quarta-feira, março 14, 2007

Comentando o ataque dos gigolôs.

Há dois detalhes nesta questão da emenda 3 que precisam ser analisados. O primeiro, é que o poder público na insaciável ganância por apropriar-se do dinheiro dos contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, não importa a natureza, sempre avançou demasiado o sinal. A começar por não se impor limites para a gastança desenfreada governamental. Aqui, sempre o dissemos e vamos repetir: o poder público brasileiro age como verdadeiro gigolô da nação. O desperdício e o esbanjamento são escandalosos. A tal ponto que, apesar de sugarem cerca de 40% dos que realmente trabalham e produzem, geram riqueza e prosperidade, este estado imoral não converte esta apropriação indecente nos serviços que lhe cabe fornecer. Basta ver o estado da segurança pública, as condições deprimentes dos hospitais públicos e vergonhoso e decrépito nível da educação.

Toda esta situação acaba fazendo com que as pessoas busquem formas de compensar o assalto e, usando de artifícios legais, como que driblam as condições impostas e tentam minimizar ao máximo que podem a exposição à tributação. Deste modo, nasce a informalidade no trabalho e a sonegação “projetada” na tributação dos agentes privados. Para quem é do ramo sabe perfeitamente bem o que significa planejamento tributário. É um conjunto de ações que as empresas adotam para encurtar distâncias em suas operações ao máximo possível para permitir o mínimo de exposição à tributação obrigatória. Isto é legal e saudável. Se o estado não sabe conter seus gastos ou pelo menos é incompetente para racionalizá-los, a sociedade como um todo não pode ser penalizada por tal ineficiência, como também, até por uma questão de sobrevivência, não pode se expor ao mesmo padrão ridículo de gastos.

De outro lado, a partir do final dos anos 70, as empresas iniciaram um movimento no sentido de redefinir suas estruturas. Desta forma, passaram a “terceirizar” tudo aquilo que não se enquadrava no foco principal de seus negócios. Isto também buscou diminuir os espaços físicos e a conseqüente redução de custos fixos. Deste modo, buscava-se maior poder e capacidade de competir num mercado cada vez mais disputado.

As duas razões acima encontraram uma mesma saída para suas aflições, que foi a terceirização. Até os agentes públicos passaram a empregá-la como forma de prover deficiências de pessoal não possíveis de resolver no curto prazo pelo tempo que demandaria a realização de concursos públicos.

Há, ainda, um quarto elemento que entra neste jogo, que é o profissional liberal, prestador de serviços a mais de uma empresa, como advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, contadores, etc.

A garantia de realizar o trabalho e receberem a devida remuneração obrigou a todos a se resguardarem através de contratos de prestação de serviços, e a constituição de empresas individuais. Pois bem, agora é sobre estes que a ganância do poder público quer atacar, quer aumentar seu assalto. Ao invés de buscar a racionalização de seus gastos, o governo quer aumentar a tributação. E é nesta direção que aqueles que se opõem à tal Emenda 3 da Lei que criou a Super-Receita se atracam. Ocorre que a Emenda ao não permitir aos auditores fiscais o poder de decidirem quando os contratos de prestação de serviços acobertam ou não situações de “vínculo empregatício” nada mais faz do que manter o poder de decisão para a Justiça, instância na qual a situação deve efetivamente ser decidida. Que os auditores e fiscais autuem é atribuição que lhes cabe até por dever de ofício, mas jamais a decisão deve ficar ao seu encargo. Que o fiscal fiscalize, que o juiz, julgue. Pode parecer óbvio, não é verdade ? Mas no Brasil em que até a obviedade pode ser desprezada pela mediocridade reinante, precisamos ainda brigar para fazer valer o bom senso que, como já dissemos, parece fugir sempre do governo quando o objetivo é apropriar-se da riqueza e da renda que o trabalho de quem realmente sustenta o país está em jogo. Mais fácil seria sempre o governo reduzir o dinheiro que ele gasta sem freios, em banalidades, em inutilidades. Porém, quem foi que disse que este governo está preocupado em ser econômico ? Quem imagina que este governo foi feito para fazer a coisa certa ? Pois, então, dentro de sua ótica tacanha, que continue a exploração, porque afinal a sua miséria moral tem um preço. E quem deve bancar, por vingança, são aqueles que trabalham e não votaram nestes energúmenos. Porque, para os outros, há bolsa-patifaria !!!
.
Aliás, não é a primeira tentativa deste governo para promover um assalto nos prestadores de serviços abrigados no regime de “empresas”. Da primeira vez, na forma de uma medida provisória, a grita foi tão grande que preferiu recuar e retirou a medida. Agora, sob o manto da lei que criou a super-receita, de novo, o governo perdulário e ganancioso volta para novo ataque aos trabalhadores. Estivéssemos diante de um governo sério e responsável, e que tivesse um mínimo de respeito para com o povo que o sustenta, e por certo se poderia cortar perto de 30% de seu custo. Fácil, fácil. E nos três poderes. Alguém acredita que eles estariam dispostos a tamanho "sacrifício" ? Que eles abririam mão de seus vinhos de três mil reais por refeição ? Não estamos longe, pelo menos no Brasil, deles inventarem uma taxa a ser cobrada de todos pelo ar que respiramos !!! E por mais absurda que a idéia lhes possa parecer, acreditem, eles são bem capazes disso, sim, e com desculpas as mais porcas possíveis !

O novo ataque dos gigolôs !

Adelson Elias Vasconcellos

Na reportagem que vocês lerão a seguir, da Tribuna da Imprensa, é apresentado um relato sobre a polêmica questão da tal EMENDA 3 à Lei que criou a Super-Receita. Tem quem concorde com a emenda criada dentro do Congresso e os que são contra, como o Ministro Mantega. De início, nossa posição é favor da Emenda 3, que é uma proteção ao trabalhador, impede o abuso de poder de fiscais e auditores, e respeita uma situação que a modernidade criou e consagrou no mercado de trabalho, para o qual alguns ainda não se deram conta, e por uma visão maluca, querem agora punir a modernidade por criar situações em que a ganância do governo em assaltar os bolsos alheios não tem limites. Retornamos depois para comentar. Como a reportagem é longa, os comentários serão feitos em postagem à parte.

Empresa de uma pessoa só terá aumento de imposto

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo estuda "um pequeno aumento" da carga tributária para empresas constituídas por uma pessoa só. O ministro explicou que, atualmente, uma empresa que recolhe imposto pelo critério de lucro presumido tem carga tributária em torno de 15%, mas as empresas fora desse regime têm uma carga tributária de 47%. "Então, estamos querendo elevar um pouco para essas pessoas jurídicas com trabalho personalíssimo", disse o ministro.

Ele acrescentou, no entanto, que as pessoas jurídicas que recolhem pelo critério de lucro presumido não serão atingidas. "A pessoa jurídica com trabalho personalíssimo vai pagar menos que uma pessoa jurídica normal (fora do regime de lucro presumido) e menos do que uma pessoa física que paga 27,5% de Imposto de Renda. Vai continuar pagando menos."

