quarta-feira, maio 16, 2007

ENQUANTO ISSO...

Gás da Bolívia fica mais caro para termelétrica em Cuiabá
Da Agência Estado

O preço do gás sobe de R$ 1,09 para US$ 4,2.
Preço faz parte do novo acordo assinado pelos dois governos.

O Brasil triplicou, a partir de terça-feira (15), o preço que paga pelo gás natural que compra da Bolívia para uso em uma termelétrica em Cuiabá, capital do Mato Grosso, informou na noite da segunda-feira o ministro boliviano de hidrocarbonetos, Carlos Villegas.

"O novo preço tem que vigorar a partir do dia 15 de maio. Esse foi o acordo com o ministro brasileiro (das Minas e Energia) Silas Rondeau," disse o funcionário boliviano em uma coletiva de imprensa.

Em fevereiro, quando o novo preço foi acertado entre os dois países, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reconheceu que o Brasil precisa pagar mais pelo gás natural.

A termelétrica de Cuiabá compra da Bolívia 1,2 milhão de metros cúbicos diários, ao preço de US$ 1,09 por milhão de Unidades Térmicas Britânicas (BTU, na sigla em inglês). A partir desta terça-feira, o preço do gás subirá a US$ 4,2 o milhão da BTU, tarifa que já vigora para os 24,5 milhões de metros cúbicos de gás natural que os bolivianos exportam diariamente ao Estado de São Paulo, maior mercado brasileiro.
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Villegas diz que o preço de US$ 4,2 por milhão de BTU faz parte dos novos acordos assinados pelo governo boliviano com as petrolíferas, pouco mais de um ano depois da nacionalização decretada pelo governo. Os novos acordos entraram em vigor neste mês.

ENQUANTO ISSO...

Bolívia quer aviões da Embraer negados à Venezuela
Da Agência Estado

A venda depende da abertura de uma linha de financiamento pelo BNDES.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, está executando um plano de reequipamento das Forças Armadas.

A Bolívia pode comprar 24 aeronaves Supertucano, da Embraer, que não puderam ser vendidas à Venezuela. Em 2005, um embargo dos Estados Unidos ao fornecimento para o regime de Hugo Chávez de equipamentos militares que utilizem componentes de tecnologia dos EUA impediu que o negócio fosse concluído.
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A venda para a aviação militar da Bolívia de 12 a 20 turboélices AT-29 Supertucano depende da abertura de uma linha de financiamento pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O valor estimado do contrato, considerado pela empresa em fase inicial de discussões, varia entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões, dependendo da configuração a ser definida para a aeronave de ataque e treinamento.
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O chefe do Estado-Maior da aviação boliviana, general Carlos Daniel Salazar Osório, pilotou o AT-29 durante uma hora na base aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, durante visita realizada em abril. Osório também esteve na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, região da Araraquara (interior de SP), onde são fabricados os turboélices.

Reaparelhamento
O presidente da Bolívia, Evo Morales, está executando um plano de reequipamento das Forças Armadas da Bolívia e conta com amplo apoio de Chávez na iniciativa de modernizar a estrutura operacional da defesa.
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O presidente da Venezuela doou à Bolívia dois helicópteros pesados Super Puma, mais um estoque não detalhado de armas leves, e está recebendo oficiais bolivianos para treinamento. Com freqüência, as viagens internacionais de Evo são feitas em jatos executivos da frota presidencial venezuelana.
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Vender os Supertucanos seria uma forma de compensar a influência, até agora única, de Chávez , acredita um diplomata ligado ao Departamento da Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores e com grande experiência nas relações com os países andinos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pois é, eis aí a canalhice do boliviano conjugada com as mentiras e lorotas do ladoi de cá da fronteira: enquanto Lula doa patrimônio brasileiro para a “pobre” Bolívia, aceita a chantagem do índio para praticar a “integração” latrina com os vizinhos concordando com as chantagens mais indecentes e jogando no lixo todo o respeito diplomático que o país conquistou ao longo de décadas, aceita rasgar contratos e se deixa impor um preço ao bel prazer do Evo, este, ao invés de investir para minorar a miséria de seu povo, vai reaparelhar suas forças armadas à custa do Brasil.

E nem se duvide que Lula abra as portas do BNDES para favorecer o vizinho que só lhe dado chute no traseiro e desrespeitado o povo brasileiro. É bom lembrar, ainda, que os aviões da nossa Aeronáutica mal conseguem levantar do chão por falta de peças ou de manutenção, em razão do contingenciamento de verbas praticadas pelo governo federal. Definitivamente, Lula parece querer ser candidato na Bolívia em razão de tanta bondade para com os outros...

Forçando a barra

Carlos Sardenberg, Portal G1

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que os objetivos do PAC são: acelerar o ritmo de crescimento da economia; aumentar o emprego e a renda e diminuir as desigualdades sociais e regionais; e manter os fundamentos macroeconômicos (inflação, consistência fiscal e solidez nas contas externas).
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Vai daí, coloca na conta dos resultados iniciais do PAC coisas como: a redução da taxa de juros; o aumento do crédito bancário; o crescimento das vendas no varejo; a expansão da produção industrial e até o ganho de confiança dos empresários.Tudo isso em três meses? Não faz sentido.
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A redução dos juros, por exemplo, é um processo iniciado em setembro de 2005 e não tem nada a ver com o PAC. Resulta da firme aplicação da política monetária pelo Banco Central – política, aliás, criticada pelo ministro Mantega seguidas vezes – que derrubou a inflação e, assim, permitiu a queda dos juros.

Por outro lado, a inflação baixa, a expectativa de inflação baixa, em razão da confiança na política do BC, e longo processo de redução dos juros permitiram outros resultados, como a expansão do crédito bancário. Só pode haver crédito mais abundante e de longo prazo quando não há inflação.
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E por aí vai: o aumento do consumo e dos investimentos também é processo que vem se fortalecendo há meses, justamente em consequência da estabilidade macroeconômica. Não tem nada a ver com o PAC.
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E outra coisa: o relato do ministro Mantega não faz nenhuma referência ao excelente momento da economia mundial – e este é um fator decisivo para o bom momento da economia brasileira. Por exemplo, as exportações não teriam decolado se o mercado internacional não estivesse comprando praticamente de tudo, a preços cada vez mais maiores.
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Ou será que a economia internacional também vai bem por causa do PAC?

A propriedade privada é um roubo?

Vejamos no que dá levar isto a sério
por Claudio Shikida, site Instituto Millenium

Desde 2002 observo uma constante no noticiário. Não que não existisse antes, mas ficou bem mais presente nos últimos tempos. Trata-se da aplicação da visão alternativa de propriedade privada característica do socialismo tupiniquim, hoje, discretamente feliz ao ser chamado de “bolivariano” (desde que o elogio venha por sussurros, claro). É uma herança histórica, evidentemente, do próprio socialismo. Proudhon ficou famoso por ter dito que “a propriedade privada é um roubo” e, atualmente, os socialistas dizem que “o direito à propriedade privada é a origem do roubo”.

Se o direito à propriedade privada é um “mal”, então é difícil imaginar indivíduos reivindicando direitos sobre, digamos, sua própria força de trabalho. Afinal, a força de trabalho não é uma propriedade que lhe compete, já que, segundo os não-liberais, um roubo seria. Mas quem foi roubado? Normalmente, a “classe trabalhadora”. Afinal, o trabalho tem “função social”, o que significa que trabalhar para Stalin não é escravidão, mas trabalhar para Hitler é uma decisão errônea, fruto de uma ilusão criada pela burguesia.

Dito isto, suponha que um indivíduo que realmente acredita na maldição intrínseca do direito à propriedade privada assuma um cargo público. Em princípio, há uma certa satisfação pessoal: o cargo não é privado, é público. Mas, e na hora da rotina? E quando caírem sobre a mesa os documentos que pedem sua assinatura? Provavelmente ele pensará que isto é “coisa da burocracia”, logo, de weberianos e, portanto, não se trata de socialismo, mas sim da prática herética advinda de uma teoria superficial (ele, orgulhosamente, criaria um jargão para isto: “o fetichismo da sociologia”) que não leva em conta as profundas, complexas e dinâmicas relações de classe.
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Se este indivíduo cometer um erro ou, intencionalmente, aceitar um suborno, pela lógica de seu pensamento, não poderá ser responsabilizado, já que não existe qualquer legitimidade em se lhe atribuir a responsabilidade de um ato. Por quê? Porque os direitos de propriedade privada são ilegítimos. Se há uma crise - como nunca se viu antes neste país - no setor de aviação civil, regulamentado pelo setor público, não há como culpar alguém. A culpa não é de ninguém. Para não ficar muito feio, claro, pode-se sempre jogar a culpa em algo genérico, vago e impreciso. Pode ser a “herança maldita”, “a sociedade” ou “a história escravocrata deste país”. E se uma promessa do presidente é descumprida pela equipe ministerial? Não há culpados. Não há como ter culpados porque este o é por conta de algum evento por ele praticado. Como não se pode atribuir responsabilidades privadas a um indivíduo, voltamos ao ponto inicial deste artigo. Ah sim, alguém poderia dizer que foi “possuído pelo tinhoso”, mas isto também tem sabor de argumentos baseados no conceito de… propriedade privada.

Esta visão de mundo, ou pelo menos este modus operandi, se imaginarmos que o discurso possa ser simples hipocrisia, tem estado muito presente no noticiário, quando não corroborado por certos articulistas, cansados (ou favorecidos) com o status quo - no qual não existem, nunca, culpados. Não que sejam ignorantes os que se embriagam com esta prática. Sociedades caracterizadas por um incentivo muito maior à redistribuição de recursos (também conhecida como “socialização de prejuízos”) do que à busca pela eficiência não são povoadas de bestas quadradas. Pelo contrário, costumam apresentar bons níveis educacionais, como recentemente mostraram Carraro e Damé. E não há paradoxo algum nisto: é preciso muita lábia para tirar a culpa dos próprios ombros e jogá-las na “sociedade”.

