domingo, março 09, 2008

Os bandidos são os outros

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O xerife da cidade americana infernizada diariamente por uma grande quadrilha descobre que, à noitinha, alguns bandidos cruzavam a fronteira para dormir em sossego no lado mexicano, protegidos pelo delegado local. Depois de identificar o esconderijo dos vilões, o xerife ordena a um grupo de auxiliares que, sem pedir licença ao dono do lugar, atravesse a divisa e liqüide o problema a bala. Por ter violado a soberania territorial do vizinho, o xerife cometeu uma ilegalidade. Mas continua xerife. Vilões eram os outros. E vilões continuam os quadrilheiros sobreviventes.

Como o xerife do faroeste, o presidente Álvaro Uribe descobriu que narcoguerrilheiros das Farc, exauridos pelas ações terroristas praticadas na Colômbia durante o dia, atravessavam a fronteira para descansar no Equador. Com a cumplicidade do presidente Rafael Correa (e o patrocínio financeiro do venezuelano Hugo Chávez), a organização criminosa transformara a região em esconderijo, dormitório e campo de treinamento para a luta contra o governo democrático. Até uma base permanente, equipada para assegurar o repouso dos guerreiros da selva, fora instalada a apenas 1.800 metros da fronteira.

A idéia de atacá-la nasceu com a descoberta de que a base era a estalagem predileta de Raúl Reyes, nº 2 no organograma das Farc e nº 1 no setor de venda de prisioneiros. E tomou forma em 27 de fevereiro, quando o serviço de inteligência colombiano grampeou uma conversa telefônica entre Chávez e Reyes.

A escuta revelou que a dupla estava feliz com a barganha consumada dias antes: em troca de outra montanha de petrodólares, as Farc entregaram a Chávez quatro reféns. Também revelou que Reyes estava hospedado na base, acompanhado por 40 combatentes. Uribe decidiu que a hora do ataque chegara.

Na madrugada deste 1º de março, o ressonar dos terroristas lembrava o abandono de criança dormindo quando começou a operação que matou 22 delinqüentes, entre os quais Raúl Reyes. Uribe violou regras que regem as relações entre países. Mas vilões são os outros: os que morreram e os que ficaram.

Reyes, por exemplo, foi um bandido exemplar. E bandidos continuam todos os combatentes vivos, como confirmou nesta quinta-feira a destruição de vários trechos do oleoduto que atravessa terras da Colômbia e do Equador. Os atentados a bomba se somaram a um prontuário, inaugurado em 1964, que inclui milhares de assassinatos e, só nos últimos 10 anos, mais de 6 mil seqüestros. Quase 800 reféns, entre eles a ex-senadora Ingrid Betancourt, seguem submetidos a crueldades inverossímeis.

Está claro quem é quem no faroeste sul-americano, mas os pais da pátria fingem ver as coisas pelo avesso. Chávez, Correa e Evo Morales promoveram a "exército insurgente" uma fantasia comunista hoje dedicada à exploração do narcotráfico. Os demais presidentes se recusam a incluir as Farc na lista das organizações terroristas.

Nenhum deles atreveu-se a comentar as provas, apresentadas por Uribe, de que a irmandade bolivariana apóia e financia as Farc. Todos preferiram recomendar ao xerife que pedisse desculpas ao sócio do bandido. Mas Uribe não está só: o ataque aos fora-da-lei foi aprovado por 90% dos colombianos.

Cabôco Perguntadô
Indignado com a enxurrada de reportagens sobre convênios mais que suspeitos celebrados entre o Ministério do Trabalho e a Força Sindical, entidade que preside, o deputado Paulo Pereira da Silva prometeu revidar com a fórmula usada recentemente pela Igreja Universal: vai acionar judicialmente jornalistas em pelo menos 20 Estados brasileiros. "Pode perder, não tem problema", assassinou o idioma Paulinho da Força. "Meu negócio não é nem ganhar. Meu negócio é dar trabalho para eles". O Cabôco sugere às entidades jornalísticas que revidem com ações judiciais contra o companheiro. Dar trabalho para gente honesta não é o único negócio do companheiro. Há outros. E alguns podem dar cadeia.

