segunda-feira, agosto 06, 2007

A democracia da esquerda é tirania...

Passei o fim de semana lendo as “análises” de jornalistas, articulistas, ensaístas, comentaristas e toda a fauna de “analistas” da grande imprensa, sobre as manifestações que ocorreram Brasil afora no sábado contra Lula e seu governo, contra os políticos em geral e suas mazelas.

Para minha tristeza, descobri que o Brasil está infestado pelo pensamento único das esquerdas. Grande parte daqueles cujos textos pude ler, se coloca contra qualquer opinião contrária a Lula e seu governo corrupto, incompetente e irresponsável.

Criou-se no Brasil uma certa histeria de que, criticar Lula, é preconceito, afinal ele é ex-metalúrgico, ex-líder sindical, ex-pobre, ex-trabalhador, ou como querem alguns “um igual a nós”. Isto é um truque de quem não quer ser contrariado, de quem adora a tirania das esquerdas e se sustenta nas teorias vagabundas para se justificar. Alguns chegam ao cúmulo de criticar a “direita”, as “zelite”, mas não se diz de esquerda.

Primeiro, declaro que jamais Lula será igual mim ou eu a ele. Pela simples razão de que não vivo de bolsa ditadura, preciso trabalhar e ele não (e há muito tempo), e não tenho ou tive compadres que “gentilmente” me presenteassem com apartamentos nobres. E isto já faz muita diferença. Eu , por exemplo, não sobreviveria um mês sem trabalhar: Lula sobreviveu por 20 anos. De que modo ele conseguiu esta proeza sendo pobre, é um dos mistérios que neste país nunca ninguém se dignou em investigar. Mas vá lá, já teve político que alegou ser sortudo, e ter ganho na loteria a fortuna acumulada.

Mas por que protestar no país deva ser exclusividade das esquerdas ? Por que Lula não pode ter oposição ? Por que o pensamento teem de seguir uma única mão e ser infestado pelo vagabundismo e pobrismo ? Em que manual está escrito e provado que fazer oposição e criticar o senhor Luiz Ignácio é sinal de preconceito ?Em que compêndio ele é definido como sinônimo de perfeição ? No dia em que os Amorins, Nassifs, Veríssimos e Cia me provarem que é anti-democrático haver oposição no Brasil ao petê, e que a alternância no poder não é um dos princípios basilares de sustentação da própria democracia, começarei a rever meus conceitos. Até lá, por favor, não tentem impor seu pensamento delinqüente e nem tentem impor o culto à pessoa do molusco: tenho direito de ter minha própria opinião. E por ela entendo que a figura Lula não tem preparo, nem competência, nem responsabilidade, e muito menos condição moral para ser presidente de um país como Brasil. E quem não concordar com esta opinião, tem todo o direito de discordar, mas tem o dever de respeitar que eu, livremente, expresse a minha discordância.

Li que nas passeatas estavam presente um grande e expressivo número de jovens, como se isso desqulificassem o protesto. E daí? Também não havia jovens nas Diretas – Já ?E o que se dizer dos caras pintadas no FORA COLLOR ? O fato de haver jovens nas passeatas e protestos de agora, em que invalida os protestos ? E acaso os jovens presentes também não são eleitores ? Depredaram ou invadiram algum patrimônio público, a exemplo do que fazem sindicalistas e sem-terra, sem que justiça alguma os prenda, condene e os faça indenizar o Estado pelo prejuízo decorrente do vandalismo praticado ? E a ocupação recente no prédio da USP, feita por agitadores profissionais, também não havia jovens, e os mesmos que hoje condenam os que protestam contra Lula não se puseram favoráveis aos que ocuparam a USP ? Cadê a coerência ? Se o protesto é válido para um lado, é válido para o outro também.

Quem se elevou à condição de "pai" dos pobres" se realizou de que modo, senão promovendo badernas, arruaças, protestos, greves, atravancando toda e qualquer tentativa dos governos anteriores de promoverem as mudanças necessárias para se construir um projeto de governo, um projeto de país? Os jovens de hoje são os que estão recebendo o Brasil que havemos criado até aqui. E, de certo, não é este Brasil que eles desejam. O que eles querem ? Primeiro, um país que saiba respeitar as diferenças, em todos os níveis e em todas as direções. Segundo, que a política no país seja realizada não apenas com transparência, mas com honestidade, ética e decência. Terceiro, que o país saiba premiar os indivíduos pelos seus méritos, por suas ações, pelo seu esforço, e não apenas por suas relações promíscuas.

E acreditem: isto é não pouco não. O que se vê no Brasil deste 2007 é um estado carcomido, atrasado, corrupto, ineficiente, explorador, gigolô, para se dizer o mínimo. Quem pode criticar a juventude brasileira, ou parte dela, por se recusar a aceitar este tipo de Brasil ? A lembrar: é ela quem herdará a porcaria ou o prodígio que se estiver fazendo hoje. E pelo conjunto da obra, o país que estão tentando passar-lhe é sim, muitas vezes pior do que aquele que a juventude gostaria de receber.

Vários foram os artigos que fizemos dizendo da tentativa de Lula e seu petê de transformarem o Brasil numa Cuba renascida ou a cópia medíocre da Venezuela de Chavez. E ontem publicamos aqui um artigo de Suzana Favila sobre o que é a Venezuela nas mãos de um tirano imbecil como Chavez. ( clique aqui) . Lá, está descrito perfeitamente bem o retrato do atraso que representa para um povo, a ignorância e o analfabetismo dos "socialistas" retrógrados.

Portanto, todo aquele que hoje se põe a criticar os protestos anti-Lula e seu governo, está antes de mais nada se alinhando às esquerdas na sua tentativa torpe de instalarem no país uma ditadura socialista. E a pior das ditaduras, porque aniquila o pensamento e as liberdades, fazendo do povo uma massa disforme de idiotizados e de parasitas. E não que este processo esteja distante: pelo contrário, está em plena implantação. Quando criticamos o Bolsa Família de Lula pelo assistencialismo como o programa é realizado, é porque estamos vendo a situação apontada por Eliane Catanhede, Folha de São Paulo, e que transcrevemos no TOQUEDEPRIMA. Vale ser reproduzido:

Minha manicure acaba de voltar do interior do Piauí e reportou: "Lá, se você falar mal do Lula, apanha". Por quê? A vida do povo melhorou? "Melhorou nada. Está tudo igual. Mas todo mundo quer o Bolsa Família e acha que o Lula é igual a eles".

Taí: o Brasil hoje é um país dividido, é habitado por dois povos. Foi partido ao meio justamente pelo pensamento medíocre que nele se instalou. As pessoas perderam a noção do que seja bom senso, como estão perdendo suas referências morais, seus princípios éticos, estão pondo de lado inclusive a energia para se melhorarem, crescerem, progredirem através do trabalho sério, honesto. Estão se afogando na mediocridade, na passividade, no servilismo. Este lado patético forma o contingente que sustenta Lula e seus asseclas. O outro lado, hoje a minoria contrária, é demonizada como se pensar e ainda por cima ter bom senso fossem tumores malignos que precisassem ser extirpados para não infectarem o restante da sociedade.

