quarta-feira, maio 16, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

É constrangedor ver um homem público mentir tanto
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Pelo tanto que brataquiou, fica difícil conter num único artigo os comentários necessários sobre a entrevista coletiva de Lula. Mas se a gente pudesse resumir a característica maior que se sobressaiu das respostas que deu, seria a de que, tristemente, Lula está cada mais se especializando na arte da mentira. Está nos fazendo ver que a falta de compromisso seja com a verdade presente dos fatos que estão ainda acontecendo, seja com a realidade do que a própria história já exibiu recentemente, chega a ser constrangedor ver um homem público, empossado no cargo mais alto da república, contorcer-se tão leviamente com um discurso indecente e mentiroso.

Talvez seja por isso que Lula tenta a todo custo conter a liberdade da livre manifestação: quanto menos espaço para ser contradito e desmentido, maior seu sucesso perante às massas.

"Daqui para frente serei um grande conversador "
De Lula, sobre sua relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

- Daqui para frente serei um grande conversador (...) Eu não sei. Às vezes vejo ele dizendo que eu nunca o convidei. Ele só me convidou quando perdi a campanha em 1998. (...) Não será por falta de convite que não iremos conversar.

Lula esqueceu de que à convite de FHC, jantou com ele no Palácio da Alvorada logo depois de ter sido eleito pela primeira vez.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lula, de fato, e justiça se lhe faça, é um grande conversador. Embromação é sua tática predileta. Ele, tanto quanto seu partido, colocaram sua tropa de choque durante o governo FHC, provocando greves e mais greves, protestos e mais protestos, piquetes e mais piquetes, por conta de sua negativa em conceder espaço para um projeto de Brasil que, apesar de suas resistências, nasceu, se fortaleceu, modernizou o país e estados, deu ao país condições de atingir a tão desejada e até frustrada, estabilidade econômica. A este projeto chamou-se de Plano Real. O que veio a seguir, seja com FHC seja com Lula, foi apenas conseqüência do próprio plano.

A notícia para os governadores
De Lula, dando um alento para os governadores que querem aumentar o limite de endividamento:

- Os governadores querem aumentar o seu endividamento. (...) Eu tenho idéia de flexibilizar um pouco. Quero discutir qual é o limite para isso.

Lula disse que será necessário encontrar um meio termo para ampliar o endividamento sem que haja gastança dos governadores e prefeitos.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Papo furado. Na campanha de 2006, principalmente no segundo turno, para atrair aliados político0s, prometeu que esta seria uma de sua primeiras medidas, e a de flexibilizar a capacidade de endividamento para os estados. Não foram poucas as inúmeras que já recuo neste sentido. E não apenas por preocupação quanto ao equilíbrio fiscal da economia brasileira . Lula insiste em usar um princípio econômico como moeda de barganha política. Por tal razão, vai acenando esta bandeira até ver aprovadas as propostas relacionadas ao pac. É bom que se diga que o equilíbrio fiscal está como fiel da balanço da estabilidade econômica. Mexer em seus componentes não vai ser fácil, não ao menos como Lula vendeu para os governadores. Além disto, ele afirmou que não permitir aqueles endividamentos malucos que se fazia no passado. Mas quem fazia, cara pálida? E quem mexeu neste vespeiro e pos ordem na casa, implantando no país a cultura da responsabilidade fiscal ? E qual foi o preço que se pagou para esta conquista, não foram as privatizações feitas nos estados e conjugadas, mais tarde, com a lei de responsabilidade fiscal contra a qual o senhor Lula juntamente com seus jagunços se insurgiram na época ? O problema de Lula é que, por mentir muito, acaba esquecendo do que disse e do que fez no passado. Mas sua delinqüência não nos obriga a obedecer o mesmo roteiro.

