Adelson Elias Vasconcellos
Bem, vocês leram na reportagem no Estadão (post anterior), o quão “responsável” é Lula como presidente, em momentos de crise. Desde que este tormento começou a abalar os mercados financeiros, os analistas sempre foram unânimes em afirmar que, primeiro, a crise não era pequena e, em segundo lugar, que iria atingir a todos, indistintamente, uns mais outros menos, a depender da situação econômica de cada país.
E como, desde então, Lula vem se comportando? Conforme afirmei aqui hoje, e reafirmo agora, sempre de forma leviana. Simplesmente tem dado de ombros, fazendo pouco caso, tratando com um desdém inacreditável uma crise que, seja no plano financeiro, ou na economia real, já atingiu o país. Ainda no final de semana, em carreata politiqueira em São Bernardo do Campo do Campo, afirmou com todas as letras, de que a crise, nos Estados Unidos, “é um tsunami, enquanto por aqui não passa de uma marolinha”.
Todo o santo dia Lula declara, sem nenhum pejo que: não haverá pacotes, mas desde a semana passada, seu governo tem editado de duas a três medidas diárias; que o PAC não sofrerá atrasos, embora ainda esteja empacado e, diante da escassez, ficará difícil ele arrumar os mais de 200 bilhões necessários para dar continuidade à embromação; que o país vai mostrar como se cresce na crise, e que vai licitar tais e tais obras, muito embora, para a licitação, ele não precise de nenhum tostão, ao contrário da construção que exigirá os bilhões que o mercado atualmente não dispõem.
Isto lá é hora para agir com irresponsabilidade? Em seu discurso o que se sobressai é a bravata de um aventureiro que não se deu conta da gravidade da situação e que afetará o país, independente de classe social. Cautela, neste momento, é o mínimo que se poderia esperar de um presidente que se julga estadista. Assim, ao invés de encarar a realidade com a cara e a coragem de mandatário maior da Nação, o que o distinto faz? Sobe nos palanques eleitoreiros (bancados com dinheiro público) e fica soltando um discurso de fala leviana, incitando o povo a levar a vida como se nada de grave ocorresse à sua volta. Ora, convenhamos, acaso a manutenção dos índices de popularidade são tão assim mais importantes do que assumir responsabilidades perante o povo?
É fácil acusar a ciranda financeira dos últimos anos e chamá-la de circo, difícil, e para Lula seria impossível, é admitir e reconhecer o quanto de benefícios este circo proporcionou ao Brasil, e justo no período em que o senhor Luiz Inácio nos desgoverna ! Aliás, na base de sua popularidade beirando os 80%, está justamente o circo que ele acusa e aponta, mas sempre na direção dos outros.
Por outro lado, e a bem da verdade, devemos lembrar que esta não é a primeira, e talvez, não será a derradeira vez em que Lula, diante de uma crise, foge da raia. Em 2006, diante da crise de segurança em São Paulo, por conta e obra do PCC, só soube vir a público para acusar os outros, esquecendo de que até então já editara três “fabulosos” programas de segurança com resultados ridículos. Enquanto a crise durou, jamais foi a São Paulo ou discursou em cadeia de radio e televisão para levar solidariedade às vítimas. Do mesmo modo, quando o problema se transferiu para o Rio de Janeiro. Como também, quando o Rio de Janeiro foi acometido do maior surto de dengue de sua história, por culpa e graça de sua incompetente política de saúde. E, se isto tudo não bastasse, jamais foi a são Paulo no auge do maior desastre aéreo da história do país, fruto do “apagão aéreo” que acometeu o país como resultado de uma administração bisonha do setor.
Agora, depois de tanta hipocrisia, cretinices e bravatas, não querendo pagar nenhum ônus político da crise financeira que, diga-se, não foi provocada pelo Brasil, mas que nos atinge e nos afeta, não querendo se mostrar contraditório no discurso que proferiu para fins unicamente eleitoreiros, pede que Mantega se dirija à Nação e dê declarações ? Ora, senhor Luiz Inácio, o país precisa de presidente não é apenas para dias de festa, não ! Também se faz necessária sua presença justamente em momentos de crise, porque é justo nestes momentos que se reconhece o verdadeiro homem público, e não um aventureiro, fraco, ordinário, omisso. Sua reeleição o obriga a se posicionar com a cara e a coragem e alertar a população para agir com prudência, não se atirar em compras de longo prazo, se possível até adiar as menos necessárias. Porque estejam certos, queira Lula ou não, diante da crise dentro da qual já estamos mergulhados, não há milagres para manter o crescimento nos níveis que vínhamos mantendo. Vai haver recessão e terá caráter mundial. Países ricos, emergentes ou pobres, todos serão atingidos em maior ou menor grau, inclusive o Brasil. Lamento informar, mas chegou a hora de pagar a conta pelos benefícios recebidos. Assim, o mínimo que se pode esperar de um presidente sério e que respeita seu povo, é que tome a iniciativa de vir a público para fazer o alerta. Não é para disseminar pânico, nem tampouco acusações imbecis. E, sim, transmitir segurança, orientar prudência e acalmar os ânimos daqueles que, dado o pouco acesso à informação, poderão sentir-se desorientados pelo constante bombardeio de más notícias sobre os mercados internacionais em terremoto.
