segunda-feira, abril 09, 2007

TOQUEDEPRIMA...

R$ 100 milhões para as aéreas é um acinte
Cláudio Humberto

As companhias aéreas, contabilizando a crise aérea dos últimos seis meses, querem R$ 100 milhões do governo como indenização. O risco é a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) correr para aprovar a quantia solicitada pelo sindicato das empresas. A Anac dá tudo às aéreas, e nada fiscaliza. Mas, antes de engordar os balanços da Gol e da TAM, a Anac poderia exigir um desconto em nome dos milhares de passageiros humilhados e ofendidos nos aeroportos nesses exatos seis meses. Fazendo um encontro de contas entre a volúpia de faturamento do sindicato das empresas aéreas (Snea) e o sofrimento moral dos passageiros, arbitrar por este último uma indenização de R$ 100 milhões não seria nenhum exagero. Todos estariam quites, ninguém devendo a ninguém. Por que só rebentar a corda no lado do passageiro? Ele foi a vítima dos "overbookings", do sumiço de aviões da TAM dos pátios, em 22 de dezembro, para uso em fretamentos, maus tratos no atendimentos nos check-ins, filas intermináveis, tripulações que interromperam decolagens alegando "cansaço", com passageiros já embarcados, falta de informação crônica e até - pasmem - um pedido da Gol para que passageiros evitem os aeroportos. O pedido das empresas será submetido à avaliação da diretoria da Anac.

COMENTANDO A NOTICIA: E quanto ao lucro que as companhias aéreas tiveram em 2006, ninguém vai falar nada ? E outra coisa: não basta o brasileiro pagar as tarifas aeroportuárias mais caras do mundo, já não chega o sofrimento a que os passageiros têm sido submetidos nos últimos seis meses, e estes imbecis ainda nos querem assaltar ainda mais ? Prá quem irá todo este dinheiro? Quem vai administrá-lo? E do que é feita arrecadação do que pagamos ? Ora, tenham paciência, senhores: cretinice tem lugar e hora!

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Morte por dengue é 4 vezes maior que o tolerado
O Estado de S.Paulo:

"Apesar de conviver há mais de duas décadas com a dengue, em grandes epidemias ou surtos menos expressivos, o Brasil apresenta frágil estrutura para lidar com a forma grave da doença. A falha se reflete nos altos índices de mortalidade. Neste ano, até 19 de março, tinham sido notificados 75 casos de dengue hemorrágica, com 10 mortes - taxa de mortalidade de 13,3%. O porcentual está muito acima do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - 3%. Em 2006, o índice no País foi semelhante: 11% dos pacientes com a forma grave da doença morreram."

COMETANDO A NOTICIA: Pois então: resta saber dos governos estaduais e também do governo federal, a quem responsabilizarão agora, com a repetição ano após ano de mesma epidemia, e sem que programa de prevenção possam minorar os casos e reduzir os índice de mortalidade ? Ou será que desejarão culpar os governantes passados ? Ou será que vão culpar as chuvas de verão ? E pelo que se sabe, o mosquito não vive tanto tempo assim.

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PT terá mais da metade dos cargos comissionados
Folha de S.Paulo

"Concluída a reforma ministerial e diante do aceno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de entregar aos partidos da base o controle total de suas pastas, o PT terá em mãos mais da metade dos cargos comissionados da Esplanada dos Ministérios, preenchidos por nomeação e sem concurso público.

O poder de fogo dos 16 ministros petistas, incluindo autarquias e órgãos a eles subordinados, será de 11.817 cargos desse tipo, cujos salários variam de R$ 1.232 a R$ 7.595 e podem ser preenchidos a critério de cada ministro. Em muitos casos, o cargo de DAS (Direção e Assessoramento Superiores) é usado para acomodar indicados políticos de diferentes Estados.

Bem atrás do PT no ranking de cargos, aparece o PMDB. Juntos, Comunicações, Integração Nacional, Minas e Energia, Saúde e Agricultura possuem uma estrutura de 3.773 cargos, dos cerca de 20 mil à disposição do governo federal."

COMENTANDO A NOTICIA: Sem dúvida, é de boca rica que este partido mais adora. Quanto mais agarrado ao poder, e deliciando-se nas suas benesses, a custa do trabalho e do dinheiro alheio, melhor. Sem responsabilidade, sem precisar prestar concurso, sem sequer precisar trabalhar, que tudo isto é coisa para o povão burro que vota nestes canalhas !

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Algoz da Varig
Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Veemente protesto foi feito pelo senador Pedro Simon contra a venda do que restava da Varig para a Gol. O representante gaúcho lamentou a morte da empresa que por 70 anos foi modelo internacional e não contou com um único gesto de boa vontade das autoridades econômicas e do governo federal.

Acusou o presidente Lula de algoz da Varig, convidou os colegas para a missa de sétimo dias e pediu que as coroas de flores fossem entregues no Palácio do Planalto, para onde irão as cinzas da empresa, que morreu incinerada. "O Lula que leve essas cinzas para casa, no final do seu mandato" - disse Simon, mais emocionado do que indignado.

Para o senador, o BNDES financiou a maioria das privatizações de empresas públicas, muitas vezes de forma escandalosa, mas não houve por parte do governo Lula a menor iniciativa para salvar uma companhia sui generis, que pertencia aos seus próprios empregados, através de uma fundação. Ficou pior, disse Simon, assistir à compra da Varig por uma empresa especializada em linhas de ônibus.