Efeitos da maior alfabetização nem sempre geram os efeitos desejados. Veja-se, por exemplo, o caso da profissão de economia no Brasil:

A criação da economia profissional no Brasil, entretanto, não era uma simples questão de implantação de um currículo moderno. Havia problemas culturais e institucionais mais amplos que dificultavam o desenvolvimento das ciências sociais no Brasil. As tradições intelectuais do Brasil e de outros países latino-americanos gravitavam em torno do pensador, um homem que se orgulhava de sua vasta cultura e que rejeitava a especialização. Esse pensador, com freqüência, com a mesma facilidade que escrevia sobre sociologia e política contemporâneas, escrevia também sobre literatura e, seus estudos, muitas vezes, cruzavam fronteiras interdisciplinares. (…) o fato é que os autores que tratavam de questões sociais geralmente escreviam sem qualquer referência a estudos monográficos, os quais, na Romênia, eram citados já antes da Primeira Guerra (…). Os juízos do ensaísta brasileiro tendiam a ser definitivos e eram tratados de forma histórica.
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(…)Esse fato se deve principalmente a que, no Brasil, o número de estudantes universitários era reduzido, em comparação com as oportunidades de emprego na advocacia, no jornalismo e no serviço público.

(…)Uma razão sociológica para a persistência da tradição do pensador é que raramente as instituições acadêmicas brasileiras voltavam-se para a pesquisa. [Joseph L. Love, “A Construção do Terceiro Mundo”, Paz & Terra, 1998, p.350-1, grifos meus].

Para finalizar, eu diria que pessoas formalmente bem educadas são boas candidatas para a construção de um discurso que negue a responsabilidade individual de seus atos, tanto quanto para a construção do seu oposto, ou seja, o discurso que percebe os direitos de propriedade privada como fundamentais na recompensa e no castigo por nossos atos. Não é porque você errou que a culpa é minha, certo?

TOQUEDEPRIMA...

Lula quer comprar parte paraguaia de Itaipu
Cláudio Humberto

O presidente Lula pretende fazer História com uma idéia sensacional: comprar a parte paraguaia da hidrelétrica de Itaipu binacional. A proposta, a que esta coluna teve acesso, é pagar ao Paraguai US$ 4 bilhões, cash, e bancar a obra de uma hidrelétrica, que pode ser a de Itatí-Itá-Corá, também no rio Paraná, estimada em cerca de US$ 500 milhões. Paraguaios sempre reclamaram que Itaipu rende pouco. A maior hidrelétrica do mundo fornece 70% da energia do sudeste brasileiro.

Lula abriu conversa com Nicanor Duarte sobre a compra de Itaipu em 16 de abril, na volta da reunião de presidentes na Ilha de Margarita (Venezuela).

As primeiras negociações com o Paraguai foram confiadas por Lula ao ex-ministro Luiz Furlan, que esteve secretamente em Assunção, há dias.

O sonho de Lula é surpreender, anunciando o negócio bilionário entre Brasil e Paraguai durante sua visita oficial a Assunção, nos dias 20 e 21 próximos.

Os US$ 4 bilhões oferecidos ao Paraguai representam o dobro do que custa atualmente a obra da hidrelétrica Corpus, em parceria com a Argentina.


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Filme real da deslumbrada nº 1

A madame da Península dos Ministros, que depois de uma briga com o marido quebrou toda a porcelana de Sévres, ainda não se dá por satisfeita. Agora, pretende ficar dependurada no gigantesco lustre de cristal da mansão. Que ainda divide com o marido. No melhor estilo Kathleen Turner no filme "A guerra dos Roses". (MF)

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Tucanos sem rumo e Lula sem oposição
Do Jornal do Brasil

"A movimentação, na última semana, dos principais cardeais do PSDB evidenciou que o principal partido de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva ainda pilota uma nau sem rumo, mesmo passados quase sete meses das eleições presidenciais, de onde saíram falando idiomas diferentes.

Sem um discurso forte para se contrapor a Lula e ao PT, com a economia de vento em popa e a popularidade do presidente nas alturas, parte expressiva do partido se vê refém do projeto dos dois principais nomes do PSDB para a eleição presidencial de 2010 - os dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves. Esse projeto passa pelo diálogo com o Palácio do Planalto."


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Jabuticaba brasileira

O modelo inglês é da integração dos poderes; o americano, da separação; o brasileiro, da invasão dos poderes. Aqui, "o executivo legisla, o legislativo investiga e o judiciário administra", diz o jurista Manoel Gonçalves Ferreira.

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Brasil amplia limites de sua fronteira marítima
De O Estado de S.Paulo

"Desde o mês passado, os livros didáticos estão autorizados a ensinar que o Brasil tem exatos 12,712 milhões de quilômetros quadrados, e não apenas os 8,5 milhões de quilômetros quadrados informados a todas as gerações de estudantes. A Organização das Nações Unidas (ONU) deu sinal verde para o País incorporar, para além das 200 milhas náuticas, mais 712 mil quilômetros quadrados de extensão da chamada plataforma continental. Nessa área, correspondente ao tamanho dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, o País também já tem assegurada a soberania de exploração e aproveitamento de todos os recursos naturais do solo e do subsolo marinhos.

Os 12,7 milhões de quilômetros quadrados são a soma dos 3,5 milhões da chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE) com os 712 mil quilômetros reconhecidos em abril pela ONU. Mas o Brasil quer mais e pode, ao fim do processo de legalização da plataforma continental, que vai até maio de 2009, transformar-se em uma nação com 12,95 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a quatro Índias."

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Por um novo Anhembi
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O prefeito Gilberto Kassab, desistiu de esperar a União devolver ao município um pedaço do Campo de Marte, tomado da cidade ainda nos tempos da Revolução de 1932. Naquele local, onde hoje estão seis campos de várzea, o ex-prefeito José Serra planejou construir um novo Parque de Exposições do Anhembi. Kassab determinou aos secretários que procurem uma área de cerca de 100 000 metros quadrados nas cercanias da cidade para tocar a obra, que será viabilizada através de parcerias-públicas-privadas.
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Kassab considera a construção do novo Anhembi vital para consolidar São Paulo de vez como a cidade mais procurada para turismo de negócios no Brasil. No ano passado, o Anhembi deixou de receber 70 eventos de grande porte. Na Feira da Construção, por exemplo, 80 expositores ficaram de fora por absoluta falta de lugar

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Populistas: Vaticano alerta contra ditaduras na região

Enquanto o papa Bento XVI faz sua primeira visita à América Latina, a cúpula do Vaticano manifesta a sua preocupação com o panorama político da região, que concentra metade dos católicos do mundo. Em entrevista à imprensa italiana, o secretário de Estado Tarcisio Bertone, cardeal que ocupa uma das principais funções da Igreja, alertou contra o "déficit da democracia representativa” em alguns países. O cardeal, porém, evitou críticas diretas e específicas aos governos do continente.

Bertone disse que o Vaticano "não tem medo das siglas, mas eventualmente de seu conteúdo". "Se um governo de esquerda se preocupa em favorecer os mais pobres, repartir a terra, melhorar a saúde e educação, criar empregos para tirar os jovens do narcotráfico... se faz tudo isso, pode receber o aplauso e colaboração da Igreja”, disse. "O problema nasce quando esse governo tenta retomar regimes ditatoriais”, completou, sem citar líderes ou países.

De acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Vaticano mostra preocupação crescente principalmente com a Venezuela, do polêmico líder Hugo Chávez. Na mesma entrevista, o cardeal Bertone faz referência indireta a Evo Morales, líder de origem indígena que governa a Bolívia - segundo ele, o Vaticano é contra "idealizar alguma civilização do passado". Bertone disse que pedirá ajuda dos EUA no combate aos problemas sociais da América Latina.

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A Amazônia é deles?

Em Benjamin Constant, extremo oeste do Amazonas, uma aldeia atende pelo nome de "Philadelphia", os índios usam camisetas com inscrições em inglês e o cacique se chama "Roosevelt". Uma equipe da Funasa esteve no local e hasteou uma bandeira do Brasil - a primeira da história da aldeia.

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Prefeitos cobram revisão do Fundeb

Leonencio Nossa, Estadão

Prefeitos dos pequenos municípios estão em pé de guerra com o Ministério da Educação por causa da divisão do dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, o Fundeb. Ontem, liderados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de cem deles passaram pelo Congresso e conseguiram, com a ajuda de senadores, ser recebidos pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
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Os prefeitos disseram a Haddad que tiveram perdas nos repasses e cobraram mudanças na medida provisória que regulamenta a divisão dos recursos do Fundeb - ou a edição de outra MP -, alegando que trouxe prejuízos para os pequenos municípios e mais verbas para os grandes e os Estados. Haddad atribuiu as queixas a “problemas operacionais” e prometeu apresentar até amanhã uma solução.“Nós somos os primeiros a querer corrigir possíveis erros.” Ele admitiu que o governo pode até editar uma MP para compensar eventuais perdas.
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Mas Haddad contestou os dados do estudo do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) que indica que 4 em cada 10 municípios mais perdem do que ganham com o Fundeb, publicado sábado pelo Estado. “O Tesouro e o MEC fizeram um levantamento mostrando que 97% das prefeituras vão receber mais em 2007 do que receberam em 2006”, afirmou.
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“Ninguém inventa nada, ministro”, reagiu Paulo Ziulkoski, presidente da CNM. “Vamos selar um acordo para que um instituto neutro e de grande respeitabilidade faça uma análise das contas”, propôs Haddad. A idéia irritou os prefeitos, que levantaram a voz para dizer que não tinham condições de esperar um novo estudo.
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O ministro insistiu que o problema pode ter ocorrido por problemas “operacionais” do Banco do Brasil, que gerencia as contas do fundo. “Isso é uma questão técnica, não é uma questão política”, ressaltou. Para ele, o problema “operacional” deve-se à troca do Fundef, que era o fundo só para o ensino fundamental, e vigorou até o fim do ano passado, pelo Fundeb, que abarca todos os níveis, do ensino infantil ao médio.
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Os prefeitos reclamaram que o governo só ouviu secretários estaduais de Educação no processo de elaboração da MP que regulamentou o Fundeb, excluindo os municípios. “Os secretários não falam por nós”, afirmou Ziulkoski. Essa MP estabeleceu que, em janeiro e fevereiro, o repasse funcionaria ainda de acordo com as regras do Fundef. O antigo fundo distribuía para Estados e municípios 15% de uma série de cinco impostos. O Fundeb repassa num primeiro momento 16,66% de uma série de oito impostos.
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A revolta dos prefeitos de cidades menores surgiu em abril, quando o governo fez o ajuste, mudando a divisão de recursos. Os prefeitos acham injusto o peso atribuído a cada área para o repasse - 0,8 para creches, 1 para ensino fundamental e 1,2 para ensino médio. Segundo eles, um aluno de creche, geralmente bancado por prefeituras, custa mais que um do ensino médio, bancado por Estados.
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Transporte
Jair Souto (PR), de Manaquiri (AM), disse que o Fundeb não leva em conta a realidade de seu município, que atende 30% das crianças com até 6 anos. “O Fundeb não vai nos dar condições de aumentar esse porcentual”, avaliou. Para ele, a maior dificuldade é o transporte escolar. A prefeitura paga R$ 1,2 mil por mês para 85 barqueiros. “Nosso aluno do ensino infantil é muito caro e o peso da educação infantil no Fundeb é muito baixo.”
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José Thomé Filho (PPS), de Autazes (AM), reclamou que perdeu 30% em relação ao que ganhava com o Fundef. “O novo fundo aumentou o número de alunos que o município precisa atender, mas reduziu os recursos.” Na sua conta, Autazes teve um déficit no mês de R$ 18,5 mil. “Gastamos com transporte escolar boa parte do que recebemos, pois as crianças estão nas margens de igarapés e rios. A lei só é feita para o Sul.”
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Paulo Ribeiro (PP), de Santanópolis (BA), reclama que está com déficit de R$ 120 mil. “Tenho de arcar com 60% do transporte escolar, sendo que o Estado é quem recebe para isso.”

