terça-feira, abril 08, 2008

A codorna e o botox

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Em 27 de março de 1957, governo de Juscelino, Carlos Lacerda (UDN do Rio) "leu da tribuna da Câmara um telegrama secreto, escrito em código, pertencente ao arquivo do Ministério das Relações Exteriores, e proveniente da embaixada brasileira em Buenos Aires".

"O telegrama fazia referência a um inquérito do Exército da Argentina, que implicava João Goulart como negociador, junto a Peron, então presidente argentino, de uma transação de exportação de madeiras para lá, cujo pagamento revertera para a campanha de Getulio em 1950".

Lacerda
"Eleito líder da UDN em abril, Lacerda foi acusado pelo governo de ter fornecido elementos para decifração do Código Secreto do Itamaraty. Em seguida, o ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares, enviou uma mensagem à Câmara, acompanhada por ofício da Procuradoria Geral da Justiça Militar, pedindo licença para processar Lacerda por crime contra a segurança nacional" (DHBB-FGV).

Apesar dos devastadores discursos de Vieira de Melo, líder de JK, Lacerda falou fulgurantemente uma madrugada inteira, citando São Tomás de Aquino. A Câmara, por 12 votos, negou a licença para o processo.

Helio
Em 1963, governo de João Goulart, o jornalista Helio Fernandes publicou nesta TRIBUNA DA IMPRENSA um documento que o Ministério da Guerra considerou "sigiloso" e de "segurança nacional". O ministro, general Jair Dantas Ribeiro, mandou prender o Helio.

Mesmo autorizado pelo general Cordeiro de Farias, que lhe passara o documento, Helio Fernandes negou-se a revelar a fonte. Afinal, o Supremo Tribunal Federal, numa votação histórica, que chegou a ficar empatada, concedeu-lhe habeas-corpus pelo voto de minerva do presidente.

Agora, diante da acusação de haver fabricado, na Casa Civil, um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e de sua mulher Ruth Cardoso, o governo Lula acusa o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) de haver fornecido uma cópia do dossiê à "Veja" e à "Folha de S. Paulo".

Álvaro
Se foi mesmo o senador quem entregou à imprensa o dossiê, que circulava pelo Congresso, ele não fez nada mais do que cumprir seu dever. O Congresso existe exatamente para fiscalizar o Executivo. Constituição:

"Art. 49 - É da competência exclusiva do Congresso Nacional fiscalizar e controlar, diretamente ou por qualquer de suas casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta".

O ministro da Justiça, Tarso Genro, um "jurista" à sua altura, candidatou-se ao "Casseta e Planeta", dizendo que "a oposição é que tem que explicar de onde veio o dossiê", minutos antes de a ministra Dilma, em cadeia nacional, contar que o dossiê (ela chama de "base de dados") "saiu da Casa Civil" e ela iria apurar "quem e para quem praticou esse crime".

E mais: o engraçadissimo ministro Genro (de quem?) ainda se deu ao luxo de descambar para uma barata filosofia de botequim, dizendo que "dossiê é conceito (sic) e o que é preciso é descobrir quem o divulgou".

Dilma
O País sofreu o constrangimento de assistir ao patético espetáculo de ver uma mulher brava, preparada, competente, a ministra Dilma Rousseff, embaralhar-se toda, gaguejar, maltratar o português, em um doloroso tatibitate, tentando negar que o dossiê, saído de dentro da Casa Civil, tivesse o objetivo (flagrante!) de constranger e chantagear a oposição.

É toda uma ópera bufa. Se o dinheiro é público, os gastos, sejam quais forem, têm que ser públicos, revelados. Querer transformar em "segredos de Estado, por imperativo de segurança nacional, os gastos do presidente e da família do presidente", é uma violência contra a República.

FHC
Governar na sombra tinha que acabar no ridículo de o governo do PT revelar no dossiê que, no governo FHC, a Presidência da República mandou buscar no Rio, para Dona Ruth, uma "codorna desossada" ("R$ 195,00, incluídos + R$ 60,00 e + R$ 10 de transporte"), paga pela tal Conta B.

