quinta-feira, janeiro 29, 2009

Virtudes que faltam

Adelson Elias Vasconcellos

No início da tarde já havia indícios de anular-se a decisão absurda tanto quanto sorrateira, tomada pelo governo do Grande Chefe na calada na noite de sexta-feira passada, através de um comunicado escondido no site do SISCOMEX, de ressuscitar a Licença de Importação prévia, prática abandonada nos últimos anos e que vigorou, até com certa propriedade nas décadas de 70 e 80, quando o país importava 80% do que consumia.

A notícia é da Agência Reuters, com reportagem de Isabel Versiani, e foi publicada no Portal Exame. Comentaremos em seguida:

“BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira a suspensão da exigência de licenças prévias para as importações brasileiras adotada há poucos dias.

"Essa medida foi mal interpretada, causou ruídos", disse Mantega a jornalistas.

Ele citou que a medida havia sido anunciada para que o governo pudesse fazer um monitoramento mais preciso da balança comercial, diante da crise global.

As novas licenças, impostas a cerca de 60 por cento das importações brasileiras em um momento de forte deterioração das contas comerciais brasileiras, haviam gerado intensas críticas por parte da indústria”.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Já dissemos aqui que a crise afetará enormemente o comércio mundial, com a maioria dos países adotando alguma forma de protecionismo com o intuito de não verem deterioradas suas contas externas. Com o Brasil não será diferente. A vertiginosa queda das nossas exportações, pautada maciçamente por comoditties cuja demanda mundial está se reduzindo rapidamente, acompanhada em conseqüência pela queda nos preços, já provocou o primeiro déficit externo do período Lula, e em valores até assustadores: US$ 28,5 bilhões. E a divulgação do número assustou (e muito) nossas autoridades em Brasília. Convenhamos, para a tão simplória marolinha declarada por Lula em dezembro passado, ela já provocou estragos até demais.

Porém, independentemente disto, mesmo que o governo queira tomar medidas para conter um pouco ao menos o nível de importações, não pode é agir da forma como fez. Três razões correm em direção contrária: primeiro, o Brasil por ser membro da Organização Mundial do Comércio deve se submeter às regras internacionais de comércio. Não pode tomar decisões sem clareza e transparência, como fez. Segundo, inúmeras seriam as empresas prejudicadas tendo em vista seus planejamentos. Uma regra como esta, precisa ser divulgada amplamente e para vigorar deve permitir um certo tempo para todos os afetados poderem se adequar. Corríamos o sério risco de sermos denunciados justamente na OMC onde, nos últimos anos, enfrentamos e vencemos inúmeros contenciosos comerciais, justamente por seguirmos as regras do comércio mundial. Terceiro, no mesmo dia do anúncio da medida (restritiva), o governo anunciara a instalação de grupo de estudos para reduzir a burocracia no país, praga que faz a desgraça e infernizam a vida de 180,0 milhões de brasileiros que necessitam recorrer aos serviços públicos.

Diante da ameaça real de ser denunciado na OMC, a medida também abria um grave e perigoso artifício que resultaria em verdadeiro tiro no pé, ou seja, nossos parceiros comerciais que se sentissem atingidos, poderiam adotar igual medida que resultaria em prejuízos às nossas exportações. Assim, a tal licença prejudicaria ainda mais nosso déficit externo. E, claro, refletiriam enormes prejuízos para aquelas empresas que, acreditando no Brasil, haviam comprado máquinas e equipamentos industriais lá fora, e acabariam, com a medida, tendo de adiar seus investimentos, causando atraso na geração de novos empregos. Medida ruim, hora ruim, e a forma com que se fez, pior ainda.

Portanto, diante do quadro de reação adversa, o governo resolveu dar o dito pelo não dito, e deixando tudo dantes no quartel de Abrantes...A medida teve a curta duração de dois dias.

Ora, um governo sério não pode, diante do quadro econômico conturbado atual, agir ao sabor dos ventos ou das emoções de alguns de seus ministros, como no caso do Desenvolvimento. Portanto, não cabe ao Mantega alegar uma pretensa má interpretação da medida, já que tanto a forma, quanto o momento, simplesmente foram tanto inoportunos quanto inadequados. Ás vezes, é preferível a humildade de se reconhecer o próprio erro e agir calado, do que tentar justificar o injustificável justamente para encobrir a burrada.

Mas este não é, definitivamente, um governo onde a humildade seja uma virtude presente. A arrogância que vem de cima, contamina ministros, secretários e assessores em toda a esfera federal.

Diante do atual cenário, o que se espera é que nossos governantes além da capacidade de discernir, tenham equilíbrio emocional para não serem arrastados para precipitações que acabam por gerar pânico.

Além disso, se formos analisar, enumerar, somar e contar o total de medidas e seus valores envolvidos desde que a crise se fez sentir no país, não dá para conceder créditos ao Grande Chefe em sua tentativa demagógica de querer esconder do país a existência da crise e, o que é pior, os seus efeitos danosos internamente. A maquiagem neste caso, desnuda a face verdadeira do Grande Chefe em grande escala, exibindo em toda a sua grandeza a mistificação nela produzida.

Impossível conceder crédito para alguém que insiste em dizer que o país crescerá robustos 4,0 % em 2009, quando talvez exista a possibilidade real de nem crescer coisa alguma.

