segunda-feira, maio 21, 2007

O novo pop star Delúbio

Revista Istoé
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O ex-tesoureiro do PT, apontado como um dos chefes do mensalão, sai da clausura, participa de eventos políticos e sociais e planeja se tornar o deputado federal mais votado em Goiás.
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Ele distribui autógrafos por onde passa, virou presença fácil em eventos - das comemorações de 1º de Maio a jogos de futebol, não deixa um convite passar em branco - e não teme mais ser reconhecido. Nem se esconde. O goiano Delúbio Soares, o homem do caixa, o rosto maior do mensalão, vive uma fase de pop star, numa reconstrução de imagem capaz de matar de inveja os melhores marqueteiros. Fato surpreendente para um homem que foi apontado como um dos chefes da quadrilha denunciada pelo procurador-geral da República. O que explica esse fenômeno? O professor de matemática Delúbio pode carregar todos os pecados do mundo, mas é ainda visto por muitos como um homem que não entregou ninguém e foi leal ao presidente Lula no momento mais grave da crise política. Isso lhe garante prestígio nas hostes petistas, respeito entre os empresários que fizeram doações "não declaradas" e inspira até um certo temor no Palácio do Planalto. Afinal, o ex-tesoureiro é a memória viva do maior escândalo da história do partido do presidente.
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Delúbio aposta que, em 2010, será um dos deputados mais votados em Goiás, seu Estado natal. Para atingir esse objetivo, ainda mantém um esquema político próprio. Em Goiás estão sob sua batuta órgãos como a superintendência dos Correios e a delegacia do Trabalho. Mas ele quer mais. Delúbio batalha para emplacar a companheira e ex-deputada Neyde Aparecida no comando do FNDE, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, autarquia que só neste ano pretende gastar R$ 11,4 bilhões. Neyde é tão ligada a Delúbio que, durante a crise, ficou chamuscada ao mandar um motorista buscar com o amigo, em São Paulo, um pacote com US$ 200 mil.
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Foi também em Goiás que Delúbio fez sua primeira aparição num evento empresarial de peso, ao participar da inauguração da fábrica de caminhões do grupo Caoa/Hyundai, em Anápolis. Lula estava lá. Mas pediu aos organizadores da festa que retirassem Delúbio do local. No entanto, o staff presidencial fez uma ressalva. O ex-tesoureiro não poderia ser "magoado" ou "melindrado" com a situação, num sinal de respeito. Delúbio ficou numa sala reservada, onde os principais políticos locais, como Íris Rezende e Maguito Vilela, fizeram fila para abraçá-lo. Alguns cobraram do ex-tesoureiro que perdesse o pudor e falasse à imprensa. "Aprendi a respeitar o tempo", disse Delúbio. À noite, em clima de festa, Delúbio reuniu amigos petistas em sua casa em Goiânia.
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O que mais impressiona é a vida de celebridade que ele tem levado. Apareceu sorridente na festa do 1º de Maio da CUT. No aniversário de José Dirceu, só faltou dar autógrafos. No campeonato goiano de futebol, entrou em campo com a equipe do Itumbiara, cidade vizinha à sua. Cabelos agora compridos e bem tratados, aparelho nos dentes, barba aparada, sempre bem vestido, Delúbio mantém as relações estreitas de sempre com os estrelados do PT. Quem acompanha a rotina do prédio de classe média onde ele vive com a mulher, a também petista Mônica Valente, conta que são freqüentes as visitas de conhecidos petistas ao apartamento do ex-tesoureiro, entre eles Marta Suplicy e José Dirceu, além do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Delúbio não tem nada registrado em seu nome. Nem carro. O apartamento onde mora, no bairro paulistano da Consolação, está no nome da sogra, Diva Valente, e foi comprado em outubro de 2005, por R$ 190 mil.
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Em Goiás, Delúbio tem feito seguidas reuniões com partidos nanicos. Como quer ser candidato a deputado federal e foi expulso do PT, ele articula uma aliança que lhe permita alcançar a vitória. Não faltam siglas interessadas em abrigá-lo. O presidente regional do PHS, Walter Souto, garante: "Se o Delúbio quiser, eu dou legenda, sim. Ele será um puxador de votos." O ex-tesoureiro do PT mantém excelente relação com o prefeito de Goiânia, Íris Rezende, a quem prometeu liberar verbas para a construção de casas populares. Seu irmão, Carlos Soares (PT), que investiu pesado na última eleição para eleger-se vereador, ficou como suplente e finalmente assumiu uma vaga, com Delúbio na posse. Pelas mãos do irmão famoso, Carlos é um dos homens de confiança do prefeito na Câmara.
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Fora da política, nos tribunais a situação de Delúbio não é tão confortável. Além do inquérito do mensalão e do primeiro processo aberto no STF a partir do escândalo, Delúbio responde a outras ações na Justiça Federal de Brasília e na Justiça goiana. Uma delas por ter continuado a receber salário de professor mesmo sem aparecer na sala de aula. A sentença sai nos próximos dias. Ele, no entanto, está mais confiante. A investigação da PF sobre o caso Visanet apontou que o dinheiro é privado - isso eliminaria crimes como corrupção e tráfico de influência. No caso dos empréstimos dos bancos Rural e BMG ao PT, haveria erros processuais. E isso hoje dá a Delúbio quase a certeza de que ele não será preso. Principalmente se, além de pop star, conseguir se eleger deputado.

Operação Navalha deixa Lula preocupado.

Blog do Josias de Souza
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Municiado de informações pelo ministro Tarso Genro (Justiça), Lula se diz “preocupado” com os desdobramentos da Operação Navalha. Receia que o novo escândalo volte a conferir ao Congresso ares de “delegacia de polícia”, envenenando uma pauta de votações que ainda inclui medidas provisórias do seu PAC.
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Lula soube na noite de quarta-feira que a Polícia Federal passaria na navalha um mega-esquema de desvios de verbas públicas. Foi avisado por Tarso Genro. O ministro contou-lhe o que ouvira de Paulo Lacerda, diretor-geral da PF. Falou sobre as prisões que ocorreriam na manhã seguinte, discorreu sobre as linhas gerais da investigação.
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O ministro e o presidente conversaram, segundo apurou o blog, acerca do potencial de combustão do novo escândalo. Tarso mencionou que as apurações envolviam, até aquela altura, um governador, um ex-governador, prefeitos... Falou do matiz suprapartidário da encrenca. Disse que a navalha feriria também a chamada “base governista”.
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Depois de ouvir Tarso, o presidente trocou idéias com pelo menos um outro auxiliar. Pronunciou na conversa uma variante da frase cunhada pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). “Não vamos perseguir ninguém, mas também não podemos proteger”. Disse que não faria nada que pudesse ser interpretado como uma interferência no trabalho da PF.
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A inquietude de Lula não é despropositada. O dono da Construtora Gautana, Zuleido Soares Veras, fez-se nas franjas do Orçamento da União. Suas relações políticas vão do chamado baixo clero aos cardeais do Congresso.
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Para complicar, no início da noite desta sexta-feira (18), a PF começou a apalpar dados que têm potencial para acomodar o novo escândalo bem no centro do Legislativo. Munidos de autorizações judiciais, agentes da PF fizeram, além das prisões, 84 operações de busca e apreensão.
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Recolheram-se nos escritórios da Gautama, a empresa do sociável Zuleido, os dados até aqui considerados mais valiosos para o desdobramento das apurações. A PF acha que pôs a mão em planilhas que têm a cara de um caixa dois. Associa nomes de políticos, inclusive congressistas, a cifras e presentes. Relaciona obras a emendas ao orçamento, feitas no Congresso.
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Até aqui, as apurações da PF haviam apenas tangenciado o Congresso. Entre as pessoas detidas na quinta-feira estão Francisco de Paula Lima Jr. e Ernani Soares Gomes Filhos. O primeiro é sobrinho do governador Jackson Lago, do Maranhão. Está lotado no gabinete do deputado Julião Amin (PDT-AM), do grupo político de Lago.
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O segundo, funcionário do Ministério do Planejamento, vinha prestando serviços, por requisição, ao gabinete do deputado Márcio Reinaldo (PP-MG). É reconhecido como um especialista em matérias orçamentárias.
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Por enquanto, os responsáveis pela investigação fazem segredo dos nomes que aparecem no papelório da Gautama, já enviado à análise do setor de inteligência da PF. Mas segredos como esse não costumam durar muito em Brasília. Lula, a propósito, não há de estar preocupado à toa.

