quarta-feira, agosto 01, 2012

Alpino e a promessa de Dilma para a Olimpíada de 2016


Dilma caminha por Londres e diz que Rio 'fará melhor'. Isso é o que veremos.


Daniela Milanese e Jamil Chade 
Agência Estado

Em passeio pela cidade, presidente disse que Brasil terá escola de samba na abertura

LONDRES - A presidente Dilma Rousseff decidiu caminhar pela cidade de Londres, na manhã deste sábado, depois de ficar presa no trânsito apenas alguns metros depois de sair do hotel em que se hospeda, ao lado do Hyde Park, na região de Kensington. Dilma passou pela avenida Park Lane, entrou no maior parque londrino, seguiu pela avenida Knightsbridge, onde passou na sofisticada loja de departamentos Harrods.

Jamil Chade/AE
A presidente Dilma Rousseff caminha por Londres

Na caminhada, de cerca de 50 minutos, Dilma comentou com jornalistas que gostou da cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres, na sexta-feira, mas acredita que o cerimonial brasileiro será melhor no evento de 2016, no Rio. "Gostei muito, mas vamos fazer melhor. Vamos chamar uma escola de samba e vamos abafar", disse.

Sobre a presença da ex-ministra Marina Silva no evento, convidada pelo Comitê Olímpico Internacional, sem o conhecimento do governo brasileiro, a presidente avaliou que não precisava ter sido informada. "É um orgulho para gente. Não sabia e não tinha que saber", afirmou.

Marina entrou carregando a bandeira com os anéis olímpicos juntamente com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o maestro argentino Daniel Barenboim e outras personalidades agraciadas com prêmios Nobel.

A presidente entrou na loja da National Geographic, que ficou fechada para o público por cerca de 15 minutos, enquanto realizava suas compras. Na saída, Dilma contou que comprou um globo terrestre e uma camiseta já que não encontrou documentários da BBC que estava procurando.

Dilma seguiu para a região de South Kensington até o Museu de História Natural, onde entrou no carro oficial de volta para o hotel. No trajeto falou e tirou fotos com brasileiros que a reconheceram. "Já tinha vindo para Londres umas 10 vezes, mas apenas uma para turismo", disse. 

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não tem jeito: o indivíduo pode ser vestir de ouro, ocupar os mais altos cergos em uma empresa ou mesmo exercer a mais alta função pública de um país, como é o caso de Dilma Rousseff. Porém, isto não lhe corrigie os maus modos, a grosseria, a falta de educação e até de respeito. A isto se chama EDUCAÇÃO. São as linhas que definem seu caráter e mildam seu caráter.

Dilma Rousseff, mesmo antes de se tornar presidente, sempre tido por grosseira. Achava e, na presidência acha mais ainda, que berro é sinal de liderança e autoridade. Pelo vontrário. Liderança verdadeira que se embute em uma autoridade, é a que se faz obedecer sem precisar recorrer à descortesia.

A dona presidente ainda estava em solo inglês, foi convidada e bem recebida pelo país que abriga a Olimpíada eque anatecede a que se realizará no Rion de Janeiro em 2016. Deveria, por todas estas razões demonstrar um pouco mais de bons modos, aprender com os erros e virtudes  do país anfitrião, e na medida do possível, tirar valiosas lições para que a Olimpíada no Brasil se realização com êxito total. 

Porém, ao invés de guardar as observações para si mesma, até por consideração ao país que a recebia, deixou-se levar de presunção e proferiu esta infeliz declaração. 

Já afirmei muitas vezes que as instalações no Rio de Janeiro não deve ser motivo de preocupação a não ser no plano financeiro. Por aqui obras públicas acabam superfaturadas além do limite do bom senso. O que deve nos preocupar é a organização dos jogos. E nisso, o Brasil não tem tido este sucesso todo para Dilma estufar o peito megalomaníaco e soltar a afirmação de que “faremos melhor”. 

Podemos até nos superar e realizar uma olimpíada exemplar, mas esta constatação deverá ser feita não por nós, mas por quem virá aqui para dela participar.  

Em resumo: Dilma Rousseff deu uma inequívoca demonstração de seu espírito provinciano e perdeu uma ótima oportunidade de ficar de boca fechada. 

Muito mais que descortês


Miriam Leitão
O Globo

As declarações do ministro Aldo Rebelo sobre o fato de a ex-ministra Marina Silva ter carregado a bandeira olímpica poderiam ser apenas mais uma exibição dos maus modos do ministro, ou de suas esquisitices.

Mas foi pior do que isso. Sua fala pública e a de outros nos bastidores mostram que eles confundem país com governo, o que é comum apenas em regimes autoritários. 

O mal estar gerado por algo que deveria ser visto como um motivo de orgulho foi mais significativo do que pode parecer. É autoritarismo o que está implícito na ideia de que só governistas podem representar o país, suas causas, suas lutas.

Era comum no regime militar essa mistura entre o permanente e o transitório, essa apropriação do simbolismo da pátria pelos governantes.

É também falta de compreensão do que é o espírito olímpico: a boa vontade que prevalece sobre as diferenças. Foi por isso que os escolhidos representavam o combate à pobreza, a luta por justiça, os pacificadores, o esforço de convivência entre povos, a preservação da Terra.

Quem o ministro gostaria que fosse o símbolo da proteção da floresta?

Ele e seu projeto de Código Florestal que permitia mais desmatamento?

Marina dedicou a vida a essa causa, desde o início de sua militância com Chico Mendes. Esse é um fato da vida.

“A Marina sempre teve boas relações com a aristocracia europeia. Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, disse o ministro dos Esportes.

Nisso revelou que desconhecia os fatos, as regras de etiqueta, a lógica da festa, o simbolismo da bandeira olímpica, o que o governo inglês pretendia com a abertura e até quem é responsável por organizar a festa. Obviamente, não é a Casa Real.

Isso é mais espantoso, porque o Brasil é o próximo país a receber uma Olimpíada e a preparação já está em andamento. Se essa pequenez exibida na declaração do ministro tiver seguidores, o Brasil fará uma festa governamental.

Outro integrante do governo comparou a escolha de Marina ao desfile de um trabalhista na frente de um governo conservador. A espantosa confusão não é exclusividade do ministro, é feita por outros graduados funcionários. Outros concordaram com essa canhestra interpretação.

A demonstração de desagrado do governo brasileiro foi tão evidente que o representante inglês se sentiu obrigado a lembrar aos jornalistas o óbvio: a escolha não foi política, porque este não é o momento.

O governo poderia interpretar os fatos como os fatos são. O Brasil é detentor da maior fatia da floresta com maior biodiversidade do planeta. É o segundo país em cobertura florestal do mundo. O primeiro é a Rússia, que não tem a mesma riqueza de espécies. Nem de longe. A escolha de uma brasileira demonstra esse reconhecimento de que, numa causa estratégica para o século XXI, o Brasil tem destaque.

Marina mostrou que tinha entendido exatamente o que tudo aquilo representou. Fez declarações delicadas e com noção da grandeza do momento. O incidente não é apenas uma descortesia à Marina, mas uma demonstração de falta de capacidade de compreensão do espírito olímpico por parte dos governantes do país que organizará a próxima Olimpíada.

Autoridades que falaram aos jornalistas, com o compromisso de não divulgação de seus nomes, explicaram por que estavam amuadas: não foram avisadas. Como a ex-ministra disse, os organizadores pediram que não divulgasse a informação. Ela fez isso.