Por outro lado, é até bom que os detratores contrários à oposição que se tenta fazer, os “democráticos” de um lado só, que não aceitam discordâncias ao seu pensamento de mão única, ponham suas caras a tapa e continuem nesta tentativa de negar que alguém possa discordar do estado de demência coletiva implantado pelo “gente como a gente”. Como alertamos, a onda tende a crescer pela simples razão de que há sim vida inteligente além de Lula e seu governo de cretinos. E porque aqueles que sustentam estes vagabundos e deprimentes governantes não aceitam continuarem sendo explorados de forma tão sórdida. Paciência tem limites. E para quem deseja um país genuinamente livre, democrático, moderno e progressista, a imundície instalada já esgotou todos os limites. Assim, todo aquele que se posicionar contrário a esta agitação, longe está de ser democrático. Até pelo contrário, são amantes do atraso e da tirania.

Portanto, avante juventude democrática, livre e progressista. Não tenham medo de caras feias. Estes idiotas que nos governam precisam ter suas máscaras arrancadas para mostrarem ao restante do país sua verdadeira identidade. Estamos fartos de vigaristas, mentirosos, mistificadores, pinguços e corruptos explorando o país e seu povo.

TRAPOS & FARRAPOS...

A ESTRANHA PESQUISA DO DATAFOLHA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Ontem foi divulgada uma pesquisa DATAFOLHA sobre a popularidade de Lula e aprovação do seu governo. E sua divulgação deu-se em cima das passeatas e protestos realizados por todo o Brasil. Achei muito estranha tal coincidência, mas enfim, até poderia ser. Porém, se formos analisar a fundo esta “pesquisa” vamos nos deparar com algumas informações que abrem a porta da estranheza e, a partir do histórico das pesquisas realizadas até aqui pelo mesmo DATAFOLHA, vamos descobrindo coisas do tipo “pesquisa encomendada” e “informações previamente selecionadas”.

Vejam, se a pesquisa era apenas para apurar a aprovação do governo, por que se inseriu a pergunta “você viaja de avião”? Estranho, não é mesmo ? Segundo, por que a pesquisa não informou a seletividade do universo pesquisado ? Explico: por exemplo, data, sexo, e regiões. Claro que o Mister Magoo ficou assanhadíssimo com as informações que “assessores” de porra nenhuma lhe passaram. Afinal, quem não gosta de ter seu ego massageado, depois de tanta paulada que levou nas últimas semanas ?

O jornalista Reinaldo Azevedo faz a mesma leitura. Seu desconfiômetro chega a indicar a possibilidade da pesquisa ter sido encomendada por alguma companhia aérea. De minha parte, não descarto a hipótese, porém, faço minha aposta lá pelas bandas de Brasília, do Planalto para ser mais exato. Vou mais longe: o resultado saiu justo às vésperas da viagem do Mister Magoo para países da América Central. Coincidência demais, podemos dizer.

Vejam: se você encomendar uma pesquisa para ser realizada num universo de 2 a 3 mil pessoas, e concentrar a coleta de dados no Nordeste na razão de 40% dos entrevistados, e em contrapartida destinar apenas 20 a 30% para o sul e sudeste, considerando-se a pergunta feita “você viaja de avião?”, é evidente que se terá um resultado bastante distorcido, considerando-se que as pessoas do sul-sudeste tendem, por seu padrão econômico ser mais elevado, a terem um peso maior no resultado final. Ao contrário, se o contingente menor de entrevistados tiver sido o Nordeste, teremos uma leitura final totalmente diferentemente. Por isso soa estranha a não divulgação destes dados, pois nos permitiriam ter uma avaliação mais qualificada do resultado divulgado pelo DATAFOLHA.

Mesmo assim, os índices apontam algumas conclusões interessantes: se na média, as tragédias aéreas e toda a crise decorrente da incompetência governamental na resolução dos problemas de gestão e controle da aviação comercial, não mexeram nos totais de aprovação do governo Lula, é nos extremos que se verificam mudanças bastante expressivas, porque mesmo que o percentual dos que viajam de avião seja bastante pequeno, dentre eles, e de acordo até com a escolaridade, a queda de aprovação pode-se dizer que foi acentuada.

Mas ainda há dois detalhes que considero relevantes nesta pesquisa “encomendada”: o primeiro, a aberração de se considerar classe média pessoas com salários em torno de 2 a 3 mil reais por mês. Quando muito uma classe média nível 3. Isto representa dizer, também, o quanto a classe média brasileira empobreceu no governo Lula.

Outro detalhe: adoraria saber se, no universo dos que aprovam o governo Lula, quantos são os que lêem jornal com freqüência. Há um histórico para esta questão: os casos dos sanguessugas, do mensalão e dos vampiros revelaram em pesquisas feitas à época, que cerca de um terço das pessoas sequer tinham ouvido falar destes casos ou destes escândalos. Assim, por mais incrível que possa parecer, entendo que sejam poucos dentre os que aprovam o governo Lula que tenham a real noção da crise aérea. Talvez até saibam do acidente trágico com o Airbus da TAM, afinal todos os canais de tevê transmitiram. E o que se dizer da pressa na divulgação dos dados das caixas-pretas para empurrar a culpabilidade da tragédia para o piloto !

Portanto, acredito que aí não se está diante de fatos isolados. Acredito que haja um elo de ligação entre a divulgação dos dados das caixas-pretas com a pesquisa do DATAFOLHA.

Se vocês visitarem o Alerta Total do Jorge Serrão (link ao lado), há a descrição de uma certa teoria sobre as digitais do Planalto na divulgação. Insere-se nesta teoria, até o erro provocado de se remeter inicialmente um dispositivo da aeronave erradamente para análise nos Estados Unidos. Se a gente voltar no passado e começar a remexer no comportamento destes “aloprados” vamos sentir cheiro de pólvora nas mãos deste pessoal. Lembrem-se de uma coisa: todos são profissionais de terrorismo urbano, exímios golpistas com PhD em mistificação. Não chego ao ponto de acreditar ou desacreditar na teoria. Precisamos de uma certa cautela para reunirmos mais informações que nos levem a uma conclusão coerente com os fatos. Em se tratando do governo que aí está, tudo é possível, até o pior.

Mas retornando à pesquisa, é importante ver como os “jornalistas” da imprensa servil logo montaram artigos na base do “tragédia não atinge Lula”. Desta forma, tentam passar para a opinião pública a mensagem de que, de fato, o governo não tem nada a ver com tudo o que acontece nos aeroportos e nos céus do Brasil. Para aqueles que não tem acesso à informação, a pílula até pode ser digerida. Porém, é bom que Lula e seus capangas não se sintam assim tão “vitoriosos” em relação a terem superado esta crise.

