terça-feira, outubro 07, 2008

TOQUEDEPRIMA...

***** Crise não terminará tão cedo, diz Guido Mantega
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou o atual estágio da crise financeira global, que derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo o ministro, a crise é "aguda" e está em seu pior momento. "Nós sairemos desta crise aguda, mas a crise não terminará tão cedo", afirmou.

Mantega disse que esse momento do mercado financeiro acontece pois o plano dos EUA ainda não foi plenamente implementado, faltando decisões que ainda serão tomadas. Esse quadro se deve ainda à piora da economia européia, com um banco alemão tendo dificuldades e a tentativa, sem sucesso, dos chefes de Estado dos países da Europa de entrar em acordo sobre um programa de ajuda.

O ministro afirmou que a crise só se contornará quando as decisões dos governos passarem a fazer efeito.

***** "Os EUA deveriam começar a usar o dinheiro do pacote"
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O mercado financeiro está desmoronando. Quem conversa com Arminio Fraga confirma a impressão – apesar do tom de voz inabalavelmente calmo do ex-presidente do Banco Central. “O sistema financeiro opera na base da confiança. E esta confiança foi abalada”, explica Arminio. “Estamos vivendo um ataque de aversão ao risco. O cenário não é bom.”

E qual é a solução? “A terapia requer um movimento coordenado de vários governos para estabilizar os mercados”.

Em que prazo? “Rápido, muito rápido, não dá para imaginar essa situação se prolongando. Os EUA deveriam começar a usar o dinheiro do pacote aprovado na semana passada pelo Congresso”.

E o Brasil dentro desse caos? “Temos que ter sangue-frio e aproveitar o momento para tomar algumas medidas. A declaração do presidente Lula, ontem, de que aproveitaria a crise para aprovar uma reforma tributária, é um excelente caminho”.

***** Após duas paralisações em um dia, limite de baixa da Bovespa é de 20%
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estabeleceu um novo limite de baixa exclusivo para esta segunda-feira, quando o pregão já acionou o circuit-breaker duas vezes, interrompendo seus negócios quando a desvalorização chegou a 10% e 15%. Agora, a bolsa só voltará a parar caso o índice registre uma queda superior a 20%.

Após o segundo circuit-breaker do dia, a Bovespa reagiu, recuperando parte dos 15% desvalorizados nesta manhã. Além das turbulências no mercado de capitais, a cotação do dólar também foi afetada pelo agravamento da crise, superando o patamar dos R$ 2,15.

***** Com dólar em alta, BC anuncia medida para liberar US$ 2,1 bi
Com a cotação do dólar superando o patamar dos R$ 2,15, o Banco Central anunciou uma operação de swap cambial, que deve colocar no mercado mais de US$ 2,1 bilhões. A operação, que não era realizada desde maio de 2006, funciona como uma venda de dólares no mercado futuro.

Quando o dólar estava em baixa, o BC vinha realizando uma operação inversa, o chamado "leilão de swap cambial reverso", como medida para evitar que a moeda norte-americana caísse ainda mais.

***** Crédito curto
Os grandes bancos brasileiros, especialmente aqueles que atuam no mercado de Crédito Direto ao Consumidor, suspenderam hoje toda e qualquer operação de empréstimo pessoal ou financiamento. Entre eles , Itaú, Bradesco e Unibanco. A razão da suspensão não é falta de liquidez. Os bancos não sabem quanto cobrar do tomador do empréstimo ou financiamento. Até segunda ordem, está tudo parado.

O banco Panamericano, do grupo Silvio Santos, deixou de operar com crédito consignado desde a semana passada.

***** Câmbio e demanda em queda pioram expectativa para 2009
Cirilo Junior, da Folha Online

O dólar vai se sustentar em patamar maior, e a demanda doméstica precisará ter controle ainda mais forte por parte do Banco Central, avaliaram especialistas em debate ontem, no Rio. A política de elevação dos juros poderá se sustentar por um prazo maior, segurando a demanda e piorando a perspectiva de crescimento em 2009.

Economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman disse que a queda dos preços das commodities reduz a capacidade de crescimento da demanda doméstica. Essa necessidade interna crescia acima do PIB e era compensada com as importações. Com o menor faturamento das exportações, a capacidade de importação do país fica mais reduzida, disse.