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Eleno Bezerra, ameaça ir à Justiça se a Emenda 3 for aprovada. Para o líder dos metalúrgicos, ela retira do poder público o direito de fiscalização e o poder de negociação dos sindicatos, tornando-os objeto de exame do Judiciário.

Ministro pedirá veto à Emenda 3
O anúncio acontece em meio às discussões sobre a Emenda 3 - que impede os auditores fiscais da Receita Federal de autuarem as empresas prestadoras de serviço constituídas por uma única pessoa e transfere ao Poder Judiciário a definição de vínculo empregatício. Sobre este assunto, o ministro reafirmou que seu ministério orientará o Palácio do Planalto a vetar a Emenda 3.

Mantega confirmou que o governo utilizará uma medida provisória (MP) para definir e esclarecer "os pontos cinzentos da lei". Segundo ele, essa MP deverá atingir cerca de 1% das empresas e permitirá que esse tipo de pessoa jurídica desenvolva o seu trabalho, em determinadas condições. As autoridades de fiscalização da Receita e da Previdência não poderiam mudar a sua qualificação. "A autoridade não poderá dizer que essa pessoa jurídica é uma pessoa física", explicou Mantega.

Ele afirmou que, em grande parte, a nova MP dará conta do mesmo conteúdo da Emenda 3, "porém, de forma mais completa, definitiva e sem deixar dúvidas.

O que é a Emenda 3
A emenda proíbe o auditor fiscal de multar empresas que contratam profissionais que constituíram empresa para prestar serviços. A emenda diz que apenas o Poder Judiciário tem a atribuição de decidir sobre relações de trabalho entre as empresas e essas pessoas jurídicas prestadoras de serviços, pode desconsiderar atos, contratos e negócios jurídicos.

O presidente Lula tem até 16 de março para sancionar a lei, aprovada em fevereiro, mas integrantes do governo indicaram, como o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a intenção de veto da emenda. Mantega disse que a emenda cria uma "restrição excepcional" para os auditores fiscais da Receita Federal.

Para a Receita, os auditores, ao fazerem as autuações, estão cumprindo a lei que determina que a renda da Pessoa Jurídica deve ser tributada de uma forma e a Pessoa Física, de outra. Segundo o secretário da Receita, Jorge Rachid, é equivocada a interpretação de que o fiscal tem o poder de fechar a empresa. A Receita alega que não há despersonalização da pessoa jurídica e sim a reclassificação da natureza dos rendimentos.

Ele afirmou que, em grande parte, a nova MP dará conta do mesmo conteúdo da Emenda 3, "porém, de forma mais completa, definitiva e sem deixar dúvidas. A vantagem é que ela acaba com a zona cinzenta."

Emenda anula conquistas do trabalhador
Segundo Eleno Bezerra, "voltamos ao período pré 1943, quando a prestação de serviço era prevista no Código Civil e objeto do império econômico. Eles vão tirar os direitos dos trabalhadores que foram conquistas", enfatiza. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o Ministério Público, centrais sindicais e associação de empresas se unem em Brasília contra a emenda.

O sindicato ameaça entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a emenda, caso ela não seja vetada pelo presidente Lula. "O artigo 7º da Constituição Federal estabelece o direito do trabalhadores a um contrato para prestação de serviço remunerado. A norma é de ordem pública e subverter a ordem pública é flagrante inconstitucional", acrescentou.

"Nós temos que modernizar a legislação, fazer a reforma tributária e trazer as pessoas da informalidade para a formalidade. Não podemos andar para trás", argumenta.

TOQUEDEPRIMA...

Não sabia, claro

Na conversa com Renan Calheiros e José Sarney, Lula jurou inocência na lambança que provocou no PMDB e culpou o ministro Tarso Genro.

*****************

Por que somos um país atrasado ?

O caminho de Nildo

A seguir trechos da entrevista do caseiro Francenildo dos Santos Costa - o Nildo - ao jornal O Globo de domingo. Nildo desmentiu ano passado publicamente o então ministro da Fazenda Antônio Palocci que garantira jamais ter posto os pés numa mansão de Brasília usada para negócios suspeitos e orgias com prostitutas.

O que disse Nildo na entrevista:

- Que diabo de fama é essa? Fama ter que ser igual à Big Brother, que você ganha dinheiro e vai a um monte de festa.Tudo só piorou.

- Quando aparece alguma coisa, limpo piscina, corto grama, acento cerâmica. Dá, no máximo, R$ 350 por mês. Quando vou procurar, algumas pessoas ficam com medo. Elas dizem: ¨Você foi envolvido com a Polícia Federal¨.

- Hoje eu queria mesmo era um emprego fixo, porque essa indenização, se tiver, meu filho é que vai ver.

- Não quero me comparar com ele (Palocci). Mas não entendo como Palocci conseguiu (se eleger deputado). A não ser que aquelas notícias não passaram na TV em Ribeirão Preto. Se fosse eu, estaria preso até agora. Hoje, ele está aí andando em carro de luxo.

******************

Descobertas novas irregularidades no réveillon de Fortaleza

O PSDB do Ceará fez novas denúncias sobre a festa de réveillon de Fortaleza, governada pela petista Luizianne Lins. A empresa Estrutural Locação de Banheiros Químicos e Toldos Ltda, contratada sem licitação, passou procuração para a secretária executiva da ONG Ação Novo Centro. Essa organização recebeu do Ministério do Turismo, através de convênio, também sem licitação, R$ 297,5 mil para pagar despesas de infra-estrutura da festa. A Estrutural também repassou procuração para o sócio de uma grande empresa de eventos de Fortaleza.
.
As duas procurações constam entre os documentos encaminhados pela prefeitura à Câmara Municipal e os contratos já estavam sob investigação do Ministério Público Federal. Nesta semana, o PSDB protocolou pedido de CPI para investigar o superfaturamento do evento, que custou R$ 2,2 milhões.

******************

O país mais perigoso do mundo para trabalhadores

Mais de 800 líderes sindicais foram assassinados nos últimos seis anos. Em 2006, foram 58. A CUT registra ainda outros 500 casos de intimidação, ameaças e perseguição aos trabalhadores.

*******************

De volta à Câmara o irmão de PC Farias

Augusto Farias (PTB), irmão de PC Farias ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor a presidente da República em 1989, voltará à Câmara dos Deputados na vaga aberta hoje com a morte, em Brasília, do deputado Gerônimo Ciqueira da Silva, conhecido como Gerônimo da Adefal (PFL-AL), vítima de pneumonia.

Primeiro suplente da bancada de deputados federais alagoanos, Augusto chegou a ser acusado pela morte do irmão supostamente assinado a tiros por uma namorada em sua casa de praia em Maceió. PC Farias foi protagonista de peso do episódio que resultou no impeachement de Collor. O ex-presidente se elegeu senador por Alagoas no ano passado.

