terça-feira, janeiro 30, 2007

Acostamento: o retrato do Brasil

por Rodrigo Constantino, Blog Diego Casagrande

Retornava eu da paradisíaca Angra dos Reis quando me pus a refletir sobre tudo aquilo, concluindo que o resumo do fracasso brasileiro estava contido ali, naquela volta. A mentalidade do povo brasileiro com sua completa falta de educação, o descaso do governo apesar dos excessivos impostos, a impunidade total que incentiva a ilegalidade e a enorme oportunidade perdida que é este lindo país.
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Em primeiro lugar, uma estrada completamente patética, uma colcha de retalhos repleta de buracos, que leva a um dos lugares mais lindos do mundo. O governo toma na marra quase a metade daquilo que o cidadão ganha, e oferece em troca uma estrada que parece um queijo suíço, causa de inúmeros acidentes fatais. As pessoas reclamam dos pedágios nas vias privadas, mas deveriam reclamar é dos elevados impostos. Em qualquer lugar mais civilizado do mundo, o acesso a um paraíso como Angra seria totalmente diferente, infinitamente mais decente, para atrair os turistas e seus dólares, que geram emprego e renda. No Brasil, o descaso das autoridades é total, e mais uma excelente oportunidade de reduzir a miséria é perdida.
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Em segundo lugar, a falta de educação do próprio povo é impressionante. Vários motoristas, imbuídos da malandragem da “lei de Gérson”, jogam seus carros no acostamento e ultrapassam os cidadãos corretos que obedecem a fila. É como se chamassem os que respeitam as regras de otários. Eis a mentalidade do brasileiro, na média. E tal falta de educação não faz distinção de conta bancária. Verdadeiras espeluncas sobre rodas, que deveriam estar no ferro velho, passam pelo acostamento junto com “apartamentos sobre rodas”, carros que valem uma fortuna. Muitos repetem que a solução de todos os nossos males está na educação, como se esta fosse uma panacéia, mas não questionam qual educação. Aquela turma, em carros que custam mais que um brasileiro de classe média ganha por ano, tem boa “educação”, no sentido de diplomas e universidades. Mas são mal educados, pois a mentalidade é torta, e falta respeito ao próximo. Alguns – e não foram poucos – chegavam a jogar seus carros na contramão, colocando em risco, de forma totalmente irresponsável, várias famílias que iam no sentido contrário.
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Em terceiro lugar, a impunidade é total, o que estimula bastante o problema da falta de educação acima. Indivíduos reagem a incentivos, e quando a ilegalidade é vantajosa, enquanto seguir as regras é penalizado, muitos irão aderir ao crime, pois nem todos são íntegros o suficiente para respeitar o próximo independente da punição da lei. Durante a minha viagem toda, que durou o dobro do que deveria, passei por apenas um carro de polícia na estrada. Ele não estava no acostamento, multando e punindo aqueles que desrespeitavam a lei e os demais motoristas. Estava estacionado na frente de um restaurante, com os policiais batendo papo com umas mulheres, enquanto ignoravam todas as atrocidades na estrada. A impunidade é um convite ao crime. Em resumo, aquela angustiante volta de um lugar tão maravilhoso como Angra pode ser vista como um retrato do nosso país. Um governo que arrecada demais via impostos e não foca no que deveriam ser suas funções básicas, um povo que de certa forma merece os desgovernos que tem tido sucessivamente, e uma enorme oportunidade perdida. O diabo está nos detalhes. As pequenas coisas importam, são sintomáticas. O cidadão que ignora totalmente o respeito ao próximo, querendo se dar bem às custas dos outros, vem depois reclamar da corrupção em Brasília. Não nota que ele mesmo desrespeita as regras, que deveriam ser igualmente válidas para todos. Afirmam que “todos fazem”, como se isso fosse justificativa para errar. Não há absolutamente nada errado em se buscar os próprios interesses. Contanto que isso não signifique passar por cima dos outros, enganar os “otários” que são corretos.
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O brasileiro sempre achou o máximo furar a fila. Coisa de malandro. Pois eis o que a malandragem gera: um país corrupto, miserável, sem lei. Enquanto isso, os “otários” dos americanos, por exemplo, seguem as regras, seja por conscientização ou por medo da punição, e vivem no país mais próspero do mundo. Há que se mudar tanto as instituições brasileiras como a mentalidade do povo. Uma coisa não funciona direito sem a outra. O sujeito que pega o acostamento, tentando passar para trás os que respeitam os outros, deveria sentir vergonha pelo seu ato. Mas a coisa é vista como tão normal que um deles, quando eu não permiti que entrasse na minha frente, ficou furioso e reclamando. O culpado era eu, que seguia no caminho correto. Essa mentalidade precisa mudar. Caso contrário, o retrato do país não irá mudar. Seremos para sempre o gigante adormecido, esse país maravilhoso que tinha tudo para ser um paraíso, mas que não passa de um recordista mundial em homicídios e pobreza.

Crescer com o pé no freio?

Editorial do Jornal do Brasil
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Tisnada pela incompreensão do Palácio do Planalto sobre as verdadeiras travas que impedem o Brasil de crescer, a primeira semana depois da divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento revelou-se pouco animadora. Como se sabe, é com o PAC que o presidente Lula pretende achar o que a (in)competência lhe sonegou até agora - um desenvolvimento mais vistoso e sustentado. Mas faltou ao pacote, e à disposição governamental exibida nos dias seguintes, tocar no real vespeiro: a tríade formada por uma Previdência Social deficitária, pelas leis trabalhistas anacrônicas e pela excessiva gordura do Estado.
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Embora tais problemas configurem o mais agudo obstáculo do crescimento, nem de perto foram tangenciados pelo governo, antes, durante e depois da divulgação do programa. O mais inquietante é saber que as mesmas aflições não parecem ser compartilhadas pelo Planalto. Não há evidência mais clara do que a criação de um grupo de trabalho para "discutir" as crateras abertas na Previdência. A República Velha não produziria melhor artifício - o recurso típico de quem deseja fazer algo sem fazer de fato. Dá-se a impressão ao distinto público que o problema está resolvido e vamos em frente.
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Não vamos. Na sexta-feira foi divulgado o tamanho do déficit da Previdência em 2006: espantosos R$ 42 bilhões, 11% maior do que no ano anterior. Se o rombo é desse tamanho, se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhece que vem crescendo de maneira explosiva e que "nos próximos 30 anos vai desandar", se as ações de combate às fraudes e desperdícios se mostram insuficientes, se diagnósticos e prognósticos em profusão estão postos à mesa do presidente e auxiliares, por que relegar o tema a segundo plano? Paciência.
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Exceto alguns integrantes do governo, quadrilhas beneficiárias e privilegiados do sistema, todos sabem que o modelo previdenciário brasileiro é sui generis.
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No setor público, os funcionários se aposentam com vencimentos integrais, desde que tenham completado 60 anos de idade, os homens, e 55 anos, as mulheres. No setor privado, o teto da aposentadoria é de cerca de R$ 2.800, mas o trabalhador pode aposentar-se com qualquer idade. Basta que tenha contribuído para o INSS durante 35 anos, se homem, ou 30 anos, se mulher. Igual benefício, nem nas mais ricas nações do mundo conseguem.
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A precocidade é um falso direito exercido à custa dos contribuintes do presente e do comprometimento das gerações futuras. Os R$ 42 bilhões saem das contas públicas nacionais. Para compensá-los, o Estado drena recursos e energia do setor privado - e dá-lhe impostos às alturas e juros elevadíssimos a fim de atrair dividendos para sustentar o corpanzil estatal.
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As cordas da asfixia, contudo, não se prendem aí. Ao empurrar com a barriga outras reformas estruturais imprescindíveis, como a trabalhista e a tributária, o governo exige de empresas e trabalhadores o que o setor público se revela incapaz de fazer - redução drástica de despesas. A legislação trabalhista amplia o custo do emprego e estimula a informalidade. A barafunda de impostos atormenta os bons pagadores, irriga o terreno dos sonegadores e atravanca os investimentos.
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Se o PAC não foi ao fundo do que devia na redução dos gastos públicos, também não atacou os tumores que eternizam a paquidérmica ineficiência da máquina estatal. Fechando o ciclo, o governo não emitiu nenhum sinal de que outras reformas estruturais virão por aí. É como precisou a manchete do JB depois anúncio do programa: o governo tenciona acelerar com o pé no freio. A equação não fecha.

Debate na Câmara e essa tal democracia

Blog do Reinaldo Azevedo
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Leiam nos sites o que disse cada candidato à Presidência da Câmara no debate havido hoje. Destaco aqui algumas coisas. Arlindo Chinaglia (SP) afirmou haver “preconceito e ódio” contra o PT. É mesmo? O curioso é que, quando tratou do assunto, referia-se a críticas que o partido recebe da base aliada, não de adversários. Justificando a razão por que o partido quer a presidência da Câmara, afirmou que a legenda fez a segunda maior bancada e elegeu cinco governadores. “Daqui a pouco, vão questionar a eleição do presidente Lula”.
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Para quem sabe ler, basta o que vai acima. No melhor paradigma Hugo Chávez, ele está afirmando que, se o eleitor deu seu voto ao partido, então tudo lhe é permitido. Eis aí o desafio que hoje enfrentam as democracias na América do Sul: as urnas são usadas como tribunais. Chinaglia ignora a série de desmandos e de afrontas à democracia praticada por seu partido e prefere acusar “preconceito”.
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Aldo Rebelo (PC do B-SP), candidato de um partido que, formalmente ao menos, ainda é leninista, vejam só!, deu um cutucadinha em seu colega do PT: “Quando alguém achar que, em nome da democracia, pode restringir liberdades, estaremos nos distanciando do conceito de democracia”. A essência do que diz é correta. A defesa das liberdades ficou por conta dos comunistas? Estamos feitos! Ao debater salários, o comunista do Brasil reiterou numa escolha esperta: defendeu o congelamento do salário dos ministros do STF, cujo teto é R$ 24,5 mil. Sobre os ganhos indiretos dos deputados e senadores, nada disse.
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O tucano Gustavo Fruet (PR), candidato da Terceira Via, insistiu na tecla de que Aldo e Chinaglia representam a subordinação do Legislativo ao Executivo, já que as duas candidaturas são, obviamente, do interesso do Planalto. Aldo reagiu e disse que nunca pediu autorização a Lula para ser candidato. Não? Ele sabe que só está onde está com a ajuda do Planalto. Sua eleição para a presidência da Casa custou R$ 1,5 bilhão em liberação de emendas.
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IrritaçãoAldo conseguiu irritar muito os petistas quando defendeu que a eventual eleição de Chinaglia representaria um perigo ao concentrar poderes excessivos nas mãos de um só partido. Foi acusado de ingrato pelos petistas, o que também é mentira. O PT só abriu mão da candidatura em 2005 porque não teria como eleger um presidente. Aldo foi uma solução, não uma concessão dos petistas. A resposta de Aldo veio: disse não se sentir em dívida com os petistas, razão por que mantém o seu pleito até o fim. Seu compromisso, afirmou, é com o Legislativo.

