terça-feira, agosto 22, 2006

Gigante adormecido no berço do atraso.

Saiu nova rodada de pesquisas eleitorais, agora pelo DATAFOLHA, e mantém-se a vantagem de Lula sobre Geraldo Alckimin, com a possibilidade de eleger-se já em primeiro turno. Recebi vários e-mails dizendo que eu havia perdido a aposta, e até o esforço, em tentar ir contra a corrente.

Primeiro, que não perdi nada, o fato de acreditar mais num candidato do que no outro não significa perda minha. Segundo, o candidato não era eu, era Alckimin. Se foi incompetente para ganhar uma eleição em que tinha toda a munição do mundo para desconstruir seu maior adversário, quem perde é Alckimin.

Mas neste perde e ganha, o prejuízo fica mesmo para o País, ele quem sofrerá ainda mais por escolher um desqualificado. E o que é pior: ao apostar em Lula de novo, o país está abrindo brecha para a licenciosidade na administração pública. Se sob a batuta do maestro Lula, nunca se roubou tanto neste país, ao ser reeleito, sentir-se-á tentado em repetir toda a sordidez, e em doses cavalares. Como também, os artífices ou paus-mandados sentir-se-ão encorajados na sua sanha de assaltarem impunemente os cofres públicos. Bem como estaremos institucionalizando o poder da farsa e o império da mentira no exercício da Presidência da República. Estaremos abençoando com a impunidade todos os que desviaram dinheiro do contribuinte que deveria retornar à sociedade investidos em saúde, educação, estradas, segurança, saúde, e sob o manto protetor do Poder Executivo, leia-se Presidente Lula, com a pérola do não viu, são sei e não sabia, sumiram no ralo das ratasanas republicanas.

Como se poderá transmitir a um filho ou filha que não se pode mentir, não se pode roubar, não se pode corromper, quando tais valores gracejam no poder público do país em que nasceram, vivem e moram ? Que sociedade de hipocrisia estamos construindo achando que ela nos levará para o altar das grandes nações do mundo, se os valores mais básicos em que se sustentam as grandes sociedades mundiais estamos enterrando e lhes dando as costas ? Como esperar de nossos filhos respeito ao próximo, educação, esforço dedicado na sua formação, quando bastante é ser político e locupletar-se à vontade assentado em cargos públicos ?

Não, definitivamente, o Brasil está dando às costas para o seu futuro. Estamos alimentado a degradação do tecido social ao consolidar-se com vigor valores destrutivos da moral humana ! Triste e deprimente espetáculo de um país do qual se tinha tanto para sermos felizes, tantas riquezas, natureza estonteantemente bela e generosa, capitaneado por sórdidos e corruptos, que se servem com volúpia do esforço coletivo para submetê-lo aos interesses subalternos de sua desfaçatez !

Conclusivamente, não sou quem perco. Quem perde, e muito, é o Brasil. Um País que reconhece um grupo terrorista como Hezbollah como partido político, um país que faz solene reverência ao ditador cubano com mesuras de chefe de estado, após ter matado milhares de cubanos, condenado grande parte de seu povo ao desterro e para os que lá permanecem oferece-lhes uma vida miserável, com carências de todo o tipo, país que precisa sobreviver da esmola dos vizinhos para ter o básico ! Como compreender um futuro moderno e livre para um povo culto e próspero que se alimenta da ideologia do atraso e do extermínio de milhões ?

Quem perde em outubro serão milhões de pessoas em novas gerações condenadas a sobreviverem no caos, sob o império do arbítrio, entregue a bandoleiros sustentados em sua vagabundagem pelo Estado que os acumplicia para soterrar os sonhos e as esperanças de uma vida digna e democrática! Propriedade só se reconhecerá o Estado, tudo lhe pertence, a alma, as liberdades, o pensamento, os direitos, as consciências. Ao resto, o dever de sustentá-los.

Quem perde é o Brasil, que vai ignorar o significado da lei, da ordem, da moral e da decência. Se a escolha é esta, não me peçam para me curvar diante dela. Não quero viver atracado com as bestialogias, quero meu pensamento e minha palavras livres para voarem de encontro ao belo, ao grandioso, ao conhecimento, à tecnologia, ao modernismo. Os quero soltos correndo pelas avenidas de todo o progresso que a vida lhes possa proporcionar. Os desejo expandidos para andarem solenes, sem medo de serem assaltados em seus direitos mais fundamentais. Quero poder escolher meu próprio futuro e minhas próprias ideologias, sem ficar manietado à ranços que a civilização já enterrou, junto com os milhões que eles assassinaram. Não quero minhas liberdades sepultadas por vermes ultrapassados, não aceito ver o fruto do meu esforço e do meu trabalho, assim como de milhões de tantos outros, para patrocinar e sustentar bordéis republicanos e bacanais anacrônicos de seres indigestos, pútridos e que se alimentam da sociedade com a febril loucura da extorsão, do desvario, para favorecerem com seu despudor os amigos do rei, que não se envergonham de degustarem vinhos de R$ 3.000,00, pagos em espécie, em regalados almoços de bate papo pueril, enquanto atiram na sarjeta míseros R$ 75,00 ao mês para a turba de miseráveis se alimentar feito pulgas amestradas !