COMENTANDO A NOTICIA: Jamais aqui se ignorou a culpa dos administradores da VARIG para levar a empresa a situação de penúria que a companhia acabou chegando. Porém, indesculpável a forma como o governo Lula agiu em relação a esta companhia aérea. Sempre dissemos e defendemos que outros “interesses” estranhos contribuíram para que o governo podendo ajudar, cruzasse os braços e, no que pode, ajudou a enterrar e dificultar ainda mais, tornando irreversível a situação dramática que a VARIG viveu. É um crime que Lula carregará para o resto da vida. A maneira como comportaram-se a INFRAERO, a ANAC, o BNDES, deixa clara a real intenção do governo Lula em liquidar aquela companhia. E, a forma como os amigos do rei atuaram no processo final de venda para a GOL, sabe-se bem quais eram os propósitos pouco recomendáveis de parte do governo Lula. Ah, é bom não esquecermos da dívida do governo, em torno de 4,5 bilhões de reais decretados pela Justiça, e que até agora o governo se negou a pagar.

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O Brasil é de morte!
Cláudio Humberto

Pesquisa da consultoria inglesa Mercer HR colocou São Paulo no 114º. lugar mundial em qualidade de vida e o Rio no 115º. Em pesquisa sobre qualidade de morte só o Iraque nos ameaçará o pódio.

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Empresas se preparam para escassez de energia
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Grandes empresas, que consomem energia em larga escala, já se preparam para a eventual escassez de oferta de eletricidade a partir de 2009. Nos últimos meses, distribuidores e comercializadores de energia elétrica vêm sentindo uma corrida por contratos de longo prazo, com vencimento para o início da próxima década.

A acirrada disputa pela clientela levou os agentes do setor a criar produtos cada vez mais sofisticados, como pacotes em que o preço da energia varia de acordo com a cotação dos produtos finais dos clientes. O mercado estima um aumento de até 45% nos preços da energia elétrica vendida pelas distribuidoras no período entre 2010 e 2012.

No mercado livre, os contratos para 2010 devem atingir os R$ 115 por megawatt/hora (MWh), ante os R$ 82, em média, pagos para fornecimento este ano, diz o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Paulo Mayon.

"Se as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 4% a 4,5% se confirmarem, é possível que tenhamos algum risco de déficit, com impacto nos preços", explica o executivo.

Perdoar?

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog do Noblat

Em um manifesto não assinado, emitido na sexta-feira 30 de março pp., os controladores do tráfego aéreo no Brasil justificaram sua decisão de literalmente parar o país. De dimensões continentais, o Brasil, carente de boas estradas, de navegação de cabotagem e de ferrovias, tanto de carga quanto de passageiros, sem os aeroportos em pleno funcionamento, pára.

Nesse manifesto, os controladores formulavam nove perguntas, todas muito graves, das quais reproduzo três:

“Quem é o profissional obrigado a monitorar vôos e milhares de vidas acima do recomendado pelas normas de segurança?
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Quem passa os dias trabalhando com equipamentos obsoletos e prejudiciais à saúde?
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Quem tem de se desdobrar para prestar serviço seguro quando ocorrem falhas de comunicação nas chamadas zonas cegas?”.

Depois de responder ás perguntas, se nomeando, complementam seu pensamento:

“Chegamos ao limite da condição humana, não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e como somos tratados. NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS EQUIPAMENTOS E NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS COMANDOS!

Estamos trabalhando com os fuzis apontados para nós, vários representantes de associações LEGAIS estão sendo perseguidos, com afastamentos e transferências arbitrárias. A represália do alto escalão militar contra os sargentos controladores tem gerado tamanha insatisfação que não suportaremos calados em meio a tamanha injustiça e impunidade aos verdadeiros responsáveis pelo caos. Clamamos por mudanças tão quanto os passageiros desesperados por soluções imediatas” (sic).

São palavras fortes. Acusam de forma contundente. Dão motivos graves para sua rebelião. Um motim é coisa muito séria, evidente que os chefes militares não poderiam assistir a isso de braços cruzados. Voando a mil pelos céus das Américas, em seu belo brinquedo muito bem controlado em terra e no ar, o Presidente Lula o que faz? Desautoriza qualquer atitude a favor da disciplina e envia como representante do Governo Federal, quem? o Ministro do Planejamento. Tudo como se estivessem no meio de uma greve ameaçadora no ABC...

Qualquer pessoa maior de 18 anos, com os neurônios em plena atividade, sabia onde isso ia dar. E deu. Os militares das três Armas, entre estarrecidos e indignados, resolveram dar um basta na brincadeira e deram, à sua moda, i.e., respeitando a hierarquia e a disciplina e deixando o Comandante em Chefe das Forças Armadas ficar bem na fita.

O acordo assinado pelo Ministro Paulo Bernardo virou letra morta. Os insurrectos foram alertados para tudo que perderiam se continuassem com sua atitude negativa. Voltaram aos quartéis e aos consoles do comando do tráfego aéreo e ainda por cima emitiram uma nota, dessa vez assinada, em que pedem perdão á população, nestes termos:

“Que o dia 30 de março seja lembrado como “um grito de socorro dos Controladores de Tráfego Aéreo” e não como uma simples rebelião de militares. § Pedimos perdão à sociedade brasileira e paz para voltarmos a executar com maestria nosso trabalho”.

