prometendo resolver o problema.

Mas a proposta da FGV “contrariava o interesse dos servidores” e o projeto de reforma está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até hoje. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que presidiu a última Subcomissão de Reforma Administrativa, lamenta que as eleições tenham prejudicado o trabalho do grupo.

Jarbas Vasconcelos denuncia que, apesar do atual gigantismo das estruturas, ainda havia projetos no Senado destinado a ampliá-las, como no caso da Polícia Legislativa. Pretendia-se que os agentes prestassem serviço aos senadores até mesmo quando eles estivessem nos respectivos estados. “Cada órgão é maior do que o outro. São gigantescos. É necessário avançar na reforma. A polícia que eles queriam fazer é uma Polícia Federal. Se eu me sentisse ameaçado em Pernambuco, ligaria e eles mandariam policiais daqui”, revela o senador pernambucano.

Se a comparação da Polícia Legislativa do Senado com a Polícia Federal parece exagerada, os números do DF ajudam a mensurar as falhas na administração da Casa. De acordo com relatório produzido pelo então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) na Subcomissão extinta no fim do ano passado, 427 funcionários atuam no policiamento e segurança do Senado. Este número corresponde a 20% do efetivo da Polícia Militar em atividade durante um turno da ronda ostensiva diária no Distrito federal inteiro. É uma verdadeira tropa. Isso, só no Senado. Não esqueçam que a Casa compartilha muitos serviços com a Câmara, que tem estrutura semelhante. E também gigantesca.

Indústria opera abaixo de sua capacidade pelo terceiro mês

Folha online

A indústria brasileira operou abaixo dos níveis usuais de utilização de sua capacidade instalada de produção pelo terceiro mês consecutivo, segundo uma sondagem CNI (Confederação Nacional da Indústria) publicada nesta terça-feira.

A pesquisa foi feita junto a 1.379 empresas, sendo 770 de pequeno porte e 200 de grandes porte, entre os dias 28 de fevereiro e 15 deste mês. O resultado das perguntas feitas aos empresários apontou que o índice de utilização da capacidade instalada teve uma leitura de 47 pontos em fevereiro, acima dos 45,2 pontos registrados em janeiro.

Pela metodologia dessa enquete, somente valores acima de 50 indicam utilização da capacidade acima do usual para o mês.

A sondagem mostrou ainda houve um aumento dos níveis de produção, puxada principalmente pelas grandes empresas. O índice que sintetiza as respostas dos industriais para essa questão alcançou os 51 pontos em fevereiro, ante 46 em janeiro e 50,8 no segundo mês do ano passado.

O maior resultado foi registrado entre as empresas de grande porte (53 pontos) enquanto o indicador para as indústrias de pequeno porte teve o resultado mais baixo (48,6 pontos).

Em relação às expectativas para março, a sondagem teve resultados mais positivos: os industriais contam com um aumento da demanda no geral, esperando um incremento das exportações, o que deve levar a um aumento das compras de matérias-primas e a mais contratações.

Sobre a virtude da coerência

Percival Puggina, ZERO HORA

"Não me cobres coerência. Não sou político, sou militante", diz-me um amigo. Quando FHC criou o Bolsa Escola, o Vale-Gás e sei lá mais o que, ele exclamava: "É um estadista! É um estadista!". Mas bastou Lula implantar o Bolsa Família para que passasse a fustigá-lo: "O cara perdeu a noção! Está comprando o voto dos pobres!". Diga-me, leitor: dá para aguentar tanta incoerência? Não é fácil, sei. Mas, como meu amigo diz de si mesmo, ele é apenas um militante. Não é presidente, nem governador, nem deputado. A incoerência de quem tem ou deseja ter responsabilidades de Estado ilude os incautos.

Lula oposicionista, em 2000, discursava assim sobre o Bolsa Escola e outros programas do seu famigerado FHC: "Lamentavelmente, no Brasil, o voto não é ideológico. E uma parte da sociedade, pelo alto grau de empobrecimento, é conduzida a pensar pelo estômago. E não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica, tanto litro de leite. Isso, na verdade, é uma peça de troca em época de eleição". Já Lula presidente, em 2009, vociferava: "Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia. Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala: o Bolsa família é para deixar as pessoas preguiçosas porque recebem o Bolsa Família e não querem mais trabalhar". Aquele meu amigo, mencionado acima, não chega a tanto. Nem é tão grosseiro em suas incoerências.

(N.A. - Assista em youtube.com/watch?v=o_VQyZcpTwQ as duas falas de Lula aqui transcritas).

Quem sair atrás encontrará outros tesouros dessa conduta assumida como estratégia para chegar ao poder. O homem e seu partido eram contra a nova Constituição, o Plano Real, o pagamento da dívida, o superávit fiscal, o agronegócio, os transgênicos, a abertura da economia, a desestatização, o Proer, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o livre mercado. Se Itamar Franco e Fernando Henrique se tivessem curvado à cartilha deles a nação estaria cavoucando batata no campo para comer. Tem mais. Como as exigências do PT não eram atendidas, todos os antecessores de Lula foram submetidos a um linchamento moral. Tinham pacto com o demônio. Queriam que o povo sofresse. Devia ser gente que cuspia na cruz e afogava cãezinhos na banheira.

Aqui no Estado, fustigava-se o governo anterior por desatender os mínimos constitucionais para Educação e Saúde e por não adotar o Piso Nacional do Magistério como patamar inicial do Plano de Carreira. Não o fazia por quê? Por pura maldade, ora. Porque tinha prioridades indizíveis e intenções macabras. Agora, a roda do destino coloca-lhes nas mãos a caneta que poderia executar aquilo que exigiam. E o que se escuta? Escuta-se que os mínimos constitucionais e o piso do magistério serão implantados já em, digamos assim, 2014... É uma retórica que funciona deste modo: sob circunstâncias idênticas, eles deixam de fazer, alegando impossibilidades, as mesmas coisas que acusam os outros de não fazer por pirraça e malevolência. FHC criou o Bolsa Escola porque era do mal e Lula criou o Bolsa Família porque era do bem. Não faltam exemplos. Falta espaço. Mas não posso omitir este outro: antes, amaldiçoava-se a governadora por aumentar os vencimentos de duas dezenas de secretários. Agora, propõem criar centenas de cargos e encorpar os salários de outras tantas centenas de postos de confiança. Meu amigo aquele é ou não é um moderado da incoerência?