Mentiras, arrogância, afoitezas são reveladores de personalidades desequilibradas emocionalmente, figuras estas que devem ficar longe do processo de decisões para enfrentar momentos de turbulência. Como afirmamos há poucos dias, está na hora do Grande Chefe começar, de fato, a governar o país. Até aqui, ou recebeu o produto pronto e acabado, ou foi empurrado pelos ventos favoráveis da economia internacional. Várias vezes se provou que se mérito se pode atribuir ao Grande Chefe pela nossa bonança econômica, é o de nada ter feito naquilo que recebeu do governo anterior.

E nossa situação poderia ainda ser mais tranqüila tivesse feito o que lhe competia fazer, e não apenas se dedicado a governar o país apenas para si mesmo, primeiro para reeleger-se, depois para exibir e garantir a manutenção do seu “prestígio”.

Governantes existem muitos, estadistas são raros. Duas são as diferenças básicas que os distingue: a primeira está no fato que os segundos não sentem medo de fazer o que é preciso para enfrentar dificuldades, mesmo que o preço a pagar seja a sua perda de prestígio político. E a segunda diferença está que estadista abraça a causa, por mais difícil que ela seja, e trata de realizar, de equacionar, de resolver situações. Os primeiros apenas se justificam e transferem responsabilidades para ombros alheios.

Se a atual crise econômica nos afeta, e com uma velocidade até inesperada diante de um “virtuosismo” que a mistificadora propaganda oficial tratou de vender e impor à opinião pública, é porque deixamos de fazer alguma coisa que nos tocava realizar. Uma delas, e já disse aqui muitas vezes, foram as reformas básicas para solidificar nossa economia e prepará-la até para novos desafios, fossem bons ou ruins. Dentre tais reformas, um exemplo, é a tributária. Reparem que, mesmo diante do quadro adverso, não se vê um esboço, uma iniciativa plausível do atual governo em promover com intensidade ampla reforma tributária, para redução de carga e de prazos, à exceção de algumas pontuais desonerações que atendem interesses de algumas atividades específicas. Na verdade, do que mais se precisa é total redução da carga e ampliação de prazos para pagamentos de tributos estendida a todas as atividades econômicas. Sem distinção, ou para usar uma expressão tão ao gosto dos governistas quando estavam na oposição, “ampla, geral e irrestrita” Sabem por que não se promove tal reforma? Porque o Poder Público brasileiro está viciado em gastar demais, em desperdiçar demais, em ostentar-se demais. Se for preciso sacrifícios, se exige que eles sejam empreendidos pelos outros, jamais pelo Estado. E a raiz de nossas desigualdades, de nossas dificuldades, do atraso, do nosso analfabetismo, das nossas limitações está justamente na cultura histórica de que à classe política tudo é possível e permitido.

Exemplos não nos faltam em qualquer nível, e em todos os poderes. Portanto, se o país está agora, uma vez mais, precisando de sacrifícios para não ser atropelado pela crise mundial, que sejam os governos federal, estaduais e municipais a darem exemplo. Não será com inchaço da máquina pública, ou com elevação no número total de vereadores (em mais de 7.000) que se conseguirá respirar dias melhores. Ou ainda, com medidas paliativas, inconsequentes, forjadas nos labirintos dos gabinetes de forma sorrateira que chegaremos lá. Responsabilidade, prudência e equilíbrio, e menos ostentação e mais transparência, são algumas virtudes necessárias à classe política brasileira. Para desenvolvê-las será preciso que cada um rapidamente crie vergonha na cara. Quem se habilita em ser o primeiro ?

Reduzir impostos de todos, eis a receita

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S. Paulo

É verdade que as empresas ganharam muito dinheiro no Brasil nos anos recentes. Há várias provas disso. A arrecadação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por exemplo, encheu os cofres do governo. Outra prova: os investimentos, até o ano passado, vinham crescendo em ritmo acelerado e isso só pode significar que as companhias estavam reaplicando lucros para aumentar sua capacidade de produção.

Outra prova de que as empresas ganharam dinheiro nos anos recentes: contrataram mais trabalhadores e, especialmente, mais trabalhadores com carteira assinada.

O presidente Lula não se cansou de alardear esses fatos. Já agora, em meio à crise, as empresas passaram para a categoria de culpadas. O presidente e seu ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dizem que as companhias não podem demitir hoje porque ganharam muito dinheiro no passado. Vai daí, o governo ameaça só dar crédito às empresas que não façam demissões.

Tudo se passa como se as companhias tivessem acumulado em caixa o lucro obtido nos últimos anos. Ou pior, como se os seus donos tivessem embolsado os ganhos e mandado para algum paraíso fiscal. Agora essa gente estaria ameaçando com demissões para obter favores do governo.

Do outro lado estariam os trabalhadores, que, na palavra de Lupi, não criaram esta crise e, portanto, não podem pagar por ela. Logo, nada de demissões nem de flexibilização dos contratos de trabalho ou reduções de salários.

Além do clássico sentimento anticapitalista, que percebe as empresas como predadoras, há aí um desentendimento total de como funcionam as companhias e, no geral, como anda a economia de mercado. Começa que as empresas brasileiras, como os trabalhadores, não causaram a crise.

No seu funcionamento as empresas combinam recursos próprios e financiamentos. No dia-a-dia, a companhia toma dinheiro emprestado no banco para comprar matérias-primas e pagar os salários durante a produção. Vende, faz dinheiro, lucra, paga ao banco e segue a ciranda. Ou seja, sem financiamentos e sem lucros, não tem negócio.