Está faltando esse retrato na parede
A galeria dos retratos dos prefeitos do Rio sugere que, nos últimos 50 anos, a cidade mais bela do mundo foi comandada por representantes de todos os subgrupos da grande tribo dos governantes de quinta categoria. A turma que sorri (ou faz cara feia) na parede inclui o corrupto, o inepto, o indolente, o trapalhão, o incompetente, o imbecil, o insensível, o descerebrado - não falta ninguém nessa coleção de monumentos ao fracasso.

Para redimir-se de tantos equívocos, os cariocas poderiam eleger neste ano alguém honesto, inteligente, talentoso, criativo, sensato, corajoso e, diferentemente dos antecessores, apaixonado pelo Rio. Essa figura existe. Chama-se Fernando Gabeira.

Um monumento à sensatez
Durou 111 minutos a leitura do voto do ministro Carlos Ayres Britto na sessão do Supremo Tribunal Federal que deveria ter aprovado (ou não) a Lei de Biossegurança, que autoriza a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias. Ninguém na platéia teria reclamado se durasse mais algumas horas.

Admirável na forma, ancorada em argumentos que tornam o conteúdo incontestável, essa preciosidade jurídica é uma seqüência de trechos que valem replay. Um deles: "Vida humana já revestida do atributo da personalidade civil é o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e a morte". Outro: "Não há uma pessoa humana embrionária, mas um embrião de pessoa humana".

Por entender que "a vida começa desde a fecundação", a CNBB considera inconstitucional a Lei de Biossegurança. "A Constituição faz expresso uso do adjetivo 'residentes' no país, não em útero materno e menos ainda em tubos de ensaio", ensinou Britto. O monumento à sensatez já ganhara o endosso dos ministros Celso de Mello e Ellen Gracie quando a sessão foi interrompida pelo ministro Carlos Alberto Direito.

Ele queria examinar melhor o caso, dissimulou. Católico de missa e procissão, cumpridor disciplinado de tudo o que manda a Igreja, Direito decidiu ainda criancinha votar contra a lei. Fingiu estar em dúvida só para adiar a decisão. Alguém precisa contar-lhe que toga não é batina.

Yolhesman Crisbelles
Criado para premiar também declarações delirantes, o troféu vai nesta semana para o presidente do Equador, Rafael Correa, pela ameaça endereçada à vizinha Colômbia:

Minha pátria foi agredida por um governo canalha. Fomos vítimas de um ato bélico. O Equador irá às últimas conseqüências em defesa de sua soberania. Se for necessário, faremos a guerra.

É bom que, antes de ordenar o bombardeio aéreo da Colômbia, Correa alugue pilotos russos e instale a turma nas cabines dos caças emprestados pelo companheiro bolivariano Hugo Chávez. Se resolver atacar com aviadores equatorianos, a guerra vai acabar já na pista de decolagem.

Heloísa Helena desafia Dilma
A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) disse, ontem, estar preparada para uma eventual disputa com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010. Apesar de não admitir ser pré-candidata - disse que a decisão é do partido -, ela citou o nome da ministra entre prováveis pré-candidatos à Presidência da República, como o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o deputado federal Ciro Gomes (PSB).

- Não tenho medo de Dilma, de Serra, de Lula e do Ciro. Podem vir quentes que estamos fervendo - disse.

Na sexta-feira, durante cerimônia de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na favela da Rocinha, no Rio, Dilma, possível candidata do PT à sucessão presidencial de 2010, foi chamada de "mãe do PAC'' pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- [O governo Lula] instalou no processo eleitoral crimes contra a administração pública, como tráfico de influencia, intermediação de interesse privado, exploração de prestigio e corrupção ativa e passiva. É isso que o governo faz a partir do momento em que o governo Lula usa toda sua estrutura governamental, financeira e orçamentária para apresentar ao povo seu candidato - afirmou

O nariz do Supremo

J. R. Guzzo, Revista VEJA

"A dificuldade, no sonho de Lula, é que o Judiciário tem, justamente, de meter o nariz nas "coisas" dos outros – aliás, isso é tudo o que faz na vida, julgando desde ações de despejo até a legalidade das pesquisas com células-tronco"

