Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Declarou o presidente Lula não ser possível que coisas feitas em 1943 não precisem de mudanças em 2007. Referia-se à Consolidação das Leis do Trabalho e aos direitos sociais estabelecidos por Getúlio Vargas, que as elites pretendem suprimir. E ele também, seguindo na esteira do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, responsável pela extinção de uma série de prerrogativas do trabalhador. Com todo o respeito, é preciso desmentir o presidente. Porque existem coisas feitas antes de 1943 que também não precisam de mudanças. Exemplo: a roda. Alguém ousará revogá-la só por que é velha?
Assim os direitos sociais, ou melhor, os que sobraram dos assaltos iniciados em 1964 e prolongados até hoje. O regime militar acabou com a estabilidade no emprego, garantia que dava ao trabalhador dignidade, depois de dez anos na mesma empresa, de comprovar que era bom funcionário. A partir daí, só poderia ser demitido por justa causa, não aleatoriamente como acontece hoje. A demolição continuou, pela desvalorização do salário mínimo, pela fantasia do não pagamento de horas extraordinárias em troca de folgas que ninguém quer, pela extinção das prerrogativas do funcionalismo público, pela morte do salário-família e outras barbaridades.
Agora que estão completamente por cima, as elites clamam pela reforma trabalhista, de olho na extinção das férias remuneradas e do décimo-terceiro salário. Pretendem pagar esses benefícios em doze parcelas mensais, coisa que em dois ou três anos os fará desaparecer, pela permanente perda do poder aquisitivo dos salários.
O grave é um presidente-operário deixando-se enganar, mesmo jurando que se não puder criar novos direitos sociais jamais admitirá suprimir os que restaram. Caiu na armadilha e, depois, dirá ter sido o Congresso o responsável pelas supressões...
Sacrilégio
Não fosse pelo monte de roubalheiras agora denunciadas pela Polícia Federal, o cidadão Zuleido Veras deveria ser condenado à prisão por haver ofendido a memória de um dos expoentes da humanidade, o Buda, cujo nome era Sidarta Gautama. O empreiteiro batizou sua empresa de Gautama, sabe-se lá se por coincidência ou por más intenções, o que dá no mesmo. Não estivesse a Índia tão preocupada em desenvolver-se e crescer, seu governo deveria pedir explicações ao Brasil.
A lambança exposta na "Operação Navalha" parece tão grande que começou a envolver deputados e senadores de reputação antes ilibada. Claro que todo mundo tira o corpo fora, reconhecendo amizade com o lambão mas negando saber de suas atividades. Seria bom se a Polícia Federal pudesse esmiuçar o funcionamento da Comissão Mista do Orçamento, não apenas a atual, mas quantas se encontram trabalhando há muitas legislaturas. Pelo jeito, o lixo é maior do que quando da exposição dos "anões", tempos atrás.
Protestarão no próximo século
Querem saber quando os senadores do PMDB romperão com o presidente Lula, por conta da nomeação de Luís Paulo Conde para a presidência de Furnas? Só no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Não há hipótese de Sarney, Renan e companhia entregarem os ministérios ocupados por Hélio Costa e Silas Rondeau. Primeiro porque os próprios ministros não cumpririam a determinação. Depois porque... Bem, todos sabem por quê.
Fica evidente que os senadores peemedebistas não gostaram das nomeações prometidas pelo Lula ao presidente do partido, Michel Temer, em troca da preservação da fidelidade de suas bancadas na Câmara. Mas daí a retirarem seu apoio parlamentar ao governo, no Senado, abrindo mão dos ministros que indicaram, a distância é imensa. Afinal, poderão negociar as compensações, nesse verdadeiro balcão em que se transformou a Praça dos Três Poderes. É dando que se recebe, como pregava São Francisco...
Dólar tem fôlego
A quem interessa a queda do dólar? Aos americanos, é lógico. Não se pense que o Federal Reserve mantém-se apático e impotente diante do que acontece não apenas no Brasil, mas em boa parte do Terceiro Mundo. Porque a depreciação das "verdinhas" estrangula as exportações dos países pobres ou em desenvolvimento, favorecendo as importações, imaginem de onde.