O engenheiro misterioso

Revista Veja

O deputado Carlos Wilson, do PT de Pernambuco, não tem tido sossego desde que estourou a crise aérea no país. Há dias, trocou farpas em público com seu sucessor na Infraero, a estatal que cuida dos aeroportos. Ele foi acusado de ser responsável pelo inexplicável atraso de quatro anos no início das obras de ampliação da pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Carlos Wilson presidiu a Infraero entre 2003 e 2006. As obras só começaram na semana passada. Antes disso, Carlos Wilson começou a ter dores de cabeça com o festival de denúncias de irregularidades na Infraero durante a sua gestão – fraudes, superfaturamento, desvio de dinheiro. Recentemente, indagado sobre o que contaria à CPI do Apagão Aéreo caso viesse a ser convocado para depor, ele disse o seguinte: "Não serei um novo Roberto Jefferson". Quis dizer que não tinha denúncias a fazer, mas houve quem interpretasse sua declaração como um recado tranqüilizador aos amigos. Com a instalação da CPI, os sobressaltos do deputado tendem a ficar mais intensos. Sua próxima preocupação deve ser um personagem habituado a trabalhar longe dos holofotes: o engenheiro Eurico José Berardo Loyo, pernambucano de 66 anos, que foi braço-direito de Wilson na Infraero.
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Como assessor especial, Eurico Loyo deveria trabalhar como um consultor do presidente da Infraero, mas foi muito mais longe: virou um diretor de engenharia informal. Curiosamente, até licitações para contratar empreiteiras acabaram sob sua coordenação. Loyo elaborava editais. Loyo tocava obras, obras de milhões de reais. Loyo ouvia o pleito de empreiteiros. Loyo recebia lobistas. Loyo, com tanto assédio, era mais solicitado do que o próprio presidente Carlos Wilson, mas ninguém estava se enganando de endereço. O amigão Wilson lhe deu poderes luminosos. Loyo fazia mais. Há suspeitas de que chegou a se reunir com empreiteiras, dividir obras pelo país afora e só depois lançar edital de licitação. Certa vez, o acerto teria incomodado uma empreiteira, que ameaçou pôr a boca no trombone, mas, depois de pegar umas obrinhas, teria se esquecido da indignação. O certo é que a faina de Loyo deixou um tal rastilho de pólvora dentro da Infraero que o atual presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, o chamou para uma conversa. Queria saber se os "boatos" eram verdadeiros. Loyo disse que era tudo intriga.
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"Meu trabalho era técnico, porque não entendia nada de aeroportos", diz ele. "Nunca criei dificuldades e nunca pedi nada a ninguém." E por que então fazia até mudanças em editais de licitações? Ele diz que era só para facilitar a formação de consórcios. Os serviços de Loyo são velhos conhecidos de Carlos Wilson. No governo passado, Wilson, que ainda não havia trocado o PSDB pelo PT, indicou Loyo para chefiar o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes, em Pernambuco. Loyo aceitou, embora o órgão sempre tenha sido um antro de corrupção. Antes de ingressar no mundo estatal, Loyo foi um empreiteiro de bom porte em Pernambuco. Sua empresa quebrou na década de 80. "Fechei as portas quando percebi que as coisas não andavam sem corrupção", diz ele. É uma explicação interessante. Deixou a iniciativa privada enojado com a corrupção e foi trabalhar num dos órgãos mais corrompidos do serviço público federal. Uma hora ainda poderá ser acusado de separar o Loyo do trigo.

Corrupção: um servidor público em cada cinco

Fausto Macedo, Estadão

Desde 2003, 1.001 funcionários foram detidos pela PF, incluindo juízes, chefes de Executivos e parlamentares

De cada 5 presos que a Polícia Federal enquadra por corrupção, peculato e fraude contra o Tesouro pelo menos um é servidor público. Mapeamento oficial revela que desde 2003 até a Operação Navalha a PF colocou atrás das grades 1.001 funcionários dos três níveis da administração.
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A devassa, que no início cercou patentes menos graduadas do funcionalismo, chegou ao topo das instituições com a prisão até de magistrados. Ministros, deputados, senadores e chefes do Executivo são alvos da investigação em série. Estão incluídos na lista 73 agentes, escrivães e delegados federais. A direção da PF diz não hesitar quando tem que 'cortar a própria carne'.
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Foram 335 operações, que varreram o País em busca de documentos contra autoridades supostamente ligadas a organizações criminosas. Os federais já apanharam 5.682 pessoas. São efetivos ou comissionados os servidores a quem a PF imputa a prática de atos ilícitos. Muitos ocupam cargos estratégicos da administração, que alcançaram por indicação política.
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Juristas, policiais, ministros dos tribunais superiores e advogados argumentam que o crime organizado se infiltrou na máquina pública de forma legal, por concurso ou pelo critério do apadrinhamento político.
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Servidores corrompidos detêm informações privilegiadas e, não raramente, a chave do cofre. Como ordenadores de despesas, sustenta a PF, manipulam processos de concorrência e liberam pagamentos superfaturados.
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'Há no serviço público, como em qualquer outro setor, pessoas não vocacionadas, porque quem abraça o cargo deve saber que a administração não é para enriquecer ninguém', diz o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). 'Não podemos presumir que tudo tenha ocorrido somente agora. Não podemos ser ingênuos de admitir que no passado não houve falcatruas. A diferença é que agora está em ação o setor de inteligência da Polícia Federal, tudo vem à tona.'
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O ministro fez um alerta. 'Precisamos caminhar com segurança jurídica, sem a busca do justiçamento. Vamos aguardar sem atropelo e sem açodamento a comprovação dos fatos pelo Ministério Público. O Brasil precisa é de homens que observem as leis existentes, que saibam que se houver transgressão ocorrerá punição.'
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'A oportunidade faz o bandido', assinala Lucas Rocha Furtado, procurador-geral do Tribunal de Contas da União (TCU). 'Sempre houve oportunidades. A Lei de Licitações, por exemplo, favorece e incentiva conluios porque é procedimento muito demorado, cheio de etapas e que dá muito poder ao servidor. É difícil supor que na grande maioria das contratações públicas não haja conluio para as empresas dividirem o mercado.'
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RegrasO criminalista Luiz Flávio Gomes diz que 'corrupção no funcionalismo sempre houve'. Para ele, que é juiz aposentado, a impunidade e a sensação de que nunca vai acontecer nada estimula o peculato. 'Há uma quebra das regras morais, no fundo o servidor sempre se julgou impune. Principalmente o servidor de cargo comissionado. Ele sabe que a passagem dele pelo cargo é transitória.'Gomes condena o processo eleitoral e político. 'Leva à corrupção na medida em que só dá ajuda financeira aquele que busca benefício. O processo é viciado. A ocupação de cargos públicos, esse partilhamento partidário de cargos é vergonhoso. A prisão de desembargadores é fato bom porque vai limpando, depurando o serviço público.'
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Mário Bonsaglia, procurador regional eleitoral em São Paulo, prega a restrição das hipóteses do foro privilegiado como importante instrumento de combate à corrupção no serviço público. 'Algumas barreiras jurídicas existem com relação ao ingresso no funcionalismo, mas se pessoas envolvidas com organizações criminosas não têm antecedentes criminais não há como impedi-las de entrar por concurso ou ocupar cargo em comissão.'
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Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo, disse que 'o pior está por vir'. Segundo sua avaliação, o próximo passo da devassa será na área da segurança pública. 'Não estou me referindo à PF, que já age com extremo rigor internamente.' Para ele, grandes esquemas de corrupção são tramados fora das repartições públicas. 'Golpistas armam tudo e depois partem para a cooptação do funcionário público mal remunerado. Aí não pára mais.'

TOQUEDEPRIMA...