****************

Prefeitos fluminenses fazem excursão

Prefeitos fluminenses como Riverton Mussi (Macaé) e Gotardo Netto (Volta Redonda) viajam com o vice-governador Luiz Fernando Pezão a Madri e Lisboa, a partir do dia 17. Oficialmente, para buscar "investidores". Anrã.

*****************

A palavra é...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo

Subsídio
O leitor Walber Lustosa traz para a conversa uma questão mais complexa do que parece à primeira vista:
.
Tenho uma dúvida de prosódia e não de etimologia. Ouço na TV ou no rádio políticos ou outras pessoas falando a palavra “subsído”. Ainda esses dias vi alguém soltando a dita palavra, o problema é que ouço ela ser dita de duas maneiras: subZídio e subSídio. Afinal, qual a pronúncia correta?
.
Boa pergunta. Existe uma resposta-padrão, aquela que pode ser encontrada em qualquer dicionário ou gramática normativa: a ortoépia (pronúncia correta) de “subsídio” é com o som de s e não de z, como em “subsíndico”, “subsolo” etc. Isso porque a regra geral, em nossa língua, atribui esse som à letra S depois de consoante. Ou seja: em situações formais, não tenha dúvida, pronuncie “subSídio” mesmo.
.
A trama fica mais densa quando se leva em conta que a maioria absoluta dos falantes, no Brasil, rejeita essa pronúncia: vai de “subZídio” e pronto. Erro crasso? Pode-se encarar assim. Mas certamente também é possível ver nessa insistência uma simples vocação prosódica, o sinal de uma nova ortoépia em formação. Porque o fato é que a tal regra geral comporta diversas exceções.
.
Cito apenas duas. O caso clássico é “obséquio”, pronunciado “obZéquio” há tanto tempo que já ganhou o aval dos sábios. “Subsistência” está no meio do caminho. Embora os bedéis ainda insistam na pronúncia “subCistência”, não conheço uma única alma que os obedeça. De eruditos a analfabetos, dizemos todos “subZistência” – e estamos conversados. “Subsídio” parece estar seguindo o mesmo rumo.

*******************

Diretor da PF adia despedida do cargo

O diretor-geral da Polícia Federal Paulo Lacerda, anunciou que continuará no cargo por pelo menos mais três meses. No fim do ano passado, ele havia anunciado que deixaria a função após a saída de Márcio Thomaz Bastos do Ministério da Justiça. Agora, ele afirma que permanecerá por um período maior para colaborar com o próximo ministro.
.
É esperada para a próxima semana a confirmação do nome de Tarso Genro, atual ministro das Relações Institucionais, para o Ministério da Justiça. Lacerda disse que ficará no cargo apenas para marcar a transição entre os ministros.

PIB: vamos ganhar do Haiti em 2007

Maílson da Nóbrega(*), Blog do Noblat

Pelo segundo ano consecutivo, o crescimento do PIB ficou à frente apenas do Haiti na América Latina. O mote de sempre foi repetido: a culpa é dos juros altos e de suas conseqüências no câmbio, cuja valorização gerou aumento das importações e daí menor expansão da economia. Será?

Se o ambiente econômico não mudar, a taxa Selic ficará abaixo de 12% em dezembro. Dada a expectativa de inflação em torno de 4%, os juros reais cairão a menos de 8%, o menor nível desde a extinção do seu controle há trinta anos. Cresceremos algo como 3,5%, mais uma vez à frente do Haiti.

No governo Sarney, o mais difícil desde a democratização, a taxa real média anual de juros alcançou incríveis 140%. Trata-se de um cálculo sujeito a erros, diante da inflação da época, que na média superou os 700% ao ano. Seja como for, pode-se afirmar que os juros reais de então eram muito superiores aos projetados para 2007.

Nesse período, com juros reais mais altos e superávit comercial menor (US$ 13,4 bilhões), o PIB cresceu em média 4,4% ao ano. A taxa de desemprego foi inferior a 4%. Pela teoria que atribui o baixo crescimento aos juros e ao câmbio, esses resultados seriam impossíveis.

Taxas de juros relativamente altas reduzem a demanda no curto e médio prazos, como deve ser, pois é assim que se combate a inflação. A política monetária não pode ser usada para promover o crescimento ou para vitaminar o PAC.

O maior equívoco recente é afirmar que o aumento das importações contribuiu para o baixo crescimento do PIB. Trata-se de visão parcial e meramente aritmética do comércio exterior. Por aí, seria melhor proibir as importações, pois o PIB cresceria mais.

Na verdade, o aumento das importações decorre da elevação do consumo das famílias e das compras de bens de capital, por força da elevação da renda (a valorização cambial eleva os salários reais) e do barateamento de máquinas e equipamentos. Isso é possível porque há condições financeiras de absorver essas importações. No geral, esse processo aumenta o bem-estar, contribui para o controle da inflação e eleva a capacidade produtiva da economia.

Voltemos à política monetária e aceitemos que o BC é conservador. Até aqui, inexiste novidade. Nenhum banco central responsável embarca em apelos de “ousadia” na queda taxa de juros, pois não se põe em risco um bem público essencial como a estabilidade da moeda. Ousadia é outra coisa, como defender uma reforma previdenciária que desagrade grupos organizados da sociedade.

Digamos que o BC é “excessivamente” conservador. Mesmo assim, uma redução maior da taxa Selic não viabilizaria um crescimento anual sustentado de 5%, pois a baixa expansão do PIB não deriva de insuficiência de demanda.

No longo prazo, o que faz a economia crescer de forma sustentada é uma combinação de investimento, mão-de-obra e ganhos de produtividade. É aqui onde está o nó. De fato, o País se ressente de condições que assegurem um investimento muito além dos atuais 20% do PIB ou de elevação de produtividade que nos permita crescer mais sem aumentar o estoque de capital.

O ambiente institucional milita contra o investimento e a produtividade, como se vê de marcos regulatórios fracos, excessiva e caótica carga tributária, anacronismo da legislação trabalhista, custo e morosidade do Judiciário e assim por diante. Ao mesmo tempo, a deteriorada infra-estrutura de transportes eleva custos e dificulta a operação da logística.

Se o Brasil crescer ao redor de 3,5% em 2007, será conseqüência da preservação de um ambiente macroeconômico satisfatório – um mérito indiscutível do presidente Lula, malgrado as pressões para que brinque com coisas sérias como juros e câmbio – e dos ganhos de produtividade derivados de mudanças do passado, como a abertura da economia, a estabilidade e as privatizações, cujos efeitos costumam amadurecer ao longo de anos. Nada ou pouco a ver com o PAC.

O discurso simplista dos juros baixos e do câmbio alto deveria ser substituído por críticas efetivamente relevantes. As causas do baixo crescimento devem ser buscadas na nossa periclitante situação fiscal, no insuficiente tempo de escolaridade da mão-de-obra e na ausência de reformas microeconômicas que aumentariam o investimento e a produtividade. Em nome dos pobres, não dá para correr o risco de relaxar a política monetária.