Até a presidente Dilma deu uma nota fora do tom ao dizer que “o Brasil fará melhor" na festa de abertura. “Vai levar uma escola de samba e abafar”. A hora era de elogiar a festa de Londres e entender a complexidade da preparação da abertura de uma Olimpíada. Não basta chamar uma escola de samba.

Quem roubará a cena em 2016?


Paulo Sotero (*)
O Estado de São Paulo

Ainda em estado de enlevo após assistir ao belo espetáculo de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, fui trazido abruptamente à realidade pela manchete de um site brasileiro. A notícia dava conta de que a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva havia "roubado a cena" da presidente Dilma Rousseff, presente à festa, ao entrar no estádio carregando a bandeira olímpica na companhia de personalidades escolhidas por sua dedicação à causa da paz.

É evidente que a participação de Marina Silva na cerimônia nada subtraiu de Dilma nem de ninguém. Ao contrário, acrescentou uma presença virtuosa do Brasil na festa, na pessoa de uma mulher visionária, fundadora do Partido dos Trabalhadores, cujas biografia e trajetória política a projetaram no mundo. O fato de as propostas de Marina para os desafios do desenvolvimento sustentável serem rejeitadas como ingênuas e impraticáveis por muitos não diminui a importância de sua pregação de um modelo de crescimento que concilie a preservação do meio ambiente e da riquíssima biodiversidade brasileira com a exploração racional de nossas riquezas naturais e a expansão da produção de alimentos.

A notícia pôs-me a pensar no show que abrirá os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, daqui a quatro anos. Não será por falta de história, de personagens que habitam nosso imaginário coletivo e de senso de humor que deixaremos de brindar o mundo com uma celebração de encher os olhos e alegrar os corações. Somos um povo alegre e acolhedor. Temos nossos McCartneys e Rowllings, para não falar da maravilha de cenário que a antiga capital da República oferece para o evento olímpico, apesar de todos os pesares.

O tamanho e a complexidade do desafio certamente não intimidarão uma cidade que em todo carnaval se transforma em palco e plateia de um festival de operetas ambulantes, cada uma delas com milhares de personagens que se movimentam pontualmente com vigor e graça em meio a gigantescos cenários, numa demonstração de competência e talento que desmente a noção segundo a qual nosso povo é desorganizado. Sim, seremos constantemente avaliados nos próximos quatro anos pela forma como nos desincumbiremos do compromisso de aprontar as obras e os sistemas necessários para a Olimpíada. Assim como ocorreu antes dos Jogos de Londres, e de todos os anteriores, a imprensa levantará dúvidas - e é bom que o faça - sobre o andamento dos preparativos, a lisura dos contratos, o custo do empreendimento e se este valerá a pena.

Mas o dia chegará, em julho de 2016, quando tudo isso ficará no passado. Teremos, então, de ter decidido como usaremos a oportunidade única que a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos oferece ao país hospedeiro, sobretudo um país estreante nesse papel, para se apresentar ao mundo. O que contaremos sobre o nosso país ao mais de 1 bilhão de pessoas que assistirão a um evento imaginado como o début global de um Brasil emergente, quando, emocionados, comemoramos a decisão do Comitê Olímpico Internacional de dar ao Rio o privilégio de organizar os Jogos? Qual será o tom da festa? Somos bons na autoexaltação (temos até Praça da Apoteose), mas igualmente fortes na autocrítica, que às vezes descamba para a autoflagelação. A dificuldade, frequentemente ilustrada pela fala dos políticos, e não apenas a deles, é encontrar o meio-termo.

A cerimônia de Londres apresentou ao mundo a Grã-Bretanha pós-imperial misturando realidade e fantasia, História e cultura, passado, presente e futuro, tudo temperado com boas doses de humor britânico pelo diretor artístico do evento, Danny Boyle, com a ajuda da própria rainha, na cena com Daniel "James Bond" Craig. O quadro sobre a Revolução Industrial, talvez a maior contribuição da Grã-Bretanha ao mundo, retratou opressão e progresso. A cena em que enfermeiras apareciam cuidando de crianças, com a ajuda de dezenas de Mary Poppins caídas do céu, que causou perplexidade a um colunista brasileiro, celebrava, em tempos de austeridade e governo conservador, o Serviço Nacional de Saúde, uma instituição pública pela qual os britânicos têm enorme apreço e que se orgulham de exibir ao mundo. Boyle confirmou a mensagem política da cena: "Um dos valores centrais de nossa sociedade é que, não importa quem você é, todos recebem o mesmo tratamento em matéria de saúde".

Um comentarista brasileiro escreveu que gostou mais da abertura dos Jogos de Pequim, em 2008. Gosto não se discute. Mas o exemplo chinês é de pouca valia para nós. Somos, como os ingleses, ocidentais. Vivemos numa sociedade multirracial e democrática, sempre às voltas com crises e tropeços. Os Jogos de Londres começaram sob o impacto do agravamento da recessão econômica na Inglaterra e do indiciamento criminal de dois amigos pessoais do primeiro-ministro David Cameron, um deles seu ex-assessor de Comunicação, por causa de um escândalo produzido pela imprensa marrom - também uma instituição britânica. A economia e os nossos políticos não deixarão de nos dar desgostos semelhantes nos próximos quatro anos.

Mas chegará o dia de abrir os Jogos e contar ao mundo, num espetáculo de três horas, quem somos, de que e de quem nos orgulhamos como nação. Qual será o nosso enredo? Não nos faltam diretores talentosos. Com plena liberdade de criação, eles saberão exibir nossas virtudes e nossos desafios, celebrar a esperança que nos move e a diversidade étnica, cultural e política que motiva e dá força à transformação que o País vive há três décadas. Nesse enredo cabem os pobres e o Bolsa-Família, Machado de Assis e Paulo Coelho, as passistas do samba e a Lei Maria da Penha, Marina Silva e Blairo Maggi, a corrupção e a Ficha Limpa, a Emília e o Saci-Pererê. A alternativa é deixar-se pautar pela preocupação de evitar contrariedade em Brasília e permitir que nos roubem a cena.

* Jornalista, é Diretor do Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center For Scholars, em Washington

Olimpíadas: Até hoje, Barcelona é modelo a ser seguido


Exame.com
Beatriz Arcoverde, Agência Brasil

Cidade catalã, antes escondida no interior da Espanha, ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas esportivas

Getty Images
Barcelona: oportunidade que foi muito bem aproveitada, 
de acordo com Pere Alcober, presidente do Instituto de Esportes de Barcelona

Brasília - Barcelona esperou quase 70 anos para realizar suas Olimpíadas em 1992. Os Jogos haviam sido prometidos para 1924, mas o Barão de Coubertin, fundador das Olimpíadas Modernas, acabou optando por Paris para a sede daquele ano.

Mas a espera valeu a pena. A cidade catalã, antes escondida no interior da Espanha, ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas esportivas.

Uma oportunidade que foi muito bem aproveitada, de acordo com Pere Alcober, presidente do Instituto de Esportes de Barcelona.

“Durante os 20 dias dos Jogos Olímpicos tivemos uma oportunidade única, que não se sabe quando poderá se repetir. Essa oportunidade teria que servir para várias coisas. Uma delas é tentar fazer os melhores Jogos Olímpicos”.

Depois dos Jogos, a cidade se tornou reconhecida em todo mundo. Para Alcober, esse sucesso vai além da infraestrutura.