TOQUEDEPRIMA...

Brasil terá o maior crescimento agrícola no mundo
De O Estado de S.Paulo:

"O Brasil será o país que apresentará maior crescimento em produção e exportações no setor agrícola no mundo até 2020. A estimativa é da União Européia (UE), que já começa a contabilizar o que significaria a abertura de seu mercado agrícola diante de um eventual acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os cálculos da UE mostram que a liberalização e uma reforma interna do sistema de subsídios reduziriam em 25% o número de fazendas na Europa nos próximos 15 anos.

As projeções fazem parte de um levantamento elaborado por economistas da UE sobre como seria a agricultura européia em 2020 e quais desafios externos e internos ela sofreria. “Está claro que temos de mudar a forma como atuamos no setor rural. Estamos perdendo competitividade há anos e a conclusão do levantamento mostra que não podemos seguir assim”, afirmou um funcionário de alto escalão da UE."

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COMENTANDO A NOTICIA: Temos ainda a maior reserva de terra agricultáveis por explorar do Planeta. Mesmo que o governo federal não faça absolutamente nada para exploração econômica e racional destas áreas, é uma tendência natural que elas venham se tornar produtoras. Deste modo, sem precisar preocupar-se em criar uma política agrícola minimante decente, poderemos crescer, no campo, mais do qualquer outro país.

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Souza e Shelb: de paladinos a acusados
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O Conselho Nacional do Ministério Público marcou para o próximo dia 27 a audiência sobre a denúncia do ex-ministro Eduardo Jorge Pereira contra os procuradores Luiz Francisco Souza e Guilherme Shelb, que infernizaram o governo FHC e silenciaram durante os escândalos do governo Lula. O ex-ministro de FHC os acusa de perseguição e de crimes de prevaricação, falsidade ideológica, falso testemunho no Senado, fraude documental etc.

A denúncia de EJ contra os procuradores, arquivada pela Corregedoria da corporação dos acusados, foi aceita pelo Conselho Nacional do MP.

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COMENTANDO A NOTICIA: Vocês estão lembrados desta dupla de cretinos ? Pois então, os “paladinos”, passaram quatros anos murchos, sumidos e, por coincidência, não conseguiram achar um só escândalo para se entreterem. Que coisa, não é mesmo ? Os coitados devem estar numa ociosidade de dar dó...

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Retorno
Cláudio Humberto

Abandonado pelo Palácio do Planalto e ignorado pelos dirigentes petistas, o senador Aloizio Mercadante (SP) voltou a bater continência a José Dirceu.

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Governadores: o preço do apoio ao PAC
De O Estado de S.Paulo:

"Na segunda reunião do ano, os governadores definiram ontem uma lista de reivindicações a ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro marcado para 6 de março. O pacote soma R$ 15,5 bilhões anuais e inclui maior participação nas receitas da União, alongamento da dívida e uma fatia da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - 20% para os Estados e 10% para os municípios - como “moeda de troca” no apoio ao Planalto para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A lista de demandas é ainda maior. Em fase final de elaboração, o pacote ficará com 12 a 15 itens, todos relacionados à partilha de verbas."

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Governador condenado

Justiça condena governador de MS
Da Folha de S.Paulo:

"O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), foi condenado ontem pela Justiça Estadual a ressarcir a Prefeitura de Campo Grande por ilegalidade no contrato de concessão dos serviços de água e esgoto, feita em outubro de 2000, quando ele era prefeito da cidade.

O contrato de concessão envolve a soma de R$ 417,2 milhões. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça. A ilegalidade, segundo a Justiça, ocorreu porque a prefeitura deixou de receber em dinheiro 20% do contrato de concessão.

Conforme o juiz estadual Dorival Moreira dos Santos, Puccinelli aceitou indevidamente o pagamento de 20% em obras que não eram referentes a saneamento, e sim à urbanização e à construção do prédio do Fórum de Campo Grande."

Metade do preço do iPod é imposto

Ana Paula Lacerda e Mariana Aragão, Jornal da Tarde

Quando o brasileiro compra um iPod, é como se adquirisse dois: um ele leva para casa, outro vai para o governo na forma de impostos. Sonhos de consumo de muitos brasileiros, os eletroeletrônicos da moda - como iPods, TVs de LCD e videogames de última geração - ainda estão longe de ter, no Brasil, preços semelhantes aos de seus países de origem. Nas lojas de varejo do País, alguns importados chegam a custar até quatro vezes mais que em lojas nos Estados Unidos.
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“Isso ocorre porque, ao trazer um eletroeletrônico para o Brasil, a empresa paga uma série de impostos”, diz o tributarista Ilan Gorin. “O Imposto de Importação, o IPI, 17% a 19% de ICMS, 9,25% de PIS/Cofins, CPMF, IRCS sobre o lucro, todos somados representam facilmente a metade, ou até mais, do valor final do produto.”
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Fora isso, o tributarista acrescenta que o revendedor precisa acrescentar ao preço final o frete e as despesas da loja e de pessoal. “Assim, o consumidor acaba comprando um produto pelo preço de dois.”
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Uma pesquisa do banco australiano Commonwealth mostra bem essa situação: uma das conclusões é que o Brasil vende o iPod mais caro do mundo. O estudo compara o poder de compra em 26 países e mostra que o tocador de MP3 da Apple custa US$ 327,71 no Brasil. Na Índia, segunda no ranking, custa US$ 222,27, e nos EUA, terra natal do iPod, US$ 149. O modelo usado na pesquisa foi o Nano, última versão do player da Apple.
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Os videogames também têm seu preço triplicado ao chegar ao Brasil. Segundo um levantamento da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), antes de chegar às lojas, os videogames carregam mais de 100% somente em tributação direta - 30% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e de 17% a 19% de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A esse valor, são acrescidos a margem de lucro e gastos com transporte.Mesmo os eletroeletrônicos fabricados no País têm preço médio maior que no exterior. “A carga tributária brasileira é mais alta que a de outros países”, diz Gorin. “As exceções são aqueles aparelhos que não precisam de componentes importados ou são produzidos em áreas com incentivos fiscais.”
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Segundo o gerente do Departamento de TV e Som da Fnac, Alex Altheman, a alta taxa tributária do País é a causa principal do alto preço dos eletroeletrônicos. “Um iPod, por exemplo, é taxado em cerca de 30% do seu valor de importação só para entrar no Brasil.”
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A primeira conta é paga pelas importadoras. “Quando as empresas varejistas compram o produto, têm de pagar mais 28% em impostos.” Esse porcentual incide sobre o valor posterior, não sobre o original - a chamada incidência em cascata. O gerente aponta as despesas com frete como mais um vilão na definição dos preços. “A estrutura precária das estradas do País encarece o produto e a falta de segurança nos força a gastar mais com logística.” A empresa não revela quanto, mas afirma que a margem de lucro dos eletroeletrônicos é menor que a de outros produtos, como livros e DVDs.
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Segundo Altheman, não existe uma única solução para tornar os produtos mais acessíveis ao consumidor, mas várias. Além do corte de tributos, ele afirma que estradas melhores e mais seguras reduziriam os preços. Outra reivindicação é a concessão de incentivos fiscais aos fabricantes nacionais de eletrônicos, a exemplo do que ocorre com os produtos de informática. “Afinal, usar iPod também é inclusão digital.”

Militares trabalhariam como mercenários no Iraque

Com informações do jornal O Dia
Redação Terra


Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar denúncia segundo a qual o Centro de Instrução do Gericinó, localizado na zona oeste da capital fluminense, estaria sendo utilizado para recrutar e treinar militares da reserva com o objetivo de enviá-los ao Iraque, onde trabalhariam como mercenários de empresas estrangeiras instaladas naquele país.

De acordo com reportagem da última edição da revista Carta Capital, o italiano Giovanni Piero Spinelli, 32 anos, é o reponsável por aliciar ex-militares brasileiros, que receberiam US$ 3 mil por mês por contrato de dois anos. O valor equivale a R$ 6.420 em moeda atual, cerca de seis vezes o salário de um cabo, por exemplo. A proposta teria atraído pelo menos cinco militares da reserva: dois sargentos, dois cabos e um soldado.

Os militares que teriam partido do Rio trabalhariam como "gorilas", ou seja, prestariam serviços de segurança para executivos e empresas estrangeiras. Os soldados teriam sido contratados pela empresa First Line, fundada em 2005 por Spinelli e mais dois sócios italianos - Cristiano Meli e Salvatore Miglio. O escritório funcionava no número 87 da rua do Ouvidor, no centro do Rio. Os proprietários embolsariam US$ 2 mil para cada brasileiro contratado para a missão.

Segundo Carta Capital, Spinelli teria contado com a conivência do tenente-coronel Roberto Raimundo Criscuoli, comandante do Centro de Instrução do Gericinó. O nome do oficial já consta do IPM.

Durante os cursos, teriam sido utilizados armamentos do Exército, com autorização de Criscuoli, segundo a jornalista Cláudia Morais, que durante cinco meses trabalhou como assessora de imprensa da First Line no Brasil.

A ex-mulher do oficial, a psicóloga Celina Maria Lourega, também estaria envolvida. Ela faria as entrevistas e os testes psicológicos para seleção dos militares. Segundo a Carta Capital, também seria sócia de Spinelli e Meli na Intact Brazil Assessoria e Consultoria Técnica Ltda.

Um general também teria sido citado no processo. O IPM está sob sigilo de Justiça, e tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para ser concluído.

Spinelli já é conhecido da polícia brasileira: ele foi preso com equipamentos militares, em fevereiro de 2006, por policiais que investigavam denúncia de furto de energia no escritório da First Line. Mesmo assim, foi contratado para dar cursos às polícias Civil e Militar, treinando agentes que vão trabalhar na segurança dos Jogos Pan-Americanos. A Academia da Polícia Civil tem um currículo do italiano em seus arquivos.

Spinelli: "persona non grata" na Itália
Spinelli está impedido de entrar na Itália desde 2004, por ter recrutado italianos para servir no Iraque, o que é proibido no país. Quatro italianos contratados por ele foram seqüestrados por guerrilheiros iraquianos. Suas imagens foram exibidas em todo o mundo pela TV Al-Jazeera. Um deles, Fabrizio Quattrocchi, foi executado com um tiro na nuca diante da câmera, no dia 14 de abril de 2004.