Quatro em dez municípios vão ter prejuízo com Fundeb

Wilson Tosta, Estadão

Simulações do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) mostram que, com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), os Estados perderão menos do que com o antigo Fundef, mas, por outro lado, 4 em cada 10 municípios brasileiros sofrerão o processo inverso, aumentando as suas perdas.
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De acordo com o levantamento, o saldo negativo dos governos estaduais, de R$ 10,3 bilhões em 2006 - referente à diferença entre o que destinaram ao Fundef e o que receberam dele em 2006 - cairá para R$ 9,1 bilhões. Do lado das prefeituras, crescerá a proporção daquelas que cedem mais dinheiro do que recebem: de 32,6% (em 2005) para 40% do total. As perdas atingirão sobretudo as cidades pequenas e mais pobres, com menos alunos.
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Um dos motivos dessas mudanças está nos novos critérios. No antigo Fundef, estabelecido no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), as verbas eram distribuídas de acordo com o número de alunos do ensino fundamental - primeira à oitava série do antigo 1º grau. Esse nível de educação, embora com participação dos Estados, tem uma forte presença dos municípios - a competência é compartilhada.
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Com o Fundeb, criado no fim de 2006, também entraram na conta os ensinos infantil, médio (esse, de caráter estadual), de jovens e adultos, entre outros- o que aumenta o divisor dos recursos. Além disso, as cidades conseguiram excluir do bolo tributário as suas próprias receitas, o que beneficiou os grandes municípios, que têm arrecadação própria significativa.
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Partilha
“O IPTU, o ISS e o ITBI municipal não entram na constituição do fundo. Se a receita tributária dos municípios fosse para o bolo, o número dos pequenos que viriam a perder recursos seria bem menor”, afirma o economista e geógrafo François Bremaeker, do Ibam, que fez o levantamento. “Temos em nível nacional uma receita de R$ 50 bilhões de Estados e municípios. Se entrasse a receita municipal, seriam acrescidos ao bolo mais R$ 5,7 bilhões.”
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O Fundeb, como o antigo Fundef, tem receitas municipais, estaduais e, no caso das unidades mais pobres, federais. Dependendo das condições, um Estado ou município pode alocar mais recursos do que receberá, tendo de completar a diferença. São Paulo, Rio, Paraná e Rio Grande do Sul foram beneficiados, pois perderão menos.
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Bremaeker fez contas, com base em números de 2006, e concluiu que com as mudanças a quantidade de estudantes beneficiados pelo novo fundo em todo o País aumentará 60,7% em relação aos que eram abrangidos pelo Fundef. Os recursos, porém, subirão apenas 37,3%.
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Assim, o montante de verba por aluno vai cair de R$ 1.230,02 para R$ 1.050,93, elevando o déficit - e a necessidade de financiamento - de Estados e municípios para R$ 4,1 bilhões em 2009, mesmo com aporte financeiro do governo federal.
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“Aí reside a maior preocupação dos atuais gestores públicos, uma vez que terão de cortar investimentos e retirar recursos de outros programas para manter o padrão anterior”, afirma Bremaeker.
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Prejuízos
Em São Paulo, com o antigo Fundef, o déficit do Estado foi, em 2006, de R$ 1,535 bilhão. Com o Fundeb, essa cifra vai cair para R$ 1,476 bilhão.
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O instituto apurou que 45,7% das cidades paulistas apresentaram prejuízo com o fundo antigo e projetou que essa proporção será ampliada para mais de 50% com o Fundeb.
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O montante por aluno cairá de R$ 2.140,40 para R$ 1.779,57: o número de estudantes crescerá 73,3% e os recursos, apenas 44,1% com o novo fundo. “Isso representa dizer que o déficit a ser coberto pelos municípios e pelo Estado será de R$ 3,249 bilhões no terceiro ano (2009)”, diz Bremaeker.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: A pressa do governo em querer apresentar qualquer coisa que tenha cheiro de programa ou de projeto, acaba rendendo estas anomalias. Ora, o FUNDEF poderia ser mantido, podendo o governo Lula aperfeiçoá-lo tão somente. Mas qual, desde quando Lula teria esta grandeza, esta humildade ? Então trata de impor ao país qualquer coisa. Percebam que o montante por aluno que se irá investir é menor do que propunha o FUNDEF. E assim, Lula mente descaradamente que está patrocinando uma revolução na educação. É, se considerarmos que se trata de uma revolução com sentido inverso que ao invés de avançar, retrocede, até se pode aceitar. Mas o diagnóstico é um só: o FUNDEB, tanto quanto os PNDE e PAC da Educação, gostem ou não, quando analisados à luz do bom senso e do que realamente é necessário ser feito para revolucionar a educação brasileira de forma moderna e eficiente, não resiste a cinco minutos de análise. Mais uma vez estamos diante de uma carta de boas intenções. E se não for aperfeiçoada, iremos torrar bilhões de reais em resultados muito aquém daquilo que precisamos para avançar.

TRAPOS E FARRAPOS...

Debate de um lado só não é democracia. É tirania.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Vamos voltar a falar de aborto, não aquele previsto em lei, mas o criminoso. Aquele que o governo não consegue impedir por não fiscalizar, e acha que liberando geral estará beneficiando a mulher.

Antes de entrarmos no mérito, analisemos a últimas patacoadas proferidas pelo ministro da Saúde, José Temporão, que disse:

- Essa discussão tem um viés machista. Essa é uma questão que as mulheres sofrem, mas as normas, leis e julgamentos são feitos por homens.

E continuou:

- Eu sou de formação católica sólida. Não tenho nenhuma preocupação (de ser excomungado).

Primeiro que a discussão não se circunscreve ao planeta em que vive o ministro. Aqui não se deve considerar o que serve ou não às mulheres em geral. O que está em jogo é, liberar o aborto, não é liberar o assassinato de um indefeso?

Partir para este tipo de ataque, convenhamos, não é promover debate algum. No debate há que se ouvir e se respeitar as opiniões dos dois lados. Sair atacando as opiniões contrárias é, sem dúvida, totalmente anti-democrático. Este é o lamentável papel que Temporão está protagonizando. Aliás, antes de aprovado, o ministro está na prática abortando o debate: só o que lhe importa é sua exclusiva opinião. E a questão de se discutir a vida, não pode ficar restrita apenas a questão religiosa. Trata-se de ética, por um lado, e de ciência por outro.

Para os que defendem a liberação do aborto, um dos argumentos é que antes do nascimento não existe vida humana. Como não ? E o código genético já presente na célula ? O fato de que vida humana existe a partir da conformação do cérebro, é, convenhamos, uma falácia. Porque, neste caso, está se discutindo a vida inteligente independente, como sendo o marco. Porém, a vida é antecedente à própria inteligência que se formará a partir da formação do restante do ser em gestação. A vida, meus amigos, quer queiram ou não, inicia-se na formação da primeira célula, e tanto é assim, que já na conformação desta célula inicial, todo o código já se acha delineado. Do contrário, teríamos clonagens perfeitas sempre desde o primeiro ser. Portanto, gostem ou não, a vida humana precede ao nascimento no marco em que os defensores do aborto querem fixar.

A execução do aborto fora daquilo que a lei consente, cabe ao Estado fiscalizar, reprimir e punir. Ao consentir com a liberação do aborto, o Estado, na verdade, se livra de sua obrigação de fazer. A incapacidade do estado em reprimir um crime, e punir os criminosos, não pode ser motivação para liberar o crime praticado. Pois a ser assim, e para ser coerente, libere-se os assassinatos todos, porque o governo não tem capacidade e competência de reprimi-los ? Ora, convenhamos ! Já dissemos anteriormente que a descriminalização do aborto é a legalização de um crime. O Estado não tem este direito. Não pode pura e simplesmente liberar-se e abdicar de seu dever.

Fala-se na questão da mulher dispor de seu corpo com liberdade. Ótimo, ninguém coloca empecilhos neste direito natural. Porém, até onde se estende este direito ? Até onde ele passa a suplantar o direito de outro. É um princípio clássico de que o meu direito vai até onde se inicia o direito de meu semelhante. Pois bem, a partir do momento que a mulher carrega uma vida dentro de seu ventre, este direito, logicamente, fica limitado ao direito do ente crescer e sobreviver. Se a gravidez é indesejada, que se eduque a menina melhor, para que seus atos possam preservar seu direito de dispor do corpo sem as conseqüências de uma gravidez indesejada. Isto é, que ou utilize preservativos se quiser ter vida sexual ativa, ou simplesmente não pratique sexo, pelo menos enquanto a gravidez não lhe for conveniente. Mas ao fazê-lo não terá a menina ou as mulheres em geral, a consciência do risco que correm se não tomarem os cuidados de prevenção necessários?

O que me parece hipócrita neste caso, é que o Estado fala tanto em educação sexual nas escolas, mas o fato é que até hoje não soube educar meninos e meninas que, se fizerem sexo sem os cuidados necessários, pode nascer neném. Mesmo que a criança mal saiba falar e escrever português ou até fazer os mais elementares cálculos de matemática, não saberá que do sexo pode desencadear uma gravidez?

O que precisa ficar claro é o seguinte: a nossa sociedade não pode fazer a opção pela permissividade, pela promiscuidade. Se o que se deseja é uma sociedade moralmente cada vez mais avançada, é preciso entender que a cada direito corresponde um dever. Precisamos abandonar de vez a atitude de se pretender apenas abraçar direitos e, principalmente, privilégios, sendo que estes estão associados, regra geral, a atos que fogem ao deveres.

