Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog do Noblat
Em um manifesto não assinado, emitido na sexta-feira 30 de março pp., os controladores do tráfego aéreo no Brasil justificaram sua decisão de literalmente parar o país. De dimensões continentais, o Brasil, carente de boas estradas, de navegação de cabotagem e de ferrovias, tanto de carga quanto de passageiros, sem os aeroportos em pleno funcionamento, pára.
Nesse manifesto, os controladores formulavam nove perguntas, todas muito graves, das quais reproduzo três:
“Quem é o profissional obrigado a monitorar vôos e milhares de vidas acima do recomendado pelas normas de segurança?
Em um manifesto não assinado, emitido na sexta-feira 30 de março pp., os controladores do tráfego aéreo no Brasil justificaram sua decisão de literalmente parar o país. De dimensões continentais, o Brasil, carente de boas estradas, de navegação de cabotagem e de ferrovias, tanto de carga quanto de passageiros, sem os aeroportos em pleno funcionamento, pára.
Nesse manifesto, os controladores formulavam nove perguntas, todas muito graves, das quais reproduzo três:
“Quem é o profissional obrigado a monitorar vôos e milhares de vidas acima do recomendado pelas normas de segurança?
.
Quem passa os dias trabalhando com equipamentos obsoletos e prejudiciais à saúde?
Quem passa os dias trabalhando com equipamentos obsoletos e prejudiciais à saúde?
.
Quem tem de se desdobrar para prestar serviço seguro quando ocorrem falhas de comunicação nas chamadas zonas cegas?”.
Depois de responder ás perguntas, se nomeando, complementam seu pensamento:
“Chegamos ao limite da condição humana, não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e como somos tratados. NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS EQUIPAMENTOS E NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS COMANDOS!
Estamos trabalhando com os fuzis apontados para nós, vários representantes de associações LEGAIS estão sendo perseguidos, com afastamentos e transferências arbitrárias. A represália do alto escalão militar contra os sargentos controladores tem gerado tamanha insatisfação que não suportaremos calados em meio a tamanha injustiça e impunidade aos verdadeiros responsáveis pelo caos. Clamamos por mudanças tão quanto os passageiros desesperados por soluções imediatas” (sic).
São palavras fortes. Acusam de forma contundente. Dão motivos graves para sua rebelião. Um motim é coisa muito séria, evidente que os chefes militares não poderiam assistir a isso de braços cruzados. Voando a mil pelos céus das Américas, em seu belo brinquedo muito bem controlado em terra e no ar, o Presidente Lula o que faz? Desautoriza qualquer atitude a favor da disciplina e envia como representante do Governo Federal, quem? o Ministro do Planejamento. Tudo como se estivessem no meio de uma greve ameaçadora no ABC...
Qualquer pessoa maior de 18 anos, com os neurônios em plena atividade, sabia onde isso ia dar. E deu. Os militares das três Armas, entre estarrecidos e indignados, resolveram dar um basta na brincadeira e deram, à sua moda, i.e., respeitando a hierarquia e a disciplina e deixando o Comandante em Chefe das Forças Armadas ficar bem na fita.
O acordo assinado pelo Ministro Paulo Bernardo virou letra morta. Os insurrectos foram alertados para tudo que perderiam se continuassem com sua atitude negativa. Voltaram aos quartéis e aos consoles do comando do tráfego aéreo e ainda por cima emitiram uma nota, dessa vez assinada, em que pedem perdão á população, nestes termos:
“Que o dia 30 de março seja lembrado como “um grito de socorro dos Controladores de Tráfego Aéreo” e não como uma simples rebelião de militares. § Pedimos perdão à sociedade brasileira e paz para voltarmos a executar com maestria nosso trabalho”.
O manifesto rebelde é de 30 de março. Essa nota é de 5 de abril. Estou me esforçando ao máximo para juntar os dois pedidos, o de socorro e o de perdão. Impossível. Ou bem os equipamentos obsoletos, as zonas cegas, as arbitrariedades, o fuzil apontado para suas vidas, os horários desumanos, os chefes não muito confiáveis, ou esses cordeirinhos pedindo perdão ao povo. Não dá para aceitar como sendo dos mesmos homens essas palavras tão díspares.
Nesse meio termo, notas duras do Clube da Aeronáutica e do Clube Militar; a Federação Internacional de Pilotos (Ifalpa), em seu site na Internet, se mostra preocupadíssima com a insegurança e com o desrespeito que os controladores vinham demonstrando em serviço, chegando às raias da irresponsabilidade; boatos, como sempre irresponsáveis, falando em tramas ‘jamesbondianas’ entre membros do governo e os controladores, visando sabe lá Deus o quê...
Pedir perdão é fácil. Difícil vai ser explicar qual a fada madrinha que entre o dia 30 de março e o dia 5 de abril, consertou tudo: equipamentos, horários, chefes, salários, injustiças, insegurança. Difícil é explicar como, na mesma nota, onde falam em grito de socorro, os controladores apelam para que a sociedade os perdoe.
