segunda-feira, abril 09, 2007

Governo Lula foi avisado sobre motim três dias antes

Correio Braziliense
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Na noite da terça-feira que antecedeu o último locaute dos controladores de vôo, produzindo em conseqüência o “apagão aéreo” do dia 30 de março, havia ocorrido uma assembléia dos operadores civis e militares das torres de controle dos principais aeroportos brasileiros. Um desses encontros ocorreu em Brasília. Na manhã da quarta-feira, 28 de março, um deputado do PT foi informado da estratégia traçada no encontro: parar os aeroportos brasileiros na sexta-feira e resistir às ordens de prisão. O deputado petista passou a informação para o ministro da Defesa, Waldir Pires, e saiu do circuito certo de que seria dado a ela um tratamento de Estado. Não foi.
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Na manhã de sexta-feira, quando o presidente Lula já se preparava para embarcar com destino aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente norte-americano George W. Bush, um senador do PMDB recebeu relatos consistentes de oficiais da Aeronáutica, que já detalhavam o caos que só se materializaria dali a algumas horas. O senador peemedebista repassou os dados para um integrante do governo com acesso direto ao presidente e, também ele, acreditou que a informação ganharia curso próprio e auxiliaria nas decisões destinadas a evitar o problema. Nada disso.
Na última segunda-feira, de volta ao Brasil, o presidente da República foi surpreendido pelo alto grau de insatisfação entre os comandantes militares. Nem a informação do deputado do PT nem aquela passada pelo senador do PMDB tinham chegado até ele em tempo hábil.
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Só depois de voltar a Brasília é que Lula soube das assembléias que antecederam o apagão e de que havia tido tempo hábil para uma ação de governo na manhã de sexta-feira, antes do auge da crise. “Só na manhã de terça-feira é que ele mediu a extensão do problema com os militares. O presidente acreditou que a solução dada pelo Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) ia pôr tudo sob controle. Errou, estava mal-informado”, diz um amigo de Lula, que tem interlocutores nas três armas e foi chamado a intervir na crise. “Foi enorme engano acreditar que conseguiria operar a crise por telefone e no ar.”
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A partir desse episódio, e por causa dele, o presidente ordenou que os filtros de informação fossem aperfeiçoados: indícios de assembleísmo e riscos de locautes em setores vitais da administração pública não podem chegar ao Planalto pelas vias normais, burocráticas. A determinação é para que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, coordenem as informações estratégicas e façam com que elas tenham curso antes de picos de crise como aquele vivido na última sexta-feira.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Novamente, Lula repetiu o artifício que já fizera uso no caso do Mensalão. Alegou que se sentira “traído”. Ora, fica claro que traição se cometida, foi a do presidente para com os brasileiros. Primeiro, porque vem arrastando esta crise já há mais de 6 meses, e nada de concreto tem feito para resolvê-la. Segundo, porque a crise tem culpa direta na omissão e negligência presidenciais, quando, mesmo avisado pela Aeronáutica em 2004 sobre a as necessidades de investimentos urgentes no setor de controle de tráfego aéreo, preferiu fazer ouvidos de mercador, e ignorando a advertência, continuou cortando verbas ano após ano. Terceiro, mesmo sabendo da crise quando esta já estava instalada, continuou agindo irresponsavelmente, empurrando a solução com a barriga, e preferindo instruir seu ministro de Defesa a incentivar a sindicalização dos militares preparando assim uma futura desmilitarização do setor, favorecendo em última análise a própria CUT de seus parceiros e companheiros. Portanto, no cerne da questão, a culpa de Lula é total e indiscutível. Depois, quando interferiu na quebra da hierarquia militar, produzindo uma contra-ordem ao comando da Aeronáutica que decidira por punir os rebelados ou amotinados. E, por fim, por insistir, ainda mais irresponsavelmente ainda, na permanência de Waldir Pires à frente do ministério da Defesa, apenas por birra e para demonstrar autoridade. Coisa de moleque safado, já se vê. No fundo, e especificamente nesta questão, a autoridade de Lula e merda é a mesma coisa. Não valem nada. Só atrapalham e tornam o caos ainda pior.