quarta-feira, abril 20, 2011

“Flexibilizar” as leis não passa de licença para roubar.

Adelson Elias Vasconcellos



Não estranho nenhum um pouco a tentativa do governo de tentar agora aliviar a fiscalização sobre as obras a que o governo se comprometeu para a Copa do Mundo. Gilberto Carvalho, numa tentativa vigarista de mudar o foco do assunto, criticou a crítica do IPEA sobre o relatório que aponta a incompetência do governo para arrumar os aeroportos . Dez dos treze previstos ficarão pelo caminho. Ocorre que o IPEA é um órgão ligado diretamente à Presidência da República, portanto, não tem sentido a bronca do Gilberto Carvalho. Até porque, também o Ministério dos Esportes e, recentemente, o TCU, por caminhos diferentes, chegaram à mesma triste constatação.

Mas a Ministra do Planejamento, tentando reduzir o tamanho do estrago que o relatório do IPEA provocou, e que, afinal de contas, nada tem de anormal por se tratar de algo que o país já sente hoje em termos de descontrole, vem a público para declarar que o “alivio” pretendido na fiscalização de obras não será exclusividade para as obras da Copa do Mundo, o "refresco" pretendido se estenderá para TODAS as obras do governo. Como sabemos perfeitamente bem,  com TODAS do governo as obras sendo feitas ao rigor mínimo das regras, exalando um perfume de imoralidade e corrupção acentuada, no fundo o que o governo está pretendendo é bem ao contrário do que anuncia: o alívio, justificam, é para evitar a interrupção de obras que, depois de feitas as contas e as análises devidas, se constata que não estavam irregulares. Alega o governo que a interrupção provoca prejuízos.

Ora, a corrupção e o roubo não provocam prejuízos maiores ainda?

Desde que Lula chegou ao poder em 2003, não passou dia ou semana que não se lançasse contra os órgãos responsáveis pela fiscalização no uso do dinheiro público. Aquilo que, na oposição, sempre servia de farta munição contra governos de adversários políticos, no poder, passou a ser visto como obstáculo ao desenvolvimento do país. E é bom lembrar que muitas das atuais regras sobre a execução de obras públicas foram de autoria do próprio partido de Lula.

Desde o anúncio do Brasil como sede da Copa Mundo de 2014, e lá já se vão quatro anos, uma das desgraças mais anunciadas no país foi a de que, a falta de projetos e obras tinha apenas um único propósito: a de se retardar o máximo possível o cumprimento dos compromissos assumidos para, na enésima hora, forçar o superfaturamento de preços e se aliviar a OBRIGATÓRIA fiscalização, provocando prejuízos de bilhões de reais aos cofres públicos. E, seguindo o script anunciado, o governo, já antevendo o desastre, vem com esta proposta imoral de “aliviar” exigências e etapas da fiscalização em nome da “honra nacional”.

Não há necessidade que justifique a patifaria bancada à conta do Erário. Sempre o prejuízo – se ele houver de fato – de uma obra interrompida por apresentar indícios de irregularidades será infinitamente menor que o desvio e má aplicação da verba. Mesmo que, entre dezenas de obras, existam algumas cuja interrupção mais tarde se verificou improcedente, ainda assim o país sai no lucro porque se apurou e se reviu todo o processo para se assegurar de que tudo estava dentro da normalidade.

O grande rolo é que o governo petista, especialmente o de Lula, usava verba pública, gasta sem critério técnico e legal, apenas como palco de um palanque aventureiro para seu projeto de poder. O interesse do país sempre foi, para ele, o que menos importava.

Sabe-se que, mesmo dentro de seu governo, havia técnicos e ministros defensores de se entregar alguns aeroportos à concessão privada. Porém, dentro do seu contesto maquiavélico e cretino, Lula se negou a seguir o que era melhor para o país, para a sociedade, para não trair sua “convicção” do discurso palanqueiro. Tinha em mente continuar sua pregação cafajeste contra as privatizações que, contrariamente ao que ele pensa, fizeram muito bem ao país e ao próprio Estado. Mas quem disse que Lula defende o bem do país, se este não estiver conjugado com seu exclusivo interesse pessoal e político!

Desde o início do ano passado, o blog vem cobrando o plano de obras com as quais o Brasil se comprometeu junto à FIFA. O tempo passava sem que se observassem providências ou ações para dar cabo do compromisso. E, mesmo que a toque de caixa, aquilo que se iniciará agora para entregar ali adiante, já em 2013 para a Copa das Confederações, que veio junto no pacote da Copa do Mundo do ano seguinte, já está irremediavelmente prejudicado. E não foi por falta de aviso.

Fica claro que o país não poderia ter se metido nesta aventura. Não tinha e ainda não tem condições de abrigar aqui dentro eventos de tal porte. Até porque o montante que será “torrado” era e é muito mais indispensável aos serviços degradantes que o Estado presta nas áreas de educação, saúde, saneamento e até na própria segurança pública, além da infraestrutura precária que receberá um atendimento tipo “tapa buracos”, feito no açodamento, improvisação e a um custo abusivo.

Insisto que ainda dá tempo para o país rever algumas decisões sobre o plano de realização da Copa do Mundo. Ao invés de se investir em 12 sedes, o que já é um absurdo, melhor seria reduzir o número de cidades-sedes à metade – redução que em nada prejudicaria a organização e execução, pelo contrário – e que diminuiria o tamanho do investimento, além de permitir concentrar esforços de forma mais objetiva e com melhor perspectiva de resultados.

Fica clara não apenas a incompetência do governo Lula durante os quatros anos passados desde o anúncio, para responder à altura a responsabilidade que o Brasil assumiu perante a comunidade internacional. Mas, especialmente, que a precipitação aventureira na qual o país foi jogado tinha o propósito unicamente eleitoreiro. Nada além disto.

Além disto, esta ideia estúpida de “flexibilizar” o arcabouço jurídico que cerca a realização de obras públicas, além de invadir uma prerrogativa constitucional exclusiva do Poder Legislativo, terá o demérito de retirar da própria sociedade seu direito à fiscalização das ações do próprio Executivo que, diga-se de passagem, nada mais é do que um empregado bem remunerado da própria sociedade, que lhe confere um mandato temporário para administrar os recursos que a sociedade paga para dispor de serviços públicos minimamente decentes.