O manifesto rebelde é de 30 de março. Essa nota é de 5 de abril. Estou me esforçando ao máximo para juntar os dois pedidos, o de socorro e o de perdão. Impossível. Ou bem os equipamentos obsoletos, as zonas cegas, as arbitrariedades, o fuzil apontado para suas vidas, os horários desumanos, os chefes não muito confiáveis, ou esses cordeirinhos pedindo perdão ao povo. Não dá para aceitar como sendo dos mesmos homens essas palavras tão díspares.

Nesse meio termo, notas duras do Clube da Aeronáutica e do Clube Militar; a Federação Internacional de Pilotos (Ifalpa), em seu site na Internet, se mostra preocupadíssima com a insegurança e com o desrespeito que os controladores vinham demonstrando em serviço, chegando às raias da irresponsabilidade; boatos, como sempre irresponsáveis, falando em tramas ‘jamesbondianas’ entre membros do governo e os controladores, visando sabe lá Deus o quê...

Pedir perdão é fácil. Difícil vai ser explicar qual a fada madrinha que entre o dia 30 de março e o dia 5 de abril, consertou tudo: equipamentos, horários, chefes, salários, injustiças, insegurança. Difícil é explicar como, na mesma nota, onde falam em grito de socorro, os controladores apelam para que a sociedade os perdoe.

Quando da queda do avião da Gol, o Presidente Lula agiu como se essa tragédia tivesse acontecido numa floresta em Java. Agora quer que acreditemos que ao dar ordens pelo telefone, não conhecia a extensão da crise, depois que foi traído pelos malvados que esperaram a sua ausência para esfaqueá-lo pelas costas. Outra vez... Mas não será por falta de assessores diretamente ligados ao assunto: Infraero, Anac, Casa Civil, sei lá mais quem...

Também quer que o Brasil aceite como Ministro da Defesa um senhor que já teve seis meses para demonstrar que não foi talhado para o cargo. Em nome de quê? Em nome da amizade que os une. Tudo bem, a amizade é um lindo sentimento, mas, e nós com isso?

Soube ontem que o acidente da Gol fez mais de 100 órfãos, das mais diferentes idades.

Hora de comprar um submarino

Marcelo Carneiro da Cunha, Terra Magazine

No livro de Julio Verne 20 Mil Léguas Submarinas, o Nautilus, submarino do Capitão Nemo, tinha um lema: "Mobilis in Mobile". Em bom latim, o que eu duvido que eu, você que me lê ou qualquer pessoa num raio de centenas de quilômetros conheça, isso quer dizer Móvel no Movente; ou seja, ter a capacidade de se manter em movimento no meio de algo que também se move. Isso quer dizer termos a capacidade, de, por exemplo, nos movermos de acordo com a nossa vontade, mesmo rodeados de movimento. Creio que a analogia deve ser que o melhor é que nos movamos como peixes - e não águas-vivas - no mar ao nosso redor.

Se existe uma coisa em movimento, é esse nosso mundo de hoje. Eu li e não sei exatamente onde, que durante a apresentação do primeiro trem ao público, lá por 1838, o Rocket, capaz de atingir inacreditáveis quarenta quilômetros por hora, um dos espectadores teria morrido atropelado simplesmente por não conseguir sair da frente do trem em tempo. Para as pessoas de 1838, quarenta quilômetros por hora era simplesmente uma quantidade exagerada de velocidade, para a qual nenhuma delas - certamente o caso da vítima do atropelamento - poderia estar preparada.

Por milhares de anos, nossa velocidade máxima foi a de um cavalo em corrida, o que nem mesmo o cavalo agüenta por muito tempo. Em cem anos ou pouco mais, fomos do Rocket ao foguete pra valer; do balão cheio de ar quente ao Airbus ou Boeing que em dias com bons ventos chega perto dos mil quilômetros por hora; do ábaco ao computador, passando antes por aquelas calculadoras mecânicas que eu tanto gostava de ver sendo usadas, por algum motivo, em lojas de ferragens.

Talvez por isso nos seja tão paradoxal estarmos, no Brasil desse momento, grudados ao chão e nada móbiles, ou mobilis, perdoem meu latim. Os jornais falam do caos aéreo, mas quem vai até uma aeroporto tentando ser móbile (ou mobilis) se sente num caos terrestre, porque não sabe quando ou se vai sair daquele lugar onde está para o lugar onde gostaria de estar. Não entende exatamente o que está acontecendo, mas sabe muito bem o que pode acontecer se não conseguir se mover - algo que até há pouco tomávamos como certo e assegurado, mais um desses nossos direitos adquiridos que alguma força tenta remover de tempos em tempos.

Eu tenho lá a minha suspeita de que o nosso mundo em movimento se mantém em movimento por detalhe. A gente vai para uma praia na Tailândia achando que volta quando quiser, e vem uma onda gigante e coloca um sério ponto final ou de interrogação em nossa capacidade de decidir o que vai acontecer dali em diante. A gente resolve estar em New Orleans quando passa por ali um furacão chamado Katrina e descobre que os Estados Unidos podem, muito rapidamente, se transformar em algo terceiro-mundista e colocar em dúvida tudo que pensávamos sobre os supostos caras que deveriam saber e controlar o mundo inteiro.

Eu estava em Nova York no dia em que uns terroristas malucos transformaram o movimento de uns aviões no que hoje conhecemos como 11 de setembro, e naquele exato instante toda a minha capacidade de movimento foi literalmente para o espaço.

E vivo num Brasil que não sabe ou consegue manter seus aviões em funcionamento, que não consegue manter as suas estradas em funcionamento, que mantém portos funcionando de um jeito que me parece suspeito (eu moro diante de um porto, e olhando o modo que eles usam pra carregar e descarregar navios, fico pensando e pensando se dez mil chineses com pás não seriam bem mais eficientes). Pior: eu vivo em um Brasil onde quem está encarregado de tomar conta de tanto movimento não parece fazer a menor idéia do que nos mantenha em funcionamento.