A imagem chocou o mundo e causou uma onda de pedidos para que os guerrilheiros poupassem os outros - Umberto Cupertino, Salvatore Stefio e Maurizio Agliana. Até o Papa João Paulo II pediu a libertação dos reféns.

No dia 8 de junho, após operação até hoje pouco explicada, os três foram libertados e voltaram à Itália no avião presidencial. Foram recebidos como heróis por todos, menos pelo juiz Giuseppe de Benedictis, do Tribunal de Bari, encarregado de investigar o caso.

Benedictis constatou que eles eram mercenários e proibiu Spinelli, que trabalhava para a empresa americana Dyncorp, de retornar à Itália. Segundo a revista ¿Carta Capital¿, o italiano também está ilegal no Brasil: seu passaporte está vencido desde 2005. Atualmente, ele mora em Cravinhos (SP).

Oficial acompanhou treinamentos
A jornalista Cláudia Morais conta que conheceu Spinelli por intermédio de um amigo comum, um professor de artes marciais, que identifica apenas como Mário Sérgio. Procurado por telefone, ele não atendeu às ligações.

Cláudia foi contratada por Spinelli para prestar serviços de assessoria de imprensa para a First Line. A jornalista seria encarregada de enviar reportagens sobre a participação da empresa no conflito do Iraque à revista européia Raids, especializada em cobertura de guerra e assuntos militares.

Ela participou de treinamento com Spinelli e mais de 30 militares da reserva em Gericinó por uma semana, e garante que os armamentos utilizados eram do Exército Brasileiro. Cláudia confirma que o tenente-coronel Roberto Criscuoli autorizou os treinamentos.

"Ele acompanhou a gente", informou a jornalista à reportagem. Ela não sabe se algum militar brasileiro foi para o Iraque, mas confirma que esse era o objetivo da preparação. "Que eu saiba, todos nós ali iríamos para o Iraque. Essa era a proposta", garante.

Após cinco meses, o plano foi abortado. Segundo Cláudia, a razão foi a falta de dinheiro. "O Salvatore (Miglio) tinha garantido que iria financiar tudo, mas descobriram que ele não tinha dinheiro", conta. A própria jornalista acabou sem receber seu salário.

A intenção dos sócios, afirma Cláudia, era tornar a First Line uma réplica da empresa americana Black Water, a maior das companhias privadas militares, que recrutam mercenários. A organização emprega lobistas para atuar no Congresso americano e trabalha com o Pentágono.

TOQUEDEPRIMA...

TSE reinicia a apuração do caso do dossiê
Da Folha de S.Paulo:

"O Tribunal Superior Eleitoral retoma na quinta-feira a investigação judicial aberta no ano passado contra Lula. Tenta-se apurar se houve abuso de poder econômico e de autoridade no caso da tentativa de compra de um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

Aberta em 19 de setembro, a pedido da coligação PSDB-PFL, a apuração teve de ser interrompida em dezembro, por conta do recesso do Judiciário. De volta ao trabalho nesta semana, o corregedor-geral eleitoral do TSE, ministro Cesar Asfor Rocha, que cuida do caso, irá notificar os acusados, para que apresentem defesa por escrito."
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Claro o TSE cumpre com a função que lhe é delegada. Mas não acredito que haja real empenho em apuração de fatos. Acredito que eles vai cumprir tabela e acabar arquivando. A competência para a apuração dos fatos competiria à Polícia Federal, que comportando-se tão estranhamente incompetente (e até diria irresponsável), simplesmente enrolou o mais que pode para chegar a resultado algum. Aliás, é bom lembrar, COMENTANDO A NOTICIA sempre afirmou que o objetivo era justamente esse: levar a investigação para lugar nenhum.

É bom que as pessoas tenham em mente que, toda a violência atualmente no Brasil, é decorrência de governos que sucessivamente vem espalhando a impunidade e a omissão de norte a sul. Não se trata de governo federal apenas, em todos os quadrantes do Estado Brasileiro, seja federal, estadual e municipal, onde houver dedo de gigolôs da nação que se tornaram os nossos “habitues” políticos, acreditem, ali se planta a violência que escorregará para a nossa vida diária, urbana ou rural, não importa. Somos nós que sofremos a ausência do Estado na segurança, e somos que recebemos o pagamento deles nos roubarem cretinamente a vida toda, e nós não reclamarmos ou exigirmos a devida punição.

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Em 4 anos, patrimônio de Chinaglia aumenta 179%
Da Folha de S.Paulo:

"O patrimônio do deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), 57, candidato a presidente da Câmara dos Deputados, cresceu 179% entre 2002 e 2006, já descontada a inflação. Entre os três candidatos, foi de longe o que teve melhor desempenho - Aldo Rebelo (PC do B-SP) anotou 45,6% e Gustavo Fruet (PSDB-PR), 41,5%.

Em valores nominais, Chinaglia saltou de R$ 157,4 mil, em 2002, para R$ 607,8 mil em junho de 2006. Foi o maior aumento real entre os três deputados em valor absoluto."

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COMENTANDO A NOTÍCIA: Em 2006, comentamos aqui um estudo feito a partir da evolução do patrimônio da classe política, e disparadamente, em primeiro lugar(quanta coincidência!!!), os de maior crescimento pertenciam ao partido do Chinaglia, um jeito canalha de ser. Portanto, tanto o levantamento divulgado tinha fundamento, que agora Chinaglia como que reintera as mesmas conclusões.

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Chinaglia: memória fraca
Cláudio Humberto

O candidato petista à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), contou lorota, ontem, ao afirmar que seu partido tinha a maior bancada, mas abriu mão da presidência para Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Na verdade, o PT estava desmoralizado pelo mensalão e não poderia disputar a presidência. Rebelo foi a saída da base aliada para garantir o cargo.

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Governo não controla ONGs
Do Jornal do Brasil:

"Absoluto descontrole oficial sobre a atuação das ONGs, ausência do governo nas comunidades mais carentes da Região Norte, legislação pouco adequada, mais conivência do governo e da comunidade acadêmica brasileira com interesses externos têm feito da Amazônia o celeiro de uma riqueza monumental, que beneficia uma massa de estrangeiros que circula com desenvoltura na floresta. A biopirataria na região é a base de um mercado que movimenta US$ 100 milhões por ano nas indústrias química, farmacêutica e cosmética, segundo estimativa do Ministério do Meio Ambiente. E o Brasil não vê nem um centavo desses recursos."

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COMENTANDO A NOTÍCIA: O caos que se vive na região Norte não são fruto apenas da biopirataria: também a atuação livre, leve e solta das madeireiras, e mais os garimpos, estão praticando um crime de destruição ambiental que, inexplicavelmente, o governo brasileiro não age, não coíbe, não pune, não prende, não desapropria, não fiscaliza, não faz absolutamente nada para defender o pedaço mais rico do país em termos naturais. Inconcebível a imobilidade dos governos federal, estaduais e municipais neste sentido. Até parece que ali não é Brasil !!!

A aula magna das mordomias

por Villas-Bôas Corrêa, no Jornal do Brasil
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A presidência da Câmara - e a do Senado nada fica a dever - certamente que promete e garante aos parlamentares o paparico do prestígio político, da importância e o inefável, inebriante desfrute dos seus privilégios e vantagens.
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Com as prévias ressalvas das fraquezas humanas, tento compreender e analisar a extravagante iniciativa do deputado Aldo Rebelo, presidente da Câmara e candidato à reeleição, de convocar os deputados eleitos, novatos do primeiro mandato, para uma caricatura de aula magna, que ele próprio se apresenta para proferir do alto da tribuna parlamentar, no próximo dia 30, terça-feira - por coincidência dois dias antes da eleição para a renovação das mesas diretores das duas Casas do Legislativo.
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Ora, em qualquer caso seria uma excentricidade. No caso do deputado Aldo Rebelo saltita a evidência da mais descarada jogada eleitoral.
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Claro, não faltam explicações e justificativas: os calouros receberão do catedrático de comprovada competência as informações básicas sobre o funcionamento do Congresso, dos seus direitos e deveres.
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Para financiar a maratona didática, os novos parlamentares serão recepcionados com a demonstração prática dos adornos e seduções que, num toque mágico, alçam o mandato às alturas de um dos melhores empregos do mundo.Nada se poupou para o sucesso da lição de refinada sabedoria. A pauta antecipada para atrair os alunos inclui noções fundamentais sobre o relacionamento com a mídia, as manhas do processo legislativo, da elaboração do orçamento e da chamada gestão estratégica, amplo balaio onde cabe tudo.
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Despesas para tão tocante galanteria não embaraçam o experiente presidente-candidato. Cada um dos inscritos será mimoseado com quatro diárias em hotel de muitas estrelas. E com o direito a acompanhante para assegurar a gratidão do casal ao mestre-sala de tão comovedora solicitude.
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Para não ser surpreendido pela implosão do sucesso foram licitadas mil diárias, ao custo da bagatela dr R$ 125 cada. E mais a miudeza de R$ 3,5 mil com recepcionistas e R$ 720 com três arranjos de flores - um toque de cavalheiro.
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Em tempo: a presidência providenciou o adiantamento de 50% da cota de passagens para o mês de fevereiro para que os novatos e suas digníssimas esposas compareçam à aula e à cerimônia de posse.
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Os dois outros candidatos à presidência, deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), com um drible de corpo, dissimularam o óbvio desagrado à astuciosa jogada do ladino concorrente.
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Nos quatro dias que faltam para o grandioso show sobra tempo para o deputado Aldo Rebelo matutar sobre as suas responsabilidades na urgente, inadiável reforma de hábitos, costumes e desvios éticos que levaram o Congresso à crise moral da impopularidade e da desmoralização.
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Não é preciso mais do que fechar o discurso com a convocação dos que chegam para a cruzada de reabilitação do Legislativo e que passa, prioritária e necessariamente, pela faxina em regra no descalabro das vantagens, benefícios que se acumulam no monturo da corrupção do mandato.
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A aula ficará incompleta e maculada pela suspeita se os novos deputados não foram informados e esclarecidos sobre a orgia das mordomias: o subsídio mensal de R$ 12.847, acrescido com o pagamento de mais duas parcelas no início e fim de cada sessão legislativa dispara na escalada para os altos da cordilheira com os R$ 55.815 da verba de gabinete, mais R$ 15 mil da escabrosa verba indenizatória, R$ 3 mil de auxílio moradia, R$ 4.268 da cota postal e telefônica, mínimo de R$ 4,1 mil e máximo de R$ 15,7 mil para quatro passagens aéreas semanais, além de outras miçangas por fora.
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Seria justo premiar com medalha de ouro o novo deputado que responder a esta pergunta singela: por que o parlamentar não mora em Brasília, seu local de trabalho, como todo mundo que ganha a vida honestamente?