E o doloroso nem é a gente constatar que agora, atabalhoadamente, o governo Dilma tenta recuperar o tempo perdido de forma absurdamente imoral. Aparece na última hora não para pedir o empenho para o país dar conta da sua responsabilidade gigantesca, mas, pelo lado do Estado, e tendo como justificativa de que não podemos dar vexame, pede à sociedade uma licença eterna para delinquir, expropriar, prevaricar, ou em outras palavras, roubar e desviar dinheiro público em nome de uma causa nobre...

É muita cara de pau de quem foi eleita sob a égide de uma suposta competência gerencial!!!!

E o PAC, era ou não tudo aquilo que se dizia dele?

Adelson Elias Vasconcellos

Nas reportagens do Estadão que reproduzimos abaixo, vemos lá que o tal PAC, cuja “segura” e “competente” condução e gerenciamento ajudou a construir a candidatura de Dilma Rousseff, nem com ela como presidente consegue sair do lugar.

Há muito material que publicamos aqui ao longo deste tempo. O que não faltam são estatísticas contrariando de forma cabal a mentirosa farsa montada pelo governo Lula sobre as “virtudes” de ficção do seu PAC.

Mas creio que a gente pode resumir tudo no seguinte: Lula, em seu primeiro mandato, teve o despropósito de interromper as obras do governo anterior, o de FHC, que construíra um bem elaborado conjunto de obras de infraestrutura dando sequência aquelas advindas de governo anteriores, e outras cujos projetos foram desencadeados no período de seu governo. O programa chamava-se “Avança Brasil”, que nascera de outro, “Brasil em Ação”, e que, ao contrário do PAC de Lula, que não passa de uma listagem de obras que, ou estavam em execução e ele interrompeu maldosamente, ou em fase de projeto que foram suspensos, de forma até inexplicável, o Avança Brasil centrava-se em Eixos integrados de Desenvolvimento, dentro de uma concepção estratégica moderna de desenvolvimento.

Eram projetos integrados nas áreas de energia, transportes, telecomunicações, desenvolvimento social, meio ambiente, informação e conhecimento, considerados essenciais para o crescimento e a modernização de todas as regiões. Assim, a construção de uma ferrovia estava associada a projetos de rodovias, hidrovias, portos, energia elétrica e telecomunicações, que, por sua vez, estavam ligados a investimentos voltados para o desenvolvimento social, para a capacitação tecnológica e para a conservação do meio ambiente.

O que Lula fez depois? Simplesmente, relacionou as obras por área especifica - rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia elétrica, saneamento, etc. – e sem nenhum critério técnico de desenvolvimento estratégico, mandou realizar o que fosse possível. E posou para a foto como sendo o pai da criança. Um dos exemplos mais típicos da vigarice é a Ferrovia Norte-Sul. A obra, duramente criticada quando anunciada, foi concebida no governo Sarney, mas Lula aparece como o dono da ideia no seu PAC mentiroso.

Nos diferentes artigos em que nos referimos ao “programa” de Lula, demonstramos que cerca de 95% do seu conteúdo eram obras iniciadas em governos anteriores ao dele, que foram interrompidas no primeiro mandato, para serem retomadas mais adiante, sem pagar os direitos autorais devidos aos seus idealizadores. Ou seja, muito da degradação atual da infraestrutura do país poderia ter sido evitada se o petista, em seu primeiro mandato, tivesse sido um governante mais responsável. Mas, neste caso, não seria o Lula que nós conhecemos que governou por oito anos, sem nunca descer do palanque, e tudo o que fez foi alavancar sua própria reeleição e a sucessão, com mentiras e mistificação, bancada, conforme o Ricardo Setti destaca em artigo publicado na Veja online e que reproduzimos mais abaixo, com milionária verba publicitária.

Lembram durante a campanha a canalhice de Lula e do presidente da Petrobrás sobre as maravilhas do pré-sal, da autossuficiência do país, do mundo colorido dos biocombustíveis? Pois eis aí: a própria Petrobrás além de admitir a possibilidade de faltar gasolina em alguns postos no país, obrigou a importação de álcool combustível dos Estados Unidos!!!

Como sempre se disse aqui, cedo ou tarde, a herança maldita deixada por Lula seria conhecida pelo país. E tenham em mente o seguinte: as nossas dificuldades atuais na área econômica, como câmbio, inflação, dívida pública, déficit orçamentário, passam, necessariamente, pela irresponsabilidade da gastança sem critério e sem limites bancadas por Lula para fazer de Dilma sua sucessora. Já o interesse público, bem, o que importa o dito cujo se Lula ganhou a eleição em 2006 e fez Dilma sua sucessora em 2010... Para esta turma, reintero: o que vale é ganhar eleição e conservar-se no poder com seu bando de desclassificados e desqualificados mamando à vontade!!!!

A irresponsabilidade do debate sobre drogas no país.

Adelson Elias Vasconcellos

O país comemorou nesta semana a divulgação de estudo do Ministério da Saúde mostrando que caiu a quantidade de fumantes entre os homens e permaneceu estável entre as mulheres. Infelizmente, o estudo também revelou, em contrapartida, que estamos nos alimentando mal e nos entregando ao sedentarismo. Mas a luta contra o tabagismo tem prosperado e, a continuar nesta marcha, um dia nos livraremos deste mal.

Contudo, ao mesmo tempo em que o Ministério da Saúde, junto com as Secretarias estaduais de Saúde, intensificam a luta contra o tabagismo e se inicia na sociedade um debate sério sobre os efeitos danosos do álcool, cujo consumo tem aumentado muito nos últimos, e ataca os jovens em idades cada vez menores, há um grupo de rematados irresponsáveis e cafajestes que, a qualquer custo, querem levar adiante sua campanha em prol das drogas hoje ilícitas, sendo a maconha vista por este grupo como a “erva do bem”.

Olha, neste último ano, devemos ter publicado cerca de dez artigos revelando os resultados danosos ao indivíduo provocados pelo uso da maconha, mesmo que de forma esporádica. A lista das drogas ilícitas nas quais se incluem, atualmente, a maconha, conforme revelou reportagem do jornal O Globo (ver abaixo), ganhou nova companhia, o oxi, subproduto da cocaína. E TODAS, maconha também, destroem numa rapidez impressionante a integridade do indivíduo. E o pior; os danos são irreversíveis. Mesmo que a pessoa consiga livrar-se do vício antes que este o consuma literalmente, o estrago que as drogas produzem no seu cérebro, por exemplo, serão definitivas.