Ora, dois problemas aconteceram nesta crise. O primeiro foi a falta de crédito, que simplesmente desapareceu no mercado internacional. Bancos e empresas brasileiras, sobretudo as grandes (como a Vale e a Petrobrás) e as exportadoras, obtinham boa parte de seus recursos no exterior. Com quem exatamente? Com os bancos globais, aqueles que o presidente Lula agora chama de jogadores do cassino financeiro.

Sem o dinheiro de fora, as companhias vieram buscar aqui dentro. E não tinha para todos. Resultado: faltou financiamento e só isso já seria suficiente para reduzir a produção. A companhia vai ao banco levantar R$ 100 mil e só consegue R$ 50 mil. Com isso, obviamente, vai comprar menos matéria-prima e não terá o dinheiro para pagar os salários de todos os funcionários.

Mas, e os lucros do passado, onde está esse dinheiro?

Está por aí.

Está no caixa do governo, quer dizer, esteve no caixa do governo e passou para o bolso dos funcionários, das pessoas do Bolsa-Família, dos aposentados. Está também nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no custeio da máquina pública.

Esse lucro está também em fábricas, em lojas, em shoppings, em minas, em siderúrgicas, construídos ou ampliados nos últimos anos, num ritmo forte de investimentos.

Ainda em 2002 o País produzia e vendia 1,5 milhão de veículos por ano. Chegou perto dos 3 milhões em 2008. As montadoras contavam, para os próximos anos, com um crescimento não tão forte, mas contínuo.

Em vez disso, o mercado encolheu, por falta de crédito para a montadora e para o comprador de carros. E aí? A montadora tem máquinas e pessoas para produzir 50 mil automóveis, mas precisa fazer apenas 20 mil. A siderúrgica, que vende aço à montadora, tem capacidade para 100 mil toneladas, mas encomendas novas de apenas 50 mil toneladas. E por aí vai.

Está aí o problema do desemprego. Se há restrição de financiamento e mercado encolhido, como a empresa formará os recursos para pagar a seus funcionários? É neste momento que surge a opção da flexibilização do contrato de trabalho.

Concretamente: a empresa está com mil funcionários, mas precisa de apenas 500, dado o volume atual da produção, e só pode pagar o salário desses 500 funcionários, dada a falta de crédito e de vendas. Coloca-se a alternativa: demite 500 funcionários e mantém os outros com o mesmo salário ou reduz os salários e mantém os mil funcionários enquanto dura a crise?

Querer que a empresa funcione como se nada tivesse acontecido é prejuízo certo, coisa que pode acontecer por algum tempo, como está ocorrendo. Mas continuar assim significa eliminar todos os mil empregos.

Também não faz sentido o governo emprestar dinheiro à empresa exigindo desta a garantia de manutenção do emprego. Seria jogar fora dinheiro público.

As empresas, neste momento, precisam de mais capital e o consumidor, de mais folga para comprar. Logo, o governo deveria reduzir impostos das empresas - de todas, sem privilégio. Pagando menos Imposto de Renda, a companhia tem mais capital; pagando menos impostos sobre a folha de pagamento, pode empregar mais.

E, reduzindo imposto das pessoas, o governo deixa mais dinheiro no bolso do consumidor. E se sobrar algum dinheiro, o governo deveria investir.

Resumo da ópera: flexibilização, redução de impostos e gastos em boas obras.

Câmara dos EUA aprova pacote econômico bilionário

Por Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington, leiam a notícia sobre a aprovação do “pacote-Obama-de-salvação-nacional”. Comentaremos em seguida.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira o pacote de estímulo econômico de US$ 819 bilhões defendido pelo presidente americano, Barack Obama.

O projeto foi aprovado por 244 votos contra 188. Nenhum deputado da oposição republicana votou a favor do pacote e até mesmo 11 democratas votaram contra.

O pacote, que concilia investimentos e cortes de impostos, será submetido ao Senado, onde enfrentará desafios maiores, já que a maioria democrata na casa não é tão expressiva quanto a que o partido desfruta na Câmara dos Representantes.

Revés
O fracasso em conseguir atrair o apoio dos republicanos ao pacote foi um revés para Obama.

O presidente americano passou o dia na Câmara na terça-feira, onde manteve encontros com líderes republicanos.

Os representantes do partido acreditam que o pacote não oferece garantias de criação de empregos e traz excessivos gastos.

Para cooptar os republicanos, o pacote passou até a incluir cortes de impostos mais expressivos.

Pelos termos atuais do plano econômico, contribuintes e empresas receberiam isenção fiscal no valor de US$ 275 bilhões.

Além disso, seriam investidos US$ 540 bilhões em iniciativas diversas, como reparo de pontes, incrementos em benefícios para desempregados, investimentos tecnológicos e reparos em até 10 mil escolas em todo o país.

Mesmo com 177 republicanos tendo votado contra a sua proposta, Obama segue cortejando os representantes do partido.

Na noite desta quarta-feira, ele oferece um coquetel na Casa Branca para o qual foram convidados tanto representantes democratas como da oposição.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A aprovação do pacote na Câmara já era prevista. Os Democratas, de lá, tinham maioria suficiente para garantir uma vitória sem sustos. Duro será no Senado onde a vantagem de um voto apenas, não é garantia de coisa alguma.

Mas o queremos ressaltar na notícia não é a aprovação do pacote, e sim o comportamento dos republicanos. Reparem: o partido, em peso, votou contra o pacote. Não houve um único voto traidor. E pela simples e óbvia razão de que, embutido no pacote, há muitos penduricalhos e questões mal resolvidas, as quais não garantem o sucesso da empreitada. Obama foi ao Congresso várias vezes. Dialogou à exaustão com republicanos. Pediu para deixaram a questão política de lado, e pensarem no país apenas. Tal como se faz muito seguidamente.

