quinta-feira, janeiro 29, 2009

Virtudes que faltam

Adelson Elias Vasconcellos

No início da tarde já havia indícios de anular-se a decisão absurda tanto quanto sorrateira, tomada pelo governo do Grande Chefe na calada na noite de sexta-feira passada, através de um comunicado escondido no site do SISCOMEX, de ressuscitar a Licença de Importação prévia, prática abandonada nos últimos anos e que vigorou, até com certa propriedade nas décadas de 70 e 80, quando o país importava 80% do que consumia.

A notícia é da Agência Reuters, com reportagem de Isabel Versiani, e foi publicada no Portal Exame. Comentaremos em seguida:

“BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira a suspensão da exigência de licenças prévias para as importações brasileiras adotada há poucos dias.

"Essa medida foi mal interpretada, causou ruídos", disse Mantega a jornalistas.

Ele citou que a medida havia sido anunciada para que o governo pudesse fazer um monitoramento mais preciso da balança comercial, diante da crise global.

As novas licenças, impostas a cerca de 60 por cento das importações brasileiras em um momento de forte deterioração das contas comerciais brasileiras, haviam gerado intensas críticas por parte da indústria”.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Já dissemos aqui que a crise afetará enormemente o comércio mundial, com a maioria dos países adotando alguma forma de protecionismo com o intuito de não verem deterioradas suas contas externas. Com o Brasil não será diferente. A vertiginosa queda das nossas exportações, pautada maciçamente por comoditties cuja demanda mundial está se reduzindo rapidamente, acompanhada em conseqüência pela queda nos preços, já provocou o primeiro déficit externo do período Lula, e em valores até assustadores: US$ 28,5 bilhões. E a divulgação do número assustou (e muito) nossas autoridades em Brasília. Convenhamos, para a tão simplória marolinha declarada por Lula em dezembro passado, ela já provocou estragos até demais.

Porém, independentemente disto, mesmo que o governo queira tomar medidas para conter um pouco ao menos o nível de importações, não pode é agir da forma como fez. Três razões correm em direção contrária: primeiro, o Brasil por ser membro da Organização Mundial do Comércio deve se submeter às regras internacionais de comércio. Não pode tomar decisões sem clareza e transparência, como fez. Segundo, inúmeras seriam as empresas prejudicadas tendo em vista seus planejamentos. Uma regra como esta, precisa ser divulgada amplamente e para vigorar deve permitir um certo tempo para todos os afetados poderem se adequar. Corríamos o sério risco de sermos denunciados justamente na OMC onde, nos últimos anos, enfrentamos e vencemos inúmeros contenciosos comerciais, justamente por seguirmos as regras do comércio mundial. Terceiro, no mesmo dia do anúncio da medida (restritiva), o governo anunciara a instalação de grupo de estudos para reduzir a burocracia no país, praga que faz a desgraça e infernizam a vida de 180,0 milhões de brasileiros que necessitam recorrer aos serviços públicos.

Diante da ameaça real de ser denunciado na OMC, a medida também abria um grave e perigoso artifício que resultaria em verdadeiro tiro no pé, ou seja, nossos parceiros comerciais que se sentissem atingidos, poderiam adotar igual medida que resultaria em prejuízos às nossas exportações. Assim, a tal licença prejudicaria ainda mais nosso déficit externo. E, claro, refletiriam enormes prejuízos para aquelas empresas que, acreditando no Brasil, haviam comprado máquinas e equipamentos industriais lá fora, e acabariam, com a medida, tendo de adiar seus investimentos, causando atraso na geração de novos empregos. Medida ruim, hora ruim, e a forma com que se fez, pior ainda.

Portanto, diante do quadro de reação adversa, o governo resolveu dar o dito pelo não dito, e deixando tudo dantes no quartel de Abrantes...A medida teve a curta duração de dois dias.

Ora, um governo sério não pode, diante do quadro econômico conturbado atual, agir ao sabor dos ventos ou das emoções de alguns de seus ministros, como no caso do Desenvolvimento. Portanto, não cabe ao Mantega alegar uma pretensa má interpretação da medida, já que tanto a forma, quanto o momento, simplesmente foram tanto inoportunos quanto inadequados. Ás vezes, é preferível a humildade de se reconhecer o próprio erro e agir calado, do que tentar justificar o injustificável justamente para encobrir a burrada.

Mas este não é, definitivamente, um governo onde a humildade seja uma virtude presente. A arrogância que vem de cima, contamina ministros, secretários e assessores em toda a esfera federal.

Diante do atual cenário, o que se espera é que nossos governantes além da capacidade de discernir, tenham equilíbrio emocional para não serem arrastados para precipitações que acabam por gerar pânico.

Além disso, se formos analisar, enumerar, somar e contar o total de medidas e seus valores envolvidos desde que a crise se fez sentir no país, não dá para conceder créditos ao Grande Chefe em sua tentativa demagógica de querer esconder do país a existência da crise e, o que é pior, os seus efeitos danosos internamente. A maquiagem neste caso, desnuda a face verdadeira do Grande Chefe em grande escala, exibindo em toda a sua grandeza a mistificação nela produzida.

Impossível conceder crédito para alguém que insiste em dizer que o país crescerá robustos 4,0 % em 2009, quando talvez exista a possibilidade real de nem crescer coisa alguma.

Mentiras, arrogância, afoitezas são reveladores de personalidades desequilibradas emocionalmente, figuras estas que devem ficar longe do processo de decisões para enfrentar momentos de turbulência. Como afirmamos há poucos dias, está na hora do Grande Chefe começar, de fato, a governar o país. Até aqui, ou recebeu o produto pronto e acabado, ou foi empurrado pelos ventos favoráveis da economia internacional. Várias vezes se provou que se mérito se pode atribuir ao Grande Chefe pela nossa bonança econômica, é o de nada ter feito naquilo que recebeu do governo anterior.

E nossa situação poderia ainda ser mais tranqüila tivesse feito o que lhe competia fazer, e não apenas se dedicado a governar o país apenas para si mesmo, primeiro para reeleger-se, depois para exibir e garantir a manutenção do seu “prestígio”.

Governantes existem muitos, estadistas são raros. Duas são as diferenças básicas que os distingue: a primeira está no fato que os segundos não sentem medo de fazer o que é preciso para enfrentar dificuldades, mesmo que o preço a pagar seja a sua perda de prestígio político. E a segunda diferença está que estadista abraça a causa, por mais difícil que ela seja, e trata de realizar, de equacionar, de resolver situações. Os primeiros apenas se justificam e transferem responsabilidades para ombros alheios.

Se a atual crise econômica nos afeta, e com uma velocidade até inesperada diante de um “virtuosismo” que a mistificadora propaganda oficial tratou de vender e impor à opinião pública, é porque deixamos de fazer alguma coisa que nos tocava realizar. Uma delas, e já disse aqui muitas vezes, foram as reformas básicas para solidificar nossa economia e prepará-la até para novos desafios, fossem bons ou ruins. Dentre tais reformas, um exemplo, é a tributária. Reparem que, mesmo diante do quadro adverso, não se vê um esboço, uma iniciativa plausível do atual governo em promover com intensidade ampla reforma tributária, para redução de carga e de prazos, à exceção de algumas pontuais desonerações que atendem interesses de algumas atividades específicas. Na verdade, do que mais se precisa é total redução da carga e ampliação de prazos para pagamentos de tributos estendida a todas as atividades econômicas. Sem distinção, ou para usar uma expressão tão ao gosto dos governistas quando estavam na oposição, “ampla, geral e irrestrita” Sabem por que não se promove tal reforma? Porque o Poder Público brasileiro está viciado em gastar demais, em desperdiçar demais, em ostentar-se demais. Se for preciso sacrifícios, se exige que eles sejam empreendidos pelos outros, jamais pelo Estado. E a raiz de nossas desigualdades, de nossas dificuldades, do atraso, do nosso analfabetismo, das nossas limitações está justamente na cultura histórica de que à classe política tudo é possível e permitido.

Exemplos não nos faltam em qualquer nível, e em todos os poderes. Portanto, se o país está agora, uma vez mais, precisando de sacrifícios para não ser atropelado pela crise mundial, que sejam os governos federal, estaduais e municipais a darem exemplo. Não será com inchaço da máquina pública, ou com elevação no número total de vereadores (em mais de 7.000) que se conseguirá respirar dias melhores. Ou ainda, com medidas paliativas, inconsequentes, forjadas nos labirintos dos gabinetes de forma sorrateira que chegaremos lá. Responsabilidade, prudência e equilíbrio, e menos ostentação e mais transparência, são algumas virtudes necessárias à classe política brasileira. Para desenvolvê-las será preciso que cada um rapidamente crie vergonha na cara. Quem se habilita em ser o primeiro ?

Reduzir impostos de todos, eis a receita

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S. Paulo

É verdade que as empresas ganharam muito dinheiro no Brasil nos anos recentes. Há várias provas disso. A arrecadação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por exemplo, encheu os cofres do governo. Outra prova: os investimentos, até o ano passado, vinham crescendo em ritmo acelerado e isso só pode significar que as companhias estavam reaplicando lucros para aumentar sua capacidade de produção.

Outra prova de que as empresas ganharam dinheiro nos anos recentes: contrataram mais trabalhadores e, especialmente, mais trabalhadores com carteira assinada.

O presidente Lula não se cansou de alardear esses fatos. Já agora, em meio à crise, as empresas passaram para a categoria de culpadas. O presidente e seu ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dizem que as companhias não podem demitir hoje porque ganharam muito dinheiro no passado. Vai daí, o governo ameaça só dar crédito às empresas que não façam demissões.

Tudo se passa como se as companhias tivessem acumulado em caixa o lucro obtido nos últimos anos. Ou pior, como se os seus donos tivessem embolsado os ganhos e mandado para algum paraíso fiscal. Agora essa gente estaria ameaçando com demissões para obter favores do governo.

Do outro lado estariam os trabalhadores, que, na palavra de Lupi, não criaram esta crise e, portanto, não podem pagar por ela. Logo, nada de demissões nem de flexibilização dos contratos de trabalho ou reduções de salários.

Além do clássico sentimento anticapitalista, que percebe as empresas como predadoras, há aí um desentendimento total de como funcionam as companhias e, no geral, como anda a economia de mercado. Começa que as empresas brasileiras, como os trabalhadores, não causaram a crise.

No seu funcionamento as empresas combinam recursos próprios e financiamentos. No dia-a-dia, a companhia toma dinheiro emprestado no banco para comprar matérias-primas e pagar os salários durante a produção. Vende, faz dinheiro, lucra, paga ao banco e segue a ciranda. Ou seja, sem financiamentos e sem lucros, não tem negócio.

Ora, dois problemas aconteceram nesta crise. O primeiro foi a falta de crédito, que simplesmente desapareceu no mercado internacional. Bancos e empresas brasileiras, sobretudo as grandes (como a Vale e a Petrobrás) e as exportadoras, obtinham boa parte de seus recursos no exterior. Com quem exatamente? Com os bancos globais, aqueles que o presidente Lula agora chama de jogadores do cassino financeiro.

Sem o dinheiro de fora, as companhias vieram buscar aqui dentro. E não tinha para todos. Resultado: faltou financiamento e só isso já seria suficiente para reduzir a produção. A companhia vai ao banco levantar R$ 100 mil e só consegue R$ 50 mil. Com isso, obviamente, vai comprar menos matéria-prima e não terá o dinheiro para pagar os salários de todos os funcionários.

Mas, e os lucros do passado, onde está esse dinheiro?

Está por aí.

Está no caixa do governo, quer dizer, esteve no caixa do governo e passou para o bolso dos funcionários, das pessoas do Bolsa-Família, dos aposentados. Está também nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no custeio da máquina pública.

Esse lucro está também em fábricas, em lojas, em shoppings, em minas, em siderúrgicas, construídos ou ampliados nos últimos anos, num ritmo forte de investimentos.