Guincho leva carro, vaca e professor para a delegacia no interior de SP
Agência Estado
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Guinchado pelo veículo do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Astra do professor Bolívar Mingoni Filho, de 47 anos, da rede de ensino estadual de São Joaquim da Barra - a 384 km de São Paulo, na região de Ribeirão Preto - chegou no final da noite de sexta (18) ao Plantão Policial de Franca para registrar um boletim de ocorrência de acidente em estrada.
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Seria uma ocorrência corriqueira, não fosse a cena curiosa: uma vaca morta, com as patas para cima, sobre o porta-malas do Astra. Mingoni Filho até já sorria após o susto que levou. Por volta de 20h45, ele voltava de Franca para São Joaquim da Barra, quando viu alguns bovinos no km 43 da Rodovia Fábio Talarico. Ele conseguiu diminuir a velocidade do carro e desviar de dois animais, mas atropelou o terceiro.
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Com o impacto, a vaca deslizou sobre o carro e parou sobre o porta-malas. Morreu em seguida. O motorista só ficou ferido numa das mãos.
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O boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Civil deverá investigar quem é o dono da vaca.

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Um apoio à pirataria

Mauro Braga, Tribuna da Imprensa

A indústria elétrica e de eletroeletrônicos está preocupada com a proposta do governo brasileiro de criar um regime especial simplificado para importadores de produtos do Paraguai, que atuam na informalidade. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, acredita que a idéia pode desestimular investimentos no Brasil. Para ele, seria a criação de descaminhos para regularizar uma situação absolutamente contrária aos interesses da indústria.

"Estaremos exportando empregos", observa o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Sérgio Loeb.

O risco de uma proposta para simplificar a importação do Paraguai é que se facilite e amplie a entrada de produtos ilegais no País, devido ao fato do Brasil não contar com uma fiscalização eficiente, assinala Loeb. Ele lembra que esses produtos não são fabricados no Paraguai, mas são importados de terceiros países e caracterizados pela falsidade de marcas e pirataria. Embora considere positiva a preocupação do governo, acha que a saída está em encontrar soluções para a fragilidade da fiscalização na fronteira.
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Aleluia propõe limite de formação de blocos na Câmara

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) é autor do projeto de lei que impede os partidos de participar de dois ou mais blocos em uma mesma legislatura. A proposta altera o regimento interno da Câmara dos Deputados, que atualmente proíbe somente para a mesma sessão legislativa.
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Segundo o texto, a legenda que integra bloco parlamentar dissolvido, ou que dele se desvincular, não poderá constituir ou integrar novo bloco na mesma legislatura. “A iniciativa fortalece o princípio da ética, tão reclamado nos últimos tempos”, disse Aleluia.
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O projeto já está tramitando em regime de urgência, porém ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara antes de ser votado em plenário.

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Presidente inaugura ferrovia e usina em Tocantins
As informações são da Agência Brasil.
(Redação - InvestNews)


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje ,em Araguaína (TO), um trecho de 153 quilômetros da ferrovia Norte-Sul, que liga a cidade a Aguiarnópolis, no mesmo estado.

A obra integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e teve recursos de R$ 458 milhões.

O governo federal prevê investimento de cerca de R$ 2,5 bilhões no projeto, que vai interligar as regiões Norte e Nordeste ao Sul e Sudeste do país, por meio de conexões com 5 mil quilômetros de ferrovias privadas. A construção é realizada pela empresa Valec - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, vinculada ao Ministério dos Transportes.

O presidente ainda participa da inauguração da usina de biodiesel da Brasil Ecodieselsegue, em Porto Nacional, também no estado de Tocantins.

Com capacidade de produção de 108 milhões de litros por ano, esta é uma das três maiores usinas de biodiesel do país, ao lado de Crateús (CE) e Iraquara (BA), que também pertencem à empresa. A usina de Porto Nacional usará mamona, soja e girassol como principais matérias-primas para a produção do biocombustível.

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Navalha: inquérito pode subir do STJ ao STF

O escândalo investigação na Operação Navalha, da Polícia Federal, poderá ser transferido do Superior Tribunal de Justiça para o Supremo Tribunal Federal, caso se confirmem as suspeitas de envolvimento de congresistas e de ministros. Deputados federais e senadores e ministros têm direito a foro privilegiado, ou seja, o STF. O caso estava circunscrito ao STJ porque a principal autoridade investigada era um governador, Jackson Lago (PSB), do Maranhão. A ministra Eliana Calmon, do STJ, que determinou a prisão dos suspeitos, avisou à PF que eles serão soltos à medida em que prestarem seus depoimentos.

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Itaipu: o recuo de Lula

O presidente Lula não esperava o vazamento da proposta de compra da parte paraguaia na hidrelétrica de Itaipu, revelada aqui, nem a forte reação no país vizinho. Ele já não falava em outra coisa, a ministros mais íntimos, inclusive sobre os detalhes da sua proposta. A reação o fez recuar. Ontem, o presidente contou uma lorota: disse que apenas tem "insistido" para empresários brasileiros investirem na matriz energética do Paraguai.

Além de abrir negociações com o paraguaio Nicanor Duarte, Lula confiou ao ex-ministro Luiz Furlan a missão sigilosa de ir a Assunção tratar do assunto.

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PT quer normas para a cobertura das eleições
O Globo

"Primeiro foram o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), e o assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia. Agora foi o deputado Carlos Zaratini (PT-SP) quem ocupou a tribuna da Câmara para defender a adoção de regras para reduzir a influência da imprensa nas eleições. O discurso não é novo no partido, onde parcela considerável dos militantes trata a imprensa como inimigo. A novidade é que os petistas falam da elaboração de um conjunto de normas para determinar como deve ser a cobertura das eleições pela mídia.

Os dirigentes do PT afirmam que, depois das recentes eleições presidenciais, não podem mais ficar indiferentes ao papel e à influência da mídia.

— É preciso reduzir o poder de manipulação da mídia. A cobertura das candidaturas deve ser equilibrada, como ocorre hoje na televisão. É bom para o país e para a democracia que o noticiário seja equilibrado na imprensa nacional e, sobretudo, na regional — disse Zaratini."

TOQUEDEEPRIMA...

Receita arrecada R$ 37 bilhões em abril
Fernando Nakagawa

A arrecadação do governo federal bateu um recorde histórico em abril, divulgou ontem a nova Receita Federal do Brasil. O ingresso em impostos e contribuições somou R$ 37,071 bilhões. Descontada a inflação, o valor é 12,64% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Destaque para o forte crescimento dos impostos ligados à importação, que avançam em ritmo duas vezes maior que a média. No ano, a Receita já arrecadou R$ 136,219 bilhões, cifra 11,48% superior à registrada entre janeiro e abril de 2006.

Na primeira divulgação unificada dos números do Fisco, a tendência de aumento da arrecadação prevaleceu. O principal destaque continua com a elevação do Imposto sobre Importação, de 26,86%, para R$ 898 milhões em abril. Em igual trajetória, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ligado à importação teve expansão de 30,05%, para R$ 568 milhões.

A expansão da arrecadação desses dois impostos, segundo o secretário-adjunto da Receita, Carlos Alberto Barreto, é explicada pela entrada cada vez maior de produtos importados, movimento incentivado pela baixa do dólar. Ele lembra que a moeda americana sofreu desvalorização de 4,57% em abril.

A arrecadação com Imposto de Renda cresceu 13,58% e somou R$ 15,144 bilhões. O aumento foi liderado pelas empresas, com expansão de 15,02%, enquanto a de pessoas físicas cresceu 14,31%.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É incrível como, mesmo diante de recordes e mais recordes na arrecadação de impostos, a gente ainda precisa ouvir justificativas do tipo “o governo não pode abrir mão de suas receitas” quando se cobra redução na carga tributária. Há espaço, há necessidade e a redução é uma das imposições indispensáveis para permitir que o país possa crescer de forma robusta. Mas qual, nossos gigolôs não abrem mão de jeito nenhum de seus privilégios espúrios. O governo não pode abrir mão do seu desperdício. E o país que se dane!!!

