Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Afinal, Arlindo Chinaglia desmentiu. Foi esta semana, em Belo Horizonte. A um grupo de deputados, negou que, se eleito, irá patrocinar qualquer projeto de lei destinado a anistiar José Dirceu, Roberto Jefferson e ex-deputados cassados por envolvimento no mensalão. Menos mal, porque até pouco era o que circulava pelos corredores da Câmara, com o estímulo do PT.
É claro que o projeto poderá ser apresentado. Os interessados até estimulam a coleta de assinaturas populares capazes de embasar a medida. Se por hipótese aprovada a anistia, os cassados não recuperariam seus mandatos, que acabariam na próxima semana. Mas recuperariam os direitos políticos suspensos por oito anos, detalhe que lhes permitiria disputar as eleições municipais de 2008 e as seguintes, inclusive 2010, estaduais e federal.
Como Gustavo Fruet, ao ser lançado, esclareceu não concordar com isso, fica faltando a palavra do terceiro candidato à presidência da Câmara, Aldo Rebelo. Não será através da influência da mesa que os punidos vão se beneficiar. Pelo jeito, deverão esperar 2014, se quiserem voltar. Menos mal.
No entanto...
No entanto, qualquer que seja o novo presidente da Câmara, estará obrigado a enfrentar a questão do reajuste parlamentar. Nenhum dos três se anima a acolher a proposta de 91% de aumento, com a equiparação salarial aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Pelo menos de público.
Como algum aumento precisará ser aprovado logo no início da legislatura, o remédio será aguardar as sugestões, ainda hoje servindo como moeda de troca por votos, nas eleições do próximo dia 1º. É bobagem imaginar que o baixo clero não está atuando. Existe e trabalha junto aos candidatos, para ver quem dá mais. Quem falar em seguir os índices da inflação dos últimos quatro anos arrisca-se a perder votos.
Subterfúgios poderão ser adotados, como aumentar ajudas de custo e permissão para mais despesas. O problema é que o baixo e o alto clero querem garantias. Parece que não confiam em campanhas eleitorais.
O PT não topou
Muita gente indagou o porquê das recentes movimentações do deputado Ciro Gomes junto aos dois candidatos governistas à presidência da Câmara, na tentativa afinal malograda de que desistissem, um em favor do outro ou, como alternativa, os dois em prol de um terceiro. Não deu certo, paciência. Nem Aldo nem Chinaglia aceitaram abandonar a disputa. O que teria levado o ex-ministro à tentativa? A resposta é clara: Lula. Acontece que dentro da empada tinha uma azeitona.
Caso os dois candidatos admitissem a retirada de seus nomes, quem poderia ser o tertius? Afastando-se a possibilidade afinal concretizada de Gustavo Fruet apresentar-se pelo PSDB, porque se tratava de alguém do governo, capaz de exprimir os interesses do Palácio do Planalto. A resposta é clara: seria Ciro, que mesmo sem pleitear viu-se no meio do furacão, ou melhor, da empada. Aceitaria, sob a coordenação do presidente.
Quem não aceitou foi o PT. Quase por unanimidade, o partido insurgiu-se e até solidificou um pouco mais a candidatura de Chinaglia. Afinal, Ciro é um potencial adversário para as eleições presidenciais de 2010. Filiado ao PSB, poderia desde já retirar do PT a esperança de fazer o sucessor de Lula. Esperança, aliás, muito tênue, porque faltam nomes, ao menos por enquanto.
Silêncio
Está para ser inventado o elixir da invisibilidade, por enquanto às vezes substituído por gravadores clandestinos, mas sem o mesmo potencial de que se investiria um cidadão invisível, posto, por exemplo, a bordo do Aerolula, na viagem de São Paulo para a Suíça. Guido Mantega e Henrique Meirelles teriam conversado? Trocaram gentilezas ou farpas por conta da redução dos juros?
O ministro da Fazenda explicou ter sido de brincadeirinha a referência ao presidente do Banco Central, na exposição feita sobre o Programa de Aceleração do Crescimento? Ou teria criticado a pífia redução de 0,25%? Ao que se sabe, os dois ocuparam poltronas separadas. Não foram convocados à cabine do presidente.
Afinal, já passava da meia-noite quando a aeronave decolou. Estavam todos cansados. A dúvida é saber se um assistiu à exposição do outro, naqueles grupos de trabalho reunidos em Davos. Sabe-se apenas que os dois aplaudiram a fala do presidente Lula. Vamos aguardar a viagem de volta.