Para dar o troco, a oposição quer que também sejam abertas as despesas da Presidência da República no governo Lula, para ver "se algum botox de dona Marisa foi pago com cartão corporativo". É a guerra da "codorna desossada" contra o "botox". Ou vice-versa.

Colar
Mais um mistério. No "Globo" de sábado, o craque informadíssimo Jorge Moreno contou:
"Encomendei a um desses amigos que viajam muito para os Estados Unidos um colar que vi exposto numa importante joalheria de Nova York. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que alguém já havia comprado essa peça única, numa quinta-feira, às 11,30, no ano passado. A jóia foi paga com cartão corporativo do governo. Todo mundo no TCU (Tribunal de Contas de União) já sabe quem comprou".

"Bandidos"
A "codorna desossada" de Dona Ruth, no dossiê da Casa Civil, não vai ficar barata. Na "Folha", o "analista político, conselheiro e membro do Comitê Executivo da Comunidade Solidária durante o governo FHC, Augusto de Franco, já fez um artigo violentíssimo sobre o PT:

"Esses caras são bandidos? O PT é um partido de bandidos".

Lula não tem moral para exigir cumprimento de acordos

Adelson Elias Vasconcellos

Este artigo era para ter publicado antes, contudo fiquei atento a tentativa das oposição de criação no Senado uma CPI para investigações dos Cartões. Mesmo assim, vale pelo que o governo tentou alegar para evitar que a CPI se instalasse.

É quebra de acordo. Abrimos mão da presidência para que só houvesse uma CPI. Vou cobrar que a sensatez prevaleça.” A declaração é do ministro José Múcio das Relações Institucionais, tentando barrar a criação da CPI dos Cartões no Senado.

Mas e cadê a CPI, senhor José Múcio? Ao que se saiba, CPI é para apurar, investigar fatos determinados. O fato determinado, no caso, é o excesso de gastos com cartões corporativos por parte da Presidência da República, é o absurdo montante de saques em dinheiro com os referidos cartões e, a injustificável e absurda falta de transparência na obrigatória prestação de contas sob uma alegação falsa de que o sigilo é para preservar a “segurança nacional”. E não me venha o general Jorge Félix querer afirmar que existe fiscalização e os gastos tem sim prestação de contas. Quem fiscaliza o quê, senhor general, a raposa ao galinheiro? E a quem se prestam contas, para “controladores” que sequer controlam a si mesmos? Ou será que esta turma ignora o mandamento constitucional que especifica ser da competência do Legislativo a fiscalização dos atos do Executivo? Ou se esquecem que a verdadeira prestação de contas é a que fica exposta à competente análise por parte da sociedade, que é quem banca a farra toda? Tenham a santa paciência: imbecilidade tem lugar e hora!!! E cretinices também !!!!!!

E antes que eu esqueça, todas as irregularidades que motivaram a criação e instalação da CPI aconteceram no governo do Luiz Inácio. Pois bem: a oposição abandonou a idéia de uma CPI exclusiva no Senado, porque acreditava que tanto você, José Múcio, quanto os demais parlamentares, teriam a honestidade de propósito de investigar as irregularidades. Quanto abrir mão da presidência da comissão, não deve servir de instrumento para que a oposição deixasse de investigar e apurar.

O que se viu, no entanto, foi um circo armado pelos governistas a obstruir toda e qualquer tentativa de investigação, ação impeditiva de se convocar qualquer pessoa ligada a este desgoverno, a ação brutamontes do dossiê chantagista para intimidar a própria oposição de cumprir seu papel legal, além das ameaças e dos discursos canalhas.

Se a palhaçada instalada naquela comissão, que deveria ser uma CPI séria e honesta, mas que se desvia para o terreno da infâmia e degradação persiste, não resta às oposições outra alternativa se não de buscarem por outros caminhos a apuração da verdade. No fundo, quem primeiro quebrou o acordo, saiba o ministro, foi a própria base de apoio do Luiz Inácio, ao brecar toda e qualquer apuração, num ação delinqüente e irresponsável, própria de gangues de moleques que não respeitam o mandato que lhes foi outorgado nas urnas. E nem de longe Lula tem moral para argüir em seu favor o cumprimento de qualquer acordo. A lembrá-lo, fato recente: onde ficou o acordo e a promessa dele próprio, em relação aos repasses às centrais e sindicatos, de parte do imposto expropriado dos trabalhadores, que, para ser aprovado pela oposição, Lula prometeu que o uso do dinheiro seria fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União, porém, na última hora, rasgou sua palavra e acabou vetando justamente o item da fiscalização !!! E não seria esta a única vez que Lula prometeu, conseguiu o queria, e depois, simplesmente, não cumpriu com sua parte. Assim, quem se comporta feito moleque e pratica safadezas, não tem moral para exigir ser tratado da forma como ele mesmo não é capaz de faze-lo.