Na semana passada, parte deste grupo de malucos que, muito provavelmente, não conhecem a degradação que as drogas produzem na sociedade, na família, comemoraram o debate aberto dentro do congresso por lideres petistas.

Olha, é bom o país manter-se alerta ou estes doidos ainda vão conseguir liberar o consumo de drogas no Brasil. Já nos basta as drogas que infestam o próprio Congresso e o injustificado gasto que representam para as contas publicas: não precisamos que eles agora queiram levar a sociedade à sua condição mais estúpida, mais animalesca, mais bárbara apenas para poderem saciar, livremente, os prazeres das suas cheiradinhas.

Droga, seja do tipo leve ou não, nada tem de barato. O país deve intensificar o combate ao tráfico, principalmente, as portas de entradas delas no país, que são nossas fronteiras, já que nenhuma é produzida aqui dentro. Por mais que nos custe, esta é uma tarefa da qual não podemos abrir mão. Porém, este discurso canalha em favor de sua liberação, é apenas a forma fantasiosa e vigarista de um governo que é incompetente na sua missão de combate ao tráfico e vê  nesta liberação uma forma de se livrar de uma obrigação que a sociedade lhe cobra e que ele não consegue e não tem interesse em cumprir. Mas o Brasil não é propriedade de um partido, e a sociedade, por diferentes estudos e pesquisas, já demonstrou ser contrária a liberação não apenas de drogas, mas também do aborto, que o governo petista insiste em tentar impor à revelia da própria sociedade que deveria representar e respeitar.

Um deputado petista, Paulo Teixeira (SP), líder do partido na Câmara, defende a criação de “cooperativas para o plantio” de maconha. O líder do Senado, Humberto Costa (PE), considera o debate bem-vindo; o do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), diz discordar, mas também avalia que a discussão é pertinente… Pergunta: o debate é bom prá quem, cara pálida? Só um bando ganha às custas desta desgraça que querem nos empurrar goela abaixo: o crime organizado, que entrará livremente nos lares dos brasileiros sem que tenhamos lhe dado autorização para tanto. E, claro, os petistas, pois terão aumentado sua cota clientelista no eleitorado...

Aliás, para um governo que tem a pretensão de “proibir” a publicidade de biscoitos, masa mantém liberada a de bebidas alcoólicas, e fala em descriminalização de drogas, convenhamos, vai muito além apenas de contradição... Assim, torna-se legítima a suspeita de que alguém no governo quer continuar consumindo livremente certas porcarias ilegais, sem medo de ser enquadrado criminalmente!!!

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Derivado de cocaína e mais letal que o crack, oxi destrói jovens e crianças no Acre
Carolina Benevides, O Globol

RIO BRANCO - As ruas de Rio Branco são hoje um retrato da degradação provocada por uma nova droga, mais letal do que o crack, que está se espalhando pelo Brasil: o oxi, um subproduto da cocaína. A droga chegou ao país pelo Acre. Na capital, ao redor do Rio Acre, perto de prédios públicos, no Centro da cidade, nas periferias e em bairros de classe média alta, viciados em oxi perambulam pelas ruas e afirmam: "Não tem bairro onde não se encontre a pedra".

O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene - ou gasolina, diesel e até solução de bateria -, cal e permanganato de potássio. Como o crack, o oxi é uma pedra, só que branca, e é fumado num cachimbo. A diferença é que é mais barato e mata mais rápido.

A pedra tem 80% de cocaína, enquanto o crack não passa de 40%. O oxi veio da Bolívia e do Peru e entrou no país pelo Acre, a partir dos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia. Hoje está em todos os estados da Região Norte, em Goiânia e em Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, em alguns estados do Nordeste e acaba de chegar a São Paulo. No Rio, os primeiros relatos de que a pedra pode ser encontrada na capital também já começaram a aparecer. Mas a polícia ainda não registrou apreensões.

Estado que faz fronteira com o Peru e a Bolívia - os maiores produtores de cocaína do mundo - e ainda próximo à Colômbia, o Acre há tempos virou rota do tráfico internacional. De uns anos para cá, a facilidade com que a base livre de cocaína cruza as fronteiras fez com que o oxi tomasse conta da capital e de pequenos municípios. A pedra age rápido: viciados dizem que não leva 20 segundos para sentir um "barato" e que em cinco minutos a pessoa já está com vontade de usar de novo. Fumado, geralmente em latas de bebida ou em cachimbos como os que servem para o crack, o oxi tem potencial para viciar logo na primeira vez e é uma droga barata: é vendida em média por R$ 5 e até R$ 2.

- Quando a Bolívia se tornou produtora, o preço caiu e a cocaína se difundiu no Acre. A realidade é que o oxi é barato, está espalhado por Rio Branco e tem potencial para se espalhar por todo o Brasil, já que a base livre de cocaína está em todos os estados do país e já foi apreendida em todos os lugares. O oxi não precisa de laboratório para ser produzido, e isso facilita a expansão - diz Maurício Moscardi, delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal no Acre, que em 2010 apreendeu no estado quase 300 quilos de base livre de cocaína.

O relatório do IPEA é parte da trama forjada pela quadrilha para roubar sem sobressaltos

Augusto Nunes, Veja Online

Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, sites e blogs concederam espaços de bom tamanho ao relatório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, o IPEA, sobre o ritmo das obras em 15 aeroportos brasileiros. Só VEJA destacou, na edição desta semana, o trecho mais importante do documento. Espertamente limitado a uma frase, escancara o que há por trás da procissão de vogais, consoantes e algarismos: uma jogada ensaiada ─ como avisa o título da reportagem.

“O poder público poderia estabelecer procedimentos diferenciados em relação às obras de infraestrutura nos aeroportos, a fim de diminuir a demora na execução das diferentes etapas desse tipo de investimento”, recomendaram ao governo federal os companheiros do IPEA. A sugestão foi aceita no mesmo dia. Menos de 24 horas depois, chegou ao Congresso o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2012, propondo o que os governistas chamam de “flexibilização das regras”. Podem chamá-la de ”trilha da ladroagem” que ela atende.

Por encomenda da Presidência da República, o que IPEA sugeriu e os parlamentares a serviço do Planalto tentam oficializar é o sumiço de licitações, concorrências, mecanismos fiscais e outras pedras no caminho que leva aos cofres públicos. O que se propõe é a eliminação de tudo que possa atrapalhar a reedição, em escala ainda mais superlativa, das bilionárias bandalheiras que transformaram os Jogos Pan-Americanos de 2007 num campeonato de gatunagens por equipe, vencido pelo time de supercartolas, ministros de Estado e empresários amigos que joga contra o Brasil decente com o patrocínio do governo (leia o post na seção Vale Reprise).