"O aumento de juros pode se estender para o ano que vem. Mantemos os números, com viés negativo, com mais inflação e menos crescimento", disse, em seminário da Fundação Getulio Vargas. O Santander estima IPCA de 4,5% e crescimento de 3,5% em 2009.

A desvalorização cambial e os demais efeitos da crise farão com que a próxima reunião do Copom seja uma das "mais difíceis desde 2003", afirmou o chefe do departamento de risco de mercados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Fábio Giambiagi, que evitou comentar como o BC deve proceder.

Para Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, o governo pode poupar "munição monetária" e investir na economia fiscal, elevando o superávit primário.

Menos crescimento
De acordo com a pesquisa semanal Focus, realizada pelo Banco Central, a expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas) em 2008 subiu de 5,18% para 5,20%. Para 2009, caiu de 3,55% para 3,50%.

Segundo a pesquisa, as previsões para o dólar subiram de R$ 1,70 para R$ 1,80 no final deste ano; e de R$ 1,77 para R$ 1,82 em dezembro de 2009.

***** Crise faz real cair em relação a outras moedas
Folha São Paulo

Na comparação com outras moedas importantes, o real descreve uma trajetória semelhante àquela exibida ante o dólar: após forte apreciação no primeiro semestre, uma queda que se acentuou no último mês.

Contra a libra, a moeda brasileira teve desvalorização de 26,41% no período de um mês encerrado ontem e de 8,43% no ano de 2008. Ante o euro, as baixas foram de, respectivamente, 21,12% e 14,17%. As quedas foram de 35,65% e 35,61% para o iene e de 21,72% e 21,69% para o peso argentino.

"Não era consenso, em julho, o tamanho do aumento de juros que o BC ia promover. Então, quando a autoridade monetária se mostrou mais agressiva, criando um maior diferencial de juros da economia brasileira em relação às demais, houve maior entrada de recursos", diz Ronaldo Zanin, sócio-gestor da Advisor Asset Management. "Logo depois, cresceu a aversão ao risco por parte dos investidores, que passaram a fugir dos mercados emergentes." (DG)


***** Indústria de base tem pedidos cancelados
Agnaldo Brito, Folha de São Paulo

A crise do crédito começa a provocar os primeiros cancelamentos de encomendas e dificuldades na obtenção de capital de giro para financiamento da produção na indústria de bens de capital. A Santal Equipamentos, uma das fabricantes de colhedoras e implementos para o setor sucroalcooleiro -com sede em Ribeirão Preto (SP)-, teve um pedido de 30 equipamentos de transporte para uma companhia de açúcar e álcool cancelado por falta de crédito ao comprador. "Estamos sentindo os primeiros pingos [da crise]", disse Walfner Leitão, presidente da Santal. De acordo com Leitão, a indústria sucroalcooleira é um dos setores mais endividados da economia brasileira, resultado de uma expansão sem precedentes, e por isso começa a enfrentar problemas para obter crédito num cenário de menos oferta de recursos. A empresa explica que tem enfrentado atrasos de até três meses nos repasses do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pela linha do Finame. Cerca de 90% das vendas de equipamentos feitas pela Santal são financiadas e sem esses recursos há impacto direto na produção. Um efeito da crise de crédito já sentido está na falta de encomendas para 2009. "Para quem quer colher a cana que acabou de plantar, o pedido dos equipamentos deve ser feito agora e praticamente não há nenhum pedido", explicou. Das vendas estimadas de máquinas para 2009 (previsão de mil unidades, segundo o mercado), há pedidos de apenas 5%. Outro problema enfrentado neste momento pela indústria de bens de capital é a falta de linhas para o financiamento de capital de giro. O investimento industrial feito até agora encheu as carteiras de pedidos, mas ampliou também a necessidade de capital de giro para a aquisição dos insumos necessários à montagem dos equipamentos. "O setor de bens de capital requer muitos recursos. Várias indústrias estão com problemas para renovar suas linhas ou mesmo obter acesso a novo crédito. É uma situação muito preocupante e que pode afetar a produção do setor", disse José Velloso, vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). O desconto de duplicatas, uma opção de financiamento, tampouco tem servido. Muitos bancos só aceitam fazer a operação se as duplicatas forem de empresas de primeira linha. Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base), cobrou ontem do governo o "restabelecimento" imediato das linhas de financiamento. "É preciso saber quando será restabelecido o crédito para as empresas", disse. Além do funcionamento das linhas do BNDES, a Abdib quer mecanismos para oferta de "créditos complementares" que sejam capazes de suprir a demanda por recursos retidos agora pelas instituições financeiras.

