quarta-feira, agosto 16, 2006

Leituras Recomendadas - 9

OS FILHOS DE LULA
Rodrigo Constantino
“Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás.”
(Ernesto “che” Guevara)
O presidente/candidato Luíz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso no fim de semana, em Fortaleza. Lula, que gosta de monólogos e vai fugir dos debates eleitorais, criticou “as elites” e o que chamou de “direita raivosa”. Todo populista que almeja ser como Chávez ou Fidel culpa sempre essa tal de “zelite” pelos males da nação. Curiosamente, elite mesmo são os “intelectuais” ricos que adoram Lula, como Verissimo e Chico Buarque, ou então os privilegiados funcionários públicos e sindicalistas, que também gostam muito do molusco. Já quanto a essa tal de “direita raivosa”, seria interessante que o apedeuta explicasse quem exatamente representa a direita no país, posto que o cenário político é caracterizado por um monopólio esquerdista. Será que o presidente considera direita o PMDB fisiológico do seu camarada José Sarney?
Lula voltou a criticar a imunidade parlamentar. O Congresso é mesmo formado por 300 picaretas, como Lula apontou no passado. Os mesmos picaretas que estavam envolvidos no esquema do “mensalão”, arquitetado pelos aliados de maior confiança do presidente Lula, que foi o maior beneficiado dele. Mas o que Lula parece desejar, no fundo, é um mecanismo de perseguição política com o uso da máquina estatal. A forte amizade e respeito que Lula e seu PT nutrem pelo ditador cubano não é fruto do apreço por charutos. A afinidade ideológica, selada no Foro de São Paulo desde 1990, explica muito melhor os laços de profunda amizade.
(Texto completo aqui)

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LIMITES

Glauco Fonseca (*)


Sem delongas e com franqueza, o que estamos assistindo é resultado de um processo que se alastra desde o início do governo Lula. E a síntese do processo é o alastramento da corrupção como ferramenta de gestão, de locupletação e, de quebra, de perpetuação no poder. Nesta ordem.
Desde o flagra em Waldomiro Diniz, passando pelo escancaramento do mensalão e, mais recentemente, das sanguessugas, o processo de corrosão da moral pública é patrocinado por um governo lascivo, incapaz de dialogar e de respeitar o que é público. Vilanizar o eternamente depauperado Congresso Nacional é uma estratégia que, neste caso, serve muito bem aos fornecedores, serve muito bem aos ordenadores e serve melhor ainda aos corruptores. Pela consistência sempre frágil do congresso, por sua fraqueza inerente – eis que síntese do que há de melhor e de pior na vida nacional – e acima de tudo por conta de sua perene presunção de honestidade sem muita convicção, é muito bom que haja um bando de deputados e senadores a bater, que esteja sempre à mão caso se queira desviar a atenção de algum assunto mais constrangedor aos grandes chefes.
(*) Glauco Fonseca - é jornalista.

Texto completo aqui
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DUAS PALAVRAS AO ILUSTRE COMPANHEIRO

A. Zarfeg (*)

Parodiando Voltaire, poderíamos até discordar do ponto de vista do ilustre companheiro; no entanto, como dois mais dois são quatro, estamos de pleno acordo que o nobre companheiro tem o sagrado direito à liberdade de expressão e pensamento.
Portanto, o companheiro pode ficar à vontade para expressar suas convicções e opiniões, por mais paradoxais e absurdas que sejam, estando certo de que será respeitado enquanto ser que pensa diferentemente de outrem. Da mesma maneira, o companheiro pode escolher a denominação política ou religiosa que melhor lhe aprouver (ou mesmo se abster de fazê-lo), independente das razões que motivaram tal escolha. Este, aliás, é um princípio legal que permeia a nossa cultura: que cada um faça de sua vida o que achar melhor, desde que não prejudique o outro, contando com a garantia prévia de que jamais será perseguido por isso. Do contrário, sem o exercício de tal liberdade, não haverá razão para nos considerarmos superiores às alimárias.
De maneira categórica e solene, queremos reafirmar a nossa disposição de respeitar a opinião do companheiro, ainda que ela não passe de um juízo de valor sem pé nem cabeça, próprio de um bípede arrogante que se julga dono da verdade e acima do bem e do mal; bem como que tal juízo fuja ao convencional e beire o contra-senso.
Texto completo aqui
(*) A. Zarfeg - é poeta e jornalista baiano.