A diferença é que lá oposição é oposição e ponto final. Não existe esta de “oposição responsável”. Este discurso, e os fatos o demonstram, sempre favoreceram o outro lado, no caso, os governistas. E o pacote embutia pontos discutíveis e duvidosos e era incapaz de assegurar o alcance de suas metas, não seriam os republicanos assinarem embaixo. Se Obama e os democratas estão convictos de que o investimento será exitoso, que então paguem o preço político pelo risco, para o bem ou para o mal. Mas nada de se dar um cheque em branco.

Por isso eles são o que são e nós não conseguimos sequer parecer o que pretendemos ser.

Reparem, por exemplo, que na eleição para presidência do Senado brasileiro, o PSDB apresentou uma pauta de 12 pontos que considera “importantes” para conceder seu apoio um ou outro candidatos, Sarney e Tião Viana, ambos governistas. Se vocês analisarem vão concluir que os tucanos ainda não se deram conta do papel que lhes compete cumprir. Santo Deus!!!

Vejam este resumo apresentado pela Folha online:

Em troca do apoio, os tucanos cobram a 1ª vice-presidência do Senado, a 4ª secretaria da Mesa Diretora e a presidência da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) --que ficaria sob o comando do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A comissão também terá que priorizar a discussão da reforma tributária, com a relatoria da matéria nas mãos do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). A ideia dos tucanos é indicar para a 1ª vice-presidência o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para a 4ª secretaria.

O PSDB também cobra a independência e a soberania do Congresso, o respeito às oposições, o compromisso do candidato de que vai manifestar-se contra a proposta de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da rejeição de medidas provisórias que não atendam aos critérios de urgência e relevância.

Os tucanos ainda pedem o sistema de rodízio nas relatorias das MPs (medidas provisórias), de acordo com o tamanho dos partidos, e o compromisso do candidato para as reformas que podem ajudar a minimizar os efeitos da crise econômica internacional.

Outros pleitos do PSDB aos candidatos são democratizar a participação de senadores nos veículos de comunicação do Senado, transparência na gestão, não dificultar ou impedir a criação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) --assim como apresentar propostas para reerguer a imagem da Casa e submeter os vetos presidenciais ao Congresso.

Sarney
Apesar do discurso de impor condições aos candidatos, nos bastidores os tucanos sinalizam que vão aderir à candidatura de Sarney. O PSDB quer conquistar o apoio dos peemedebistas desde já, com vistas à corrida pela presidência da República em 2010.

Sabem aquela história da “moça” doida para ter “relações” mas que adora dizer “não” só para fazer charme e não ser alcunhada de “prostituta”? Pois é, o PSDB é a moça. Ta doido para aderir à candidatura Sarney, mas adora o charme das “exigências ridículas”.

Se é para ser respeitado como partido de oposição, junte-se a democratas e formem um bloco do “não” e fim de papo.

Quanto a 2010, o PSDB não precisa compor com ninguém. Se houver plenas chances de ser vencedor (e as há, sem dúvida), os tucanos fiquem certos de que, uma vez instalados no poder, sempre haverá um PMDB bem disposto e pronto para compor uma base de sustentação política. O PMDB sempre foi, é e será governista.

Já disse e repito: que, em 2010, Serra seja candidato à Presidente com Aécio de vice, e em 2014 (ou 2015), invertam-se as posições. Não há Dilma que agüente o tranco.

Querem marcar presença? Querem ser respeitados? Então que tucanos assumam o seu papel atual e o cumpram com honra e dignidade: sejam, na prática, a oposição verdadeira que o país precisa para não ser tragado pelo artificialismo político vigente.

No que está dando o desgoverno

Excelente o editorial desta quinta-feira do Estadão. Ele trata da atrapalhada, só para se dizer o mínimo, da tal licença prévia de importação da qual o próprio governo tratou de revogar. O episódio, como um todo, é revelador de um desgoverno que, se até agora não nos trouxe maiores dores de cabeça, foi porque a bonança da economia internacional nos empurrou para uma situação confortadora. Contudo, na medida que os ventos começaram a mudar de direção, vão aflorando situações até então desconhecidas da grande massa. Se já não bastassem os bate-bocas entre ministros, tendo um inclusive pedido a mediação de Dilma Roussef, numa total inversão de papéis e como se o a presidência já houvesse trocada de mãos, sem nem mesmo ter havido eleição.

Exemplos não faltam de desgoverno e sobre alguns já comentamos muitas vezes. Mais constrangedor ainda é saber que, até o apagar das luzes do atual mandato do Grande Chefe, eles até poderão se intensificar. Segue o texto do Estadão:

Adotada em circunstâncias nebulosas por aloprados funcionários de segundo escalão do Ministério do Desenvolvimento, na ausência do seu titular, em viagem ao exterior - e sem comunicação prévia nem mesmo ao presidente da República -, a imposição intempestiva de licenças prévias para a importação de cerca de 3 mil produtos, que respondem por 60% do valor das compras brasileiras no exterior, é a evidência irrefutável do nível a que chegou o desgoverno Lula.