Washington não está nem aí para o efeito moral da queda do dólar, especialmente agora que centenas de bilhões vêm sendo gastos com as guerras externas. O reforço de sua produção e a redução das nossas só favorecerá a economia deles. Depois, darão o troco.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Taí, o que se vem criticando o governo Lula em relação ao câmbio, já há mais de um ano, pouco a pouco ficará demonstrado. Observem um detalhe: o orçamento americano para 2008 ultrapassa a casa dos 3,0 trilhões de dólares. O gasto militar ficará na casa de 650,0 bilhões, ou seja mais de um quinto do mesmo orçamento. É evidente que tamanho, que aliás vem se mantendo por todo o período de Bush no poder, acaba provocando um rombo colossal nas finanças públicas. Como repor o “equilíbrio”, ou pelo menos recuperar parte do gigantesco déficit ? Às custas dos outros. Mantendo e incentivando o dólar baixinho, os produtos americanos invadem o mundo. E acabam afastando tanto a concorrência externa quanto a interna nestes países. Isto, senhores, é mais do que elementar. E a gente ainda tem que aturar o lero-lero de Lula e seus cúmplices na cantilena das milionárias reservas, que o real forte é bom prô povão, etc, etc, etc. Com fábricas fechando e empregos sumindo quem paga o prejuízo senhor Luiz Inácio ? O governo, com sua esmola de 90 reais no chamado Bosla-Família ? Basta ver que nos últimos dez anos, enquanto se abriram cerca de 20 milhões de vagas com salários abaixo de dois mínimos, fecharam-se seis milhões de empregos com salários acima de 5 ou mais. Ou seja, a população que trabalha está empobrecendo, perdendo renda, está se tornando mais miserável do que já era. Igualar os miseráveis de ontem com os miseráveis que estão sendo produzidos hoje, a isso se chama de políticas sociais de inclusão? Que país é este , que governo é este ...
Declarou o presidente Lula não ser possível que coisas feitas em 1943 não precisem de mudanças em 2007. Referia-se à Consolidação das Leis do Trabalho e aos direitos sociais estabelecidos por Getúlio Vargas, que as elites pretendem suprimir. E ele também, seguindo na esteira do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, responsável pela extinção de uma série de prerrogativas do trabalhador. Com todo o respeito, é preciso desmentir o presidente. Porque existem coisas feitas antes de 1943 que também não precisam de mudanças. Exemplo: a roda. Alguém ousará revogá-la só por que é velha?
Assim os direitos sociais, ou melhor, os que sobraram dos assaltos iniciados em 1964 e prolongados até hoje. O regime militar acabou com a estabilidade no emprego, garantia que dava ao trabalhador dignidade, depois de dez anos na mesma empresa, de comprovar que era bom funcionário. A partir daí, só poderia ser demitido por justa causa, não aleatoriamente como acontece hoje. A demolição continuou, pela desvalorização do salário mínimo, pela fantasia do não pagamento de horas extraordinárias em troca de folgas que ninguém quer, pela extinção das prerrogativas do funcionalismo público, pela morte do salário-família e outras barbaridades.
Agora que estão completamente por cima, as elites clamam pela reforma trabalhista, de olho na extinção das férias remuneradas e do décimo-terceiro salário. Pretendem pagar esses benefícios em doze parcelas mensais, coisa que em dois ou três anos os fará desaparecer, pela permanente perda do poder aquisitivo dos salários.
O grave é um presidente-operário deixando-se enganar, mesmo jurando que se não puder criar novos direitos sociais jamais admitirá suprimir os que restaram. Caiu na armadilha e, depois, dirá ter sido o Congresso o responsável pelas supressões...