É impossível que um suposto Ministro da Defesa não saiba sequer defender o seu emprego ou pelo menos conheça o seu job description (termo super na moda, que significa descrever o que se espera que a gente saiba fazer para ter o nosso emprego, para começo de conversa). A impressão é de que estão colocados em lugares críticos gente que não conseguiria escolher um pé de alface no supermercado, caso tivesse uma remota idéia do que venha a ser um pé de alface.

É impossível entender que se deixe equipamento vital para o controle aéreo ser sucateado, quando sobre dinheiro da Infraero para comprar rampas de acesso aos aviões por dois milhões de reais cada, em Congonhas. É impossível entender como nossos controladores aéreos fazem para controlar o que eles nem conseguem ver direito, caso trágico do avião da Gol, em setembro do ano passado. E é assustador ficar sabendo que eles, na sua maioria, sequer falam ou entendem inglês direito. Fico imaginando um avião vindo direto da China, com o piloto falando o inglês dele e nosso controlador falando o nosso, e me espanta que aparentemente ele encontre e pouse em Guarulhos. Mas que um dia não vai dar certo, não vai.

Nosso movimento, nossa capacidade de ir e voltar, nossa necessidade de estarmos móveis no movente, tudo isso passa a não ser mais do que uma crença, uma vontade de acreditar no que sabemos, de alguma maneira, ser falso. E quando paramos de acreditar, até mesmo Deus morre, se Nietzsche estiver mesmo certo. E se Deus, que é para ser o todo-poderoso mais poderoso que existe, se até ele corre riscos, imaginem a gente aqui, com esse nosso poder todo, em que pé nos encontramos.

(*) Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe".

Os Caminhos da Demagogia e do Populismo

Por Laurence Bittencourt Leite, Prosa & Política
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No Brasil não se discute proposições, e sim, se o candidato “x” tem mais voto que o candidato “y”, que é o caminho aberto, declarado, para o populismo e a demagogia. Quando o debate fica no nível de quem tem mais votos, apenas, ou de discussões desse tipo, o eleitor é o único a perder (embora não saiba), e quem mais mente, promete mais, faz o perfil de “bonzinho” e tem um bom marketing por trás, inevitavelmente está fadado a ser eleito. Essa tem sido a nossa história, sina e a ladainha ao longo de séculos (quando houve eleições, claro). Quem diz a verdade, ou tenta dizer, é alijado do processo, quando na verdade seria o único (o único) que estaria tocando na ferida dessa chaga secular, que é o populismo e a miséria e suas causas. Dizer a verdade dói e incomoda. Mas o único (o único, mesmo) critério de ética é falar a verdade. Dizer a verdade. Nenhum outro mais.
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A demagogia (como o de prometer milhões de empregos) pode ser o caminho mais fácil, mas o futuro será sempre palmilhado de incertezas, atrasos, frustrações e não avanço. Basta olhar para o nosso país e ver que os Estados, todos (absolutamente todos), estão falidos. E se não estão, então por que o pires na mão? Por que os prefeitos não param de dizer e os governadores? Mas não. O argumento é que é para ter mais e poder fazer mais. Jesus! Eles não percebem a contradição? O que já se jogou de dinheiro fora (a dinheirama, quando não roubado ou desviado, ou tirado do contribuinte, o que é a mesma coisa) nesse país é incalculável. Mas sempre teremos a oportunidade de termos “o homem certo no lugar certo”. Até lá, vamos andando na incerteza e no limbo.

A promessa do Estado gerador de emprego, supridor dos desvalidos, é incansável, eterno, aliado os populismos e demagogias baratas da vida cotidiana nacional. O de sempre.
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A privatização, obrigaria, no mínimo, as prefeituras terem que pagar suas contas (como qualquer cidadão) em dia, e não ficar desviando dinheiro ou recursos do contribuinte.
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Mas não há essa mentalidade nem ela prospera. E tome propaganda governamentais dizendo depois que faltam recursos. Mas claro, tudo isso seria um sonho e uma quimera, impedido, talvez, pelas “pressões” políticas. Jesus! O povo que é bom, esse pode esperar (ou se alimentar) de discursos. Um bom alimento.
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Preferimos (por não saber) apontar as misérias, dizendo que a culpa é dos outros, e não, apontar de fato qual o caminho da riqueza. Ficamos, apenas, no debate demagógico, improdutivo, para o chamado povo, que termina embarcando na canoa (nas canoas) da demagogia e enrolação. Massa de manobra. E essa massa de miseráveis que não tem acesso ao poder, continua onde sempre esteve. Certo, há a questão da educação por trás. Mas de que estamos falando, por certo? Nem mesmo os ensinamentos bíblicos (já que temos tanto orgulho em sermos religiosos) fazem sentido, que diz, “ganharás o pão com o suor do teu rosto”, ou que “o caminho mais difícil é o único verdadeiro e que leva a salvação”. Preferimos o mais fácil. A demagogia, a enganação, a enrolação, para ficarmos na dependência da política. É por isso que falam tanto do Nordeste. Quem falta tem toda razão.