Pelo modo como foi tomada a decisão, considerada a "mais estranha" da administração lulista, pelo seu impacto instantâneo sobre a atividade produtiva, pela rasteira que a enormidade aplicou às diretrizes da política comercial - desmoralizando os reiterados discursos presidenciais contra o protecionismo - e, enfim, pelas mendazes tentativas dos autores da molecagem de justificar o injustificável, a iniciativa condensa a incapacidade do governo em lidar com uma crise econômica que traz problemas novos praticamente a cada dia e que, quanto mais se agrava, mais parece agravar também a dislexia administrativa que acometeu o Planalto.Sob o choque dos dados mais recentes sobre o intercâmbio comercial do País - pela primeira vez desde março de 2001, o ano começou com um déficit no setor provocado pela crescente diferença entre os ritmos de crescimento das exportações - cada vez mais lento - e das importações - cada vez mais acelerado -, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o seu colega do Desenvolvimento, Miguel Jorge, decidiram na semana passada, por precaução, monitorar de perto a evolução das compras, em especial de bens de consumo e aquelas oriundas da Argentina, país com o qual o desequilíbrio se acentuou dramaticamente (queda de 40% nas vendas para o país e adoção, pelo governo de Buenos Aires, de licenciamento prévio para a entrada de produtos brasileiros). À revelia dos ministros, no entanto, os burocratas tomaram o freio nos dentes e instituíram a regra destrambelhada que um empresário comparou a "tomar um antibiótico para curar um resfriado".

Ele se referia ao descompasso clamoroso entre o diktat que dá superpoderes à burocracia e a sua alegada razão de ser - "permitir o acompanhamento das importações". Tentando encobrir o sol com a peneira, o responsável-mor por aquilo que os seus próprios colegas chamam, caridosamente, "barbeiragem", o sub do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, se pôs a jurar que a licença prévia não equivale a uma barreira, porque seria concedida, em cada caso, em até 10 dias. A desculpa trôpega não enganou ninguém. "Estamos já em uma crise grave, e o governo aumenta a incerteza pegando as empresas desprevenidas", reagiu o ex-ministro Marcílio Marques Moreira. "Depois de anos de superávit, no primeiro momento de déficit o governo adota barreiras." O governo? Que governo?

Nos últimos dias, quatro ministros se engalfinharam publicamente (Mangabeira Unger e Patrus Ananias, Reinhold Stephanes e Carlos Minc) e só tardiamente se ouviu uma balbuciante advertência de que os briguentos poderiam ser demitidos. E em seguida veio o vexame do controle das importações. Eis o nervo do problema: o presidente Lula, cujo absenteísmo crônico dispensa comprovação, deixou a casa ao deus-dará porque dela afastou também a autoridade a quem incumbe, por definição, coordenar as ações da equipe ministerial e administrar as inumeráveis questões do dia a dia do Executivo, com as quais o seu chefe não deve mesmo se ocupar (além daquelas, de sua alçada, das quais quer distância). A autoridade, evidentemente, é a ministra-chefe do Gabinete Civil da Presidência, Dilma Rousseff. Mas, em perene campanha para fazer dela a sua sucessora, Lula a transformou na sua inseparável companheira de viagem.

Ainda na terça-feira, enquanto em Brasília ministros e burocratas batiam cabeça para desfazer o estrago do licenciamento prévio e em toda parte subia a grita dos empresários atropelados, a ministra participava, com o presidente, de um ato pelas vítimas do Holocausto, numa sinagoga paulistana. Assim como o ministro do Desenvolvimento não tinha nada que fazer promoção do Brasil na África do Norte, a esta altura da mais ameaçadora das crises, nada tampouco justifica as andanças da síndica do governo para promover a sua figura presidenciável. Pois dá no que está dando.

Sim, a crise ainda vai piorar...

Por Moisés Naím* , Portal EXAME

...mas não será desta vez que veremos o fim do capitalismo. Milhões de chineses, indianos, brasileiros e outros continuarão a ser participantes mais ativos no mercado do que jamais foram anteriormente e a impulsionar a economia global

O derretimento financeiro global é tão surpreendente quanto foram os ataques de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas. Afora isso, as duas calamidades são bem diferentes. O crash financeiro terá, indubitavelmente, conseqüências mais amplas, prejudicando mais pessoas em mais países. No entanto, o 11 de Setembro e o que veio em sua esteira podem oferecer um estudo de caso de algumas armadilhas a evitar quando uma calamidade dessas proporções acontece. A lição mais importante do atentado terrorista em Nova York talvez seja que a reação dos Estados Unidos aos ataques teve conseqüências mais profundas do que os próprios ataques. Choques como o 11 de Setembro costumam provocar - na verdade, exigem - reações governamentais intensas, mas as conseqüências dessas reações persistem até muito depois do evento inicial. Essa lição se aplicará ao crash em curso: leis, instituições, restrições e incentivos motivados pelo salvamento do sistema financeiro moldarão nossas vidas por muito tempo depois que os efeitos da crise das hipotecas subprime se dissiparem. O perigo é que respostas governamentais desproporcionais ou mal concebidas possam exacerbar os problemas.

Considerem-se os desdobramentos inesperados da invasão do Iraque: o fortalecimento do Irã, o ressurgimento do Talibã e a menor capacidade de liderança dos Estados Unidos em tempos de crise global. No Iraque, onde os problemas mais espinhosos afloraram após uma ocupação militar bem-sucedida, também agora a administração pós-salvamento será crítica. O pesadelo do Iraque foi ampliado pelos erros cometidos em estratégia, provimento de pessoal, execução e controle dos esforços após a invasão. Da mesma maneira, o resgate financeiro poderá ser solapado por erros no desembolso dos fundos ou mesmo no provimento de pessoal das agências encarregadas de levar o salvamento adiante. Um dos legados dos ataques terroristas de 2001 foi o Departamento de Segurança Nacional, um mastodonte burocrático que virou um caso exemplar de reorganização falha após diretrizes vagas do Congresso adotadas às pressas. Um monstro burocrático parecido, originado por impulsos desesperados idênticos, pode surgir em conseqüência dessa crise financeira.