“A transformação da cidade ocorre na infraestrutura, nas moradias, vias, no aeroporto, o que é imprescindível. Isso é o tangível. Mas há outra troca, que é muito importante, que são os benefícios intangíveis, que vem a ser a autoestima da cidade, o reconhecimento de que temos um desafio e que juntos vamos assumir um objetivo e vamos fazer bem, para mostrar ao mundo que somos capazes de avançar, de nos consolidar nesse mundo globalizado”.

Orgulho 
O empresário Juan Martinez Palhares considera que as Olimpíadas foram importantes para a população de Barcelona, que passou a ter orgulho da cidade.

“Sem dúvida foram muito importantes para as pessoas que viviam em Barcelona, porque ficou um orgulho de que Barcelona estava presente em todo o mundo e vimos que não era uma coisa política, era uma coisa realmente feita para a cidade”.

Palhares explica que, além de a população aproveitar as melhorias feitas para os Jogos, a cidade passou a receber mais turistas.

“Tudo foi aproveitado: as telecomunicações, muitos hotéis e isso tudo nos permitiu avançar mais, organizar mais eventos, organizar mais férias, a cidade estava preparada para receber mais visitantes, já que a estrutura que havia sido feito era muito grande. Ainda bem que quem pagou foi o Estado e isso permitiu que os beneficiários fossem Barcelona e os barceloneses, que, de outra forma, não poderiam pagar”.

Valorização 
A economista Maria Consol diz que a maior transformação foi na infraestrutura.

“Depois dos Jogos Olímpicos, obviamente, a maior transformação que se pode ver, foi a infraestrutura. A cidade onde moraram os atletas, toda essa parte foi criada, com as praias, o novo porto, além de muitas outras coisas. Também tem o anel olímpico, que facilitou o transito”.

O empresário Palhares destaca que os apartamentos da Vila Olímpica foram vendidos a preços altos e a cidade toda sofreu valorização imobiliária.

“Toda a área de Barcelona se valorizou muito. Houve um disparo de preços tremendo, foi mais de 50%, porque a cidade ficou bonita, tendo cada vez menos áreas à disposição. E as pessoas queriam ir viver em Barcelona, porque deixaram a cidade muito linda”.

Criatividade 
O representante do Departamento de Marketing da Infraestrutura Olímpica, Joaquim Romero, explica que cerca de 1 milhão de pessoas visitam a área olímpica de Barcelona, inclusive o Museu das Olimpíadas de 1992. De acordo com ele, muita criatividade ajuda a manter o ginásio ocupado, local que pode receber até 18 mil pessoas.

“Aqui já foi feito de tudo, pista de neve, piscina para o mundial de natação, recebeu triatlon, enduro, windsurf e jet ski também, ginástica sobre gelo, corridas de carros. Já tivemos de tudo”.

O Estádio Palácio São Jorge recebe concertos e grandes jogos, mas ainda encontra problemas para sua manutenção. Já o ginásio é utilizado cerca de 200 dias por ano e os lucros são convertidos para manter outras áreas do parque olímpico.

Mas o grande exemplo de Barcelona para o mundo é como 20 anos depois a cidade ainda vive da boa lembrança dos Jogos Olímpicos. A cidade se valoriza e se reconstrói, mas a recordação dos 20 dias de disputa está presente em toda sua população, que valoriza os visitantes, que sempre ficam com vontade de voltar.

Olimpíadas: assentos vazios causam a volta de venda diária


Exame.com
Com informações da AFP

Escândalo provocado pelo excesso de arquibancadas vazias nas primeiras competições faz com que organizadores disponibilizem ingressos diariamente

Carl Court/AFP
Arquibancada vazia nas Olimpíadas de Londres 2012: 
ingressos voltarão a ser vendidos diariamente para lotar estádios

Londres - Os organizadores dos Jogos Olímpicos decidiram voltar a colocar à venda ingressos "a cada dia", começando por 3.000 entradas vendidas na tarde de domingo, depois do escândalo provocado pela visão de muitas arquibancadas vazias nas primeiras competições.

Jackie Brock-Doyle, porta-voz do comitê organizador (Locog), anunciou durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira que "foram colocadas à venda 3.000 entradas ontem (domingo) à tarde e todas acabaram".

Seiscentos destes ingressos eram para a ginástica, uma das modalidades mais procuradas.

"Vamos fazer o mesmo a cada dia", prometeu.

Diante do mal-estar dos fãs, que precisaram lutar para conseguir ingressos, frequentemente a um alto preço, os organizadores garantem que vão tomar medidas de urgência para preencher os assentos vazios, como oferecer ingressos a estudantes e professores de bairros próximos ao parque olímpico, ou aos militares que se encarregam da segurança dos Jogos.

Paralelamente, o Locog averiguou a quem pertenciam os ingressos, com o objetivo de ver se alguns poderiam ser colocados à venda novamente. Segundo os observadores, não são entradas fornecidas a patrocinadores, mas assentos atribuídos a delegações olímpicas ou a comitês nacionais.

De acordo com o presidente do Locog, Sebastian Coe, "os que não vieram são gente de todo tipo - federações esportivas, atletas, alguns meios de comunicação".

"A maior parte dos patrocinadores estava ali", afirmou.

As imagens de arquibancadas vazias durante as primeiras provas esportivas foram destacadas pelas televisões, especialmente as captadas em Wimbledon.

4 razões para rir mais no trabalho


Exame.com
Com informações da Revista Você S.A

Alguns estudos recentes comprovam que sorrir ajuda a fazer conexões, dá dinheiro e, além de tudo, faz bem à saúde

Dreamstime
Executiva feliz: O sorriso sincero cria empatia

São Paulo - Uma simples risada move 28 músculos da face. Um deles, o zigomático, eleva os cantos dos lábios. Já o orbicular faz os olhos se contraírem, formando o famoso pé-degalinha. É ele o responsável pelo verdadeiro sorriso, aquele que demonstra a emoção pura. Isso porque ele se contrai e se distende involuntariamente. O sorriso sincero cria empatia. "O sorriso une as pessoas", diz o médico Eduardo Lambert, autor do livro A Terapia do Riso (Editora Pensamento).

Quem trabalha em uma empresa de cultura mais sisuda e já teve a oportunidade de conhecer um ambiente de trabalho mais descontraído, onde há bom humor (e risadas são permitidas), nota logo a diferença. Alguns estudos recentes comprovam que sorrir ajuda a fazer conexões, dá dinheiro e, além de tudo, faz bem à saúde. Veja abaixo:

1 Mais sérias
84% dos homens afirmam rir muito. Já entre as mulheres, apenas 68% dizem o mesmo. Elas acreditam que é arriscado demonstrar muita alegria no trabalho — pega mal. Enganam-se: os homens entrevistados afirmam que não as considerariam menos sérias ou menos competentes se elas rissem com mais frequência.

2 O chefe ri, todos riem
O escritor americano Robert R. Provine, autor do livro Laughter: A Scientific Investigation ("Risada: uma investigação científica", em tradução literal para o português), descobriu o que todo funcionário já sabe: quando o líder faz uma gracinha, seus funcionários riem muito mais do que quando um colega conta a mesma anedota.

3 Sorrir faz bem ao coração
Ao comparar as atitudes de 150 pessoas que sofreram infarto e 150 pessoas sadias, Michael Miller, cardiologista da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, chegou a uma conclusão: quem dá mais gargalhadas evita problemas cardíacos.