País não pode esperar pelo crescimento, diz Lula

Da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta sexta-feira, que o Estado brasileiro assumiu a dianteira no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) porque o país não pode esperar até que os empresários se convençam da viabilidade de novos investimentos.
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“Enquanto não se constrói essa parceria, porque muitas vezes os empresários são muito desconfiados na hora de fazer os seus investimentos, o governo não pode ficar esperando”, disse Lula, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. “Se o Brasil não pode esperar, porque isso vai atrapalhar o crescimento, nós vamos começar a fazer.”
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Lula disse acreditar que haverá compreensão sobre a importância de aprovar as medidas do PAC no Congresso. “Eu estou convencido de que na política interna brasileira há compreensão de todo o Congresso Nacional, dos governadores”, afirmou. “Pode ser que um governador tenha uma crítica aqui, outra ali; um deputado tenha uma crítica aqui, outra ali; mas no fundo, no fundo, eles sabem que esse projeto não são projetos do presidente Lula, não são projetos apenas do governo, são projetos para o Brasil.”
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Sucessão Para o presidente, quem vai lucrar com os bons resultados do PAC é seu sucessor. “Se formos competentes e conseguirmos concluir tudo que queremos concluir até 2010, aquele que vier depois de mim vai pegar um Brasil muito mais arrumado do que eu peguei. E é isso que interessa para quem quer investir no Brasil, para quem é brasileiro e, sobretudo, para quem quer governar o Brasil.”
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“Eu duvido que em algum momento da história do Brasil foi lançado um programa com a substância e com começo, meio e fim, como o programa que nós lançamos neste último final de semana”, disse ele sobre o PAC. O presidente destacou os investimentos previstos pelo PAC em áreas como habitação e saneamento, os quais, segundo Lula, farão uma “pequena revolução” nas cidades brasileiras.
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Comparação Lula comparou números de governos anteriores com os que sua administração está alcançando. “Eu digo sempre que na década de 50, quando o Brasil tinha como presidente Juscelino Kubitschek, em que o PIB crescia à média de 7% ao ano, a inflação era de 23%, e o salário mínimo não crescia constantemente”, relatou ele.
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“Eu me lembro que, no “milagre brasileiro”, de 1968 a 1973, quando a economia crescia em média 10% ao ano, e em 1973, quando o PIB cresceu 13,94%, o salário mínimo decresceu 3,4%”, continuou. Já em seu governo, segundo Lula, os 50% mais pobres da população passaram de uma participação de 10,49% da economia para 12,24%. “Um crescimento que há muito tempo não acontecia para a camada mais pobre da população”, definiu ele. “Nos nossos quatro anos de governo, nós trabalhamos de forma muito harmônica e o salário mínimo cresceu todos os anos.”

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COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém precisa lembrar ao senhor Lula que o seu “espetáculo do crescimento” está sendo vão para cinco anos, e até agora nada, e pelo visto, continuaremos a esperar ! Quanto ao fato do empresário estar desconfiado, seria conveniente que o governo federal estabelecesse regras claras, oferecendo seguranças econômica e jurídica para quem quer investir ! Ou o presidente acha que o dinheiro do empresário nasce em poste ou dá em árvores ?

Aliás, estava demorando para Lula não achar um pretexto pelo fato do país não crescer como no restante do mundo ! Ele nunca é culpado de nada, só os outros ! Outro dia alguém disse que esta tática do Lula de sempre fugir de sua responsabilidade representava esperteza política. Discordei na hora, porque o que não podemos é confundir esperteza política com cretinice e irresponsabilidade, conjugados com incompetência !
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Pachorra

Expert em reformas ministeriais teve a pachorra de contar os candidatos já citados como ministeriáveis do segundo governo Lula. Chegou ao número espantoso de 360 candidatos. Média de dez para cada uma das 36 pastas.

Zeca e os outros

Por J. R. Guzzo, revista EXAME
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Na véspera deste último Natal, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou uma medida que dá ao ex-governador Zeca do PT, após oito anos no cargo, uma aposentadoria de 22 100 reais mensais. Zeca vai receber esse dinheiro pelo resto da vida -- e é possível que mesmo depois de morto os contribuintes matogrossenses continuem pagando a conta, pois contrabandeou-se junto com a aposentadoria uma pensão para sua mulher. O padrinho da medida, o deputado Semy Ferraz, do PT local, deu uma explicação realmente extraordinária para o donativo feito ao companheiro. "É melhor que o estado pague do que o governador tenha de ganhar dinheiro por conta própria", justificou ele. Que diabo quer dizer uma coisa dessas? Se uma pessoa é íntegra, não precisa receber dinheiro do governo para continuar íntegra; se não é, não serão esses 22 100 reais por mês que vão resolver o problema. Não se sabe o que Zeca teria a dizer sobre isso. A última notícia que se teve a seu respeito informava que ele estava pescando com o presidente Lula.

Seria interessante saber o que aconteceria se um cidadão brasileiro qualquer pedisse que o governo lhe pagasse 22 100 reais a cada mês para manter-se honesto. Se vale para Zeca, por que não vale para todos os demais? É aí que começam as diferenças entre ele e os outros. Não só ele, infelizmente; 17 estados pagam hoje pensão vitalícia a ex-governadores, num total de 3 milhões de reais por mês. Eles acumulam esse dinheiro com os salários que recebem quando exercem outra função pública -- no Congresso, por exemplo. Aos antigos governadores somam-se procuradores, promotores, juízes, desembargadores, agentes da Receita Federal e por aí afora. Calcula-se que haja atualmente 150 parlamentares nesse vidão. A festa das chamadas "aposentadorias especiais" se estende ao Poder Executivo -- começa, aliás, no próprio presidente da República, que além de seu salário ganha mais 4 500 reais por mês por ter ficado preso durante 51 dias no remoto ano de 1980. Lula já ganha esse dinheiro há 11 anos e continuará ganhando enquanto for vivo.

Zeca, Lula e outros tantos fornecem uma ilustração brilhante de como funciona a Previdência Social "à brasileira", um sistema montado para pagar uma miséria à imensa maioria dos aposentados e somas extravagantes aos que têm força para defender o seu. Um cidadão comum tem de trabalhar 35 anos e contribuir por 420 meses para ganhar os trocados de sua aposentadoria; Zeca pode ganhar mais de 22 000 reais por mês com apenas oito anos de emprego e sem nunca ter contribuído sequer com uma caixinha de chicletes. Custa ao Erário, sozinho, o equivalente a 350 Bolsas Família. Naturalmente, Zeca, o PT e nove entre dez homens públicos brasileiros são fervorosos defensores da distribuição de renda. São, também, campeões na luta contra qualquer tipo de reforma na Previdência, em nome dos "direitos dos aposentados". A cada dia fica mais claro por quê.

TOQUEDEPRIMA...

Lula: déficit da Previdência é, na verdade, do Tesouro
Por João Caminoto, Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta sexta-feira (26/1), durante um seminário no Fórum Econômico Mundial, as críticas à política fiscal de seu governo. “Todo mundo fala com muita facilidade da política fiscal do Brasil”, disse o presidente ao responder a uma pergunta sobre o tema feita por um dos presentes na platéia. Segundo Lula, um dos pontos mais criticados é o déficit na Previdência Social, de cerca de 40 bilhões de reais.

Ele observou que, com a Constituição de 1988, o trabalhador rural e outras pessoas de baixa renda passaram a ser cobertos pela Previdência, gerando um gasto suplementar de cerca de 40 bilhões de reais. “É um gasto muito importante para os pobres, não vejo nenhum problema nisso”, disse.

Segundo Lula, as contribuições de empregados e empresas e os encargos da Previdência são equivalentes. “Não há déficit aí, o déficit surge quando se incluiu na soma os trabalhadores rurais”, disse. “Por isso eu sempre digo ao Guido (ministro da Fazenda, Guido Mantega), que isso é déficit do Tesouro, não da Previdência.”

O presidente enfatizou que a “responsabilidade fiscal” é um dos pilares de seu governo.

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Terá sido apenas um roubo ?
Cláudio Humberto

Experiente policial do Guarujá (SP), que pediu anonimato, acredita que o roubo dos originais do livro sobre José Dirceu é obra de “especialistas”.

Segundo o policial, arrancaram as fitas de vídeo no condomínio Sorocotuba, onde o escritor Fernando Morais tem casa, para não identificar os bandidos.

Os ladrões do livro de José Dirceu ignoraram objetos de valor. Até o Rolex falsificado que ele ganhou do falecido ex-deputado José Carlos Martinez.

Na época, o deputado da esquerda do PT, Renato Simões, disse na Assembléia Paulista ser “arma antiga” do partido “invadir casas”.

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A PALAVRA É ...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo

Linkar
O leitor Alexandre Teles pergunta “qual o significado da palavra ‘linkar’, que é tão usada por vocês, jornalistas”. Linkar (que talvez vire “lincar” um dia, ou talvez não) vem de link, palavra da língua inglesa que quer dizer, literalmente, elo, e que por aqui importamos recentemente num pacote gigantesco, o de termos da informática. “Linkar” significa criar um link (sem itálico, por favor, que a figurinha já é fácil demais) num texto, ou seja, estabelecer um elo, uma ligação com outra página, outro texto, que o leitor pode abrir clicando numa palavra ou grupo de palavras. O link, base de qualquer hipertexto, é anterior à internet, mas foi na grande rede que encontrou sua apoteose.
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Naturalmente – porque é assim que as línguas trabalham – não demorou para que os links ganhassem uso também metafórico, passando a designar ligações e afinidades em qualquer campo, até em cantadas ruins: “Sabe, gata, eu sinto que existe um link entre a gente”. Mas a porta de entrada da palavra em nosso vocabulário foi mesmo a informática, um campo em que, por razões variadas e com poucas exceções, os termos técnicos foram adotados sem tradução.

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Equador sofre clara ameaça de convulsão social

QUITO - O Equador enfrenta a ameaça de uma convulsão social diante da possibilidade de o Congresso bloquear a consulta sobre uma Assembléia Constituinte convocada pelo presidente esquerdista Rafael Correa, que assumiu há 10 dias.

Os indígenas, cinco grupos civis e o partido governista Aliança País anunciaram ontem a realização de uma grande manifestação para impedir que o Congresso e o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) sabotem a Constituinte.

O anúncio foi feito depois de o TSE deixar na terça-feira a consulta nas mãos do Congresso, controlado pela oposição. "Se o Congresso não aprovar e o Tribunal não convocar a consulta popular no mais tardar até o fim de semana, haverá uma rebelião indígena em todo o país", advertiu Humberto Cholango, presidente da Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichua do Equador.

Os indígenas, que representam 35% da população equatoriana (13,5 milhões), participaram da deposição dos presidentes Abdala Bucaram, em 1997, e Jamil Mahuad, em 2000. O governo não deu importância à decisão do TSE, considerando-a um trâmite interno para organizar a consulta sobre a Constituinte e negou ter sofrido uma derrota.

