quarta-feira, junho 15, 2011

Governo Dilma estende a mão aos oprimidos para que eles continuem sendo oprimidos

Adelson Elias Vasconcellos

Na política externa de Dilma, os aliados são os mesmos autoritários de Lula.

No dia 08.06., portanto, há pouco mais de uma semana, escrevi um artigo em que apontava as razões para classificar como mentirosa a festejada mudança da política externa brasileira, quando comparados os governos Lula e Dilma.

Aliás, lá atrás, quando Dilma censurou a condenação à morte por apedrejamento da iraniana Sakineh, já alertava que, somente a partir do momento em que Dilma censurasse governos do tipo Cuba e Venezuela , seria possível acreditar na balela.

Estava claro que, naquele momento, Dilma,  orientada pelo marqueteiro João Santana, precisava assinalar alguma coisa sua, que fosse diferente apenas na forma sem tocar no essencial, para “comprar” a simpatia das massas, inclua-se aí a imprensa.

Foram muitos os artigos,comentários e editoriais comemorando a mudança de direção. Aqui mesmo, deixei de postar muito do que se escreveu por achar precipitado qualquer julgamento. 

Sempre que alguém apostar na mistificação petista, estejam certos: não terá chance nenhuma de sair derrotado. 

Pois, então: Lula recentemente viajou e peregrinou por Cuba, Venezuela e Nicarágua. E informei aqui que levou na bagagem nove seguranças, pagos pelos brasileiros, para praticar proselitismo  político. É ilegal e imoral, mas cadê os diligentes homens do Ministério Público para se indispor? Nada, esta gente arrota grosso só diante do pequeno, fala fino e anda sobre ovos quanto a personalidade envolvida é graudão.

Semana passada, alegando problemas de agenda e com uma desculpa porca, Dilma se negou em receber outra iraniana, Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz por sua luta em favor dos direitos humanos, dissidente declarada do regime iraniano. A desculpa porca foi a de que Dilma só recebe visitas de Chefes de Estado. Poucos se deram conta que a mesma Dilma já dançara com Shakira e tocara guitarra com Bono.

E foi a mesma Dilma que recebera, com festa, o venezuelano Chaves que, apesar do calote, ainda levou na bagagem mais alguns milhões dos cofres do tesouro nacional.

Hoje, sem que o fato ou a notícia me causasse nenhuma estranheza,  (vejam post abaixo), o governo brasileiro resolveu aliar-se ao Irã mais ainda. Em Genebra, acertou que ajudará na implementação do Bolsa Família naquele país.

Fosse o Irã um país pobre da vida, tipo Haiti ou outro da África faminta e mísera, a parceria até seria elogiável. Porém, vejam que este apoio tem outra razão. “...Em Genebra, os ministros dos dois países se reuniram, nesta terça-feira, 14, para acertar os detalhes da iniciativa, justamente em um momento em que o Irã começa a sentir o maior impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU.

Em Teerã, diplomatas confirmaram ao Estado que um dos temores do regime é de que crise social alimente ainda mais a tensão e pressione por uma queda do atual regime. Na Tunísia e Egito, governos que se mantinham no poder há décadas só foram derrubados quando a situação social de milhões de pessoas sem trabalho ficou insustentável...”

Traduzindo em linguagem corrente,  significa que o Brasil vai, no fundo, é garantir que o regime teocrático vigente no Irã se mantenha no poder, tentando evitar ser contaminado pelos levantes que acontecem em países do Oriente Médio, em que as populações se cansaram de serem oprimidas.

Não há, reparem, nenhuma razão apontada quanto a nobreza de se ajudar os pobres de uma outra nação. O tom é direto e não deixa dúvidas: a mão amiga se estenderá para manter no poder iraniano, um governo que não apenas sufoca e tortura seu povo, mas quer evitar que este mesmo povo seja livre. O Irã é hoje, ao lado de outras ditaduras, um dos maiores violadores dos direitos humanos no cenário internacional.

Assim, fica claro que aquele papo furado de conduzir a política externa do Brasil em consonância com o respeito aos direitos humanos, foi apenas um sopro de vento para falsear a verdadeira personalidade do governo Dilma. A presidente até pode ser ela, e é, mas o espírito que norteará muitas de suas ações é o velha e enterrada ideologia de esquerda, autora direta de milhões de mortes inocentes.   E para que os “irmãos ideológicos” se sintam protegidos e seu poder autoritário devidamente resguardado na opressão de seus povos, o governo Dilma emprestará sua solidariedade.