Cabe às oposições, e ninguém, nem Lula nem sua gangue de salafrários, compete impedir que se vá a fundo na investigação dos crimes e ações lesivas praticados contra o Tesouro e contra o próprio país.

Se sensatez houvesse de parte dos “governistas”, estes não agiriam de maneira truculenta e sórdida obstruindo todas as ações indispensáveis à legítima apuração de fatos para o conhecimento da Nação, já que o dinheiro torrado em gastos que se dizem sigilosos, não pertence aos que, de maneira criminosa, o usaram em despesas que passaram longe do interesse público.

Abra-se as planilhas dos gastos, mostrando quem gastou o quê e em quê, e nenhuma outra CPI será necessária. Mostrem as razões que justifiquem o saque em dinheiro em valores tão expressivos, e a atual CPI cumprirá com a missão pelo qual foi instalada.

Contudo, não se pode consentir que o povo, de quem se toma o dinheiro em impostos extorsivos, seja vilipendiado com a aplicação deste dinheiro em ações ilegais, e depois, a orgia lhe seja ocultada em comissões de mentirinha onde o que não faltam são cretinos arrogantes agindo para que a este mesmo povo, não prestem contas do mau uso do dinheiro público.

Se é para cumprir “acordos” que então se permita investigar os gastos que Lula esconde da população. Vamos ver até onde vai, de fato, a honestidade de quem ocupa a presidência da república.

Presidentes Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula precisam se unir

Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa
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Contra a criação de 216 países na Amazônia

A quase totalidade dos senadores desconhecia os riscos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU. As matérias do repórter Carlos Newton aqui nesta Tribuna representaram enorme alerta, houve pânico geral. Artur Virgilio foi à tribuna do Senado e mostrou o que pode e certamente acontecerá na Amazônia.

Contou os fatos mas não pôde fazer análise, que é também assustadora, desmembradora, desagregadora e destruidora da nacionalidade. (Parece, de outra maneira, a luta do presidente Lincoln, de 1860 a 1864, para evitar a divisão dos EUA. A luta que começou como combate à escravidão se transformou em esforço heróico e desesperado, para que o país não se DESAGREGASSE. Por isso, na História é lembrada e estudada como "Guerra da Secessão").

Agora estamos ameaçados de divisão maior, sem que tomem providências para defender a integridade e a integração do Brasil. Precisou o repórter Carlos Newton esmiuçar o assunto para que alguns tomassem conhecimento do que está na ONU há muito tempo. Deputados e senadores vão e voltam da ONU e não sabem de coisa alguma. Agora têm que definir se estão contra ou a favor do Brasil ÚNICO e SOBERANO, como fez Artur Virgilio.

Descaso, imprudência ou inconseqüência, desconheciam que a tal Declaração assinada pela representação brasileira na ONU não pode ser aprovada no Senado. Essa é uma questão que mereceria CPI de alto nível, com representação igual dos maiores partidos. É importante e não pode ser tratada em apenas um discurso ou dois.

Essa CPI iria verificar que diplomatas do Itamarati (com o desconhecimento total do chanceler, que não sabia de nada) cometeram crime de lesa-pátria. Se os senadores aprovarem a tal Declaração, será transformada em NORMA CONSTITUCIONAL e terá que ser cumprida.

O que é que os diplomatas brasileiros aprovaram na ONU? A CRIAÇÃO DE 216 NOVOS PAÍSES na Amazônia, que serão DESMEMBRADOS do território nacional. Todos esses 216 NOVOS PAÍSES serão independentes e totalmente desligados do Brasil.