4 Quem ri por último ganha mais
O pesquisador Fábio Sala, da Universidade de Boston (EUA), conduziu um estudo com executivos avaliados como excelentes e medianos. Os profissionais acima da média foram, durante a entrevista, duas vezes mais bem-humorados que os executivos de desempenho mediano. Ao analisar os salários dos entrevistados, Fábio percebeu que os que riram mais ganham mais.

Serviço Outlook.com estreia e substitui Hotmail


Exame.com
Monica Campi, da INF

Ainda será possível enviar mensagens para o endereço de e-mail “@hotmail.com”, mas seu domínio em breve mudará para “@outlook.com”

Reprodução
O Outlook.com está funcionando em fase experimental e 
tem o claro objetivo de competir com o Gmail, do Google

São Paulo – Após 16 anos de existência, a Microsoft elimina a marca “Hotmail” para seus serviços de e-mail e a substitui pelo “Outlook.com”. O site do Hotmail continuará no ar e os usuários não serão forçados a mudar por enquanto. Ainda será possível enviar mensagens para o endereço de e-mail “@hotmail.com”, mas seu domínio em breve mudará para “@outlook.com”.

A Microsoft permitirá que os usuários escolham outro nome para o endereço de e-mail, mantendo o hotmail como uma espécie de endereço alternativo ao novo Outlook. O novo serviço será acessível pela web e será compatível com clientes Exchange ActiveSync e POP3. Haverá também integração com Facebook, Twitter, LinkedIn, Google+ para que o usuário possa acompanhar as publicações em um mesmo local.

Assim como o recém-lançado Office 2013, o novo Outlook traz conexão com a nuvem, mensageiro instantâneo embutido e videochamadas pelo Skype. O usuário poderá também utilizar o Office Web Apps que inclui Word, Excel, PowerPoint e OneNote, além do SkyDrive para armazenamento em nuvem.

“Nós acreditamos que podemos fazer muito mais que um webmail. Decidimos então que era o momento certo para uma mudança”, afirmou a Microsoft. A mudança prepara os serviços da Microsoft para o lançamento do Windows 8, programado para 26 de outubro, trazendo o estilo Metro para o novo Outlook. O serviço online já está disponível para todos.

A eletricidade e o custo Brasil


O Estado de S.Paulo

O governo federal promete reduzir o custo da energia elétrica, uma das principais desvantagens da indústria brasileira diante dos concorrentes mais dinâmicos. Embora importante, essa iniciativa eliminará apenas uma fração do famigerado custo Brasil. Várias novas ações serão necessárias - na área dos impostos, por exemplo - para equilibrar a competição entre o produtor nacional e o estrangeiro. Além disso, o governo central só poderá cortar uma parte dos encargos sobre a eletricidade. O consumidor continuará onerado pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), cobrado pelos Tesouros estaduais. De toda forma, o alívio anunciado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, será um passo considerável na direção certa, embora representantes da indústria reivindiquem um corte bem mais amplo que o prometido.

O alívio prometido pelo ministro dependerá de ações de dois tipos. Está prevista, inicialmente, a eliminação de três encargos embutidos nas tarifas - a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Reserva Global de Reversão (RGR). Esses itens, somados, correspondem a 7% da conta de eletricidade. O ministro ainda acenou com a possível extinção do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), destinado a financiar, por exemplo, instalações de geração eólica. Se essa hipótese for confirmada, haverá mais um corte de 1,1%.

A segunda medida será a renovação, por 20 anos, das concessões do setor elétrico com vencimento previsto para 2015. As empresas beneficiadas, adiantou o ministro, deixarão de incluir em suas contas a remuneração de investimentos já amortizados. Também isso deverá baratear a eletricidade e a redução média das tarifas ficará em torno de 10% - provavelmente entre 15% e 20% no caso das indústrias. As empresas, de toda forma, deverão ser beneficiadas com a desoneração antes dos consumidores residenciais.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, continua defendendo a realização de novas licitações para a seleção das empresas prestadoras dos serviços de eletricidade.

Além disso, empresários do setor manufatureiro cobram reduções bem mais amplas do custo da energia. Com um corte de 10%, a energia brasileira apenas passaria do terceiro para o quarto lugar na lista das mais caras do mundo, argumentou um crítico, citando um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Os industriais têm concentrado no governo federal as pressões pela redução do custo da energia elétrica. Mas os governos estaduais são responsáveis por uma parcela muito importante da tributação dos serviços de utilidade pública. Nenhum esforço de racionalização dos impostos brasileiros será suficiente sem o envolvimento dos Tesouros estaduais. O governo federal deveria trabalhar por esse objetivo e o empresariado seria mais realista em suas reivindicações se tentasse envolver os Estados na discussão.

A eliminação dos encargos federais embutidos na conta de eletricidade terá um custo considerável para o Tesouro Nacional. No ano passado, renderam R$ 10,8 bilhões. Até agora, o governo tem procurado compensar os benefícios concedidos a alguns segmentos empresarias com aumentos de impostos e contribuições pagos por outros. Se há alguma renúncia fiscal, nesses casos, é certamente bem menor do que alardeiam as autoridades.

Se a ideia é tornar a empresa brasileira mais competitiva e, portanto, mais capaz de ocupar mercados e de gerar empregos, é preciso dar maior amplitude à desoneração tributária. Para isso será preciso mexer mais corajosamente na política fiscal, tornando o gasto público mais parcimonioso e mais eficiente.

Embora importante, o preço da eletricidade é apenas um dos componentes do custo Brasil. Para executar de fato uma política de competitividade, cantada até pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, numa conferência em Londres, o governo terá de mexer numa porção de outros obstáculos, incluída a própria ineficiência no planejamento e na execução de investimentos em infraestrutura.

Megablecaute como o da Índia também pode acontecer no Brasil


Vanessa Barbosa 
Exame.com

Enquanto a Índia sofre com sobrecarga do sistema elétrico, no Brasil, as ameaças residem na “falta de organização, planejamento e gestão” da energia, diz especialista da USP

Prakash Singh/AFP
Passageiros aguardam em terminal de Nova Délhi em meio a apagão: 
incidente gerou caos no sistema de transporte urbano

São Paulo – Embora o Brasil não esteja na iminência de um apagão, não significa que não possa acontecer. “Nenhum país do mundo está imune a incidentes no sistema elétrico”, afirma o diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, Ildo Sauer. Os riscos para um megablecaute por aqui, no entanto, não se originam de um cenário de sobrecarga energética, como o que colocou 670 milhões de pessoas na Índia (três vezes mais que a população brasileira) na completa escuridão nesta terça-feira, 31.

Nosso problema vem da “falta de organização, planejamento e gestão” da energia, diz o especialista. Exemplo disso é a série de apagões históricos que o Brasil viveu num curto espaço de dez anos. O primeiro grande, em 1999, afetou 97 milhões de pessoas ou 70% do território nacional. O governo atribuiu o apagão a uma falha numa torre de distribuição em São Paulo atingida por um raio.

Dez anos depois, em 2009, outro blecaute deixou 60 milhões de pessoas sem luz, e, no ano seguinte, em 2010, 53 milhões de pessoas foram afetadas. A explicação para esses dois últimos eventos também veio de falhas técnicas. “No Brasil, a manutenção preventiva do sistema elétrico não tem acontecido no volume necessário”, afirma Sauer.

Já os apagões na Índia ocorrem em função de uma sobrecarga do sistema elétrico. Noutras palavras, isso significa que a terceira maior economia da Àsia não está produzindo energia suficiente para atender à demanda. Nos horários de pico, o país sofre com uma insuficiência energética de 10%.