Outra lição do 11 de Setembro é que os Estados Unidos precisarão de toda a ajuda que puderem obter de outros países para gerir a crise financeira. Embora tanto o ataque terrorista quanto o crash das hipotecas subprime tenham ocorrido em solo americano, suas ramificações internacionais são enormes. Apesar de os contribuintes americanos terem de ficar com o ônus tanto do salvamento quanto de suas conseqüências, a assistência de autoridades reguladoras do Reino Unido à China será indispensável. De fato, uma lição do atentado ao World Trade Center é que a coordenação em níveis técnicos pode ser mais importante que declarações retóricas de chefes de Estado. Em 2001, enquanto o Congresso americano substituía as “batatas francesas” (como são chamadas as batatas fritas nos Estados Unidos) por “batatas da liberdade” e malhava a França por sua oposição à guerra no Iraque, as agências de inteligência dos dois países colaboravam de maneira estreita e eficaz. O mesmo aconteceu com outros serviços de inteligência em países cujos líderes faziam discursos ferozes denunciando o unilateralismo americano.

A colaboração técnica de burocratas governamentais - mantida por períodos longos e fora dos holofotes da mídia - será tão importante para sairmos bem desta crise financeira quanto a das cúpulas presidenciais. A maneira como os dirigentes de bancos centrais em Pequim e Moscou coordenarão as ações com seus congêneres em Washington e Frankfurt será um fator determinante.

Outro paralelo entre o 11 de Setembro e a crise financeira é que recursos públicos que não estavam disponíveis para outras necessidades importantes (sistema de saúde, educação, pobreza) de repente se materializam. A gravidade da ameaça e a necessidade de agir rápida e energicamente provocam um clima no qual se torna aceitável - e até desejável - tomar decisões em que dinheiro não é problema.

Essa desconsideração por restrições orçamentárias é uma manifestação de outro ensinamento do atentado: o entusiasmo por “um novo paradigma” e o desdém por idéias e instituições antigas. A convicção de que uma nova realidade tornou obsoletos princípios e idéias antes cultivados é perigosa. Ela conduz à suposição de que tudo é possível, de que as velhas idéias já eram e de que conceitos absolutamente novos e não testados são indispensáveis.

Idéias ousadas, temerárias até, são buscadas e celebradas. Essa abordagem nos trouxe não só a guerra no Iraque como o centro de detenção na baía de Guantánamo, a erosão das liberdades civis, o desprezo pelas convenções de Genebra e a depreciação de mecanismos normalmente usados para controlar gastos públicos, vistos como incômodos burocráticos inaceitáveis. Agora, o salvamento financeiro nos dará a maior empresa financeira estatal do planeta, mudanças drásticas nos regulamentos do mercado e um sistema bancário que terá pouca semelhança com o que existia há poucos meses.

A busca de um novo paradigma para substituir crenças e instituições pré-crash está levando muitos a concluir que o capitalismo em estilo americano está morto. “A idéia de um mercado todo-poderoso sem nenhuma regra e sem intervenção política é insana”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acrescentando que “a auto-regulação terminou. O laissez-faire terminou”. Henry Paulson, secretário do Tesouro americano, concordou: “O capitalismo bruto terminou”. Com toda a certeza, o crash revelou a necessidade de fiscalização e de regulamentações financeiras mais eficazes. Mas a adoção dessas medidas não marcaria o fim do capitalismo. Milhões de chineses, indianos, brasileiros e outros continuarão a ser participantes mais ativos na economia global do que jamais foram anteriormente. E companhias de Seattle a Taipé e a Lyon continuarão inovando e investindo, comprando e vendendo. Inevitavelmente, a crise financeira será vista como mais um sinal de que os Estados Unidos estão em declínio: “Os americanos perderão seu status de superpotência do sistema financeiro mundial. O mundo jamais será o mesmo”, disse o ministro alemão da Fazenda a seu Parlamento no fim de setembro. Quase as palavras exatas pronunciadas após o 11 de Setembro. Mas, apesar de o mundo certamente ter mudado, ele o fez de muito menos maneiras que os comentaristas previam. Sim, esta crise financeira vai transformar profundamente a economia global e terá conseqüências mais profundas e mais duradouras que os atentados às torres. Mas ela nem marca o fim do capitalismo nem o início do fim dos Estados Unidos.

*Moisés Naím é editor-chefe da revista Foreign Policy

Fórum subsidiado

Diogo Costa, O Globo

Ao comentar a generosa doação de R$120 milhões do governo federal para o Fórum Social Mundial, a realizar-se nesta semana em Belém do Pará, Cândido Grzybowski, sociólogo e fundador do Fórum, reconheceu que “qualquer político quer um público de 120 mil pessoas do mundo todo”. Mas o interesse dos políticos não costuma coincidir com o interesse da população. Se as pessoas valorizassem tanto assim o Fórum Social Mundial, não seria preciso financiá-lo com os impostos. Bastava recolher os R$120 milhões em doações voluntárias.

Por outro lado, nem mesmo quem discorda da transferência de R$120 milhões do bolso do contribuinte para os inimigos da globalização pode acusar os organizadores do evento de incoerência entre teoria e prática. Tomar o dinheiro do contribuinte para fins considerados mais dignos por seus participantes é o espírito do Fórum Social Mundial. O propósito de suas reuniões é justamente criar estratégias para utilizar ainda mais recursos da sociedade. A obtenção de tanto dinheiro público não apenas passa pelo teste da racionalidade socialista como atesta o sucesso do movimento.