Se no contingente da população pobre, Lula se sente “blindado”, o mesmo ele não poderá dizer da classe média para cima, e aí já falo daquele contingente mesmo baixo nos padrões de “média” que as pesquisas têm considerado. A insatisfação nesta camada da sociedade, e que não é tão pequena para Lula se sentir confortável, não se dá apenas por causa da crise aérea. Ali, a reprovação está canalizando o conjunto da obra de desmandos e falta de gestão pública competente e responsável. Quem precisar de serviços de saúde, ou trafegar pelas estradas, não pode ficar nada satisfeito em pagar quase 40% do que consegue ganhar com muito sacrifício, e depois ver senadores montando laranjais e fábricas de suco com dinheiro público disfarçado.

Vejam, por exemplo que, Rita Lee, em um show com cinco mil pessoas no Mato Grosso do Sul, comandou uma sonora vaia contra Lula por mais de um minuto. Esta onda vai aos poucos tomando conta e absorvendo o exército dos insatisfeitos silenciosos, aqueles que não adoram badernas e arruaças, e que até sentem um certo pudor para ir às ruas. É destes que Lula e os petistas devem temer. Sabem por quê ? Porque eles não sabem quantos sejam estes rebeldes. E acreditem, são eles que fizeram a diferença em todos os grandes momentos de turbulência e agitação do país. Não são os pobres beneficiados pelo assistencialismo oficial que agitam o país. Como dissemos ontem, e vamos agora repetir: “(...) façam o que fizerem, o movimento de resistência já está nas ruas. Detê-lo só vai fazer aumentar sua força. Porque, gostem ou não, acreditem ou não, de uma coisa Lula e seus capangas podem ficar convencidos: uma grande parte da sociedade cansou tanto de suas mentiras quanto de seu governo vazio e vagabundo(...).”

E se Lula for inteligente, e por certo é, ele se debruçará em cima desta pesquisa e saberá analisar seus dados e resultados com a cautela que seus auxiliares não conseguem ter. Nem eles, tampouco os jornalistas ajoelhados aos pés de Mister Magoo.

Em tempo, nota na coluna desta segunda, do Hélio Fernandes, na Tribuna da Imprensa:

Rigorosamente verdadeiro: emissários do Planalto-Alvorada consultaram 3 institutos de pesquisa para avaliar a popularidade de Lula. Ninguém aceitou. Nem mesmo os subservientes CNI e Census.

As conclusões ficam por conta de cada um.

Lula ignorou o aviso de Lula

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Como alguns refrigerantes,Lula só superou os concorrentes e consolidou-se no topo do ranking depois de ter-se convencido das vantagens da diversificação. O Lula Clássico, oferecido nacionalmente em 1989, 1994 e 1998, nunca foi além de 30% da freguesia. Seria assim também em 2002 se não fosse lançado o Lula Light, concebido para atrair os que achavam muito amargo o produto original. Somadas as versões, a marca conquistou a liderança do mercado. E o poder.

Nos últimos quatro anos e meio, o clima do Brasil Central e a adição de substâncias obtidas apenas no laboratório do Planalto permitiram o surgimento de mais subprodutos da fórmula-mãe: o Lula-que-Tudo-Sabe e o Lula-que-Nada-Soube. O primeiro, apresentado já nas primeiras semanas de 2003, é vendido o ano inteiro. A distribuição do segundo é sazonal.

O Lula-que-Nada-Soube é reapresentado ao país sempre que os estrondos da crise ecoam no coração do governo e perturbam o sono do maior governante desde as caravelas. É a versão que refresca, relaxa, acalma, conforta, reanima. Convida a acreditar que o chefe é sempre o último a saber das bandalheiras, mesmo se ocorridas na sala ao lado ou na casa do irmão. Não peca jamais. Os culpados são os outros.

A marca é bastante apreciada tanto pela gente dos grotões, que não distingue guaraná de tubaína, quanto por intelectuais arrendados pelo governo, todos rendidos à teoria do bom primitivo. Mas sempre teve sabor da Paraguai, seja qual for a versão, para brasileiros cujo paladar não foi embrutecido pela ignorância nem envilecido pela vassalagem. Para os habitantes da ilha dos resistentes, a mera contemplação do conjunto de versões, promovida pelo agravamento do apagão aéreo, é decididamente intragável.

"Temos problemas em alguns aeroportos, mas não existe crise", fantasiou em novembro passado o Lula Light. "Quero um prazo, com dia e hora, para comunicar ao país que os aviões voltaram a voar normalmente", trovejou semanas mais tarde o Lula Clássico. Ignorado o ultimato, os quatro modelos silenciaram para que por eles falassem os idiotas-do-cerrado e os cretinos fundamentais.

A tragédia imensa em Congonhas interrompeu a mudez. "Todos sabemos que existe uma crise no setor aéreo, mas o governo está tomando providências para resolver o problema o quanto antes", discursou o Lula-que-Tudo-Sabe uma semana depois do acidente inverossímil. "Eu não sabia da crise", recitou na segunda-feira o Lula-que-Nada-Soube.

No dia seguinte, ao receber três parentes de vítimas do vôo da TAM, essa mesma versão de Lula simulava a expressão de quem logo se tornaria o número 200 da lista de mortos. "Essa questão aérea é como uma metástase que o paciente tinha, mas não sabia que tinha", comparou o enfermo imaginário. "Nunca se falou desse problema antes". A mentira foi enterrada no momento da exumação, 48 horas depois, de um artigo assinado pelo Lula Clássico que ocupou a Gazeta Mercantil de 7 de janeiro de 2002.

"Morte anunciada do transporte aéreo", resume o título do texto, que começa por lamentar a agonia da Transbrasil e termina com uma pergunta a Fernando Henrique Cardoso: "Até quando, senhor presidente?". O colapso antecipado pelo artigo que alguém escreveu por Lula, incapaz de juntar sujeito e predicado, consumou-se no governo de quem o assinou.

E agora, senhor presidente?

Sob o signo da inércia

Editorial do Estado de São Paulo
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Gastar é fácil, quando se trata só de abrir a carteira ou o cofre, e isso o governo federal faz com desenvoltura. Outra coisa é gastar bem, aplicando o dinheiro em projetos importantes ou em serviços de qualidade. Nesse quesito o governo vai mal. Ano após ano confirma sua incapacidade para selecionar, projetar e realizar investimentos indispensáveis à expansão econômica e à promoção do bem-estar de milhões. Essa incapacidade se comprova mais uma vez, em 2007, apesar de todo o falatório sobre a expansão do crescimento e sobre os planos de longo prazo. No primeiro semestre, o Tesouro Nacional gastou apenas R$ 1,18 bilhão com os Projetos Pilotos de Investimentos (PPIs), 10,4 % do valor previsto para o exercício. Não deixou de investir, portanto, para pagar juros, mas por ser incapaz de planejar e executar obras.