O Supremo Tribunal Federal meteu o nariz na questão das células-tronco. Ainda bem. O Congresso aprovou, em 2005, a lei que permite a realização de pesquisas com embriões humanos, por entender que isso ajudará a salvar vidas. Um ex-procurador da República contestou a decisão, por entender que a lei aprovada violava a Constituição. Na semana passada os ministros da Corte Superior começaram a julgar a legalidade da decisão do Congresso. Aparentemente, a maioria deles entende que, entre preservar a vida dos embriões, que pode ou não existir, e vidas que existem com toda a certeza – as dos pacientes que precisam das células-tronco para ter alguma chance de continuar vivos –, é melhor optar pela segunda alternativa. Caso o Supremo confirme essa posição e a lei entre em vigor, o Brasil de amanhã será melhor que o Brasil de hoje. Até agora, a ciência brasileira estava impedida de trabalhar numa área vital para o progresso. A partir do julgamento final do STF, poderá não estar mais. É uma mudança e tanto.

A decisão vem num momento especial, justamente na hora em que o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral e membro do STF, acaba de levar uma perfeita descompostura em público do presidente da República. No caso, o ministro manifestou-se, antecipadamente, sobre um assunto que deve ser apreciado pelo Judiciário – se o governo tem ou não direito de criar, num ano eleitoral como 2008, programas de distribuição de dinheiro aos pobres. Não se sabe qual seria a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se o ministro tivesse dito que os programas lhe pareciam legais. Como disse exatamente o contrário, foi tratado com um desses discursos em que Lula libera sua porção rottweiler – em geral, na segurança de ambientes fechados, com auditório a favor e a certeza de receber tanto mais aplausos quanto mais bravo parece. Normalmente, Mello não deveria falar nem contra nem a favor de algo que os tribunais ainda vão julgar. Juízes, segundo um antigo e eficaz entendimento de seu trabalho, só se manifestam sobre uma questão na hora de dar a sentença; "falam nos autos". O que se vai fazer? O ministro acha que é sua obrigação falar fora dos autos – por razões "pedagógicas", diz ele. É pouco provável que mude.

O ministro Marco Aurélio Mello fala demais? Fala. Muitos de seus colegas nos tribunais superiores falam demais? Falam. Falam sobre questões que têm ou não têm a ver com o seu trabalho. Dizem o que é bom ou ruim para o Brasil, o que é certo ou errado para os cidadãos e, freqüentemente, o que é "melhor" para um e outros. Dão entrevistas, aparecem na televisão e mantêm assessorias de imprensa. Alguns já se tornaram celebridades. Se não prestarem atenção, podem acabar um dia desses metidos numa camiseta de cervejaria assistindo a desfile de escola de samba. Mas o ministro Mello, no episódio em questão, acabou saindo com a razão que não tinha. Sempre se pode contar com a ajuda do presidente Lula nessas horas: ele passa a operar no seu modo extremo e, aí, fica na posição de agressor. Segundo Lula, o Judiciário não tinha nada de "meter o nariz" em assuntos do Executivo. Desafiou o ministro a renunciar ao STF e ao TSE, eleger-se para um cargo político e aí falar "as bobagens que bem entender". "Como seria bom", disse o presidente, se o Executivo, o Legislativo e o Judiciário só se metessem nas "coisas deles".

A dificuldade, no sonho de Lula, é que o Judiciário tem, justamente, de meter o nariz nas "coisas" dos outros – aliás, isso é tudo o que faz na vida, julgando desde ações de despejo até a legalidade das pesquisas com células-tronco. O que seriam, na visão de Lula, "os assuntos do Judiciário"? Uma disputa entre empregador e empregado na justiça trabalhista, por exemplo, não seria uma questão apenas entre eles? Porque o Judiciário teria de meter o nariz aí? No caso do programa Territórios da Cidadania, que pretende fazer doações de pequenas quantias aos pobres das áreas rurais, há dúvidas sobre se isso pode ou não pode ser feito em 2008. O governo acha que pode. A oposição acha que não pode. É a Justiça, e só ela, que tem de decidir como é que fica. Qualquer que seja, o julgamento vai desagradar a uma das partes; na Justiça, como se sabe, o inferno são as decisões em favor dos outros.

