Por Adelson Elias Vasconcellos
O grande erro de Lula e seus discípulos é imaginarem que, antes deles, não havia Brasil, que aqui todos eram botocudos, tupiniquins, ninguém tinha nada, não se fazia nada, e que éramos um amontoado de milhões de pessoas vivendo nas cavernas, caçando onça à unha e tacape. Triste do governante que não sabe respeitar a história do próprio país que pretenda governar. Cometerá erros ridículos de interpretação e de análise, o que deflagra, invariavelmente, na tomada de decisão firmada em premissas falsas. E o que é pior: as conseqüência de uma decisão governamental errada, recai sobre o país, nunca sobre o governante, que vai para casa, aposentado, e com pensão vitalícia, escrever um livro de memórias.
Deveriam os “mentores” do PAC ter-se debruçado sobre o leque de projetos e investimentos do “Avança Brasil”, para aproveitarem aquilo que o plano tinha de mais qualificativo, isto é, o amplo leque de alternativas e possibilidades em projetos que o plano apresentava, com ampla integração entre si . Nada de concentrador, de estatizante. Nada de apostas patéticas, como por exemplo partir de metas pré-fixadas de crescimento, estabelecidas por decreto. Como se tal fosse possível ! Ignoraram mercados, passaram por cima de peculiaridades regionais básicas, apostaram em projetos de execução ainda duvidosa com alguns podendo abrir contenciosos internacionais, e deram as costas para as necessidades mais urgentes do país.
O dilema de alavancar a atividade econômica brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar, em clima de alta expectativa, um programa que lembrou o esforço de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, no período pós-crise de 1999. O Avança Brasil foi lançado por FHC no fim de agosto de 1999 - seis meses depois da mudança da política cambial e da severa desvalorização do real - e deixou alguns remanescentes de seus 365 projetos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) exposto na segunda-feira por Lula.
Embora a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tenha insistido que nunca na história do Brasil houve um plano com preocupação regional, o Avança Brasil seguia a mesma lógica. Mas, em vez de apontar os projetos por região, o plano de FHC os organizou em eixos de integração da infra-estrutura existente e sua melhor aplicação ao desenvolvimento regional. O projeto de FHC envolveu R$ 317 bilhões em investimentos para 2000 a 2003, a serem executados por parcerias entre os setores público e privado, com um leque de projetos mais amplo que o do PAC. Portanto, a lógica do “Avança Brasil” tinha mais consistência e era melhor elaborado.
No setor de geração de energia elétrica, o Avança Brasil apostou na construção de termelétricas. O PAC de Lula investe mais pesado nas hidrelétricas - inclusive naquelas que seu antecessor preferiu não incluir por causa das dificuldades para obter licenças ambientais e de investimentos privados. O PAC listou hidrelétricas de execução complicada, como a de Belo Monte (PA), e incluiu projetos no Rio Madeira (RO) com risco de confusão diplomática com a Bolívia - as hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio.
Ninguém ignora a imensa necessidade de investimentos em infra-estrutura e em mais três outros itens fundamentais: habitação, saneamento e educação. Nisto o governo Lula aposta investimentos prioritários, no que está absolutamente certo. Mas erra ao achar que, seus projetos de infra-estrutura por exemplo possam ser bancados pela sociedade com ampla oferta de recursos privados em ações de regras não definidas, como erra em apostar que na educação dinheiro só é o que basta. Como, também, erra, ao entender que seu investimento em habitação popular é o quanto basta. Qualquer cidadão deste país sabe o calvário que é peregrinar pela Caixa Econômica para obtenção e aprovação de financiamento habitacional ! Portanto, não consiste apenas jogar-se milhões de recursos e achar que eles por si só resolverão todos os nossos males. Por exemplo, preocupou-se alguém na montagem do PAC em estudar detidamente as causas do apagão de energia ocorrido em 2001, no governo FHC ? Por certo que não. Porque senão teria mudado um pouco o foco dos investimentos que agora apresentam à nação. Excelente que se aproveite os recursos hídricos do país mas, também, deveriam diversificar os investimentos em outras fontes, nas termoelétricas, para dar melhor sustentação, equilíbrio e segurança de que “novos apagões, nunca mais”! Fosse nossa matriz energética mais diversificada, e por certo o apagão de 2001 não teria ocorrido.