O caso dos PPIs é especialmente ilustrativo. Durante anos, o governo brasileiro pressionou o Fundo Monetário Internacional (FMI) para excluir certos investimentos do cálculo do superávit primário, aquela parcela reservada para o pagamento de juros. A discussão começou na gestão tucana e foi concluída quase no fim do primeiro mandato petista, ainda na gestão de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda.

Os técnicos do FMI aceitaram fazer uma experiência com alguns países. Se o resultado fosse positivo, seria possível aplicar o mesmo critério a novos programas de ajuste, com benefício para vários sócios da instituição. Para isso se criou o conceito de um projeto experimental, por isso mesmo classificado como "piloto". Mas o governo petista revelou-se muito mais competente para pressionar o FMI do que para realizar a experiência. No ano passado alguns investimentos desse tipo foram realizados, mas de forma incompleta. Mesmo assim, o desempenho, no primeiro semestre, foi melhor que o deste ano, pois foram realizados, naquele período, 28,2% dos gastos.

Os PPIs previstos no orçamento federal deste ano foram incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), concebido para ser uma das grandes marcas do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente percorreu vários Estados, nas últimas semanas, para lançar projetos de saneamento constantes do PAC.

Pela experiência, ninguém deve levar muito a sério esses anúncios. Projetos não se concebem nem se executam no palanque, um dos lugares mais freqüentados pelo chefe do governo, e sim nos escritórios técnicos e depois nos canteiros de obras. O governo, como é notório, tem tido imensa dificuldade para cobrir a distância entre o palanque e o canteiro.

Para explicar essa dificuldade é preciso, em primeiro lugar, percorrer as entranhas do poder público, descobrindo como funciona o vaivém de papéis entre diferentes setores da administração e como se entrechocam as decisões e os critérios. Os obstáculos, em alguns casos, são meramente políticos e ideológicos, como ficou evidenciado no conflito em torno das hidrelétricas planejadas para o Rio Madeira. Noutros, o problema se localiza na combinação da mera incompetência funcional com a inércia. Noutros, a dificuldade resulta da incapacidade - a partir do gabinete presidencial - de alocar recursos materiais e humanos de acordo com prioridades bem definidas.

Um bom exemplo dessa dificuldade é o atraso na execução das ações de defesa sanitária do Ministério da Agricultura. Insuficiência de recursos orçamentários é a menor parte do problema. A mais importante é a inépcia na execução do orçamento. No primeiro semestre, o governo só gastou 17,7% das verbas previstas para o controle da aftosa. Só 0,5% do dinheiro orçado para o controle de resíduos e de substâncias contaminantes foi desembolsado.

Todas as demais ações estão atrasadas, como se não tivessem a menor importância as pressões dos importadores de produtos brasileiros, especialmente da União Européia, pela melhora dos padrões de garantia sanitária. O assunto envolve um comércio de muitos bilhões de dólares. O apagão da infra-estrutura, já convertido em tragédia, pode ser acompanhado pelo apagão da defesa sanitária e por outros apagões, se esse quadro de inépcia e de inércia não for superado. E não será, se o presidente Lula continuar tratando a administração federal como um saco de presentes para companheiros e aliados, enquanto ele se entretém com as eleições do ano que vem.

O pistoleiro Dirceu

Diogo Mainardi, Revista VEJA

"O pistoleiro José Dirceu só vai revelar se atirou em alguém, durante sua fase terrorista, depois dos 80 anos de idade.Quem sabe a gente consegue descobrir, antes disso, o que ele fez no poder"

Eu sou "um pistoleiro que Roberto Civita contratou para assassinar a honra das pessoas". Quem declarou isso foi José Dirceu, na última Playboy. Na verdade, em tantos anos de VEJA, só falei uma vez com Roberto Civita, durante um encontro na Editora Abril, em 2004. O assunto foi etimologia. Por outro lado, falei repetidamente sobre José Dirceu com os investigadores do caso Celso Daniel. Quando se trata de Celso Daniel, a primeira imagem que me ocorre é a de pistoleiros contratados para assassiná-lo. Contratados por quem?

José Dirceu, na Playboy, apontou-me como o líder dos agitadores "de todas as direitas do grande Brasil". Tenho dó das direitas, seja lá quantas elas forem. Eu só agito remédio contra tosse. José Dirceu, no papel de agitador, sempre foi bem mais capaz e articulado do que eu. Desde a tragédia em Congonhas, fico lembrando o tempo todo como ele agitou os negócios da TAM, em seu reinado na Casa Civil. Primeiro, tentou entregar-lhe a Varig, por intermédio do representante do Banco Fator, Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES. Depois, avalizou o acordo pelo qual as duas companhias passaram a compartilhar os vôos. O acordo logo se refletiu nas contas da TAM. No último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, a TAM registrou um prejuízo de 605,7 milhões de reais. No primeiro ano de Lula e José Dirceu, ela apresentou lucro de 173,8 milhões de reais. Isso é que é agitar.

Apesar de ter sido indiciado como chefe dos mensaleiros e cassado pelo Congresso Nacional, José Dirceu continua sendo o maior empregador particular do governo. No segundo mandato de Lula, os dirceuzistas ainda ocupam o mesmo espaço que no primeiro. O fato de contar com tantos apadrinhados em cargos endinheirados deve facilitar seu trabalho como lobista. Como ele mesmo disse à Playboy, "no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema!". Quanto pode representar, de modo geral, um gerente de negócios de uma estatal? Quanto pode significar, modéstia à parte, o presidente de um banco público?

José Dirceu considera que há "o jornalismo marrom, o amarelo e o jornalismo de Diogo Mainardi". Aparentemente, tornei-me uma nova cor – sou o Flicts da imprensa. Os comentários de José Dirceu a meu respeito podem parecer uma briga pessoal, que deveria ser resolvida no mano a mano: ele com sua .22, usada para praticar assaltos na década de 1970, e eu com minha caneta, que ele definiu como uma arma. Mas José Dirceu me elegeu como símbolo de algo muito maior. Represento, segundo ele, a "imprensa partidária, ideológica, engajada, com projeto político". É sempre assim. Basta Lula ser apanhado em flagrante, como no caso da barbárie aérea, para que seus parceiros sugiram dar óleo de rícino aos jornalistas, com o argumento de que eles manobram para derrubar o presidente mais popular de todos os tempos.

O pistoleiro José Dirceu só vai revelar se atirou em alguém, durante sua fase terrorista, depois dos 80 anos de idade. Quem sabe a gente consegue descobrir, antes disso, o que ele fez no poder.

Uma turista sem saudades de Chávez

por Suzana Favila , site Diego Casagrande
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O que parecia ser apenas uma viagem de turismo transformou minha visão política a respeito da Venezuela em apenas 14 dias. Confesso que estava muito distante dos problemas políticos latino-americanos, apesar de viajar constantemente pela América do Sul, faltando muito pouco para dizer que conheço todos os seus países.