Não cabe ao Estado escolher o modo de vida dos cidadãos apenas pelo viés e a ótica de seus ocupantes, e principalmente, porque tais ocupantes não são eternos. Ao menos em sociedades democráticas. Como, também, não se pode admitir que compareçam a um debate pessoas de atitudes dúbias. E este é o caso tanto de Lula quanto do ministro Temporão. São personas de duas posições éticas distintas: uma, como cidadão, quando dizem serem contrários ao aborto indiscriminado. E outra, como “governantes” em razão do problema afligir algumas mulheres. Além disto, não podemos incentivar que o crime será combatido pela sua liberação, e, neste sentido, também se pode alinhar a questão das drogas, a questão das armas, a questão da prostituição, e o aborto. A liberalização disto tudo significa que a sociedade brasileira estaria se condenando à barbárie, à selvageria. Tem que haver sim um arcabouço a regular as ações e as relações humanas. Compete ao Estado, por ser papel intrínseco, que este arcabouço seja respeitado e seja cumprido por todos. Como ainda compete ao Estado punir aqueles que infringirem estes códigos. Não se pode simplesmente, pela incapacitação do Estado no cumprimento de seu papel, jogar fora as conquistas morais que devem vigorar em grupamentos moralmente superiores.

Por todo o exposto, não se pode entender que o assunto fique rendendo um debate imoral e criminoso: quando se tratar de preservação da vida, quem incitar a simples possibilidade de se criar “facilidades” para o cometimento de crimes, está, irremediavelmente, se condenado a consentir ao regresso moral de qualquer sociedade. E neste caso, está se inviabilizando como governante, porque se negando ao cumprimento de seus primitivos e elementares deveres que é o de resguardar a sociedade de seus instintos de destruição. Porque se o governo insistir nesta questão, sob o não confesso desejo de abdicar de suas funções, estará insistindo para que a sociedade regrida na preservação de sua imunidade à falta de ética. Uma sociedade imoral é, sem dúvida, o caminho mais curto para liberação dos processos de sua própria auto-aniquilação.

Uma última colocação: a vigorar a tentativa de se legalizar o aborto indiscriminadamente, vai se matar outra questão fundamental para a integridade de qualquer sociedade: a da paternidade responsável. É incrível como vemos no Brasil homens engravidando mulheres e depois dando no pé, deixando a mulher sem nenhuma assistência sequer durante a gravidez. Isto acabará sumindo de vez com a liberalização, porque vai se jogar a mulher numa sinuca de bico: o homem diz que não assume sua responsabilidade, e induzirá a mulher à prática do aborto, deixando o preço de arcar com sua exclusiva consciência o crime de expulsar de seu ventre o filho concebido. Ou seja, na busca de proteção, a mulher ficará ainda mais abandonada, e será tratada pelos homens como apenas um mero instrumento de prazer.

Fim de PIS e Cofins em infra-estrutura

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

A equipe econômica vai regulamentar nos próximos dias a desoneração integral de PIS/Cofins dos novos projetos de infra-estrutura, como grandes empreendimentos de energia e saneamento básico. A informação foi dada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A medida, segundo assegurou, deverá baratear grandes projetos em até 10%.

Após a aprovação da Medida Provisória 351 que desonera obras de infra-estrutura, o chamado Reidi, a regulamentação deve sair nos próximos dias. A expectativa da equipe econômica é que a renúncia fiscal seja de R$ 1,6 bilhão em 2007 e de R$ 2,8 bilhões em 2008. Os valores não haviam sido divulgados anteriormente.

Segundo Mantega, apenas projetos novos serão beneficiados. A desoneração será integral, sem o uso de crédito tributário. Assim, diz o ministro, empreendimentos terão custo 9% ou 10% menor do que o observado atualmente. A notícia foi comemorada pelo presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy.

"Temos a expectativa que essa questão seja realmente resolvida rapidamente", disse em nota. "É uma das principais ações do PAC para viabilizar o setor", completa o presidente da Abdib.

Outra iniciativa é a que desonera a folha de pagamento de setores com uso de mão de obra extensiva e que tem sido prejudicados pelo câmbio. Ele confirmou que as medidas serão adotadas e que restam, apenas, dúvidas sobre o formato do incentivo. Mantega citou nominalmente como beneficiadas as indústrias de calcados, móveis, têxteis e segmentos da indústria eletroeletrônica. Sobre uma eventual redução do deposito compulsório, o ministro disse que é uma idéia preliminar.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É mesmo, é ? Obra pública ser barateada ? Qual, a quem estão querendo enganar?! Na verdade, tal desoneração vai é engordar os lucros das grandes empreiteiras que serão agraciadas com obras públicas milionárias ! Duvido, por exemplo, que por conta de tal desoneração, eles repassem pelo menos metade da renúncia fiscal para os operários que trabalharão nos canteiros de obras !!! Ou seja, continuarão ganhando os mesmos de sempre. Continuarão trabalhando os mesmos de sempre. Enquanto os primeiros engordam seus lucros, os segundos sequer assistência médica decente terão direito, muito menos aposentadoria que lhes retribua o muito que fizeram e foram explorados pelo país.

D. Marisa beijou a mão errada!


COMENTANDO A NOTÍCIA: Depois dizem que é implicância. Reparem qual mão dona Marisa beijou na recepção presidencial ao papa Bento XVI: isto aí, a dela mesma.

TOQUEDEPRIMA...

PT tem autores de lei contra e favor do aborto

No Congresso Nacional existem 19 propostas relativas ao aborto. O PT tem autores de leis pela legalização do aborto em qualquer circunstância e um deputado petista propõe o endurecimento da punição, inclusive nos casos de estupro. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já provocou polêmica dizendo que a questão é um problema de saúde pública e deve ser discutida pela sociedade, livre de dogmas.O deputado Luiz Bassuma (PT-BA) é autor do projeto que pede penas mais duras em relação ao aborto e foi encaminhado ao Conselho de Ética do partido porque o parlamentar estaria contra o Programa de Governo, aprovadas no 13º encontro nacional da sigla. Ele pode ser advertido, suspenso ou expulso da legenda. Bassuma disse que suas convicções estão acima de um partido.No Código Penal, o aborto é autorizado quando existe risco para a vida da gestante ou quando a mulher foi vítima de estupro. Para os demais casos, as penas variam de um a quatro anos de prisão. Há mais de 16 anos se debate o aborto no Congresso Nacional.

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Lula propõe integração religiosa da América Latina
Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, no programa semanal de rádio Café com o Presidente, que além da integração energética e social, a América Latina precisa integrar-se religiosamente. Ele informou que conversou sobre o assunto com o papa Bento XVI.

"Conversei com o papa sobre a necessidade da integração religiosa na América Latina, porque a Igreja Católica na América Latina também tem um peso muito importante. Nós estamos, já há algum tempo, falando em integração da América Latina, integração cultural, integração social, integração energética, integração de ferrovia, tudo. É importante que haja uma integração religiosa", afirmou.

Para Lula, a realização da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP), contribui "para que a gente tenha mais harmonia na região".

Na quinta-feira passada, quando encontrou-se com o Papa, o presidente disse que buscará manter no Brasil um Estado laico, ou seja, separado da Igreja. No programa de rádio, Lula afirmou que o Estado Laico é a melhor forma de respeitar todas as manifestações religiosas existentes no País.

"É importante que a gente tenha sempre como princípio aqui no Brasil respeitar as mais diferentes religiões existentes. Tem muitas religiões no Brasil. Nós precisamos conviver com todas elas da forma mais respeitosa e mais democrática possível. Portanto, eu estou convencido de que o Estado laico é uma garantia da sustentação democrática também para o Brasil".

Depois de cinco dias de visita ao país, o papa Bento XVI embarcou ontem à noite para o Vaticano.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Até parece que a Igreja Católica precisa deste papo furado do Lula? A Igreja está unida em sua doutrina cristã, e isto, em qualquer lugar do mundo. Ela dispensa esta marola imbecil do Lula. Se era para fazer agrados a Bento XVI , o presidente bem que poderia ter arranjado coisa melhor ou menos idiota.

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Norma Bengell é indiciada por lavagem de dinheiro
Redação Terra

A procuradora federal Neide Cardosa aguarda inquérito da Polícia Federal para decidir se denuncia a atriz e diretora de cinema Noma Bengell por lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária e financeira, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo.

A atriz foi indiciada pela Delegacia Fazendária da PF por supostas irregularidades na compra de um apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, endereço nobre da zona sul, em 1996.

O advogado de Norma Bengell, Fernando Drummond, classificou de apressado o indiciamento, uma vez que a cliente nunca foi intimada pela Polícia Federal.

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Governo espera aprovar hoje Fundo de Participação
Redação Terra

A votação da emenda constitucional que aumenta em um ponto porcentual o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) deve ser retomada hoje pelo Governo.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, para evitar o susto da semana passada, a votação só irá adiante se houver pelo menos 450 dos 513 deputados.

O líder do Governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), afirmou ontem estar confiante na aprovação do texto proposto pelo Governo. "Na semana passada o pessoal foi embora. Mas a votação foi à meia-noite. Agora, estamos com segurança que vamos aprovar amanhã (hoje) a emenda".

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Genoino se defende atacando a imprensa

Terminou há pouco o primeiro discurso do deputado José Genoino (SP), que se enrolou com o escândalo do mensalão quando presidia o Partido dos Trabalhadores. Durante quinze minutos do seu discurso, Genoino foi brindado com um único e solitário aparte do colega Vicentinho (PT-SP) , ex-presidente da CUT. O plenário estava vazio. Ele culpou a imprensa, especialmente a Veja e Rede Globo, como "autores" dos maiores escrachos quando foi flagrado com as digitais no mensalão. Para agradar o presidente Lula, criticou ásperamente o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza (que o enquadrou como quadrilheiro) e se derramou em elogios à escritora e socióloga petista Marilena Chaui, que sempre o defendeu. Para quem sempre se gabava de abater adversários por meio de discursos, o abatimento de Genoino era evidente.

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Gilberto Miranda, Tanure e a Editora Três
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O ex-senador Gilberto Miranda está liderando um grupo de bancos que tentará salvar a Editora Três, que publica a revista Istoé. O que ele tem dito aos mais próximos é que conseguiu reunir 40 milhões de reais para a tentativa de começar a acertar os passivos da editora.