Sinceramente, espero não ter a desagradável surpresa de ainda ler alguém elogiando a mudança de ventos, porque, rigorosamente, mudança não houve nenhuma.  A propósito: até hoje, o Brasil se nega em votar na ONU uma moção de censura ao governo sírio pela matança e repressão que vem praticando contra o povo daquele país.  

Assim, a filosofia petista se mantém inalterada: estende a mão aos oprimidos para que estes não se voltem contra seus opressores. Esta é marca daquilo que eles entendem por “direitos humanos”.

Brasil vai ajudar a implementar o Bolsa Família no Irã

Jamil Chade -  O Estado de São Paulo

Ministros dos dois países se reuniram em Genebra para acertar os detalhes da iniciativa 

O Brasil vai ajudar o Irã a implementar o Bolsa Família, programas equivalentes ao Brasil sem Miséria e programas de capacitação de trabalhadores. Em Genebra, os ministros dos dois países se reuniram, nesta terça-feira, 14, para acertar os detalhes da iniciativa, justamente em um momento em que o Irã começa a sentir o maior impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU. 

Em Teerã, diplomatas confirmaram ao Estado que um dos temores do regime é de que crise social alimente ainda mais a tensão e pressione por uma queda do atual regime. Na Tunísia e Egito, governos que se mantinham no poder há décadas só foram derrubados quando a situação social de milhões de pessoas sem trabalho ficou insustentável. Os iranianos querem evitar a repetição desse cenário. Abdolreza Sheikholeslami, ministro do Trabalho do Irã, indicou que seu governo quer criar 2,3 milhões de postos de trabalho no País até 2012. Para isso, quer a ajuda dos programas sociais brasileiros e de treinamento. 

Na terça-feira, 14, o governo brasileiro insistia que via com naturalidade a cooperação com Teerã. "Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã", disse Carlos Lupi, ministro do Trabalho do Brasil, após a reunião de mais de uma hora com a delegação iraniana. Lupi evitou dar detalhes de como seria a adoção dos projetos. Mas indicou que o governo brasileiro ajudará o regime de Mahmoud Ahmadinejad a montar uma espécie de rede social. Lupi confirmou que o pedido veio de Teerã. 

A diplomacia de Dilma Rousseff havia dado sinais de que adotaria uma nova postura em relação a ditaduras, como a do Irã. Na ONU, votou contra Teerã em relação aos direitos humanos e teceu críticas às violações de direitos humanos. Mas as ações do governo mostram que esse posicionamento não significa um rompimento com Teerã. Há uma semana, o Palácio do Planalto se recusou a receber a prêmio Nobel da Paz, a ativista iraniana Shirin Ebadi. Na terça-feira, fechou com Teerã o início dos trabalhos para exportar seus programas sociais ao país. 

Diante de um bloqueio comercial e de uma economia cada vez mais fragilizada, o Irã soma hoje quase 15% de desemprego. Entre os jovens, a taxa de desemprego seria de quase 30%. Desde 2008, o Fundo Monetário Internacional vem alertando para uma " fuga de cérebros " do país. Parte seria por conta da repressão, mas parte também por conta da falta de postos de trabalho para aqueles que deixam as universidades. Segundo o FMI, cerca de 180 mil iranianos tem deixado o país a cada ano em busca de uma vida melhor no exterior. Lupi deixou a reunião com o iraniano com presentes: uma bolsa de estilo persa, pistaches e uma caixa com outro agrado de Teerã.

Quando Lewandovski filosofa, o estado de direito estremece

Adelson Elias Vasconcellos

Neste instante o STF debate questões ligadas à maconha, liberdade de expressão e apologia às drogas. Mais tarde voltarei para comentar a decisão final.

Mas há pouco o ministro Ricardo Lewandovski, bem ao seu estilo, resolveu filosofar sobre o tema. E sempre que isto acontece o estado de direito estremece de susto. O ministro é o que se pode qualificar de “figuraça”. Pena que esteja no lugar errado.

Às tantas, indagou o ministro:

“O que é droga? Café é droga? Cigarro é droga? Álcool é droga?”

Vou responder-lhe, ministro: droga é um ministro da Suprema Corte se colocar acima da lei, esquecer do que vem a ser apologia ao crime, confundir apologia com liberdade de expressão, perder a noção da finalidade do seu papel e jogar o bom senso na lata do lixo.

Tenha a santa paciência ministro Lewandovski!!! Como bem afirmou o jornalista Reinaldo Azevedo: isto é papo de boteco, não para um  recinto sério chamado Supremo Tribunal Federal.