Alguns serão MINÚSCULOS (como o Principado de Andorra), outros, maiores do que a Itália e a França, e que já tem até nome: "PAÍS IANOMAMI". Todos os interessados no desdobramento do Brasil se escondem atrás dos "pobres indígenas, coitados, tão explorados e abandonados". Explorada e abandonada é a Amazônia em toda a sua existência. Índios de "terno e gravata", aculturados, que não representam coisa alguma, ganharam terras continentais, que já venderam de "papel passado".

PS - Como esta não é uma questão pessoal e sim a DEFESA da SOBERANIA NACIONAL, e o impedimento de uma GUERRA CIVIL que na certa acontecerá, chamo a atenção dos presidentes da República, sejam de que partido forem, para que ASSINEM DECLARAÇÃO CONJUNTA, condenando a Declaração que está para ser votada na ONU.

PS 2 - Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, independente de divergências, esqueçam tudo por um momento, e lancem MANIFESTO-LIBELO em defesa da Amazônia, contra a divisão do Brasil. Se ficarem omissos, SERÃO RESPONSABILIZADOS, HOJE E SEMPRE.

A desintegração do Brasil em curso

Adelson Elias Vasconcellos

Este projeto de desintegração nacional já o estamos denunciando há pelo menos dois anos. Ele iniciou antes do COMENTANDO A NOTÍCIA existir, início de 2006. São três frentes bem distintas, mas todas visando um mesmo resultado: uma frente, comandada por Lula desde que assumiu, dividindo ricos e pobres, como se um odiasse a existência do outro, o que, por sinal, é mentira.

A outra frente, que o Lula autorizou na ONU, quando assinou o tal Tratado de Autodeterminação dos Povos Indígenas, em 2005. Por ele o norte do Brasil poderá ser transformado em mais de 200 pequenas nações independentes.

E um terceiro, comandado também por Lula e capitaneado por Aécio Neves e Ciro Gomes, que é uma divisão de cunho regional, tentando demonizar o estado de São Paulo pelo simples fato dele ser o mais rico, num debate vagabundo e preconceituoso, tentando alimentar uma espécie de ódio nacional contra São Paulo. Lula o alimaenta desde sempre, quando viaja pelo Nordeste, principalmente, e de lá, como o bom covarde e inescrupuloso que é, acusa o sul do país pelas mazelas do Norte/Nordeste, esquecendo-se que o coronelismo que fez da região a mais pobre do país, nasceu no seio das elites políticas que sufocaram a região e a condenaram a uma pobreza eterna, dependente do paternalismo estatal.

Reparem que o elemento comum aos três movimentos chama-se Lula. Sim, por incrível que pareça, este senhor eleito presidente do Brasil, país cuja soberania e integridade jurou defender ao assumir, comporta-se exatamente ao contrário do que jurou fazer.

Comecemos pelo tal tratado que Lula assinou na ONU em 2005. Este espaço se orgulha de dizer que foi um dos primeiros e durante muito tempo foi um dos únicos a denunciar a manobra que representa um verdadeiro atentando à soberania e integridade do país. Insistentemente, estamos pedindo para que haja uma mobilização nacional para, primeiro, denunciar a trama em curso por conta de pressões internacionais cheias de maldosas intenções e, segundo, para que o país levante-se em uníssono para pressionar o Senado a não aprovar o tal tratado.

E sobre justamente este malfadado tratado que o jornalista Hélio Fernandes dedica um artigo em sua coluna na Tribuna da Imprensa, e que vale como uma conclamação. Não podemos, sob hipótese alguma, permitir que a nossa integridade territorial sinta-se sequer arranhada, e no presente caso, quanto mais quando o risco do esfacelamento é enorme.

Repito todas as afirmações que fiz ainda durante a campanha eleitoral de 2006: o Brasil corre o risco de realizar, na forma como o conhecemos, sua última eleição presidencial. O risco do Luiz Inácio dar seguimento ao projeto de desintegração do território nacional é imenso. É preciso exigir-lhe, ainda em campanha, que firme compromisso pontual com a manutenção tanto da soberania quanto da integridade do país, do contrário, em 2010, talvez não tenhamos mais Brasil de 2006. Exagero ? De modo algum, sequer foi preciso chegar à metade de seu segundo mandato para percebermos o quanto aquele alerta tinha a sua razão de ser. e recorrar ao arquivo do blog. Vocês encontrarão avisos de tipo em várias de nossas manifestações, além das denúncias do que fato representa o tratado de autodeterminação dos índios.