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Calheiros não vê necessidade de CPI das ONGs

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira que não vê “sentido” na criação da CPI das ONGs (Organizações Não-Governamentais) na Casa. Segundo ele, os líderes dos partidos acreditam que a Comissão não é uma prioridade do Senado neste momento. No entanto, Renan prometeu reuni-los para discutir as indicações dos integrantes da CPI.O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), autor do requerimento de criação da CPI, acusou a base aliada de atrasar o início das investigações. Ele disse que vem lutando por ela desde o fim do ano passado. Fortes também pede a suspensão do início da CPI do Apagão Aéreo até que a comissão que vai analisar as ONGs se inicie. O líder do DEM, Agripino Maia (RN), admitiu que o partido adotou uma estratégia equivocada ao não negociar com a base aliada prazos para a indicação de nomes.
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O objetivo da CPI é investigar repasses de dinheiro público a ONGs. A oposição suspeita que o governo favoreceu ilegalmente organizações ligadas ao PT durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

COMENTANDO A NOTÍCIA: De quê afinal Renan Calheiros tem medo? Que alguém descubra alguma ligação dele com algumas das dezenas de ONG’s apontadas nos relatórios do Tribunal de Contas da União por atividades prá lá de suspeitas, ou estaria a serviço de outro grupo parlamentar semelhante em ligações e muito mais na prática desonestas de partilhamento de verbas públicas ? Esta CPI está já com anos-luz de atraso, já era para ter acontecido e mandado todas as investigações para a justiça punir esta farra que é cometida pelo governo Lula desde 2003, para comprar a consciência de instituições da sociedade civil para que estas se calem diante do desgoverno que Lula tem comandado ! A nossa “Alice no País das Maravilhas” precisa aprender a respeitar as oposições. Fizessem elas como já disse, 10% da guerrilha que Lula patrocinou por mais de 25 anos, e ele estaria expulso da vida pública. O país está cansado desta ladroeira sem freio, desta impunidade vergonhosa e sem limites da classe política, desta exploração degradante que condena o país ao atraso, à miséria e à mediocridade.

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PR: trabalhadores rurais criticam biocombustíveis
Redação Terra

Durante debate em Curitiba, movimentos de trabalhadores rurais condenaram o incentivo à produção de biocombustíveis e atacaram o presidente Lula pela lentidão da reforma agrária.

Segundo o jornal A Folha de S.Paulo, João Pedro Stedile, do MST, disse que o movimento será obrigado a mudar radicalmente as formas de pressão. Para Stedile o inimigo aumentou. "Não é mais o fazendeiro, o pecuarista atrasado", mas as grandes empresas ligadas a biocombustíveis."

As invasões a fazendas improdutivas vão prosseguir por uma mera questão de "sobrevivência" do MST: "Se o inimigo é mais forte, temos de aumentar a nossa organização. Aumentar o nosso número de tanques, e não aumentar a radicalidade do discurso".

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Pesquisa mostra impactos do Bolsa Família
Agência Brasil

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) apresenta hoje, em Brasília, os primeiros resultados da pesquisa que avaliou os impactos do programa Bolsa Família sobre gasto domiciliar, educação e trabalho. Será às 10h no Bloco A da Esplanada dos Ministérios.

De acordo com o MDS, a pesquisa foi feita junto a 15.240 famílias, em 269 municípios de 24 estados. O levantamento foi encomendado pelo ministério ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar-UFMG).

O programa beneficia 11 milhões de famílias, com investimento mensal de R$ 694,5 milhões.

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Banco do Brasil lucra R$ 1,4 bilhão, 40% menos
Folha de S.Paulo

"Diferentemente do que aconteceu com as instituições financeiras de grande porte que já divulgaram balanços neste começo de ano, o lucro do Banco do Brasil sofreu uma forte queda no primeiro trimestre: entre janeiro e março, os ganhos apurados pelo BB somaram R$ 1,4 bilhão, valor 40% menor do que o apurado no mesmo período de 2006.

O vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, diz que a queda foi normal e reflete procedimentos contábeis que inflaram, artificialmente, os resultados do banco no primeiro trimestre de 2006.

Os números divulgados ontem também foram bem recebidos pelo mercado, e as ações do BB encerraram o pregão entre as maiores altas da Bolsa. Ainda assim, o resultado ficou atrás dos de seus principais concorrentes: Itaú e Bradesco lucraram R$ 1,9 bilhão e R$ 1,7 bilhão, respectivamente.

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As cartilhas do Gushiken
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Depois de sido multado em 30 000 reais pelo TCU, por conta de irregularidades nos contratos de publicidade da Secom, o ex-ministro Luiz Gushiken verá terminar em breve o "caso das cartilhas" - em que há suspeitas de que dois milhões de folhetos sobre realizações do governo não tenham sido confeccionados, embora pagos com dinheiro público. Mas, ao contrário do que ocorreu no julgamento dos contratos de publicidade, a expectativa no TCU é que Gushiken seja absolvido.
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Ainda este mês, o processo será encaminhado pela auditoria do TCU ao ministro Ubiratan Aguiar.

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Brasil 2007, o país do "nunca antes"

Fritz Utzeri, jornalista, Jornal do Brasil

O Brasil do Molusco é um país quase perfeito, com uma saúde quase perfeita, governado por um presidente que está quase atingindo a perfeição. Além disso, caracteriza-se por feitos constantes e repetidos que "nunca antes neste país", foram vistos. Temos hoje "o melhor programa social do mundo" (o Bolsa Família), e programas ousados como o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e o da educação, que vão levar o Brasil para o primeiro mundo.

Os escandinavos morrem de inveja, ainda mais se considerarmos que temos moeda forte que vai humilhando o pobre dólar e chovem investimentos estrangeiros no país, ainda mais quando o "Risco Brasil" cai a níveis recordes. Então como explicar a grita dos industriais e a fuga de muitas empresas para o exterior? Esse fenômeno que os europeus chamam de "relocação" é cada vez mais comum em países do primeiro mundo, onde as regras que regem o trabalho são muito rígidas, sem contar impostos, os salários e vantagens dos trabalhadores e a força dos sindicatos.

Esses fatores têm levado muitas empresas a deixar seus países em busca de "paraísos" com pouca ou nenhuma regulamentação do trabalho, salários baixos, sem sindicatos e com encargos sociais leves: a China, por exemplo, que hoje abriga indústrias brasileiras do setor calçadista, têxtil e de eletroeletrônicos.

O câmbio abaixo dos R$ 2 nos dá uma sensação de riqueza e os brasileiros começarão de novo a encher os aviões para Orlando, Miami e passar férias em Buenos Aires. Os importados ficam mais baratos e os industriais reclamando, pois com a moeda valorizada fica difícil competir lá fora, somando moeda valorizada e altos impostos.

A enxurrada de dólares que entra hoje no Brasil tem a ver com o Risco Brasil sim, mas pouco a ver com produtividade, indústria e empregos. O verdadeiro Risco Brasil não tem diminuído e não passa semana no Rio sem que pelo menos duas pessoas não morram ou sejam feridas por balas perdidas. O outro, o índice das agências que atribuem risco, como a Standard & Poor's (curiosamente Poor's, em inglês, é "dos pobres") só diz respeito aos especuladores e avalia o risco daqueles que buscam lucro fácil.

Com a taxa de juros em queda - mas ainda elevada em relação ao resto do mundo e apesar das promessas de Meirelles ao Molusco de baixá-las 0,5% na próxima reunião do Copom - aplicar especulativamente no Brasil ainda é um verdadeiro negócio da China.

Para um efetivo desenvolvimento, o Brasil precisa trocar a natureza do capital que nos procura. Restringir a entrada do "capital motel", que não traz um só emprego e sangra o nosso país a longo prazo e facilitar a entrada de capitais produtivos, oferecendo incentivos, juros menores e padrões fiscais mais razoáveis. Aí será possível crescer e acompanhar o ritmo da atual economia mundial e não ficar disputando com o Haiti a rabeira do crescimento em nosso continente.