Como as dívidas da Três giram em torno dos 750 milhões de reais (cerca de 70% disso com o governo), a idéia é que os advogados de Domingo Alzugaray, dono da editora, entrem ainda hoje na Justiça de São Paulo com um pedido de recuperação judicial. Miranda entraria como sócio, mas Alzugaray permaneceria controlado a empresa.,

E como fica o acordo firmado dois meses atrás entre Nelson Tanure e Domingo Alzugaray? Bem, os dois reúnem-se hoje, às 17h, na sede da Editora Três para acertar os ponteiros. O mais provável é que Tanure vire, veja só, credor da Três. Explica-se: pelo acordo de dois meses atrás, ele injetara 15 milhões de reais na empresa, que pretendia comprar. Mas um dos envolvidos no negócio confidenciou agora há pouco a um interlocutor próximo que Alzugaray pagaria os 15 milhões de reais a Tanure e encerraria a pendência. Será?

O valor das idéias

por Roberto DaMatta, site Instituto Millenium

No Brasil as idéias têm, como tudo o mais, poder, mas não têm valor. Com elas - supõe-se - se fazem revoluções, promove-se a justiça e liquida-se a fome. Mas ninguém sabe muito bem quem as inventou: se são inatas ou aprendidas; se fazem parte de algum sistema ou conjunto; se saem diretamente da cabeça das pessoas ou das televisões, das telas dos cinemas, das igrejas ou dos livros.

O poder - e estamos, mais uma vez, aprendendo a lição porque agora somos nós e não eles - é complicado (são muitas disputas), difícil (há inúmeros projetos), árduo (toda decisão implica reflexão, tempo e conhecimento mínimo do assunto), ingrato (eu dou tudo, e eles querem sempre mais) duro (como é que eu vou dizer não para o fulano?), caro (tenho muito mais ambições do que meios para realizá-las) e ambíguo (eu posso tudo, mas falar de mim desse jeito é falta de respeito institucional: temos que processar, expulsar, prender ou dar uma lição)…

Para quem tem poder, o sucesso não se explica pelo domínio abstrato das idéias, mas por meio de uma misteriosa ‘prática’ ou ‘conhecimento da realidade’ da ‘vida’. É o saber do propalado caminho das pedras que não se ensina a ninguém. Todos os poderosos dizem que ‘lutaram muito’, que foram ‘muito ajudados’, que souberam ‘aproveitar oportunidades’. Poucos falam de idéias. Uma microminoria fala, quando fala, de que essas idéias saíram das salas de aula e dos livros.

Como um povo que, na sua longa fase escravista, cultivou o analfabetismo e a mais bestial ignorância e, na modernidade republicana, a desigualdade social baseada no ‘diploma’, as ‘letras’ sempre foram vistas com desconfiança. Eram, primeiramente, femininas; depois, se concretizaram em poesia que comoviam mas não resolviam; finalmente porque levavam a uma fuga do mundo real e, pior que isso, revelavam aquela face da realidade que ninguém queria enxergar. Contra o mundo das ‘letras’, repetia-se a fórmula da ‘dura realidade’ que obriga a trocar os versos pela tal ‘prática da vida’. Afinal, como disse um poeta (o grande Gonçalves Dias) muito lembrado, porque, na realidade, cantou o que está em nossas cabeças: ‘A vida é combate/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos/ Só pode exaltar.’

A única idéia que adotamos é que o importante na vida é a sua dura e dolorosa prática. Daí, a popularidade da boutade que conforta e faz a glória de todos os que vivem dos livros e, sobretudo, dos professores: quem sabe faz; quem não sabe, ensina!

Haveria, algo mais expressivo da glorificação da tal ‘prática da vida’? Os que sabem, fazem porque (na ausência do muito ler e refletir que enlouquece), simplesmente executam e praticam; já os que não sabem - os que lidam apenas com as teorias ou as idéias que geralmente não levam a nada ou trazem um mundo de problemas - ensinam. São meros repetidores que, nas salas de aula, falam de coisas abstratas (e dispensáveis) que, por serem virtuais, atrapalham os que querem ir em frente, com a sua maravilhosa prática, mudando radicalmente o mundo, guiados por suas poderosas experiências, como sempre ocorreu na nossa exemplar história social e política. Descobrindo, por exemplo, que a gente moderniza o País tratando os adversários políticos como inimigos; ou acaba com a burocracia criando um Ministério da Desburocratização; ou aceitando o ilegal como legal; ou processando os que nos criticam…

Em suma: as idéias são péssimas e seus carregadores, os livros, uns criadores de caso. Aliás, o livro é, entre nós, um mistério e um atrapalhador. A ele somos avessos como é o Diabo da cruz. De fato, como não ser desfavorável ao livro se ele desdiz a tal ‘prática da vida’, indicando novos caminhos, revelando erros, denunciando um autoritarismo de raiz e formação, em perpétuo combate com as liberdades individuais, e supersensível a qualquer chamada à responsabilidade, sobretudo a que se imprime no cargo público?

Ademais, como não suspeitar desses objetos quadrados que, fechados, são tão mudos quantos as pedras, mas abertos, soltam gritos, soluços e - sobretudo - os imensos silêncios da humanidade nas suas diferenças e semelhanças? A autoridade - pelo menos no Brasil, faz: tenta fechar, proibir, prender, calar. Um dos seus trunfos é o argumento da prática contra o poder das idéias. Da caneta contra a letra; do regimento constitucional (as idéias feitas), contra o livro que ensina não apenas o poder das idéias, mas as suas implicações e responsabilidades.

A ambigüidade do livro é o símbolo vivo dessa intolerável desvalorização das idéias em nosso país. Essas idéias que são também englobadas pelo credo jamais discutido, segundo o qual, quem ensina é a vida, a experiência e uma prática proto-sociológica que promove certezas e que tem como função naturalizar e tornar indiscutível tanto o poder dos poderosos quanto o dinheiro dos ricos.

Distância do povo

José Negreiros, Blog do Noblat

A pedido do presidente Lula, o governador José Arruda mandou construir um retorno próximo ao Palácio da Alvorada para desviar o trânsito de carros de turistas que vão até ali tirar fotos em frente à residência oficial do presidente.

Nem os militares, em 20 anos de ditadura, encontram justificativa para um absurdo desses.

O Alvorada, uma das obras mais famosas de Oscar Niemeyer, é uma espécie de Corcovado de Brasília. O brasiliense raramente vai lá, mas é um dos lugares mais visitados por quem está de passagem.

A paisagem e o impacto das colunas dão um choque de modernidade no visitante, cujo número aumentou muito desde a eleição de Lula. A grama do largo tapete que se forma entre a rua e o palácio torna-se uma defesa natural.

Protegida pelo traço imponente do arquiteto, moldada em espelho e vidro, a intimidade da casa do presidente nem de longe corre qualquer risco por causa do movimento dos carros dos turistas.

Se, como sugerem as notas sobre o assunto, o trânsito por ali for proibido, a casa do presidente vai virar um sítio, mais longe do que já é do contato com o povo.

Jânio, um maluco conhecido, não inventou nada para afastar a curiosidade do povo sobre seu presidente. Os generais, fanáticos por segurança, não impediram as pessoas de ir até lá. Collor, que também era pirado, resolveu ficar onde estava – na Casa da Dinda. A Itamar, outro sujeito esquisito, jamais ocorreu que havia um problema ali.

Nem na Casa Branca, um lugar onde dois malucos já jogaram seus aviões, residência do homem mais arrogante e poderoso do planeta (temeroso, com justa razão, de um ataque terrorista), proibiram os turistas de pisar na calçada.

Como é que Lula, homem do povo e pop star da política, dá uma ordem dessas, e um governador que fez campanha visitando os mais humildes eleitores em seus barracos, lá no fundo das cidades-satélites cumpre?

Só nos resta a pequena chance de que Arruda tenha vazado de propósito a nota para o “Radar” da Veja como forma de provocar um escândalo maior do que a gravação da estrela vermelha nos jardins do Alvorada, e com isso inviabilize a idéia de jerico.

TRAPOS E FARRAPOS...

É constrangedor ver um homem público mentir tanto
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Pelo tanto que brataquiou, fica difícil conter num único artigo os comentários necessários sobre a entrevista coletiva de Lula. Mas se a gente pudesse resumir a característica maior que se sobressaiu das respostas que deu, seria a de que, tristemente, Lula está cada mais se especializando na arte da mentira. Está nos fazendo ver que a falta de compromisso seja com a verdade presente dos fatos que estão ainda acontecendo, seja com a realidade do que a própria história já exibiu recentemente, chega a ser constrangedor ver um homem público, empossado no cargo mais alto da república, contorcer-se tão leviamente com um discurso indecente e mentiroso.

Talvez seja por isso que Lula tenta a todo custo conter a liberdade da livre manifestação: quanto menos espaço para ser contradito e desmentido, maior seu sucesso perante às massas.

"Daqui para frente serei um grande conversador "
De Lula, sobre sua relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

- Daqui para frente serei um grande conversador (...) Eu não sei. Às vezes vejo ele dizendo que eu nunca o convidei. Ele só me convidou quando perdi a campanha em 1998. (...) Não será por falta de convite que não iremos conversar.

Lula esqueceu de que à convite de FHC, jantou com ele no Palácio da Alvorada logo depois de ter sido eleito pela primeira vez.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lula, de fato, e justiça se lhe faça, é um grande conversador. Embromação é sua tática predileta. Ele, tanto quanto seu partido, colocaram sua tropa de choque durante o governo FHC, provocando greves e mais greves, protestos e mais protestos, piquetes e mais piquetes, por conta de sua negativa em conceder espaço para um projeto de Brasil que, apesar de suas resistências, nasceu, se fortaleceu, modernizou o país e estados, deu ao país condições de atingir a tão desejada e até frustrada, estabilidade econômica. A este projeto chamou-se de Plano Real. O que veio a seguir, seja com FHC seja com Lula, foi apenas conseqüência do próprio plano.

A notícia para os governadores
De Lula, dando um alento para os governadores que querem aumentar o limite de endividamento:

- Os governadores querem aumentar o seu endividamento. (...) Eu tenho idéia de flexibilizar um pouco. Quero discutir qual é o limite para isso.

Lula disse que será necessário encontrar um meio termo para ampliar o endividamento sem que haja gastança dos governadores e prefeitos.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Papo furado. Na campanha de 2006, principalmente no segundo turno, para atrair aliados político0s, prometeu que esta seria uma de sua primeiras medidas, e a de flexibilizar a capacidade de endividamento para os estados. Não foram poucas as inúmeras que já recuo neste sentido. E não apenas por preocupação quanto ao equilíbrio fiscal da economia brasileira . Lula insiste em usar um princípio econômico como moeda de barganha política. Por tal razão, vai acenando esta bandeira até ver aprovadas as propostas relacionadas ao pac. É bom que se diga que o equilíbrio fiscal está como fiel da balanço da estabilidade econômica. Mexer em seus componentes não vai ser fácil, não ao menos como Lula vendeu para os governadores. Além disto, ele afirmou que não permitir aqueles endividamentos malucos que se fazia no passado. Mas quem fazia, cara pálida? E quem mexeu neste vespeiro e pos ordem na casa, implantando no país a cultura da responsabilidade fiscal ? E qual foi o preço que se pagou para esta conquista, não foram as privatizações feitas nos estados e conjugadas, mais tarde, com a lei de responsabilidade fiscal contra a qual o senhor Lula juntamente com seus jagunços se insurgiram na época ? O problema de Lula é que, por mentir muito, acaba esquecendo do que disse e do que fez no passado. Mas sua delinqüência não nos obriga a obedecer o mesmo roteiro.