“São necessárias mudanças, senão não vamos cumprir o cronograma da Copa”, recitou o deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara. “É um erro o TCU ser capaz de paralisar obras com base em suspeitas de faturamento”. Conversa de vigarista. As “suspeitas” são certezas. Não é o “cronograma da Copa” que está atrasado. É o cronograma do PAC, que só avança na imaginação da presidente Dilma Rousseff. Os 13 aeroportos em obras deveriam estar prontos há muito tempo. Não para desbloquear o desembarque de torcedores estrangeiros, mas para tornar menos infernal a vida dos passageiros nativos.

O relatório é só um pretexto para a formulação da proposta cafajeste. Até as birutas das pistas em decomposição sabem que as obras não serão concluídas a tempo. Até um estagiário de engenharia sabe que não é possível fazer em três anos o que deveria ter começado há quatro. Uns por ingenuidade, outros para cumprir o contrato de aluguel, muitos jornalistas enxergaram no documento a prova de que os técnicos do IPEA agora ousam apontar problemas que envolvem o patrão. Reduzido desde 2003 a uma usina de fantasias ufanistas, o instituto teria demonstrado com o documento que recuperou a vergonha.

O truque não funcionou. A frase que recomenda o atropelamento da lei informa que o que pareceu um grito de independência foi um sussurro de cúmplice. O IPEA acaba de juntar-se ostensivamente à trama que pretende premiar a quadrilha reincidente com a autorização para roubar sem sobresssaltos.

Tirar poder do TCU é cercear o Legislativo

O Globo - Editorial

A divulgação, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de um balanço negativo do andamento das obras em aeroportos com vistas à Copa do Mundo, daqui a três anos, levou o governo a voltar a defender regras mais flexíveis para a licitação, aprovação e acompanhamento de projetos.

Há, de fato, margem para a redução da burocracia que emperra obras sem qualquer benefício para a sociedade. Existe até o risco de, em função do labirinto burocrático, alguém cair na tentação de cobrar alguma “taxa de urgência” para desatolar investimentos.

Essa, inclusive, é uma das formas de se abastecer caixa dois nos subterrâneos da política brasileira.

Mas parte do que o governo defendeu para a questão específica dos aeroportos foi incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)de 2012, a fim de valer para todas as obras públicas. O assunto, então, cresceu de importância e por isso precisa ser debatido com o devido cuidado, pois o alvo da investida do Planalto — como ocorreu no governo Lula — é o Tribunal de Contas da União (TCU), braço do Legislativo, instrumento essencial de vigilância da lisura no gasto do dinheiro do contribuinte.

Uma das armas apontadas agora contra o TCU visa a impedir que apenas um parecer técnico, mediante aprovação do Congresso, possa suspender obras. Deseja o governo que o assunto seja, antes, examinado por um dos ministros do Tribunal. Pode fazer sentido.

Assim como é razoável admitir a existência de muitos gargalos a serem desobstruídos no Executivo e no Legislativo para acelerar obras prioritárias.

A preocupação está no risco para o contribuinte caso haja um “liberou geral”, como parecem desejar áreas do Executivo.

A incidência de malfeitorias encontradas em levantamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) nos bilionários repasses feitos pela União às áreas de Saúde e Educação de estados e municípios aconselha cautela em qualquer iniciativa de relaxamento de controles.

Aliás, controle sobre despesas é o que mais falta no poder público, apesar do inchaço de servidores.

Mesmo em estatais o quadro é desanimador e também preocupante. Como se encontram fora do alcance do TCU, sujeitas apenas a auditorias externas — de baixa credibilidade depois de vários escândalos empresariais —, essas empresas, quando de economia mista, são um mistério.

O caso verificado no escândalo do mensalão, com a conivência do Banco do Brasil, não estimula otimismo: investigação da Polícia Federal identificou a transferência de dinheiro público pela diretoria de marketing do BB, por meio do fundo Visanet, para o esquema de corrupção de petistas e aliados.

Também são conhecidas histórias em que a rica Petrobras distribui com generosidade verbas entre ONGs companheiras.

Para justificar a necessidade de atenção redobrada no tratamento do tema, lembremos que a visão ideológica do grupo no poder há pouco mais de oito anos é de centralização administrativa, de verticalização.

Recorde-se o que aconteceu com as agências reguladoras. De instrumentos independentes foram convertidas em bunkers para abrigar apaniguados políticos.

Passaram a ser, na prática, autarquias menores, dependentes de ministérios.

Sempre é possível melhorar a emperrada máquina pública. Mas manietar o TCU é enfraquecer o Legislativo.

O Brasil ainda caminha a passos lentos, dentro e fora do campo

Almir Leite - O Estado de São Paulo

Obras das Arenas e, principalmente, de infraestrutura, não deslancham; atrasos preocupam

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff vai chamar nos próximos dias os governadores dos Estados e os prefeitos de cidades envolvidas com a Copa do Mundo para uma "conversinha". Vai ouvir de quase todos palavras tranquilizadoras sobre o andamento das obras. Não acreditará, pois terá em mãos relatório encomendado ao ministro do Esporte, Orlando Silva, que traz observações preocupantes. Vai cobrar, ou melhor, exigir, balanços trimestrais sobre o que está sendo feito.

Dilma tem motivos para estar apreensiva. Na prática, pouco foi feito até agora daquilo que é necessário - ou que foi prometido -, seja no quesito estádios ou em infraestrutura. Falar em atrasos, porém, causa reações via de regra irritadas, quando não indignadas. "Está tudo dentro do cronograma’’, é a frase que mais se escuta quando se questiona uma autoridade. Resposta baseada em projetos e processos de licitação em curso. Mas a realidade desmente o discurso.

As arenas são exemplo disso. A maioria das que serão reformadas ainda não superou a etapa da demolição; as que vão ser totalmente erguidas estão em fase de terraplenagem ou de fundações - isso quando nada foi feito até agora, como em São Paulo e em Natal. E há casos de estádios cujos processos de licitação são alvo de órgãos como Ministério Público e Tribunal de Contas.