Porém, é preciso mais, é preciso mobilização de TODAS AS INSTITUIÇÕES NACIONAIS, e aqui é bom lembrar que, diante do risco, as Forças Armadas TEM O DEVER CONSTITUCIONAL para intervir e impedir que o mal aconteça e se alastre. E para tanto, ele pode agir acima e independente dos Poderes da República, incluindo aí a do seu próprio comandante maior que é o presidente da república. E que fique claro: fosse outro o presidente, e estivesse o petê e Lula na oposição, e muito provavelmente, o presidente no poder estaria com a corda no pescoço.

É preciso que a todos os órgãos de comunicação levante em sua voz para denunciar o crime que está praticando, e aos congressistas é imperioso que tomem a iniciativa para impedir o senhor Lula de dar seguimento ao seu projeto. A ninguém é dado direito de desintegrar o país, nem ao presidente, nem aos seus asseclas, tampouco a ninguém que se diga brasileiro.

Quanto aos dois outros processos, bem tem que ser muito mais do que Lula para conseguirem o intento. O preconceito provinciano e regionalista que ele comanda tendo como parceiros o Ciro Gomes, com sua boçalidade atrevida e sem caráter, e o apoio de Aécio Neves, incontido na sua ambição pessoal incapaz de refletir no mal que faz ao próprio país que diz priorizar, o tempo se encarregará de colocar cada um deles no seu devido lugar. E a divisão entre ricos e pobres, a continuar as atuais políticas do governo Lula, logo, logo, desaparecerão: seremos uma grande nação feita apenas de pobres. Os únicos a serem mais serão os assentados no poder, a dividir entre si o suor e o sacrifício da Nação, neste processo canalha de escravização para seu proveito pessoal.

Leiam a seguir o artigo do Hélio Fernandes no próximo post.

Senado também fará CPI sobre cartões

Bem que tentaram impedir, mas não conseguiram evitar que o Senado criasse uma CPI específica para investigar os gastos com cartões de crédito corporativos. Claro que o governo terá maioria, em função de sua aliança com PMDB. Mas isto não significa absolutamente nada. É dever de tucanos e democratas irem às últimas consequências para mostrar quem é quem nesta republiqueta de safados, denunciar o governo do crime organizado e firmar sua posição perante à opinião pública.

E isto demonstra que o assunto ainda vai fervilhar os debates no Congresso ainda mais. Porém deve a oposição tomar a seguinte medida: aguardar a primeira reunião da CPI mista que se transformou em verdadeira palhaçada por conta do próprio governo Lula que teme uma investigação séria sobre seus próprios gastos, para denunciar a farsa e em bloco retirar-se. Retirar-se chutando literalmente o balde, denunciar o governo, o senhor Lula e toda a corja de delinqüentes que o acompanham neste circo.

Ato contínuo, devem as oposições convocar todo mundo para depor, se necessário até o próprio Lula, e ingressar em todas as instâncias pedindo investigação, além de requerer ao STF a quebra do sigilo dos gastos da Presidência em atendimento aos preceitos constitucionais.

Se é para fazer palhaçada que pelo menos fique registrado o medo do governo e suas manobras espúrias para impedir de ser investigado. É preciso que a oposição marque sua posição nesta trama sórdida, para que se mostre neste circo quem são os verdadeiros canalhas e gigolôs da nação.

A investigação de mentirinha

Adelson Elias Vasconcellos

Para tentar acalmar a galera, o governo resolveu deixar a Polícia Federal investigar parte do imbróglio criado por ele mesmo, chamado de dossiê anti-FHC.

Porém, aquilo que deveria ser uma investigação de verdade já começa mal: só poderá ser investigado e apurado o responsável pelo vazamento do dossiê. Quanto a quem ordenou e montou, não. Por quê? Porque aquele bibelô inútil chamado Tarso Genro, que se diz ser ministro da Justiça, acha que o crime principal é apenas um “conceito”. Ou seja, puna-se a testemunha, não o assassino e seus cúmplices.

