Ana Maria Tahan, Jornal do Brasil
O Pan foi uma festa. Mas acabou, e o Brasil ainda está quilômetros-luz de se tornar um país olímpico. Como ensinou a capitã-do-ar sem brevê da Anac, Denise Abreu (a que aprecia demais um charutão), uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, 1,90m de pose gaúcha e muita bala na agulha prometida pelo presidente Lula (se é que isso quer dizer alguma coisa), tenta controlar o apagão da hora e colocar ordem na Infraero, Aeronáutica e aeroportos. As companhias aéreas recolheram temporariamente os flaps da auto-suficiência e arrogância. O recesso do Congresso chega ao fim.
Acabaram as férias do presidente do Senado, Renan Calheiros. A Polícia Federal, se os agentes também não aproveitaram os dias de descanso dos senhores parlamentares, já teve um bom tempo para deslanchar as investigações em torno da compra e venda de bois e boiadas com a qual o indefectível comandante da Casa pretende provar que tinha e tem recursos para custear a pensão de uma filha sem precisar recorrer à ajuda amiga de um lobista ou da empreiteira que ele representa.
Documentos para cá, notas frias para lá, Renan foi levando os colegas no bico, encerrou o primeiro semestre grudado na cadeira, adentra o segundo sem corar e sem sinais de que volta outro. Ao contrário, sente-se mais fortalecido e achando que o tempo o ajudou a empurrar a fase ruim para o infinito. É o que imagina, não a realidade.
A pauta do Senado está trancada por quatro medidas provisórias. A oposição está disposta a votar os projetos, mas apenas isso. Não pensa em dar folga ao presidente do Congresso. O resultado das investigações da PF porá mais lenha na fogueira. As irregularidades já constatadas pelo Jornal Nacional se confirmam e outros dados mais graves vêm sendo constatados por quem tem paciência para buscar informações e comparar entradas e saídas de bois, boiadas, notas e declarações a orgãos regionais e nacionais.
Sem os conselhos de ACM, a quem recorria com freqüência nos últimos tempos, e com apenas a retaguarda dos parceiros José Sarney e Jader Barbalho, Renan vai ficando cada vez mais isolado à frente do poder que dirige. O presidente Lula anda mais preocupado em maquiar melhor a imagem, depois das vaias no Maracanã, dos gestos obscenos do assessor do nada Marco Aurélio Garcia e das tragédias aéreas do que em salvar um aliado que mergulha cada vez mais na lama da qual o chefe do Planalto quer se esgueirar.
O Pan foi uma festa. Mas acabou, e o Brasil ainda está quilômetros-luz de se tornar um país olímpico. Como ensinou a capitã-do-ar sem brevê da Anac, Denise Abreu (a que aprecia demais um charutão), uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, 1,90m de pose gaúcha e muita bala na agulha prometida pelo presidente Lula (se é que isso quer dizer alguma coisa), tenta controlar o apagão da hora e colocar ordem na Infraero, Aeronáutica e aeroportos. As companhias aéreas recolheram temporariamente os flaps da auto-suficiência e arrogância. O recesso do Congresso chega ao fim.
Acabaram as férias do presidente do Senado, Renan Calheiros. A Polícia Federal, se os agentes também não aproveitaram os dias de descanso dos senhores parlamentares, já teve um bom tempo para deslanchar as investigações em torno da compra e venda de bois e boiadas com a qual o indefectível comandante da Casa pretende provar que tinha e tem recursos para custear a pensão de uma filha sem precisar recorrer à ajuda amiga de um lobista ou da empreiteira que ele representa.
Documentos para cá, notas frias para lá, Renan foi levando os colegas no bico, encerrou o primeiro semestre grudado na cadeira, adentra o segundo sem corar e sem sinais de que volta outro. Ao contrário, sente-se mais fortalecido e achando que o tempo o ajudou a empurrar a fase ruim para o infinito. É o que imagina, não a realidade.
A pauta do Senado está trancada por quatro medidas provisórias. A oposição está disposta a votar os projetos, mas apenas isso. Não pensa em dar folga ao presidente do Congresso. O resultado das investigações da PF porá mais lenha na fogueira. As irregularidades já constatadas pelo Jornal Nacional se confirmam e outros dados mais graves vêm sendo constatados por quem tem paciência para buscar informações e comparar entradas e saídas de bois, boiadas, notas e declarações a orgãos regionais e nacionais.
Sem os conselhos de ACM, a quem recorria com freqüência nos últimos tempos, e com apenas a retaguarda dos parceiros José Sarney e Jader Barbalho, Renan vai ficando cada vez mais isolado à frente do poder que dirige. O presidente Lula anda mais preocupado em maquiar melhor a imagem, depois das vaias no Maracanã, dos gestos obscenos do assessor do nada Marco Aurélio Garcia e das tragédias aéreas do que em salvar um aliado que mergulha cada vez mais na lama da qual o chefe do Planalto quer se esgueirar.
Há reformas demais a tratar para modernizar o país (a política, a tributária, a trabalhista, a do Estado, só para citar algumas). Não dá mais para alguém sobre quem pesam tantas suspeitas manter-se à frente do Legislativo. Quem perdeu o controle sobre o próprio destino, não tem o direito de impor-se a um poder que traçará a rota do Brasil.
As comissões parlamentares de inquérito do apagão aéreo e das organizações não-governamentais estão paradas no Senado. A da crise nos ares do país nem tinha motivo para começar. A da Câmara não parou nem durante o recesso e exibe uma extensa pauta nesta semana. A das ONGs espera por tempos menos turbulentos para caminhar. Especialmente, aguarda a definição do Conselho de Ética sobre o futuro do dirigente-mor da Casa. A Câmara, por seu lado, sente os efeitos dos tremores no vizinho Senado. E colabora para os trancos e barrancos com as indefinições em torno da reforma política, só para lembrar um dos projetos em pauta paralisados por interesses menores dos parlamentares.
O país continua a cobrar soluções, atitude, decisões. A renúncia de Renan Calheiros ocupa o primeiro item da pauta nacional.