Enlouqueceram o país. Compraram as consciências e a razão. Roubaram a decência, a dignidade e a conspurcaram com as vestes da ignorância, imolaram a liberdade do pensamento racional. Milhões de inconscientes seres inanimados, vegetativos e embriagados, dormindo o sono pendular de todos os doidos varridos, arremetidos em sonhos de fantoches. Gigante adormecido em berço do atraso. Que suave seja o teu despertar para a realidade entristecedora e dolorosa que aguarda a tua alma.

Hoje, antes da divulgação do resultado das pesquisas, disse o Presidente: “Se alguém tiver alguma denúncia, aproveite o meu governo e o faça. Acho que isso é dinheiro que poderia ser revertido para programas sociais e ajudar o povo brasileiro

Minha resposta ao Presidente Lula: “Que tal denunciar o presidente da república por crimes de responsabilidade, formação de quadrilha, extorsão, perjúrio, falso testemunho, crimes eleitorais, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, malversação de recursos públicos, improbidade administrativa, omissão e negligência na administração dos negócios públicos ? Será que o impeachment sai ? E será que ele devolveria o salário mal empregado que lhe foi pago além do montante de todo o dinheiro que deixou seus companheiros roubarem dos cofres públicos? Provavelmente se devolvessem, os programas sociais talvez até pudessem ser ampliados e melhorados.

Fraude eleitoral em favor do PT !

A denúncia a seguir foi feita pelo Ministério Público , que encaminhou ao TRE, onde está...paradinha! Bem, assim sendo, a eleição em Guarulhos foi uma farsa. Imagine se isso acontece no resto do País?