Apesar disso, até a Fifa já considera que os estádios caminham bem. Pelo menos foi isso que o presidente da entidade, Joseph Blatter, disse na quarta-feira. Talvez o cartola tenha percebido que as arenas são o menor dos problemas.

Mas, na sua política do morde e assopra (há duas semanas, criticara veementemente os atrasos do País), Blatter saiu da rota. Baseado em relatório que diz ter recebido recentemente, elogiou até as obras nos aeroportos. Ou ele não entendeu o que leu ou os autores do relatório foram, digamos, fantasiosos. Isso porque, no mesmo dia em que Blatter colocou a situação dos aeroportos brasileiros em céu de brigadeiro, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) causou turbulência daquelas capazes de derrubar avião: divulgou estudo dando conta que, dos 13 aeroportos que deveriam ser modernizados, 9 não ficarão prontos até 2014. O governo reagiu: garantiu que as obras sairão. Para isso, pretende alterar a regra de licitações, a ponto de premiar construtoras que cumpram os prazos.

O Estado fez levantamento de como andam as obras, baseado no que foi prometido e não no que já existe. Estádios e hotéis (estes porque os projetos estão ligados à iniciativa privada) preocupam menos do que aeroportos e projetos de mobilidade urbana. Mas o sinal para o Brasil está amarelo, quase entrando no vermelho.

Qualidade dos projetos pode comprometer estádios da Copa, diz Sinaenco

Luana Lourenço, da Agência Brasil

Sindicato da Arquitetura e da Engenharia criticou a entrega de projetos incompletos ou atrasados

Divulgação
Projeto do Estádio das Dunas, em Natal:
falta planejamento, diz o Sinaenco


Brasília - Representantes do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) alertaram hoje (19) para a o risco de maus projetos comprometerem os prazos e a qualidade das obras de construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014.

“Um mau projeto compromete a obra. Não dá para começar o empreendimento sem ter feito um bom projeto, é a receita para o desastre”, disse o presidente do Sinaenco de São Paulo, José Roberto Bernasconi, durante audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara de Deputados.

Segundo Bernasconi, o projeto básico – apresentado durante o processo de licitação – não é suficiente para garantir que a obra será construída de acordo com o planejamento. “O projeto básico é elemento para licitar, não para começar a obra. Ele é na verdade uma ficção. O projeto de engenharia é que é o genoma do empreendimento”.

A apresentação de projetos incompletos ou com atraso tem comprometido a liberação de recursos para as obras. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), dos R$ 3,5 bilhões previstos para a construção e reforma de estádios, apenas R$ 6 milhões foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente nacional do Sinaenco, João Roberto Viol, disse que o Brasil está com os preparativos atrasados em pelo menos um ano. “Há tempo, mas não há folgas. Faltou planejamento”.

Bernasconi lembrou que a Espanha começou a planejar as Olimpíadas de 1992, em Barcelona, com oito anos de antecedência. E que em Londres, cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2012, as obras dos complexos esportivos ficarão prontas com quase um ano de antecedência.

TCU aponta atrasos em preparativos para Copa de 2014

Exame.com e informações Agência Estado

Segundo o TCU, dos R$ 3,6 bilhões previstos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as novas arenas, foram liberados até agora apenas R$ 6 milhões


Rodrigo Baleia/EXAME.com
O TCU segue analisando processos de outros estádios


São Paulo - Dias depois do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmar que nove dos 13 aeroportos brasileiros não ficarão prontos a tempo da Copa do Mundo de 2014, nesta segunda-feira foi a vez do Tribunal de Contas da União (TCU) trazer à tona os atrasos nos preparativos do Mundial em aeroportos, mobilidade urbana e estádios.

Quanto aos estádios, o TCU já encontrou indícios de irregularidades na contratação da parceria público-privada (PPP) da Arena das Dunas, em Natal (RN); sobrepreço de R$ 71,2 milhões no estádio de Manaus (AM); e “pontos críticos no contrato” de Pernambuco, como “uso de expressões subjetivas” e “transferência ao poder público de riscos financeiro e cambial”.

O TCU segue analisando processos de outros estádios. No próximo mês, o governo do Rio de Janeiro deve entregar ao TCU o projeto executivo e as planilhas orçamentárias do Maracanã.

Segundo o TCU, dos R$ 3,6 bilhões previstos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as novas arenas, foram liberados até agora apenas R$ 6 milhões. Em Natal, Manaus, Cuiabá e Brasília, foi encontrado “risco de rentabilidade”, sem identificação de ações para acabar com o risco das arenas virarem “elefantes brancos”.

Para o ministro Valmir Campelo, relator dos processos sobre a Copa no tribunal, no entanto, “não é caso ainda de luz vermelha”. Dos projetos de mobilidade urbana, apenas 34% estariam compatíveis com o programado - 54% estariam com data do início reprogramada e 12%, atrasados. Para o ministro, as obras de mobilidade urbana mais problemáticas estão em São Paulo, Manaus, Recife, Fortaleza e Brasília.

Apesar do cenário de morosidade nos trabalhos, o ministro Valmir Campelo minimizou os problemas, mas reconheceu que existe uma “preocupaçãozinha maior com o problema dos aeroportos”. “O TCU está se antecipando quando existe alguma irregularidade, fazendo um trabalho preventivo, educativo e os gestores têm recebido isso muito bem. Não existem maiores preocupações. É claro que há uma preocupaçãozinha maior com o problema dos aeroportos, mas vamos pedir que as coisas sejam antecipadas”, disse Campelo.

Segundo levantamento do tribunal, apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo há obras em andamento. “O atraso no cronograma poderá acontecer, mas não na obra em si, pelo menos é o que estão nos garantindo. Não queremos ser empecilho, queremos fazer parte desse processo de ajuda para que a Copa seja exitosa na transparência, moralidade e gestão da coisa pública”, completou.

Vão flexibilizar licitações para obras da Copa

Cristiane Jungblut, O Globo

O governo deve fixar no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, que será enviado hoje ao Congresso Nacional, regras mais flexíveis para a realização das obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

A intenção é dar tratamento especial a obras públicas relacionadas a eventos especiais, como aeroportos, estradas e metrôs, para que, com o controle flexibilizado, elas andem com mais agilidade e não sejam interrompidas a todo momento.

Para 2011, o governo já havia modificado algumas regras favorecendo esse tipo de obra, principalmente em relação à tabela de preços usada nas licitações, além de ter estabelecido um diálogo maior com o Tribunal de Contas da União (TCU), que fiscaliza as obras públicas.