Uma coisa Luiz Inácio tem: sorte. Os últimos 10 anos da economia mundial conheceram uma expansão e ausência de crises notáveis, apesar da guerra no Iraque e da insegurança do terrorismo. Quem aproveitou cresceu muito nestes últimos anos. Nós, ao contrário, parecemos estar conformados com a adoção da mediocridade como norma. Criamos expectativas ridiculamente baixas para o nosso potencial (como a de estimar que se o governo cumprir 60% do PAC, já estará "de bom tamanho") e alardeamos estar no melhor país do mundo, o país do "nunca antes"...

Operação Gilete: Vai nos dois lados

Tales Faria, Informe JB

Quando se fala em corrupção no Brasil, é como se estivéssemos dentro de uma sala de espelhos, com um lado refletindo o outro infinitamente. Não dá para saber de qual lado da sala está a imagem real e de que lado, a imagem virtual. Quem imita quem?

A Operação Navalha, por exemplo, está sendo chamada pelos políticos de Operação Gilete: Corta dos dois lados. Atinge gente do governo e da oposição nos Estados e municípios.

Pegou o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB), arquiinimigo da família Sarney. Mas pegou também assessores do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, apadrinhado do ex-presidente José Sarney.
O caso mais curioso foi em Sergipe. Em fevereiro, o então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Alberto Sobral de Souza, anunciou que fez uma auditoria no órgão.

Entre as irregularidades que diz ter encontrado na administração de seu antecessor, Hildergards Azevedo, acusou o superfaturamento na compra de computadores e diversos pagamentos antecipados sem a entrega posterior da mercadoria.

Péssimo exemplo para um órgão que tem a missão de fiscalizar e dar parecer sobre as contas dos gestores públicos. Daí que foi nomeado para dirimir o caso outro conselheiro do TCE, Flávio Conceição.

Pois bem, estourou ontem a Operação Navalha, a tal que bem poderia chamar-se Operação Gilete. E quem foi detido logo de manhãzinha pela Polícia Federal em Aracaju? Flávio Conceição. O homem que iria decidir se houve ou não corrupção no TCE!

O conselheiro, que diz ter passado por uma cirurgia cardíaca na semana passada, já foi chefe da Casa Civil do governador anterior, João Alves Filho. É acusado de servir como elo de ligação entre o governo do Estado e a empreiteira Gautama, pivô das falcatruas.

Agora, imagine o Tribunal de Contas de Sergipe como aquela sala de espelhos. De que lado está a corrupção real e a virtual? O bandido e o inocente? O juiz e o acusado? Difícil saber.

Agora vai!
A sinalização, dada pelo presidente Lula em reunião, quarta-feira, no Palácio com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, de que o ex-prefeito do Rio Luis Paulo Conde será, enfim, nomeado para a presidência de Furnas Centrais Elétricas, não poderia ter sido feita em melhor hora. Esta semana, o PMDB fluminense designou como relator da proposta de emenda constitucional da CPMF/DRU, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal padrinho de Conde. Agora, na avaliação dos peemedebistas, não tem outra opção: ou essa nomeação sai, ou sai.

Vai mesmo?
Depois do encontro de Michel Temer com o presidente Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi prestigiar a festa de aniversário do senador petista Aloizio Mercadante. Renan estava irritadíssimo com o fato de o PMDB da Câmara ter arrancado de Lula a promessa de nomear todos os oito cargos de segundo escalão que os deputados do partido indicaram e que ainda não foram aceitos. Tão irritado que começou a dizer cobras e lagartos da relação do Palácio do Planalto com os senadores peemedebistas: "O governo aprontou mais uma com a gente. Entregou-se à chantagem dos deputados".

Sei lá!
A líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), também estava irritada com o fato de os deputados do partido terem vencido a queda-de-braço com os senadores pelos cargos do segundo escalão. Mas achou Renan tão "fora de si" que foi correndo ao Palácio do Planalto pedir a Lula para jogar água na fervura. Lula teria prometido segurar novamente os cargos dos deputados. Mas nem Roseana nem Renan nem o velho José Sarney, a esta altura, sabem se os deputados vão conseguir ou não fazer suas nomeações.

Ratos vencem Leão
Ontem, a entrevista mensal sobre a arrecadação da Receita Federal foi interrompida pelo barulho de ratos correndo sobre o forro da sala do órgão em Brasília. "Os leões do Imposto de Renda não pegam ratos, não? Vocês precisam é de uns gatos", disparou um dos repórteres presentes.

Janene
Uma ação trabalhista na 5 ª Vara do Trabalho de Londrina (PR) bloqueou R$ 45 mil na conta do Banco do Brasil do ex-deputado José Janene (PP). É referente a um processo movido por um ex-funcionário da EletroJan , empresa que tinha como procuradora a filha do ex-deputado, Michelle Janene. Janene alega que o dinheiro no banco era da aposentadoria. Mas o juiz do trabalho não está querendo liberar.

Boa idéia
O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) está usando a cota de senador para impressão na gráfica de maneira inteligente. Ao invés dos volumosos tomos com discursos e mais discursos, Mesquita está imprimindo os clássicos da literatura brasileira que já estão sob domínio público para distribuir entre alunos carentes. A primeira edição foi de Escrava Isaura , de Berardo Guimarães.

Falta do que fazer
As mulheres que trabalham na Secretaria da Mesa Diretora do Senado - e não são poucas - estão em polvorosa com uma competição organizada por elas este mês. Até dia 8 de junho, quem mais perder peso leva um prêmio de R$ 800. Ontem, a recepcionista era toda sorrisos ao telefone com uma interlocutora. Revelou que já perdeu 12 quilos em duas semanas, e lidera o ranking. O segundo lugar ganha R$ 300, e o terceiro, R$ 100. Há quem já pense em instalar uma balança provisória na sala, anexa ao gabinete de Renan Calheiros.

Rumo ao chavismo

Por Diogo Mainardi, na Revista VEJA
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Acusei Lula de reintroduzir a censura prévia no Brasil. Eu sei que ninguém mais se incomoda com ele. Eu sei que o antilulismo ficou datado. Mas Lula tem um plano de longo prazo. O risco é termos de aturar o lulismo para sempre.
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A censura prévia está sendo reintroduzida por meio da Portaria 264. O artigo 4° determina que os programas de TV, antes de ir ao ar, devem ser vistoriados e autorizados pelo Ministério da Justiça. Mas há algo ainda pior do que isso. Algo que espantosamente parece ter passado despercebido. O artigo 5° da mesma portaria estabelece as bases para a censura dos programas jornalísticos. Trata-se do maior atentado de Lula à liberdade de informação. Se no futuro ele quiser censurar o Jornal Nacional ou o Fantástico, a Portaria 264 lhe dará o instrumento legal.
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É melhor ir aos poucos, de frase em frase, para que o AI-5 lulista fique bem caracterizado. O artigo 5° estipula que os programas jornalísticos estão isentos da classificação indicativa. As emissoras de TV não terão de pedir autorização prévia do governo para transmitir seus noticiários, contrariamente ao que acontecerá com os programas de entretenimento. Até aí tudo certo. O autoritarismo do governo só se manifesta mais adiante, no parágrafo 2°, que diz: "A não atribuição de classificação indicativa aos programas de que trata este artigo" -- e, repito, o artigo 5° inclui os programas jornalísticos -- "não isenta o responsável pelos abusos cometidos, cabendo ao Departamento de Justiça e Classificação encaminhar seu parecer aos órgãos competentes".
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O significado desse parágrafo é claro: os telejornais estão livres da classificação indicativa, mas terão de se submeter às mesmas regras censórias dos demais programas. Como nos tempos da ditadura militar, o noticiário será fiscalizado e eventualmente punido pelo governo. Quando se trata de Lula, eu sempre penso o pior. Se os telejornais sofrerem as mesmas restrições dos outros programas, como manda o artigo 5° da Portaria 264, a criminalidade, que todas as pesquisas apontam como o maior problema do país, será devidamente acobertada. Em caso de tiroteio numa favela, o Jornal Nacional só poderá mostrar aquilo que uma criança de 6 anos está apta a ver. Lula quer que a TV apresente uma realidade edulcorada, em que a violência não apareça em toda a sua brutalidade. O ideal lulista é um noticiário infantilizado, para menores de idade. Não podendo impedir o derramamento de sangue causado pelos criminosos, Lula impedirá que a TV mostre todo esse sangue.
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O diretor do Departamento de Justiça e Classificação, José Eduardo Romão, é o grande defensor da Portaria 264. Na semana passada, irritado com as emissoras de TV, ele ameaçou "mudar o nível" do ataque do governo. Declarou numa entrevista que, a partir de agora, "passará a discutir a questão das concessões de rádio e televisão". As emissoras, segundo ele, falam "como se fossem indivíduos privados titulares de direitos à liberdade de expressão, mas não o são. São titulares de concessões dadas pelo estado brasileiro". Isso mesmo: o Ministério da Justiça lulista está dizendo que a liberdade de expressão não se aplica às TVs. É um passo seguro rumo ao chavismo.