(*) Mailson da Nóbrega é ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada

Malandragem jurídica

Carlos Sardenberg
.
Decisão do Conselho Nacional de Justiça permite que os Tribunais de Justiça de S.Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Distrito Federal paguem a seus desembargadores salários acima do teto nacional de R$ 24.500 mensais. Furaram o teto, criaram o precedente, abriram a válvula para outras exceções.

No passado, o teto salarial para todo o funcionalismo público, sem exceção, era o salário do presidente da República. Aí, os juízes começaram a descobrir e criar artifícios para excluir do teto alguns tipos de adicionais e gratificações.
.
Passando uns, passaram outros, até que, em dado momento, os salários dos juízes, pelo Brasil afora, ultrapassavam de longe os vencimentos do presidente da República.
.
Prevaleceu a farra.

Para recolocar a ordem e a moralidade, fez-se nova lei. Para evitar problemas, tomou-se como teto o maior salário pago no Judiciário, o de juiz da Suprema Corte. E se definiu que, desta vez, teto era teto – ou seja, englobava tudo, todos os adicionais, extras e bicos.
.
Aí começou a reação dos magistrados e, logo, dos procuradores e promotores. Uma tentativa aqui, outra ali, o próprio CNJ, encarregado de fiscalizar o Judiciário, tentou furar o teto para seus próprios conselheiros. Filigrana daqui e dali, saiu o primeiro fura-teto, para os desembargadores daqueles quatro estados.Aberto o precedente, pode apostar que os outros tribunais, procuradores, promotores e depois outros funcionários vão conseguir também desmoralizar o teto.Mas isso só vale para os funcionários bem posicionados, da elite nacional, aqueles que conseguem usar a lei para seus próprios interesses. Os demais funcionários, aqueles que trabalham para o público – médicos nos postos de saúde, professores nas salas de aula, policiais nas ruas – esses continuam no piso, furando para baixo.
.
É deprimente que os juízes e promotores e procuradores gastem tanta energia e tanta sabedoria para defender seus privilégios, como o de receber salários só pagos a menos de 1% dos trabalhadores brasileiros e que equivalem a mais de 30 vezes o PIB per capita do país.
.
Com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Enquanto todo o funcionalismo público, em todos os níveis dos três poderes, juízes inclusive, se comportarem de forma indecente em relação a salários, tentando sempre furar o bloqueio para um certo padrão que limita e impede os excessos, agindo de forma descarada no assalto aos bolsos dos contribuintes, sugando as energias da nação apenas para seu próprio benefício e privilégio, acreditem, não haverá solução alguma que nos faça sair do atraso e sub-desenvolvimento. A classe política representada por todos os níveis, em todas as esferas da administração pública, e nos três poderes, representam o que de há pior para o encaminhamento do país rumo à civilização. Estes gigolôs são a coisa mais pérfida que nasce todo o santo dia no país. São o ranço impatriótico e funesto que afunda o país no berço da miséria, da pobreza.

Portanto, ou estes vampiros se ajustam e criam juízo, agindo com respeito ao dinheiro público, e param de explorar o povo brasileiro, ou teremos não haverá nada que evite o caos em que já nos encontramos. Há exatos dez anos atrás, apenas para citar um exemplo para a reflexão de todos nós, eram isentos de imposto de renda na fonte, aqueles que recebiam menos de 8 salários mínimos. Façam as contas e vejam o quanto o governo, neste tempo todo avançou sobre a população, sugando-lhe tudo o que pode apenas para manter-se. E, em contrapartida, o que ganhamos em troca nas áreas da saúde, dos transportes, da educação, da segurança pública ?

PAC tem projetos em áreas de preservação

Pelo menos dez obras estão em regiões de importância biológica.
A maioria fica na Amazônia.


Obras de geração de energia e rodovias previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sobre regiões de alta riqueza natural, que o próprio governo identifica como prioritárias para a conservação. Pelo menos dez obras encostam ou estão muito próximas de regiões de importância biológica alta a extremamente alta, e ameaçam o equilíbrio de ecossistemas e a existência de espécies - algumas únicas do Brasil e reconhecidamente ameaçadas de extinção.

São elas: as rodovias BR-364, no Acre; BR-156, no Amapá; e BR-230 e BR-163, no Pará; as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e São Salvador e Serra Quebrada, no Tocantins; e as termoelétricas Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, e Candiota 3, no Rio Grande do Sul.

A constatação vem da sobreposição de dois mapas: do PAC, divulgado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no dia 23 de janeiro, e do programa de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e que funciona parcialmente com doações internacionais.

A maioria das obras sobrepostas a áreas sensíveis fica na Amazônia. Historicamente, todo plano de infra-estrutura na região provoca uma busca desabalada por terras próximas para abrigar operários e “aventureiros” - de fornecedores de serviços a grileiros. Sem ordenação, isso provoca desmatamento muito além do necessário e distúrbio do sistema natural.

No entorno destas obras estão algumas paisagens únicas, como um trecho de campinarana (um tipo de campina) no extremo oeste do País, entre Amazonas e Acre, com areia branca. Ela fica na área de influência da BR-364, cuja construção e pavimentação fortalece planos de integração de Peru, Brasil e Bolívia, dentro da Iniciativa para Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (Iirsa).

Outro exemplo acontece onde são planejadas as duas hidrelétricas do Madeira, em Rondônia. O trecho entre o rio e a Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos é reconhecido pelos biólogos como a mais rica em primatas da Amazônia. São 16 espécies, todas descritas com ameaçadas de extinção na Convenção Internacional sobre Comércio em Espécies Ameaçadas. O programa de Áreas Prioritárias identifica as hidrelétricas como um perigo aos animais.

Para Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental, a sobreposição de interesses demonstra “uma visão unilateral” centrada apenas na elevação do Produto Interno Bruto (PIB). “O impacto ambiental não é levado em consideração. Há tantas alternativas, tantas idéias boas, mas na hora de se fazer um plano de desenvolvimento elas parecem ser mero detalhe”, afirma. “A questão não é discutida antes do licenciamento ambiental. Por isso, depois ela vira conflito.”

Sob a dinâmica regional amazônica, a simples divulgação da intenção de o governo conduzir qualquer obra dá força para grilagem e desmatamento, que destroem ecossistemas antes que o mestre-de-obras chegue.

Foi o que aconteceu no entorno da BR-163 (Cuiabá-Santarém). O anúncio do asfaltamento de mil quilômetros em 1996 levou centenas a se instalarem ao longo da estrada. O movimento provocou um aumento de 500% no desmatamento da região de lá para cá, como já disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O fato deu origem à formação de um projeto sustentável para a rodovia em 2003, pós-fato consumado.