Para manter a mesma lógica, um fórum que combate essa transferência do dinheiro público precisa abrir mão de semelhante privilégio. É por isso que o Fórum da Liberdade de Porto Alegre, talvez o maior evento liberal do hemisfério, conta com um orçamento total 100 vezes menor do que a bolada recebida por seu contraponto ideológico.

Se os dois eventos prezam pela lógica na arrecadação, a realização de seus objetivos levaria a cenários antagônicos. Os liberais sustentam que pessoas adultas devem ser livres para realizar quaisquer atividades pacíficas, sejam de cunho religioso, artístico, sexual ou capitalista. Os socialistas não concedem o mesmo grau de liberdade. No socialismo, os cidadãos não podem se organizar ou dispor de seus bens da maneira que lhes aprouver. Quem decide o que será feito com os recursos da sociedade são os políticos, exatamente como decidiram o destino de 120 milhões de reais da sociedade brasileira.

Portanto, num mundo em que triunfassem definitivamente os objetivos políticos do Fórum Social Mundial, não haveria Fórum da Liberdade. Já num mundo em que vigorasse o programa do Fórum da Liberdade, o Fórum Social Mundial continuaria existindo. Da teoria à prática, no mundo melhor dos ativistas do Fórum Social Mundial, eles decidiriam não apenas como gastar R$120 milhões, mas o PIB inteiro - do mundo.

A arma da coesão

Benjamin Steinbruch (*), Folha de São Paulo

Em momentos críticos como agora, a economia elimina vagas por razões objetivas, não por maldade do empregador

A rapidez da proliferação da crise econômica lá fora e aqui é uma das características mais impressionantes do momento. Três meses atrás, embora já estivesse previsto o desaquecimento da economia, qualquer analista apostaria que 2008 seria um ano espetacular em matéria de criação de empregos no Brasil.

Os números divulgados na semana passada mostram a rápida inversão de tendência. Nos últimos dois meses do ano, 695 mil empregos com carteira assinada foram extintos.

Dezembro, sazonalmente, é um mês de contratações de mão-de-obra temporária. Por isso, a taxa de desemprego geral ainda caiu, para 6,8% da força de trabalho. Mas dezembro é sempre ruim para o emprego formal, com muitas demissões. Mesmo assim, o volume de cortes surpreendeu, porque foi o maior desde o início do levantamento, em 1999, e porque atingiu todos os setores e regiões.

O que fazer? São muito bem-vindas as mobilizações de empresários e trabalhadores para discutir soluções. Há inúmeros mecanismos para combater o desemprego ou atenuar seus efeitos: férias coletivas; reduções de jornada; suspensão temporária de contratos; ampliação do seguro-desemprego; estímulos fiscais; corte de impostos para setores intensivos em mão-de-obra; redução de impostos para ampliar crédito e estimular consumo.

Tudo isso, entretanto, são paliativos. Em momentos críticos como agora, é bom lembrar que a economia passa a eliminar empregos por razões objetivas, não por maldade de empregadores. Empregos não se criam com gritos ou passeatas. Criam-se com investimentos e financiamentos a baixo custo, como os que poderão ser feitos com os recursos de R$ 100 bilhões que o Tesouro vai repassar ao BNDES, uma sábia decisão da semana passada.

Nos últimos oito anos, em artigos semanais nesta página, fiz 266 referências às responsabilidades empresariais e do governo na criação de empregos. Cabe ao empresário atuar com máximo critério para tomar decisões que não coloquem em risco o negócio e garantir, ao mesmo tempo, o maior número possível de empregos. A dolorosa decisão de dispensar mão-de-obra só deve ser tomada quando houver clareza absoluta sobre a sua inevitabilidade.

O pior que poderia ocorrer no país, neste momento, seria a exacerbação de conflitos entre empregados, empregadores e governo. Ameaças de punições não ajudam em nada. Cada parte tem de assumir suas responsabilidades. Ficará marcada, por exemplo, a tardia participação da política monetária no combate à ameaça da recessão -as autoridades levaram mais de quatro meses para se dar conta da gravidade da crise.

O momento é de conciliação em busca de soluções para amenizar os efeitos sociais da queda do emprego. Não há mais dúvida de que a crise global é gravíssima, com recessões nos EUA, na Europa e na Ásia. A Alemanha, segunda maior economia do mundo, prevê a maior contração desde 1949.

As armas para debelar no médio prazo crises como esta não precisam ser inventadas. Estão em qualquer cartilha de economia. São o corte de gastos supérfluos para concentrar recursos em investimentos públicos que absorvem mais mão-de-obra, como a construção, a redução drástica (não de um ponto percentual) nos juros, para estimular consumo e investimentos produtivos, e a ampliação de programas sociais para assistência a desempregados. Internamente, independentemente do que ocorre na economia global, a coesão pode ser uma arma poderosa para implementar essas medidas.

(*) Benjamin Steinbruch , empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A república do butantã na hora da crise

Percival Puggina, site Diego Casagrande

Nem sempre a opinião pública coincide com o interesse público. Um dos problemas essenciais da democracia consiste, precisamente, na necessidade, que muitas vezes ocorre, de agir em favor do interesse público adotando medidas que contrariam a opinião pública. “Sangue, suor e lágrimas” prometia Churchill... Isso se aplica, especialmente, àquelas ocasiões em que dificuldades estruturais ou conjunturais determinam impacto negativo na vida social. As coisas estão mal, os cidadãos estão desgostosos e a solução exigirá medidas impopulares. É a hora dos verdadeiros líderes.