Ainda em 2002 o País produzia e vendia 1,5 milhão de veículos por ano. Chegou perto dos 3 milhões em 2008. As montadoras contavam, para os próximos anos, com um crescimento não tão forte, mas contínuo.

Em vez disso, o mercado encolheu, por falta de crédito para a montadora e para o comprador de carros. E aí? A montadora tem máquinas e pessoas para produzir 50 mil automóveis, mas precisa fazer apenas 20 mil. A siderúrgica, que vende aço à montadora, tem capacidade para 100 mil toneladas, mas encomendas novas de apenas 50 mil toneladas. E por aí vai.

Está aí o problema do desemprego. Se há restrição de financiamento e mercado encolhido, como a empresa formará os recursos para pagar a seus funcionários? É neste momento que surge a opção da flexibilização do contrato de trabalho.

Concretamente: a empresa está com mil funcionários, mas precisa de apenas 500, dado o volume atual da produção, e só pode pagar o salário desses 500 funcionários, dada a falta de crédito e de vendas. Coloca-se a alternativa: demite 500 funcionários e mantém os outros com o mesmo salário ou reduz os salários e mantém os mil funcionários enquanto dura a crise?

Querer que a empresa funcione como se nada tivesse acontecido é prejuízo certo, coisa que pode acontecer por algum tempo, como está ocorrendo. Mas continuar assim significa eliminar todos os mil empregos.

Também não faz sentido o governo emprestar dinheiro à empresa exigindo desta a garantia de manutenção do emprego. Seria jogar fora dinheiro público.

As empresas, neste momento, precisam de mais capital e o consumidor, de mais folga para comprar. Logo, o governo deveria reduzir impostos das empresas - de todas, sem privilégio. Pagando menos Imposto de Renda, a companhia tem mais capital; pagando menos impostos sobre a folha de pagamento, pode empregar mais.

E, reduzindo imposto das pessoas, o governo deixa mais dinheiro no bolso do consumidor. E se sobrar algum dinheiro, o governo deveria investir.

Resumo da ópera: flexibilização, redução de impostos e gastos em boas obras.

Câmara dos EUA aprova pacote econômico bilionário

Por Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington, leiam a notícia sobre a aprovação do “pacote-Obama-de-salvação-nacional”. Comentaremos em seguida.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira o pacote de estímulo econômico de US$ 819 bilhões defendido pelo presidente americano, Barack Obama.

O projeto foi aprovado por 244 votos contra 188. Nenhum deputado da oposição republicana votou a favor do pacote e até mesmo 11 democratas votaram contra.

O pacote, que concilia investimentos e cortes de impostos, será submetido ao Senado, onde enfrentará desafios maiores, já que a maioria democrata na casa não é tão expressiva quanto a que o partido desfruta na Câmara dos Representantes.

Revés
O fracasso em conseguir atrair o apoio dos republicanos ao pacote foi um revés para Obama.

O presidente americano passou o dia na Câmara na terça-feira, onde manteve encontros com líderes republicanos.

Os representantes do partido acreditam que o pacote não oferece garantias de criação de empregos e traz excessivos gastos.

Para cooptar os republicanos, o pacote passou até a incluir cortes de impostos mais expressivos.

Pelos termos atuais do plano econômico, contribuintes e empresas receberiam isenção fiscal no valor de US$ 275 bilhões.

Além disso, seriam investidos US$ 540 bilhões em iniciativas diversas, como reparo de pontes, incrementos em benefícios para desempregados, investimentos tecnológicos e reparos em até 10 mil escolas em todo o país.

Mesmo com 177 republicanos tendo votado contra a sua proposta, Obama segue cortejando os representantes do partido.

Na noite desta quarta-feira, ele oferece um coquetel na Casa Branca para o qual foram convidados tanto representantes democratas como da oposição.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A aprovação do pacote na Câmara já era prevista. Os Democratas, de lá, tinham maioria suficiente para garantir uma vitória sem sustos. Duro será no Senado onde a vantagem de um voto apenas, não é garantia de coisa alguma.

Mas o queremos ressaltar na notícia não é a aprovação do pacote, e sim o comportamento dos republicanos. Reparem: o partido, em peso, votou contra o pacote. Não houve um único voto traidor. E pela simples e óbvia razão de que, embutido no pacote, há muitos penduricalhos e questões mal resolvidas, as quais não garantem o sucesso da empreitada. Obama foi ao Congresso várias vezes. Dialogou à exaustão com republicanos. Pediu para deixaram a questão política de lado, e pensarem no país apenas. Tal como se faz muito seguidamente.

A diferença é que lá oposição é oposição e ponto final. Não existe esta de “oposição responsável”. Este discurso, e os fatos o demonstram, sempre favoreceram o outro lado, no caso, os governistas. E o pacote embutia pontos discutíveis e duvidosos e era incapaz de assegurar o alcance de suas metas, não seriam os republicanos assinarem embaixo. Se Obama e os democratas estão convictos de que o investimento será exitoso, que então paguem o preço político pelo risco, para o bem ou para o mal. Mas nada de se dar um cheque em branco.

Por isso eles são o que são e nós não conseguimos sequer parecer o que pretendemos ser.

Reparem, por exemplo, que na eleição para presidência do Senado brasileiro, o PSDB apresentou uma pauta de 12 pontos que considera “importantes” para conceder seu apoio um ou outro candidatos, Sarney e Tião Viana, ambos governistas. Se vocês analisarem vão concluir que os tucanos ainda não se deram conta do papel que lhes compete cumprir. Santo Deus!!!

Vejam este resumo apresentado pela Folha online:

Em troca do apoio, os tucanos cobram a 1ª vice-presidência do Senado, a 4ª secretaria da Mesa Diretora e a presidência da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) --que ficaria sob o comando do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A comissão também terá que priorizar a discussão da reforma tributária, com a relatoria da matéria nas mãos do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). A ideia dos tucanos é indicar para a 1ª vice-presidência o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para a 4ª secretaria.

O PSDB também cobra a independência e a soberania do Congresso, o respeito às oposições, o compromisso do candidato de que vai manifestar-se contra a proposta de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da rejeição de medidas provisórias que não atendam aos critérios de urgência e relevância.

Os tucanos ainda pedem o sistema de rodízio nas relatorias das MPs (medidas provisórias), de acordo com o tamanho dos partidos, e o compromisso do candidato para as reformas que podem ajudar a minimizar os efeitos da crise econômica internacional.

Outros pleitos do PSDB aos candidatos são democratizar a participação de senadores nos veículos de comunicação do Senado, transparência na gestão, não dificultar ou impedir a criação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) --assim como apresentar propostas para reerguer a imagem da Casa e submeter os vetos presidenciais ao Congresso.

Sarney
Apesar do discurso de impor condições aos candidatos, nos bastidores os tucanos sinalizam que vão aderir à candidatura de Sarney. O PSDB quer conquistar o apoio dos peemedebistas desde já, com vistas à corrida pela presidência da República em 2010.

Sabem aquela história da “moça” doida para ter “relações” mas que adora dizer “não” só para fazer charme e não ser alcunhada de “prostituta”? Pois é, o PSDB é a moça. Ta doido para aderir à candidatura Sarney, mas adora o charme das “exigências ridículas”.

Se é para ser respeitado como partido de oposição, junte-se a democratas e formem um bloco do “não” e fim de papo.

Quanto a 2010, o PSDB não precisa compor com ninguém. Se houver plenas chances de ser vencedor (e as há, sem dúvida), os tucanos fiquem certos de que, uma vez instalados no poder, sempre haverá um PMDB bem disposto e pronto para compor uma base de sustentação política. O PMDB sempre foi, é e será governista.

Já disse e repito: que, em 2010, Serra seja candidato à Presidente com Aécio de vice, e em 2014 (ou 2015), invertam-se as posições. Não há Dilma que agüente o tranco.

Querem marcar presença? Querem ser respeitados? Então que tucanos assumam o seu papel atual e o cumpram com honra e dignidade: sejam, na prática, a oposição verdadeira que o país precisa para não ser tragado pelo artificialismo político vigente.

No que está dando o desgoverno

Excelente o editorial desta quinta-feira do Estadão. Ele trata da atrapalhada, só para se dizer o mínimo, da tal licença prévia de importação da qual o próprio governo tratou de revogar. O episódio, como um todo, é revelador de um desgoverno que, se até agora não nos trouxe maiores dores de cabeça, foi porque a bonança da economia internacional nos empurrou para uma situação confortadora. Contudo, na medida que os ventos começaram a mudar de direção, vão aflorando situações até então desconhecidas da grande massa. Se já não bastassem os bate-bocas entre ministros, tendo um inclusive pedido a mediação de Dilma Roussef, numa total inversão de papéis e como se o a presidência já houvesse trocada de mãos, sem nem mesmo ter havido eleição.

Exemplos não faltam de desgoverno e sobre alguns já comentamos muitas vezes. Mais constrangedor ainda é saber que, até o apagar das luzes do atual mandato do Grande Chefe, eles até poderão se intensificar. Segue o texto do Estadão:

Adotada em circunstâncias nebulosas por aloprados funcionários de segundo escalão do Ministério do Desenvolvimento, na ausência do seu titular, em viagem ao exterior - e sem comunicação prévia nem mesmo ao presidente da República -, a imposição intempestiva de licenças prévias para a importação de cerca de 3 mil produtos, que respondem por 60% do valor das compras brasileiras no exterior, é a evidência irrefutável do nível a que chegou o desgoverno Lula.

Pelo modo como foi tomada a decisão, considerada a "mais estranha" da administração lulista, pelo seu impacto instantâneo sobre a atividade produtiva, pela rasteira que a enormidade aplicou às diretrizes da política comercial - desmoralizando os reiterados discursos presidenciais contra o protecionismo - e, enfim, pelas mendazes tentativas dos autores da molecagem de justificar o injustificável, a iniciativa condensa a incapacidade do governo em lidar com uma crise econômica que traz problemas novos praticamente a cada dia e que, quanto mais se agrava, mais parece agravar também a dislexia administrativa que acometeu o Planalto.Sob o choque dos dados mais recentes sobre o intercâmbio comercial do País - pela primeira vez desde março de 2001, o ano começou com um déficit no setor provocado pela crescente diferença entre os ritmos de crescimento das exportações - cada vez mais lento - e das importações - cada vez mais acelerado -, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o seu colega do Desenvolvimento, Miguel Jorge, decidiram na semana passada, por precaução, monitorar de perto a evolução das compras, em especial de bens de consumo e aquelas oriundas da Argentina, país com o qual o desequilíbrio se acentuou dramaticamente (queda de 40% nas vendas para o país e adoção, pelo governo de Buenos Aires, de licenciamento prévio para a entrada de produtos brasileiros). À revelia dos ministros, no entanto, os burocratas tomaram o freio nos dentes e instituíram a regra destrambelhada que um empresário comparou a "tomar um antibiótico para curar um resfriado".

Ele se referia ao descompasso clamoroso entre o diktat que dá superpoderes à burocracia e a sua alegada razão de ser - "permitir o acompanhamento das importações". Tentando encobrir o sol com a peneira, o responsável-mor por aquilo que os seus próprios colegas chamam, caridosamente, "barbeiragem", o sub do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, se pôs a jurar que a licença prévia não equivale a uma barreira, porque seria concedida, em cada caso, em até 10 dias. A desculpa trôpega não enganou ninguém. "Estamos já em uma crise grave, e o governo aumenta a incerteza pegando as empresas desprevenidas", reagiu o ex-ministro Marcílio Marques Moreira. "Depois de anos de superávit, no primeiro momento de déficit o governo adota barreiras." O governo? Que governo?