Quanto às obras do PAC, o coordenador de Meio Ambiente do Ministério do Planejamento, Gustavo Lino, afirma que as questões ambientais são analisadas pelos ministérios responsáveis (Minas e Energia e Transportes) antes de indicar as obras. Ele admite algumas sobreposições, mas diz que as questões são discutidas no momento do licenciamento - e que pode haver mudanças no projeto. “Não aconteceu até hoje. Mas poderá ocorrer.”

O secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, não vê contradição na sobreposição. “Não existe problema per si. Os elementos identificados precisam ser abordados na análise ambiental dos empreendimentos.”

Infra-estrutura: oportunidade para investidores privados

Folhapress

O Banco Mundial quer mais oportunidades para o setor privado no Brasil. De acordo com o relatório Como revitalizar os investimentos em infra-estrutura no Brasil, o país pode transformar as necessidades de infra-estrutura em oportunidades de negócios basicamente reduzindo os custos de capital e elevando os ganhos de longo-prazo para as concessões. Embora tenha sido elaborado antes do anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o relatório foi divulgado ontem.

"Dados os dilemas fiscais e as necessidades de infra-estrutura no Brasil, a revitalização dos investimentos no setor nos próximos anos irá requerer a volta do setor privado", diz o documento.

Para isso, de acordo com o Bird, o Brasil tem não só de eliminar os gargalos gerados pelas regulamentações, como também reduzir as incertezas em alguns setores e estabelecer concessões que evitem renegociações excessivas. Dessa forma, justifica, será possível garantir tanto o retorno aos investidores como os interesses dos consumidores, com o reforço da qualidade dos órgãos reguladores.

"Em resumo, o Brasil deveria evitar a solução simplista de mover o pêndulo de volta para o financiamento público e forjar políticas para atrair mais e melhores investimentos privados", diz o texto.

O diretor do Banco Mundial para o Brasil, John Briscoe, justifica que há um número grande de projetos que poderiam ser financiados com recursos privados, desde que as regras se estabilizem e os contratos se tornem mais críveis a longo prazo.

- Aumentar o investimento em infra-estrutura é essencial para o crescimento econômico, e o setor privado pode dar uma contribuição importante, conforme o previsto no PAC - diz.

Vidas perdidas, política errada

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame - TRIBUNA DA IMPRENSA de 8/03 -, afirmou que vai incluir nas estatísticas da violência no estado as vítimas de balas perdidas. A declaração é incrível, prejudica o governo Sergio Cabral junto à opinião pública, revela tácita e claramente que a repressão policial está fracassando.

Claro. Não pode haver outra interpretação. E vale acentuar que entre as vítimas existem as fatais, as gravemente lesionadas, as que sofreram ferimentos de vários tipos. De que adianta colocá-las em quadros numéricos. São inocentes, não poderiam ter sofrido as conseqüências dos enfrentamentos entre as forças policiais e os bandidos.

Inocentes, este o princípio maior, não podem morrer ou sofrer. E morreram e sofreram em vão. Porque os problemas que existem em torno da guerra urbana que se trava na cidade, alarmando e aterrorizando a população carioca, permanecem. As ações de força estão levando o fogo cruzado nas ruas próximas às subidas de morros. Não tem cabimento.

Mantém-se tiroteios de horas e horas, paralisa-se atividades produtivas, produz-se o pânico, sem resultado, quando deveria ser feito apenas o cerco às áreas críticas sem colocar em risco a integridade e a existência de número enorme de pessoas. A cidade está, inclusive, ficando traumatizada com a sucessão de desfechos de sangue e mutilação. Intervenções dessa forma não valem o risco. Prejudicam muito mais do que ajudam, tumultuam muito mais do que resolvem. Derrubam a imagem do governo e da própria polícia.

Todos sabem o tipo de domínio que prevalece nas favelas e o comércio que se desenvolve lá. Afirma-se sempre que o Rio não produz armas e tóxico, portanto a entrada de drogas e armamentos é culpa da falta de policiamento nas fronteiras, nos aeroportos, portos, terminais rodoviários e ferroviários. Muito bem. Mas como chegam ao topo dos morros?

Claro que têm de atravessar as ruas da cidade e depois passar pelas ruelas onde residem mais de 1 milhão e 200 mil pessoas, das quais noventa e cinco por cento, pelo menos, são trabalhadores e absolutamente honestas. As drogas sobem durante o dia, as armas também. O dinheiro, produto da sinistra comercialização, desce à noite pelas ladeiras íngremes da incerteza. Não adianta tentar ocupar fisicamente esses espaços, inclusive porque as balas vêm de cima. Um risco enorme para as tropas da PM, para as forças policiais civis, sejam federais ou estaduais, em perigo iminente para os moradores e também para as pessoas que são obrigadas a atravessar os becos atingidos pelo fogo cruzado.

Tudo isso para quê? Para nada. Dessa espécie de confronto é que surgem as balas perdidas, como acontece na guerra. Não importa que as balas perdidas sejam das armas da polícia ou do crime. Importa é que elas se tornam fatidicamente inevitáveis nos confrontos que se desenrolam diariamente em vários bairros da cidade. A estratégia da Secretaria de Segurança está equivocada. Bastaria realizar-se um cerco em torno dos pontos convulsionados. A PM não precisaria subir as encostas onde mora a pobreza. Os bandidos é que teriam que descer tentando a ruptura do cerco. A batalha assim seria travada em outras bases sem a inadmissível morte de inocentes.

Como está ocorrendo, os moradores terminam identificando a polícia como agente da insegurança e do medo. Não pode ser assim. É preciso mudar.

Os inocentes não podem se transformar em vítimas. Não faz sentido, não tem cabimento. Pois se são inocentes, não têm culpa de nada, como podem ser punidas? E são punidas tragicamente de várias maneiras. Basta a simples colocação desses argumentos para se ver o que efetivamente se está praticando. É algo desumano o que acontece.

Os habitantes do Rio já não acreditam em mais nada, já que perderam o direito de transitar livremente e uma parte ponderável não sabe se estará viva no dia seguinte. O secretário José Mariano Beltrame, ao ser escolhido pelo governador, representou uma esperança em matéria de polícia inteligente, investigativa, eficiente, justa, capaz de fazer um mapeamento da violência, como foi feito em Nova York pelo prefeito Rudolf Giulliani.

Mas está partindo para um confronto frontal e total, à base da troca de força e potência de fogo, deixando a inteligência e a importância da informação precisa para segundo plano. Assim não vai alcançar o êxito que todos nós aguardamos. Evidentemente, temos que reconhecer a dificuldade de sua tarefa. Mas não se pode, pelos exemplos acontecidos, concordar tenha ele enveredado pelo caminho que adotou na busca do êxito no combate ao crime e aos criminosos.

A criminalidade possui muitos disfarces, os labirintos das favelas não são apenas geográficos, são igualmente de percepção. A guerra aberta, pública, só pode ser desencadeada em último caso, na defesa da vida dos seres humanos e da propriedade quando estiver ameaçada pelo vandalismo e pela força bruta. Não pode ser uma rotina.