O Plano Real fornece bom exemplo do que descrevo. Itamar Franco teve o grande mérito de convocar o grupo de economistas que concebeu o Plano. Na arrancada, ele garantiu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, mas não foi uma catapulta para a estabilidade e o crescimento econômico. Não era uma escadinha confortável para sair do fundo do buraco. Foi necessário escalar até o topo, segurando-se com as unhas e ralando os pés no esforço da subida.

Foi nesse quadro que a oposição petista, após oito anos de combate encarniçado contra o Plano e seus ingredientes (superávit fiscal, aumento da carga tributária, abertura ao mercado internacional, privatizações, cumprimento dos compromissos com a dívida externa, estímulo ao agronegócio), atrapalhou quanto pode a escalada da economia nacional. Com um discurso moralista e avesso às reformas em curso, chegou ao poder. E chegou ao poder – é bom ter presente o cronograma dos fatos – dois anos antes de as medidas começarem a produzir resultados, o que obrigou o governo Lula a amargar péssimos desempenhos da economia nos anos 2003 e 2004. Aí, a partir de 2005, em plena marolinha do mensalão, mas mantida a linha de atuação iniciada com Itamar, as coisas começaram a melhorar. E acabou a oposição.

Entendem-se as dificuldades dos oposicionistas em combater um governo que na gestão da economia cumpre o quinto mandato de Itamar Franco e saboreou até bem poucos meses o período mais promissor da vida econômica e social do país e do planeta nas últimas quatro décadas. E se entende, também, pelos mesmos motivos, a aderência (é mais do que mera articulação) e a bajulação (é mais do que mera cordialidade) do grande empresariado brasileiro às estrelas vermelhas que lhe aparecem na janela. Estão ganhando dinheiro, and that is the name of the game. Valores, para certo tipo de capitalismo, só têm significado quando conversíveis em moeda. O resto é papo de filósofo.

Pois há algum tempo venho reconhecendo em Lula uma enorme capacidade de encantar serpentes. Atraiu para si praticamente toda a população do ofidiário hospedado no Congresso. Se o leitor se der à paciência de assistir o Jornal Nacional verá o que ele fez com a Globo. Examine isso, uma vez ou outra. Vale à pena. E dê uma olhada nos parceiros do nosso presidente na América Latina e no Oriente Médio.

Até aqui, o encantador de serpentes vem se dando bem. Ganhou votos combatendo o que hoje sustenta e depois passou a ganhar votos sustentando o que antes combateu. Ganhou votos atacando certos adversários e depois passou a ganhar votos buscando para parceiros aqueles a quem atacava. O homem tem uma capacidade de se fazer rodear de cobras. Essa é a sua força e é, também, a sua fraqueza; sua habilidade e sua debilidade. Cobras são animais perigosos, como ele mesmo pode ver em 2005, quando a República foi bater às portas do Butantã. E absolutamente nada indica que tenha saído de lá.

Contudo, aqui e no resto do mundo, o momento é para estadistas e não para encantadores de serpentes.

Chávez diz que haverá 'guerra' se oposição voltar ao poder

BBC Brasil

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que seu país pode mergulhar em uma guerra civil caso os partidos de oposição voltem a governar a Venezuela.

Chávez deu a declaração durante um encontro com militantes no Estado de Táchira, na última terça-feira, como parte da campanha para o referendo sobre a emenda constitucional que permite a sua reeleição ilimitada, marcado para o dia 15 de fevereiro.

“Se a oposição chegar ao poder, haverá uma guerra. Por isso, é necessário garantir a continuidade do processo revolucionário democrático bolivariano, e aí está a proposta de emenda constitucional”, disse Chávez, segundo o jornal venezuelano El Universal.

Reeleito em 2006, Chávez teria de deixar o governo em 2013, já que a atual Constituição prevê apenas uma reeleição.

Programas sociais
Segundo Chávez, caso a emenda não seja aprovada, “em 2013 a Venezuela poderá ser governada por um presidente 'adeco' (militante do partido Ação Democrática) ou um 'copeyano ' (do Copei, democrata-cristão)”.

“Isto poderia desencadear uma guerra, porque o povo não vai querer (um outro presidente)”, disse Chávez, afirmando que a oposição tentaria eliminar todos os programas sociais de seu governo.

O venezuelano ainda afirmou que só decidiu impulsionar a emenda por uma reeleição ilimitada depois de ver que, nas regiões governadas pela oposição, os programas sociais de seu governo estão sendo extintos.

“Quando vejo que estão fazendo tudo isso, digo a mim mesmo: 'Chávez, não se vá'”, afirmou.

Chávez lançou a campanha por sua reeleição indefinida em novembro do ano passado.

A proposta já havia sido rejeitada em um outro referendo mais amplo, em 2007, quando Chávez apresentou um projeto de reforma constitucional que pretendia abrir caminhos para a implementação de seu projeto socialista no país.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Isto que Chavez está fazendo para garantir-se no poder, tem vários nomes e sobrenomes, tais como terrorismo político-eleitoreiro, chantagem, cretinice, vigarice, dentre outros tantos. E por aqui ainda tem gente tentando nos vender a Venezuela como exemplo de democracia ? Ah, são os mesmos que paparicam o futuro falecido ex- ditador Fidel...