Nos últimos dias, quatro ministros se engalfinharam publicamente (Mangabeira Unger e Patrus Ananias, Reinhold Stephanes e Carlos Minc) e só tardiamente se ouviu uma balbuciante advertência de que os briguentos poderiam ser demitidos. E em seguida veio o vexame do controle das importações. Eis o nervo do problema: o presidente Lula, cujo absenteísmo crônico dispensa comprovação, deixou a casa ao deus-dará porque dela afastou também a autoridade a quem incumbe, por definição, coordenar as ações da equipe ministerial e administrar as inumeráveis questões do dia a dia do Executivo, com as quais o seu chefe não deve mesmo se ocupar (além daquelas, de sua alçada, das quais quer distância). A autoridade, evidentemente, é a ministra-chefe do Gabinete Civil da Presidência, Dilma Rousseff. Mas, em perene campanha para fazer dela a sua sucessora, Lula a transformou na sua inseparável companheira de viagem.

Ainda na terça-feira, enquanto em Brasília ministros e burocratas batiam cabeça para desfazer o estrago do licenciamento prévio e em toda parte subia a grita dos empresários atropelados, a ministra participava, com o presidente, de um ato pelas vítimas do Holocausto, numa sinagoga paulistana. Assim como o ministro do Desenvolvimento não tinha nada que fazer promoção do Brasil na África do Norte, a esta altura da mais ameaçadora das crises, nada tampouco justifica as andanças da síndica do governo para promover a sua figura presidenciável. Pois dá no que está dando.

Sim, a crise ainda vai piorar...

Por Moisés Naím* , Portal EXAME

...mas não será desta vez que veremos o fim do capitalismo. Milhões de chineses, indianos, brasileiros e outros continuarão a ser participantes mais ativos no mercado do que jamais foram anteriormente e a impulsionar a economia global

O derretimento financeiro global é tão surpreendente quanto foram os ataques de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas. Afora isso, as duas calamidades são bem diferentes. O crash financeiro terá, indubitavelmente, conseqüências mais amplas, prejudicando mais pessoas em mais países. No entanto, o 11 de Setembro e o que veio em sua esteira podem oferecer um estudo de caso de algumas armadilhas a evitar quando uma calamidade dessas proporções acontece. A lição mais importante do atentado terrorista em Nova York talvez seja que a reação dos Estados Unidos aos ataques teve conseqüências mais profundas do que os próprios ataques. Choques como o 11 de Setembro costumam provocar - na verdade, exigem - reações governamentais intensas, mas as conseqüências dessas reações persistem até muito depois do evento inicial. Essa lição se aplicará ao crash em curso: leis, instituições, restrições e incentivos motivados pelo salvamento do sistema financeiro moldarão nossas vidas por muito tempo depois que os efeitos da crise das hipotecas subprime se dissiparem. O perigo é que respostas governamentais desproporcionais ou mal concebidas possam exacerbar os problemas.

Considerem-se os desdobramentos inesperados da invasão do Iraque: o fortalecimento do Irã, o ressurgimento do Talibã e a menor capacidade de liderança dos Estados Unidos em tempos de crise global. No Iraque, onde os problemas mais espinhosos afloraram após uma ocupação militar bem-sucedida, também agora a administração pós-salvamento será crítica. O pesadelo do Iraque foi ampliado pelos erros cometidos em estratégia, provimento de pessoal, execução e controle dos esforços após a invasão. Da mesma maneira, o resgate financeiro poderá ser solapado por erros no desembolso dos fundos ou mesmo no provimento de pessoal das agências encarregadas de levar o salvamento adiante. Um dos legados dos ataques terroristas de 2001 foi o Departamento de Segurança Nacional, um mastodonte burocrático que virou um caso exemplar de reorganização falha após diretrizes vagas do Congresso adotadas às pressas. Um monstro burocrático parecido, originado por impulsos desesperados idênticos, pode surgir em conseqüência dessa crise financeira.

Outra lição do 11 de Setembro é que os Estados Unidos precisarão de toda a ajuda que puderem obter de outros países para gerir a crise financeira. Embora tanto o ataque terrorista quanto o crash das hipotecas subprime tenham ocorrido em solo americano, suas ramificações internacionais são enormes. Apesar de os contribuintes americanos terem de ficar com o ônus tanto do salvamento quanto de suas conseqüências, a assistência de autoridades reguladoras do Reino Unido à China será indispensável. De fato, uma lição do atentado ao World Trade Center é que a coordenação em níveis técnicos pode ser mais importante que declarações retóricas de chefes de Estado. Em 2001, enquanto o Congresso americano substituía as “batatas francesas” (como são chamadas as batatas fritas nos Estados Unidos) por “batatas da liberdade” e malhava a França por sua oposição à guerra no Iraque, as agências de inteligência dos dois países colaboravam de maneira estreita e eficaz. O mesmo aconteceu com outros serviços de inteligência em países cujos líderes faziam discursos ferozes denunciando o unilateralismo americano.

A colaboração técnica de burocratas governamentais - mantida por períodos longos e fora dos holofotes da mídia - será tão importante para sairmos bem desta crise financeira quanto a das cúpulas presidenciais. A maneira como os dirigentes de bancos centrais em Pequim e Moscou coordenarão as ações com seus congêneres em Washington e Frankfurt será um fator determinante.

Outro paralelo entre o 11 de Setembro e a crise financeira é que recursos públicos que não estavam disponíveis para outras necessidades importantes (sistema de saúde, educação, pobreza) de repente se materializam. A gravidade da ameaça e a necessidade de agir rápida e energicamente provocam um clima no qual se torna aceitável - e até desejável - tomar decisões em que dinheiro não é problema.

Essa desconsideração por restrições orçamentárias é uma manifestação de outro ensinamento do atentado: o entusiasmo por “um novo paradigma” e o desdém por idéias e instituições antigas. A convicção de que uma nova realidade tornou obsoletos princípios e idéias antes cultivados é perigosa. Ela conduz à suposição de que tudo é possível, de que as velhas idéias já eram e de que conceitos absolutamente novos e não testados são indispensáveis.

Idéias ousadas, temerárias até, são buscadas e celebradas. Essa abordagem nos trouxe não só a guerra no Iraque como o centro de detenção na baía de Guantánamo, a erosão das liberdades civis, o desprezo pelas convenções de Genebra e a depreciação de mecanismos normalmente usados para controlar gastos públicos, vistos como incômodos burocráticos inaceitáveis. Agora, o salvamento financeiro nos dará a maior empresa financeira estatal do planeta, mudanças drásticas nos regulamentos do mercado e um sistema bancário que terá pouca semelhança com o que existia há poucos meses.

A busca de um novo paradigma para substituir crenças e instituições pré-crash está levando muitos a concluir que o capitalismo em estilo americano está morto. “A idéia de um mercado todo-poderoso sem nenhuma regra e sem intervenção política é insana”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acrescentando que “a auto-regulação terminou. O laissez-faire terminou”. Henry Paulson, secretário do Tesouro americano, concordou: “O capitalismo bruto terminou”. Com toda a certeza, o crash revelou a necessidade de fiscalização e de regulamentações financeiras mais eficazes. Mas a adoção dessas medidas não marcaria o fim do capitalismo. Milhões de chineses, indianos, brasileiros e outros continuarão a ser participantes mais ativos na economia global do que jamais foram anteriormente. E companhias de Seattle a Taipé e a Lyon continuarão inovando e investindo, comprando e vendendo. Inevitavelmente, a crise financeira será vista como mais um sinal de que os Estados Unidos estão em declínio: “Os americanos perderão seu status de superpotência do sistema financeiro mundial. O mundo jamais será o mesmo”, disse o ministro alemão da Fazenda a seu Parlamento no fim de setembro. Quase as palavras exatas pronunciadas após o 11 de Setembro. Mas, apesar de o mundo certamente ter mudado, ele o fez de muito menos maneiras que os comentaristas previam. Sim, esta crise financeira vai transformar profundamente a economia global e terá conseqüências mais profundas e mais duradouras que os atentados às torres. Mas ela nem marca o fim do capitalismo nem o início do fim dos Estados Unidos.

*Moisés Naím é editor-chefe da revista Foreign Policy

Fórum subsidiado

Diogo Costa, O Globo

Ao comentar a generosa doação de R$120 milhões do governo federal para o Fórum Social Mundial, a realizar-se nesta semana em Belém do Pará, Cândido Grzybowski, sociólogo e fundador do Fórum, reconheceu que “qualquer político quer um público de 120 mil pessoas do mundo todo”. Mas o interesse dos políticos não costuma coincidir com o interesse da população. Se as pessoas valorizassem tanto assim o Fórum Social Mundial, não seria preciso financiá-lo com os impostos. Bastava recolher os R$120 milhões em doações voluntárias.

Por outro lado, nem mesmo quem discorda da transferência de R$120 milhões do bolso do contribuinte para os inimigos da globalização pode acusar os organizadores do evento de incoerência entre teoria e prática. Tomar o dinheiro do contribuinte para fins considerados mais dignos por seus participantes é o espírito do Fórum Social Mundial. O propósito de suas reuniões é justamente criar estratégias para utilizar ainda mais recursos da sociedade. A obtenção de tanto dinheiro público não apenas passa pelo teste da racionalidade socialista como atesta o sucesso do movimento.

Para manter a mesma lógica, um fórum que combate essa transferência do dinheiro público precisa abrir mão de semelhante privilégio. É por isso que o Fórum da Liberdade de Porto Alegre, talvez o maior evento liberal do hemisfério, conta com um orçamento total 100 vezes menor do que a bolada recebida por seu contraponto ideológico.

Se os dois eventos prezam pela lógica na arrecadação, a realização de seus objetivos levaria a cenários antagônicos. Os liberais sustentam que pessoas adultas devem ser livres para realizar quaisquer atividades pacíficas, sejam de cunho religioso, artístico, sexual ou capitalista. Os socialistas não concedem o mesmo grau de liberdade. No socialismo, os cidadãos não podem se organizar ou dispor de seus bens da maneira que lhes aprouver. Quem decide o que será feito com os recursos da sociedade são os políticos, exatamente como decidiram o destino de 120 milhões de reais da sociedade brasileira.

Portanto, num mundo em que triunfassem definitivamente os objetivos políticos do Fórum Social Mundial, não haveria Fórum da Liberdade. Já num mundo em que vigorasse o programa do Fórum da Liberdade, o Fórum Social Mundial continuaria existindo. Da teoria à prática, no mundo melhor dos ativistas do Fórum Social Mundial, eles decidiriam não apenas como gastar R$120 milhões, mas o PIB inteiro - do mundo.

A arma da coesão

Benjamin Steinbruch (*), Folha de São Paulo

Em momentos críticos como agora, a economia elimina vagas por razões objetivas, não por maldade do empregador

A rapidez da proliferação da crise econômica lá fora e aqui é uma das características mais impressionantes do momento. Três meses atrás, embora já estivesse previsto o desaquecimento da economia, qualquer analista apostaria que 2008 seria um ano espetacular em matéria de criação de empregos no Brasil.

Os números divulgados na semana passada mostram a rápida inversão de tendência. Nos últimos dois meses do ano, 695 mil empregos com carteira assinada foram extintos.

Dezembro, sazonalmente, é um mês de contratações de mão-de-obra temporária. Por isso, a taxa de desemprego geral ainda caiu, para 6,8% da força de trabalho. Mas dezembro é sempre ruim para o emprego formal, com muitas demissões. Mesmo assim, o volume de cortes surpreendeu, porque foi o maior desde o início do levantamento, em 1999, e porque atingiu todos os setores e regiões.

O que fazer? São muito bem-vindas as mobilizações de empresários e trabalhadores para discutir soluções. Há inúmeros mecanismos para combater o desemprego ou atenuar seus efeitos: férias coletivas; reduções de jornada; suspensão temporária de contratos; ampliação do seguro-desemprego; estímulos fiscais; corte de impostos para setores intensivos em mão-de-obra; redução de impostos para ampliar crédito e estimular consumo.