Eletroeletrônicos
Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), afirmou que a preocupação do setor aumenta a cada dia. "Em um primeiro momento, parecia que a crise não iria incomodar demais o Brasil e a economia real, mas está ficando claro que não é bem assim." Segundo ele, a volatilidade do câmbio é extremamente prejudicial para os negócios. "A cada barreira que a taxa de câmbio bate, o empresário pensa na necessidade de revisão de seus preços. Há muitos componentes que são importados e, evidentemente, isso cria uma certa apreensão no que tange ao fechamento de negócios de maior prazo. Essa sucessão de dias de pânico no mercado é horrível, pois faz todo mundo parar, sem um norte sobre o que vai decidir. Dá uma paralisada geral." Segundo ele, se a volatilidade permanecer, a tendência é que haja revisões de preços no mercado interno. (Colaborou Maeli Prado, da Reportagem Local )

***** Crise do crédito deverá reduzir ritmo da construção em 2009
Folha São Paulo

A forte queda da Bolsa e a paralisação do crédito atingiram as construtoras brasileiras, e o número de empreendimentos lançados deve sofrer forte redução nos próximos meses. A previsão foi feita pelo presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), Sérgio Watanabe.

Embora o sistema de financiamento da compra de imóveis (poupança e FGTS) esteja fora da crise, as construtoras estão sendo obrigadas a financiar a execução da obra num cenário pouco amistoso para a tomada de crédito. "A busca de recursos pela via do mercado de ações está completamente descartada agora. O BNDES também não tem uma linha para financiamento imobiliário. As empresas então têm de buscar recursos num mercado praticamente parado", diz.
Salvo casos excepcionais, Watanabe não acredita na paralisação geral das obras em andamento devido à restrição de crédito corporativo, mas a indústria da construção vai reduzir muito os novos lançamentos.

É a forma de não ficarem expostas a um mercado adverso, afirma. Devido aos projetos lançados, a previsão de crescimento de 10% em 2008 não deverá ser atingida, mas as expectativas para 2009 não são muito favoráveis.Melvyn David Fox, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), afirmou ontem que a previsão inicial de crescimento em 2009 também pode ser revista para baixo.

***** Petrobras reavalia plano estratégico devido à crise
Folha de são Paulo

A Petrobras admitiu nesta segunda-feira que está reavaliando a revisão de seu planejamento estratégico em função da conjuntura de crise, mas mantém a previsão para o final deste mês sobre a divulgação do novo plano."Estamos encerrando a revisão de nosso planejamento estratégico, mas vamos ter que reavaliar com esse novo cenário", afirmou o gerente-executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco.

A estatal faz hoje, em Angra dos Reis (RJ), a cerimônia de batismo da plataforma P-51, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira-dama, Marisa Letícia, será a madrinha da embarcação, que produzirá até 180 mil barris/dia de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural no campo de Marlim Sul.

A unidade começa a operar no fim do ano e atingirá o pico de produção no segundo semestre de 2009. A plataforma custou US$ 1 bilhão.

Será a primeira plataforma da Petrobras cujo casco foi construído integralmente no país. Com isso, o índice de conteúdo nacional da unidade ficará em torno de 75%.

***** Crise afeta a soja e deve reduzir expansão do plantio
Mauro Zafalon, Folha de São Paulo

Há 30 dias, o produtor de soja de Mato Grosso tinha previsão de margem de lucro de 12% por hectare. Ontem, os números já indicavam prejuízo de 5% a 10% nas regiões norte e oeste do Estado, dependendo das condições de cada produtor.

Com isso, muitos produtores, principalmente os que ainda não fizeram um pacote de compra dos insumos, podem desistir do plantio. As consultorias que acompanham a evolução de safra já indicam a queda.

A Céleres, de Uberlândia (MG), divulgou ontem que a estimativa anterior de crescimento de 5% na área de plantio de soja não deve se confirmar mais. A consultoria prevê, agora, evolução de apenas 3%.

A Agência Rural, de Curitiba (PR), aponta para a mesma direção. Inicialmente previa evolução de 6% na área a ser semeada com a oleaginosa, mas os analistas da consultoria -que ainda não terminaram o levantamento- indicam crescimento de apenas 3%.