A polêmica entre Lula e o ministro Mello foi a pique diante do debate no STF, muito mais relevante para todos, sobre a lei das células-tronco. O que se pode perceber, mais uma vez, é que o presidente da República tem a tendência de ficar agitado sempre que o Judiciário, o Legislativo, a imprensa ou seja lá quem o incomode não se comporta como o PT. Ali ele é rei e sua palavra é a lei – todo mundo obedece e ainda lhe diz "muito obrigado". É natural, pois quase todos os que subiram na vida dentro do PT não são nada sem Lula – devem a ele os cargos, o carro com chofer e o cartão corporativo. Mas o resto do país não tem nada a ver com isso; ninguém, aí, é obrigado a se comportar como o presidente acha que deve. Nem o ministro Mello, fora ou dentro dos autos.

Corrupção no governo ? Ele sabe o que diz...

Lembram quando o Luiz Inácio falou da corrupção no governo, na sociedade, nas empresas, no Judiciário no lançamento de mais um programa eleitoreiro? Dissemos que ele sabia do que falava, e melhor do que ninguém.

Em reportagem de Rudolfo Lago, da Revista ISTOÉ, mais um capítulo do quanto nossos comunistas e socialistas adoram navegar pela dolce vita do poder. Porém, este prazer, nada tem de ideológico, nada tem de programático. Tem, sim, tudo a ver com as facilidades de se lambuzarem e se alimentarem nas gordas tetas donde jorram leite e mel, na forma dos impostos arrancados do couro do cidadão em nome de um futuro melhor... para eles, os políticos, comunistas ou socialistas,não importa a cor da bandeira ou do partida, mas do que esta camarilha gosta mesmo é do dinheiro dos outros para refestelarem-se nas mamatas que o dinheiro dos outros pode pagar e comprar.

E, especificamente no capítulo das ONGs picaretas, o que não faltam são mutretas na ação entre amigos e companheiros. Segue a reportagem.

Ação em família

ONGs ligadas à deputada Sandra Rosado, envolvida no escândalo dos sanguessugas, receberam R$ 12 milhões em sete anos

A deputada Sandra Rosado (PSB-RN) é casada com o ex deputado Laíre Rosado Filho. São pais de Larissa Rosado. Que foi casada com Francisco de Andrade Silva Filho. Que é presidente da Fundação Vingt Rosado. Que também preside a Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim). As duas instituições foram criadas por Laíre Rosado. Ambas as fundações receberam emendas ao Orçamento apresentadas tanto por Sandra como por Laíre. E ambas estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União por irregularidades na prestação de contas e envolvimento com o esquema dos sanguessugas. A história da Fundação Vingt Rosado e da Apamim, pela relação de parentesco entre os envolvidos, lembra o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade (“João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria...”). É o exemplo de uma situação que tem se repetido nos casos que começam a ser investigados pela CPI das ONGs no Senado. O cruzamento de informações feito até agora demonstra a existência de vários casos em que o ordenador da despesa – ou seja, a autoridade responsável pela destinação do recurso público – e o destinatário são a mesma pessoa, ou pessoas próximas a ela. E, para agravar o quadro, não raro essa destinação, por si só já questionável, resulta em desvio de dinheiro público.

“As informações que temos são de que existem nada menos que 143 funcionários de gabinetes de deputados e senadores que são integrantes de Organizações Não Governamentais”, afirma o senador Raimundo Colombo (DEM-SC), presidente da CPI das ONGs. “No Executivo é bem maior o número: 674 integrantes de instituições como estas têm algum cargo no governo”, continua. Configura-se aí uma situação muito semelhante à que deu origem ao escândalo dos Anões do Orçamento. Na época, descobriu-se que os parlamentares destinavam verbas de subvenções sociais para instituições que eles mesmos montavam e mantinham. Novamente, essa será uma das principais vertentes de nova investigação no Congresso. Depois de seis meses de disputas políticas entre governo e oposição, que emperravam o andamento dos trabalhos, a CPI das ONGs finalmente engrenou na semana passada.