Tudo isso, entretanto, são paliativos. Em momentos críticos como agora, é bom lembrar que a economia passa a eliminar empregos por razões objetivas, não por maldade de empregadores. Empregos não se criam com gritos ou passeatas. Criam-se com investimentos e financiamentos a baixo custo, como os que poderão ser feitos com os recursos de R$ 100 bilhões que o Tesouro vai repassar ao BNDES, uma sábia decisão da semana passada.

Nos últimos oito anos, em artigos semanais nesta página, fiz 266 referências às responsabilidades empresariais e do governo na criação de empregos. Cabe ao empresário atuar com máximo critério para tomar decisões que não coloquem em risco o negócio e garantir, ao mesmo tempo, o maior número possível de empregos. A dolorosa decisão de dispensar mão-de-obra só deve ser tomada quando houver clareza absoluta sobre a sua inevitabilidade.

O pior que poderia ocorrer no país, neste momento, seria a exacerbação de conflitos entre empregados, empregadores e governo. Ameaças de punições não ajudam em nada. Cada parte tem de assumir suas responsabilidades. Ficará marcada, por exemplo, a tardia participação da política monetária no combate à ameaça da recessão -as autoridades levaram mais de quatro meses para se dar conta da gravidade da crise.

O momento é de conciliação em busca de soluções para amenizar os efeitos sociais da queda do emprego. Não há mais dúvida de que a crise global é gravíssima, com recessões nos EUA, na Europa e na Ásia. A Alemanha, segunda maior economia do mundo, prevê a maior contração desde 1949.

As armas para debelar no médio prazo crises como esta não precisam ser inventadas. Estão em qualquer cartilha de economia. São o corte de gastos supérfluos para concentrar recursos em investimentos públicos que absorvem mais mão-de-obra, como a construção, a redução drástica (não de um ponto percentual) nos juros, para estimular consumo e investimentos produtivos, e a ampliação de programas sociais para assistência a desempregados. Internamente, independentemente do que ocorre na economia global, a coesão pode ser uma arma poderosa para implementar essas medidas.

(*) Benjamin Steinbruch , empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A república do butantã na hora da crise

Percival Puggina, site Diego Casagrande

Nem sempre a opinião pública coincide com o interesse público. Um dos problemas essenciais da democracia consiste, precisamente, na necessidade, que muitas vezes ocorre, de agir em favor do interesse público adotando medidas que contrariam a opinião pública. “Sangue, suor e lágrimas” prometia Churchill... Isso se aplica, especialmente, àquelas ocasiões em que dificuldades estruturais ou conjunturais determinam impacto negativo na vida social. As coisas estão mal, os cidadãos estão desgostosos e a solução exigirá medidas impopulares. É a hora dos verdadeiros líderes.

O Plano Real fornece bom exemplo do que descrevo. Itamar Franco teve o grande mérito de convocar o grupo de economistas que concebeu o Plano. Na arrancada, ele garantiu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, mas não foi uma catapulta para a estabilidade e o crescimento econômico. Não era uma escadinha confortável para sair do fundo do buraco. Foi necessário escalar até o topo, segurando-se com as unhas e ralando os pés no esforço da subida.

Foi nesse quadro que a oposição petista, após oito anos de combate encarniçado contra o Plano e seus ingredientes (superávit fiscal, aumento da carga tributária, abertura ao mercado internacional, privatizações, cumprimento dos compromissos com a dívida externa, estímulo ao agronegócio), atrapalhou quanto pode a escalada da economia nacional. Com um discurso moralista e avesso às reformas em curso, chegou ao poder. E chegou ao poder – é bom ter presente o cronograma dos fatos – dois anos antes de as medidas começarem a produzir resultados, o que obrigou o governo Lula a amargar péssimos desempenhos da economia nos anos 2003 e 2004. Aí, a partir de 2005, em plena marolinha do mensalão, mas mantida a linha de atuação iniciada com Itamar, as coisas começaram a melhorar. E acabou a oposição.

Entendem-se as dificuldades dos oposicionistas em combater um governo que na gestão da economia cumpre o quinto mandato de Itamar Franco e saboreou até bem poucos meses o período mais promissor da vida econômica e social do país e do planeta nas últimas quatro décadas. E se entende, também, pelos mesmos motivos, a aderência (é mais do que mera articulação) e a bajulação (é mais do que mera cordialidade) do grande empresariado brasileiro às estrelas vermelhas que lhe aparecem na janela. Estão ganhando dinheiro, and that is the name of the game. Valores, para certo tipo de capitalismo, só têm significado quando conversíveis em moeda. O resto é papo de filósofo.

Pois há algum tempo venho reconhecendo em Lula uma enorme capacidade de encantar serpentes. Atraiu para si praticamente toda a população do ofidiário hospedado no Congresso. Se o leitor se der à paciência de assistir o Jornal Nacional verá o que ele fez com a Globo. Examine isso, uma vez ou outra. Vale à pena. E dê uma olhada nos parceiros do nosso presidente na América Latina e no Oriente Médio.

Até aqui, o encantador de serpentes vem se dando bem. Ganhou votos combatendo o que hoje sustenta e depois passou a ganhar votos sustentando o que antes combateu. Ganhou votos atacando certos adversários e depois passou a ganhar votos buscando para parceiros aqueles a quem atacava. O homem tem uma capacidade de se fazer rodear de cobras. Essa é a sua força e é, também, a sua fraqueza; sua habilidade e sua debilidade. Cobras são animais perigosos, como ele mesmo pode ver em 2005, quando a República foi bater às portas do Butantã. E absolutamente nada indica que tenha saído de lá.

Contudo, aqui e no resto do mundo, o momento é para estadistas e não para encantadores de serpentes.

Chávez diz que haverá 'guerra' se oposição voltar ao poder

BBC Brasil

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que seu país pode mergulhar em uma guerra civil caso os partidos de oposição voltem a governar a Venezuela.

Chávez deu a declaração durante um encontro com militantes no Estado de Táchira, na última terça-feira, como parte da campanha para o referendo sobre a emenda constitucional que permite a sua reeleição ilimitada, marcado para o dia 15 de fevereiro.

“Se a oposição chegar ao poder, haverá uma guerra. Por isso, é necessário garantir a continuidade do processo revolucionário democrático bolivariano, e aí está a proposta de emenda constitucional”, disse Chávez, segundo o jornal venezuelano El Universal.

Reeleito em 2006, Chávez teria de deixar o governo em 2013, já que a atual Constituição prevê apenas uma reeleição.

Programas sociais
Segundo Chávez, caso a emenda não seja aprovada, “em 2013 a Venezuela poderá ser governada por um presidente 'adeco' (militante do partido Ação Democrática) ou um 'copeyano ' (do Copei, democrata-cristão)”.

“Isto poderia desencadear uma guerra, porque o povo não vai querer (um outro presidente)”, disse Chávez, afirmando que a oposição tentaria eliminar todos os programas sociais de seu governo.

O venezuelano ainda afirmou que só decidiu impulsionar a emenda por uma reeleição ilimitada depois de ver que, nas regiões governadas pela oposição, os programas sociais de seu governo estão sendo extintos.

“Quando vejo que estão fazendo tudo isso, digo a mim mesmo: 'Chávez, não se vá'”, afirmou.

Chávez lançou a campanha por sua reeleição indefinida em novembro do ano passado.

A proposta já havia sido rejeitada em um outro referendo mais amplo, em 2007, quando Chávez apresentou um projeto de reforma constitucional que pretendia abrir caminhos para a implementação de seu projeto socialista no país.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Isto que Chavez está fazendo para garantir-se no poder, tem vários nomes e sobrenomes, tais como terrorismo político-eleitoreiro, chantagem, cretinice, vigarice, dentre outros tantos. E por aqui ainda tem gente tentando nos vender a Venezuela como exemplo de democracia ? Ah, são os mesmos que paparicam o futuro falecido ex- ditador Fidel...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

O prejuízo das más companhias

Adelson Elias Vasconcellos

O vice-ministro de Relações Exteriores, Alfredo Mantica, se disse "indignado" com o Brasil. "Lula coloca em discussão a democracia e o sistema jurídico italiano", afirmou. "Francamente, não podemos aceitar receber uma lição do Brasil ou de Lula", atacou.

O vice-ministro italiano está absolutamente certo. Já disse em outro post que a democracia italiana é mais extensa e antiga do que a brasileira e, em matéria de direito, somos alunos rastejantes perante eles.

Aliás, o fato de andar sempre acompanhado de ditadores quixotescos e analfabetos, e compor com eles alianças “amistosas” já seria inadmissível para um país que se diz democrático. Chega a ser vergonhoso para o povo brasileiro ler sobre alianças com tais cafajestes.

E, mais doloroso, ainda, quando este mesmo país, o nosso, vive dando às costas para governos legítimos, vivendo o estado de direito democrático em toda a sua plenitude, e dando “refúgio” para criminosos e terroristas. Graças a um governo organizado para o crime, nos tornamos o paraíso destes picaretas desclassificados.

Agindo da forma como este governo vem agindo, está colocando em risco a integridade e a segurança dos brasileiros residentes no exterior, ou por razões de trabalho ou de estudo, e alguns mais que simplesmente resolveram ir embora por absoluta falta de segurança aqui dentro.

Os protestos na Itália e que se multiplicam, não se resumem apenas ao plano da diplomacia e da política. Prova está que a embaixada do Brasil em Roma está observando nos últimos dias um novo fenômeno: a avalanche de e-mails e cartas que está recebendo, com críticas à decisão brasileira em relação a Cesare Battisti. A embaixada não está sequer dando conta de responder os e-mails.

"São dezenas de mensagens por dia", informou um funcionário da embaixada. Alguns dos e-mails chegam a usar palavrões para atacar o Brasil e insultos pesados. O jornal Il Tempo, de Roma, ainda iniciou uma campanha para pressionar pela extradição de Battisti. O jornal pede a adesão de Italianos e mesmo de brasileiros que vivem no país.

Após pronunciamento do governo brasileiro, o STF deve julgar a causa de Battisti, que aguarda em uma penitenciária de Brasília uma possível libertação, depois de ser detido no Rio de Janeiro em 2007 e de ser condenado na Itália por quatro assassinatos. O caso envolveu até a primeira-dama francesa, Carla Bruni, acusada por uma associação de vítimas italianas de influenciar a decisão de Lula durante sua visita ao Brasil, em dezembro.

Este governo, a começar pelo próprio Lula, precisa entender definitivamente uma coisa: o Brasil é maior do que qualquer presidente que temporariamente ocupe a função. Assim, não cabe a ele jogar o nome do país na lama e pisotear desrespeitosamente sobre a nossa História. Assim, também, falta-lhe estofo moral para brandir bandeiras de soberania agindo em conluio estreito com os lixos morais composto por criminosos, terroristas e assassinos fugidos da justiça de seus países.

É visível, desde que assumiu, que a política externa brasileira tem se voltado contra países desenvolvidos, especialmente Estados Unidos. Lula nunca acenou amigavelmente no Oriente Médio para a única democracia lá existente, preferindo sempre abrir os braços para as teocracias e governos devotados a financiar o terror.

Nunca a expressão diga-me com quem andas que te direi quem és, serviu tão apropriadamente qualificar alguém como no caso de Lula. Está precisando,mais do que nunca, qualificar suas relações para perceber (e aprender) que o outro mundo possível é onde vigora a DECÊNCIA, coisa da qual os tiranetes, amigos de Lula, não fazem a menor idéia do que seja.

E note-se: Lula assinou embaixo de um parecer ridículo esculpido por Tarso Genro sem, primeiro, avaliar as conseqüências da maldição que abençoou. E, segundo, o estúpido parecer do ministro conseguiu ser contrário não apenas ao bom senso, mas também contra os pareceres da Procuradoria da República, do CONARE (órgão criado exatamente para este fim), da Justiça Italiana, da União Européia e até do nosso Itamaraty velho de guerra. Será que Lula, diante de um caso que afetava a relação com país amigo e parceiro do Brasil, não poderia ao menos ter se orientado com outros “conselheiros”? Por que não chamou Celso Amorin para avaliar o peso da decisão ? Por que esta ação imbecil de atropelar a tudo e a todos tentando provar, sei lá, que é dono do próprio nariz, quem sabe?