O Jornal da Band trouxe uma reportagem nesta segunda-feira, 21.08., sobre fraude nas urnas nas eleições municipais de Guarulhos. Segundo o que foi mostrado, os cards das urnas foram alterados e os votos brancos e nulos, assim como as abstenções (?) foram computados para o candidato vencedor, no caso....PT.
Caso não tivesse ocorrido a fraude, um segundo turno teria se realizado.
Então, é de se perguntar:
1°) Por que, processo de fraude de natureza gravíssima permanece parado no TRE ? E o ministro Marco Aurélio, tão preocupado em jogar a responsabilidade nas costas da sociedade pela escolha de maus políticos, não seria sua responsabilidade verificar a fraude, e, se for o caso, punir quem a cometeu, ou lavará as mãos novamente ?
2°) Não seria o caso do paladino da justiça, ministro Márcio Thomaz Bastos, tão preocupado em aparecer em horário eleitoral fazendo propaganda para candidato do PT, intervir e providenciar a rápida tramitação do processo, ou por que a fraude envolve diretamente o PT não é interessante averiguar ?
Baseado no relatório, a eleição de outubro fica, evidentemente, sob suspeita. Abaixo, transcrevemos parte do Relatório, que poderá ser acessado na íntegra, em arquivo PDF. Texto completo do Relatório aqui.
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RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIA DAS ELEIÇÕES DE 03/10/2004
MUNICÍPIO DE GUARULHOS - SP
O presente relatório destina-se a explicar o processo de verificação e os resultados obtidos, das 1382 Urnas Eletrônicas utilizadas nas Eleições de 03/10/2004, em Guarulhos – SP.
Para tanto, valeu-se de arquivos magnéticos (logs), atas de cerimônia de geração, lacração e dos sistemas de totalização, bem como informações fornecidas pela Secretaria de Informática do TSE, além do confronto e cruzamento com os arquivos magnéticos do Referendo 2005 que continham informações do citado pleito.
Os resultados obtidos da verificação, que contou com trabalhos desenvolvidos no decorrer de 14 meses e exaustiva e contínua análise das mais de oito milhões de linhas de logs utilizadas, concluiu pelo que vai adiante.
Da leitura deste relatório deve-se levar em conta o esforço para simplificar a explanação, dada à elevada quantidade de informações decorrentes do trabalho. Os detalhes analíticos, entretanto, encontram-se nos relatórios específicos e nos arquivos magnéticos anexados ao presente.
Outra questão a se levar em conta é que a abordagem refere-se ao Município de Guarulhos, Estado de São Paulo, o que não dispensa os demais. Finalmente, considere-se que a conclusão é benéfica ao sistema de votação, na medida em que indica seus pontos frágeis e permite encontrar os meios de evitar novas e eventuais fraudes e vícios como os que estão, ao final, demonstrados.
1 – A ruptura e invasão dos sistemas de votação eletrônicos
1.1 – Os primeiros vestígios da atuação do agente fraudador com objetivos de burlar o sistema foram encontrados nos relatórios emitidos pelo TRE-SP, os quais demonstram que os códigos de carga das correspondências esperadas tiveram o seu prefixo separado por um espaço em branco (oculto) e que foi revelado na geração do relatório.
1.2 – Tratando-se o código de carga do número constituído por 24 dígitos, conforme explicado pela Secretaria de Informática do TSE, composto pelos números da zona eleitoral, seção, data e hora da gravação dos cartões de carga e votação, etc., e que é resultante do cálculo por meio destes dados, não poderia ele jamais alcançar 25 dígitos, um a mais, ainda que em branco ou oculto.
1.3 – Tal evidência, todavia, seria apenas capaz de isoladamente constituir mero indício, não fosse por outras correlacionadas, que demonstram cabalmente o sistema haver sido violado, como por exemplo, a constatação de cargas de urnas eletrônicas geradas ao mesmo tempo e na mesma data – o que é fisicamente impossível – haja vista dois ou até três corpos (disquetes) não poderem ocupar o mesmo espaço (“drive” de computador) ao mesmo tempo.
1.4 – A afirmativa encontra substância quando ao examinar 1382 cargas nas correspondências esperadas confrontadas com as recebidas, percebemos nitidamente que somente o efeito acima demonstrado é encontrado em 28 destas cargas, diferentemente do que ocorre em todas as demais, que entre carga e outra, demandam cerca de 4 a 5 minutos para serem conclusas, exceto quando geradas por cartões de memória (“flash card”) diferentes, porém, nunca pelo mesmo cartão.
1.5 – O efeito provocado por estas cargas, as quais na linguagem popular e dos que militam na informática são denominadas de clonagem, serviram para distribuir, anular e até mesmo para transferir votos, pois que podem perfeitamente servir de nicho para programas mal intencionados inseminados no sistema, o que contaminou a totalização e substancialmente o resultado. É o que adicionalmente constataremos adiante.
1.6 – Verifica-se, pelo relatório de urnas geradas ao mesmo tempo em anexo, que a soma dos eleitores habilitados a votar nas seções em que se perpetraram as clonagens é exatamente igual ao número de justificativas da mesma Zona Eleitoral que contém o cartão de memória (“flash card”). O volume da votação é equivalente a 10.341 eleitores habilitados, igual às 10.341 justificativas encontradas nos “logs” das urnas correspondentes. O fato não consiste em mera coincidência, conforme se verá, pois a situação repete-se na apuração global”.
Mais adiante o relatório é categórico:
“1.7.2 – Não bastasse, observa-se no referido registro de log, que um outro agente, embora usando o mesmo número de usuário, entrou no sistema, fisicamente ou por meio de programa preparado previamente, para intervir nas totalizações.
1.7.3 – O vestígio que traiu o agente sorrateiro é evidente quando se avista no relatório que o mesmo usuário ora tem o perfil de operador e ora, somente nas totalizações, este perfil está em branco. Claro está que o sistema foi manipulado por outro que não o operador, o qual se camuflou deste por meio de sofisticado disfarce informático. O reforço da tese vem da observação atenta de todo o relatório, onde não se encontra outra situação onde o perfil do usuário não esteja declinado.
1.8 – Não é preciso, pois, minudenciar os milhares de linhas de comando dos programas informáticos utilizados no sistema de votação eletrônica empregado no pleito ora reclamado, a não ser para evitar danos futuros, para concluir que o houve séria ruptura na segurança, tendo em vista a inseminação ocorrida em pontos chave – na geração de mídias e totalização. O fruto contém a semente e a semente, o fruto – pelo qual se conhece a árvore.
1.8.1 – A tese vem célere e encontra respaldo quando examinados os “logs” de registro do gerador de mídias. Em 27 de outubro de 2004, à noite e fora do expediente do cartório eleitoral, o mesmo agente penetrou indevidamente no sistema e efetuou a geração de 99 flashes de votação. Vinte e três dias após a totalização final!