Ontem, logo depois de ser escolhido como relator da LDO de 2012, o deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG), afinado com os interesses do governo, criticou a paralisação de obras irregulares e defendeu regras especiais para as obras da Copa e das Olimpíadas:

— Não acredito que a paralisação seja a solução. Os ordenadores de despesas é que deveriam ser punidos, ter os bens sequestrados e serem afastados do serviço público. Quando paralisa, quem é prejudicado é a sociedade. E, nas obras da Copa, já estamos ganhando puxão de orelha (sobre atrasos) — disse Moreira, que já integrou a Secretaria de Orçamento Federal (SOF), do Ministério do Planejamento.

Sobre obras com problemas, ele citou o caso da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que ano passado teve sua paralisação recomendada pelo TCU. No entanto, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva derrubou a decisão do Congresso Nacional:

— Foi o primeiro veto presidencial que eu aplaudi. Foi um veto patriótico — afirmou o deputado.

Segundo interlocutores da área econômica, ao dar tratamento especial às obras relacionadas aos eventos esportivos, o governo pretende agilizar processos de licitação como faz em situações de emergência, e adotar trâmites burocráticos mais curtos, por exemplo, no caso de licenças ambientais.

Mas, na sua primeira entrevista como relator da LDO, Moreira também defendeu os interesses de parlamentares e prefeitos, ao cobrar do governo uma solução imediata para a questão dos chamados "restos a pagar" de 2007 a 2009, um estoque de cerca de R$ 18 bilhões que está previsto para caducar em 30 de abril.

A grande confusão

Miriam Leitão, O Globo

A infraestrutura brasileira está perto do colapso. Falta tudo, inclusive o básico, o simples.

As operadoras de celular prestam serviço cada vez pior. Os aeroportos entupidos e o descaso das companhias irritam brasileiros e desorientam os estrangeiros. O trânsito nas cidades é indescritível. Portos não funcionam. O governo investe errado. Basta sair de casa para ver.

Não é necessário mais um estudo do Ipea para saber que os aeroportos não ficarão prontos a tempo, basta circular. Eles permanecem congelados no tempo e nos problemas. Nem é pela Copa. É por nós e agora que eles precisam avançar.

Joseph Blatter irritou as autoridades mas estava certo, e o governo agora usará o atraso como álibi para não cumprir os procedimentos em obras públicas.

O PAC não era um supersistema gerencial que permitia ter o controle do andamento dos projetos?

Num país onde falta tudo, a maior obra de infraestrutura, que vai consumir mais da metade do orçamento para ferrovias dos próximos anos, é o polêmico trem-bala.

Ele foi aprovado no Senado esta semana depois de um debate entre especialistas de diversas áreas. Foram desde o BNDES até especialistas independentes, com análises técnicas do projeto. Ótimo momento para que os senadores entendessem em que estavam votando.

Lá, foi dito que não há estudo de engenharia detalhado, portanto, não se sabe quanto a obra custará, de fato. O governo defende o absurdo de o Tesouro ser o garantidor de R$ 20 bilhões emprestados pelo BNDES.

O Estado empresta, o Estado avaliza se o executor der o calote, o Estado será sócio, o Estado dará ainda um subsídio direto de R$ 5 bilhões. Tudo com o nosso dinheiro.

A ideia em si de uma ligação por trem-bala entre Rio e São Paulo é sedutora. O diabo está nos detalhes, principalmente nos que nós não conhecemos porque fazer uma obra em que haverá escavações de rocha e indenizações sem um estudo detalhado é uma insensatez.

Mesmo assim, a relatora Marta Suplicy (PT-SP) apresentou um parecer favorável à obra no dia seguinte desse debate em que foram apresentadas tantas dúvidas técnicas.

Um detalhe revelador: a relatora não acompanhou o debate e a apresentação dos técnicos. Não se deu sequer ao trabalho de ouvir os riscos mostrados pelos especialistas sobre o assunto que relatou favoravelmente no dia seguinte.

Comportamento diferente teve a oposição e certos senadores da base do governo que acompanharam com atenção o debate. Ricardo Ferraço (PMDB-ES) é um desses que faz parte da base do governo, mas que ouviu tudo e fez uma comparação interessante: com uma fração, não mais que 10% do preço atual do trem-bala, poderia ser feito no seu estado o que se quer há décadas: a dragagem do porto de Vitória.

Há oito anos, no começo do período Paulo Hartung, o governo estadual tentou fazer a dragagem e foi impedido porque tinha que ser uma obra federal. O governo federal disse que faria e não fez.

Lá, só podem entrar navios pequenos, e na maré cheia. Isso num estado que quer tirar o melhor proveito de sua vocação logística.

Fiz um programa sobre turismo na Globonews tentando entender o que mais — além do câmbio desfavorável — atrapalha o turismo brasileiro, porque o país no ano passado teve déficit de US$ 10 bilhões na balança de turismo e nos primeiros dois meses deste ano o déficit está aumentando.

Um país com tantas belezas e com atrações para todo o tipo de turismo, o que nos atrapalha?

André Coelho contou que a pesquisa de conjuntura de turismo que a Fundação Getulio Vargas faz com 80 presidentes de operadores de turismo acaba de mostrar aumento de faturamento no setor. Ele cresce puxado pelo aumento da classe C.

Mário Moysés, da Embratur, disse que falta "conectividade", poucos vôos ligam o Brasil aos países dos quais podemos atrair turistas. Há poucos aeroportos de chegada e os grandes estão superlotados.

Numa pesquisa feita pela FIPE, turistas que deixavam o país reclamaram, entre outras coisas, da falta de algo fácil de resolver: falta sinalização que eles possam entender. O turista se sente perdido no Brasil.

Quinta-feira tive um dia desses típicos de qualquer brasileiro quando precisa circular pelas cidades em horas de pico e pegar voos de ida e volta. Saí muito mais cedo de casa, contando com o trânsito caótico. No caminho, fui trocando de celular porque a TIM e a Vivo têm cada vez mais pontos cegos na cidade e a ligação caia.

O celular de Alvaro Gribel, que é da Oi, também não pegava ontem na casa dele. A internet banda larga cai com frequência.

Tenho reclamado com a TIM há um mês, sem solução, porque para falar no celular eu tenho que sair de casa; dentro de casa não há cobertura. O motorista de taxi me disse que ouve o mesmo de todas operadoras. Estamos retrocedendo.