ENQUANTO ISSO...

A REPÚBLICA DOS PARENTES

Primeiro Tempo: ANTES DA ELEIÇÃO
De O Estado de S.Paulo

"Em entrevistas a rádios do Maranhão, o governador Jackson Lago (PDT) acusou o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) de ser responsável pelo envolvimento de seu nome entre os investigados da Operação Navalha. No ano passado, ele se elegeu derrotando a senadora Roseana Sarney (PMDB).

'A oligarquia não se conforma. Todas as trapaças que ocorreram no Maranhão, nos últimos 40 anos, eles estão no meio. Foram eles que se misturaram com essa gente, e agora tentam colocar meu nome na podridão, no lamaçal em que se meteram.' Lago disse que as tentativas do clã Sarney de desmoralizá-lo são antigas."

ENQUANTO ISSO...

Segundo tempo: DEPOIS DE ELEITO
De O Estado de S.Paulo

"Quatro meses depois de tomar posse, o governador do Maranhão, Jackson Kepler Lago (PDT), montou a maior rede de nepotismo em administrações estaduais do País. O listão de parentes e contraparentes nomeados por Lago para cargos públicos já chega a 23 pessoas - entre elas dois irmãos, quatro sobrinhos, três primos e um genro. Nomeada secretária particular do governador, a primeira-dama Maria Clay Moreira Lago abriga no governo dois irmãos, seis sobrinhos e dois primos. E, primo do governador e chefe da Casa Civil, Aderson Lago pendurou nos cofres maranhenses pelo menos dois sobrinhos.

A República dos Lago é a linhagem de nepotismo de maior extensão de que se tem notícia no Brasil. Conta com mais que o dobro dos parentes empregados nos dois Estados concorrentes. No Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) emprega seis familiares. No Pará, a petista Ana Júlia Carepa (PT) nomeou sete. ".

COMENTANDO A NOTÍCIA: É preciso acrescentar alguma coisa? Entendo que não, os fatos falam por si mesmos.

O tempo corre contra o Brasil

Editorial Jornal do Brasil

É cada vez mais preocupante a indisfarçável má-vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tocar adiante as reformas de que o país tanto precisa. Enquanto tenta contornar o debate em torno de mudanças urgentes no sufocante regime tributário, no confuso setor previdenciário e no arcaico sistema político, Lula evita, com dribles retóricos, atacar a questão igualmente inadiável da reforma trabalhista.

Compreensivelmente, a modernização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) enfrenta fortes resistências corporativas e ideológicas. Viciados em garantias hoje desprovidas de justificativas, dirigentes sindicais não enxergam o óbvio: a maior interessada na reforma trabalhista é a própria classe trabalhadora brasileira. Só um ambiente competitivo permitirá o desenvolvimento econômico e a multiplicação de novos postos de trabalho.

Além de envelhecida, a legislação emperra a vida das empresas e onera o custo industrial. O custo da geração de empregos no Brasil é incompatível com o tamanho da renda nacional. Um dos efeitos maléficos desta grave distorção é o crescimento do mercado de trabalho informal, observado com clareza na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE. Entre 1992 e 2002, o número de trabalhadores sem carteira assinada passou de 15,2% para 17,7% da população ocupada. No mesmo período, o grupo de trabalhadores por conta própria (subempregados escondidos na rubrica de "autônomos") subiu de 16,7% para 18,3% do universo total.

Tais números, conjugados com a manutenção dos níveis elevados de desemprego, evidenciam com especial clareza que o país está pagando muito caro pelo adiamento da reforma trabalhista - protelada pelo governo Fernando Henrique Cardoso e sucessivamente adiada por Lula desde o início do primeiro mandato.

O investimento em cada trabalhador com carteira assinada é brutal para quaisquer empresas, especialmente as pequenas e médias. Soma quase 50% a mais do que o salário pago ao empregado. Num terreno que o mundo globalizado tornou ainda mais movediço, o custo do emprego põe o Brasil em desigualdade diante dos concorrentes. E impõe ao trabalhador a informalidade.
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Apesar desse quadro, xiitas sindicais empenham-se para preservar a legislação originada nos anos 40 do século passado. É fácil entender o que mobiliza os dirigentes sindicais. A legislação, a partir da Constituição de 1988, pôs fim ao instituto da unicidade e levou às raias do absurdo a facilidade para se criar entidades de classe.

Hoje, existem no Brasil mais de 18 mil sindicatos, criados à média de 600 por ano. Graças a contribuições compulsórias de trabalhadores e empresas, milhares de pessoas vivem às custas de entidades laborais e patronais, que não servem para nada de efetivamente útil.

Sob o peso desta estrutura arcaica e distorcida, é muito difícil gerar empregos - e bem mais complicado aumentar a competitividade da economia. Isso prejudica a decolagem do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Brasil não pode perder tempo. A legislação trabalhista em vigor contribui para a queda nos níveis de emprego e renda. O que é mais importante: manter regalias irreais (além de prejudiciais à competitividade da indústria), ou atualizar a lei em nome do emprego e da renda? A resposta é tão óbvia quanto urgente.

Criminosos sem castigo

Augusto Nunes, Jornal do Brasil
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Se alguém for para a cadeia a bordo de denúncias de alta voltagem, algo de grave ocorrerá. Ou ao denunciado, que terá de pagar por crimes desvendados no curso de investigações policiais, ou ao denunciante, que terá de pagar pelo pecado da acusação sem fundamento. É assim nos seriados da TV e no cotidiano dos EUA. Porque assim deve ser, na realidade ou na ficção, em países que cumprem a lei.
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Não é assim no Brasil. Nem poderia ser diferente neste delírio tropical razoavelmente distanciado das cavernas mas ainda tão longe dos tempos modernos, nesta geléia geral situada num ponto imaginário em que o fictício e o real se fundem e confundem. Nos últimos anos, como vive festejando o governo, a Polícia Federal mandou centenas de acusados para a cadeia. Raríssimos continuam por lá.
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Como os acusadores seguem em liberdade, deve-se deduzir que não faltou consistência às denúncias. Nem faltaram culpas no cartório. O que faltou foi vontade, meios e coragem para punir exemplarmente qualquer bandido. E a impunidade prevaleceu.
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É estimulante constatar, como informam as operações ultimamente promovidas em ritmo de Fórmula-1, que a polícia aprendeu a engaiolar também figurões. É penoso verificar que nenhum fica muito tempo na cela. É particularmente perturbador saber que raríssimos serão condenados.
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Os juízes capturados no clímax da Operação Furacão, por exemplo, foram libertados duas vezes em menos de um mês. Primeiro, saíram da cadeia. Depois saíram das páginas policiais, invadidas por delinqüências mais frescas. Alguns voltaram voluntariamente - para acusar a imprensa.
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Nesta semana, catres e espaços jornalísticos foram ocupados pelos integrantes da quadrilha desbaratada pela Operação Navalha. O olho do furacão exibiu desembargadores, advogados e contraventores bilionários. O fio da lâmina ronda gargantas que abrilhantaram muito comício.
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Autonomeado diretor de elenco, o empresário paraibano Zuleido Soares Veras, dono da construtora Gautama, colocou em cena um cast de primeira. Para favorecer a empresa com licitações fraudulentas, e transformar em cenas do crime os canteiros de obras prometidos pelo PAC, foram subornados governadores de Estado, medalhões federais, prefeitos de cidades de bom tamanho, filhos e sobrinhos de mandarins regionais.
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As descobertas policiais avisam que a vitória do pedetista Jackson Lago na disputa pelo comando político do Maranhão formalizou não o triunfo de uma aliança multipartidária mas o sucesso de um bando liderado pelo ex-governador José Reinaldo Tavares. O cacique foi preso. Como os parceiros, desfrutará em casa do feriadão de Corpus Christi.
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A polícia prende, a Justiça solta e demora a tratar do caso. Quando julga, raramente condena. Quando condena, favorece a redução da pena. Enquanto for assim, o Brasil estará fora do primeiro mundo. Ali só entram países que decretaram o fim da impunidade. Há crimes. Mas também castigo.