A lógica que sempre predomina em tudo indica rumos diversos daquele em que se coloca o secretário Beltrame. As últimas mortes e mutilações ocorridas na cidade são suficientes para provar que ele precisa reformular sua atuação. É urgentíssimo que faça isso. Inocentes não podem morrer ou ser mutilados. É o absurdo dos absurdos.

Regressão continuada e mediocridade política

Reinaldo Azevedo

Sou um crítico de primeira hora da chamada “progressão continuada”, que vigora em São Paulo. Eu sempre a chamei de “regressão continuada”, verdadeira vanguarda do retrocesso na educação. Trata-se de uma tolice inventada por educadores nefelibatas, que atribuem à escola um papel que não lhe cabe. Quem tem de tirar a criança da rua não é o professor. À escola cabe ensinar. Dito assim, parece simples, mas não é, sei disso. Não duvido de que medidas deveriam ser tomadas para evitar a evasão escolar — que, com efeito, caiu radicalmente em São Paulo. Mas se optou pelo caminho mais fácil — e, devo notar, mais autoritário: impondo a progressão sem que o próprio professor tivesse sido educado para tanto e sem que houvesse condições objetivas para sua realização. Caso se retire da escola a cobrança do desempenho, será preciso oferecer outra coisa no lugar: o quê? Proselitismo? Videogame? Farra? Nada?
.
Ocorre que Rose Neubaeuer, ex-secretária de Educação de São Paulo, não se caracterizou, no cargo, por ser alguém que tivesse especial apreço por ouvir. Não. Não me refiro a ouvir desocupados de sindicatos. Brincando, eu a chamei em diversos textos de a “Madame Mao” da Educação. Fui professor. Sei como funciona. Se a progressão continuada fosse assim coisa tão boa, os estabelecimentos particulares de ensino, com melhores condições de oferecer a tal recuperação, já a teriam adotado. Até por razões de mercado. E não a adotaram.
.
O governador José Serra vai mudar o critério: em vez da possibilidade de reprovação a cada quatro anos, quer encurtar esse prazo para dois. Considero isso correto como o primeiro passo apenas. O certo é acabar com essa besteira. Não sei se é ela que responde pelo desempenho ruim das escolas paulistas nos exames oficiais. O que sei, com absoluta certeza, é que não ajuda. Alunos chegam analfabetos ao fim do primeiro grau, ao fim do segundo, ao fim da universidade. É um esculacho. Dez anos de equívoco não se corrigem de uma vez. Talvez seja impossível extinguir a progressão agora, o que talvez gerasse uma demanda por escolas — estrutura física mesmo — e professores que não poderia ser suprida.
.
Junto com a progressão continuada, veio também o fim das provas — ou das avaliações, como se diz por aí. São um instrumento importante para saber se o aluno está aprendendo ou não e, claro, servem também para controlar a tigrada. Que mal há nisso? O coquetel inventado pelo governo Covas em São Paulo tirou do professor — muitos deles despreparados, mas essa é outra questão — a autoridade. Pobre não tem direito de fazer prova? De ser avaliado? De competir com o pobre do lado? Por quê? Escola não é reformatório, não é instituição para menores carentes — menos ainda para menor infrator. A escola não concorre com a rua. Tem de oferecer a perspectiva de um futuro melhor, o que, na maioria das vezes, ela não faz. E o futuro melhor vem com português, matemática, história, geografia, ciências...
.
Em entrevista concedida ontem à Folha, Rose Neubauer acusa seu sucessor, o ex-secretário Gabriel Chalita, de não ter dado continuidade a seus programas, especialmente às aulas de recuperação. Chalita fala hoje ao jornal, preserva quem o atacou e prefere atirar contra o governo de São Paulo. E o que diz o educador, pensador, escritor, poeta, dramaturgo, músico e bonitão?
.
Sobre os péssimos resultados colhidos pelas escolas de São Paulo, nada! Na essência, ele conservou o erro fundamental da antecessora: a regressão continuada. Aliás, ele se revela contrário mesmo ao encurtamento do prazo. E lamenta que o governo de São Paulo tenha cortado recursos da tal Escola da Família. Cortou, sim, onde ela já não funcionava, embora consumisse recursos milionários. Chalita acha que R$ 200 milhões para um programa de resultados duvidosos é pouco quando se tem um orçamento de R$ 12 bilhões. Se o dinheiro é do público, meu senhor, R$ 1 já é muito para ser desperdiçado.
.
O ex-secretário está apenas fazendo picuinha política. Para demonstrar que é um homem que pensa com grandeza, elogia o ministro da Educação, que é do PT, e ataca o governo de São Paulo, que é do seu partido. Entenderam a jogadinha esperta? Está tentado atrair a simpatia da esquerda — Chalita, um neocom: de “neocomunista” — ao defender a progressão continuada e investir num bate-bico de tucanos.
.
O que ele não consegue certamente explicar é o fato — atenção! — de que inexiste um currículo para o ensino fundamental e médio em São Paulo. Sim, vocês leram direito: o Estado mais rico do país não tem um currículo. Existe a grade, com as disciplinas. Mas, dentro dela, cada professor atira para o lado que bem entender. Se houver por bem que é chegada a hora de ensinar tudo sobre o povo do Tibete, ele pode. Chalita resolveu levar a família pra escola, fazer poesia sobre passarinhos, mas esqueceu de lhe dar um currículo. Entre a Madame Mao e o Moço Bom, a educação em São Paulo, com efeito, não vai muito bem das pernas. Na comparação com o resto do país, não é um descalabro. Está ali no batalhão intermediário. Mas isso é muito ruim. Tanto pior porque o desempenho geral é pífio.
.
Não adianta jogar a culpa nas costas da inclusão, como fez o ex-ministro Paulo Renato em entrevista à Folha de ontem . Até porque, convenha-se: se era para incluir e obter esses resultados, qual a vantagem? Ocorre que isso é mais uma facilidade do que uma resposta. É preciso incluir o estudante numa escola que cumpra o seu papel; é preciso incluir o aluno numa escola que não abra mão de ensinar; é preciso incluir o aluno numa escola capaz de selecionar quem tem condições de enfrentar os desafios seguintes; é preciso incluir o aluno numa escola que saiba O QUE ensinar. Parece uma obviedade, mas lá vou eu: a inclusão numa escola que abre mão de ser escola para evitar a evasão promove, vejam só, a exclusão tanto dos menos como dos mais aptos.
.
Levou-se a rua para a escola; levou-se a família para a escola. Só não se levou para a escola a obrigatoriedade de cumprir um papel: ensinar.

George Walker Bush e Luiz Inácio Lula da Silva

Prosa & Política

Josias de Souza em seu blog na Folha de São Paulo, descola um diálogo imaginário e delirante entre os dois monoglótas Bush e Lula:

“TAKE THERE AND GIVE HERE”
.
Bush pega Lula pelo braço. Arrasta-o para um canto.