"A riqueza é da Bolívia. Ela vende para nós se quiser"
De Lula, sobre a situação da América Latina e da compra das refinarias da Petrobras pelo governo boliviano:

- Historicamente, esses países todos viram o Brasil como um país imperialista (...) É normal que os países de menor poder econômico vissem no Brasil uma espécie de imperialista (...) Nós estabelecemos entre nós a idéia de que era preciso construir outra dimensão para a política da América do Sul. (...) O fato de isso estar claro não me faz cego sobre a necessidade de a Bolívia ser dona de seu gás. Na hora em que o Evo (Morales, presidente da Bolívia) achou importante comprar as refinarias da Petrobras, para mim está tranqüilo. A riqueza natural é da Bolívia. Ela vende para nós se quiser. Mas quero que quando tiver um contrato seja respeitado.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lula permanece na sua conversa mole apostando na incapacidade do brasileiro comum, desinformado e sem acesso ao dia a dia do que se passa no país. Primeiro, porque foi ele, Lula da Silva, quem incentivou a Evo Morales a desonrar um contrato firmado entre os dois governos, na questão do gás. Segundo, porque permitiu irresponsavelmente que Evo invadisse as refinarias da Petrobrás com a força do Exército. Terceiro, porque foi fraco em demasia na defesa do interesse nacional que, diga-se, jamais se investiu contra o interesse do vizinho. Vejam: as duas refinarias que a Petrobrás comprou por 110 milhões de dólares estavam inteiramente sucateadas. Depois, a Bolívia dispunha de uma riqueza natural que não explorava e não tinha mercado. Foi graças a parceria feita com o Brasil e os investimentos feitos pelo Brasil que a Bolívia passou a ter receita sobre esta riqueza. Quando se fala de preço do gás, é bom Morales lembrar-se de quem é que bancou todo o investimento para a viabilidade econômica da exploração do gás, oferecendo ainda um mercado cativo e certo. Ainda vale lembrar que as duas refinarias receberam muito mais do que os dólares usados na sua recuperação. Quanto custou para a Petrobrás, ao longo de mais de cinqüenta anos, o desenvolvimento da tecnologia que hoje detém ? E isto não conta no investimento final ? Entre o preço pago no final, pela Petrobrás, e o que a Bolívia vai reembolsá-la há sim um prejuízo. Um duplo prejuízo, um financeiro e outro, moral. O financeiro foi sim de cerca de 90 milhões de dólares, que em moeda local, representa cerca de 180,0 milhões de reais, o que convenhamos, não é pouco para um país com tantas carências como o nosso. E apesar do discurso oficial, tal prejuízo está representado no lucro menor que a Petrobrás já está tendo, assim como representará dividendo menor para seus milhares de acionistas. O prejuízo moral, que Lula quer ignorar, é o fato de que a Bolívia não apenas não reconheceu o favor que a parceria com o Brasil representou para a sua economia interna, mas demonstrou não ser digna de confiança diante de contratos. Ela os rasgará sem a menor cerimônia, e, a se perceber no discurso de Lula, o Brasil continuará solidário com os bolivianos diante de cada chute no traseiro que eles nos derem. A esta “vergonhosa” subserviência Lula chama de política externa como nunca dantez. Lula faz por merecer o título que se autoconcedeu há pouco de "metamorfose ambulante". De fato, não tem compromisso com o que pensou um dia. Como não tem com o que está dizendo. A qualquer momento, pode mudar de opinião a respeito de qualquer coisa e alegar, depois, que apenas se aperfeiçoou. Na verdade, isto é representativo de coisa muito mais grave: a da falta de caráter.

“Muita gente vai engolir o que disse do governo"
De Lula, sobre o convite para antigos oposicionistas, como Geddel Vieira Lima e Mangabeira Unger, fazerem parte de seu ministério:

- O fato de a pessoa ter sido contra o presidente... ele tinha que ser contra, porque não fazia parte da coalizão. (...) Muita gente vai engolir o que disse sobre o governo, com muita tranqüilidade. Nada como o passar de tempo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: De fato, quando se trata com homens sem caráter, e que jogaram na lama sua própria vergonha e dignidade, tem mais é que se aliar a seres tão insignificantes quanto indignos. Como se no país não restassem mais pessoas honradas. Lula demonstra com estas alianças espúrias, que tampouco ele é digno de estar na presidência. O de que mais precisamos é de governantes que nos sirvam de referência e escopo moral, e não parias degradantes que sequer honram a si mesmos.

O mistério Mangabeira

Marcelo Coelho, Folha de São Paulo

Há algo de espantoso –mais do que espantoso, de ridículo—nas constantes reviravoltas políticas de Roberto Mangabeira Unger. O seríssimo, vetusto, antipático filósofo de Harvard começou apoiando Brizola; condenava o “obreirismo” de Lula e do PT. Resistiu o quanto pôde sob o comando do velho líder populista, julgando que o comandava. Mais tarde, engajou-se na campanha de Ciro Gomes, para abandoná-la uma semana antes da eleição no primeiro turno. Queria aderir (em sua mentalidade, isso equivale a “iluminar”) à candidatura Lula. Depois, num audacioso artigo na “Folha”, cujo único mérito estava em não ter sido lido por quase ninguém, defendeu o impeachment do presidente –ao qual finalmente se liga, assumindo o cargo ministerial da Secretaria de Ações de Longo Prazo, a “Sealopra”, como alguém a batizou.

A verdadeira palhaçada intelectual desempenhada por esse homem não combina com o “physique du rôle”: o olhar obstinado, o cabelo curtinho, o cenho franzido, o sapato de padre, a voz monocórdica, a frieza do temperamento.

Fosse um gordo que gargalha, entenderíamos seu oportunismo. No corpo de um pastor protestante, esse vício de caráter parece um mistério.

Acho que a volubilidade de Mangabeira pode ser compreendida se pensarmos nos velhos militantes do Partidão. Execravam Hitler até o momento em que Stalin assinou um pacto de não-agressão com o líder nazista. Habituavam-se a desdizer o que diziam na véspera, em benefício do proletariado.

Acabo de assistir um documentário contando a vida do compositor Aram Khachaturian. Era dos mais obedientes aos princípios stalinistas. Quando o Grande Comandante e Guia Genial dos Povos condenou uma ópera de Shostakovitch, ele ficou calado. Passou incólume pelos grandes julgamentos de Moscou na década de 30, em que velhos bolcheviques eram levados a confessar crimes (que não haviam cometido) em benefício da linha do partido.

Um belo dia em 1948, Khachaturian perde todas as honrarias que o regime stalinista lhe dedicava. Um amigo seu é nomeado presidente do Sindicato dos Compositores Soviéticos e decreta uma guerra contra os compositores “formalistas” e “inimigos do povo” –a saber, Khatchaturian, Prokofiev, Shostakovitch.

Khatachaturian é levado a fazer uma peregrinação pelo interior da Rússia. Numa aldeia qualquer, a orquestra local toca uma música que ele reconhece: ele próprio a havia composto. Khatchaturian pergunta quem é o autor da composição. Os habitantes do vilarejo respondem: “é uma composição folclórica, o nome de seu autor foi esquecido há séculos”.

Claro que a lógica stalinista era tirar do poder qualquer compositor com um mínimo de talento, mesmo que fosse popularíssimo, e em última análise populista, como Khatchaturian. Ele é o autor da “Dança do Sabre”, que qualquer público de massa adora. Um amigo, em segredo, perguntou-lhe nos anos terríveis que se seguiram à condenação stalinista de 48: “você acha que a ‘Dança do Sabre é formalista?’ Khachaturian respondeu que sim. “Pois bem”, respondeu o amigo, “o povo adora seu formalismo”.

Mangabeira Unger segue um Stalin interior, que o leva a desdizer-se a cada momento. Considera-se um gênio, um Shostakovitch, um Khachaturian, a serviço da causa do povo, desde que encarnada na figura de um ditador enlouquecido. Só que não há ditador enlouquecido: Stálin e Brizola morreram. Ele imagina um à sua imagem e semelhança, e obedece. Ridículos, mea-culpas, incoerências não são nada diante desse Líder tirânico, que ele, ao olhar no espelho, enxerga em si mesmo

ENQUANTO ISSO...

Garantias de Lula para o Ministério dos Transportes

O ministro Alfredo Nascimento (ex-cabo que subiu "a jato") recebeu "garantia" de Lula: "Portos fluviais, hidrovias e Marinha Mercante ficarão com o Ministério dos Transportes".

Tudo que não funciona, incluindo o ministério, pela segunda vez com o ex-cabo. Este, garantido no ministério, por causa do suplente no Senado. Que foi colocado lá pelo próprio Lula.

ENQUANTO ISSO...

Pedro Brito toma posse na Secretaria de Portos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou, nesta terça-feira, o ministro Pedro Brito, na Secretaria Especial de Portos da Presidência da República. Brito, o 37° ministro, afirmou que pretende atuar em conjunto com a Polícia Federal, Marinha, Anvisa e Ministério dos Transportes para cumprir as determinações de Lula.
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Em seu discurso, Lula pediu ao novo ministro uma gestão eficiente dos portos marítimos para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros. "É preciso resolver um problema crônico. O porto não pode ser uma partilha de partidos políticos e de pessoas que não têm competência para resolver os problemas", afirmou. O presidente ainda abriu a possibilidade de empresas estrangeiras participarem de concorrências para atuarem na área de operações de portos.
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A nova secretaria conta com orçamento de R$ 700 milhões e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) prevê investimentos de 2,7 bilhões na infra-estrutura dos 12 principais portos do País.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém tem alguma dúvida que esta salada mista possa dar certo ? Não pode um setor tão importante e indispensável como os dos portos, ser retaliado de maneira tão irresponsável como Lula está fazendo, apenas para abrigar aliados políticos, sem que o país perca capacidade de gestão neste setor tão estratégico. Junte-se a isto o alto custo para desembarque e desembarque, a intromissão moleque praticada pelos sindicatos de estivadores que impedem do país avançar modernamente em seus terminais, além da morosidade que se pratica por esta “política” sindical causadora de prejuízos sem conta para importadores e exportadores. Espera-se apenas não demorar muito para Lula dar-se conta da grande besteira que está cometendo. O que é de estranhar é a falta de crítica incisiva seja das empresas usuárias dos terminais, de suas federações e até das oposições a respeito de tamanha incompetência. Eis aí uma dor de cabeça que ainda vai render muito prejuízo para o país. Não se pode brincar impunemente com coisa tão séria. Aguardem...