Cabôco Perguntadô
O ministro Paulo Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça, acha que devem ser transferidos para o Rio 12 líderes de quadrilhas cariocas engaiolados no presídio federal de Catanduvas. A alegação do doutor - condenados devem cumprir penas perto da família - deixou o Cabôco intrigado: se só podem ficar presos por lá bandidos com parentes no interior do Paraná, por que a Justiça não embargou a construção da cadeia de segurança máxima? Bastaria uma delegacia vigiada por guardas municipais.

A inventora de cidades
Marta Suplicy teve a grande idéia: construir no ABC paulista uma "Cidade do Automóvel". Lula gostou tanto que se apressou a sugerir a localização do parque temático para pilotos mirins: São Bernardo do Campo, onde tudo começou.Enquanto a ministra do Turismo e o presidente da República jogam conversa fora inventando viagens de brinquedo, multidões de viajantes de verdade perdem tempo, dinheiro e a paciência em aeroportos conflagrados e estradas intransitáveis.
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CPI subverte plano de vôo
Durante a passagem do deputado Carlos Wilson (PT-PE) pela presidência da empresa, a roubalheira comeu solta nos territórios administrados pela Infraero. Da transformação de saguões de aeroportos em shopping centers a reformas mambembes nas pistas, raríssimas obras escaparam do superfaturamento - promovido por empreiteiras que seguem lucrando com encomendas da Infraero.Enquanto isso, a CPI do Apagão investiga a queda do Boeing da Gol. É o Brasil.
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O torturador do português
Tudo bem que o deputado federal Marco Maia chame a CPI do Apagão, da qual é o relator, de "CPI da Crise Aérea": foi assim que o PT decidiu rebatizá-la, e o parlamentar gaúcho é bom companheiro. Tudo bem que prefira investigar o acidente com o Boeing da Gol a examinar as causas do colapso da aviação civil: ele está lá para confundir, não para explicar. Mas o partido poderia ter indicado para a tarefa alguém que dominasse o bê-á-bá. Maia comete um erro de português a cada cinco palavras.
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Yolhesman Crisbelles
O troféu da semana vai para o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, pela frase com a qual festejou a entrega à Bolívia, por US$ 120 milhões, das duas refinarias que custaram à Petrobras US$ 180 milhões:
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"Foi um excelente negócio para o Brasil."
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Se ficou tão feliz com um prejuízo de U$ 60 milhões (fora o confisco de outros ativos da Petrobras pelo amigo Evo Morales), Rondeau promoveria um carnaval temporão se as refinarias tivessem sido repassadas de graça.

TOQUEDEEPRIMA...

Índios cobram pedágio na Transamazônica há 6 meses
Do G1, em São Paulo, com informações da Agência Estado

Seis meses depois de terem bloqueado a Rodovia Transamazônica como forma de protesto para obter mais verbas do governo federal, os moradores da Terra Indígena Tenharim do Marmelo, no Sul do Amazonas, permanecem cobrando pedágios de motoristas que trafegam pelo km 145. Só os motoristas que pagam pedágio podem passar. A informação foi dada pelo administrador substituto da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Rondônia, Osmam Brasil. A cobrança de pedágio segue os seguintes critérios: R$ 60 para caminhão; R$ 20 para caminhonete, R$ 15 para carros e R$ 10 para motos. Cerca de cem veículos circulam diariamente pelo km 145 da BR-230.
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A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) patrocina a elaboração de um estudo de impacto ambiental para requerer da Justiça Federal indenização pelos prejuízos causados à Terra Indígena Tenharim do Marmelo com a construção da Transamazônica.

Segundo o coordenador Geral da Coiab, Jecinaldo Sateré-Maué, um levantamento feito por antropólogos, engenheiros florestais e advogados deve municiar outra ação na justiça, a que pretende oficializar a cobrança do pedágio na Transamazônica.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ou o Brasil começa a enquadrar os óndios no regime de leis do país, ou logo eles se tornaram um espécie de MST dos peles vermelhas. Já estão fugindo ao controle. O Governo Lula precisa entender que a preservação da bem comum na sociedade só será atingindo quando todos se submeterem ao estado de direito. Os índios, não todos, mas grande e preocupante número deles, já cometem crimes comuns dos mais diferentes formatos, e continuam recebendo toda a sorte de privilégios. O diabo é que os índios se deram conta da fraqueza do governo, e continuam chantageando de tudo quanto é jeito, agora já com violência, ao estilo do MST.

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As contas da dona Marta. Algumas só...
De O Globo Online
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"O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo rejeitou, nesta quinta-feira, por votação unânime, as contas prestadas pela então prefeita e candidata à reeleição para a prefeitura de São Paulo em 2004, Marta Suplicy (PT), por omissão de doações e recibos eleitorais. A decisão mantém a sentença do juiz da 1ª Zona Eleitoral. De acordo com o julgamento, a prestação de contas de Marta foi rejeitada devido à ausência de contabilização de receitas obtidas pelo Comitê Financeiro Único do Partido dos Trabalhadores.

Segundo o relator do processo, juiz Paulo Henrique Lucon, a maior parte dos recursos financeiros da campanha da candidata tramitou na conta bancária do comitê, que arrecadou recursos tanto para a campanha majoritária como para a dos vereadores. O comitê arrecadou cerca de R$ 16 milhões, sendo pelo menos R$ 3 milhões em dois jantares de arrecadação para campanha de Marta. A candidata declarou apenas R$ 220 mil na prestação de contas individual."

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Lula pede menos “ódio” da oposição; Democrata reage

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) reagiu ao apelo que o presidente Lula havia feito nesta sexta-feira para a que a oposição tenha menos ódio dos inimigos.
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“Lula trata o Congresso Nacional como se todos no Parlamento fossem do mesmo nível daqueles a quem ele atrai em troca de benesses. Falta-lhe compostura e altivez”, afirmou o parlamentar.
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Ele ainda disse que a obstrução da pauta é praticada pelo próprio Executivo, que inunda o Congresso de medidas provisórias. “A obstrução da pauta é praticada pelos próprios governistas. As razões, o próprio Lula pode explicar, já que o mensalão e as sanguessugas foram operações comandadas por integrantes do governo dele. Além do mais, o presidente inunda o Congresso com medidas provisórias irrelevantes. Esse apelo de Lula está com endereço equivocado. A relação dele com a base aliada é que anda mal resolvida”, concluiu Aleluia.
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Em nota, o presidente da OAB, Cezar Britto, manifestou concordância com as declarações do deputado baiano. Britto defendeu o fim das MP´s. Ele lembrou que o Congresso foi criado para legislar e o Executivo para executar as decisões tomadas pelo Parlamento.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Seria bom que Lula parasse de achar que todo mundo age como ele, quando esteve na oposição. Ou mesmo, quando subia no palanque na campanha de 2006, para empurrar acusações levianas e falsas para os adversários. Feliz o presidente que governa de forma autoritária e a oposição sequer reage como está acontecendo com ele. Aliás, vale lembrar o que o próprio Lula andou afirmando recentemente para os sindicalistas companheiros, reconhecendo que atacava os governantes sem muito conhecimento: “(...) Como sindicalista eu só precisava xingar o governo (..)”.

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Senha ou qualificação...
Cláaudio Humberto

Deputados do baixo clero adoram brincar quando o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia, chega para presidir as sessões. A frase predileta é: "Esse Arlindo é mesmo um Chinaglia". E caem na gargalhada.

