quarta-feira, maio 16, 2007

Prefeitos cobram revisão do Fundeb

Leonencio Nossa, Estadão

Prefeitos dos pequenos municípios estão em pé de guerra com o Ministério da Educação por causa da divisão do dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, o Fundeb. Ontem, liderados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de cem deles passaram pelo Congresso e conseguiram, com a ajuda de senadores, ser recebidos pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
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Os prefeitos disseram a Haddad que tiveram perdas nos repasses e cobraram mudanças na medida provisória que regulamenta a divisão dos recursos do Fundeb - ou a edição de outra MP -, alegando que trouxe prejuízos para os pequenos municípios e mais verbas para os grandes e os Estados. Haddad atribuiu as queixas a “problemas operacionais” e prometeu apresentar até amanhã uma solução.“Nós somos os primeiros a querer corrigir possíveis erros.” Ele admitiu que o governo pode até editar uma MP para compensar eventuais perdas.
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Mas Haddad contestou os dados do estudo do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) que indica que 4 em cada 10 municípios mais perdem do que ganham com o Fundeb, publicado sábado pelo Estado. “O Tesouro e o MEC fizeram um levantamento mostrando que 97% das prefeituras vão receber mais em 2007 do que receberam em 2006”, afirmou.
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“Ninguém inventa nada, ministro”, reagiu Paulo Ziulkoski, presidente da CNM. “Vamos selar um acordo para que um instituto neutro e de grande respeitabilidade faça uma análise das contas”, propôs Haddad. A idéia irritou os prefeitos, que levantaram a voz para dizer que não tinham condições de esperar um novo estudo.
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O ministro insistiu que o problema pode ter ocorrido por problemas “operacionais” do Banco do Brasil, que gerencia as contas do fundo. “Isso é uma questão técnica, não é uma questão política”, ressaltou. Para ele, o problema “operacional” deve-se à troca do Fundef, que era o fundo só para o ensino fundamental, e vigorou até o fim do ano passado, pelo Fundeb, que abarca todos os níveis, do ensino infantil ao médio.
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Os prefeitos reclamaram que o governo só ouviu secretários estaduais de Educação no processo de elaboração da MP que regulamentou o Fundeb, excluindo os municípios. “Os secretários não falam por nós”, afirmou Ziulkoski. Essa MP estabeleceu que, em janeiro e fevereiro, o repasse funcionaria ainda de acordo com as regras do Fundef. O antigo fundo distribuía para Estados e municípios 15% de uma série de cinco impostos. O Fundeb repassa num primeiro momento 16,66% de uma série de oito impostos.
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A revolta dos prefeitos de cidades menores surgiu em abril, quando o governo fez o ajuste, mudando a divisão de recursos. Os prefeitos acham injusto o peso atribuído a cada área para o repasse - 0,8 para creches, 1 para ensino fundamental e 1,2 para ensino médio. Segundo eles, um aluno de creche, geralmente bancado por prefeituras, custa mais que um do ensino médio, bancado por Estados.
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Transporte
Jair Souto (PR), de Manaquiri (AM), disse que o Fundeb não leva em conta a realidade de seu município, que atende 30% das crianças com até 6 anos. “O Fundeb não vai nos dar condições de aumentar esse porcentual”, avaliou. Para ele, a maior dificuldade é o transporte escolar. A prefeitura paga R$ 1,2 mil por mês para 85 barqueiros. “Nosso aluno do ensino infantil é muito caro e o peso da educação infantil no Fundeb é muito baixo.”
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José Thomé Filho (PPS), de Autazes (AM), reclamou que perdeu 30% em relação ao que ganhava com o Fundef. “O novo fundo aumentou o número de alunos que o município precisa atender, mas reduziu os recursos.” Na sua conta, Autazes teve um déficit no mês de R$ 18,5 mil. “Gastamos com transporte escolar boa parte do que recebemos, pois as crianças estão nas margens de igarapés e rios. A lei só é feita para o Sul.”
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Paulo Ribeiro (PP), de Santanópolis (BA), reclama que está com déficit de R$ 120 mil. “Tenho de arcar com 60% do transporte escolar, sendo que o Estado é quem recebe para isso.”