MR-8: Da luta armada ao fisiologismo selvagem

Rodrigo Camarão, Jornal do Brasil

Eles participaram do seqüestro do embaixador americano em 1969, promoveram assaltos e se autoproclamaram revolucionários em homenagem a Ernesto Che Guevara. Os anos passaram. Como não havia mais tanques nas ruas nem generais a derrubar no Planalto, os guerrilheiros do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) depuseram as armas e se renderam ao fisiologismo, sem, no entanto, renunciar a velhas técnicas terroristas. Convencidos de que comunistas também precisam capitalizar-se, debandaram em 1979 para o PMDB. Namoraram Orestes Quércia em São Paulo, onde eram o braço de esquerda do governo. Depois, casaram com Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a barba hirsuta do presidente, os antigos revolucionários vislumbraram Karl Marx e a personificação do ideal socialista. Com o apoio de um ex-ministro, infiltraram-se e aparelharam áreas do governo, notadamente no Ministério da Educação (MEC). Ex-guerrilheiros ou seguidores do MR-8 conseguiram espaço em programas como a volta do Projeto Rondon, tocado pela Secretaria de Educação Superior do MEC na Amazônia, entre outros.

Nos Estados, os revolucionários, aposentados ou não, também alcançaram postos importantes. Mário Bacelar, chefe-de-gabinete do governador do Paraná, Roberto Requião, é dirigente do grupo. Emerson Pires Leal, vice-prefeito da cidade paulista de São Carlos, também integra do MR-8. O atual secretário-geral do movimento, Sérgio Rubens de Araújo Torres, foi indicado pelo PMDB paulista como delegado em Convenção Nacional do partido, ao lado do presidente nacional do partido, Michel Temer, e regional, Orestes Quércia.

Requião, a cidade de São Carlos e Sérgio Rubens mereceram louvações e espaço nas páginas do jornal Hora do Povo, ligado ao MR-8.

O ex-governador de São Paulo jura ter desfeito todos os vínculos com o grupo infiltrado no PMDB. Quem lhe pergunta que importância tem o MR-8, ouve a resposta depois de alguns segundos de reflexão.

- A importância é... sei lá. Para mim, todo mundo é importante, mas não tenho relação direta com eles, nem leio o Hora do Povo - desconversa ao JB um constrangido Quércia.

Com apoio incondicional ao lulismo - "chapa-branca", como disse um ex-militante do MR-8 - o Hora do Povo estampa nas páginas entrevistas com integrantes do movimento e faz elogios desmedidos ao Lula que "resgatou o papel do Estado como instrumento de distribuição de renda, de promoção de justiça social". Em março, os revolucionários do periódico denunciaram a tortura empreendida pelo governo ao não anunciar no jornal durante sete meses. O apelo pelo vil metal, como gostam de dizer, surtiu efeito. Meia página foi reservada a um anúncio da Receita Federal. A Secretaria de Comunicação não informa quanto custou o anúncio, mas antecipa que não está prevista mais nenhuma publicidade no Hora do Povo.

O jornal é publicado pelo Instituto Brasileiro de Comunicação Social, sediado na Vila Bancária, São Paulo. O CNPJ é inscrito na Receita Federal como associação de defesa dos direitos sociais, que dá direito a benesses fiscais.

O Hora do Povo alega ter tiragem de 50 mil exemplares, mas não está filiado ao Instituto Verificador de Circulação (IVC). Para cada edição, colorida de oito páginas, o custo médio, de acordo com gráficas consultadas pelo JB, é de R$ 10.545. Como circula duas vezes por semana, o valor ultrapassa R$ 84 mil mensais.

No mesmo 27 de abril, o jornal resolveu retribuir o anúncio pago pelo governo. Comprou a briga do ministro Franklin Martins, ex-militante do grupo até o início dos anos 80. Os ex-revolucionários lembraram os velhos tempos e ameaçaram de morte o jornalista Diogo Mainardi, colunista de Veja.

Jornal incita as 'almas pias'

Jornal do Brasil

Até 27 de março, muitos mal sabiam que o Movimento Revolucionário 8 de Outubro ainda existia. Em um espasmo terrorista, o jornal Hora do Povo, ligado ao MR-8, ameaçou de morte o jornalista Diogo Mainardi, da Veja.

O motivo alegado foi o fato de Mainardi ter feito referência e se comparado a Eduardo Leite, o Bacuri, militante da antiga Ação Libertadora Nacional (ALN), parceira do MR-8 no seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, em 1969. Diogo escreveu que parcela da imprensa sabia que Bacuri seria assassinado. Assim como, acrescentou, foi condenado em processo movido pelo ministro Franklin Martins antes mesmo de apresentada a defesa. A sentença ainda foi antecipada por um jornalista da Folha Online.

"Condenado com seus patrões da 'Veja' a pagar 30 mil reais ao ministro Franklin Martins, em processo por calúnia, o garoto de programa Diego (sic) Mainardi houve por bem se auto-intitular o Bacuri do petismo", escreve o jornal. Mais à frente, acrescenta: "O pequeno canalha perdeu apenas algum dinheiro. Sabemos o que o vil metal significa para certo tipo de pessoas. Ainda assim, ao que tudo indica, ele está pedindo para perder algo mais. Pode ficar tranqüilo. Não faltarão almas pias para fazer a sua vontade".

Diogo entrou com queixa-crime contra o jornal e usou a coluna na Veja e o blog para contra-atacar:

"O jornal Hora do Povo recomendou minha morte. Seus combatentes dizem saber o que o 'vil metal' significa para mim. Eu sei o que o vil metal significa para eles. O lulismo está financiando o MR-8 com o vil metal dos meus impostos. É como se eu pagasse para alguém me matar", escreveu. Depois, o jornalista reforçou os ataques:

- Se eu tivesse medo de bandido, não moraria no Rio.

Nem Orestes Quércia, patrocinador do MR-8 em São Paulo anos atrás, abençoou a ameaça.

- É um absurdo - disse ao JB.

Com a polêmica, o jornal publicou editorial, novamente na capa, negando tudo:
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"Os familiares do sr. Mainardi e seus amigos - se é que ele possui algum - não têm razão para se preocupar com a sua integridade física. Apesar da celeuma que 'Veja' pretendeu causar com a nota de 10 linhas aqui publicada, na edição do dia 27 de abril, ele não corre nenhum perigo", escreve. "Mainardi é uma das causas do isolamento e declínio de 'Veja', esse instrumento golpista e visceralmente antidemocrático a serviço de tudo o que há de mais esclerosado no mundo. Porque ele consegue se colocar freqüentemente à direita da linha editorial nazi-africâner da publicação, acelerando o seu desprestígio. Firmeza, pessoal: o Mainardi ninguém tasca!"