Belíssimas paisagens, gastronomia, diversidade cultural, monumentos, paradouros, enfim, era isso que eu esperava encontrar nos “domínios de Chávez”. Com meu marido, visitei Caracas, Guaira, Puerto La Cruz e Isla Margarita em agosto de 2005. O propósito era, além de conhecer mais um país latino, visitar meu cunhado e sua família que aderiram ao plano da “família unida que viaja ao redor do mundo em um veleiro”.

A chegada ao aeroporto já resumiu o que veríamos nos próximos dias: desordem, câmbio negro para troca de dólares feito por comerciantes (lanchonetes, livrarias, taxistas), exército em plantão ostensivo. Em resumo, um lugar sujo, ambiente nada receptivo a um turista. O calor quase insuportável (25-35 graus constantes dia e noite) completava um cenário desolador: a visão da miséria por toda a parte só é quebrada nas quadras do centro de Caracas aonde se situa o “quarteirão do governo”. É de lá que Chávez exerce seu domínio.
O Quarteirão é uma verdadeira ilha alheia ao desemprego em massa, compensado por um “auxílio” quinzenal, artifício que faz com não haja interesse algum do povo em trabalhar. Por conta disso, é comum ver bandos de bêbados às 7 da manhã dormindo nas areias de Isla Margarita, que já foi um dos mais importantes cartões postais do país. Acabei sendo seguida por dois desses bêbados em uma caminhada matutina, tendo sido acudida por um escritor venezuelano que, educadamente, conduziu-me até o hotel. A visão dele, como intelectual, é real e cruel. Disse-me que Chávez faz questão desse empobrecimento, porque é mais fácil dominar. Saúde e escolas são mantidas pelo governo, assim como a bolsa-auxílio (como em Cuba e no Brasil). Reeleição e tentativas freqüentes de mudanças constitucionais, assim como exército patrulhando ruas, dão um tom de coincidência relação à Cuba (o exército nas ruas do Brasil, no atual momento, parece até ser uma boa idéia). Quando vi e escutei Hugo Chávez, em dezenas de aparições nas emissoras de TV e rádio chamar Fidel e Lua de “nuestros amigos”, dava sempre arrepios (agora ele incluiu Evo Morales também).

Outro aspecto assustador é a submissão da população a tudo isto. A “cola” (fila em espanhol) é um patrimônio nacional. Tudo “tiene que entrar em la cola”. Parece natural ficar horas e horas em filas intermináveis nos supermercados (para o pão, carnes, verduras, etc.), no aeroporto (5 filas diferentes até embarcar), rodoviária (3 filas), no Conferry, o catamarã que leva à Isla Margarita, são 03 filas, mesmo pagando o bilhete mais caro com poltrona luxo numerada (claro que o número da poltrona é desrespeitado).

Os grandes hotéis como o Hilton em Isla Margarita, que já foi um dos lugares preferidos para luas-de-mel, hoje, são molduras fantasmagóricas abandonadas num pôr-do-sol inesquecível junto a centenas de vagas de trabalho. Em Puerto La Cruz, na marina Américo Vespúcio, onde estava atracado o veleiro de meu cunhado, as recomendações eram não fotografar nada aonde possa aparecer uma lancha da guarda costeira, não olhar muito para elas, não falar sobre o governo com ninguém (o interlocutor pode ser um “infiltrado” de Chávez). Isto era confirmado por barcos americanos, italianos, franceses, espanhóis e brasileiros que eram a sua maioria e que tivemos oportunidade de conhecer melhor.
Alívio foi sair de Caracas e descer em Bogotá-Colômbia para pegar o vôo até São Paulo. Gostei de ver o exército colombiano no aeroporto em todas as portas de acesso – educados e gentis (só passageiros entram). Ali, me senti protegida de Hugo Chávez.

TOQUEDEPRIMA...

***** Protestos contra Lula reúnem 20 mil pessoas no Brasil

Neste sábado foram realizadas manifestações contra o presidente Lula em Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória. Ao todo, vinte mil pessoas participaram dos protestos. Só na capital paulista foram doze mil manifestantes.

O evento não contou com participação de nenhuma liderança política ou artista global. Em São Paulo, os participantes, além de pedir a saída de Lula, se manifestaram a favor da redução da maioridade penal, pediram "direitos humanos para humanos direitos" e clamaram pela construção de um partido nacionalista conservador.

Curiosamente, o protesto não contou com nenhuma bandeira vermelha.

***** Jornal espanhol afirma que oito dos maiores aeroportos do Brasil têm problemas

De acordo com reportagem do jornal espanhol El País, de Madri, oito dos dez maiores aeroportos do país apresentaram problemas. Os aeroportos de Guarulhos, de Congonhas, Santos Dumont e Tom Jobim (do Rio), de Salvador, de Porto Alegre, de Fortaleza e de Curitiba necessitam uma reestruturação de suas pistas.

Os aeroportos de Curitiba e Porto Alegre precisam de uma reestruturação de toda a pista principal. Em Congonhas, faltam ranhuras para ajudar os aviões a frear. No Rio, há problemas nas juntas das placas do aeroporto Tom Jobim.

***** Cresce no país a compra de terras por estrangeiros

O interesse de pessoas físicas e empresas estrangeiras pelas terras brasileiras tem aumentado tão velozmente que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apertou o botão da luz amarela. Seus procuradores receberam orientação para olhar com mais atenção os negócios fundiários - para saber se estão dentro das normas legais.

***** Tuma diz que novas denúncias contra Calheiros são graves

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que as denúncias da Revista Veja contra o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), são muito graves.

Tuma informou neste sábado, através de sua assessoria, que vai solicitar à revistas documentos e recibos para abrir o processo de investigação contra o senador. O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), almoçou com o presidente Lula e afirmou que as novas denúncias contra Calheiros não foram tratadas no encontro.

A Revista Veja denunciou que o presidente do Senado teria usado laranjas de sócios para uma empresa de comunicações sem comunicação à Receita Federal.

***** Ao invés de segurança, beleza

Dos R$ 889,7 milhões investidos pela Infraero em 2006, menos de R$ 50 milhões foram destinados à manutenção e à reforma das pistas dos aeroportos brasileiros. A maior parte dos recursos foi gasta com a construção e o embelezamento de terminais de passageiros, como a ampliação do setor C, implantação do pátio de cargas e reforço do pátio de aeronaves no aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá (MT). A obra foi concluída em setembro de 2006 e custou R$ 61 milhões. Os dados constam do Relatório da Administração 2006, da Infraero.

***** Datafolha: Acidente não afeta aprovação de Lula, presidente comemora

O presidente Lula comemorou o resultado da pesquisa mais recente do Datafolha, que mostra que o acidente da TAM não afetou sua popularidade. De acordo com o jornalista Josias de Souza, Lula afirmou: "De notícia boa eu nunca canso", teria dito a um ministro.