Leituras recomendadas - 12

SAMBA DA SAÚVA POLÍTICA

por Plínio Fraga, na Folha

Eis que a saúva foi geneticamente modificada. Agora, ou o Brasil reforma o sistema político, ou o sistema político acaba com o Brasil.
Andam pelas páginas de livros e jornais panegíricos sobre a imperiosa necessidade de mudanças nas leis para que o sistema de representação democrático seja purgado, melhorado e modernizado.
Parecia propaganda das Organizações Tabajara, mas estava em uma das gazetas de ontem, a estragar o domingo, um artigo de prócer lulista a revelar: "as disputas eleitorais amesquinham e sectarizam as inteligências" -antes achava-se que eram elas a essência da democracia- ; "o modelo político é um entrave ao correto funcionamento das instituições e ao próprio desenvolvimento nacional" -estava quase a perguntar em que gabinete de Brasília despacha esse cara, o tal modelo político, ou qual agência de celebridade tem ele sob contrato. E o prócer continuava, citando "as forças do atraso", alertando que "os conflitos podem degenerar em confrontos, esgarçando o tecido social" e propondo como solução a fidelidade partidária e o financiamento público da campanha eleitoral. Concluía: "Alega-se que o financiamento público exclusivo custaria caro ao país. Diga-se apenas que serão escandalosamente maiores os custos morais e financeiros do financiamento privado".
Calma aí: eles fazem o caixa dois, ganham propinas de intermediação de contratos públicos e de interesses privados, compram votos no Congresso, compram Land Rovers, mulheres e charutos cubanos e propõem como solução para isso a colocação de mais dinheiro público à disposição dos impolutos?
Em resposta à verve de Luiz Dulci, só restou o samba do Paulinho da Viola: "Depois dessa, fui em busca do meu antidepressivo e afundei no sofá com meus jornais".

(Texto completo aqui)


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SÍNDROME DA BRANCA DE NEVE


por Percival Puggina, escritor

Apesar de sua imensa significação no destino dos povos, a questão dos consensos permanece como tema restrito ao debate acadêmico. Não deveria ser assim porque o assunto é muito importante. Consensos corretos sobre coisas relevantes produzem resultados positivos e consensos errados determinam inevitáveis desastres. Sob o ponto de vista político, não hesito em afirmar que o mais danoso de nossos consensos se expressa na idéia de que as instituições nacionais não funcionam. Bem ao contrário, elas funcionam. E grande parte dos males que observamos decorre de seu funcionamento. Cito alguns dos mais evidentes: a transformação da administração pública em moeda de troca dos acordos, a hipertrofia do Estado, a politização do judiciário e a judiciarização da política, a irresponsabilização dos parlamentos, a impunidade geral, os muitos instrumentos de corrupção cristalizados nas práticas políticas, e o estímulo institucional à representação política dos grupos de interesse.
O lamentável consenso segundo o qual as instituições que temos poderiam operar dando origem a resultados diferentes e melhores, imobiliza a sociedade em relação à necessária reforma institucional e nos leva a esperar que um dia, com outros figurantes, as coisas possam andar melhor. Com isso, fulanizamos o debate político, desprezamos a imperiosa reflexão sobre as relações de causa e efeito que determinam os fatos da vida do país, e empobrecemos partidária, política, cultural, social e economicamente.
Se instituições democráticas devem ser como as que adotamos, e que para resolver nossos problemas basta fazê-las funcionar, cabe indagar: e como ficam a Alemanha, Itália, França, Holanda, Bélgica, Noruega, Suécia, Dinamarca, Espanha, Portugal, Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda, Austrália, Canadá, Japão? Não são democracias? Não adotam outros padrões e funcionam melhor do que nós? Pois é. Mas persistimos na convicção de que democracia de qualidade é a que se obtém com o bem sucedido modelo que utilizamos no Brasil, na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia, no Peru, no Equador e tutti quanti.
À semelhança de todos os nossos vizinhos, tornamo-nos portadores da Síndrome da Branca de Neve. Alimentamo-nos com as maçãs envenenadas que frutificam do péssimo modelo que adotamos. Entramos em letargia sobre as necessárias mudanças. E ficamos esperando o príncipe que nos conduzirá, na garupa de seu cavalo branco, para o reino encantado da boa governança. Enquanto não aparece esse nobre cavalheiro que estamos aguardando há mais de um século, nos empanturramos de análise marxista. Vamos lendo Frei Betto e Eduardo Galeano e pondo a culpa nos perversos exploradores da nossa alva e dormente inocência: o capitalismo, a globalização, o latifúndio, o FMI, o Consenso de Washington, o neoliberalismo, o Bush, o Império (para falar como o adoecido Fidel Castro) e por aí afora. A cada ano esse indigente discurso escolhe a Rainha Má da vez.

(Texto completo aqui)