"A riqueza é da Bolívia. Ela vende para nós se quiser"
De Lula, sobre a situação da América Latina e da compra das refinarias da Petrobras pelo governo boliviano:

- Historicamente, esses países todos viram o Brasil como um país imperialista (...) É normal que os países de menor poder econômico vissem no Brasil uma espécie de imperialista (...) Nós estabelecemos entre nós a idéia de que era preciso construir outra dimensão para a política da América do Sul. (...) O fato de isso estar claro não me faz cego sobre a necessidade de a Bolívia ser dona de seu gás. Na hora em que o Evo (Morales, presidente da Bolívia) achou importante comprar as refinarias da Petrobras, para mim está tranqüilo. A riqueza natural é da Bolívia. Ela vende para nós se quiser. Mas quero que quando tiver um contrato seja respeitado.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lula permanece na sua conversa mole apostando na incapacidade do brasileiro comum, desinformado e sem acesso ao dia a dia do que se passa no país. Primeiro, porque foi ele, Lula da Silva, quem incentivou a Evo Morales a desonrar um contrato firmado entre os dois governos, na questão do gás. Segundo, porque permitiu irresponsavelmente que Evo invadisse as refinarias da Petrobrás com a força do Exército. Terceiro, porque foi fraco em demasia na defesa do interesse nacional que, diga-se, jamais se investiu contra o interesse do vizinho. Vejam: as duas refinarias que a Petrobrás comprou por 110 milhões de dólares estavam inteiramente sucateadas. Depois, a Bolívia dispunha de uma riqueza natural que não explorava e não tinha mercado. Foi graças a parceria feita com o Brasil e os investimentos feitos pelo Brasil que a Bolívia passou a ter receita sobre esta riqueza. Quando se fala de preço do gás, é bom Morales lembrar-se de quem é que bancou todo o investimento para a viabilidade econômica da exploração do gás, oferecendo ainda um mercado cativo e certo. Ainda vale lembrar que as duas refinarias receberam muito mais do que os dólares usados na sua recuperação. Quanto custou para a Petrobrás, ao longo de mais de cinqüenta anos, o desenvolvimento da tecnologia que hoje detém ? E isto não conta no investimento final ? Entre o preço pago no final, pela Petrobrás, e o que a Bolívia vai reembolsá-la há sim um prejuízo. Um duplo prejuízo, um financeiro e outro, moral. O financeiro foi sim de cerca de 90 milhões de dólares, que em moeda local, representa cerca de 180,0 milhões de reais, o que convenhamos, não é pouco para um país com tantas carências como o nosso. E apesar do discurso oficial, tal prejuízo está representado no lucro menor que a Petrobrás já está tendo, assim como representará dividendo menor para seus milhares de acionistas. O prejuízo moral, que Lula quer ignorar, é o fato de que a Bolívia não apenas não reconheceu o favor que a parceria com o Brasil representou para a sua economia interna, mas demonstrou não ser digna de confiança diante de contratos. Ela os rasgará sem a menor cerimônia, e, a se perceber no discurso de Lula, o Brasil continuará solidário com os bolivianos diante de cada chute no traseiro que eles nos derem. A esta “vergonhosa” subserviência Lula chama de política externa como nunca dantez. Lula faz por merecer o título que se autoconcedeu há pouco de "metamorfose ambulante". De fato, não tem compromisso com o que pensou um dia. Como não tem com o que está dizendo. A qualquer momento, pode mudar de opinião a respeito de qualquer coisa e alegar, depois, que apenas se aperfeiçoou. Na verdade, isto é representativo de coisa muito mais grave: a da falta de caráter.

“Muita gente vai engolir o que disse do governo"
De Lula, sobre o convite para antigos oposicionistas, como Geddel Vieira Lima e Mangabeira Unger, fazerem parte de seu ministério:

- O fato de a pessoa ter sido contra o presidente... ele tinha que ser contra, porque não fazia parte da coalizão. (...) Muita gente vai engolir o que disse sobre o governo, com muita tranqüilidade. Nada como o passar de tempo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: De fato, quando se trata com homens sem caráter, e que jogaram na lama sua própria vergonha e dignidade, tem mais é que se aliar a seres tão insignificantes quanto indignos. Como se no país não restassem mais pessoas honradas. Lula demonstra com estas alianças espúrias, que tampouco ele é digno de estar na presidência. O de que mais precisamos é de governantes que nos sirvam de referência e escopo moral, e não parias degradantes que sequer honram a si mesmos.