É um acinte. Vocês sabem bem a minha opinião sobre este “portento” que responde pelo ministério da Justiça. Não tem competência, não tem qualificação, nem tampouco a isenção necessária à altura de um ministério que, parte de sua estrutura, pertence muito mais ao Estado do que ao governo. Trata-se de um enrolador de marca maior.

De maneira alguma uma investigação pode ser feita pela metade. Não existiria vazamento sem dossiê. Assim, fica claro, no entendimento desta figura caricata, que o que se vai investigar é apenas a tentativa muito mais do interesse do governo do que propriamente das vítimas, testemunhas e sociedade, porque tentarão saber quem foi o dedo duro que divulgou que o governo estava cometendo um crime. Mais conceitual do que isto, impossível. O interesse, portanto, é muito mais político do que tenta justificar o senhor Genro, mestre na arte de embromar e tentar inverter os fatos. Para seu azar, nem todos somos os idiotas que ele imagina que possamos ser, tampouco imbecis para engolir qualquer mentira que nos tentam contar. Genro precisa aprender que a palavra de qualquer governo nunca foi sinônimo de credibilidade.

De outro lado, tanto a sociedade brasileira quanto as oposições, têm razões de sobra para não acreditar nem na seriedade desta investigação, tampouco nas intenções do governo federal para descobrir a verdade. Há, no passado recente, outro crime igual, apenas envolvendo outros criminosos, em que também a Polícia Federal saiu a investigar para não apurar nada. Na campanha eleitoral de 2006, também o Petê armou um dossiê contra José Serra e que envolvia Geraldo Alckmin e, cujo inquérito, reunia muito mais elementos e evidências comprovadoras do cometimento do crime, e a Polícia Federal, com tudo a favor, conseguiu a proeza de não descobrir nada. No fundo, sabe-se que a ordem era exatamente esta: não descobrir nada e impedir que alguém mais pudesse fazê-lo.

Esta investigação, tanto quanto a do dossiê anterior, exibe um indisfarçável cheiro de farsa. De manipulação, de ocultação de crimes praticados no porão do Planalto. Bastante é constatar que, primeiro, o governo fez o que pode para evitar a instalação da CPI. Segundo, diante do inevitável, fez o que pôde para obstruir qualquer apuração dos fatos determinados como os usos abusivos, de parte da Presidência da República, com os cartões corporativos os quais, por serem mantidos com dinheiro público, deveriam de forma transparente e inequívoca, terem sua aplicação obrigatoriamente exibida para a Nação. Terceiro, distribuiu entre os integrantes da ala governista participante da CPI, um documento contendo detalhadas instruções para impedir a qualquer custo o aprofundamento de investigações, convocação de determinados membros do governo para serem inqueridos, e qualquer investigação que pudesse classificar-se como “comprometedora” ao governo.

Não satisfeitos, e isto hoje é público e notório, montou uma equipe com ministros do governo Lula antes do Carnaval para, com lupa, vasculharem e bisbilhotarem todos os gastos feitos com cartões e contas tipo B do governo anterior, muito embora, a CPI tivesse sido criada para apurar as irregularidades deste governo no uso dos cartões. E, para culminar, ficou claro, que as versões do governo Lula sobre o dossiê não passaram de grossas mentiras, que os fatos e os personagens logo desmentiram.

Assim, resta provado que um crime foi cometido nas salas da Casa Civil e, impossível negar, seria da competência da Polícia Federal ter sido acionada desde o início, mesmo que de forma cautelosa.

Agora, diante de todo o cenário que se vê criado, destacar-se a PF para uma investigação parcial, é no mínimo, para sermos gentis, uma pilhéria.

Nenhuma declaração ou ação que parta do senhor Tarso Genro pode ser levada a sério. Um ministro da justiça que desconhece a lei e, que ainda por cima, não consegue identificar, minimamente, um crime quando está diante de um, não tem credibilidade nenhuma para estar no posto em que se encontra, muito menos para orientar o trabalho investigativo a cargo da Polícia Federal.