- Lula, eu morrer de inveja de você.

- Como assim?

- You não ter problemas no Congress. Por isso ter esse aparência sempre bem disposta.
- Nem tanto, nem tanto, companheiro Bush...

- Eu não saber mais o que fazer. Desde que as democratas viraram maioria in the Congress, o Nancy Pelosi não larga do meu pé. Do you know Nancy Pelosi?

- Sim, claro. Aqui nós chamamos de Renan Calheiros. Só que não usa saias.

- Não ter comparação. Nancy é um ressentida.

- Você não conhece o Renan Calheiros!
.
- Diga, Lula. O que eu deve fazer para amansar o Congress?
.
- Sei lá. Cada país tem a sua realidade.
.
- Please, Lula, não esconde a jogo. Pedi ao CIA para investigar os razões do seu sucesso.
.
- Não diga!
.
- Eu veio ao Brasil para conhecer o seu fórmula.
.
- Sei, sei, a fórmula do etanol.

- No, no. O fórmula do take there and give here.
.
- Como é?!?!?
.
- Take there and give here.
.
Lula faz sinal para o tradutor, que se achega.
.
- Que porra é essa que o Bush está dizendo?
.
Bush, algo impaciente, repete:
.
- Take there and give here.
.
O tradutor, virando-se para Lula, desfaz o ministério:
.
- Ele disse ‘toma-lá-dá-cá’, presidente.
.
- Ah, então é isso?!?!?
.
- Yes, that's it. Como funciona o coisa?
.
- É muito simples, companheiro Bush. Você chama a Nancy Pelosi à Casa Branca e...
.
Lula fala por ininterruptos 15 minutos. Bush, olhos injetados, ouve com atenção.
.
- Muito interessante. Eu ter vontade de fazer, but o tradição dos Estados Unidos talvez não permite.
.
- Posso dizer uma coisa, companheiro Bush.
.
- What?
.
- Sem ofensa. Esse negócio de tradição é uma tremenda bobagem.
.
- But, but...
.
- Frescura.
.
- O que eu vai dizer ao imprensa. No primeira entrevista coletiva as repórteres vão me imprensar.
.
- Entrevista coletiva?!?!?! O que é isso, companheiro?
.
- Você não dar entrevistas coletivas?
.
- Claro que não!
.
- Oh fuck! You brazilian have um civilização mais evoluído do que nós imaginar. Nós ter muito a aprender.

As duas Argentinas

Sebastião Nery , Tribuna da Imprensa

BUENOS AIRES - Quando chego aqui, sempre me lembro do francês gordinho do bendito hotel de Andorra, no pé dos Pirineus soprados pela nevasca, em pleno dezembro. Três mil metros de neve e precipícios, frio de menos de 30 graus, em cima o pico de Estats como um véu de noiva, embaixo o desfiladeiro, e o carro, com correntes nos quatro pneus, deslizando devagar a madrugada inteira, à beira dos abismos, na estrada branca e mal iluminada.

Ao amanhecer, afinal, um hotel. Chamava-se Argentina. Por que Argentina, ali embaixo da França, se ele era francês e a Argentina tão longe?

- É uma homenagem ao Brasil. Morei um ano no Rio, trabalhei lá em hotéis e tenho muita saudade das praias e das brasileiras.
- E o que é que a Argentina tem com isso, se não é Brasil?
- É porque Argentina é a palavra mais bonita da língua portuguesa.

A prata
A orgulhosa Argentina fez com que lhe pintassem um universal retrato de arrogância, geralmente injusto. Buenos Aires, o Puerto de Nuestra Señora Santa Maria Del Bueno Aire, foi fundada em 1536 pelo espanhol Pedro de Mendoza e refundada pelos espanhóis em 1580, onde hoje é a Plazza de Mayo.
.
A independência é de 1816, com San Martin, o grande herói nacional.

Passaram séculos antes de a chamarem de Argentina. Em documentos antigos, já se falava em "civitas argentea", depois falaram em "argentópólis" e "argyrópolis", até que o poeta Martin del Barco Centenera criou a "definitiva, bela e melodiosa, maravilhosamente poética" palavra "Argentina", por causa da prata encontrada com os nativos: nome de mulher, do latim "Argentinus", deus das minas de prata (em latim "argentum", cujo adjetivo é "argentinus").

O cuspe
"Na Argentina, onde se cospe nasce uma flor", diziam os argentinos. Os não argentinos achavam petulância. Darwin esteve aqui em 1833: "Os habitantes respeitáveis do país sempre ajudam os contraventores a escapar. Acham que eles pecaram contra o governo e não contra o povo". O comediante mexicano Cantinflas popularizou uma frase invejosa:
.
"Os argentinos querem afundar a Argentina mas não conseguem".
.
Einstein disse algo parecido quando passou por aqui em 1922:
"Como é que um país tão desorganizado pode progredir"?
.
Os espanhóis, pais da Argentina, vingavam-se deles:
.
- Um argentino dirigia em Madrid, avançou um sinal, o guarda o deteve: "Você é argentino, não é"? "Sou. E daí? Só os argentinos furam o sinal vermelho"?
.
"Não. Mas só os argentinos fazem isso sorrindo".
.
O brasileiro resumiu tudo na definição italiana:
.
- Compre um argentino pelo que vale e venda pelo que acha que vale.

O milagre
Na campanha eleitoral de 2003, que elegeu Kirchner, vi aqui a Argentina falida, afundada e humilhada pelo picareta Menem, que a vendeu ao FMI e aos banqueiros. Homens elegantes, de paletó e gravata, cabelos brancos bem penteados, a cabeça baixa envergonhada, oferecendo ninharias na Calle Florida, para poderem comer. Um dos escritores mais lidos e respeitados do país, Marcus Agnis, que já tinha sido ministro da Cultura, tentava explicar:"Excelente notícia é que os argentinos começam a exercer a autocrítica. A Argentina encontra-se mergulhada no sofrimento e chora como nunca ao ritmo de seu tango erótico, descarnado e cruel".
.
Agora, começa nova campanha eleitoral, para as eleições presidenciais e parlamentares de outubro. Em quatro anos, aconteceu o milagre. A Argentina levantou a cabeça, deu a volta por cima e uma banana presidencial para o FMI.

O segredo
As manchetes dos jornais dizem por quê:

1 - "Papel argentino rende até 282% em 2006 - Títulos do governo com remuneração atrelada ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) estão entre os mais rentáveis do ano passado - Mercado de ações e títulos privados coloca o país entre os emergentes com ativos de maior rentabilidade".