O que frustra as expectativas de muitos é saber que, após ter governado (?) o país por quatro anos, Lula ainda não sabe o que fazer com ele. Nada de novo está apresentado agora. Ou se tratam de planos anteriores, ou continuação pura e simples de coisas que já estavam em curso. A parte que trata dos investimentos em energia elétrica é um caso legítimo de apresentarem como “novo” investimentos já programados e em curso, antes do próprio PAC existir.
Até fugindo um pouco do PAC, podemos citar o exemplo do FUNDEB. Lula criticou o Congresso na demora de sua aprovação. Pois bem, não tivesse Lula a megalomania que o caracteriza, teria aproveitado a existência do FUNDEF, de muito bons resultados, e feito nele as modificações necessárias e, touché, rapidinho teria um excelente programa (pelo menos nos propósitos). Não, quis inventar algo novo e fez o país esperar dois anos inutilmente.
No noticiário de hoje já se dá conta que Lula irá promover algumas modificações no PAC. Ótimo, é bom que o faça, mas é preferível também que aprenda a lição que ele próprio condenou nos outros: sempre que o governo quiser implantar um pacote de medidas que mexe com a vida da sociedade, é bom ouvir um pouco mais aqueles que tem real conhecimento em cada área de especialização. Não precisa montar mais “um grupo de trabalho”. Pode fazê-lo até de maneira informal. E, também, não tente convencer as pessoas de que tendo o selo do governo federal, qualquer medida mereça ser aplicada sem discussões, sem debates, sem contestação. E, por fim, a lição maior, senhor Lula: respeite a história do Brasil, antes de você, houve muitos, e depois de você existirão muitos outros. Não é nenhum desdouro governante dar prosseguimento às políticas públicas que dão certo, só porque foram implementadas pelos governantes anteriores. Não tente reescrever nossa história. Insisto que o governante bom é aquele que trabalha, e trabalha para o país, e não o que trabalha apenas para si mesmo, e sem desgrudar os olhos dos índices de popularidade.
O grande erro de Lula e seus discípulos é imaginarem que, antes deles, não havia Brasil, que aqui todos eram botocudos, tupiniquins, ninguém tinha nada, não se fazia nada, e que éramos um amontoado de milhões de pessoas vivendo nas cavernas, caçando onça à unha e tacape. Triste do governante que não sabe respeitar a história do próprio país que pretenda governar. Cometerá erros ridículos de interpretação e de análise, o que deflagra, invariavelmente, na tomada de decisão firmada em premissas falsas. E o que é pior: as conseqüência de uma decisão governamental errada, recai sobre o país, nunca sobre o governante, que vai para casa, aposentado, e com pensão vitalícia, escrever um livro de memórias.
Deveriam os “mentores” do PAC ter-se debruçado sobre o leque de projetos e investimentos do “Avança Brasil”, para aproveitarem aquilo que o plano tinha de mais qualificativo, isto é, o amplo leque de alternativas e possibilidades em projetos que o plano apresentava, com ampla integração entre si . Nada de concentrador, de estatizante. Nada de apostas patéticas, como por exemplo partir de metas pré-fixadas de crescimento, estabelecidas por decreto. Como se tal fosse possível ! Ignoraram mercados, passaram por cima de peculiaridades regionais básicas, apostaram em projetos de execução ainda duvidosa com alguns podendo abrir contenciosos internacionais, e deram as costas para as necessidades mais urgentes do país.
O dilema de alavancar a atividade econômica brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar, em clima de alta expectativa, um programa que lembrou o esforço de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, no período pós-crise de 1999. O Avança Brasil foi lançado por FHC no fim de agosto de 1999 - seis meses depois da mudança da política cambial e da severa desvalorização do real - e deixou alguns remanescentes de seus 365 projetos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) exposto na segunda-feira por Lula.