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Por falha do IML, família enterra corpo errado em PE

RECIFE - Dois sepultamentos em menos de sete horas. Foi esse o drama vivido pelos familiares do comerciante Geraldo Júnior Gomes, de 23 anos, assassinado em Pernambuco, no domingo passado. Um erro provocado por funcionário do Instituto de Medicina Legal (IML) do estado fez com que outro corpo fosse liberado no lugar do de Geraldo. Sem saber da troca, a família do comerciante realizou o velório e o sepultamento e só descobriu que havia enterrado o cadáver errado horas depois.

A irmã de Geraldo, Patrícia Gomes, contou que a liberação do corpo aconteceu sem que houvesse o reconhecimento. "Eles mandaram a gente passar a roupa que iriam colocar no meu irmão por uma portinhola e depois liberaram o caixão fechado".

Ainda segundo Patrícia, como o outro corpo tinha o mesmo tipo físico do irmão, com exceção da ausência da barba, e o caixão estava fechado, ninguém notou a troca. Horas depois, a família recebeu uma ligação da funerária solicitando alguns documentos para poder liberar o corpo.

"Quando dissemos que já havíamos enterrado o meu irmão, um funcionário da funerária desconfiou que algo estava errado. Só então o IML percebeu o problema. Ficamos todos indignados. Quando chegamos novamente no IML meu irmão estava nu dentro do caixão e ia ser enterrado com indigente", reclamou Patrícia.
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Rio de dinheiro
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O Tribunal de Contas da União decidiu investigar o desvio de mais de R$ 300 milhões transferidos a municípios banhados pelo São Francisco, a título de royalties da Chesf. O dinheiro para revitalizar o rio está sendo desviado.

O BC não acredita no PAC

José Paulo Kupfer, NoMínimo

É natural que muita gente não entenda por que o Banco Central teria errado tanto na última decisão sobre a taxa básica de juros, quarta-feira. Afinal, se o corte na taxa tivesse sido de 0,5 ponto percentual – e não de 0,25 ponto, como foi – não haveria tantas reclamações ou elas seriam as habituais.

A redução dos juros básicos nominais de 13,25% ao ano para 13%, no entanto, foi criticada de norte a sul. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, classificou a decisão de erro crasso. Quem ouviu suas declarações percebeu que ele não falou apenas como político de oposição, mas como economista – um dos mais apetrechados da praça.

Por que miserável 0,25 ponto de percentagem faz tanta diferença, ainda mais quando as taxas efetivas, cobradas das pessoas comuns, continuam nas estratosferas dos 150% ao ano, e mais 0,25 ponto não mudaria nada no bolso das pessoas? A resposta é que, depois do programa de crescimento lançado pelo governo, o corte de apenas 0,25 fez diferença sim. E foi um desastre, mesmo quando a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) informa, em sua linguagem cifrada, que a redução dos juros deve continar, se bem que agora em ritmo mais lento.

Desossado das avaliações ideológicas e político-partidárias, o PAC tem lógica. Mas a consistência dessa lógica é função de um crescimento próximo a 5% ao ano, pelo menos a partir de 2008. Sem isso, o programa ficará pelo caminho, como tantos outros.

Simplificando, pode-se dizer que a decisão sobre os juros leva em conta uma apuração das taxas atual de difusão dos preços e a curva de momento do produto potencial. Os modelos utilizados pelo BC consideram que, sem produzir pressões inflacionárias, a economia está estruturada para crescer em torno de 3% ao ano. Expansão acima disso, no quadro atual, só com inflação.

A diretoria do BC (que se confunde com o Copom), supostamente, dispõe das melhores informações e dos melhores técnicos para saber a quantas anda realmente a economia. Ao tomarem sua decisão, os membros do Copom já dispunham de todas as informações sobre o PAC. Logo, ao decidir por um corte de apenas 0,25 ponto na taxa básica de juros, os doutores do BC (e do Copom), de posse das melhores informações disponíveis – inclusive as do PAC – declararam oficialmente ao País que não acreditam no PAC. Segundo eles, sem inflação, a economia não crescerá os 5% apregoados pelo governo e fundamentais para o êxito de seu plano de aceleração econômica.

Uma relação delicada

Por Jorge Cajazeira(*), Revista EXAME

Muito se discute sobre a influência dos stakeholders -- pessoas que têm interesses numa companhia e não são acionistas -- na vida das empresas. Até agora, porém, o debate sobre o real poder de ONGs, clientes, fornecedores, consumidores e imprensa no dia-a-dia das companhias patinava pela falta de estudos de fôlego sobre o tema. Nesse vácuo, as conversas se baseavam quase sempre em casos isolados, como o embate entre índios e a Vale do Rio Doce, no Maranhão, uma arrastada disputa que já ganhou repercussão internacional. A recente publicação do livro Inside the Mind of the Stakeholder -- The Hype Behind Stakeholder Pressure ("Por dentro da mente dos stakeholders -- o exagero por trás da pressão das partes interessadas", numa tradução livre), nos Estados Unidos, tenta suprir essa lacuna. A obra traz, pela primeira vez, um levantamento abrangente sobre o impacto desses públicos no mundo dos negócios. A maior surpresa do livro é que o poder de fogo dos stakeholders não é tão grande quanto se propaga.

O autor, o alemão Ulrich Steger, coordenou um grupo de pesquisadores da escola de negócios suíça IMD que saiu a campo entre maio e novembro de 2005 para conduzir 265 entrevistas com companhias na Europa. Segundo a opinião das empresas ouvidas, a pressão dos stakeholders ameaça sua reputação de maneira apenas mediana. Numa escala crescente de zero a 5, o aspecto recebeu nota 3,7 -- nota que, segundo o autor, indica um temor não desprezível, mas aquém do que esperava.

Um dos motivos da avaliação relativamente branda, diz Steger, é o fato de os stakeholders preferirem concentrar sua atenção num punhado de companhias de grande porte -- deixando livres para agir como queiram milhares de pequenas e médias empresas. Mesmo no caso das grandes, as ONGs nem sempre agem de maneira isenta. O autor critica a relação de amor e ódio entre as ONGs e as grandes corporações: ao mesmo tempo que buscam parcerias com o setor privado para garantir recursos, usam o confronto para legitimar sua causa. No caso dos consumidores, o autor destaca a falta de instrumentos para que possam efetivamente avaliar a atuação de uma companhia. Além disso, medidas como o lançamento de um balanço social, com suas fotos caprichadas e textos recheados de "boa vontade", podem funcionar mais como máscara do que como retrato das atividades da empresa. Steger pondera, no entanto, que as pressões dos stakeholders devem aumentar nos próximos anos, sobretudo por causa do conturbado contexto ambiental e social dos dias de hoje. Nesse caso, vai se sair melhor quem incorporar princípios da sustentabilidade desde já.

(*) Jorge Cajazeira é gerente corporativo de competitividade da Suzano Papel e Celulose

TOQUEDEPRIMA...

Quadrilha
Cláudio Humberto

O “com-terra” José Rainha fechou “parceria” com a CUT para invadir terras no oeste paulista. A lei chama isso de formação de quadrilha.

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COMENTADO A NOTÍCIA: Esta tropa CUT já de deixou de fazer política sindical há muito tempo. Tornaram-se uma espécie de grupo de combate pelo petismo em qualquer circunstância. De outro lado, os “sem-terra” deixaram de lutar por reforma agrária também faz tempo. O negócio é arruaça, promover badernas, causar confusão, e tomar terra para ganhar e fazer dinheiro. A união de dois escroques, acreditem, não é para defenderem nenhuma boa ou santa causa. Tanto que graças a estes salafrários, a violência no campo, sob o governo Lula mais do duplicou nos últimos anos. Aqui, o que mais desejam é infernizarem a vida de José Serra, em São Paulo, por ser o maior expoente de oposição a Lula. E para qualquer governador que seja oposicionista a Lula, acreditem, é que a CUT vai achar causas para promover arruaças e greves, e o MST vai encontrar terras “produtivas” para invadir.

Enquanto no Brasil vigorar a política do governante “bonzinho” com bandido pobre mas amigo, a tendência é a violência aumentar. Há muito tempo, o Estado brasileiro já deveria ter enquadrado o MST e seus congêneres na conta de “foras-da-lei” e sem controle. Bandido é bandido em qualquer situação, e portanto sujeito às mesmas leis, independente de serem ricos ou pobres, com ou sem terra, com ou sem emprego. Precisamos o quanto antes retornarmos à condição de sociedade civilizado onde predomina o império da lei.

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A Amazônia em boas mãos
Luiz Antonio Ryff, NoMínimo

Lembram da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, a famigerada Sudam? Afogada em uma enxurrada de denúncias de corrupção, o órgão foi extinto em março de 2001 pelo presidente Fernando Henrique.

À época da extinção, Lula declarou que era contrário ao fim da superintendência.

- Por causa de uma denúncia de corrupção, ou quem sabe para derrotar um adversário político, acabou-se com a Sudam, quando se deveria mandar o corrupto para a cadeia e não acabar com ela.

Deixemos de lado o fato de que as duas questões (extinguir um órgão público e condenar um corrupto) são relacionadas a esferas diferentes (a primeira é decisão do Executivo; a segunda cabe ao Judiciário).

Recriar a Sudam, em 4 de janeiro, foi uma das primeiras medidas tomadas por Lula em seu segundo mandato. E ela renasce respondendo a 290 inquéritos por desvios de verbas que acumulam um buraco de R$ 2 bilhões, segundo reportagem de “O Globo”.

Os casos de corrupção ficaram conhecidos como escândalo Sudam e envolviam o ex-governador, ex-ministro, ex-presidente do Incra e então senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que em 2001 renunciou ao mandato para escapar do processo por cassação no Congresso.

Pois adivinhem quem, segundo a reportagem, está fazendo gestões junto ao Planalto para indicar o novo superintendente do órgão redivivo? Uma verba para construir um ranário para quem disse que é o atual deputado federal Jader Barbalho.

Não que isso seja surpreendente. Principalmente depois que Jader teve a mão beijada – e isso não é uma metáfora – pelo presidente Lula durante a campanha eleitoral. Mas desse jeito esse segundo mandato promete…

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Pela 1ª vez, reservas internacionais ultrapassam US$ 90 bilhões

As reservas internacionais brasileiras ultrapassaram, pela primeira vez na história, o montante de US$ 90 bilhões. Na última sexta-feira, as reservas subiram US$ 263 milhões, no conceito de liquidez internacional, segundo o BC (Banco Central). Com isso, o total das reservas brutas passou de US$ 89,767 bilhões para US$ 90,030 bilhões.