Com um consumo de energia per capita previsto para dobrar até 2020, segundo a Agência Internacional de Energia, a Índia precisa urgentemente gerar mais energia e entregá-la de forma mais eficiente à população.

O desafio é grande, especialmente porque as autoridades indianas têm enfrentado oposição da opinião pública, além de uma espiral crescente de custos, em relação às duas fontes que estão no centro dos planos de expansão energética do país: o carvão, responsável por 55% do suprimento de energia, e as usinas nucleares, cuja produção o governo quer aumentar de 3% para 25% até 2050.

Aneel põe condições para revogar autorização de usinas


Exame.com
Sabrina Craide, Agência Brasil

 Os diretores negaram hoje o pedido de revogação amigável da Usina Rio Largo (AL), também do Grupo Bertin, por ter sido apresentado fora do prazo

GettyImages
Bertin Energia: segundo as condições colocadas pela Aneel, 
a desistência da implantação não pode ocasionar custo para a rede básica

Brasília - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabeleceu hoje (31) condições para revogar a autorização de quatro usinas termelétricas do Grupo Bertin. A empresa pediu para devolver as outorgas das usinas Macaíba (RN), Cacimbaes (ES), Escolha (ES) e Iconha (ES).

 “A gente aceitou a revogação amigável. Em tese concordamos que ela é possível. Muitas vezes a usina é cara, então é melhor que ele desista. Se a gente não admite a desistência, ele pode transferir para um terceiro”, explicou o diretor da Aneel, Julião Coelho.

Segundo as condições colocadas pela Aneel, a desistência da implantação não pode ocasionar custo para a rede básica, não pode haver aumento do custo médio da aquisição de energia para o consumidor e não pode haver risco para a garantia de suprimento nem para a operação eletroenergética do Sistema Interligado Nacional. Outras condicionantes para aprovar a revogação das usinas são a rescisão dos contratos com as distribuidoras e a adimplência com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Os diretores negaram hoje o pedido de revogação amigável da Usina Rio Largo (AL), também do Grupo Bertin, por ter sido apresentado fora do prazo. Na semana passada, a Aneel já tinha negado o pedido do grupo para a devolução de outras seis usinas termelétricas porque, segundo a agência, os pedidos de revogação foram apresentados depois de um atraso de 15 meses na implantação das usinas.

Segundo Coelho, assim que todos os pedidos de revogação das usinas do grupo forem analisados, a Aneel poderá executar as garantias e cassar as outorgas do grupo.

Aneel indefere pedido da Bertin para termelétricas


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Anne Warth, Agência Estado

 O grupo pedia a devolução das outorgas das usinas, que estão com o cronograma de implantação atrasado, sem aplicação de penalidade

Divulgação
Bertin Energia: grupo terá que pagar uma multa de 71 milhões de reais
 à CCEE por não entregar a energia em janeiro e fevereiro

Brasília - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indeferiu o pedido de revogação amigável das autorizações de instalação e contratos de venda de seis usinas termelétricas do grupo Bertin: MC2 Dias D'Ávila 1, MC2 Dias D'Ávila 2, MC2 Feira de Santana, MC2 Senhor do Bonfim, MC2 Catu e MC2 Camaçari. O grupo pedia a devolução das outorgas das usinas, que estão com o cronograma de implantação atrasado, sem aplicação de penalidade.

Em seu voto, o relator do processo, Julião Coelho, afirmou que a Bertin somente entregou o pedido de revogação amigável à Aneel quando o atraso na implantação das termelétricas superava 15 meses. "Talvez pudéssemos ter analisado esse pedido se a empresa o tivesse apresentado com a devida antecedência", afirmou. "Dado o contexto, o pleito de revogação amigável das autorizações relacionadas as seis usinas não pode prosperar."

As usinas venderam 611 MW médios no leilão A-3 de 2008 e deveriam operar desde o ano passado. Todas essas usinas já receberam termos de intimação para revogação das autorizações, devido ao atraso no cumprimento do cronograma, ausência de aporte de garantias financeiras e falta de pagamento de penalidades impostas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A partir de agora, a Aneel dará prosseguimento aos processos administrativos que podem resultar na revogação punitiva das autorizações, na extinção dos contratos e na execução das garantias depositadas para os empreendimentos.

De acordo com a Bertin, as usinas estão em fase de construção. Apesar da negativa da Aneel, a empresa sustenta que a decisão está em linha com suas expectativas. "A forma de execução das garantias vinculadas a estes empreendimentos é parte do plano de reestruturação apresentado à agência, em que se pretende que os recursos destas garantias sejam direcionados de modo a gerar benefício para os consumidores, de forma parcelada", informou a Bertin, por meio de nota.

A Bertin apresentou um plano de reestruturação de suas operações à Aneel e obteve liminar na Justiça que impede a cassação de qualquer outorga antes que todos os pedidos que fazem parte do plano sejam julgados. São processos que envolvem 17 empreendimentos, dos quais 11 pedem revogação amigável e outros seis requerem a mudança no local de instalação.

Sobre a Bertin, a Aneel já revogou a outorga da usina termelétrica José de Alencar e avalia o pedido de transferência de outras duas para o grupo MPX. O superintendente de Concessões e Autorizações de Geração da Aneel, Hélvio Neves Guerra, avalia que é possível que as 17 usinas tenham a outorga revogada. Nesse caso, a cassação reduziria a sobrecontratação das distribuidoras que assinaram contratos com essas usinas, o que aumentaria a demanda por energia no próximo leilão A-3, que deve ocorrer em outubro. Foi devido à baixa procura que o governo adiou por duas vezes o leilão, que deveria ocorrer em março, depois, em junho, e, agora, em outubro.

Cenário de mudança não ajuda equilíbrio da matriz energética


Exame.com
Com Agência Brasil

Como a tendência é de aumento do consumo de energia no país, pesquisadores brasileiros buscam novas fontes que poderiam complementar essa matriz

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Brasília – Apesar de ter conquistado uma matriz energética equilibrada entre fontes de energia renováveis e tradicionais, o governo brasileiro tem se empenhado para manter essa relação diante de um cenário projetado pelo aumento do consumo de energia. Além de garantir a manutenção de sistemas, como o de produção de energia eólica e solar, os pesquisadores buscam novas fontes que poderiam complementar essa oferta para atender a crescente demanda do setor.

A principal motivação do governo para manter esse equilíbrio de fontes na matriz energética é o cumprimento da meta de redução das emissões de gases de efeito estufa. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague no ano passado, a COP 15, o Brasil se comprometeu a reduzir essas emissões entre 36,1% a 38,9% até 2020, em relação ao que emitia em 1990. Entre os setores estratégicos da economia, a energia está sob a mira dos órgãos que debruçam-se sobre o problema.

“O setor energético representa a segunda maior preocupação do governo no quesito das emissões de gases de efeito estufa, perdendo apenas para o desmatamento e agropecuária [apontados como os vilões responsáveis por 70% das emissões], explicou Ana Lúcia Doladela , diretora da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O setor energético, desde a produção até o consumo, responde por cerca de 23% dessas emissões. “Uma das formas de reduzir esse impacto é renovar nossa matriz e aumentar nossa eficiência energética”, acrescentou.