A pesquisa apontou que 48% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, índice exatamente igual ao do mês de março. Entre as pessoas que ganham acima de R$ 3.500, a avaliação positiva da administração petista é de 32%. O levantamento foi realizado pelo Datafolha nos dias 1 e 2 de agosto, duas semanas após a tragédia que tirou a vida de mais de 300 pessoas. Foram entrevistadas 2.095 pessoas em 211 municípios.

***** Poucos fiscais para muitos aviões
De Geralda Doca em O Globo

"As investigações sobre a maior tragédia da aviação brasileira com o Airbus da TAM levantaram suspeitas sobre a capacidade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de fiscalizar adequadamente o setor. Dados do Sindicato dos Aeronautas revelam que o órgão não tem inspetores (chamados checadores) em número suficiente para supervisionar o treinamento e a formação de pilotos e comissários, avaliar o trabalho das escolas de formação e ainda supervisionar as manutenções feitas nos aviões pelas oficinas das companhias. A Anac tem apenas 210 fiscais.

Segundo o sindicato, esses técnicos da agência teriam que responder pela fiscalização de uma frota comercial de 276 aeronaves, que fazem revisões periódicas de acordo com o número de horas voadas e o ciclo de pousos e decolagens. Há ainda 5.700 mil pilotos, 27.800 comissários e 300 aeroclubes e escolas. Todos atuam sob o monitoramento da Anac".

***** Outro avião da TAM com defeito
Do portal G1

Um vôo da TAM que saiu de Miami na manhã deste domingo (5) com destino a Salvador teve que passar mais tempo do que o previsto em Fortaleza por causa de problemas técnicos. Ele deveria decolar por volta de 13h, mas às 16h45 o vôo foi cancelado. O avião foi rebocado da pista.

***** Inacreditável!
De Eliane Cantanhede, colunista da Folha de S. Paulo

Cai avião, sobe avião; vem crise, vai crise; tem vaia, não tem vaia, e algo continua imutável: a popularidade de Lula.

Apesar de tudo que milhões sentem ou vêem todos os dias pelas TVs, Lula mantém intactos 48% de ótimo e bom no Datafolha. Antes, teflon. Agora, o que dizer? Um muro? Uma barra de aço? Lula parece imune à incompetência e à inação do seu governo na crise aérea.

A explicação vem tanto da teoria de especialistas quanto da prática de pessoas simples. Minha manicure acaba de voltar do interior do Piauí e reportou: "Lá, se você falar mal do Lula, apanha". Por quê? A vida do povo melhorou? "Melhorou nada. Está tudo igual. Mas todo mundo quer o Bolsa Família e acha que o Lula é igual a eles".

Além da paixão dos que o sentem como "um igual a nós", Lula agrada aos muito ricos e dividiu a academia, os jornalistas e a internet, jogando na polarização: quem está com ele é do bem, de esquerda, a favor do povo; quem está contra o governo é da elite perversa e corrupta. Cômico, não fosse perturbador.

***** Em show para 5 mil pessoas, Rita Lee puxa vaia a Lula
De Graciliano Rocha no site Terra

"Mais de 5 mil pessoas enfrentaram um frio intenso para assistir ao show da cantora Rita Lee no Festival de Inverno de Bonito, Mato Grosso do Sul. Com quase duas horas de duração, o concerto foi uma espécie de radiografia da trajetória da roqueira e levou o público a cantar sucessos como Ovelha Negra e Lança-Perfume.

Num dos momentos do show deste sábado, Rita Lee estimulou o público a vaiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela criticou o que seria falta de ação do presidente para defender o meio ambiente e disse que "depois ele não sabe porque é vaiado". O público respondeu com quase um minuto de vaias a Lula.

A cidade de Bonito é considerada um santuário da biodiversidade e se tornou um dos principais destinos do ecoturismo brasileiro".

O mal holandês

Antonio Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio

Dois países geograficamente distantes e culturalmente distintos, como Índia e Brasil, têm, nas circunstâncias da atual conjuntura mundial, um ponto em comum: a valorização de suas moedas nacionais frente ao dólar. Por tabela, por meio do mecanismo da arbitragem, valorizam-se também em relação a outras moedas como, por exemplo, o euro.

No caso da Índia, a taxa de câmbio que havia sido, na primeira metade da década passada, de Rs$ 31,37 por dólar, passou por uma desvalorização contínua até 2002/2003 que resultou na relação Rs$ 48,40 por dólar. A partir daí, a rúpia recupera seu valor vis-à-vis o dólar e a taxa paira hoje sobre a marca simbólica de Rs$ 40 para cada unidade da moeda americana.

Em nosso caso, para não remontar à maxidesvalorização que aconteceu logo após a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, basta lembrar que as incertezas de rumos durante a campanha presidencial de 2002 levaram a taxa de câmbio a beliscar os R$ 4 por dólar; porque os rumos da política econômica não foram drasticamente modificados, a partir daí a relação evoluiu na descendente e rompeu, pode-se dizer também, a marca simbólica dos R$ 2 por dólar.

A principal razão da valorização das duas moedas, a rúpia e o real, tem sido o efeito combinado do influxo de moeda estrangeira, particularmente o dólar, e vultosos saldos no balanço de comércio, sejam estes fruto da exportação de serviços da área da informática (caso da Índia) ou do boom proporcionado pela demanda mundial por commodities (caso do Brasil).

A entrada de capitais assume diferentes formas desde o investimento direto e capital especulativo até a remessa de emigrantes; para a Índia, a remessa feita por expatriados têm considerável importância, assim como as remessas dos decasséguis e outros, para o Brasil, também não são desprezíveis.

A valorização das moedas nacionais, ao tornar as importações mais baratas, impulsiona a compra no exterior de bens de capital de última geração e significa aumento de produtividade, ainda que à custa de postos de emprego. Por outra parte, produtos estrangeiros de consumo final expressos, em yuans ou reais, contribuem para frear a alta interna dos preços.

Contudo, se a valorização das taxas de câmbio têm efeitos benéficos de um lado, não deixa, por outro, de criar um dilema de política comercial. Construídos a partir de uma estrutura de custos, os preços nacionais, quando referidos em moeda estrangeira, tornam-se caros. As exportações deixam de ser competitivas e setores importantes da economia sofrem abalos.

Colocando o foco exclusivamente sobre o Brasil, não há dúvida de que a valorização do real compromete as indústrias de calçados, têxtil e brinquedos, sofrendo internamente a concorrência da China, com sua estrutura de custos assentada em magros salários. E nossos produtos da indústria eletroeletrônica perdem capacidade de competir em mercados como o argentino até há pouco tempo quase cativo, devido à valorização cambial do real.

No caso da valorização cambial, o que se deve evitar é que países como a Índia e o Brasil sejam presas do chamado "mal holandês". A valorização cambial ocorrida na Holanda, face ao ingresso maciço de capitais externos, após a descoberta de volumosos depósitos de gás natural, resultou em sensível prejuízo para as atividades industriais.