A Fundação Vingt Rosado e a Apamim fazem parte de um rol de instituições cujos indícios de irregularidades já foram detectados pela CPI e serão investigados. O ex-deputado Vingt Rosado integrou uma família de políticos do Rio Grande do Norte que tinha como característica curiosa o fato de seus nomes serem todos algarismos em francês. Morto, virou nome da fundação criada por Laíre Rosado Filho, ex-deputado, hoje secretário de Agricultura do governo do Rio Grande do Norte. O primeiro dado que surpreende é a relação entre os envolvidos. Laíre também é fundador da Apamim. As duas instituições são presididas por Francisco de Andrade Silva Filho, que foi marido de Larissa, filha do ex-deputado com a atual deputada Sandra Rosado. Há ainda uma assessora de Sandra Rosado que também é ligada às ONGs: Maria José Bezerra da Costa. De 2000 a 2007, as duas ONGs receberam R$ 12,08 milhões do Ministério da Saúde.

Além das relações pessoais e de parentesco, outro dado comum entre os envolvidos é que eles são alvo de investigação do Ministério Público ou do Tribunal de Contas. Há até uma determinação de bloqueio de bens de Laíre, Francisco e outros envolvidos. As ONGs envolveram-se no escândalo dos sanguessugas. O bloqueio de bens foi determinado pelo juiz Tercius Gondim Maia, da 8ª Vara Federal em Mossoró. A decisão tem como base a Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa movida pelos procuradores Fernando Braga Damasceno e Marina Romero de Vasconcelos. De acordo com os procuradores, verbas destinadas às duas ONGs foram desviadas pelo esquema comandado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, tido como o chefe da máfia dos sanguessugas. Licitações para a compra de medicamentos eram dirigidas para que o vencedor fosse uma empresa de Mato Grosso chamada Frontal Ltda. Segundo os procuradores, ou os medicamentos não eram enviados ou a compra era superfaturada.

Procurada por ISTOÉ, a deputada Sandra Rosado confirmou, por meio de sua assessoria, que ela e seu marido de fato destinaram emendas às duas instituições. Mas rejeitou as denúncias de desvios. “Eu não falo sobre eventuais problemas, que têm de ser respondidos pelas direções, embora eu tenha total confiança na honestidade das duas instituições”, disse a deputada. “É legal destinar recursos de emendas, e eu destinei para organizações que sei que prestam serviços relevantes à minha cidade. Espero que a investigação esclareça as coisas, porque não tenho nada a temer.”

Esse é apenas um dos casos que se encontram hoje nos arquivos da CPI. De 1999 a 2006, o governo repassou para ONGs e Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) nada menos que R$ 32 bilhões. De 2002 para cá, o nascimento dessas organizações civis teve o impressionante crescimento de 1.180%.

O pior porto do país

Por Luciana Barreto, de Salvador, Revista Exame

Decadente, o porto de Salvador não consegue atender à demanda. O setor privado quer colocar dinheiro. O governo não deixa

O primeiro sinal visível de que há algo errado com o porto de Salvador é a aglomeração de caminhões parados na entrada. Os caminhoneiros estacionam os veículos desordenadamente e se reúnem em rodinhas para conversar. Um motorista cochila numa rede armada entre duas carrocerias. O tempo de espera para carregar ou descarregar um caminhão pode ultrapassar 6 horas. No mar da baía de Todos os Santos, a situação se repete: os navios têm de aguardar em média 8 horas para atracar -- nos dias de mais tráfego, até 24 horas. Por causa da demora, às vezes eles deixam de fazer escala em Salvador para não atrasar o cronograma de outras paradas. Para os donos de cargas -- de agricultores do interior baiano a grandes empresas do vizinho pólo petroquímico de Camaçari --, a saída freqüentemente é utilizar caminhões, mesmo tendo pela frente estradas precárias, ou deslocar mercadoria para outros portos. A petroquímica Braskem, nos períodos de pico de exportação, envia parte dos contêineres por um navio de cabotagem -- que percorre apenas a costa brasileira -- para o porto de Santos, situado a 2 000 quilômetros. Só então a mercadoria passa para uma embarcação internacional. "É melhor ir para Santos do que esperar o próximo navio em Salvador, porque as escalas são escassas", diz Elton Pássaro, gerente de logística da Braskem. O custo da manobra é 6% maior do que quando a viagem é direta. Mas empresas como a Braskem pagam o valor a mais para evitar aquele que é o pior porto do Brasil.

