Adelson Elias Vasconcellos
Ontem prometi um texto sobre a enganação do Lula em relação aos pobres. Então vamos a ele.
Tentando se esquivar de sua responsabilidade sobre o vexam que se tornaram as tais obras da copa, ou o tal legado, Lula acabou falando demais. Mas como o “homi” é considerado espertalhão, acabou tirando um pedaço da máscara com que se traveste diante dos eleitores “destepais”.
Sempre disse que, cedo ou tarde, o cara ia mostrar sua verdadeira face. Mundo afora, isto já é um fato. Mas em terras tupiniquins, o mito criado em torno dele ainda resiste bravamente. E não que não se tenham motivos o bastante para confrontá-lo com seus atos. Mas Lula mantém em torno uma tropa de choque ao estilo máfia, que o defende em qualquer ocasião, muito embora, ele não resiste em entregar e trair os companheiros diante do perigo. Fez isso na ditadura, e o livro do Romeu Tuma Jr. Está aí revelando em detalhes quem foi o “barba”, chegando ao ponto de desafiá-lo para uma confrontação. E o cara vai aceitar? Quem tem o passado que ele tem, vai fugir feito diabo da cruz.
Ás vezes até pode-se ficar preocupado com o estado mental do ex-presidente, dado o discurso entupido de ódio que profere. Ou, quando, sob aplausos de um badno de adestrados, diz coisas como essa:
"Nós nunca reclamamos de ir a pé (ao estádio). Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. A gente está preocupado? Ah não, porque agora tem que ter metrô até dentro do estádio. Que babaquice que é essa?".
Particularmente, há quarenta ou cinquenta anos atrás, jamais vi problema em ir a pé para o estádio. Afinal, morava há 30 minutos do Estádio Olímpico e há uns dez, se tanto, do Beira Rio, em Porto Alegre. Porém, com o passar dos anos, tendo ido morar bem mais longe, o uso do transporte público se tornou obrigatório. Além disso, era pobre, não tinha carro e a grana era pouca para bancar um táxi.
Contudo, o mundo mudou muito nestes cinquenta anos, as distâncias ficaram maiores. Mas os pobres continuam dependendo de transporte público, se possível um metrô. Por que não? Acaso pobre não tem direito a conforto, tem ficar dependendo de jumento para se locomover? Por que o pobre, no entendimento de Lula, tem de se conformar em andar a pé, ou descalço, ou “qualquer coisa”, menos o conforto de um metrô? Até porque, convenhamos, esta Copa não é para pobre, não com o preço dos ingressos no nível que estão. Esta Copa vai receber, além disto, turistas estrangeiros, e o Brasil vai oferecer o que para eles se locomoverem, jumento? Foi para isto que Lula quis trazer a copa para o Brasil?
O grande caso aqui, é que Lula não tem discurso para justificar não ter cumprido as promessas que fez em 2007 e agora, confrontado com o fracasso do tal legado, precisa tirar da cartola uma piadinha esdrúxula para tentar ser espirituoso e sair por cima. Ou seja, Lula se vê como verdadeiro babaca e tentar imputar nos outros aquilo que sente na própria pele. Você é um babaca, Lula da Silva. Mentiu sobre a Copa, mentiu sobre o legado, mentiu sobre os investimentos, você, em suma, mentiu sempre.
Porque, no fundo, você sente vergonha de ter sido pobre, tem preconceito contra os pobres, ou então por que seu governo implantou, desde que assumiu, um confisco vergonhoso sobre os salários mais baixos? Por que seu bolsa família jamais ofereceu portas de saída para que os pobres pudessem ascender na escala social? Ou, ainda, por que seu governo ridicularizou o ensino público de onde as crianças saem sabendo muito menos do que deveriam? Sabe porque Lula, tudo isto? Por que, apesar de seu preconceito contra os pobres e de sua vergonha de um dia ter sido um, ainda depende deles, quer vê-los escravizado ao teu discurso rançoso, para se manter hoje na elite e durante anos no poder. Ou seja, para subir e deixar de ser um deles, ao invés do estudo, do esforço e do trabalho, você preferiu descer. Chegou à política traindo e entregando amigos, enganou seus leais companheiros que fundaram o partido e te mantiveram em alta. A maioria deles acabou decepcionada e abandonando teu barco.
No poder, resolveu aliar-se à escória da política nacional, a mesma escória que esmagou durante décadas os brasileiros pobres. Para ser elite, você vendeu sua alma ao capital, deixou sua origem enterrada no passado para construir um novo homem, mas sem as virtudes da humildade e da simplicidade e mantendo o mesmo jeito bronco e rancoroso de ser. Não será o hábito que fará você se tornar elite. Não será o terno Armani que fará de você uma pessoa melhor. Não valorize tanto o rótulo, Lula da Silva.
Nesta semana, você querendo atacar a oposição, afirmou de maneira cretina, que a oposição quer um pouquinho de desemprego. Acaso você esqueceu os milhares de profissionais que seu governo desempregou na Varig, muitos dos quais precisaram migrar para outros países para continuarem sobrevivendo? Ou os milhares que foram desempregados na Eletrobrás? Ou agora, quando a Petrobrás abriu um programa de demissão e mais de 8 mil se inscreveram? Ou ainda, mais de 1 milhão de desempregados da indústria? Ou os milhares do ramo sucroalcooleiro? Quer falar de desemprego, senhor Lula, e não quer lembrar do desastre da política industrial do teu governo?
Seu ódio à pobreza é tamanho que você, no poder, não vê a hora de tornar o povo brasileiro inteiramente pobre e dependente da esmolinha do Bolsa Família. Você deveria envergonhar-se de si mesmo, do seu rancor, de seus preconceitos, de suas traições, de suas aberrações.
A sentença condenatória deste seu ódio em relação aos pobres ficou bem clara para todo o país. Ninguém manipulou suas palavras, até porque o discurso foi gravado. Isto é, você disse o que o que você disse.
Para você, pobre deve andar a pé, descalço, em lombo de jumento. Porque a Copa não foi feita para os pobres, foi feita para você se mostrar ao mundo. Para exibir-se como o que só se alimenta da própria imagem. Contudo, Lula da Silva, você, no fundo, não passa de um arrogante fanfarrão que passará por cima de qualquer um, até dos amigos e companheiros para se alimentar de poder, conforme deixou claro na entrevista concedida à TV portuguesa, quando negou confiar nos mensaleiros petistas presos na Papuda. Entendo: eles já não podem mais servi-lo e bajulá-lo, não é assim?
Pobre, portanto, pedir metrô para se locomover numa cidade como São Paulo é babaquice, não é? Babaca é você, Luiz Inácio, porque vai gostar de pobre assim lá Venezuela, pô!!!!
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