Não existe meio crime, como também não se pode aceitar como séria uma investigação pela metade. Ou se investiga toda a ação que resultou numa tentativa de extorsão, chantagem e intimidação, ou acabaremos assistindo à montagem de encenação teatral quando não circense, quando se tratará de construir uma versão, mais mentirosa e grotesca, para farsa que representa as ações paridas dentro do governo Lula.

Portanto, é imperiosa a instalação no Senado Federal de uma CÌ onde a ação de obstrução à Justiça por parte dos agentes do governo possa ter menor influência, bem como que se lance mão de outras formas de investigação, por exemplo, Ministério Público, para que não reste impune tanto o crime quanto os criminosos.

Destacar o aparato do Estado para investigar testemunhas, e também para encobrir os rastros e digitais que tragam luz à verdadeira ação criminosa, que foi o dossiê e seus mandantes, acabam se transformando em um novo crime: o de obstrução da Justiça.

E este episódio serve para estabelecer ao menos uma convicção: a de que o pais está sendo governado por um bando de larápios e criminosos, que não se fartam de se utilizarem dos meios mais inescrupulosos que estiverem ao seu alcance para assaltarem os cofres públicos e, depois, apagar os vestígios de sua ação rapineira e ilegal.

A instalação da CPI no Senado, muito embora o ministro José Múcio e o próprio presidente tentem alegar uma “quebra de acordo”, é sim indispensável. A oposição, quando ainda conjeturava em tal possibilidade, recebeu a sinalização do Planalto de que permitiria sim a criação da CPI mista. E, como já ocorrera em tantas outras vezes, após alcançar seu intento, o governo se encarregou de não cumprir o prometido. Exemplo bem recente disto foi o veto do senhor Luiz Inácio a que os repasses às centrais sindicais fossem fiscalizadas pelo TCU. Ora, se o Luiz Inácio não consegue cumprir suas próprias promessas, por que razão deveriam as oposições faze-lo? E mais: se era para investigar e apurar o uso irregular dos cartões, por que a base governista se empenhou a fundo para impedir que a CPI cumprisse o papel para a qual foi criada, em todas as vezes que se tentou avançar sobre irregularidades cometidas pelo Planalto ?

Fica claro que, quem, rotineira e usualmente, quebra acordos, é o próprio governo Lula que, ao obter as vantagens em seu favor, sistematicamente deixa de cumprir os compromissos assumidos com a oposição. Então, resta a oposição também seguir seu próprio caminho e deixar de acreditar em empedernidos mentirosos do tipo Luiz Inácio.

Já que o presidente não quer cumprir com o dever de prestar contas à Nação de seus atos, que eles ao menos sejam fiscalizados, vigiados e, se necessários, investigados. A lembrar: não é outra coisa que diz a Constituição Federal. Lá está bem claro:

"Art. 49 - É da competência exclusiva do Congresso Nacional fiscalizar e controlar, diretamente ou por qualquer de suas casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta".

Portanto, nenhum acordo pode se sobrepor ao mandamento legal. Nenhum acordo pode ser impeditivo de que se investigue as ações do Executivo se existirem suspeitas de que este Poder agiu contrário às leis do País, ou que eles consubstanciem práticas lesivas ao interesse público.

Porque, neste caso, o Legislativo passa a ser, por sua conivência e omissão, tão criminoso quanto aquele, tornando-se seu cúmplice. Como quem não deve não teme, e o senhor Luiz Inácio entende que nada fez de ilegal no uso dos cartões, que permita a verificação desta alegada regularidade. Além disso tudo, Lula e seus asseclas precisam experimentar em si mesmos o mesmo veneno com que se esbaldaram quando estiveram na oposição. Ou terão esquecido ? Talvez, por “conveniência”, Lula não se lembre mais de seus atos, métodos empregados e dos discursos molambentos. Mas nós não nos esquecemos, tampouco as oposições. Se crime há, e houve, que se vá às últimas instâncias legais para apurá-lo, mesmo que, dentre os envolvidos, esteja presente a figura do presidente da república que, como todos os demais cidadãos deste país, não pode se colocar acima das leis.