A hora e a vez dos bois e pensões

Ana Maria Tahan, Jornal do Brasil

O Pan foi uma festa. Mas acabou, e o Brasil ainda está quilômetros-luz de se tornar um país olímpico. Como ensinou a capitã-do-ar sem brevê da Anac, Denise Abreu (a que aprecia demais um charutão), uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, 1,90m de pose gaúcha e muita bala na agulha prometida pelo presidente Lula (se é que isso quer dizer alguma coisa), tenta controlar o apagão da hora e colocar ordem na Infraero, Aeronáutica e aeroportos. As companhias aéreas recolheram temporariamente os flaps da auto-suficiência e arrogância. O recesso do Congresso chega ao fim.

Acabaram as férias do presidente do Senado, Renan Calheiros. A Polícia Federal, se os agentes também não aproveitaram os dias de descanso dos senhores parlamentares, já teve um bom tempo para deslanchar as investigações em torno da compra e venda de bois e boiadas com a qual o indefectível comandante da Casa pretende provar que tinha e tem recursos para custear a pensão de uma filha sem precisar recorrer à ajuda amiga de um lobista ou da empreiteira que ele representa.

Documentos para cá, notas frias para lá, Renan foi levando os colegas no bico, encerrou o primeiro semestre grudado na cadeira, adentra o segundo sem corar e sem sinais de que volta outro. Ao contrário, sente-se mais fortalecido e achando que o tempo o ajudou a empurrar a fase ruim para o infinito. É o que imagina, não a realidade.

A pauta do Senado está trancada por quatro medidas provisórias. A oposição está disposta a votar os projetos, mas apenas isso. Não pensa em dar folga ao presidente do Congresso. O resultado das investigações da PF porá mais lenha na fogueira. As irregularidades já constatadas pelo Jornal Nacional se confirmam e outros dados mais graves vêm sendo constatados por quem tem paciência para buscar informações e comparar entradas e saídas de bois, boiadas, notas e declarações a orgãos regionais e nacionais.

Sem os conselhos de ACM, a quem recorria com freqüência nos últimos tempos, e com apenas a retaguarda dos parceiros José Sarney e Jader Barbalho, Renan vai ficando cada vez mais isolado à frente do poder que dirige. O presidente Lula anda mais preocupado em maquiar melhor a imagem, depois das vaias no Maracanã, dos gestos obscenos do assessor do nada Marco Aurélio Garcia e das tragédias aéreas do que em salvar um aliado que mergulha cada vez mais na lama da qual o chefe do Planalto quer se esgueirar.

Há reformas demais a tratar para modernizar o país (a política, a tributária, a trabalhista, a do Estado, só para citar algumas). Não dá mais para alguém sobre quem pesam tantas suspeitas manter-se à frente do Legislativo. Quem perdeu o controle sobre o próprio destino, não tem o direito de impor-se a um poder que traçará a rota do Brasil.

As comissões parlamentares de inquérito do apagão aéreo e das organizações não-governamentais estão paradas no Senado. A da crise nos ares do país nem tinha motivo para começar. A da Câmara não parou nem durante o recesso e exibe uma extensa pauta nesta semana. A das ONGs espera por tempos menos turbulentos para caminhar. Especialmente, aguarda a definição do Conselho de Ética sobre o futuro do dirigente-mor da Casa. A Câmara, por seu lado, sente os efeitos dos tremores no vizinho Senado. E colabora para os trancos e barrancos com as indefinições em torno da reforma política, só para lembrar um dos projetos em pauta paralisados por interesses menores dos parlamentares.

O país continua a cobrar soluções, atitude, decisões. A renúncia de Renan Calheiros ocupa o primeiro item da pauta nacional.

Cansamos do quê?

por Thomas Korontai, site Diego Csagrande
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As vaias ao Presidente da República, no Maracanã, têm repercutido bastante. A internet vem sendo usada para transmitir mensagens sobre os riscos da democracia, até sobre golpe contra o atual Governo. Convenhamos, seria uma vergonha e um retrocesso impressionante do Brasil, em plena era de crescimento global. O país está dividido entre os que lêem e acompanham o que está acontecendo – são os que pagam a maior parte da conta - e os que não compreendem tudo isso por falta de informação, normalmente os assistidos pelas bolsas-esmolas federais.

A declaração do Presidente, em Cuiabá, preocupou muita gente, tendo sido interpretada como uma contra-ameaça, um alerta às eventuais pretensões de derrubá-lo, de atentar contra o regime democrático. As palavras expressam uma situação tensa e, de fato, preocupante.

Movimentos como "Basta" e "Cansei", entre tantos outros liderados pela população descontente, são importantes para expressar suas preocupações e indignações aos descasos e falta de controle gerencial em praticamente tudo no Brasil. Cinco anos se passaram e nada. O caos que se verifica em praticamente todos os setores, especialmente os de infra-estrutura, é resultado do discurso sem ações.

O problema que se apresenta é: “onde queremos chegar com tudo isso?” Há que se considerar outros tantos problemas vêm explodindo, além de aviões. Não apenas neste governo, mas nos anteriores também. Desde os governos militares, uma lista crescente de escândalos domina o cenário nacional, a ponto de as pessoas se ‘acostumarem’ ao sentimento de indignação.

A indiferença e o afastamento social da política estão perigosamente substituindo o civismo e os necessários acessórios da participação ativa do cidadão. Os recentes movimentos parecem ter rompido a barreira da indiferença, ajudados pela mídia. Mas, o que se pensa em fazer, caso realmente o Presidente seja impedido?

Vale lembrar que nosso maior problema não são os homens, e sim a estrutura do modelo organizacional brasileiro, excessiva e cada vez mais absurdamente centralizada no Governo Federal. Mensalões, sanguessugas, caos e desmandos, desencontros e falta de sinergia dentro do próprio governo – que nomeia políticos ao invés de técnicos para pastas que exigem gente do ramo –, apagões e tudo o mais compõem um conjunto de conseqüências do modelo centralizado. Na hipótese de um substituto presidencial, este se deparará com os mesmos problemas. Eventualmente, poderá resolver vários deles, mas as causas encadeadas, que formam uma síndrome contínua de conseqüências, permanecerão. Se tentar mexer em apenas um artigo da Constituição, será atacado de todos os lados, por diversos corporativismos. Se tentar fazer MPs saneadoras ou modernizadoras do Estado, idem.

Tem saída? Sim, mas através de um profundo movimento nacional de conscientização sobre poder local, responsabilidade local, com a descentralização geral, ampla e irrestrita dos poderes encastelados em Brasília. A partir dessa reflexão, outro questionamento se apresenta. O país conta com políticos à altura de propor essa mudança?

O Brasil chegou a uma situação de ‘imobilidade involuntária’, de não ter para onde correr. A recomendação é orientar a energia da indignação para a objetividade, e esta se resume na reorganização do modelo de Estado Brasileiro, para o federalismo pleno das autonomias.