Uma das estratégias adotadas pelo Brasil é a aproximação com especialistas europeus. O interesse nas experiências do velho continente explica-se pelos esforços e investimentos em pesquisa e produção de fontes alternativas de energia. Ana Lúcia Doladela disse que os técnicos brasileiros têm absorvido conhecimentos e tecnologias européias e acredita que essa relação pode resultar em parcerias estratégicas para o desenvolvimento do setor, ainda em crescimento no Brasil.

“A energia eólica foi estabelecida de forma competitiva. Mas a fotovoltaica ainda é cara e precisa de incentivos para se estabelecer. O ministério têm acompanhado as pesquisas e o governo vem adotando medidas como o estímulo ao uso da fonte solar térmica para aquecimento de água”, disse. A diretora do MMA ainda acrescentou que o país também precisa amadurecer tecnologicamente nas pesquisas sobre energia a partir dos oceanos. “Temos três fontes que são as ondas, mares e correntes marítimas. Ainda precisamos muito investimento em tecnologia”, explicou.

Em relação às fontes renováveis a partir da biomassa, como o etanol e o biodiesel, o Brasil assumiu uma posição de liderança no cenário internacional. Como a tendência é de aumento do consumo de energia no país, pesquisadores brasileiros buscam novas fontes que poderiam complementar essa matriz.

Em Concórdia, Santa Catarina, experimentos com o biogás produzido a partir de resíduos de suínos mostraram, segundo técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o potencial do produto tanto para a geração de energia demandada pelas propriedades rurais quanto como fator de agregação de valor à cadeia produtiva.

“Os dados já mostram que o biogás pode se tornar um dos três grandes combustíveis do Brasil. O importante é termos mais fontes, promover o setor e o uso dos resíduos das cadeias produtivas, o que poderia agregar valor a essas produções e atender a demanda crescente por energia no país”, disse Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.

Saiba como a alimentação pode fortalecer o seu sistema imunológico


Vivian Carrer Elias
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Aliados a um estilo de vida saudável, hábitos alimentares corretos podem melhorar a ação do organismo contra vírus, bactérias e outros agentes causadores de doenças

(Thinkstock) 
Alimentação pode ser um excelente remédio para tornar 
sistema imunológico mais forte e prevenir vários tipos de doenças 

O sistema imunológico é o mecanismo pelo qual o nosso corpo luta contra invasores externos — vírus, bactérias, protozoários, fungos e até agentes químicos, como venenos — capazes de provocar doenças. Embora ele seja parte natural do organismo, é possível fortalecê-lo e torná-lo mais preparado para combater esses agentes, evitando ou retardando, assim, o surgimento uma série de problemas de saúde. A alimentação é uma das principais aliadas das células de defesa e, na quantidade adequada, certos nutrientes podem, entre outras coisas, aumentar o número dessas células no corpo e estimular a ação delas quando o organismo se depara com um quadro de infecção.

A vitamina C talvez seja o nutriente mais associado a uma boa imunidade — e não é à toa. Acontece que esse ‘exército’ de defesa é formado por células que nascem e morrem a todo o momento, como explica Luiz Vicente Rizzo, médico imunologista e diretor-superintendente do Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein. “É um processo contínuo de renovação: quando há algum quadro de infecção, o número de células de defesa no organismo aumenta e, quando a resposta inflamatória acaba, as células morrem, pois deixam de ser úteis”, diz o médico. O que a vitamina C faz no corpo é evitar a morte — ou a oxidação — de parte dessas células, já que o nutriente possui propriedades antioxidantes. Portanto, a vitamina faz com que menos linfócitos morram e deixa o nosso corpo mais preparado para quando precisar lutar contra um agente externo.

Estilo de vida — No entanto, consumir apenas alguns alimentos que são benéficos ao sistema imune não é o suficiente para evitar o surgimento de doenças. “Não adianta tomar um litro de suco de laranja todos os dias se todos os seus outros hábitos prejudicam o organismo”, afirma Rizzo. “Como o sistema imune faz parte do organismo, tudo o que é bom para ele, é bom para a imunidade. Ou seja, dormir bem, ser fisicamente ativo, não fumar ou beber em excesso e, claro, ter hábitos alimentares saudáveis contribui para que a resposta do corpo a infecções seja mais poderosa.” Hábitos favoráveis à saúde, segundo Rizzo, quando seguidos a longo prazo, retardam o desgaste natural que ocorre com a saúde de todo o indivíduo ao passo que ele envelhece. “Doenças que surgem com a idade podem demorar mais para aparecer. É claro que o fator genético também interfere, mas dele não é possível fugir.”


Conheça alguns dos principais alimentos que beneficiam o sistema imunológico:

Vitamina C

O nutriente tem propriedades oxidantes e evita a morte de parte das células de defesa. Isso faz com que o organismo esteja mais preparado quando entrar em contato com um agente externo. Essa ação da vitamina C pode ajudar no combate e na prevenção de diversas doenças. Um estudo feito em 2012 na Universidade Monash, na Austrália, por exemplo, mostrou que homens que consomem maiores quantidades do nutriente têm menos artrite (inflamação das artérias). No entanto, o excesso do nutriente não aumenta os benefícios e ainda pode provocar reações adversas, como dores de estômago. Outros alimentos como goiaba, melão, mamão e morango também são fontes ricas de vitamina C.

Alimentos ricos em zinco

O nutriente pode ser encontrado em uma variedade muito grande de alimentos, como ostras, carne bovina, amêndoas e nozes. De acordo com o imunologista Luiz Vicente Rizzo, o zinco é fundamental para o funcionamento de diversas enzimas que atuam na resposta imune e aumenta a capacidade de as células de defesa combaterem bactérias. Por isso, como explica o médico, suplementos do mineral têm sido cada vez mais recomendados aos idosos para reduzir quadros de infecções. Um estudo feito no Centro Nacional Italiano de Pesquisas sobre Envelhecimento e publicado no periódico Annals of the New York Academy of Sciences mostrou que pessoas com mais de 65 anos que ingerem 15 miligramas de zinco ao dia apresentam níveis de células do sistema de defesa semelhantes aos encontrados em um jovem.

Alho

A sabedoria popular já aposta há tempos no alho como um poderoso aliado contra gripes, resfriados e outras doenças que atingem o sistema imunológico. Nos últimos anos, a reputação do alimento foi comprovada por alguns estudos científicos. Um dos mais recentes, publicado em dezembro de 2011 no periódico Clinical Nutrition e realizado na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas que tomaram suplementos com extrato de alho demonstraram uma melhor função das células de defesa e tiveram gripes e resfriados menos graves do que aquelas que não ingeriram a substância.

Cogumelos

Em 1960, um pesquisador da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriu que um componente do shiitake chamado letinan possui propriedades antivirais que estimulam a ação dos linfócitos no organismo e, portanto, fortalecem o sistema de defesa. Um estudo feito na Universidade de Smeelweis, em Budapeste, na Hungria, e publicada no periódico Cancer Immunology, Immunotherapy,concluiu que a substância presente nos cogumelos altera as células do sistema imune e pode evitar a metástase de células cancerígenas do pulmão.

Iogurte

Há algum tempo a ação do iogurte no organismo vem sendo estudada. As bactérias presentes no iogurte, como os lactobacilos, garantem o equilíbrio que deve haver no organismo entre todas as células bacterianas que habitam o corpo de um ser humano. Além disso, estudos têm revelado o quanto essa ação ajuda o sistema imunológico. Uma pesquisa recentemente publicada no periódicoCell Host & Microbe, por exemplo, concluiu que as bactérias presentes no iogurte agem sobre mediadores da resposta inflamatória no organismo e, assim, podem ajudar a combater doenças inflamatórias do intestino.

