domingo, maio 18, 2014

Hora de escolher entre o futuro e o caos.

Adelson Elias Vasconcellos

Chega de diabos e demônios transformando o país numa terra sem lei 


O jornalista Ruy Fabiano teceu em seu artigo Cenários da crise (ver post mais abaixo), um resumo bem apanhado de dois cenários pós-eleições.: um, com vitória de Dilma, outro, com vitória de alguém da oposição.

Na verdade, a oposição (o governo também, apesar de não confessar), sabe o que deve ser feito para que o país retome o caminho do desenvolvimento. Lula canta as glórias do desenvolvimento com distribuição de renda, porém, quem estabeleceu o modelo foi FHC e ponto. Como afirmei em artigo anterior, Lula apenas aprofundou e, claro, criou o marketing da esmola. Em outras palavras, dá com uma das mãos, para logo em seguida cobrar com a outra (às vezes até com as duas, mesmo).

Mas prefiro me ater ao cenário que o Ruy traçou para uma provável e não totalmente descartada possibilidade de reeleição de Dilma. Afinal,  e apesar das pesquisas, a senhora Rousseff conta com a máquina, os recursos, as nomeações e a chave do cofre. Pode, portanto, reverter até outubro a atual rejeição junto ao eleitorado.

Neste início de pré campanha, a estratégia do PT foi a do terror. Ingrato, tenta rotular um governo que lhe entregou um país ordenado, como se ele fosse o diabo agindo contra a população.  Contudo, quem acabou por falir e afundar o país são seus aliados Collor e Sarney, contra quem a voz dos petistas não  levanta uma única crítica.

Mas o jornalista alinha em seu artigo aquilo que seria o tesouro escondido do PT em caso de reeleição de Dilma. O projeto petista de poder é uma das coisas mais estúpidas que este país já presenciou. O modelo, caso vingue, implantará uma ditadura feroz. E seria bom que as oposições se ligassem  às ideias do partido, porque o PT investirá toda a sua energia para levá-las adiante. E nunca, ao longo de nossa história, um partido foi tão preciso no desenho de um regime ditatorial como o projeto que o PT preparou. E atenção: muito embora ninguém lhe cobre explicações, até porque o país está envolto em outros debates, seria oportuno que o PT fosse levado às cordas pela  imprensa e pela oposição, para que explicasse o seu ódio extremado à democracia que destila de seu projeto. 

Vamos rever alguns pontos descritos no artigo do Ruy Fabiano. Reflitam sobre estes temas:

a.- Convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para fazer a reforma política, de que constam, entre outras coisas, financiamento público de campanha e voto em lista.Hoje, o eleitor já nem lembra em que convocou na ultima eleição, com a proposta, sequer terá o direito de escolher seu representante. 

b- O partido sonha com a tal democracia direta, que, na Venezuela, levou Chávez a construir seu regime bolivariano, pontuado por plebiscitos em que apenas o governo tinha acesso aos meios de propaganda. Ali também liberou-se a reeleição sem limites. 

c.- A extinção do Senado –  pondo fim à federação, centralizando ainda mais o poder no governo central;

d.- a regulamentação da mídia, estabelecendo a censura aos veículos de comunicação, como já ficou demonstrado em numerosas análises, inclusive aqui, neste blog.

Ontem, publicamos e comentamos a entrevista concedida pelo presidente do partido, Ruy Falcão à Folha de São Paulo, em que ele, abertamente e sem rodeios, defende um controlo rigoroso do capital.

Mas há ainda outras cositas más no projeto do partido, e sobre as quais eventualmente são propagadas. Por exemplo: descriminalização das drogas e do aborto, desmilitarização das polícias militares. 

Outra questão central no projeto do partido, é impor tribunais populares  que terão o poder de praticar “justiça”antes mesmo das contendas serem enviadas à justiça comum. O Judiciário se transformará em mera peça decorativa. Terão o poder de julgar invasão de propriedade, sejam urbanas ou rurais. Seria o fim do direito de propriedade no país.

Convido, neste ponto, o leitor a refletir detidamente sobre o conjunto dos pontos acima:  representam ou não,  no seu todo, a instalação de uma ditadura de esquerda no país? 

Em 2002, Lula só conseguiu sensibilizar o eleitorado brasileiro quando, em carta aberta ao país, comprometeu-se em manter todos os fundamentos econômicos, fossem macro ou micro, implementados por FHC, renunciando, de vez, as baboseiras que durantes anos, tanto ele quanto seu partido, defenderam abertamente. 

Assim, não seria o caso agora das oposições exigirem de Dilma Rousseff uma carta aberta comprometendo-se perante o país, em não levar adiante nenhum dos pontos alinhados acima, renovando, assim, todos os direitos e garantias individuais garantidos na constituição democrática do Brasil?   