Governo Lula foi avisado sobre motim três dias antes

Correio Braziliense
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Na noite da terça-feira que antecedeu o último locaute dos controladores de vôo, produzindo em conseqüência o “apagão aéreo” do dia 30 de março, havia ocorrido uma assembléia dos operadores civis e militares das torres de controle dos principais aeroportos brasileiros. Um desses encontros ocorreu em Brasília. Na manhã da quarta-feira, 28 de março, um deputado do PT foi informado da estratégia traçada no encontro: parar os aeroportos brasileiros na sexta-feira e resistir às ordens de prisão. O deputado petista passou a informação para o ministro da Defesa, Waldir Pires, e saiu do circuito certo de que seria dado a ela um tratamento de Estado. Não foi.
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Na manhã de sexta-feira, quando o presidente Lula já se preparava para embarcar com destino aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente norte-americano George W. Bush, um senador do PMDB recebeu relatos consistentes de oficiais da Aeronáutica, que já detalhavam o caos que só se materializaria dali a algumas horas. O senador peemedebista repassou os dados para um integrante do governo com acesso direto ao presidente e, também ele, acreditou que a informação ganharia curso próprio e auxiliaria nas decisões destinadas a evitar o problema. Nada disso.
Na última segunda-feira, de volta ao Brasil, o presidente da República foi surpreendido pelo alto grau de insatisfação entre os comandantes militares. Nem a informação do deputado do PT nem aquela passada pelo senador do PMDB tinham chegado até ele em tempo hábil.
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Só depois de voltar a Brasília é que Lula soube das assembléias que antecederam o apagão e de que havia tido tempo hábil para uma ação de governo na manhã de sexta-feira, antes do auge da crise. “Só na manhã de terça-feira é que ele mediu a extensão do problema com os militares. O presidente acreditou que a solução dada pelo Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) ia pôr tudo sob controle. Errou, estava mal-informado”, diz um amigo de Lula, que tem interlocutores nas três armas e foi chamado a intervir na crise. “Foi enorme engano acreditar que conseguiria operar a crise por telefone e no ar.”
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A partir desse episódio, e por causa dele, o presidente ordenou que os filtros de informação fossem aperfeiçoados: indícios de assembleísmo e riscos de locautes em setores vitais da administração pública não podem chegar ao Planalto pelas vias normais, burocráticas. A determinação é para que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, coordenem as informações estratégicas e façam com que elas tenham curso antes de picos de crise como aquele vivido na última sexta-feira.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Novamente, Lula repetiu o artifício que já fizera uso no caso do Mensalão. Alegou que se sentira “traído”. Ora, fica claro que traição se cometida, foi a do presidente para com os brasileiros. Primeiro, porque vem arrastando esta crise já há mais de 6 meses, e nada de concreto tem feito para resolvê-la. Segundo, porque a crise tem culpa direta na omissão e negligência presidenciais, quando, mesmo avisado pela Aeronáutica em 2004 sobre a as necessidades de investimentos urgentes no setor de controle de tráfego aéreo, preferiu fazer ouvidos de mercador, e ignorando a advertência, continuou cortando verbas ano após ano. Terceiro, mesmo sabendo da crise quando esta já estava instalada, continuou agindo irresponsavelmente, empurrando a solução com a barriga, e preferindo instruir seu ministro de Defesa a incentivar a sindicalização dos militares preparando assim uma futura desmilitarização do setor, favorecendo em última análise a própria CUT de seus parceiros e companheiros. Portanto, no cerne da questão, a culpa de Lula é total e indiscutível. Depois, quando interferiu na quebra da hierarquia militar, produzindo uma contra-ordem ao comando da Aeronáutica que decidira por punir os rebelados ou amotinados. E, por fim, por insistir, ainda mais irresponsavelmente ainda, na permanência de Waldir Pires à frente do ministério da Defesa, apenas por birra e para demonstrar autoridade. Coisa de moleque safado, já se vê. No fundo, e especificamente nesta questão, a autoridade de Lula e merda é a mesma coisa. Não valem nada. Só atrapalham e tornam o caos ainda pior.

Bens de capital se destacam em resultados sobre indústria

A produção de bens de capital, com sinal positivo para os investimentos, foi o destaque dos resultados da indústria em fevereiro. O setor industrial registrou expansão de 0,3% em relação a janeiro e de 3% na comparação com fevereiro do ano passado, acumulando aumento de 3,8% no primeiro bimestre de 2007. "Talvez o mais relevante é que a produção de bens de capital para fins industriais mantém o ritmo de crescimento, isso significa uma expansão da capacidade da economia e da indústria", disse o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales.

Para ele, os dados mostraram o otimismo dos empresários. "Há uma expectativa favorável do meio empresarial em relação à economia e, por isso, há mais encomendas de máquinas e equipamentos. As empresas estão criando capacidade de oferta, aumentando a capacidade produtiva", avaliou.

No primeiro bimestre deste ano os bens de capital apresentaram crescimento de 16%, com expansão em todos os segmentos que compõem essa categoria. Sales destacou que a produção desses bens cresce velozmente - a expansão bimestral não ocorria na magnitude atual desde o primeiro bimestre de 2001 - apesar do aumento das importações desses produtos que expandiram, em volume, 31% no acumulado dos dois primeiros meses deste ano ante igual período do ano passado.

O economista observou também que a produção de bens de capital cresceu 14,3% em fevereiro ante igual mês do ano passado, em desempenho bem superior ao da indústria em geral e a expansão foi espalhada em todos os segmentos dessa categoria: bens de capital para uso misto (inclui computadores, com 23,6%), para transporte (6,3%), para fins industriais (8,7%) e agrícolas (11 3%).