O aumento coincidiu com o ingresso dos dólares comprados pelo Banco Central (BC) no último dia 24 de janeiro. As reservas internacionais significam o total de moeda estrangeira (principalmente dólares, no caso brasileiro) mantido pelo BC disponível para uso imediato.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Sei não, mas entendo que o governo deveria rever seus critérios quanto a acumular reservas além daqueles limites que a boa técnica econômica recomenda. Parece-me que estão fazendo festa para comemorar coisa alguma, em todo caso...
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Vale um bife

A expulsão de Roberto Jefferson da presidência do PTB poderá valer para o partido um ministério melhor que o do Turismo. Mas o ministro Walfrido dos Mares Guia não faz muita força: ele conhece o poder de fogo de Jefferson.

Anistia, adeus

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Afinal, Arlindo Chinaglia desmentiu. Foi esta semana, em Belo Horizonte. A um grupo de deputados, negou que, se eleito, irá patrocinar qualquer projeto de lei destinado a anistiar José Dirceu, Roberto Jefferson e ex-deputados cassados por envolvimento no mensalão. Menos mal, porque até pouco era o que circulava pelos corredores da Câmara, com o estímulo do PT.

É claro que o projeto poderá ser apresentado. Os interessados até estimulam a coleta de assinaturas populares capazes de embasar a medida. Se por hipótese aprovada a anistia, os cassados não recuperariam seus mandatos, que acabariam na próxima semana. Mas recuperariam os direitos políticos suspensos por oito anos, detalhe que lhes permitiria disputar as eleições municipais de 2008 e as seguintes, inclusive 2010, estaduais e federal.

Como Gustavo Fruet, ao ser lançado, esclareceu não concordar com isso, fica faltando a palavra do terceiro candidato à presidência da Câmara, Aldo Rebelo. Não será através da influência da mesa que os punidos vão se beneficiar. Pelo jeito, deverão esperar 2014, se quiserem voltar. Menos mal.

No entanto...
No entanto, qualquer que seja o novo presidente da Câmara, estará obrigado a enfrentar a questão do reajuste parlamentar. Nenhum dos três se anima a acolher a proposta de 91% de aumento, com a equiparação salarial aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Pelo menos de público.

Como algum aumento precisará ser aprovado logo no início da legislatura, o remédio será aguardar as sugestões, ainda hoje servindo como moeda de troca por votos, nas eleições do próximo dia 1º. É bobagem imaginar que o baixo clero não está atuando. Existe e trabalha junto aos candidatos, para ver quem dá mais. Quem falar em seguir os índices da inflação dos últimos quatro anos arrisca-se a perder votos.

Subterfúgios poderão ser adotados, como aumentar ajudas de custo e permissão para mais despesas. O problema é que o baixo e o alto clero querem garantias. Parece que não confiam em campanhas eleitorais.

O PT não topou
Muita gente indagou o porquê das recentes movimentações do deputado Ciro Gomes junto aos dois candidatos governistas à presidência da Câmara, na tentativa afinal malograda de que desistissem, um em favor do outro ou, como alternativa, os dois em prol de um terceiro. Não deu certo, paciência. Nem Aldo nem Chinaglia aceitaram abandonar a disputa. O que teria levado o ex-ministro à tentativa? A resposta é clara: Lula. Acontece que dentro da empada tinha uma azeitona.

Caso os dois candidatos admitissem a retirada de seus nomes, quem poderia ser o tertius? Afastando-se a possibilidade afinal concretizada de Gustavo Fruet apresentar-se pelo PSDB, porque se tratava de alguém do governo, capaz de exprimir os interesses do Palácio do Planalto. A resposta é clara: seria Ciro, que mesmo sem pleitear viu-se no meio do furacão, ou melhor, da empada. Aceitaria, sob a coordenação do presidente.

Quem não aceitou foi o PT. Quase por unanimidade, o partido insurgiu-se e até solidificou um pouco mais a candidatura de Chinaglia. Afinal, Ciro é um potencial adversário para as eleições presidenciais de 2010. Filiado ao PSB, poderia desde já retirar do PT a esperança de fazer o sucessor de Lula. Esperança, aliás, muito tênue, porque faltam nomes, ao menos por enquanto.

Silêncio
Está para ser inventado o elixir da invisibilidade, por enquanto às vezes substituído por gravadores clandestinos, mas sem o mesmo potencial de que se investiria um cidadão invisível, posto, por exemplo, a bordo do Aerolula, na viagem de São Paulo para a Suíça. Guido Mantega e Henrique Meirelles teriam conversado? Trocaram gentilezas ou farpas por conta da redução dos juros?

O ministro da Fazenda explicou ter sido de brincadeirinha a referência ao presidente do Banco Central, na exposição feita sobre o Programa de Aceleração do Crescimento? Ou teria criticado a pífia redução de 0,25%? Ao que se sabe, os dois ocuparam poltronas separadas. Não foram convocados à cabine do presidente.

Afinal, já passava da meia-noite quando a aeronave decolou. Estavam todos cansados. A dúvida é saber se um assistiu à exposição do outro, naqueles grupos de trabalho reunidos em Davos. Sabe-se apenas que os dois aplaudiram a fala do presidente Lula. Vamos aguardar a viagem de volta.

Sina de Derrotado

Por Márcio Accioly, no Alerta Total
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Dia desses, no lançamento do tal PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), cometeu ato falho ao declarar que “quatro anos de mandato não são suficientes” para realizar tudo a que se propõe.
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Sua excelência esqueceu que, na verdade, encontra-se já há cinco anos no cargo, sem nada de positivo ou espetacular, além do registro de indiciamento de 40 membros de sua equipe administrativa por “formação de quadrilha” e desvios generalizados.
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Nosso amável beberrão, que condenou com veemência o fato de seu antecessor, FHC (1995-2003), ter subornado parlamentares corruptos para a compra da emenda constitucional da reeleição, sonha agora em se perpetuar.
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Está nos passos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que descobriu o caminho das pedras do mandato sem fim: a distribuição de bolsa-esmola e outras migalhas a abandonados seculares do continente, os que constituem genuíno poder decisório nas eleições. A democracia é uma maravilha!
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A diferença é que Chávez comanda país cuja maior riqueza natural (o petróleo) não se encontra alienada a nenhum poder estrangeiro. E Dom Luiz Inácio, como bem lembrou Hélio Fernandes (em artigo na sexta-feira, 26), cuida (cuida?) de dívida interna que se encontra na casa de um trilhão e 91 bilhões de reais!!!
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Com a atual taxa de juros, como irá sobrar dinheiro para se alimentar o tal PAC? Vivemos num país de escravos, no qual as instituições não funcionam e qualquer bandido de gravata, com patrimônio considerável e poder de influência está livre para agir da forma que melhor apetecer. Carregando e entregando o que bem desejar.
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Quem conduziu os países ditos emergentes para situação caótica de desesperança, foram as oligarquias preconceituosas e irresponsáveis que ditam normas há séculos. No Brasil, nada mudou.
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O desgoverno petista continua adotando a mesma tática suicida de política entreguista que sangra o investimento interno e remete para o exterior a riqueza produzida. Nada nos pertence.
Mas é possível que Dom Luiz Inácio não consiga se perpetuar no palácio, embora alimente visível divisão numa sociedade onde dois terços vegetam no desespero da necessidade extrema. A maior preocupação dessa parcela é não saber o que irá comer no dia seguinte.
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Quem sustenta os planos mirabolantes, gestados nas entranhas da insensibilidade da burocracia nacional, são as classes médias espoliadas e exauridas por carga tributária a ocupar o primeiro lugar no planeta.
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O Plano de Crescimento, como resposta às crescentes dificuldades que o país enfrenta, não tem como prosperar porque é preciso que se efetue radical mudança no atual modelo. Blábláblá infindável a justificar paliativos mal-intencionados.Para que houvesse a mínima possibilidade de sucesso do PAC, seria necessário investimento interno de recursos financeiros contabilizados para o pagamento de juros de nossas impagáveis dívidas (interna e externa).
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Mas não há como enveredar por tal caminho, enquanto o Banco Central for dirigido de fora para dentro e a corrupção estiver admitida como moeda de troca na compensação pela aprovação de projetos que beneficiam nossos algozes.Todos os presidentes justificam que nada pode ser feito em curto período de tempo e que nossas mazelas existem há séculos. E todos agem no sentido da não mudança. Falta-lhes pudor. Até porque, em longo prazo, estaremos todos mortos.

TOQUEDEPRIMA...

Chama o ladrão !
Cristiana Lôbo, G1

Se alguém está achando estranho o desaparecimento do HD do computador do escritor Fernando Morais, onde estavam originais do livro do José Dirceu, pode aproveitar para jogar na Sena, porque está com a intuição afiada!!!!!!!!!

Há poucos meses, o escritor encontrou-se com uma amiga e na longa espera da fila da ponte aérea contou que tinha acabado de dar forma aos escritos de José Dirceu e que tinha devolvido tudo, originais e texto pronto, para o ex-ministro. Fernando Morais não queria ficar com a responsabilidade der ter esses segredos na memória do seu computador.

Essa história se passou antes do suposto roubo na casa de praia do escritor...
É melhor chamar o ladrão do que a polícia.

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Shell inicia comercialização de biodiesel em Belém
Por Rodrigo Petry, Agência Estado

A Shell Brasil começa nesta sexta-feira (26/1) a distribuir e a comercializar biodiesel em Belém (PA). Segundo informou sua assessoria de imprensa, o produto será oferecido em mais de 40 postos da rede Shell e de 27 consumidores diretos (business-to-business) atendidos por essa base. Até o fim de 2007, de acordo com a companhia, os investimentos no país ficarão em torno de R$ 10 milhões, para a adequação das bases de abastecimento que irão receber o biodiesel.

"A iniciativa faz parte da política da companhia de investir em fontes renováveis de energia e em contribuir para o desenvolvimento energético sustentável do Brasil", afirma Alessandra Aragão, consultora de Marketing do Mercado Comercial da Shell Brasil.

A empresa informa que, apesar da adição de biodiesel ao diesel ser obrigatória no mercado somente a partir de 2008, a companhia já comercializa o B2 em 135 postos de cinco Estados brasileiros (Pernambuco, Bahia, Maranhão, Tocantins e Pará) e para 111 clientes comerciais. A Shell começou a disponibilizar o biodiesel no mercado em 22 de setembro na Base de Suape(PE).A previsão da empresa é de que durante este ano, as demais bases da região Centro-Sul serão contempladas com a comercialização de B2.