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China mexe no câmbio e nos juros para controlar crescimento

O Banco Central da China anunciou ontem a ampliação da faixa de flutuação de sua moeda frente ao dólar e um aumento das taxas de juros, dias antes de uma importante reunião com os Estados Unidos para discussão de questões comerciais entre os dois países.

A medida cambial, que fez a moeda japonesa disparar ante o dólar e o euro, deve ser interpretada como um gesto de conciliação com Washington e como um sinal de que a China está levando a sério a tarefa de manter a quarta maior economia do mundo sob controle.

O Tesouro norte-americano saudou a decisão, mas disse que vai continuar a pressionar por uma valorização maior do iuane.

- A visão do Tesouro é de que esse é um passo útil rumo a uma maior flexibilidade cambial - disse a jornalistas o enviado especial dos Estados Unidos à China, Alan Holmer.

A ampliação da banda diária do iuan, que atualmente é de 0,3%, entrará em vigor na segunda-feira. O iuan poderá subir ou descer 0,5% por dia em relação a um valor definido a cada manhã.

- Todos sabiam que a banda seria ampliada mais cedo ou mais tarde, e o anúncio feito logo antes das negociações foi oportuno. A China pode talvez pedir algo em troca aos Estados Unidos - disse Mei Xinyu, consultora que trabalha para o Ministério do Comércio, em Pequim.

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Prioritário, aeroporto de Congonhas é motivo de cizânia

A prioridade da Infraero é a conclusão da recuperação da pista principal do aeroporto de Congonhas (SP), o mais movimentado do país. Realizada de forma emergencial - ou seja, sem licitação - a reforma custará R$ 20 milhões aos cofres públicos e tende a ser concluída em até 40 dias. Há quatro anos a Infraero discute a necessidade e os detalhes da obra, que causou entrevero entre o presidente da estatal, José Carlos Pereira, e seu antecessor imediato, o deputado Carlos Wilson (PT-PE).

Pereira reconheceu que uma concorrência pública seria o procedimento mais adequado. Como o processo levaria cerca de 18 meses, a saída foi o contrato de emergência. Pereira também anunciou a abertura de investigação interna para apurar os motivos e os responsáveis pelo adiamento da obra, além de eventuais irregularidades em gestões anteriores.

É possível, sim

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Declarou o presidente Lula não ser possível que coisas feitas em 1943 não precisem de mudanças em 2007. Referia-se à Consolidação das Leis do Trabalho e aos direitos sociais estabelecidos por Getúlio Vargas, que as elites pretendem suprimir. E ele também, seguindo na esteira do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, responsável pela extinção de uma série de prerrogativas do trabalhador. Com todo o respeito, é preciso desmentir o presidente. Porque existem coisas feitas antes de 1943 que também não precisam de mudanças. Exemplo: a roda. Alguém ousará revogá-la só por que é velha?

Assim os direitos sociais, ou melhor, os que sobraram dos assaltos iniciados em 1964 e prolongados até hoje. O regime militar acabou com a estabilidade no emprego, garantia que dava ao trabalhador dignidade, depois de dez anos na mesma empresa, de comprovar que era bom funcionário. A partir daí, só poderia ser demitido por justa causa, não aleatoriamente como acontece hoje. A demolição continuou, pela desvalorização do salário mínimo, pela fantasia do não pagamento de horas extraordinárias em troca de folgas que ninguém quer, pela extinção das prerrogativas do funcionalismo público, pela morte do salário-família e outras barbaridades.

Agora que estão completamente por cima, as elites clamam pela reforma trabalhista, de olho na extinção das férias remuneradas e do décimo-terceiro salário. Pretendem pagar esses benefícios em doze parcelas mensais, coisa que em dois ou três anos os fará desaparecer, pela permanente perda do poder aquisitivo dos salários.

O grave é um presidente-operário deixando-se enganar, mesmo jurando que se não puder criar novos direitos sociais jamais admitirá suprimir os que restaram. Caiu na armadilha e, depois, dirá ter sido o Congresso o responsável pelas supressões...

Sacrilégio
Não fosse pelo monte de roubalheiras agora denunciadas pela Polícia Federal, o cidadão Zuleido Veras deveria ser condenado à prisão por haver ofendido a memória de um dos expoentes da humanidade, o Buda, cujo nome era Sidarta Gautama. O empreiteiro batizou sua empresa de Gautama, sabe-se lá se por coincidência ou por más intenções, o que dá no mesmo. Não estivesse a Índia tão preocupada em desenvolver-se e crescer, seu governo deveria pedir explicações ao Brasil.

A lambança exposta na "Operação Navalha" parece tão grande que começou a envolver deputados e senadores de reputação antes ilibada. Claro que todo mundo tira o corpo fora, reconhecendo amizade com o lambão mas negando saber de suas atividades. Seria bom se a Polícia Federal pudesse esmiuçar o funcionamento da Comissão Mista do Orçamento, não apenas a atual, mas quantas se encontram trabalhando há muitas legislaturas. Pelo jeito, o lixo é maior do que quando da exposição dos "anões", tempos atrás.

Protestarão no próximo século
Querem saber quando os senadores do PMDB romperão com o presidente Lula, por conta da nomeação de Luís Paulo Conde para a presidência de Furnas? Só no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Não há hipótese de Sarney, Renan e companhia entregarem os ministérios ocupados por Hélio Costa e Silas Rondeau. Primeiro porque os próprios ministros não cumpririam a determinação. Depois porque... Bem, todos sabem por quê.

Fica evidente que os senadores peemedebistas não gostaram das nomeações prometidas pelo Lula ao presidente do partido, Michel Temer, em troca da preservação da fidelidade de suas bancadas na Câmara. Mas daí a retirarem seu apoio parlamentar ao governo, no Senado, abrindo mão dos ministros que indicaram, a distância é imensa. Afinal, poderão negociar as compensações, nesse verdadeiro balcão em que se transformou a Praça dos Três Poderes. É dando que se recebe, como pregava São Francisco...

Dólar tem fôlego
A quem interessa a queda do dólar? Aos americanos, é lógico. Não se pense que o Federal Reserve mantém-se apático e impotente diante do que acontece não apenas no Brasil, mas em boa parte do Terceiro Mundo. Porque a depreciação das "verdinhas" estrangula as exportações dos países pobres ou em desenvolvimento, favorecendo as importações, imaginem de onde.

Washington não está nem aí para o efeito moral da queda do dólar, especialmente agora que centenas de bilhões vêm sendo gastos com as guerras externas. O reforço de sua produção e a redução das nossas só favorecerá a economia deles. Depois, darão o troco.

COMENTANDO A NOTÍCIA
: Taí, o que se vem criticando o governo Lula em relação ao câmbio, já há mais de um ano, pouco a pouco ficará demonstrado. Observem um detalhe: o orçamento americano para 2008 ultrapassa a casa dos 3,0 trilhões de dólares. O gasto militar ficará na casa de 650,0 bilhões, ou seja mais de um quinto do mesmo orçamento. É evidente que tamanho, que aliás vem se mantendo por todo o período de Bush no poder, acaba provocando um rombo colossal nas finanças públicas. Como repor o “equilíbrio”, ou pelo menos recuperar parte do gigantesco déficit ? Às custas dos outros. Mantendo e incentivando o dólar baixinho, os produtos americanos invadem o mundo. E acabam afastando tanto a concorrência externa quanto a interna nestes países. Isto, senhores, é mais do que elementar. E a gente ainda tem que aturar o lero-lero de Lula e seus cúmplices na cantilena das milionárias reservas, que o real forte é bom prô povão, etc, etc, etc. Com fábricas fechando e empregos sumindo quem paga o prejuízo senhor Luiz Inácio ? O governo, com sua esmola de 90 reais no chamado Bosla-Família ? Basta ver que nos últimos dez anos, enquanto se abriram cerca de 20 milhões de vagas com salários abaixo de dois mínimos, fecharam-se seis milhões de empregos com salários acima de 5 ou mais. Ou seja, a população que trabalha está empobrecendo, perdendo renda, está se tornando mais miserável do que já era. Igualar os miseráveis de ontem com os miseráveis que estão sendo produzidos hoje, a isso se chama de políticas sociais de inclusão? Que país é este , que governo é este ...