Na edição de hoje, editamos duas resenhas do TOQUEDEPRIMA..., uma de cunho político, em razão do primeiro turno das eleições municipais, e outra tratando especificamente da crise financeira e suas conseqüências. Além disto, é importante ressaltar a reportagem da BBC de São Paulo que fez um apanhado bem resumido, mas consistentemente, de todas as graves conseqüências que a crise financeira está impondo ao país.
Deste modo, insistimos em reafirmar ser não apenas indispensável a fala presidencial à Nação, mas ela é uma obrigação maior que a investidura no cargo impõem a quem o ocupa. Que mal ou quê prejuízos”políticos” podem haver, em Lula seguir ele próprio a orientação que transmitiu ao seu Ministro da Fazenda? Em que termos ? De que "a gravidade da crise tem de ser mostrada para a população". Este é o seu papel e dele é covardia tentar escapulir.
O que não pode é agir de forma ordinária e mesquinha, isto para dizer o mínimo, ao comentar que a oposição pode tentar obstruir as votações, e advertindo que "o governo tem maioria no Congresso e a obstrução só surte efeito quando a maioria não insiste em votar". Este é puro terrorismo e tremenda canalhice. Porque, quem muito fez este papel rasteiro foi ele próprio quando esteve na oposição, mas a sua falta de caráter não pode ser estendida e generalizada para todos os homens públicos deste país, até porque, rigorosamente, até quanto se saiba, a única coisa que Lula nunca teve, desde que assumiu, foi justamente uma oposição no Congresso. Agisse a oposição a ele da mesma forma xiita como ele se portou em relação aos outros, e por certo, o país não teria andado tão para trás no plano institucional.
Assim, é de se esperar que, até o final de seu mandato em 2010, pelo menos em uma ocasião, Lula assuma seu real papel perante a sociedade brasileira e a ela se dirija em momentos de crise. Esta, de agora, é uma excelente oportunidade para ele parar de transferir responsabilidades.
Bem, vocês leram na reportagem no Estadão (post anterior), o quão “responsável” é Lula como presidente, em momentos de crise. Desde que este tormento começou a abalar os mercados financeiros, os analistas sempre foram unânimes em afirmar que, primeiro, a crise não era pequena e, em segundo lugar, que iria atingir a todos, indistintamente, uns mais outros menos, a depender da situação econômica de cada país.
E como, desde então, Lula vem se comportando? Conforme afirmei aqui hoje, e reafirmo agora, sempre de forma leviana. Simplesmente tem dado de ombros, fazendo pouco caso, tratando com um desdém inacreditável uma crise que, seja no plano financeiro, ou na economia real, já atingiu o país. Ainda no final de semana, em carreata politiqueira em São Bernardo do Campo do Campo, afirmou com todas as letras, de que a crise, nos Estados Unidos, “é um tsunami, enquanto por aqui não passa de uma marolinha”.
Todo o santo dia Lula declara, sem nenhum pejo que: não haverá pacotes, mas desde a semana passada, seu governo tem editado de duas a três medidas diárias; que o PAC não sofrerá atrasos, embora ainda esteja empacado e, diante da escassez, ficará difícil ele arrumar os mais de 200 bilhões necessários para dar continuidade à embromação; que o país vai mostrar como se cresce na crise, e que vai licitar tais e tais obras, muito embora, para a licitação, ele não precise de nenhum tostão, ao contrário da construção que exigirá os bilhões que o mercado atualmente não dispõem.
Isto lá é hora para agir com irresponsabilidade? Em seu discurso o que se sobressai é a bravata de um aventureiro que não se deu conta da gravidade da situação e que afetará o país, independente de classe social. Cautela, neste momento, é o mínimo que se poderia esperar de um presidente que se julga estadista. Assim, ao invés de encarar a realidade com a cara e a coragem de mandatário maior da Nação, o que o distinto faz? Sobe nos palanques eleitoreiros (bancados com dinheiro público) e fica soltando um discurso de fala leviana, incitando o povo a levar a vida como se nada de grave ocorresse à sua volta. Ora, convenhamos, acaso a manutenção dos índices de popularidade são tão assim mais importantes do que assumir responsabilidades perante o povo?