No aeroporto, meu voo não aparecia no visor, o que me obrigou a ir duas vezes ao balcão de informação. Lá, soube de duas trocas de portão. Um estrangeiro se perderia, pensei.

Quando cheguei à aeronave, um estrangeiro estava sentado no meu lugar. Fui conferir o bilhete dele e o assento estava certo mas ele estava num voo para Vitória, quando seu ticket era para Guarulhos.

Na volta, encontrei filas gigantes para táxi no aeroporto Santos Dumont. Fui salva por uma carona do professor Antônio Barros de Castro, que definiu tudo numa frase brilhante: "A China não sabe não crescer, e nós não sabemos crescer."

Assim, cada vez mais caótico, tomando decisões insensatas e negligenciando tarefas simples, o Brasil aguarda os grandes eventos internacionais.

Ameaça de vexame

O Estado de São Paulo

Não chegam a surpreendentes as conclusões do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mostram que, mesmo com investimentos da ordem de R$ 5,6 bilhões, programados pela Infraero, 9 dos 13 aeroportos de cidades brasileiras que vão receber jogos da Copa do Mundo de 2014 não terão concluídas as obras necessárias de expansão. Só três - o do Galeão, no Rio, e os de Salvador e Recife - estão hoje em condições consideradas adequadas. Outros três estão em situação preocupante (Curitiba, Belém e Santos-Dumont, no Rio). Há vários meses, a Fifa, a CBF, empresários, analistas e a mídia manifestam-se alarmados com a lentidão com que vêm sendo tocados os projetos de adaptação dos aeroportos para o megaevento esportivo. O que está ocorrendo põe a nu as deficiências da gestão pública no Brasil, e expõe o País ao risco de monumental vexame, por não ter completado a infraestrutura indispensável para realizar uma Copa do Mundo. A incompetência é inacreditável: até agora o governo não conseguiu aplicar as verbas orçamentárias já autorizadas há nove anos para a modernização dos aeroportos!

A propósito, a maior crítica do Ipea é dirigida justamente à execução orçamentária. Segundo o órgão, subordinado ao Ministério do Planejamento, somente 44% das dotações destinadas aos aeroportos, entre 2003 a 2010, foram de fato investidas.

Não se pode dizer que o governo da presidente Dilma Rousseff esteja alheio ao problema. Foi criada recentemente a Secretaria de Aviação Civil, com status de Ministério, que incluirá em sua estrutura a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero, não só com o objetivo de agilizar os preparativos para a realização da Copa, como para atender à demanda crescente por transporte aéreo de passageiros, que aumenta à razão de 10% ao ano. As autoridades também têm se declarado favoráveis à concessão de aeroportos à iniciativa privada, para atrair investimentos. Todas essas são medidas na direção correta, mas podem ter sido tomadas tarde demais, além de estarem sendo implementadas com exasperante lentidão.

O processo de concessão de serviços públicos é naturalmente demorado. O Ipea calculou, por exemplo, que apenas a licença de instalação, uma das três exigidas pelo Ibama para que uma obra possa ser iniciada, demora 38 meses, em média, para ser concedida.

Dos 13 aeroportos que estão com obras atrasadas - há casos em que nem mesmo foram iniciadas - São Paulo apresenta a situação mais crítica. Os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e de Viracopos, em Campinas, estão há muito tempo saturados. O terminal aeroportuário mais bem equipado da região metropolitana é o de Cumbica, que também não está em condições de atender satisfatoriamente à afluência de passageiros. Estima-se que Cumbica comporte 20,5 milhões de passageiros por ano, mas, já em 2010, transitaram por aquele aeroporto 26 milhões de viajantes. Se a demanda crescer como se projeta, Cumbica terá um fluxo de 39 milhões de passageiros/ano em 2014, praticamente o dobro de sua capacidade atual.

Além do trânsito pesado de embarque e desembarque de passageiros nesses aeroportos, que não são servidos por metrô ou linhas de trem - diferentemente do que ocorre nos grandes aeroportos mundo afora -, falta espaço disponível para estacionamento, os guichês para check-in são relativamente poucos e os saguões e salas de espera estão quase sempre congestionados.

A Infraero, que diz desconhecer as bases técnicas utilizadas no estudo do Ipea, estuda ações para "quebrar o galho". Uma das soluções propostas é a construção de módulos provisórios nos aeroportos das cidades-sede de jogos da Copa, ou seja, "puxadinhos" improvisados que certamente não darão aos visitantes estrangeiros uma boa impressão do País. Mas pior será para os brasileiros que, ao que parece, podem não receber o "legado" da Copa e da Olimpíada, traduzido em melhorias de infraestrutura. A expectativa é de que, com a criação, finalmente, da Autoridade Pública Olímpica (APO), entregue ao ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, seja evitado o maior dos vexames.

Preconceito ideológico prejudica Copa

O Globo - Editorial

O mais recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o andamento das obras em aeroportos vitais para o sucesso da Copa no Brasil, por estarem em cidades-sede do torneio, confirma um sério problema, anunciado há tempos.

Dos 13 terminais, nove não estarão prontos em 2014.

As melhorias projetadas para os aeroportos de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos (São Paulo), Salvador, Campinas e Cuiabá só estarão concluídas em 2017, três anos depois da Copa e um após as Olimpíadas do Rio. (Preparem-se para dissabores, turistas olímpicos interessados em conhecer outras regiões do país.)

Os dois restantes — Confins, de Belo Horizonte; e o de Porto Alegre — estarão prontos em 2016. Conclui-se: como foi dito e repetido, a estatal Infraero não tinha condições de executar o projeto Copa. E não teve mesmo.

O próprio trabalho do Ipea, um órgão oficial, afirma ser necessário um “choque de gestão” para a empresa tocar investimentos com eficiência. É o que tenta agora — tardiamente, para efeito de Copa e Olimpíadas — o governo Dilma Rousseff.

Para aplicar os R$ 5,6 bilhões previstos para daqui a 2014, a empresa teria de investir, por ano, R$ 1,4 bilhão, o triplo do que tem gasto em média nos últimos oito anos, segundo o Ipea.

Os números são cabais: a meta não será, de fato, alcançada pela estatal.

Na esteira da repercussão da notícia, vieram as declarações de praxe. Para o ministro Wagner Bittencourt de Oliveira, da recém-criada Secretaria de Aviação Civil, à qual a Infraero está subordinada, as obras estão no “cronograma adequado”.