Embora a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tenha insistido que nunca na história do Brasil houve um plano com preocupação regional, o Avança Brasil seguia a mesma lógica. Mas, em vez de apontar os projetos por região, o plano de FHC os organizou em eixos de integração da infra-estrutura existente e sua melhor aplicação ao desenvolvimento regional. O projeto de FHC envolveu R$ 317 bilhões em investimentos para 2000 a 2003, a serem executados por parcerias entre os setores público e privado, com um leque de projetos mais amplo que o do PAC. Portanto, a lógica do “Avança Brasil” tinha mais consistência e era melhor elaborado.
No setor de geração de energia elétrica, o Avança Brasil apostou na construção de termelétricas. O PAC de Lula investe mais pesado nas hidrelétricas - inclusive naquelas que seu antecessor preferiu não incluir por causa das dificuldades para obter licenças ambientais e de investimentos privados. O PAC listou hidrelétricas de execução complicada, como a de Belo Monte (PA), e incluiu projetos no Rio Madeira (RO) com risco de confusão diplomática com a Bolívia - as hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio.
Ninguém ignora a imensa necessidade de investimentos em infra-estrutura e em mais três outros itens fundamentais: habitação, saneamento e educação. Nisto o governo Lula aposta investimentos prioritários, no que está absolutamente certo. Mas erra ao achar que, seus projetos de infra-estrutura por exemplo possam ser bancados pela sociedade com ampla oferta de recursos privados em ações de regras não definidas, como erra em apostar que na educação dinheiro só é o que basta. Como, também, erra, ao entender que seu investimento em habitação popular é o quanto basta. Qualquer cidadão deste país sabe o calvário que é peregrinar pela Caixa Econômica para obtenção e aprovação de financiamento habitacional ! Portanto, não consiste apenas jogar-se milhões de recursos e achar que eles por si só resolverão todos os nossos males. Por exemplo, preocupou-se alguém na montagem do PAC em estudar detidamente as causas do apagão de energia ocorrido em 2001, no governo FHC ? Por certo que não. Porque senão teria mudado um pouco o foco dos investimentos que agora apresentam à nação. Excelente que se aproveite os recursos hídricos do país mas, também, deveriam diversificar os investimentos em outras fontes, nas termoelétricas, para dar melhor sustentação, equilíbrio e segurança de que “novos apagões, nunca mais”! Fosse nossa matriz energética mais diversificada, e por certo o apagão de 2001 não teria ocorrido.
O que frustra as expectativas de muitos é saber que, após ter governado (?) o país por quatro anos, Lula ainda não sabe o que fazer com ele. Nada de novo está apresentado agora. Ou se tratam de planos anteriores, ou continuação pura e simples de coisas que já estavam em curso. A parte que trata dos investimentos em energia elétrica é um caso legítimo de apresentarem como “novo” investimentos já programados e em curso, antes do próprio PAC existir.
Até fugindo um pouco do PAC, podemos citar o exemplo do FUNDEB. Lula criticou o Congresso na demora de sua aprovação. Pois bem, não tivesse Lula a megalomania que o caracteriza, teria aproveitado a existência do FUNDEF, de muito bons resultados, e feito nele as modificações necessárias e, touché, rapidinho teria um excelente programa (pelo menos nos propósitos). Não, quis inventar algo novo e fez o país esperar dois anos inutilmente.
No noticiário de hoje já se dá conta que Lula irá promover algumas modificações no PAC. Ótimo, é bom que o faça, mas é preferível também que aprenda a lição que ele próprio condenou nos outros: sempre que o governo quiser implantar um pacote de medidas que mexe com a vida da sociedade, é bom ouvir um pouco mais aqueles que tem real conhecimento em cada área de especialização. Não precisa montar mais “um grupo de trabalho”. Pode fazê-lo até de maneira informal. E, também, não tente convencer as pessoas de que tendo o selo do governo federal, qualquer medida mereça ser aplicada sem discussões, sem debates, sem contestação. E, por fim, a lição maior, senhor Lula: respeite a história do Brasil, antes de você, houve muitos, e depois de você existirão muitos outros. Não é nenhum desdouro governante dar prosseguimento às políticas públicas que dão certo, só porque foram implementadas pelos governantes anteriores. Não tente reescrever nossa história. Insisto que o governante bom é aquele que trabalha, e trabalha para o país, e não o que trabalha apenas para si mesmo, e sem desgrudar os olhos dos índices de popularidade.