É fácil acusar a ciranda financeira dos últimos anos e chamá-la de circo, difícil, e para Lula seria impossível, é admitir e reconhecer o quanto de benefícios este circo proporcionou ao Brasil, e justo no período em que o senhor Luiz Inácio nos desgoverna ! Aliás, na base de sua popularidade beirando os 80%, está justamente o circo que ele acusa e aponta, mas sempre na direção dos outros.
Por outro lado, e a bem da verdade, devemos lembrar que esta não é a primeira, e talvez, não será a derradeira vez em que Lula, diante de uma crise, foge da raia. Em 2006, diante da crise de segurança em São Paulo, por conta e obra do PCC, só soube vir a público para acusar os outros, esquecendo de que até então já editara três “fabulosos” programas de segurança com resultados ridículos. Enquanto a crise durou, jamais foi a São Paulo ou discursou em cadeia de radio e televisão para levar solidariedade às vítimas. Do mesmo modo, quando o problema se transferiu para o Rio de Janeiro. Como também, quando o Rio de Janeiro foi acometido do maior surto de dengue de sua história, por culpa e graça de sua incompetente política de saúde. E, se isto tudo não bastasse, jamais foi a são Paulo no auge do maior desastre aéreo da história do país, fruto do “apagão aéreo” que acometeu o país como resultado de uma administração bisonha do setor.
Agora, depois de tanta hipocrisia, cretinices e bravatas, não querendo pagar nenhum ônus político da crise financeira que, diga-se, não foi provocada pelo Brasil, mas que nos atinge e nos afeta, não querendo se mostrar contraditório no discurso que proferiu para fins unicamente eleitoreiros, pede que Mantega se dirija à Nação e dê declarações ? Ora, senhor Luiz Inácio, o país precisa de presidente não é apenas para dias de festa, não ! Também se faz necessária sua presença justamente em momentos de crise, porque é justo nestes momentos que se reconhece o verdadeiro homem público, e não um aventureiro, fraco, ordinário, omisso. Sua reeleição o obriga a se posicionar com a cara e a coragem e alertar a população para agir com prudência, não se atirar em compras de longo prazo, se possível até adiar as menos necessárias. Porque estejam certos, queira Lula ou não, diante da crise dentro da qual já estamos mergulhados, não há milagres para manter o crescimento nos níveis que vínhamos mantendo. Vai haver recessão e terá caráter mundial. Países ricos, emergentes ou pobres, todos serão atingidos em maior ou menor grau, inclusive o Brasil. Lamento informar, mas chegou a hora de pagar a conta pelos benefícios recebidos. Assim, o mínimo que se pode esperar de um presidente sério e que respeita seu povo, é que tome a iniciativa de vir a público para fazer o alerta. Não é para disseminar pânico, nem tampouco acusações imbecis. E, sim, transmitir segurança, orientar prudência e acalmar os ânimos daqueles que, dado o pouco acesso à informação, poderão sentir-se desorientados pelo constante bombardeio de más notícias sobre os mercados internacionais em terremoto.
Na edição de hoje, editamos duas resenhas do TOQUEDEPRIMA..., uma de cunho político, em razão do primeiro turno das eleições municipais, e outra tratando especificamente da crise financeira e suas conseqüências. Além disto, é importante ressaltar a reportagem da BBC de São Paulo que fez um apanhado bem resumido, mas consistentemente, de todas as graves conseqüências que a crise financeira está impondo ao país.
Deste modo, insistimos em reafirmar ser não apenas indispensável a fala presidencial à Nação, mas ela é uma obrigação maior que a investidura no cargo impõem a quem o ocupa. Que mal ou quê prejuízos”políticos” podem haver, em Lula seguir ele próprio a orientação que transmitiu ao seu Ministro da Fazenda? Em que termos ? De que "a gravidade da crise tem de ser mostrada para a população". Este é o seu papel e dele é covardia tentar escapulir.
O que não pode é agir de forma ordinária e mesquinha, isto para dizer o mínimo, ao comentar que a oposição pode tentar obstruir as votações, e advertindo que "o governo tem maioria no Congresso e a obstrução só surte efeito quando a maioria não insiste em votar". Este é puro terrorismo e tremenda canalhice. Porque, quem muito fez este papel rasteiro foi ele próprio quando esteve na oposição, mas a sua falta de caráter não pode ser estendida e generalizada para todos os homens públicos deste país, até porque, rigorosamente, até quanto se saiba, a única coisa que Lula nunca teve, desde que assumiu, foi justamente uma oposição no Congresso. Agisse a oposição a ele da mesma forma xiita como ele se portou em relação aos outros, e por certo, o país não teria andado tão para trás no plano institucional.
Assim, é de se esperar que, até o final de seu mandato em 2010, pelo menos em uma ocasião, Lula assuma seu real papel perante a sociedade brasileira e a ela se dirija em momentos de crise. Esta, de agora, é uma excelente oportunidade para ele parar de transferir responsabilidades.