Fernando Gabeira, Estadão.com
Hoje seria dia de falar das dificuldades da reconstrução japonesa. Mas as notícias sobre Fukushima não são boas. O reator 3 está com a pressão alterada o que causa preocupação em todos. O Japão terá que desativar Fukushima, isto é certo. Mas provavalmente terá de sepultá-la, como aconteceu em Chernobyl. As próximas horas vão indicar o caminho.
No meio de tanto sofrimento, algo luminoso: uma mulher de 80 anos foi resgatada com vida, depois de passar nove dias sob os escombros de sua casa, em Ishonamaki. Seu neto de 16 anos também escapou.
Nove dias sob os escombros
O processo de reconstrução não sera fácil, nem pode ser explicado com psicologia popular, do tipo vontade de superação. Cientistas que trabalharam em muitos desastres dizem que as pessoas ficam muito abaladas e constataram que o abalo é mais facilmente absorvido quando o desastre é natural.
Quando há implicações industriais, processos, o ressentimento aumenta. Eles prevêm até crise de identidade em quem perdeu tudo e terá de deixar seu espaço com a roupa do corpo. E a velha geração japonesa constitui um caso à parte, porque não se queixa de problemas psicológicos. Só começará a ser atendida, como aconteceu no terremoto de Kobe, quando sentir sintomas físicos.
O caminho para atender às vítimas de desastres é muito delicado de traçar. Se houve descaso, o abandono agrava a situação, excesso de cuidado transforma as pessoas em vítimas profissionais, afirmam alguns especialistas.
Certamente, os japoneses encontrarão o tom.