Na quantidade certa, queijo e iogurte reduzem o risco de diabetes tipo 2


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Consumir o equivalente a 55 gramas de cada alimento pode evitar o surgimento da doença. Outros laticínios, porém, não surtem o mesmo efeito protetor

(Creatas Images/Thinkstock)
Queijo: alimento, assim como iogurte, pode reduzir risco de diabetes

Segundo um time de pesquisadores europeus, comer queijo e beber iogurte pode reduzir o risco de uma pessoa ter diabetes tipo 2. No entanto, o restante dos laticínios não oferece o mesmo benefício, embora não aumente o risco da doença. Essas conclusões fazem parte de um estudo publicado na edição deste mês do periódico The American Journal of Clinical Nutrition.

Os pesquisadores levaram em consideração dados de mais de 16.000 adultos saudáveis e cerca de 12.000 pessoas com diabetes tipo 2, que responderam a questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida. Ao analisar os efeitos dos laticínios sobre o risco da doença, a equipe concluiu que indivíduos que consomem duas fatias de queijo ou meio pote de iogurte ao dia — ou 55 gramas de cada alimento —, em comparação com aqueles que ingerem menos que isso, têm um risco até 12% menor de terem diabetes. A pesquisa não especificou quais tipos de queijo são melhores para a diminuição desse risco.

De acordo com os autores do estudo, que fazem parte de instituições como a Universidade de Utrecht, na Holanda, embora o queijo tenha gorduras saturadas, ele também contém gorduras que fazem bem à saúde. Por isso, é ideal que não seja consumido em quantidades exageradas. Além disso, os iogurtes possuem bactérias probióticas, microorganismos ‘do bem’ que ajudam no bom funcionamento do organismo e que estão associados a um menor risco de problemas cardiovasculares, o que pode ajudar a compreender o efeito protetor observado pela pesquisa.

Tempero saudável — 
Outro estudo publicado neste mês também estabeleceu uma relação entre alimentos e um menor risco de diabetes tipo 2. Dessa vez, pesquisadores tailandeses, após acompanharem 240 adultos com predisposição à doença, concluíram que a curcumina, um composto presente no tempero curry, pode evitar o surgimento de diabetes em um indivíduo com alto risco do problema. O trabalho foi divulgado no periódico Diabetes Care.

Cientistas encontram vírus ligados ao câncer de próstata

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Vírus Epstein-Barr e HPV foram encontrados em amostras malignas do câncer

(ThinkStock) 
Os pesquisadores encontraram o HPV em 70% das
amostras de tumor maligno estudadas 

Os vírus papiloma vírus humano (HPV) e Epstein-Barr (EBV), conhecidos pela associação com tumores humanos, estão presentes na maioria dos cânceres de próstata. Segundo um novo estudo conduzido por pesquisadores australianos, eles podem estar agindo de maneira conjunta para causar e dar progressão ao tumor.  A pesquisa foi liderada pelos professores Noel Whitaker e James Lawson, da Universidade de New South Wales, e foi publicada na revistaThe Prostate.

Os pesquisadores analisaram mais de 100 amostras de próstatas normais, e com tumores benignos e malignos. O estudo revelou que tanto o papiloma vírus humano(HPV) como o vírus Epstein-Barr (EBV) estavam presentes em mais da metade dos cânceres malignos. O HPV, sozinho, estava presente em cerca de 70% dos tumores de próstata estudados.

“Evidências experimentais recentes e não publicadas de outros pesquisadores sugerem que o HPV e o EBV podem colaborar para promover a sobrevivência e proliferação das células de câncer. Então, nossas descobertas podem ter implicações importantes para o entendimento e prevenção do câncer de próstata”, diz Whitaker.

Nas amostras de próstata analisadas, foi encontrada também uma variedade de alto risco do vírus, o HPV 18, que está associado a outros cânceres humanos, como o câncer cervical. Essa variedade é combatida pela vacina contra o HPV, mas, muitas vezes, a imunização só é sugerida para as mulheres. “Se o HPV 18 também estiver associado com o câncer de próstata, como a nossa pesquisa sugere, vacinar os meninos pode se provar um benefício para eles também”, afirma o pesquisador.


Saiba mais

HPV
O HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum, e tem mais de 40 subtipos, alguns dos quais podem causar câncer cervical e verrugas genitais. Normalmente, porém, o HPV não causa sintomas. Pelo menos 50% dos homens e mulheres sexualmente ativos contrairão HPV em algum momento de suas vidas. Geralmente o organismo humano consegue eliminar a infecção sozinho em dois anos, mas certos suptipos do vírus, conhecidos como cepas oncogênicas, podem evoluir para o câncer e precisam ser acompanhados de perto.

VÍRUS EPSTEIN-BARR 
Um dos vírus mais comuns em seres humanos, ele é transmitido pela saliva. Em grande parte dos casos, sua infecção não apresenta sintomas. No entanto, em alguns casos ele causa a mononucleose infecciosa, doença caracterizada por febre, inflamação das gargantas e fadiga, entre outros sintomas.

5 coisas que as pessoas não contam ao médico, mas deveriam


Luciana Carvalho 
Exame.com

Omissões ou mentiras contadas no consultório podem prejudicar a saúde do paciente

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Passar informações corretas e suficientes para o médico facilita o 
diagnóstico e diminui o risco de falha no tratamento

São Paulo – Muitas vezes, para contar certas coisas para o médico, em uma consulta, é preciso ter coragem. O medo de ser julgado ou de causar “uma má impressão” pode fazer com que informações importantes sobre a saúde do paciente sejam omitidas.

No entanto, segundo o cardiologista Maurício Wajngarten, do Hospital Israelita Albert Einstein, esconder fatos só prejudica o paciente, que pode ter o diagnóstico dificultado ou atrasado. A seguir, ele cita algumas coisas que ainda são tabus no consultório, mas não deveriam ser.

Disfunção sexual
“A maior de todas as omissões é a disfunção sexual. As pessoas não falam e é preciso estimular isso, tanto no homem quanto na mulher”, afirma. O motivo para abrir o jogo no consultório não está ligado apenas à importância de recuperar a vida sexual saudável.

De acordo com Wajngarten, estudos mostram que a disfunção erétil é um indício de problema cardiovascular. Uma pesquisa feita na Espanha mostrou que 93% dos pacientes desse tipo de doença sofrem de dificuldades de ereção. A conclusão do levantamento foi que esse sintoma pode servir de alerta até três anos antes de a doença cardíaca ser revelada.

Depressão
Esse problema não é apenas omitido, como também é conscientemente disfarçado por parte de muitos pacientes. Por vergonha, medo ou por não achar importante, as pessoas podem deixar de contar para o médico sobre suas tristezas, alterações de humor, culpa, irritabilidade e outros indícios de depressão. Mal sabem elas que isso está ligado a doenças cardiovasculares e pode ser importante na prevenção desses problemas.

Segundo Wajngarten, além de a depressão afetar negativamente os hábitos saudáveis dos pacientes, ela tem um efeito fisiológico nocivo ao organismo, que a transforma em fator de risco para doenças do coração.

Fórmulas para emagrecer
Desde remédios que auxiliam no emagrecimento até dietas para perder alguns quilinhos devem ser informadas, mesmo que o especialista não seja um nutrólogo. Isso porque tratamentos não acompanhados podem ter efeitos colaterais, causar alterações nos exames e confundir o diagnóstico de outras doenças.