Afinal, Arlindo Chinaglia desmentiu. Foi esta semana, em Belo Horizonte. A um grupo de deputados, negou que, se eleito, irá patrocinar qualquer projeto de lei destinado a anistiar José Dirceu, Roberto Jefferson e ex-deputados cassados por envolvimento no mensalão. Menos mal, porque até pouco era o que circulava pelos corredores da Câmara, com o estímulo do PT.
É claro que o projeto poderá ser apresentado. Os interessados até estimulam a coleta de assinaturas populares capazes de embasar a medida. Se por hipótese aprovada a anistia, os cassados não recuperariam seus mandatos, que acabariam na próxima semana. Mas recuperariam os direitos políticos suspensos por oito anos, detalhe que lhes permitiria disputar as eleições municipais de 2008 e as seguintes, inclusive 2010, estaduais e federal.
Como Gustavo Fruet, ao ser lançado, esclareceu não concordar com isso, fica faltando a palavra do terceiro candidato à presidência da Câmara, Aldo Rebelo. Não será através da influência da mesa que os punidos vão se beneficiar. Pelo jeito, deverão esperar 2014, se quiserem voltar. Menos mal.
No entanto...
No entanto, qualquer que seja o novo presidente da Câmara, estará obrigado a enfrentar a questão do reajuste parlamentar. Nenhum dos três se anima a acolher a proposta de 91% de aumento, com a equiparação salarial aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Pelo menos de público.
Como algum aumento precisará ser aprovado logo no início da legislatura, o remédio será aguardar as sugestões, ainda hoje servindo como moeda de troca por votos, nas eleições do próximo dia 1º. É bobagem imaginar que o baixo clero não está atuando. Existe e trabalha junto aos candidatos, para ver quem dá mais. Quem falar em seguir os índices da inflação dos últimos quatro anos arrisca-se a perder votos.
Subterfúgios poderão ser adotados, como aumentar ajudas de custo e permissão para mais despesas. O problema é que o baixo e o alto clero querem garantias. Parece que não confiam em campanhas eleitorais.
O PT não topou
Muita gente indagou o porquê das recentes movimentações do deputado Ciro Gomes junto aos dois candidatos governistas à presidência da Câmara, na tentativa afinal malograda de que desistissem, um em favor do outro ou, como alternativa, os dois em prol de um terceiro. Não deu certo, paciência. Nem Aldo nem Chinaglia aceitaram abandonar a disputa. O que teria levado o ex-ministro à tentativa? A resposta é clara: Lula. Acontece que dentro da empada tinha uma azeitona.
Caso os dois candidatos admitissem a retirada de seus nomes, quem poderia ser o tertius? Afastando-se a possibilidade afinal concretizada de Gustavo Fruet apresentar-se pelo PSDB, porque se tratava de alguém do governo, capaz de exprimir os interesses do Palácio do Planalto. A resposta é clara: seria Ciro, que mesmo sem pleitear viu-se no meio do furacão, ou melhor, da empada. Aceitaria, sob a coordenação do presidente.
Quem não aceitou foi o PT. Quase por unanimidade, o partido insurgiu-se e até solidificou um pouco mais a candidatura de Chinaglia. Afinal, Ciro é um potencial adversário para as eleições presidenciais de 2010. Filiado ao PSB, poderia desde já retirar do PT a esperança de fazer o sucessor de Lula. Esperança, aliás, muito tênue, porque faltam nomes, ao menos por enquanto.
Silêncio
Está para ser inventado o elixir da invisibilidade, por enquanto às vezes substituído por gravadores clandestinos, mas sem o mesmo potencial de que se investiria um cidadão invisível, posto, por exemplo, a bordo do Aerolula, na viagem de São Paulo para a Suíça. Guido Mantega e Henrique Meirelles teriam conversado? Trocaram gentilezas ou farpas por conta da redução dos juros?
O ministro da Fazenda explicou ter sido de brincadeirinha a referência ao presidente do Banco Central, na exposição feita sobre o Programa de Aceleração do Crescimento? Ou teria criticado a pífia redução de 0,25%? Ao que se sabe, os dois ocuparam poltronas separadas. Não foram convocados à cabine do presidente.
Afinal, já passava da meia-noite quando a aeronave decolou. Estavam todos cansados. A dúvida é saber se um assistiu à exposição do outro, naqueles grupos de trabalho reunidos em Davos. Sabe-se apenas que os dois aplaudiram a fala do presidente Lula. Vamos aguardar a viagem de volta.