Quando da queda do avião da Gol, o Presidente Lula agiu como se essa tragédia tivesse acontecido numa floresta em Java. Agora quer que acreditemos que ao dar ordens pelo telefone, não conhecia a extensão da crise, depois que foi traído pelos malvados que esperaram a sua ausência para esfaqueá-lo pelas costas. Outra vez... Mas não será por falta de assessores diretamente ligados ao assunto: Infraero, Anac, Casa Civil, sei lá mais quem...
Também quer que o Brasil aceite como Ministro da Defesa um senhor que já teve seis meses para demonstrar que não foi talhado para o cargo. Em nome de quê? Em nome da amizade que os une. Tudo bem, a amizade é um lindo sentimento, mas, e nós com isso?
Quem tem de se desdobrar para prestar serviço seguro quando ocorrem falhas de comunicação nas chamadas zonas cegas?”.
Depois de responder ás perguntas, se nomeando, complementam seu pensamento:
“Chegamos ao limite da condição humana, não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e como somos tratados. NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS EQUIPAMENTOS E NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS COMANDOS!
Estamos trabalhando com os fuzis apontados para nós, vários representantes de associações LEGAIS estão sendo perseguidos, com afastamentos e transferências arbitrárias. A represália do alto escalão militar contra os sargentos controladores tem gerado tamanha insatisfação que não suportaremos calados em meio a tamanha injustiça e impunidade aos verdadeiros responsáveis pelo caos. Clamamos por mudanças tão quanto os passageiros desesperados por soluções imediatas” (sic).
São palavras fortes. Acusam de forma contundente. Dão motivos graves para sua rebelião. Um motim é coisa muito séria, evidente que os chefes militares não poderiam assistir a isso de braços cruzados. Voando a mil pelos céus das Américas, em seu belo brinquedo muito bem controlado em terra e no ar, o Presidente Lula o que faz? Desautoriza qualquer atitude a favor da disciplina e envia como representante do Governo Federal, quem? o Ministro do Planejamento. Tudo como se estivessem no meio de uma greve ameaçadora no ABC...
Qualquer pessoa maior de 18 anos, com os neurônios em plena atividade, sabia onde isso ia dar. E deu. Os militares das três Armas, entre estarrecidos e indignados, resolveram dar um basta na brincadeira e deram, à sua moda, i.e., respeitando a hierarquia e a disciplina e deixando o Comandante em Chefe das Forças Armadas ficar bem na fita.
O acordo assinado pelo Ministro Paulo Bernardo virou letra morta. Os insurrectos foram alertados para tudo que perderiam se continuassem com sua atitude negativa. Voltaram aos quartéis e aos consoles do comando do tráfego aéreo e ainda por cima emitiram uma nota, dessa vez assinada, em que pedem perdão á população, nestes termos:
“Que o dia 30 de março seja lembrado como “um grito de socorro dos Controladores de Tráfego Aéreo” e não como uma simples rebelião de militares. § Pedimos perdão à sociedade brasileira e paz para voltarmos a executar com maestria nosso trabalho”.
O manifesto rebelde é de 30 de março. Essa nota é de 5 de abril. Estou me esforçando ao máximo para juntar os dois pedidos, o de socorro e o de perdão. Impossível. Ou bem os equipamentos obsoletos, as zonas cegas, as arbitrariedades, o fuzil apontado para suas vidas, os horários desumanos, os chefes não muito confiáveis, ou esses cordeirinhos pedindo perdão ao povo. Não dá para aceitar como sendo dos mesmos homens essas palavras tão díspares.
Nesse meio termo, notas duras do Clube da Aeronáutica e do Clube Militar; a Federação Internacional de Pilotos (Ifalpa), em seu site na Internet, se mostra preocupadíssima com a insegurança e com o desrespeito que os controladores vinham demonstrando em serviço, chegando às raias da irresponsabilidade; boatos, como sempre irresponsáveis, falando em tramas ‘jamesbondianas’ entre membros do governo e os controladores, visando sabe lá Deus o quê...
Pedir perdão é fácil. Difícil vai ser explicar qual a fada madrinha que entre o dia 30 de março e o dia 5 de abril, consertou tudo: equipamentos, horários, chefes, salários, injustiças, insegurança. Difícil é explicar como, na mesma nota, onde falam em grito de socorro, os controladores apelam para que a sociedade os perdoe.
Quando da queda do avião da Gol, o Presidente Lula agiu como se essa tragédia tivesse acontecido numa floresta em Java. Agora quer que acreditemos que ao dar ordens pelo telefone, não conhecia a extensão da crise, depois que foi traído pelos malvados que esperaram a sua ausência para esfaqueá-lo pelas costas. Outra vez... Mas não será por falta de assessores diretamente ligados ao assunto: Infraero, Anac, Casa Civil, sei lá mais quem...
Também quer que o Brasil aceite como Ministro da Defesa um senhor que já teve seis meses para demonstrar que não foi talhado para o cargo. Em nome de quê? Em nome da amizade que os une. Tudo bem, a amizade é um lindo sentimento, mas, e nós com isso?
Soube ontem que o acidente da Gol fez mais de 100 órfãos, das mais diferentes idades.