Os técnicos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) avaliaram, em documento sobre os dados do IBGE, que há uma indicação segura de aceleração do investimento o que, segundo eles, contribuirá para um crescimento maior da economia, sem pressões inflacionárias, em 2007.

Ao contrário do bom desempenho de bens de capital, a única categoria entre as quatro pesquisadas pelo IBGE a registrar queda na produção em fevereiro ante igual mês do ano passado foi a de bens de consumo duráveis (-2,9%), prejudicada especialmente pelo câmbio.

Petróleo
A indústria de refino de petróleo, que havia puxado para baixo os resultados da produção em janeiro, representou o principal impacto de alta para a expansão do setor industrial em fevereiro ante mês anterior. Com crescimento de 4 1% nessa base de comparação - após uma queda de 4,6% em janeiro, provocada por paralisações técnicas - esse segmento ficou a frente da material elétrico, eletrônico e de comunicações (7,4%) o segundo principal impacto) e alimentos (1,8%) entre as maiores influências de alta na produção industrial em fevereiro ante janeiro.

TOQUEDEPRIMA...

Invertendo a lógica da constitucionalidade

Lula irá ao STF se veto a emenda de prestador cair
Da Folha de S.Paulol

"Durante jantar com senadores do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou anteontem que vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) se o Congresso derrubar seu veto a dispositivo que regulamentava a relação entre prestadores de serviço e as empresas contratantes.

Por exigência da oposição, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende convocar uma sessão do Congresso na próxima semana para apreciar o veto presidencial à chamada emenda 3, que proibia auditores da Receita de multar profissionais liberais que prestam serviço na condição de pessoas jurídicas.

O artigo em questão fazia parte do projeto de lei que criou a Super-Receita, fundindo as estruturas de fiscalização e arrecadação dos ministérios da Fazenda e da Previdência Social. Segundo senadores, o presidente afirmou que está convencido de que teve razão ao vetar esse item porque seria inconstitucional."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, inconstitucional é retirar-se da Justiça do Trabalho a autoridade para atuar como juiz em relação às PJ de prestação de serviços, e transferindo tal incumbência para os fiscais da Super-Receita. Como sempre, Lula acaba por falar besteiras sobre coisas das quais ele não tem a menor idéia.

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Costa sugere abater IR de anunciante de TV pública
De O Globo

"O ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu ontem que a rede de TV pública que será criada pelo governo seja financiada, em parte, por anúncios de empresas privadas. Embora tenha ressaltado que esta é uma opinião sua, e não do governo, Costa disse que poderá trabalhar para convencer o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a dar incentivos fiscais aos anunciantes, nos moldes da Lei Rouanet, de incentivo à cultura.

— A grande argumentação excepcional seria se nós conseguíssemos convencer, e eu estou aqui para fazer esse convencimento, o ministro da Fazenda de que, investindo na TV pública, você (o empresário) tem pelo menos algum tipo de desconto no seu Imposto de Renda — disse o ministro, durante audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação do Senado."

COMENTANDO A NOTICIA: Mas que putaria é este, hein, seu Costa ? Já não basta a rede ser bancada com recursos públicos, já não basta existirem rede estatais de televisão por todo o país, como os canais educativos, ainda querer praticar uma concorrência desleal com a tevês comerciais já não será ir um pouco além da conta ? Fala sério, seu moço. Cretinice tem limites também !

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Vereadores querem CPI para forró superfaturado

FORTALEZA - A oposição à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), na Câmara de Vereadores, espera abrir, na próxima semana, após um mês de resistência da base aliada da prefeita, a primeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra ela. A CPI servirá para apurar denúncia de superfaturamento na festa de Réveillon promovida pela prefeitura.

Já assinaram o pedido 10 vereadores e outros devem assinar neste feriadão santo, alcançando, assim, o número mínimo de 14 para a abertura da Comissão. O mais resistente à CPI era Martins Nogueira.

Ele foi pressionado pela presidente tucana em Fortaleza, ex-deputada estadual Tânia Gurgel, mas disse que primeiro teria que conversar com o presidente nacional do partido, senador cearense Tasso Jereissati. A conversa será hoje e Martins deve ser convencido por Tasso a assinar.
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Luizianne será investigada por que publicou no Diário Oficial, como valor pago pela contratação da cantora paraibana Elba Ramalho, o valor de R$ 490 mil. Elba, principal atração da festa, disse que seu cachê foi de R$ 100 mil. Na festa, foram gastos R$ 2,2 milhões com verbas do Banco do Brasil (R$ 1,250 milhão), Ministério do Turismo (R$ 297,5 mil), Caixa Econômica Federal (R$ 200 mil), Banco do Nordeste do Brasil (R$ 150 mil), prefeitura (150 mil) e Ambev (R$ 200 mil).

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Senador americano equivocado

Um dos maiores opositores da importação de etanol brasileiro pelos Estados Unidos é o senador democrata Evan Bayh, do Estado de Indiana, um dos principais produtores de etanol a partir do milho. Bayh defende a manutenção da sobretaxa ao etanol brasileiro (54 cents por galão) sob o seguinte argumento: "Como se sabe, a produção de etanol é subsidiada pelo Brasil. Quando a nossa indústria estiver preparada, essas coisas poderão ser colocadas de lado". (MB)

O senador Bayh está equivocado. Já houve subsídio aos produtores do Nordeste, no primado do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool, porém não há mais favorecimento oficial ao etanol no Brasil. O que existe é trabalho desumano e mal-remunerado. Na Califórnia, onde se planta cana-de-açúcar, o corte também é feito com bóias-frias imigrantes, quase todos mexicanos. A única diferença é que os bóias-frias de lá ganham 30 dólares por dia.