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Agenda secreta de Lula
Cláudio Humberto

O presidente Lula almoçou três vezes com o ex-ministro José Dirceu na casa do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) no Guarujá (SP), durante as férias no forte da Aeronáutica, no início do ano. Ele foi identificado na portaria do condomínio, onde entrou dirigindo o próprio carro. A vizinha de Bastos, d. Vilma, viúva do ex-ministro Sérgio Motta, confirmou a visita. Em 2006, a última vez que o ex-ministro esteve com Lula foi no mês de abril.

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PSDB, o fiel da balança
Cristiana Lobo, G1

Tudo o que Aldo Rebelo espera nestes últimos dias é uma declaração oficial do PSDB de que, se Gustavo Fruet não chegar ao segundo turno, o partido abraçaria sua candidatura à presidência da Câmara. Mas os tucanos estão com dificuldades para fazer isso. O partido está, de verdade, entusiasmado com a candidatura de Fruet. Tucanos acham que uma declaração dessas neste momento, antes da apuração do primeiro turno, poderia esvaziar a candidatura de Fruet.

Mas, antes disso, o PSDB voltará a ficar dividido se houver segundo turno entre Arlindo Chinaglia, do PT e Aldo Rebelo, do PC do B. Há o grupo que não vota no petista em hipótese alguma, como paulistas como Paulo Renato e José Aníbal. Mas existe, também, o grupo que avalia ser este é o melhor caminho.

O novo líder Antonio Carlos Pannunzzio diz que, no que depender dele, o PSDB não fará declaração alguma para o voto no segundo turno. A bancada ficaria liberada.

Esta é a melhor solução para o petista Chinaglia. Se houver segundo turno e nesta segunda rodada ele receber votos do PSDB suas chances de vitória serão bem maiores. Ou seja, o PSDB iria garantir a eleição do petista.
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Por quê?
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O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) deveria explicar ao distinto público por que afastou a Polícia Civil do Guarujá (SP) do caso do roubo dos originais do livro de José Dirceu, na casa do escritor Fernando Morais.

Uma oportunidade perdida

Por José Roberto Caetano, Revista EXAME

O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira 22 de janeiro, tinha tudo para ser um filme com final feliz. Como protagonista da história figura um governo que já acumulou quatro anos de experiência, está em início de segundo mandato e saiu das urnas com capital político reforçado. O projeto nasceu de um diagnóstico correto, o de que a economia nacional patina e que o país precisa urgentemente recuperar o vigor para fazer frente ao poder magnético que potências emergentes como China e Índia têm mostrado perante os investidores. Foi laboriosamente preparado ao longo dos últimos meses como prioridade do Palácio do Planalto. Era, enfim, para ser um sucesso de público e crítica. Conhecidas as medidas que o compõem, no entanto, a impressão que fica é que o PAC não passa de um daqueles filmes ruinzinhos, capazes de fazer o espectador ir para casa mais cedo. À parte o enorme esforço de marketing do governo, em que se destaca a cifra de meio trilhão de reais de investimento previsto em quatro anos, pouco há de concreto para viabilizar a prometida aceleração do crescimento. O pacote reúne medidas pontuais e pequenas bondades para alguns setores, como o da construção civil, mas passa ao largo de todas as reformas estruturais -- como a tributária, a da Previdência e a trabalhista -- de que o país realmente precisa. "É mais uma oportunidade perdida", diz o cientista político Murillo de Aragão. "Se o governo não vai aproveitar o momento mágico do início do segundo mandato, com os cofres cheios e apoio popular, para fazer o que precisa, quando o fará?"

A principal fragilidade do pacote é estar calcado na crença de que o crescimento econômico pode ser criado com um ato de vontade do governo. Trata-se de um monumental equívoco, mas que de tempos em tempos acomete as autoridades de Brasília. Do investimento total de 504 bilhões de reais projetado no PAC até 2010, o governo espera que a maior parte -- 300 bilhões de reais -- venha do próprio setor público, sendo 68 bilhões do Orçamento federal e 232 bilhões de estatais. O restante, imagina, virá das empresas privadas, seja por meio de parcerias com as estatais, seja por investimentos diretos. Há dois pro blemas com a visão de mundo que alicerça esses números. O primeiro é que ignora a fantástica distância existente entre o anúncio de investimentos bilionários e sua efetiva concretização. Por ora, é no mínimo arriscado apostar que o governo vá efetivamente cumprir sua parte. Ainda mais grave é relegar o investimento privado a um papel coadjuvante. Para que se tenha uma idéia de quem realmente é capaz de fazer a economia crescer, basta notar que no ano passado o setor público investiu o equivalente a 2% do PIB -- enquanto as empresas privadas contribuíram com 18%. "Apostar no investimento público como motor de uma onda de crescimento é o maior pecado do PAC", diz Armando Castelar Pinheiro, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Demora muito tempo para o Estado investir. Tem de fazer projeto, passar pelo crivo do Tribunal de Contas da União e dos órgãos ambientais, precisa ter licitação, que muitas vezes sofre questionamentos judiciais, para enfim começar a liberar as verbas."

Absorto nos planos de investimento que promete fazer, não tem sobrado tempo ao governo de pensar em como atrair mais investimento privado. Ao contrário, o que se tem visto nas últimas semanas é um festival de sinais contraditórios -- quando não explicitamente negativos -- em relação às regras para a participação das empresas em áreas fundamentais. A recente decisão de rever o processo de concessão de 2 600 quilômetros de rodovias federais foi um exemplo. Nada do que se viu no PAC serviu para dirimir dúvidas dos empresários. "Os ministros detalharam as medidas relativas aos investimentos governamentais, mas ninguém deixou claro o que será feito para melhorar o ambiente regulatório", afirma a economista Ana Carla Abrão Costa, chefe da área de macroeconomia da consultoria Tendências. "O pacote caiu como uma ducha de água fria", afirma a advogada Isabel Franco, do escritório Demarest & Almeida, especializada em regulação e contratos de parcerias público-privadas. "O investidor estrangeiro vai continuar arredio." Um dos pontos mais temerários, segundo ela, é a indicação no PAC de que encaminhará um projeto de lei, anunciado desde 2004, que subordina as agências reguladoras aos ministérios. "É uma área em que o governo Lula já deu um passo para trás, com muita interferência no mercado, e pode piorar", diz Isabel.

O programa também decepcionou pela total ausência de políticas voltadas para resolver os principais problemas econômicos do país, como o rombo crescente do sistema previdenciário e a carga tributária de quase 40% do PIB. "O PAC não inclui nenhuma reforma estrutural, e os grandes entraves à produtividade não estão sendo atacados", diz Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator. Entre as lacunas destacam-se providências para redução do gasto público de maneira consistente, reformas para destravar as relações de trabalho e facilitar as contratações, e medidas de redução da burocracia. Como nada disso é exatamente novidade, fica a sensação de que tais pontos não entraram no pacote porque o governo, mais preocupado com sua imagem e orientado pelo marketing político, evitou tomar medidas mais duras. Ao longo da preparação do programa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, veio a público declarar que o país poderia se tranqüilizar porque todas as medidas seriam "populares" -- desconsiderando que, às vezes, o melhor remédio para o doente pode ser o de sabor amargo.

Como qualquer governo do mundo, o do presidente Lula tem um estoque limitado de força política. Ao decidir gastá-la com o pacote econômico recém-anunciado, fez uma escolha que pode ter definido o que serão os próximos quatro anos. A ironia é que, se tivesse apostado numa única reforma estrutural, é provável que colhesse um resultado muito melhor na economia. "O PAC não deve causar efeito algum sobre o crescimento em 2007 e provavelmente um impacto muito pequeno a partir do próximo ano", diz Ricardo Amorim, economista do banco americano WestLB. Ou seja, o sonho de ver o país crescendo minimamente próximo à média dos países emergentes permanece, por enquanto, exatamente isso -- um sonho.

Ainda o mapa falso e a ameaça à Amazônia

Argemiro Ferreira, Tribuna da Imprensa

Não esperava voltar mais ao assunto, só que não há como deixar de fazê-lo. Pois está de novo circulando na internet, como se fosse real, o mapa grosseiramente falsificado no qual a Amazônia aparece como "reserva internacional da floresta amazônica". Mapa este supostamente reproduzido de uma página de suposto livro didático que estaria sendo usado em escolas dos EUA.

Ali aparece o nome do autor, David Norman, e o título do livro, "Introduction to geography". Pela enésima vez reafirmo ao leitor: 1. O tal livro não existe, não é usado em nenhuma escola americana; 2. Existe um autor com esse nome, mas escreve livros sobre dinossauros; 3. O texto foi forjado provavelmente no Brasil, pois o inglês é macarrônico.

Recomendo aos bobos que se deixam enganar por essa história idiota que tratem de fazer alguma coisa útil em vez de perder tempo a repassá-la a outros como se fosse a coisa mais séria do mundo, com avisos como estes: "Indignação. Para ficarmos indignados!!!! Observem abaixo a página de um livro de geografia adotado nos EUA e leiam as críticas dos brasileiros".

Entre a ficção e a realidade
Tenho desmentido esse embuste pelo menos desde 1999, mas a bobajada sempre volta. Não se mudou sequer a origem do boato - é sempre atribuído a uma brasileira residente em Austin, que teria visto o tal o mapa no tal livro didático inexistente e enviado uma carta ao jornal "O Estado de S. Paulo". O próprio jornal já fez amplo esclarecimento em pesquisa minuciosa sobre a impostura.

Em abril de 2000, julho de 2001 e mais duas ou três vezes nos anos seguintes, voltei ao tema por ver que retornava teimosamente como verdade, a justificar denúncias indignadas. Creio que a última referência minha ao caso foi a 17 de maio de 2004. Por um bom motivo: o "New York Times" citava o caso como prova de que brasileiros são paranóicos em relação às ameaças dos EUA à Amazônia.

Na verdade, suspeito que a intenção dos autores do embuste pode ser exatamente essa - convencer brasileiros de que não há ameaça alguma, é pura paranóia. Mas se o mapa, o livro e o autor são meras invenções, a ameaça é verdadeira. Seria bom que os bobos parassem de falar no mapa fictício e passassem a citar à realidade concreta da ameaça à Amazônia.

Tenho insistido, por exemplo, em citar a tese defendida por um professor da Universidade de Harvard, Juan Enriquez-Cabot, do Centro David Rockefeller sobre a América Latina. Ele ganhou ainda o apoio do principal colunista americano especializado em América Latina - Andrés Oppenheimer, do jornal "Miami Herald" e sua versão espanhola "El Heraldo", publicados na Flórida.


Tentando dividir países grandes
Em artigo saído na importante revista "Foreign Policy", edição do outono de 1999, sob o título "Too many flags?" (Bandeiras demais?), Enriquez-Cabot argumenta que na África, Ásia e África as nações se dividem em ritmo sem precedentes. Até agora, observou, o hemisfério ocidental esteve imune a tais impulsos secessionistas, mas as fronteiras das Américas não são tão estáveis como parecem.