Anabolizantes
De acordo com Wajngarten, outra grande omissão dentro dos consultórios é o uso de anabolizantes. Como a venda de substâncias como essas é ilegal e as consequências nocivas ao organismo não são um mistério para grande parte do público, os usuários de esteroides costumam esconder isso dos médicos.

Entre os danos causados por essas drogas, estão problemas no fígado, no sistema cardiovascular, acne, aumento de colesterol e pressão sanguínea. “Ao não falar, a pessoa perde a oportunidade de ser auxiliada”, diz.

Tratamentos alternativos
Os remédios naturais, usados com frequência em tratamentos “alternativos”, costumam ser esquecidos pelos pacientes na hora de se consultar. Isso é induzido pela crença errônea de que tudo que é natural não faz mal. Wajngarten dá o exemplo do Ginkgo Biloba, muito usado como intensificador de memória, há alguns anos. 

Sem provas concretas desse efeito, a substância interage com anticoagulantes e pode, em uma cirurgia, facilitar o sangramento do paciente. Por isso, o médico do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que qualquer tipo de medicamento – de origens “tradicionais” ou não – deve ser informado na consulta. Só assim, o especialista terá mais elementos para fazer o diagnóstico.

Estudo acende controvérsia sobre relógio biológico feminino


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Com agência EFE

Pesquisadores chegaram à conclusão que na idade adulta as mulheres produzem novos óvulos

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Mulher: A noção de relógio biológico nas mulheres provém do fato
 de que a quantidade de óvulos diminui à medida que elas envelhecem

Washington - A noção de relógio biológico feminino surge da crença tradicional que os ovários não produzem mais óvulos depois do nascimento, mas um novo estudo genético reacende a controvérsia, de acordo com artigo divulgado nesta quinta-feira na 'Public Library of Sciences' (PLoS).

Cientistas do Hospital Geral de Massachusetts e da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) traçaram as origens dos óvulos imaturos, chamados de ovócitos, desde o período embrionário até a maturidade.

A noção de relógio biológico nas mulheres provém do fato de que a quantidade de óvulos diminui à medida que elas envelhecem, combinada com a forte crença de que os mamíferos não renovam ovócitos depois do nascimento.

Após avaliação cuidadosa dos dados, os pesquisadores chegaram à conclusão que na idade adulta as mulheres produzem novos óvulos. Eles se formam a partir de células germinativas progenitoras que saem do ciclo mitótico, processo que ocorre no núcleo das células eucarióticas e que precede imediatamente a divisão celular.

Ali termina sua capacidade de proliferar através da divisão celular e logo entram em meiose, processo único na formação dos óvulos e do esperma que tira a metade do material genético de cada tipo de célula antes da fertilização.

A opinião tradicional sustentou por décadas a informação de que as fêmeas de mamíferos nascem com todos os óvulos que terão em sua vida, mas as pesquisas mais recentes demonstram que os ovários de camundongos fêmeas e humanas adultas contêm uma rara população de células germinativas progenitoras, chamadas de células-tronco ovogônias, capazes de se dividir e gerar novos ovócitos.

'O objetivo principal do estudo foi provar que existe, realmente, células-tronco produtoras de óvulos imaturos nos ovários das mulheres durante sua vida reprodutiva', disse Jonathan Tilly, diretor do Centro Vincent de Biologia Reprodutiva.

'A descoberta das células precursoras de ovócitos nos ovários de humanas adultas, assim como o fato de elas compartilharem características com suas equivalentes nos camundongos fêmeas que produzem óvulos plenamente funcionais, abre a porta para um desenvolvimento de tecnologias sem precedentes para superar a infertilidade nas mulheres', acrescentou Tilly, chefe do grupo pesquisador.

'É possível também que possamos adiar a idade da decadência dos ovários', acrescentou.

Mediante novos métodos genéticos que traçam o número de subdivisões pelos quais passam uma célula ao envelhecer, os pesquisadores contaram o número de vezes que as células germinativas progenitoras se dividiram antes de se transformar em ovócitos.

Se a opinião tradicional estivesse correta, todas as divisões deveriam ter ocorrido antes do nascimento e todos os ovócitos exibiriam a mesma marca de envelhecimento. No entanto, o que se encontrou é o oposto: os óvulos mostram um aumento de idade à medida que as fêmeas de camundongos envelhecem.

Tilly e as biólogas Dori Woods e Evelyn Telfer chegaram à conclusão que a explicação mais plausível é que as células germinativas progenitoras nos ovários continuam se dividindo ao longo da vida reprodutiva, resultando em novos ovócitos. 

Cheiro de suor


Lucia Mandel
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Thinkstock


De uns meses para cá meu suor mudou de cheiro. Conforme o dia passa, minhas axilas cheiram mal. Já troquei de desodorante, mas nem suo tanto assim. - (Cleia)

Cleia, o mau cheiro das axilas depende não só do suor, mas também das bactérias que ficam na pele. As bactérias reagem com o suor e isso causa o mau cheiro. Como excesso de suor não é seu caso, você provavelmente está com excesso de bactérias.

Discuta com seu dermatologista se vale a pena usar um creme à base de antibiótico nas axilas, para controlar a proliferação das bactérias. O creme é aplicado à noite, após o banho e com as axilas limpas. Se der para reaplicar durante o dia, melhor ainda.   O tratamento deve ser mantido por uma semana, mesmo que o mau cheiro vá embora antes.

Roupas também contam muito. Especialmente no calor. Você percebeu como o cheiro do suor piora ao usar uma camisa de tecido sintético? É que a roupa deve permitir a ventilação da pele e a evaporação do suor, para as axilas ficarem menos sujeitas à proliferação de bactérias. Por isso as roupas devem ser não muito justas e de tecidos naturais.

Extinção de dinossauros foi súbita, reforça novo estudo


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Com agência EFE

Análise de fósseis do período Cretáceo indica que saurópodes mantiveram diversidade quando desapareceram

(Corey Ford/Getty Images/Hermera) 
Extinção de dinossauros foi súbita, 
mostra pesquisa com saurópodes 

A análise de fósseis de dinossauros encontrados nas montanhas dos Pirineus, na fronteira entre França e Espanha, reforça a hipótese de que a extinção destes animais foi repentina e ocorreu, provavelmente, como consequência do impacto de um asteroide sobre a Terra. O estudo foi publicado na revista científica Paleo 3.

A pesquisa foi feita em fósseis do fêmur de saurópodes, dinossauros herbívoros de cauda e pescoço longos, que andavam sobre as quatro patas. Na época da extinção – no fim do período Cretáceo, há 65 milhões de anos –, a região dos Pirineus fazia parte da chamada Ilha Ibero-Armoricana, um antigo arquipélago que existiu no sul da Europa.

O resultado da análise desses fósseis mostra que esses saurópodes mantiveram sua diversidade até a extinção, o que indica que ela ocorreu de forma repentina e não gradual. 

Fóssil do Cretáceo – 
O estudo foi feito por especialistas espanhóis da Universidade de Zaragoza e da Universidade Autônoma de Barcelona, junto com cientistas franceses e italianos.

Segundo eles, essa é a análise mais exaustiva já feita em fósseis do período Cretáceo porque há poucos lugares no mundo com um registro fóssil de dinossauros que coincide com esta época.

A maior parte da informação registrada até agora se baseava no abundante e bem conhecido registro fóssil de dinossauros do oeste da América do Norte, enquanto o que tinha acontecido no resto do planeta era bastante desconhecido.