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O etanol é o tal
Radar, Veja online

A pesquisa que a Ipsos Public Affairs realizou nos EUA em meados de março sobre o etanol (publicada parcialmente na edição impressa do Radar, na VEJA desta semana), revela que o americano é simpático ao combustível: 68% dos entrevistados disseram que "considerariam comprar ou alugar um carro que utilizasse um outro tipo de combustível diferente da gasolina".

A mesma pesquisa mostra que 31% dos americanos sabem que o Brasil é o maior produtor de etanol do mundo. É uma bela marca.

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O massacre da minoria
por Onyx Lorenzoni, na Revista Isto É
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Não existe democracia sem oposição. Quando um partido, seja um grupo político tenta calar a oposição, seja pela coerção ou pelo dinheiro, estamos a um passo da ditadura. O PT exerceu papel de destacado oposicionista durante mais de 20 anos, embora tenha cometido equívocos como, por exemplo, não permitir, em 1988, que sua bancada assinasse a atual Constituição.
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O partido que hoje governa o Brasil cresceu e tornou-se alternativa de poder, porque as forças políticas que entre 1985 e 2002 comandaram a Nação praticaram a tolerância e não subtraíram das oposições o direito de fiscalizar o governo. Mas bastou Lula assumir o poder para que esta premissa democrática fosse desprezada. Foram inúmeras as tentativas de amordaçar a oposição, sendo a mais notória o mensalão. O jogo limpo foi trocado pelo jogo sujo quando se usou o poder econômico para engordar os partidos-satélites da base do governo.
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Agora, além de continuar usando e abusando do poder econômico para calar opositores, o PT usou a força para impedir a instalação da CPI do Apagão Aéreo destinada a investigar a crise do sistema da aviação civil.
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Esta operação-abafa, fruto da mais deslavada política fisiológica já praticada neste país, não passa de uma tentativa do governo de varrer para debaixo do tapete os desmandos, maracutaias, e irregularidades de todo tipo praticados pela Infraero, que gastou bilhões maquiando aeroportos em vez de investir em equipamentos de segurança.
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Lula quer transformar o Parlamento num circo de miquinhos amestrados treinados para dizer amém, enquanto massacra pela força da maioria e pela força do dinheiro toda e qualquer oposição séria e coerente. Não entende que a tolerância diferencia o déspota e o tirano do estadista. Podem tentar, mas não conseguirão calar nossa voz e nossa ação.

Tráfico sexual 'escraviza um milhão de mulheres'

Pablo Uchoa, BBC Brasil
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Mais de um milhão de mulheres trabalham como escravas sexuais para redes internacionais de tráfico de pessoas, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgadas em 2005.

Muitas são atraídas com promessas de casamento e melhores oportunidades de vida, e acabam nas mãos de aliciadores em cativeiros na Ásia e na Europa onde são forçadas a se prostituir.

Segundo os dados de 2005 da OIT, o negócio da exploração sexual e outros tipos de trabalho forçado geram lucros de US$ 31,6 bilhões por ano.

Na ponta do esquema, estão aliciadores, na maioria das vezes, da própria comunidade em que elas vivem. No Brasil, um 'olheiro' ganha cerca R$ 600 por "escrava", segundo os cálculos dos serviços de assistência a vítimas.

Não há estimativas sobre o número de brasileiras escravizadas no exterior. Mas só em Portugal, autoridades estimam que cerca de quatro mil sejam vítimas de redes de prostituição. As rotas de tráfico do Brasil levam, principalmente, à Espanha, mas também à Holanda, Itália, Suíça, Alemanha e França.

A experiência da pernambucana Elaine* incluiu os três últimos países em menos de vinte dias: "Fui a primeira mulher a ser registrada em Pernambuco como 'vendida'", ela disse à BBC Brasil, sem orgulho na entonação.

'Molto bella'
Convencida por uma mulher de sua própria comunidade, um bairro modesto nos arredores do Recife, a se "casar" com um italiano que vivia na Alemanha, ela só se deu conta de que era vítima do tráfico quando foi obrigada a ter relações sexuais com o "marido" no trajeto de carro entre o aeroporto e seu cativeiro.

Elaine foi colocada dentro de um quarto trancado por fora e de janelas vedadas. Conta que foi "oferecida" a clientes alemães e turcos.

A fuga de Elaine ocorreu durante uma briga do casal que a traficou.

Com a roupa do corpo, ela conseguiu chegar a uma estação de trem. Mais magra, foi levada ao hospital e diagnosticada com hepatite.

"Foram quinze dias que pareceram quinze anos", ela diz.

Indústria bilionária
O caso de Elaine é um entre diversos sob supervisão de Ricardo Lins, chefe da unidade de combate ao tráfico de pessoas na Secretaria de Defesa Social de Pernambuco.

Pelos Estados do Norte e Nordeste do país passam 60% das cerca de 240 rotas conhecidas de tráfico que utilizam o Brasil como ponto de origem ou passagem.

Mas metade dos US$ 32 bilhões faturados pelo tráfico internacional de pessoas se dá nos países industrializados.

O escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) estima que o lucro das redes criminosas com o trabalho de cada ser humano transportado ilegalmente de um país para outro varie entre US$ 13 mil e US$ 30 mil por ano.
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Em 2000, os países da ONU assinaram em Palermo, na Itália, um protocolo que em linhas gerais define o tráfico de pessoas como o "recrutamento" ou "transporte forçado" de pessoas, em que uma tem "autoridade sobre outra para fins de exploração".