E, sempre é bom lembrar, que o Brasil, diante de cretino do tipo Moralez, Chávez, Rafael Correia, Fidel Castro, tem sido de uma passividade absurda, permitindo que os caudilhos ataquem empresas, instituições e até patrimônio brasileiros, sem nunca bradar por soberania, respeito ou consideração. Quanto mais estes cretinos nos agridem, mais abrimos o caixa para “selar a parceria”!!! Valha-me Deus !!!

Claro que assumir uma posição de humildade reconhecendo o erro cometido, exigiria do Lula uma grandeza de caráter, que, absolutamente, não integra sua personalidade. Assim, o que é muito provável, resistirá à pressão legítima do governo e povo italianos, mantendo a decisão de Tarso. Contudo, é bom saber que, tal decisão, importará em prejuízos sem conta para o Brasil. Lá fora, estampou-se a verdadeira face de Lula e, o que é pior, serviu para colocar uma pecha nos "brasileiros” que serão, no fim, os que arcarão com o prejuízo da besteira cometida de forma tão insana. A teimosia, neste caso, não tem nada de soberana. Pelo contrário: ela demonstra, com inteira clareza, de que lado do mundo o Brasil pretendeu se colocar. Chutamos o pau da barraca, e se alguma ilusão ainda este governo nutria quanto a pertencer ao G-8 ou até ao tal Conselho de Segurança, é bom esquecer. A agressão, reiteramos, não apenas foi contra a democracia e a justiça italianas, foi contra todo povo italiano, que sofreu barbaramente com os movimentos terroristas da década de 70 e, a muito custo, conseguiu enfrentar e superar. Assim, eles tem inteira razão em se sentirem agredidos e traídos por uma parceiro de quem não esperavam tamanha afronta.

Brasil deve receber presos de Guantánamo, afirma ONG

Jamil Chade, Estadão

O Brasil deveria oferecer ajuda ao presidente americano, Barack Obama, para fechar a prisão de Guantánamo. A recomendação é do diretor-geral da Human Rights Watch, Kenneth Roth. "Uma atitude como essa demonstraria o interesse do Brasil em resolver problemas globais. A responsabilidade de ajudar é de todos", afirmou o diretor de uma das principais entidade de defesa dos direitos humanos no mundo.

No total, o governo americano estima que precisará encontrar um destino para cerca de 60 presos de Guantánamo para fechar o centro de detenção. "Esses prisioneiros seriam menos perigosos que os demais, mas não podem voltar a seus países de origem, pois correriam o risco de tortura e mesmo assassinatos", afirmou Roth, que apresentou na sede da ONU o relatório anual de sua entidade. Na Europa, os governos debatem receber os prisioneiros. Mas a Human Rights Watch alerta que a responsabilidade de ajudar o novo governo americano não deve vir apenas dos europeus.

"Uma iniciativa do Brasil de receber alguns dos prisioneiros seria uma grande jogada para elevar o status da política externa brasileira, que em termos de direitos humanos tem se mostrado lamentável", disse. Para ele, a política externa do Brasil não tem sido consistente em relação aos direitos humanos. "O Brasil tem optado por decisões que surpreenderam, ao apoiar alguns governos pouco democráticos nos órgãos internacionais", afirmou. No Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Brasil vem tomando uma postura de aproximação à África e outros países emergentes.

Roth alerta que países como Uruguai, México, Chile e Costa Rica tem tomado uma postura diferente "e mais coerente com os princípios internacionais". Ele alerta que não será apoiando países emergentes, incondicionalmente, que o Brasil conseguirá um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. "O Brasil apenas conseguirá um posto no Conselho de Segurança se mostrar compromisso com direitos humanos, e não tentando agradar países", completou Roth.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Vocês acham absurdo a possibilidade do Brasil aceitar acolher algum dos terroristas presos em Guantánamo? Não é não! Partindo deste governo, o mais absurdo dos absurdos sempre será possível. O lixo moral dos outros, encontra aqui um paraíso. Ficarão livres de prestar contas à justiça por seus crimes e, principalmente, pelas mortes provocadas por seus atos. Um governo que não respeita sua própria democracia é passível de qualquer barbaridade, até trair amigos, apenas pelo prazer de deliciar-se no poder que concentra. Assim, é valioso o comentário do jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog:

ACREDITEM: O RISCO EXISTE!
Desde o dia em que Tarso Genro concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, os leitores têm ironizado: “Por que Lula não se oferece para receber os terroristas de Guantánamo?” Pois é... Estamos por um fiozinho... Sabem o que é pior? Parte da crítica de Kenneth Roth está mesmo correta. O Brasil, como já apontei aqui dezenas de vezes, tem-se comportado de maneira lastimável nos fóruns internacionais. Não há ditadura que não conte com o nosso apoio entusiasmado. Mas aí o tal Roth teve uma idéia genial para o país se redimir: dando abrigo a terroristas. Pensando bem, por que não, certo? Alguns a mais, alguns a menos, hão de pensar, tanto faz...

Lula falou ontem com Obama. No cardápio, a retomada da Rodada Doha, a vinda do presidente americano ao Brasil etc. Guantánamo é um pepino e tanto para Obama. Sim, ele vai ter de se livrar daquela prisão, mas o destino dos terroristas é um problema. Submetidos às leis americanas, serão soltos; devolvidos a seus países, serão mortos... Alguns países da Europa demonstraram alguma disposição de recebê-los, mas não muita...

EU NÃO TENHO DÚVIDA, POR MAIS EXÓTICO, ESTÚPIDO E INACREDITÁVEL QUE PAREÇA, QUE O GOVERNO LULA NÃO VERIA GRANDE PROBLEMA EM SE OFERECER PARA RECEBER ALGUNS FACÍNORAS EM TROCA DO APOIO DOS ESTADOS UNIDOS À AMPLICAÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU, COM A ADMISSÃO DO BRASIL.

Segundo Roth, seria um jeito de o país demonstrar que, de fato, está preparado os grandes embates mundiais.

Nunca antes nestepaiz...

Nunca antes nestemundo...

Arrecadação federal atinge recorde de R$ 701 bi em 2008

Agência Reuters

O governo federal arrecadou R$ 66,229 bilhões em impostos e contribuições em dezembro, o que elevou para um valor recorde de R$ 701,403 bilhões o volume arrecadado em 2008, de acordo com dados divulgados pela a Receita Federal nesta terça-feira.

O valor arrecadado em 2008 foi 7,68% maior que no ano anterior, quando atingiu R$ 651,371 bilhões. Os valores são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em dezembro, a arrecadação foi 20,67% maior que a registrada em novembro, quando a Receita apurou a primeira queda mensal. Na comparação com dezembro de 2007, quando foram arrecadados R$ 69,506 bilhões, houve recuo de 4,71%. Apesar dessa queda, a arrecadação mensal obtida em dezembro foi a maior de 2008.

Para o secretário-adjunto da Receita Federal Otacilio Cartaxo, o resultado foi "auspicioso", já que a arrecadação dos meses de novembro e dezembro foi prejudicada pela crise financeira global.

"Foi uma arrecadação extremamente positiva. Para um ano de crise, não poderia haver melhor resultado", disse Cartaxo. "Os setores mais afetados, como em toda a crise, foram o automotivo e o de linha branca."

Impulsionado pela arrecadação dos tributos associados à venda de ativos com lucro, como o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Pessoa Física e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a arrecadação das receitas federais registrou forte crescimento entre janeiro e outubro.

Nos últimos dois meses de 2008, a arrecadação desses três tributos caiu 22,73% em relação ao mesmo período de 2007, para R$ 15,684 bilhões. Já o recolhimento dos demais tributos administrados pela Receita cresceu 0,3%, para R$ 103,405 bilhões.

Mesmo assim, a Receita Federal apurou alta na arrecadação desses três tributos no acumulado do ano. De janeiro a dezembro de 2008, essa arrecadação cresceu 16,22% na comparação com 2007, para R$ 136,716 bilhões.

Já a arrecadação dos demais tributos subiu 4,66% no ano passado ante o ano anterior, somando R$ 538,613 bilhões.

"Os meses de novembro e dezembro acusam exatamente os decréscimos decorrentes da crise financeira", comentou o secretário-adjunto da Receita Federal.

Segundo ele, a crise também foi evidenciada pela queda da arrecadação de Cofins e PIS/PASEP em dezembro. A redução foi de 5,39% em relação ao último mês de 2007, para R$ 12,187 bilhões.

"A Cofins incide sobre o faturamento e reflete a produção de todos os setores da economia", explicou.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Tão logo os números de desemprego se acentuaram, tanto Lula quanto seu ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se apressaram em acusar os empresários.Lupi inclusive recebeu do presidente da FIESP, Paulo Skaff, um desafio que até não cumpriu.

Pois bem, o governo critica o desemprego dizendo que as empresas ganharam muito dinheiro, e questiona onde foi parar o dinheiro. Resposta para Lula e Carlos Lupi: cerca de 38,0% de tudo o que os empresários ganharam estão nos cofres do próprio governo, cujos recordes de arrecadação foram históricos, conforme a notícia acima. Outra parte, fizeram investimentos por acreditar no Brasil, contratando mais mão de obra. E outra parte, foram para bancar os custos de produção. As sobras, e nem foram tantas, tiveram que amargar o pagamento dos juros mais altos do planeta, os quais são fixados pelo próprio governo. Em contrapartida, os empresários e o país como um todo perguntam: e o governo, que nunca arrecadou tanto como nos últimos anos, o que fez com a dinheirama se a saúde, educação, estradas e segurança estão cada dia piores?

Assim, antes de cobrar qualquer coisa dos empresários, deveria o governo cumprir com a tarefa que lhe foi delegada pela Nação, isto é, governar com seriedade, investindo o dinheiro que toma da sociedade, de forma escorchante e em volumes cada mais elevados, em benefícios da própria sociedade. E, em segundo lugar, prestar contas do que faz com o dinheiro. E, em terceiríssimo lugar, ter um pouco mais de respeito com quem lhe sustenta. E podemos dizer isto passando levemente os olhos por alguns dos gastos que não se coadunam com o discurso. Inclusive, voltaremos a este tópico, gastos do poder público, num artigo específico, para exibir, um pouco, dos “mimos” com que as mesmas autoridades que cobram seriedade dos empresários, se agraciam, a si mesmos e aos seus eleitos.

Para o presidente ler(?) e meditar

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

POR ARROGÂNCIA E INSENSIBILIDADE, DESPERDIÇOU ENTREVISTA DE DUAS HORAS

A direção de jornalismo da ESPN teve ótima ideia: entrevistar o presidente Lula. Apesar do canal ser especializado em esportes e o presidente não ser especialista em nada, fala quase todo dia, “sou corintiano, torço mesmo".

Poderia ter sido uma ótima entrevista, foi prejudicada pela arrogância do presidente e sua mania de grandeza, “sou o melhor, sempre”.

Para não fugir do usual, que palavra, colocou a medalha olímpica “no peito”, e “a coroa de Louros” na cabeça, o que o deixou em posição ridícula.

Falaram sobre a Copa de 2014 e a ajuda do governo federal, Lula disse imediatamente: “Vamos ajudar como ajudamos a fazer o melhor PAN-AMERICANO DE TODOS OS TEMPOS”. Acrescentando: “Até hoje o povo do Rio está sendo beneficiado por esses investimentos, o equipamento está sendo utilizado pelo povo, que aproveita tudo, satisfeitíssimo.

Onde e quando Lula viu outro Pan-Americano? Se não viu (e não viu mesmo) como pode comparar? Na verdade usou os mesmos recursos da ditadura em 1970. Sentindo que a seleção brasileira ganharia a Copa, os generais não queriam que o triunfo fosse colocado como sucesso de João Saldanha, supostamente comunista.