A avaliação é dos principais usuários desse tipo de serviço -- as grandes empresas. Uma pesquisa com 200 executivos de companhias usuárias concluída em janeiro pelo Centro de Estudos em Logística (CEL), ligado ao núcleo de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, posicionou o porto de Salvador na última colocação entre os 18 principais portos brasileiros. A média nacional, segundo os entrevistados, foi de 6,3 pontos, num total de 10. Salvador ficou com meros 5,1. Apenas os terminais privados de Ponta da Madeira, no Maranhão, e Tubarão, no Espírito Santo, e o porto público de Suape, em Pernambuco, foram considerados de padrão excelente. O estudo também indicou que em Salvador houve, no período analisado, redução de carga. O volume anual, em média de 3 milhões de toneladas, caiu 7% em 2006 e teve apenas ligeira recuperação no ano passado. A paradeira, ironicamente, ocorre num momento de expansão da economia da região. "Os fatos mostram a decadência do porto de Salvador", diz Paulo Fleury, diretor do CEL.

O porto acumula desde problemas simples de ser corrigidos, como a falta de uma cobertura para os caminhões que estão fazendo carga e descarga, até questões complexas, como a dificuldade de acesso rodoviário e a lentidão na armazenagem. Um problema estrutural é a profundidade insuficiente para receber os grandes cargueiros modernos. No cais principal, o do terminal de contêineres, a profundidade é de 12 metros. O mínimo considerado ideal seria de 13,5 metros. "Não conseguimos atracar em Salvador nossos navios maiores, e isso aumenta o custo", afirma José Balau, diretor de operações no Brasil da Hamburg Süd Aliança, uma das maiores companhias de navegação do mundo.

A verdade sobre a esquerda criminosa

Adelson Elias Vasconcellos

A reportagem a seguir foi publicada na Revista VEJA deste final de semana, e ela vem de encontro aquilo que, ao longo da crise Colômbia x Equador, insistíamos em afirmar: a intromissão indevida do aprendiz de feiticeiro Hugo Chavez revelava seu desejo quase incontido de provocar uma guerra no continente. Não foi ainda desta vez, mas o perigo é real. Ninguém está livre deste maluco desatinado eclodir uma situação bélica no continente. Seu movimento de armar e aparelhar as forças armadas da Venezuela é mais do revelador. Sua ações estabanadas, seu discurso imbecil e sempre agressivo e ameaçador, reflete a mente doentia deste estrume psicopata. E na medida que seu guru, o ditador cubano Fidel Castro, foi fisicamente tornando-se impossibilitado de seguir avante, Chavez cada vez mais foi desejando tomar o seu lugar.

Estamos diante de um projeto em que as esquerdas latino-americanas, aliadas ao narco-tráfico, desejam transformar a América numa cópia do que um dia foi a antiga URSS. Claro que Lula é sócio do clube, e o tal projeto só não avançou ainda mais em razão da fortaleza das instituições democráticas brasileiras, do gigantismo da nossa economia. Mas não se enganem: Lula e seu partido, o PT, estão sim seguindo um roteiro que está embutido no grande projeto do tal Foro de São Paulo, do qual Lula é fiador e fundador, e que já na condição de presidente, não se furtou em comparecer e discursar num congresso dos cretinos.

É saudável que a imprensa brasileira passe a cada vez mais informar a população brasileira nas mãos de quem o país está entregue. Se, na década de 60 os militares impediram que se instalasse no país a ditadura socialista, a partir dos anos 80, este projeto tomou corpo e forma porém numa amplitude mil vezes estendida. O alvo não é mais o Brasil, e sim as Américas do Sul e Central.

Deste modo, louve-se a atitude corajosa da Colômbia que tomou a iniciativa de enfrentar a canalhada toda. O silêncio e a omissão de Lula e seu governo representam, sim, a cumplicidade com que ele e seus capangas se relacionam com o que há de pior, seja na prática de crimes contra indivíduos e instituições, seja na ação terrorista contra estados legais, se instalou nos últimos 25 anos.
Leiam atentamente no post abaixo a reportagem que desnuda a verdade sobre Lula, seus capangas e sua organização criminosa.