Sacrilégio
Não fosse pelo monte de roubalheiras agora denunciadas pela Polícia Federal, o cidadão Zuleido Veras deveria ser condenado à prisão por haver ofendido a memória de um dos expoentes da humanidade, o Buda, cujo nome era Sidarta Gautama. O empreiteiro batizou sua empresa de Gautama, sabe-se lá se por coincidência ou por más intenções, o que dá no mesmo. Não estivesse a Índia tão preocupada em desenvolver-se e crescer, seu governo deveria pedir explicações ao Brasil.
A lambança exposta na "Operação Navalha" parece tão grande que começou a envolver deputados e senadores de reputação antes ilibada. Claro que todo mundo tira o corpo fora, reconhecendo amizade com o lambão mas negando saber de suas atividades. Seria bom se a Polícia Federal pudesse esmiuçar o funcionamento da Comissão Mista do Orçamento, não apenas a atual, mas quantas se encontram trabalhando há muitas legislaturas. Pelo jeito, o lixo é maior do que quando da exposição dos "anões", tempos atrás.
Protestarão no próximo século
Querem saber quando os senadores do PMDB romperão com o presidente Lula, por conta da nomeação de Luís Paulo Conde para a presidência de Furnas? Só no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Não há hipótese de Sarney, Renan e companhia entregarem os ministérios ocupados por Hélio Costa e Silas Rondeau. Primeiro porque os próprios ministros não cumpririam a determinação. Depois porque... Bem, todos sabem por quê.
Fica evidente que os senadores peemedebistas não gostaram das nomeações prometidas pelo Lula ao presidente do partido, Michel Temer, em troca da preservação da fidelidade de suas bancadas na Câmara. Mas daí a retirarem seu apoio parlamentar ao governo, no Senado, abrindo mão dos ministros que indicaram, a distância é imensa. Afinal, poderão negociar as compensações, nesse verdadeiro balcão em que se transformou a Praça dos Três Poderes. É dando que se recebe, como pregava São Francisco...
Dólar tem fôlego
A quem interessa a queda do dólar? Aos americanos, é lógico. Não se pense que o Federal Reserve mantém-se apático e impotente diante do que acontece não apenas no Brasil, mas em boa parte do Terceiro Mundo. Porque a depreciação das "verdinhas" estrangula as exportações dos países pobres ou em desenvolvimento, favorecendo as importações, imaginem de onde.
Washington não está nem aí para o efeito moral da queda do dólar, especialmente agora que centenas de bilhões vêm sendo gastos com as guerras externas. O reforço de sua produção e a redução das nossas só favorecerá a economia deles. Depois, darão o troco.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Taí, o que se vem criticando o governo Lula em relação ao câmbio, já há mais de um ano, pouco a pouco ficará demonstrado. Observem um detalhe: o orçamento americano para 2008 ultrapassa a casa dos 3,0 trilhões de dólares. O gasto militar ficará na casa de 650,0 bilhões, ou seja mais de um quinto do mesmo orçamento. É evidente que tamanho, que aliás vem se mantendo por todo o período de Bush no poder, acaba provocando um rombo colossal nas finanças públicas. Como repor o “equilíbrio”, ou pelo menos recuperar parte do gigantesco déficit ? Às custas dos outros. Mantendo e incentivando o dólar baixinho, os produtos americanos invadem o mundo. E acabam afastando tanto a concorrência externa quanto a interna nestes países. Isto, senhores, é mais do que elementar. E a gente ainda tem que aturar o lero-lero de Lula e seus cúmplices na cantilena das milionárias reservas, que o real forte é bom prô povão, etc, etc, etc. Com fábricas fechando e empregos sumindo quem paga o prejuízo senhor Luiz Inácio ? O governo, com sua esmola de 90 reais no chamado Bosla-Família ? Basta ver que nos últimos dez anos, enquanto se abriram cerca de 20 milhões de vagas com salários abaixo de dois mínimos, fecharam-se seis milhões de empregos com salários acima de 5 ou mais. Ou seja, a população que trabalha está empobrecendo, perdendo renda, está se tornando mais miserável do que já era. Igualar os miseráveis de ontem com os miseráveis que estão sendo produzidos hoje, a isso se chama de políticas sociais de inclusão? Que país é este , que governo é este ...