Não podendo contemporizar, que palavra, demitiram João Saldanha. Sendo ditadores, faziam o que queriam, qualquer explicação seria uma tortura. (Para eles.) Mas a seleção era tão boa que ganhou, mesmo tendo o treinador substituído logo depois das eliminatórias. Mesmo sem o Saldanha, foi a maior vitória do Brasil em todos os tempos.

Tendo dito essa inverdade, mesmo a entrevista sendo no Planalto, um jornalista da ESPN rebateu na hora. (Respeitosamente é claro. Não sei o nome dele, do repórter, os outros dois eram Paulo Vinicius Coelho e João Palomino, excelentes.) Lula, surpreendido em ser contestado, respondeu completamente sem informação, teve que dizer: “Vou apurar, me dizem que todo o equipamento está à disposição”.

Não está. Se estivesse seria surpreendente, por se tratar de Nuzman e do ministro Orlando Silva. E o TCU, que deu prazo a eles para “se justificarem”, abandonou a fiscalização. Por quê?

Apesar de não ser subserviente, a entrevista não conseguiu sair do terreno da AUTOEXALTAÇÃO, que é a especialidade do presidente Lula. Como no passado já disse, “o meu governo é o melhor de toda a história, juntando os outros”, decidiu usar o mesmo truque. (Truque?)

E se considerou “pé-quente e grande analista”, como fez questão de deixar explicado e explicitado. Textual: “A melhor exibição da seleção brasileira do Dunga foi contra o Chile, depois da minha afirmação de que a seleção teria grande atuação, estava devendo”.

Aí, por gozação ou por equívoco jornalístico momentâneo, alguém disse: “Então, presidente, o senhor devia falar mais vezes, na véspera de jogos da seleção”. Lula mostrou toda a satisfação, EMBASBACADO, a palavra exata para definir o homem, a análise e a arrogância.

PS - Jornalisticamente, vitória para a ESPN. Analisada por todos os ângulos, derrota insofismável de Lula. Um presidente não pode “utilizar” duas horas da televisão para não dizer nada.

Subsecretário defende anulação de amistoso Brasil-Itália

O subsecretário italiano das Relações Exteriores, Alfredo Mantica, afirmou que "é preciso levar em consideração a hipótese de anular o amistoso" entre Itália e Brasil, em virtude da tensão entre os dois países causada pela decisão brasileira de conceder refúgio político a Cesare Battisti. As informações são da agência de notícias Ansa.

"Acredito que precisamos levar seriamente em consideração a hipótese de anular o amistoso da Itália com a seleção brasileira. Com a situação atual entre Brasil e Itália, corre-se o risco de transformar um espetáculo esportivo em uma discussão política", disse Mantica.

A partida está programada para ocorrer no dia 10 de fevereiro, em Londres, e Dunga, técnico da seleção brasileira, já anunciou a escalação do time.

A possibilidade de anulação da partida já havia sido considerada anteriormente no último sábado pelo dirigente regional do partido italiano Aliança Nacional (AN) Carlo Fidanza, que pediu o boicote ao jogo à Federação Italiana de Futebol (FIGC), enquanto participava de uma manifestação realizada em Milão em repúdio a decisão do governo brasileiro.

Para Mantica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "continua colocando em discussão a democracia e o sistema jurídico italiano".

"Acreditamos que Battisti é um terrorista comum que não necessita do status de refugiado", disse o subsecretário, apoiando também a decisão do chanceler italiano, Franco Frattini, de chamar o embaixador do país no Brasil, Michele Valensise, para consultas.

A decisão de conceder refúgio político a Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália por quatro homicídios e solicitado por esse país, foi tomada pelo ministro da Justiça Brasileiro, Tarso Genro, no último dia 13. Ontem, o procurador Antonio Fernando de Souza, recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do pedido de extradição.

Técnico italiano evita comentar
O técnico da seleção italiana de futebol, Marcello Lippi, afirmou nesta terça-feira que "o presidente (da Federação Italiana de Futebol, Giancarlo) Abete é quem deve dizer algo" sobre a proposta feita por um político do país de anular o amistoso contra o Brasil, marcado para o próximo dia 10. O cancelamento do jogo foi proposto pelo subsecretário italiano das Relações Exteriores, Alfredo Mantica, esta manhã. As informações são da agência de notícias Ansa.

Itália convoca embaixador no Brasil
A Itália convocou nesta terça-feira seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, para consultas após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ter se recusado a extraditar Cesare Battisti, ex-militante italiano considerado terrorista por Roma.

"Depois da séria decisão tomada no caso Battisti pelo Procurador-Geral da República, o ministro de Relações Exteriores (italiano), Franco Frattini, decidiu convocar a Roma para consultas o embaixador no Brasil, Michele Valensise", informa um comunicado do ministério de Relações Exteriores italiano.

Na segunda-feira o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do processo de extradição de Battisti, pedido pela Justiça italiana.

No dia 13, o Brasil concedeu status de refugiado político a Battisti, que foi condenado pela Itália por assassinatos cometidos nos anos de 1970. De acordo com o procurador brasileiro, assim que o status é concedido, todos os pedidos de extradição são automaticamente rejeitados.

A Itália considera uma "decisão grave" o fato de Souza, se mostrar favorável à extinção do processo.

"É uma decisão muito grave porque (as autoridades brasileiras) tinham anunciado uma reconsideração, uma reflexão mais profunda" declarou o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, na nota de imprensa.

Segundo o ministro, o Brasil é um "grande país, amigo da Itália desde sempre", e por isto o governo italiano não esperava este comportamento das autoridades brasileiras, daí a "gravidade" de sua reação.

A chamada para consultas de Valensise era uma possibilidade que o governo de Silvio Berlusconi já considerava há alguns dias, apesar de as autoridades italianas ainda esperarem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconsiderasse a decisão tomada pelo ministro da Justiça Tarso Genro.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Sou visceralmente contrário que problemas políticos resvalem para o terreno desportivo. Contudo, é preciso considerar na proposta italiana que:

a.- Quem feriu a soberania de uma nação amiga foi o Brasil e não há porque aventar soberania quando se ignorou a democracia italiana (mais antiga do que a brasileira), confundindo ataques de terroristas e bandidos num determinado momento da história daquele país como “regime de exceção”. Naquele período a Itália continuou tão democrática como é hoje. O regime permaneceu tão legal como ainda é nos dias de hoje. É bom saber que tais terroristas pretendiam era golpear o estado de direito para instalarem naquele país uma ditadura comunista.

b.- O Brasil também passou por cima do sistema judiciário da Itália onde Battisti foi julgado e condenado por duas ocasiões. Também vale lembrar que, conforme se viu na reportagem da VEJA aqui reproduzida no domingo, Battisti, ao contrário do que se diz, teve, sim, amplo direito de defesa, e as acusações sobre ele tiveram mais de uma testemunha, e não uma só, conforme se tenta impor na opinião pública, tendo uma delas cumprindo plena inclusive.

c.- Conforme informamos aqui ontem, tarso Genro confundiu o status de “asilado político” com o de “refugiado político”. No estado de direito democrático não se concede refúgio político para criminoso comum condenado à prisão.

d.- Quanto a partida por ser amistosa, pode sim ser cancelada, até porque a própria visita de Lula à Itália prevista para março próximo corre risco de ser cancelada ou adiada.

e.- O inadmissível , no caso presente, tanto quanto já ocorrera com o colombiano Padre Medina, terrorista da FARC, é a intervenção estúpida do ministro da Justiça em processos de extradição abertos e sob o julgamento do Poder Judiciário, o que também se pode considerar uma afronta e a inadequada intromissão de um Poder nos limites de ação de outro poder, além, é claro, de acolher no país terroristas e assassinos em países democráticos, e negar refúgio ou asilo para atletas que tentavam fugir de regimes ditatoriais como no caso dos pugilistas cubanos devolvidos às pressão para o sanguinário Fidel Castro.

f.- Assim, cabe à Itália tomar tomas as medidas que estiver ao seu alcance para reaver um criminoso condenado e fugitivo para que pague o seu dever para com o povo italiano. Além de já ter chamado de volta seu embaixador no Brasil, o que nos meios diplomáticos uma atitude extrema de desagrado, pode sim pressionar pelo cancelamento do jogo amistoso como também pelo adiamento da visita de Lula à Itália por considerá-lo persona non grata.

g.- É bom o governo refletir melhor sobre este conflito, porque na Itália vivem, trabalham e estudam milhares de brasileiros, os quais poderão alvo da revolta da população daquele país.

Se o governo Lula pretende impor a presença brasileira nos fóruns internacionais que reúnam e congregam nações desenvolvidas é bom saber que a condição primeira é comportar-se com respeito e seriedade em relação aos países destes blocos, principalmente aqueles em que o estado de direito democrático é vigoroso. E, internamente, respeitar os limites que demarcam a ação de cada poder da república constituído. Não tente imitar os caudilhos retrógrados e ignorantes da América Latina., porque, do contrário, levará chute no traseiro até a aprender a se comportar como gente decente e adulta.

Em xeque a tranquilidade externa?

Estadão

No ano passado, a contribuição do balanço de pagamentos para as reservas brasileiras foi negativa em US$ 2,9 bilhões, enquanto em 2007 havia sido positiva em US$ 87,4 bilhões. É um fato que suscita preocupação.

Com um déficit em transações correntes de US$ 28,3 bilhões, o maior desde 1998, tem-se a impressão de que o ano passado marcou o ingresso numa nova etapa das contas externas do País, depois de anos de tranquilidade nessa área.

É claro que a crise financeira internacional teve grande responsabilidade pelo problema, embora, até agosto, já se registrasse um déficit em transações correntes de US$ 20,6 bilhões. É possível dizer que o Brasil, antes da crise internacional, já viesse pagando o preço pela fase de prosperidade da sua economia, sem falar da política do governo de dar prioridade ao aumento artificial do consumo, via crédito.

O superávit da balança comercial teve redução de 38,7% porque as exportações cresceram 6,6%, enquanto as importações aumentavam 43%. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), de US$ 44,4 bilhões, é que foram excepcionalmente elevados, atraídos por um mercado interno em expansão. Mas a contrapartida foram as remessas de lucros e dividendos, de US$ 34,4 bilhões, com aumento de 50,1% em relação ao ano anterior, enquanto as despesas com serviços cresciam 26,7% (33,5% no caso das viagens para o exterior).
Os investimentos em carteira, antes da crise, foram atraídos pelos altos rendimentos oferecidos no Brasil, mas houve uma retirada volumosa depois que ela eclodiu, responsável pela queda de 63,9% no saldo da conta financeira, que em anos anteriores dera valiosa contribuição para o balanço de pagamentos.As perspectivas para 2009 não parecem nada tranquilas. O Banco Central (BC) prevê, hoje, um déficit em transações correntes de US$ 25 bilhões neste ano, menor, portanto, do que o de 2008. Mas em janeiro de 2008 o BC previa um déficit de apenas US$ 3,5 bilhões para o ano...

Na sua previsão de agora, o BC parte de um superávit comercial de US$ 14 bilhões, mas os dados de janeiro não estão confirmando essa previsão, pois há déficit em cada semana. A conta de juros pode diminuir, pois está difícil obter empréstimos externos, mas os dividendos continuarão elevados, mormente se os IEDs crescerem de novo.

A maior dificuldade será financiar o déficit, em face de um mercado internacional de crédito muito fechado.

ENQUANTO ISSO...

Governo federal discute redução de burocracias
Folha de São Paulo

Servidores públicos federais passarão a receber dois bônus salariais se cumprirem metas de desempenho estabelecidas pelo governo ou se conseguirem cortar despesas.

A medida faz parte de proposta que o Ministério do Planejamento prepara para reduzir a burocracia nos órgãos públicos.

O projeto também inclui o fim da autenticação de documentos e do reconhecimento de firmas.