Por que Chávez quer a guerra

Thomaz Favaro, Revista Veja


O uso das Farc para desestabilizar a região tem um entrave: a Colômbia está vencendo o terror

O destempero verbal é uma característica dos caudilhos fanfarrões e, na maior parte das vezes, não deve ser tomado ao pé da letra. A saraivada de insultos e ameaças disparados por Hugo Chávez contra o governo da Colômbia pertence a uma dimensão mais perigosa – aquela na qual trafega o projeto de poder totalitário da esquerda radical na América Latina, único lugar do mundo onde essas sandices que envenenaram o século XX ainda parecem ter algum fôlego. A verborragia do presidente venezuelano é um elemento da estratégia de fomentar tensões na região. Caso os colombianos caíssem na armadilha de reagir à mobilização de tropas venezuelanas, na semana passada, Chávez talvez tivesse conseguido o que queria. Ele desejava uma escalada militar. Nas sombras, por procuração, Chávez já se envolveu na luta armada contra o governo democrático do país vizinho. O governo chavista é hoje o principal patrocinador político e financeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A esquerda radical da América Latina, liderada por Chávez, sonha usar essa organização, cuja especialidade são os seqüestros e o narcotráfico, para criar um clima de guerra que cause a desestabilização dos governos democráticos do continente. Ironicamente, a oportunidade para tocar esse projeto foi fornecida por uma nova derrota do terrorismo.

Na madrugada de sábado, primeiro dia de março, um ataque aéreo colombiano devastou um acampamento das Farc instalado nas matas do Equador, a menos de 2 quilômetros da fronteira com a Colômbia. O bombardeio matou Raúl Reyes, o segundo na hierarquia da organização, e 22 de seus companheiros. Reyes era um dos sete membros do secretariado, o comando central das Farc. Dos escombros do acampamento, os militares colombianos recolheram o corpo do chefe terrorista e três computadores portáteis cujo conteúdo se revelou explosivo. Nos arquivos digitais estava a correspondência interna da organização. Nela se pode ler que Chávez entregou ou iria entregar 300 milhões de dólares ao terror e que eram excelentes as relações com o governo do presidente do Equador, Rafael Correa.

Chávez pranteou o morto com um minuto de silêncio em seu programa semanal de televisão. Em seguida, pôs-se a divagar sobre a longa amizade existente entre eles. Contou que, depois de deixar a prisão (fora preso como cabeça de um golpe militar fracassado), em 1994, compareceu a uma reunião do Foro de São Paulo, em El Salvador. Ali teve a oportunidade de conhecer Lula, então apenas um líder de oposição, e também o terrorista Reyes. O ataque colombiano constituiu-se em inquestionável violação do território do Equador. Mas o episódio teria ficado por aí, tivesse os dois países igual interesse em reprimir o narcoterrorismo – coisa que, sabe-se agora, não está nos planos do Equador. Em 1998, tropas colombianas utilizaram, sem permissão, uma pista do Exército brasileiro no Amazonas para atacar guerrilheiros na Colômbia. Houve protesto oficial do Brasil, a Colômbia se retratou publicamente e o incidente encerrou-se sem maiores percalços.

Dada a oportunidade, Chávez fez soar as "trombetas da guerra", como disse seu mentor Fidel Castro. Mobilizou tropas, fechou as fronteiras e rompeu relações diplomáticas. Equador, Bolívia e Nicarágua, estados clientes de Caracas, fizeram o mesmo. Com a ajuda diplomática do Brasil e de outros países, o contencioso foi levado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Saiu dali um acordo morno, que reafirmou a inviolabilidade das fronteiras, mas não condenou a Colômbia. O balanço do episódio desnuda uma distorção de valores existente no continente. "Dez anos atrás, financiar um grupo terrorista em um país vizinho com dinheiro público, como faz a Venezuela, seria uma atitude impensável e absolutamente condenável por qualquer regime", observa o boliviano Eduardo Gamarra, diretor do Centro para a América Latina e o Caribe da Universidade Internacional da Flórida. Hoje, Chávez faz isso com naturalidade, como se a promoção do terror fosse um direito natural de cada governante.