Mais um absurdo na política externa

Ricardo A. Setti, NoMínimo
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A cena apareceu dias atrás em todos os noticiários de TV, nos principais portais da internet e nos grandes jornais: o presidente Lula, o presidente da Argentina, Nestor Kirchner, e a primeira-dama, Cristina Fernández de Kirchner, protagonizando uma espécie de tríplice aperto de mãos diante dos fotógrafos, na residência oficial dos chefes de Estado argentinos, em Olivos, próximo a Buenos Aires.
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O gesto podia ser visto como simbólico dos resultados da visita, em que se discutiram questões energéticas e a respeito da qual Lula, com a habitual modéstia, aproveitou para assegurar que, sob o governo petista, a relação entre o Brasil e o grande vizinho do sul "vive seu melhor momento histórico". Até aí, nada demais... e que bom seria se a frase de Lula não passasse de mais uma bravata, pois o que não falta são turbulências entre os principais sócios do Mercosul. O problema é que o presidente aproveitou sua passagem meteórica (17 horas) pela Argentina para, com a maior tranqüilidade do mundo, reiterar que apóia a reeleição de Kirchner para o cargo, no pleito que se dará, em primeiro turno, no dia 28 de outubro.
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O presidente remeteu os jornalistas para uma sua entrevista, publicada na véspera por três grandes jornais de Buenos Aires, em que declarava ser o controvertido Kirchner "uma bênção extraordinária" para a Argentina e qualificava sua eventual continuidade no governo como "extremamente importante para a integração regional". Como se fosse um cidadão comum, e exibindo um amplo sorriso de satisfação, Lula consolidava, assim, a violação de um princípio universal de convivência entre as nações que há décadas o Itamaraty considera sagrado – o da não-interferência de um país nos assuntos internos de outro.
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O uso do verbo consolidar vem bem ao caso, uma vez que a espantosa naturalidade com que o presidente aponta preferências por candidatos em disputas eleitorais em países vizinhos parece estar-se transformando numa nova tradição da muitas vezes estapafúrdia política externa do lulato, já tendo ocorrido na eleição de Evo Morales na Bolívia, em 2005, e na segunda reeleição de Hugo Chávez na Venezuela, ano passado. (Sem contar embates em que, com menos alarde, gente do governo não escondia sua torcida para determinados candidatos, como ocorreu com o ex-ditador da Nicarágua Daniel Ortega, eleito no ano passado).
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É fácil constatar o absurdo dessa postura se, apenas para efeito de raciocínio, mudarmos, na mesma situação, a geografia e alguns personagens. Que tal, por exemplo, se o primeiro-ministro britânico Tony Blair, do Partido Trabalhista, tivesse declarado apoio à candidata socialista Ségolène Royal nas eleições recém-encerradas na França? Seria um escândalo político e diplomático de proporções monumentais, que certamente levaria à derrubada de Blair pelo Parlamento e estremeceria as colunas da União Européia. Governos lidam com governos, e seus titulares não podem, em hipótese alguma, exprimir preferências eleitorais em território alheio, sob pena de sério prejuízo aos interesses de seus países.
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França e Alemanha, os dois grandes pilares da União Européia, são um exemplo esplêndido de perfeita convivência entre Estados independentemente das ideologias temporariamente imperantes em qualquer dos lados: ao longo de seis décadas desde o final da II Guerra Mundial, os ex-inimigos mortais e hoje sólidos aliados têm mantido relações estreitas e profundas com presidentes de direita na França e primeiros-ministros social-democratas na Alemanha, ou presidentes socialistas na França e primeiros-ministros democratas cristãos (conservadores) na Alemanha , sem um fiapo de problema sequer. Isso para não falar da aliança entre Estados Unidos e Reino Unido, que não se altera um milímetro seja quem for que esteja ao leme – os ultraconservadores Ronald Reagan, nos EUA, e Margaret Thatcher, no Reino Unido, ou, respectivamente, os liberais Bill Clinton e Tony Blair. Tem sido assim desde sempre, acentuando-se a aproximação com o liberal Franklin D. Roosevelt e o conservador Winston Churchill, durante a II Guerra.
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Não precisamos ir tão longe para expor a baboseira eleitoreira do governo brasileiro. Já imaginaram se, no ano passado, o americano George Bush ou o francês Jacques Chirac, num momento de desatino, tivessem expressado sua preferência pelo tucano Geraldo Alckmin na disputa contra Lula? A que estado se reduziriam as relações do Brasil com os Estados Unidos e com a França depois da vitória de Lula?
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É esse tipo de pergunta que o presidente deveria se indagar com suas últimas atitudes. Especialmente em se tratando da Argentina, nosso maior e mais importante vizinho latino-americano em todos os sentidos e peça-chave no comércio exterior brasileiro. Apoiar Kirchner significa que Lula está se posicionando num pleito a que poderão concorrer, também, além do presidente (ou de sua mulher, a senadora Cristina, que talvez dispute em seu lugar pelo peronismo, principal movimento político da Argentina), candidatos respeitabilíssimos de várias correntes representativas da sociedade argentina. Lá estarão, provavelmente, Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia do próprio Kirchner, apoiado pela oposicionista União Cívica Radical do ex-presidente Raúl Alfonsín, o também ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, de uma coligação de centro-direita, a ex-deputada e ex-candidata à Presidência Elisa Carrió, por um arco de partidos de centro e centro-esquerda, e talvez até mesmo o ex-presidente peronista Carlos Menem (1989-1999), agora titular de um novo partido.
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Se ganha um deles, com que cara vai ficar Lula? Muito mais importante do que a fisionomia presidencial: em que pé ficarão os interesses brasileiros na Argentina? Aí então o gesto de Lula poderia ser medido em toda a extensão de sua irresponsabilidade.
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O curioso – e triste – é que, para outros fins, o princípio da não-intervenção em assuntos internos de terceiros países continua sendo usado pelo governo brasileiro justamente quando não deveria. Pois foi dele que o governo lançou mão para justificar atitudes vergonhosas, como a de assinar um acordo sobre direitos humanos com um dos grandes violadores desses direitos no mundo, a China, ou a atitude de se abster na ONU na condenação de Cuba pela mesma questão, e a de igualmente se manter em cima do muro quando o Conselho de Segurança exigiu a retirada das tropas de ocupação sírias no Líbano, em 2004. Não se tratava, ali, de não-intervenção, mas de seguir princípios e procedimentos previstos na própria Carta da ONU, e acatados pelas principais nações civilizadas. Preferimos, em tais casos, a companhia de regimes como os da Argélia, da própria China ou do Paquistão. Nem regimes desse quilate, porém, fazem o que o Brasil anda fazendo: se meter, sem ser chamado, nas eleições dos outros.
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Esse tipo de bobagem, anotem os leitores, inevitavelmente deixa conseqüências.

TOQUEDEPRIMA...

A resposta exata dos Democratas

No “monólogo” coletivo de hoje, o presidente Lula da Silva, além das inverdades de sempre sobre o governo dele, incluiu o nome dos Democratas em sua lenga-lenga. Disse que os democratas têm de deixar de ser nervosos. Com todo respeito, mas sem deixar de ser firme, o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente dos Democratas, respondeu de bate-pronto:
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“Não estamos nervosos, presidente Lula. Estamos muito preocupados e fazendo um enorme esforço para impedir que a democracia no Brasil regrida pelos efeitos do apagão ético, da estagnação econômica e do desemprego, bem como da inépcia com que questões fundamentais como educação, saúde e segurança, são negligenciadas”.
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Lula pintou um 'país das maravilhas'

Um importante advogado que atua no Supremo Tribunal Federal ficou impressionado com o país das maravilhas pintado por Lula durante a entrevista coletiva de hoje, ao discorrer sobre o país onde ele vive. "Vou reservar passagens aéreas para mim e para a minha família. Vamos enfim morar num país civilizado, com muito emprego, sem inflação, com a criminalidade sob controle, sem fome, sem sanguessugas, sem mensaleiros. Enfim, um país das maravilhas".

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Sem sucesso, avião do Papa tentou falar com o Cindacta
De Maria Lima em O Globo Online:

"O deputado Efraim Filho (DEM-PB) vai entregar ao presidente da CPI do Apagão Aéreo, Marcelo Castro (PMDB-PI), um CD que comprovaria uma tentativa de contato, sem sucesso, entre o avião que levava o Papa Bento XVI de volta à Itália e o Cindacta de Recife. Segundo o deputado, um avião da TAM teria ouvido a tentativa de contato e feito a intermediação, na qual o Papa transmitiu uma mensagem de despedida aos brasileiros.

O Boeing 777 da Alitalia teria tentado falar com o Cindacta durante 28 minutos quando sobrevoava o Nordeste, já deixando o espaço aéreo brasileiro. O deputado disse que o CD de áudio foi feito por um radioamador. Só depois da intermediação dos pilotos da TAM, a mensagem de dois segundos do Papa teria sido transmitida.

- Se fosse um pedido de socorro, as pessoas estariam fadadas ao insucesso - disse Efraim Filho".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Só Lula e seus delinqüentes não vêem a realidade que já marca o país negativamente no exterior. Parece que Lula está esperando uma nova desgraça no ar para tomar providências, primeiro mandando embora gente incompetente, segundo mandando embora gente corrupta, terceiro fazendo os investimentos necessários em sistemas, equipamentos e pessoal. O que falta ao país, como se vê, é governo e dos bons...

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Auditoria na Infraero investigará obras
Veja online

A demora no encaminhamento das obras na pista principal do aeroporto de Congonhas, São Paulo, será investigada por uma auditoria interna na Infraero. O presidente da estatal, José Carlos Pereira, admitiu nesta segunda-feira que a empresa (responsável pela administração dos aeroportos brasileiros) sabia há pelo menos quatro anos da necessidade da reforma. Só na última sexta-feira, porém, foi assinado um contrato emergencial, no valor de R$ 20 milhões.

Desde fevereiro, por determinação da Justiça, o aeroporto é interditado quando chove forte na cidade. De acordo com as normas de segurança, os espelhos de água que se acumulam nas pistas em dias chuvosos representa risco para o tráfego das aeronaves. As obras para corrigir esse problema começaram nesta segunda e devem durar no mínimo 45 dias. O primeiro dia de transtornos registrou uma série de atrasos nos vôos e algumas transferências de pouso para outras cidades. Uma tempestade à noite ocasionou a interdição do aeroporto por 25 minutos.

O contrato no valor de R$ 200 milhões com o consórcio responsável pela obra e por uma reforma geral do aeroporto está sob investigação do Ministério Público Federal por suspeita de superfaturamento. O consórcio é composto pelas empresas OAS e Galvão. A Infraero diz que uma concorrência pública seria o procedimento mais adequado, mas como o processo levaria cerca de 18 meses, a saída foi o contrato de emergência.

O presidente da Infraero na ocasião em que esse contrato foi assinado era Carlos Wilson, hoje deputado federal pelo PT de Pernambuco - também investigado pelo Ministério Público, com base em relatório do TCU (Tribunal de Contas da União).

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Consultores desorientados

A empresa INDG, contratada por R$ 1,8 milhão pelo Superior Tribunal de Justiça para gestão de processos, não precisou enfrentar concorrência, sob o argumento de "notória especialização". Mas, pelo visto, a equipe com notória especialização não saca nada de direito. Não consegue dar um passo sem a ajuda dos servidores do STJ. A "notória especialização" foi o mesmo recurso usado pelo Supremo Tribunal Federal para contratar a INDG em 2005, também sem licitação.

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Ciro acredita que oposição é favorita para 2010

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), cotado para ser candidato à sucessão de Lula, afirmou nesta terça-feira que não é hora da base governista lançar nomes para 2010 e que a oposição é favorita na corrida presidencial. "É muito cedo para se cogitar uma candidatura. Seria uma contradição o anúncio de qualquer candidatura nesse momento. O que temos que fazer é reforçar o sucesso do presidente Lula. Até porque o outro lado (a oposição) tem a potencialidade para ser favorito, na minha opinião (em 2010)", comentou Ciro.Ele ainda comentou a declaração do presidente Lula que defendeu que o próximo presidente seja da atual coalizão. "Ele tem toda razão, porque ele não está defendendo nada que não seja o melhor para o interesse do País. Depois de três quebras internacionais, o País duplicou sua capacidade de endividamento, o que ainda é insuficiente, saneou suas contas externas, tem mais reservas cambiais do que dívida externa. Então, o País não pode se permitir retrocessos e tem que garantir o espaço conquistado pelo seu governo. De maneira que todas as legítimas postulações devem se por no contexto da unidade", declarou.

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Austrália: adolescentes que mataram amiga pegam perpétua
Redação Terra

Duas adolescentes australianas foram sentenciadas à prisão perpétua por matar amiga e enterrar o corpo para ver se sentiriam remorso pela morte. As duas, que tinham 16 anos na época do crime, estrangularam Eliza Jane Davis, 15 anos, e colocaram o corpo sob terreno de sua casa.

Elas disseram à polícia que sabiam que era errado o que faziam, mas sentiam "que era certo", não se arrependendo da morte da adolescente. O presidente da Corte de Perth para Menores, Denis Reynolds, qualificou o crime de "horrível e cruel ao extremo", segundo a BBC.

As australianas, que não tiveram sua identidade revelada, mataram Eliza quando as três estavam dormindo na mesma casa na cidade de Collie, no sul de Perth, em junho de 2006. Elas discutiam se sentiriam remorso após cometer um assassinato quando decidiram matar Eliza, que dormia em outro quarto, segundo disseram em Corte durante audiência em abril.

Elas estrangularam Eliza Jane Davis com cabos de eletricidade. As adolescentes confessaram o crime depois de decidirem que a cova cavada para o corpo era muito raza e inevitavelmente seriam descobertas.

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