Enquanto isso...

Governo cria barreira contra importações
Guilherme Barros, Folha de São Paulo

Ministério do Desenvolvimento impõe exigência de licença prévia a quase todos os produtos e retoma política abandonada nos anos 90.

Nova medida burocrática pode atrasar importação em até 60 dias; ministério afirma que a intenção é realizar acompanhamento estatístico.

Em uma decisão que pegou de surpresa as empresas de comércio exterior, o governo passou a adotar desde ontem uma série de barreiras não-tarifárias ao ingresso da grande maioria de produtos importados. Na prática, a medida significa a volta do sistema de controle das importações adotado pelo país nas décadas de 70 e 80, quando o Brasil era um pequeno exportador e importava 80% do petróleo que consumia.

O que mais chamou a atenção foi a forma com que o governo comunicou a decisão ao setor. Em vez de uma portaria ou uma comunicação formal, o Ministério do Desenvolvimento anunciou a nova medida por meio de uma nota publicada na sexta-feira passada no Siscomex, o sistema usado para controlar o comércio exterior.

A nota no Siscomex informa que será exigida a partir da data de ontem a apresentação da licença de importação prévia, a chamada LI, para quase todos os produtos que entram no país. A lista é ampla e abrange praticamente toda a pauta de importações do país: produtos de moagem (trigo), plásticos, cobre, alumínio, ferro, bens de capital, material eletroeletrônico, autopeças, automóveis e material de transporte em geral, entre outros.

A exigência da LI tinha sido abolida no país nos últimos anos. A importação era praticamente automática. A única exigência era de uma declaração de importação (DI), que era feita pelo próprio importador, apenas para efeitos estatísticos.

Já as LIs podem demorar até 60 dias para serem concedidas pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e se assemelham muito às guias de importação da época da Cacex (Carteira de Comércio Exterior), o órgão que era responsável pelo controle da entrada de produtos no país nas décadas de 70 e 80. A Cacex foi extinta em 1990 e, desde então, o Brasil sempre tem atuado no sentido de liberalizar o comércio exterior.

De acordo com o que a Folha apurou, a medida adotada pelo Ministério do Desenvolvimento não conta com o apoio dos técnicos da Fazenda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá se reunir hoje com o ministro interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, para discutir a decisão.

No início da noite de ontem, a assessoria do Ministério do Desenvolvimento ligou à Folha para informar que o objetivo da medida foi fazer um "acompanhamento estatístico" de uma série de produtos importados pelo país, e as importações barradas ontem seriam liberadas rapidamente.

A decisão de barrar as importações com a adoção de medidas burocráticas demonstra, no entanto, uma preocupação evidente do governo com a acentuada desaceleração das exportações brasileiras no início deste ano.

Segundo a Folha apurou, o governo chegou a promover reuniões na semana passada com o objetivo de estudar medidas para reverter o quadro, entre elas adotar algumas barreiras à importação.

O Ministério do Desenvolvimento pode ter até se precipitado e exagerado na dose e, por isso, poderá ser obrigado a voltar atrás, mas a medida não deixa dúvidas de que o governo está preocupado com a deterioração da balança comercial.

Ontem foram divulgados os números da balança comercial de janeiro até a semana passada. Pela terceira semana consecutiva, a balança registra déficit. Até o dia 25, o saldo negativo chegava a US$ 645 milhões.

Nesse mesmo período, as exportações somaram US$ 7,5 bilhões, uma queda de 21,8% em relação ao ano passado. Já as importações totalizaram US$ 8,2 bilhões, uma queda de 8,8% em relação a 2008.

Segundo o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, o déficit de janeiro ficou bem acima das previsões. Ele mesmo esperava um pequeno superávit, mas isso não justifica a adoção pelo Brasil de medidas protecionistas, segundo ele, já que o país possui reservas de US$ 202 bilhões, mais do que suficientes para cobrir esse déficit.

De acordo com Castro, até se esperava que essas medidas fossem adotadas por alguns países, como a Argentina e o Equador, mas nunca pelo Brasil. Ele teme que, a partir dessas medidas, os outros países adotem medidas de retaliação contra a exportação brasileira. "Essa medida significa uma mudança significativa de rota da política de comércio exterior do Brasil", afirma.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Pesquisa realizada pela CNI/Ibope em dezembro último sondou a percepção dos brasileiros sobre o peso da burocracia e concluiu que a maioria tem grande dificuldade para conseguir a emissão de documentos, abrir e fechar uma empresa, cumprir exigências legais, aprovar um crediário e obter direitos sociais.

No topo da lista dos procedimentos considerados mais difíceis está o pedido de aposentadoria ou pensão ao INSS, seguido da abertura e fechamento de uma empresa e dos trâmites para tirar carteira de motorista, licenciar ou transferir um veículo.

Entre os dois mil entrevistados pelo Ibope, 61% disseram que o pedido de aposentadoria ou pensão é muito difícil ou difícil, enquanto apenas 15% qualificaram esse procedimento como fácil ou muito fácil.

A pesquisa foi feita em 141 municípios do país com cidadãos de mais de 16 anos, em dezembro - antes, portanto, da implantação do novo sistema para agilizar as concessões de aposentadorias.

Mas o que causa espanto é a capacidade deste governo de anunciar, num mesmo dia, duas medidas conflitantes. Claro que o volume de importações é preocupante na medida em que as contas externas se deterioram com a vertiginosa queda das exportações. Mas quem promoveu a política não foi o próprio governo? Claro que, diante da crise, o protecionismo ganhará novo impulso. Mas, no caso da licença de importação, por que o governo agiu de forma tão sorrateira? O que estão tentando esconder? Por que este governo teima em agir com total falta de transparência, quando seu dever número um para com a nação é prestar contas de todos os seus atos?

Irmão gêmeo

Xico Graziano, Estadão

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) comemorou 25 anos. Para alguns, elogios. Outros, duras críticas. Afora o julgamento de valor, cabe analisar a origem da polêmica entidade. Como surgiram os invasores de terras?A história vem antes do golpe militar de 1964. A criação do aguerrido movimento coincide com o conflito agrário da Fazenda Sarandi, localizada no norte gaúcho. Desapropriada, porém não indenizada, pelo governador Leonel Brizola, aquela área permaneceu muito tempo ocupada por centenas de posseiros. Barril de pólvora.

Sem solução fundiária, o tempo passou. Quinze anos depois, em 1979, duas glebas da antiga fazenda (Macali e Brilhante) foram definitivamente tomadas pelos camponeses. Logo depois, ergueu-se enorme acampamento na Encruzilhada Natalino, ali perto, à beira da rodovia estadual, onde permaneceram mobilizadas centenas de famílias. Nesse efervescente caldo, mistura de miséria com ideologia, germinou o MST.

Organizado formalmente somente em 1984, em congresso nacional realizado no Paraná, a nova organização arregimentou aquele povo para invadir, definitivamente, toda a Fazenda Sarandi. Na leitura política da sociedade, um movimento de massa, com forte apoio da opinião pública, vencia o carcomido latifúndio. Vitória dos novos tempos.

Ruía, na mesma época, a ditadura militar. No processo da redemocratização do País, após dura repressão, a luta pela reforma agrária ganhava fôlego. Todas as correntes de oposição ao regime, unidas, abriam espaço para a contestação da velha estrutura de poder no campo. Esse privilegiado contexto político favoreceu o viço do MST.

A nova entidade nasceu rachando com a Contag, a poderosa e tradicional Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. Dominada pelos comunistas desde 1968, ela capitaneava a luta sindical no campo. O rival político expressa uma importante divergência ideológica na esquerda brasileira.

Há um importante detalhe. Antes do MST, dentro da Igreja Católica se constitui, em 1975, a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Sem a CPT não se entende o MST. São os corajosos bispos católicos de esquerda que lideram os movimentos camponeses de contestação, do Bico do Papagaio, no Araguaia, à colônia gaúcha. A Teologia da Libertação engendrou a raiva contra a terra ociosa.Nessa articulação da esquerda católica se agrupam variadas tendências políticas que nunca aceitaram a supremacia do antigo Partido Comunista. Aqui reside o berço contestatório do futuro Partido dos Trabalhadores. O MST é irmão gêmeo do PT.

Como andava a agricultura brasileira nessa época? Sofria profunda transformação. Incentivada pelo então recém-criado Sistema de Crédito Rural, a agropecuária entrava na onda da "revolução verde". Novas relações de trabalho expulsavam moradores da roça, acelerando o êxodo rural. O capitalismo brasileiro, em resumo, penetrava no campo.

A dolorosa modernização tecnológica, cujo ganho de produtividade rural, obviamente, auxiliava a industrialização, destruía antigos lares na roça, trocando-os pelas horrendas favelas da cidade. Hordas de "sem-terra" perambulavam pelo País, excluídos do progresso. Esse desemprego estrutural alimentou o sonho da reforma agrária.

Passados tantos anos, o que mudou? Primeiro, completa-se a transformação capitalista da agricultura. Os indicadores econômicos atestam, fartamente, que o antigo sistema latifundiário cede lugar à moderna produção agropecuária. Em 1970, o País cultivava 33,9 milhões de hectares, área que cresceu, em 2006, para 76,7 milhões de hectares. A safra nacional de grãos, no início dos anos 1980, beirava os 50 milhões de toneladas; na última colheita atingiu 142 milhões.Hoje, ao contrário daquela época, falta mão-de-obra para trabalhar no campo. O desemprego brasileiro mora agora na cidade. As famílias migrantes fixam raízes na ribalta do asfalto. Pouco encanta os seus filhos o árduo trabalho na poeira do sol. Um problema mundial.

Em segundo lugar, firma-se a democracia na Nação. O Estado Democrático de Direito substitui o regime de exceção. Partidos políticos funcionam às claras e o Congresso Nacional, mesmo cheio de mazelas, atua com transparência. Livre trabalha a imprensa e a sociedade respira a liberdade. Que bela diferença.

Terceiro, bem ou mal, desde aquela época cerca de 1 milhão de famílias tiveram acesso à terra, no processo de reforma agrária. Perto de 70 milhões de hectares foram distribuídos nos assentamentos rurais. O problema agrário mudou. O drama, agora, afeta o "com-terra", pois carece garantir renda, e qualidade de vida, aos novos agricultores.

Ao comemorar 25 anos, o MST enfrenta grave dilema. O bonde da história exige sua mutação. É impossível manter sua ideologia e preservar seus métodos num mundo diferente daquele que o criou. Por essa razão, há tempos o MST constrói a fábrica de sem-terra na periferia urbana. Nem isso, porém, funciona mais. O emprego e o Bolsa-Família tomaram o lugar da arruaça.

De início, para enfrentar a ditadura, ou na inépcia do governo, valia bancar o revolucionário. Mas, hoje, brandir foices soa obsoleto; destruir laboratórios, obscurantista. Perdido, o MST inventa assunto para segurar sua onda. Afirma que o agronegócio concentra a propriedade rural. Mentira. O último censo do IBGE indica que 68,2 hectares é a área média no campo. Em 1980 estava em 70,7 hectares.

No congresso que realizou em Sarandi, na semana passada, o MST proibiu a entrada de jornalistas em suas assembleias. Triste ironia. Quem combinava ações espetaculares para ocupar as manchetes agora cerceia a imprensa. O que esconde o MST?

(*) Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:


Sabem do que esta turma de bandoleiros do MST gostam mesmo? Dinheiro público, sem obrigação de prestar contas do que fazem, e, claro, aquelas regalias em que se deliciam os gigolôs politicos brasileiros. A foto abaixo diz tudo:



É ele mesmo: João Pedro Stedile. Processado em diversos estados do Brasil por incentivar invasões e depredar propriedade privada e pública, o dirigente nacional do Movimento dos Sem-Terra, João Pedro Stédile, não perde a mordomia: ele foi flagrado pelo jornal Diário do Pará, passeando na caminhonete Toyota, placa JVI 8046, do Instituto Chico Mendes, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Stédile está em Parauapebas (PA), onde se realiza o Fórum Social Carajás, e, surpreendentemente, não participou nem da abertura do evento nem da coletiva de imprensa. Mas não esqueceu de pegar carona com o chefe local do Ibama, que cedeu o carro.