O presidente Chávez diz que seu objetivo é unir toda a América do Sul em um único país, projeto que ele atribui a Simon Bolívar, o herói venezuelano do século XIX. A diferença entre o presidente venezuelano e outros líderes esquerdistas com delírios similares é que Chávez tem poder econômico para bancar aventuras. "Por falta de recursos, Fidel Castro foi forçado a restringir o financiamento e o treinamento de grupos guerrilheiros", diz o ensaísta peruano Álvaro Vargas Llosa. "Como tem dinheiro, Chávez partiu para um patamar superior, influenciando diretamente grupos e países." Sob a fachada da solidariedade bolivariana, Chávez busca estabelecer relações de dependência com os vizinhos. Na Bolívia, ele financiou a carreira de seu clone, Evo Morales. Rafael Correa é grato pelo petróleo equatoriano que a Venezuela refina a preços camaradas. "Não por acaso, os países mais subalternos a Chávez, a Nicarágua e a Bolívia, são justamente aqueles que mais necessitam de sua ajuda econômica", aponta o venezuelano Elias Pino, da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.

Chávez identifica na Colômbia o maior obstáculo a seu plano de expansão da revolução bolivariana, especialmente na América do Sul. O país é uma democracia, usufrui economia próspera e se tornou um aliado-chave dos Estados Unidos. O povo apóia majoritariamente o governo do presidente Álvaro Uribe e o sistema democrático. Quer distância do chavismo e de outras excentricidades. A Colômbia é exatamente o contrário de tudo aquilo que Chávez acredita e defende. O presidente da Venezuela sabe que, enquanto as Farc mantiverem a campanha de terror, não apenas o presidente Uribe mas a própria Colômbia estarão impedidos de exercer um papel de liderança na região. Apesar do dinheiro fácil do petróleo, a economia da Venezuela anda mal das pernas. A população está irritada com a inflação, com a escassez de produtos básicos e com o aumento da criminalidade. O presidente precisa desviar as atenções para um inimigo externo. Ao que parece, sem sucesso. Pesquisas mostram que 85% dos venezuelanos discordam de seu comportamento nessa crise. Talvez ele tenha apostado no cavalo errado. As Farc têm sido impiedosamente surradas pelo Exército colombiano. Apesar de a ajuda venezuelana ter lhes dado algum fôlego, o cerco aperta. Apenas três dias depois da morte do número 2, foi morto Ivan Rios, o número 3 das Farc. Por isso, todos se perguntam onde anda Manuel Marulanda, o chefe supremo da organização. Os boatos são de que se refugiou na Venezuela, sob as asas de Hugo Chávez.


O que diz o laptop de Reyes
Alexandre Salvador, Revista Veja

Os três computadores portáteis de Raúl Reyes, o número 2 das Farc, recolhidos pelos militares colombianos, são uma fonte de informações sobre os bastidores do terrorismo como poucas vezes se viu. Pela leitura dos arquivos digitais percebeu-se que o acampamento servia como uma minicentral terrorista internacional. A correspondência entre o secretariado das Farc e Hugo Chávez confirma a ajuda financeira do presidente venezuelano. Os terroristas receberam 300 milhões de dólares e a oportunidade de criar empresas de investimentos na Venezuela, com possibilidade de obter contratos públicos no país. Chávez, veja só, tem uma dívida de gratidão pelos 150 000 dólares presenteados pelas Farc quando ele esteve preso. Registros comprometedores mostram que o presidente Rafael Correa enviou seu ministro de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, para "oficializar as relações com a direção das Farc". Correa estaria disposto a "trocar comandos da força pública com comportamento hostil" às Farc na região. Em troca, pediu às Farc que coordenassem "cursos de organização de massas para nativos da fronteira". O Brasil é mencionado nos documentos como um dos possíveis membros do Grupo Bolívar, conjunto de países que reconheceriam as Farc como força beligerante e receberiam terroristas em seu território. A diplomacia terrorista não se limitava à América Latina. As Farc mantinham contatos com partidos comunistas europeus e com os terroristas bascos da ETA. Com base num dos arquivos de Reyes, a polícia tailandesa pôde prender, na semana passada, o mais notório traficante internacional de armas, o tadjique Victor Bout. Um sinistro fornecedor de armamentos para as Farc e para as guerras tribais africanas, ele serviu de inspiração para o personagem vivido por Nicolas Cage no filme O Senhor das Armas