Não é fácil e tampouco se resolve da noite para o dia, mas o redirecionamento objetivo dos vetores políticos e sociais nesse rumo começará a substituir a pauta de problemas e incêndios, para a pauta de soluções e a tomada de coragem para o salto de qualidade, sob uma nova Constituição, preferencialmente via referendo nacional. Felizmente, o trabalho já começou.

ENQUANTO ISSO...

Em 3 segundos, cai prédio da TAM

Às 15h29 de ontem as sirenes da Defesa Civil da cidade de São Paulo tocaram, câmeras fotográficas foram levantadas por centenas de curiosos que aguardavam e, um minuto depois, o prédio da TAM Express, que ainda exibia na lateral esquerda a pichação "Brazil (sic) é isso", veio abaixo na avenida Washington Luiz.

A implosão do edifício na frente do aeroporto de Congonhas, onde caiu o Airbus da companhia aérea, durou três segundos, mas uma estrutura de uma parede a esquerda do prédio resistiu e teve de ser destruída em seguida por uma retroescavadeira, assim como o posto de gasolina ao lado. O sentido bairro da Avenida Washington Luiz, interditado desde a data do acidente que matou 199 pessoas, foi liberado pouco antes das 18h.

Hoje, a defesa civil começa a avaliar a desinterdição de 22 imóveis no entorno do edifício. Três edículas de residências da área foram derrubadas pouco antes da implosão porque corriam o risco de ruir. O aeroporto foi paralisado das 15h10 às 16h por causa dos trabalhos e no início da tarde de hoje acumulava 50 cancelamentos de 120 vôos previstos e quatro atrasos - a Infraero negou que a situação tivesse relação com a implosão do prédio.

O governado José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acompanharam os trabalhos a uma distância de 150 m, da alça de acesso à Avenida Bandeirantes, via que também foi paralisada momentaneamente, assim como os dois sentidos da Washington Luiz. Kassab disse que a imagem da implosão era "muito triste" e que preferia não dar declarações.

"Não é o momento de fazer maiores análises, nem de sair do tema. A implosão encerra uma etapa desse processo tão doloroso, o que volta é a tristeza daquele dia, daquela noite, que realmente se o inferno tiver uma imagem é a que vimos na noite do acidente. O importante é trabalhar, o Brasil trabalhar para evitar a repetição de tragédias como essa", disse Serra pouco antes de ir embora.

Questionado sobre providências do governo estadual frente à União após a tragédia, responsabilizou a pista curta de Congonhas pelo acidente. "O governo estadual não tem influência direta na política aeroportuária, ela é prerrogativa e atribuição do governo federal, mas estamos presentes seja para apontar os problemas, seja para cooperar na solução de todos os problemas. Uma coisa me parece clara: que aqui em Congonhas tem de ser feita uma pista de escape, que independentemente das causas do acidente, a falta de pista de escape é o que precipitou a tragédia."

O engenheiro responsável pela operação, de empresa contratada pela TAM, afirmou que já era previsto que parte da lateral esquerda poderia resistir à implosão. Segundo ele, foi colocada uma carga de dinamite menor naquele ponto - no total foram usados 75 kg - para evitar uma interdição de mais quarteirões da área, além dos quatro que já tinham sido isolados pela defesa civil. "Daria muito mais trabalho. Foi uma opção técnica", afirmou Manoel Jorge Dias, de 52 anos, que trabalhou também nas implosões do Carandiru e do Palace 2.

De acordo com ele, serão necessários 1.800 caminhões para retirar as 18 mil toneladas de entulho que restaram no local. Segundo Jair Paca de Lima, coordenador geral da Defesa Civil, todo o entulho deverá seguir para área da TAM em São Carlos, para análises técnicas. A companhia aérea divulgou nota reafirmando a doação da área do prédio à Prefeitura de SP - o município promete uma praça e um memorial para as vítimas no local.

Os curiosos fizeram silêncio após o "boom" da implosão. Terezinha Campofredo, de 65 anos, que mora no bairro, deixou o local chorando. "Isso me deu uma tristeza... Não tem nada da gente, né? Mas a gente sente."

Enquanto isso, por aqui...
Blog do Noblat

Nada é mais é levado a sério na Europa do que as férias de verão - neste momento, em em seu ponto máximo.

Mas ontem, em uma fazenda perto de Guilford, no sudoeste da Inglaterra, foi descoberto um caso de febre aftosa. Um boi, e somente um, apareceu com os sintomas da doença.

A reação do governo inglês foi imediata. Tão logo avisado, o primeiro-ministro Gordon Brown suspendeu suas férias no Dorset e regressou a Londres para comandar as ações do governo.

Todas as outras reses da fazenda foram abatidas, e proibidas temporariamente as exportações de carne, seja de boi ou de porco.

A Comunidade Europeía, com sede em Bruxelas, segue de perto o problema.
Em 2001, quando houve um surto de febre aftosa, a Inglaterra amargou um prejuízo de 12 bilhões de euros.

Esta tarde, o presidente George Bush visitou o local onde desabou uma ponte no estado de Mineápollis. Morreram cinco pessoas. Outras oito desapareceram.

Enquanto isso, por aqui...

Bem, por aqui vocês sabem.


COMENTANDO A NOTÍCIA: Vejam vocês como deve comportar-se um governante. Aos exemplos referidos pelo Noblat poderíamos juntar dezenas deles. Regra geral, em momentos de tragédia e comoção nacional, o presidente ou Primeiro Ministro sempre se faz presente, levando sua palavra, sua presença, sua solidariedade. Aqui, o prédio da TAM foi implodido sem que o digníssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva se desse ao trabalho de descer de sua arrogância e prepotência para, um única vez que fosse, visitasse o local em que quase 200 brasileiros foram tragicamente consumidos pelas chamas do maior desastre aéreo da nossa história.

Muito embora a pesquisa feita pelo DATAFOLHA demonstrasse que a aprovação de Lula permanece onde estava antes do acidente, esta sua ausência o tempo saberá cobrar. Aliás, não terá a primeira vez que Lula se omitiu de se fazer solidário ao povo brasileiro. Fica-nos a impressão de que sua única preocupação foi desgrudar a tragédia de seu governo, de suas costas. Além, é claro, da preocupação canalha com seus índices de aprovação e popularidade. A respeito do DATAFOLHA, leiam a coluna de TRAPOS & FARRAPOS de hoje, onde colocamos nosso ponto vista sobre esta estranha pesquisa e seu estranho método de coleta de dados.

Porém, e conforme já advertimos inúmeras vezes, esta postura omissa de Lula terá, no seu devido tempo, um preço que, se agora ele foge de ter que prestar contas, momento oportuno se oferecerá em que a fuga não mas será possível. Aliás, ele próprio tratará de correr atrás. Tardiamente contudo. Cada um receberá de acordo com o que houver plantado.