E aí, alguma dúvida aí de que este governo é organizado para o crime e se consorcia com qualquer bandoleiro solto por aí, por inquebrantáveis laços de igual identidade ?

Remessas crescem, e contas externas têm 1º déficit sob Lula

Ney Hayashi Da Cruz,

O agravamento da crise financeira e a desaceleração da economia observada nos últimos meses não foram suficientes para frear o crescimento das remessas de lucros ao exterior feitas por multinacionais estrangeiras instaladas no Brasil. Segundo o Banco Central, essas operações responderam pela saída de US$ 3,146 bilhões do país em dezembro, o dobro do valor registrado em novembro.

Com isso, as remessas feitas ao longo de 2008 atingiram o valor recorde de US$ 33,875 bilhões -alta de 51% ante 2007. Os setores automotivo, metalúrgico e financeiro -que estão entre os mais afetados pela recente crise- foram os que mais enviaram recursos para suas matrizes no ano passado.
Esse movimento foi um dos principais fatores a explicarem a piora nas contas externas ocorrida em 2008. A conta de transações correntes -que considera o fluxo de bens e serviços entre o Brasil e outros países- teve um déficit de US$ 28,3 bilhões, valor que corresponde a 1,78% do PIB do período. Foi o pior resultado desde 2001, quando essa proporção ficou em 4,19%, e o primeiro déficit do governo Lula.

Para 2009, a projeção oficial é a de um déficit de US$ 25 bilhões, ou 1,75% do PIB. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a expectativa é que a alta do dólar ocorrida nos últimos meses ajude a manter o equilíbrio das contas externas.

Com o real desvalorizado, o lucro em dólar das empresas instaladas no Brasil tende a cair, o que, em tese, ajuda a reduzir o volume de remessas.Para a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif, a situação das contas externas como um todo não deve ser fonte de grandes preocupações neste ano, ainda que possa haver piora em alguns itens específicos, como a balança comercial. "O país vai continuar crescendo mais que o resto do mundo, fazendo com que as importações cresçam mais que as exportações. Então o saldo da balança deve continuar encolhendo."

Em 2007, a balança comercial teve superávit de US$ 40 bilhões. No ano passado, o saldo caiu para US$ 24,7 bilhões, e, para este ano, o BC projeta US$ 14 bilhões.

Na avaliação de Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, as remessas de lucros e dividendos ao exterior também devem perder força neste ano, o que ajudaria a compensar o menor saldo comercial.

"A situação [de 2008] obrigou as multinacionais a rasparem o fundo do tacho para mandar dinheiro para as matrizes. Provavelmente isso não vai se repetir."

Quando consideradas todas as entradas e saídas de capital externo registradas em 2008 -exportações, importações, investimentos estrangeiros, empréstimos externos, gastos com viagens internacionais, entre outros itens-, o saldo apurado pelo BC no balanço de pagamentos foi positivo em US$ 2,969 bilhões, forte queda em relação ao superávit de US$ 87,484 bilhões de 2007.

O resultado daquele ano, porém, havia sido inflado pelas elevadas compras de dólares feitas pelo Banco Central no mercado de câmbio, que são computadas como ingresso de recursos nas contas externas.

O Boi-Bumbá do Senado

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

No Maranhão, para nascer, maternidade Marly Sarney.

Para morar, vilas Sarney, Kiola Sarney ou Roseana Sarney.

Para estudar, escolas José Sarney, Marly Sarney, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Sarney Neto.

Para pesquisar, pegue um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior Universidade particular do Maranhão, que o povo jura que pertence também a José Sarney.

Para saber notícias, leia “O Estado do Maranhão”, ligue a TV Mirante ou as rádios Mirante AM e Mirante FM, todas de José Sarney.

Se estiver no interior, ligue uma das 13 repetidoras da TV Mirante ou uma das 35 emissoras de rádio, também todas do mesmo José Sarney.

Para saber das contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Sarney (recém-batizado com esse nome, apesar da proibição legal, o que no Maranhão não tem valor nenhum).

Para entrar ou sair da cidade, atravesse a ponte José Sarney, pegue a avenida José Sarney ou vá à rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas “maravilhosas” rodovias maranhenses e chegue ao município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá ao Fórum José Sarney, procure a sala de imprensa Marly Sarney ou a sala da Defensoria Pública Kiola Sarney.

Desde Calígula, quem sabe Nero, nunca se viu gente tão abusada.

E Sarney acha pouco. Agora, quer ser o Boi-Bumbá do Senado.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Investimentos de mentirinha

Adelson Elias Vasconcellos

Na semana passada, o governo do Grande Chefe, com a pompa e circunstâncias habituais, anunciou mais tres medidas “pontuais” para conter a “marolinha”. O que motivou tamanha preocupação? O desemprego assustador no País que, em dezembro, bateu todos os recordes negativos da história: mais de 650 mil. E, antes que isto pudesse afetar a popularidade do Grande Chefe, ele tratou de agir. Neste sentido, primeiro anunciou que o governo federal iria injetar 100 bilhões para ampliar a oferta de crédito às empresas. Depois, o Banco Central baixou um ponto percentual a taxa SELIC redução esta, conforme afirmamos, que chegava com atraso de pelo menos três meses. Em seguida, levou para Brasília reunião da direção da Petrobrás para discutir o plano de investimentos da Estatal que se anuncia em 176 bilhões para os próximos anos.

Sobre os juros já comentamos. Tivesse o governo acreditado na crise e, ao invés de ficar no discurso faroleiro tivesse agido como a ocasião estava a exigir e, muito provavelmente, o número de demitidos não teria sido tão amplo.

Agora, quero me fixar nos tais investimentos. Começo pela Petrobrás. Vocês hão de lembrar que, em 2007, em meio ao foguetório do lançamento do PAC, projetava-se investimentos na casa de mais de 500 bilhões em infra-estrutura, dos quais metade com recursos públicos, a outra metade com recursos privados. Da metade federal, mais de 50% seriam investimentos da própria Petrobrás que, com PAC ou sem ele, os faria de qualquer jeito por serem do próprio plano da empresa. Isto em números redondos, dava exatamente a mesma coisa de agora, ou seja, em torno de 200 bilhões. Se ninguém se deu conta, é bom recordar. O governo está enrolando o povo com conversa mole. Ora, em 2007, a estatal usaria recursos de seu próprio orçamento, contudo, o governo omitiu o detalhe de que não havia toda esta disponibilidade. Voltem lá atrás e vocês constatarão exatamente o que se diz acima.

Agora, como se nada tivesse acontecido, o governo vem anunciar novo plano bilionário de investimentos, só que desta vez, pelo menos 100 bilhões sairão, segundo o próprio anuncio, dos do Tesouro, ou seja, seremos nós,os otários, quem bancaremos a farra. Muito simples, não é mesmo?

Quanto ao PAC, bem, vocês sabem, quem estiver minimamente informado já leu em algum lugar, que o tal plano milagreiro está empacado e sem previsão de que o baile vá, um dia (quem sabe?), começar prá valer.

Então é isso, o governo anuncia planos bilionários dos recursos que expurga da Nação e depois empurra a conta para o colo da Nação. Entre um anúncio e outro, o dinheiro some na selva de “despesas correntes da União”. Na escola em que eu estudei a isto chamávamos de vigarice. Hoje, como os tempos são outros, eles apelidam a baboseira de “esperteza política”...

E vejam como esta turma adora uma demagogia cretina: nos investimentos anunciados da Petrobrás falou-se de pré-sal como já fossem favas contadas a exploração das reservas que não passam de estimativas, e sem ter desenvolvido sequer uma tecnologia, pelo menos economicamente viável, para a extração de óleo e gás daquelas profundezas.

Também se fez anúncio outro “bombástico” pacote de investimentos, desta vez pelo BNDES. Encheram a boca com 100 bilhões a serem captados mediante emissão de títulos do Tesouro (de novo!), sem que se dessem maiores detalhes, a não ser de que os investimentos serão direcionados para projetos geradores de emprego. E, aproveitando a janela, o ministro Mantega informou que os tomadores dos empréstimos deverão declarar a geração dos empregos.

Não sei em que mundo o ministro Mantega imagina viver. Qualquer financiamento à industria, sejam em bancos estatais ou privados, você, no projeto básico, às vezes na própria Carta-Consulta, é obrigado a declarar o número de empregos que irá gerar e seu custo total. Faz parte indispensável do estudo de viabilidade econômica. E não importa se o agente financeiro seja do país ou do exterior. A exigência está lá. Alguns órgãos financiadores chegam, inclusive, a exigir que você declare quais cargos e a quantidade de vagas que serão criados para cada um deles, com a especificação dos salários. Sendo o ministro Mantega um economista, ele deveria conhecer este detalhe. Portanto, esta baboseira de que os financiamentos serão concedidos apenas para projetos geradores de empregos, sequer precisaria ter sido dita, já que todo o projeto industrial é gerador de emprego na sua própria essência e sua demonstração é uma exigência corriqueira.

Contudo, o ministro não explicitou quais outros critérios serão cobrados para que os candidatos a repartirem o bolão sejam agraciados, nem também definiu os encargos financeiros que serão cobrados. E é aqui que mora o perigo. Porque, com tanto dinheiro voado em seu caixa, o BNDES poderá usar aqueles “critérios” políticos que a gente tão bem conhece, as tais contrapartidas que criam uma espécie de “caixa-preta” em benefício exclusivo para os amigos do rei... e quanto aos encargos financeiros para que sejam atraentes, deverão ser menores ao que se praticam atualmente no mercado, os quais são teleguiados justamente pela taxa SELIC, que é fixada pelo próprio governo. Assim, tais encargos ou serão subsidiados e, neste caso, serão menores do que as taxas com as quais o governo remunera seus títulos, ou ninguém se interessará em assinar seu atestado de óbito. Mas, se tais encargos forem menores, quem arcará com o prejuízo, o BNDES ou o Tesouro Nacional, em última análise, o próprio contribuinte?

Anunciar pacotes bombásticos, investimentos bilionários, planos fantásticos de desenvolvimento que se converterão na salvação nacional é muito fácil. Dá IBOPE ou, ao menos, servem para manter a popularidade do Grande Chefe nas alturas. Mas, como vimos, de modo algum significa que o governo esteja de fato fazendo alguma coisa. Entre o anúncio e a concretização do que se promete, vai enorme e larga distância. Depois, fica fácil posar na foto: o Grande Chefe poderá alegar ter feito a parte dele, e se não deu certo, a culpa é sempre dos outros.

Na verdade, o que o governo do Grande Chefe deveria fazer, e que produziria muitos melhores resultados, seria conter a sangria de seus gastos correntes porque, desta forma, poderia abrir espaço para ou uma forte redução da carga tributária, ou a ampliação dos prazos de recolhimento de impostos, ou até, o que seria o ideal, as duas coisas juntas. Isto fortaleceria o capital de giro das empresas, que, neste caso, não teriam tanta necessidade de tomarem empréstimos. Menor procura significa que os bancos deveriam reduzir encargos para os produtos. Menor gasto, também, significa menor pressão sobre o Tesouro Nacional na emissão de títulos de dívida pública, o que contribuiria para redução de juros e, no médio e longo prazo, redução da dívida interna com maiores sobras em caixa para os indispensáveis investimentos públicos em infra-estrutura. Menor carga tributária e juros decentes internamente, soam como música aos ouvidos dos empresários e, no fundo, é isto que atrai investimentos.

Anúncio de mentirinha, apenas para sustentarem os benefícios políticos para a cabecinha coroada do Grande Chefe, convenhamos, num momento de crise, é o de que menos precisamos.