O ensaio argumenta que países pequenos como Luxemburgo, Cingapura e Suíça estão entre os que mais prosperaram depois da II Guerra Mundial. Enriquez foi negociador do governo mexicano no conflito de Chiapas, e entre os exemplos que deu no ensaio estavam as nações indígenas - os maias teriam parte do México e Guatemala; os mapuches, do Chile.

Não basta para justificar a paranóia de quem teme complôs contra a Amazônia? Ianomâmis independentes teriam partes do Brasil e Venezuela. Os índios da Amazônia contam com o "lobby" de ONGs na Europa e EUA. E Enriquez diz que nos países em desenvolvimento (México, Brasil) os mais pobres dos pobres - maias, mapuches - já se perguntam que benefícios reais têm com a atual identidade nacional.

Relacionando o artigo do acadêmico de Harvard a certos dados citados na época pelo "Economist", de Londres, Andrés Oppenheimer, o jornalista do "Miami Herald", apaixonou-se pela idéia. E concluiu que o mapa latino-americano será diferente em 2050. "O mundo tinha 62 países em 1914. Em 1946 o total já era 74. Hoje já pulou para 193", argumentou.

Acionistas em vez de cidadãos
A parte que Oppenheimer achou "mais interessante" na análise de Enriquez é a que comparava países com corporações, sob o império globalizante do neoliberalismo: "Hoje os governos que querem manter intactas suas fronteiras têm de tratar seus cidadãos como se fossem acionistas, que podem vender suas ações, forçar mudanças na administração ou reduzir o tamanho do estado".

E o pesquisador de Harvard alega que as vozes dos indígenas, como as de outros setores dos países grandes e pouco desenvolvidos, podem crescer porque quanto mais globalizado se torna o mundo menos traumático será para os nacionalistas a separação de seus estados. "A globalização está reduzindo o mundo às suas partes componentes, mesmo quando junta essas partes", escreveu ele.

Para sobreviver com as fronteiras atuais, disse Enriquez, os governos da América Latina terão de dar mais autonomia a grupos regionais e não insistir em "velhas doutrinas autoritárias obcecadas por soberania". Engraçado é que não se lembra que os EUA, em dois séculos, só expandiram - à custa dos territórios roubados do México. Outro detalhe: alguns dos menores países do mundo são tão miseráveis como as regiões mais pobres do Brasil e da Índia; e não prósperos como Suíça e Luxemburgo.

TOQUEDEPRIMA...

Indústria começa 2007 empacada
Por Fátima Fernandes, na Folha:

O debate do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não empolgou os empresários, e há sinais de que a economia começou o ano em ritmo lento. As vendas da indústria estão mais baixas, e os estoques, mais altos do que o previsto para o mês. E não há planos para elevar o emprego no setor.É o que constata o Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em levantamento feito entre os dias 15 e 20 deste mês com 25 indústrias líderes dos setores metalúrgico, siderúrgico, químico, têxtil, de alimentos e bebidas, automobilístico, eletroeletrônico, de materiais de construção, de papel e celulose e de máquinas.Para avaliar o desempenho da indústria no mês, a Fiesp criou a pesquisa Sensor -criada em julho de 2006 e que passou a ser divulgada neste mês. Ela é o resultado de uma média de pontos estabelecidos para cinco quesitos (mercado, vendas, estoque, emprego e investimento). Resultado em 50 pontos equivale à estabilização, quando o faturamento, por exemplo, não está nem pior nem melhor do que o previsto.A média dos cinco quesitos alcançou 47,8 pontos neste mês. Significa, na avaliação da Fiesp, que a indústria paulista registra desempenho pior do que o planejado para janeiro, apesar de as medidas do PAC já estarem sendo debatidas desde o final do ano passado.

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Calderón: “América Latina está em uma encruzilhada”

O presidente mexicano Felipe Calderón afirmou nesta segunda-feira (29.01), em Londres, que a América Latina tem duas alternativas: voltar-se para o futuro, como o México, ou voltar ao passado. A última opção seria simbolizada pelo colega venezuelano Hugo Chávez. "Temos que decidir se preferimos uma ditadura pessoal, ou se apostamos pela democracia", disparou.
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“A América Latina está em uma encruzilhada, mas a decisão que nosso país tem que tomar está entre direitas e esquerdas. (...) Temos que decidir se voltamos à época de nacionalizações, de economias mais centralizadas, ou se avançamos para o futuro, para uma democracia com garantias individuais e com segurança para os investimentos”, destacou.
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Calderón esteve reunido com líderes das finanças e industriais do Reino Unido. "A América Latina precisa de um debate sério sobre políticas públicas", acrescentou ele em entrevista a jornalistas.

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Brasil tem 4º pior desempenho no combate à pirataria

O Brasil é o quarto país com o pior ambiente para proteção de direitos de propriedade intelectual e combate à pirataria e falsificação. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29.01) pela ICC (Câmara Internacional de Comércio, em inglês). Superam negativamente o Brasil apenas China, Rússia e Índia.Os dez países vistos como mais efetivos na proteção à propriedade intelectual são, pela ordem: EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Canadá, Suíça, Holanda, Cingapura e Austrália. A pesquisa foi baseada em depoimentos de 48 empresas multinacionais em 53 países.
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De acordo com a ICC, os entrevistados reclamaram que “as iniciativas para melhorar o ambiente de proteção aos direitos de propriedade intelectual são vistas como impostas de fora por empresas e governos estrangeiros”.
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A entidade analisa que o resultado “pode também refletir a possibilidade de que as empresas vejam as longas negociações por leis adicionais como modos de dar aos países com ambientes desfavoráveis à proteção de propriedade intelectual um pretexto para adiar a observação e aplicação até que tais leis estejam em vigor”.
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Grana mística
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O prefeito de Recife, João Paulo, pagou R$ 750 mil, sem licitação, para instalar “tendas místicas” com tarôs, cartas e búzios no reveillon da cidade.

A Síndrome do Cadáver Politicamente Insepulto

Por Jorge Serrão, no Alerta Total
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"Agora, ou vai ou racha". O presidente Lula quase ficou lelé, depois que sentiu na pele as primeiras pressões oficiais dos Estados Unidos da América, cobrando uma posição política e diplomática clara sobre sua relação e apoio ao governo venezuelano, que só fala de estatização de empresas estrangeiras e socialismo. O setor do Departamento de Estado Norte Americano que cuida da América Latina enviou ao governo brasileiro, semana retrasada, via Itamaraty, um documento advertindo sobre a falta de limites de Hugo Chávez. A Águia da Condollezza Rice está com as garras afiadíssimas, apesar das dores de cabeça iraquianas.
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Através da esperta ave, o “Seu Madruga” reclama que o Chapolim Colorado da Venezuela usa e abusa do dinheiro do petróleo na compra de armamentos e no financiamento para a formação de milícias na Venezuela, na Bolívia e no Equador, como preparativos para um conflito direto com a Colômbia. Tal advertência, por escrito, também foi enviada a alguns senadores brasileiros. A queixa foi expedida por orientação da Secretária de Estado Condoleezza Rice, e assinada pelos diplomatas Richard MC Qewa e Aníbal Goodman.
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O documento estranhava a atitude do Brasil de não se posicionar contra as medidas beligerantes e estatizantes de Hugo Chávez. No caso do eventual conflito com a Colômbia, os EUA advertem que isso contagiaria a fronteira norte-amazônica do Brasil, que, na visão deles, ficaria desguarnecida para uma guerrilha que está sendo prevista. Os EUA também cobram de Lula uma posição clara contra a estatização de bancos, empresas telefônicas e companhias de energia, em curso na Venezuela. Mas a posição dele continuará dúbia, pendendo para o amigo Chávez.
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Durante mais um passeio internacional no suntuoso Air Force 51 para dar satisfação de seus atos aos ricos controladores econômicos, em Davos, na Suíça, Lula provou que é mesmo Lelé pelo Chávez. Lula negou que o presidente venezuelano seja um elemento perturbador da América Latina. Em contradição, Lula reafirmou que "o caminho para a América Latina é a democracia". Só falta ele explicar qual o seu conceito de democracia. Lula também deixou clara a oposição ao presidente do México, Felipe Calderón, que havia manifestado preocupação com "ditaduras pessoais vitalícias".
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O quadro elétrico é de tensão crescente na América Latina. Quinze dias atrás, o sistema paralelo de controle do tráfego aéreo, montado pelos EUA como alternativa de orientação para suas aeronaves frente ao apagão no Cindacta brasileiro, detectou um dos maiores movimentos de preparação para um conflito na América Latina. Segundo a inteligência norte-americana, pelo menos dois aviões militares cargueiros (um C130 e um Antonov) cruzaram os céus do norte do Brasil levando armas pesadas para a Venezuela e para a Bolívia. Os vôos vieram da Rússia, com escala em Cuba, e destinos finais em Caracas e La Paz.Os agentes norte-americanos detectaram que o lote de armamentos foi de 14 mil fuzis AK-47, três mil pistolas automáticas, grande quantidade de granadas, explosivos e detonadores, além de grande quantidade de botas especiais, fardamento camuflado para guerra na selva.
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Não bastasse tal fato, O presidente Hugo Chávez, ameaçou expulsar o Embaixador dos EUA na Venezuela, William Brownfield, caso ele insista em pedir compensação a investidores norte-americanos afetados pelas nacionalizações:“Se você continuar se intrometendo nos negócios da Venezuela acima de tudo, estará violando acordos de Genebra, o que pode fazer com que se transforme em persona non grata e seja obrigado a deixar o País”. Este foi o recado bravateiro do Chapolim Colorado, que certamente foi nada bem recebido pelo “Seu Madruga”, lá na Casa Branca.
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Mas os rolos diplomáticos ideológicos são fichinha. Na dura realidade, só existe um fato objetivo que consegue impor mais temor ao governo Lula que um simples papel irado do Departamento de Estado Norte-Americano. Trata-se da ameaça de divulgação de um novo laudo sobre o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel. O espectro do cadáver politicamente insepulto da República assombra o petismo.
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Quem pretende desenterrar o caso assegura que Celso Daniel chegou a ser torturado e seviciado antes de morrer. Garante, também, que essa exumação política pode rolar com a cabeça de muita gente boa, próxima ao Palácio do Planalto. O cadáver do prefeito de Santo André vive mais politicamente insepulto que nunca. E ainda pode vir acompanhado do espectro do também assassinado Toninho do PT, prefeito de Campinas assassinado também em circunstâncias estranhas.
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Quem viver verá... E para quem acha que é vivo, melhor é que fique claro. A verdadeira estória do morto pode arrastar muito poderoso para o inferno político. "Agora, ou vai ou racha" - como tem dito Lula, usando uma expressão popular que se aplica a tudo que ele pensa.