2 - "O bom desempenho da economia do país cresceu a taxassuperiores a 8% desde 2003. (Em 2006, 8,5%; em 2007, continua crescendo a mais de 8%.) Títulos públicos, privados, ações, registraram resultados muito bons no ano passado. Os papéis argentinos estão em alta. Dois títulos do governo estão entre os investimentos mais rentáveis de 2006. Papéis vendidos em 2003, cuja rentabilidade estava atrelada ao crescimento da economia, os `cupon's PBI' (PIB), registraram valorização de mais de 150% em 2006".

3 - "Os cupon's são dois entre os diversos títulos que o governo argentino usou para trocar sua dívida, obrigando os credores, no final de 2004, a aceitar descontos que chegaram a 75%. Em 2004 ninguém dizia considerar a troca um bom negócio e cerca de um quarto dos credores decidiu não aderir ao programa. Em 2006 o "cupon's" em pesos registrou alta de 157% e o em dólar subiu nada menos de 282%. São resultados extraordinários. A Argentina foi o país emergente com melhor performance em 2006" (Marcelo Billi).
.
O que é que a Argentina tem e o Brasil não tem? Um presidente.

TOQUEDEPRIMA...

Maioria dos eleitores aprova reeleição
Da Folha de S.Paulo:

"Apenas 19% dos eleitores brasileiros apóiam a idéia de acabar com a reeleição para cargos executivos, aumentando os mandatos para cinco ou seis anos, sem possibilidade de os políticos disputarem dois mandatos seguidos.

O apoio ao fim da reeleição sobe para 25% quando a proposta é apenas para acabar com a regra, mas deixando os mandatos de presidente, governadores e prefeitos nos atuais quatro anos. Uma maioria de 52%, entretanto, prefere manter tudo como está, permitindo aos governantes se recandidatar uma vez ao final de seus primeiros mandatos. Outros 5% não têm opinião a respeito.

As descobertas fazem parte de uma extensa pesquisa de opinião nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo, entidade criada pelo PT."

******************

Na bomba
Cláudio Humberto

Álcool do Brasil, gás da Bolívia, petróleo da Venezuela. A América do Sul não é mais o quintal dos Estados Unidos. É o posto de gasolina.

*******************

Igreja critica Lula por causa de camisinhas

O Episcopado brasileiro respondeu neste sábado com duros termos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu para se deixar de lado a "hipocrisia" sobre o uso de preservativos, dizendo que trata o assunto com "coerência", "valores" e "princípios". Em nota, a Comissão de Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que "a Igreja não concorda com a forma pela qual o presidente da República abordou o problema do uso dos preservativos".

******************

Temer diz que PMDB deve ficar com quatro ministérios

Em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, o presidente do PMDB, Michel Temer, afirmou que seu partido deve ficar com quatro ministérios, visto que Lula estaria levando em conta o tamanho das bancadas. Temer negou que o PMDB tenha se dividido em função da eleição de ontem, quando ele foi reconduzido ao cargo em sessão esvaziada por líderes como Renan Calheiros e José Sarney.
.
Ele destacou a presença de mais de 80% dos votantes. "Se houve boicote, ele fracassou. Não creio que os que não estiveram lá (na convenção), que são pessoas da melhor posição política, sairiam por aí fazendo um boicote", disse o presidente do PMDB.

*****************

FHC diz que Alckmin é “bom candidato” para São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira (12.03) que Geraldo Alckmin pode ser um bom candidato a prefeito da Capital paulista nas eleições do próximo ano. "[Alckmin] seria um bom candidato. Mas não o único. Também não sei se ele quer ser", afirmou o ex-presidente em seminário sobre a questão do voto distrital.
.
Fernando Henrique não confirmou que Alckmin já seja o seu candidato preferencial. O ex-presidente está lecionando na Universidade de Brown, por isso não participa das discussões internas do PSDB e disse que vai opinar a respeito da corrida pela prefeitura de São Paulo apenas no momento adequado.

******************

Terceiro mandato é golpe, afirma jurista


O presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Flávio Pansieri afirmou hoje, com todas as letras, que a possibilidade de o presidente Lula vir a apoiar um movimento para obter uma emenda constitucional no sentido de disputar um novo mandato presidencial, em 2010, "é, na verdade, uma manifestação disfarçada de golpe de Estado". Na opinião de Pansieri, a simples especulação de que o presidente sonha em obter um terceiro mandato "representa a pobreza democrática que assola neste momento alguns países da América Latina.". O constitucionalista acredita que as instituições sérias do país serão fortes para sobreviver a qualquer pretensão neste sentido. Para ele, uma emenda constitucional neste sentido somente teria validade para o próximo presidente da República e não para Lula que já foi reeleito. "O que mais preocupa a todos é que esta será a derrocada final de um projeto de Estado. Antes de chegar ao poder o PT se baseava na probidade administrativa e na democracia. No primeiro mandato de Lula tivemos o fundamento da probidade destruído com todos os escândalos. Neste segundo mandato o que está em jogo é a democracia", concluiu Pansieri.

****************

Debandada

Caiu como uma bomba no Maranhão a possível ação da Polícia Federal para apurar roubalheira na merenda escolar.Tem autoridade em lugar não sabido, funcionário sumido e gente que tem dormido em casa de parente.

******************

PT discute ampliar fontes do "dízimo"
Da Folha de S.Paulo:

"Em crise financeira desde o caso mensalão, o PT quer parte dos recursos que parlamentares recebem para contratar assessores, montar escritórios e exercer o mandato. A proposta, que vai na contramão dos que defendem a extinção das "verbas-paletó", consta da tese que o Campo Majoritário, ala que controla o partido, apresenta hoje como base para o 3º congresso da legenda, em julho."

*******************

Lula empossa novo chefe da Advocacia Geral da União
.
O presidente Lula empossou nesta segunda-feira (12.03) o novo ministro-chefe da AGU (Advocacia Geral da União), José Antônio Toffoli, que já foi advogado de Lula e subchefe de Assunto Jurídicos da Casa Civil. Toffoli é o primeiro ministro empossado no segundo mandato do presidente petista.
.
Durante discurso, Lula afirmou que Álvaro Ribeiro, o atual ministro, garantiu que a União não perdesse milhões em processos que tramitam no STF (Superior Tribunal Federal). Segundo o presidente, Ribeiro só está deixando o cargo porque pretende viajar.
.
Lula antecipou que Toffoli enfrentará muitos problemas, inclusive em relação à advocacia geral, que deseja reajuste salarial. O vice-presidente José Alencar e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos estavam presentes na cerimônia.

******************

Finep promove 'inquisição'

Os dirigentes da Associação dos Servidores da Finep foram ameaçados de demissão pela direção do órgão, acusados de atos "subversivos". Há quase um ano, os funcionários pedem investigações sobre denúncias de falcatruas na Finep. Difícil será demitir o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que acusa o Ministério da Ciência e Tecnologia de mandar "papéis imprestáveis" em resposta a dois requerimentos de informações que ele fez sobre o caso. Segundo a Constituição, é crime de responsabilidade um ministro não atender em 30 dias aos pedidos de informações dos parlamentares.