Em 2010, Dilma, dado entrevistas concedidas alguns meses antes, precisou assumir o compromisso perante à nação de que não modificaria a constituição sobre o aborto. Contudo, as ideias que o PT recentemente renovou, e algumas também defendidas de viva voz por Lula, como a Assembleia Constituinte para a reforma política, com financiamento público e voto em lista, e como vimos nesta edição, também  o tal controle da mídia,  se chocam frontalmente contra o aparato institucional do país. Será isso que a sociedade brasileira quer para si? Teria coragem a candidata governista de colocá-las, de forma aberta, tais temas em sua campanha eleitoral? Apontaria tais absurdos  na lista de metas de governo caso reeleita? Duvido!!!

E é por isto mesmo que a oposição não pode escorar-se nas cordas contra a propaganda de terror e ficar na defensiva. Se, de um lado,  é acusada, estúpida, caluniosa e injustamente, de representar  a volta dos fantasmas do passado na forma das forças do mal, o que se pode dizer, então, do PT e seu projeto autoritário de impor ao país um regime ditatorial de esquerda?  

E reparem num detalhe: tudo o que precisa ser feito no plano econômico , e do qual se alguém da oposição for eleito não poderá fugir caso pense no país, em nada será diferente do que a própria Dilma terá de fazer. Ou é isso ou é o caos: as circunstância cobrarão, de qualquer um dos eleitos, um brutal  choque fiscal. Ou, que outras artimanhas a senhora Rousseff tem em seu arsenal para trazer a inflação para níveis decentes? Como pretende recuperar a capacidade investimento da Petrobrás, face aos desafios do pré-sal, sem destravar os preços dos combustíveis  e do gás? Como manter e dar melhor qualidade ao transporte público sem destravar o preço das tarifas? Todas estas questões serão cobradas dos candidatos da oposição. Mas e ela, ao invés de apenas desqualificar seus adversários, que ideais e projetos trará na bagagem para resolver as questões dramáticas, tanto da economia quanto dos serviços, e sobre as quais a população já demonstrou sua total insatisfação? 

É fácil deitar falação no palanque sobre o que não pode ser feito, ou transferir responsabilidade à terceiros sobre o por que se deixou de fazer o que era preciso. É preciso ser claro, contudo, sobre o que, de fato, a presidente-candidata propõe para resolver problemas que, ATENÇÃO, foram criados em seu próprio governo. Certas magias, ela própria sabe disso, o mercado não aceitará sem impor ao Brasil rebaixamento em seu grau de risco. Em quatro anos, Dilma não conseguiu manter a inflação no centro da meta, elevar os investimentos, dar ânimo novo à indústria que se mantém estagnada,   recuperar a degradação dos serviços públicos,  dar rumo decente às contas públicas que se deterioram dia após dia, cumprir 1/10 das promessas lançadas em sua plataforma em 2010, cumprir as metas do superávit primário razão pela qual a dívida pública já ultrapassou os R$ 2,0 trilhões de reais, não conseguiu entregar sequer metade do pacote prometido para a Copa do Mundo, como ainda os investimentos em infraestrutura, tão indispensáveis para o país retomar um desenvolvimento decente, continuam travados face a marcos regulatórios caducos. E, como resultado disto tudo, o PIB do país coloca-se entre os últimos do ranking mundial. Nosso IDH permanece estacionado, nossa colocação no ranking do PISA está em antepenúltimo lugar a demonstrar o descaso com a educação das novas gerações. 

Diante disso tudo é de se perguntar: com um governo que conseguiu todas estas “proezas”, que elementos objetivos tem a senhora Rousseff para justificar que a população brasileira lhe confie mais quatro anos no poder? E com aquela plataforma de seu partido, ela espera o quê, ser aplaudida e reeleita com louvor? 

As oposições tem aí o passado da super gestora para avaliar e cobrar, mas têm, também, a plataforma do futuro projetado para questionar a presidente-candidata sobre suas reais intenções e o que, de fato, ela pretende levar adiante. 

Assim, nem há mérito conquistado   nestes quatro anos, nem há futuro promissor  quando nos deparamos com o real projeto de seu partido. Se alguém deve ser condenado por “fantasmas do mal” por quatro anos de absoluta mediocridade, e por representar o caos perante um futuro de devastação no aparato institucional que nos garante democracia, este alguém não está as atuais oposições.  

Chega de diabos e demônios transformando o país numa terra sem lei, impondo um regime de convulsão social, destruindo as forças econômicas e produtivas. A manter-se a atual elite governante, nos transformaremos de país do futuro em país sem futuro algum. No fundo, através da perenização da pobreza e da eterna ignorância, o que esta gente deseja  é eternizar no poder sob a escravização de todo um povo. Os brasileiros aceitarão passivos tal proposta?