O plantio de milho também recua. Na primeira safra, a queda deverá ser de 3,3%, caindo para 9,3 milhões de hectares. Já a safrinha volta para 4,6 milhões de hectares, com recuo de 3,9%, segundo a Céleres.

O algodão também não passa imune a esse momento difícil do setor. Nas lavouras da Bahia, onde a produtividade e a qualidade do produto são melhores, a área deverá ser mantida. Em Mato Grosso, as indicações são de redução de 15%. Os dois Estados respondem por 80% da produção nacional de algodão.

Essa situação da agricultura brasileira foi gerada pela deterioração do sistema financeiro internacional, iniciada nos Estados Unidos. A instabilidade trouxe falta de liquidez e ameaças de profunda recessão. Com isso, os produtores, além de ficarem sem crédito, estão vendo despencar os preços das commodities.

Os preços da soja e do milho estão "derretendo", na avaliação de Horita, mas ainda estão acima da média histórica, devido à forte alta no primeiro semestre. Já o algodão, que não acompanhou essa euforia na alta, está seguindo esses produtos na baixa.

"E o custo de produção do algodão é 3,5 vezes superior ao da soja", diz Horita.

***** BC vende US$ 1,47 bi em swap cambial
O Banco Central (BC) vendeu hoje (6) 29.500 dos 41.600 contratos de swap cambial; que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar. O anúncio da venda de dólares foi feito depois da forte elevação do câmbio na manhã de hoje, que levou a moeda norte-americana a passar de R$ 2. A última vez que o BC realizou esse tipo de operação foi em maio de 2006. A operação corresponde à venda de US$ 1,47 bilhão e coloca o BC em uma posição vendedora em câmbio comprada em juros, ou seja , se o dólar subir, o mercado ganha; mas se os juros subirem; que ganha é o BC.O vencimento dos contratos de swap cambial será no dia 3 de novembro deste ano

***** Lula edita MP para salvar bancos
O presidente Lula editará nesta terça uma medida provisória que autoriza o Banco Central a assumir carteiras de créditos dos bancos pequenos, numa operação de ‘redesconto’. O objetivo é evitar que bancos de maior porte neguem crédito aos bancos menores; um dos principais problemas que os Estados Unidos enfrentam nesta crise financeira. O BC poderá comprar carteiras de financiamento de automóveis, por exemplo.

****** Exportação garantida, pelo menos os recursos.
A MP disponibilizará a exportadores brasileiros crédito que o Brasil dispõe na “conta positiva de exportação” de cerca de US$ 23 bilhões.

Com a MP, o governo também vai isentar de depósitos compulsórios operações de até R$ 300 milhões realizadas por bancos de menor porte.

***** Teimosia ou burrice: o PAC continua
O presidente Lula disse ontem na reunião do Conselho Político que “a crise não forçará o governo a paralisar as obras do PAC”.

***** Apertem os cintos
Lauro Jardim, Radar, Veja online

A análise que se segue é de um dos mais argutos banqueiros de investimentos do país, que prefere manter-se anônimo no meio do terremoto. O cenário visto de agora (momento em que a Bovespa cai 11,74%), não pode ser pior, mas merece ser lido:

*"A crise de crédito é gravíssima e entrou com tudo no Brasil. O mercado sofre uma conjunção de fatores negativos que raramente ocorre. Em termos de fundamentos, a queda de commodities ataca os exportadores (CSN está caindo 25%, a Vale 20%). O aumento de juros e a conseqüente desaceleração do consumo afetam as empresas locais (Lojas Americanas cai 15%; Pão de Açúcar, 12%; Itaú e Bradesco 15%). Em termos de fluxo de capitais, o cenário é bem mais complicado no curto prazo, influenciado por três fatores: muitos hedge funds estão queimando suas posições de Brasil para cobrir resgates; empresas sólidas se aventuraram em derivativos malucos, gerando enorme desconfiança (Sadia, Aracruz e CSN são apenas o começo) e há fortes rumores de que vários bancos pequenos estariam no redesconto do Banco Central.”

*"Apesar de muitas blue chips estarem muito baratas na Bovespa, o mercado ainda pode chegar pertos dos 30 000 pontos (agora está em 39 293 pontos) antes de ensaiar uma recuperação mais consistente".

*"O consolo é que, como em toda crise de crédito, aqueles que sobreviverem poderão gozar de uma recuperação relativamente rápida, assumindo que uma crise econômica não virá com o mesmo vigor da crise de crédito
”.