O entendimento marcou o início de uma maior cooperação internacional, já que permite que casos de tráfico para exploração sexual não sejam tratados simplesmente como de imigração ilegal.

Em muitos casos até hoje, a vítima de tráfico é punida duas vezes, porque é logo deportada como imigrante ilegal.

Organizações humanitárias, como a britânica Refugee Women, militam para que mulheres provenientes de países 'fornecedores', como o Brasil, tenham o direito de permanecer no país até que sua volta já não seja considerada mais um risco.

Em um plano de combate ao tráfico de pessoas lançado na sexta-feira, 23, o Ministério do Interior britânico reconhece que "o braço repressivo não é efetivo sem a proteção e a assistência às vítimas".

Apenas na Grã-Bretanha, a Unicef calcula que cinco mil crianças ou adolescentes – principalmente da Europa do leste – trabalhem como escravas do sexo, de acordo com um estudo da Fundação Joseph Rowntree, de York.

"Muitos criminosos preferem ser traficantes de pessoas a traficante de drogas", diz Lins. "É muito mais fácil ser traficante de pessoas e ficar impune."

*Nome fictício

EUA: Brasil não precisa de benefícios agrícolas

GENEBRA (Suíça) - Os Estados Unidos querem que o Brasil seja considerado como um País desenvolvido em termos agrícolas e que não tenha os mesmos benefícios de países em desenvolvimento nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O recado foi dado esta semana pela delegação norte-americana durante as negociações que manteve com Brasil, Índia e Europa, em Paris. "Eles (norte-americanos) podem dizer o que querem. Mas isso não faz sentido e é uma proposta que não há como prosperar", ataca o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney.

Os quatro países considerados como os principais atores na OMC concluíram três dias de reuniões na capital francesa ontem. O objetivo foi tentar encontrar um consenso sobre como fazer avançar o processo, praticamente paralisado desde julho de 2006, e qual deverá ser a agenda das negociações até o final do ano, prazo considerado como mais realista para a conclusão das negociações.

Para muitos países em desenvolvimento, a estratégia é a de dividir o bloco das economias emergentes para evitar que essas nações tenham muito poder na negociação. O que os norte-americanos alegam é que a competitividade brasileira e de outros poucos países emergentes não pode ser comparada ao desempenho de economias em desenvolvimento na África e mesmo na América Latina. A insistência do governo norte-americano é resultado do lobby dos grandes produtores rurais norte-americanos.

Concorrência
Em fevereiro, em um encontro entre quase de cinco mil produtores agrícolas organizado pela American Farm Bureau nos Estados Unidos, o setor privado norte-americano foi enfático em apontar o Brasil como um dos principais concorrentes das exportações EUA nos mercados mundiais nos próximos anos. "Na agricultura, o Brasil é Primeiro Mundo e deve ser tratado dessa forma nas negociações, e não como uma economia em desenvolvimento. Essa é nossa posição", afirmou Larry Wooten, presidente da Farm Bureau do estado da Carolina do Norte e um dos principais representantes do poderoso lobby agrícola.

Na prática, a posição dos produtores norte-americanos significaria que Brasil teria de fazer os mesmos níveis de concessões que países ricos e se submeter a mesmas condições que Europa ou Estados Unidos nas negociações da OMC. Mais importante ainda é que, diante da competitividade brasileira, os subsídios que recebem os norte-americanos estariam justificados.

O que os norte-americanos se queixam é de que o Brasil conta com uma agricultura de ponta e que ameaça atualmente os mercados até então cativos dos exportadores dos EUA. "Há vinte anos nos perguntávamos se o Brasil seria uma ameaça e a realidade é que poucos acreditavam que seríamos incomodados pelo País.

Revolta
Na costa leste norte-americana, a recente construção de um terminal dedicado exclusivamente para receber a soja brasileira gerou uma revolta entre os agricultores. O porto foi construído pelos importadores norte-americanos na cidade Willmington, na Carolina do Norte, e serve para abastecer o mercado e criadores de frango e outros animais.

A concorrência, segundo os produtores, derrubou o preço da soja local. Para os lobbistas, esse é exemplo da competitividade do Brasil e do fato de que deve ser tratado como um País desenvolvido.

O governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de reclassificação do País e considera a iniciativa dos agricultores como uma forma de legitimar a existência dos subsídios que distorcem os mercados.

Isenção
Atualmente, a Europa adotou uma estratégia similar de dividir os países em desenvolvimento e decidiu dar livre acesso a seu mercado para produtos agrícolas de suas ex-colônias na África, Caribe e Pacífico (ACP). Com isso, os europeus esperam retirar parte da pressão para que abram seu mercado a produtos agrícolas.

Os europeus já haviam anunciado uma proposta semelhante para os 40 países mais pobres do mundo. Pela proposta dos europeus, as cotas e tarifas para produtos como leite, carnes, cereais, frutas e legumes sejam abolidas a partir do dia 1º de janeiro de 2008. Já o açúcar e arroz, produtos considerados como mais sensíveis, teria um período de transição para entrar no mercado europeu.
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O acesso para o açúcar, por exemplo, somente seria estabelecido depois que as reformas internas nos países europeus fossem realizadas. Isso significa que os países do ACP podem ter de esperar até 2015 para exportar seus produtos sem tarifas ou cotas. Outra exceção será a África do Sul, considerada como competitiva demais para receber os benefícios de isenção de tarifas.