Qualquer um é livre para falar o que bem entender, mesmo diante de números irrefutáveis e de fonte insuspeita.

Uma alternativa será alterar normas para licitações públicas e controles, a fim de acelerar as obras. Apressar a tramitação de projetos e a execução de obras públicas não é um mal em si, pois há muita burocracia a eliminar.

Também, em princípio, é correta a tese de que, em vez de o Tribunal de Contas paralisar obras, que se punam os responsáveis pelas irregularidades.

Mas o grande problema é que, no Brasil, quando se defende “flexibilizar” para “agilizar” investimentos públicos, quase sempre se beneficiam esquemas de corrupção via superfaturamento de despesas, manipulação nas especificações de materiais, entre outros golpes.

Chega-se a suspeitar que atrasos são programados para se “flexibilizar” e “agilizar”.

Desde o governo Lula, alerta-se que, sem a privatização de aeroportos, o setor não acompanharia a expansão da demanda, como não acompanhou. Durante todo o segundo mandato do presidente o sistema aeroportuário brasileiro confirmou o diagnóstico.

Porém, preconceitos ideológicos existentes em Brasília contra a iniciativa privada barraram qualquer movimento mais sério para a concessão de terminais, existentes ou a construir. Juntaram-se aos estatistas os clientelistas de sempre, interessados em não perder influência na Infraero e os correspondentes benefícios pecuniários.

O estudo do Ipea acaba com qualquer dúvida sobre a imperiosidade da participação de capitais privados no sistema.

Pelo menos a presidente Dilma, avessa às licitações quando na Casa Civil, já demonstrara ter mudado de opinião. Agora, está claro para todos que o tempo corre contra.

EMPACOU!!!: “ Vitrine” na eleição, PAC emperra e Dilma só libera 0,25% dos recursos

Marta Salomon, de O Estado de S.Paulo

Construção de unidades de pronto atendimento, implantação de postos de polícia comunitária, entre outras promessas de campanha previstas na 2ª etapa do programa, não saem do papel

BRASÍLIA - Lançado em março de 2010 com discurso da então pré-candidata à presidência Dilma Rousseff, a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC2, desapareceu na burocracia do governo da petista.

Propalada durante a campanha eleitoral, a implantação de centenas de unidades de pronto atendimento (UPAs) não saiu do papel. Na mesma situação, encontram-se também a construção de unidades básicas de saúde e a implantação de postos de polícia comunitária e de espaços integrados de esporte, cultura, lazer e serviços públicos, as chamadas "praças" do PAC.

Entre os gastos autorizados pela lei orçamentária para 2011, há quase R$ 1,3 bilhão destinados a esses projetos, voltados às populações das regiões metropolitanas. Mas, passados os primeiros cem dias de governo Dilma Rousseff, nenhum deles passou pela primeira etapa do processo de gasto público, o chamado empenho.

Levantamento feito pela ONG Contas Abertas a pedido do Estado mostra que, dos R$ 40,1 bilhões de gastos autorizados do PAC para 2011 - o Tesouro não faz distinção entre PAC1 e PAC2 -, valor que inclui as obras da primeira e da segunda versão do programa, apenas 0,25% (R$ 102 milhões) foram pagos até a última terça-feira, de acordo com registros do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União).

A radiografia dos números mostra que as duas versões do PAC hoje avançam pela inércia, à custa de contratos realizados no ano passado, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim, percebe-se que no mesmo período os pagamentos feitos foram dominados por obras e serviços contratados até o final do ano passado.

Esses pagamentos têm de ser feitos com o dinheiro arrecadado com tributos cobrados neste ano. Dos R$ 6,7 bilhões já pagos, R$ 6,6 bilhões referem-se a contas pendentes deixadas pelo governo Lula, inclusive da época em que Dilma Rousseff, na condição de chefe da Casa Civil, coordenava o PAC.

Paralisia.
O projeto do PAC que recebeu o maior volume de dinheiro neste ano é mais um bom exemplo da situação de quase paralisia. Trata-se do Fundo de Arrendamento Residencial, dinheiro repassado às empreiteiras responsáveis pela construção de imóveis a famílias de baixa renda, selecionadas por prefeituras e governos estaduais

O programa recebeu R$ 1,7 bilhão até 12 de abril. Esse dinheiro, no entanto, faz parte do saldo de contas pendentes deixadas por Lula, do qual faltam pagar mais R$ 5 bilhões. Os R$ 9,5 bilhões destinados ao programa pela lei orçamentária de 2011 nem começaram a sair do papel.

Grife.
Com o programa patinando, o Ministério do Planejamento confirma que pode a mudança da nomenclatura PAC está em estudo no governo, que oficialmente insiste na tese de que não haverá cortes no programa.

Segundo o Planejamento, agora responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento, o próximo relatório de avaliação dos projetos será divulgado em julho. Até o final do governo Lula, os relatórios eram divulgados a cada quatro meses. Com Dilma na presidência, serão semestrais.

Sem registro do desempenho das novas ações, o portal do PAC ainda mantém a terminologia PAC 2, com explicações sobre o seu significado. "O PAC 2 chega com a missão de manter a roda da economia girando, investindo em obras e ações que diminuem as desigualdades e geram ainda mais qualidade de vida para os brasileiros".

O site não registra a mudança na periodicidade das avaliações. "A prestação de contas do PAC é feita para a sociedade através de balanços quadrimestrais."

Megainvestimento.
O PAC 2 prevê investimentos de R$ 1,59 trilhão. São obras nas áreas de transportes e energia e também as que se destinam aos grandes centros urbanos, bairros populares e bolsões de pobreza. Entre os projetos do PAC 2 estão a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e o Água para Todos, além do Cidade Melhor, segundo anúncio feito em março de 2010.

O novo foco em moradores das grandes cidades seria uma das novidades do PAC 2, se disse no lançamento do programa. Os investimentos seriam dirigidos a projetos de saneamento e mobilidade urbana. O Comunidade Cidadã ampliaria a presença do Estado em bairros populares. Haveria investimentos bilionários na construção de 500 unidades de pronto atendimento, 8,7 mil unidades básicas de saúde, mais de 10 mil quadras poliesportivas, 2,8 mil postos de polícia comunitária e 800 praças do PAC.

As faturas de obras já contratadas deixadas pelo governo Lula não param de pressionar os novos gastos do PAC. Até terça-feira, restavam por quitar contas de R$ 26,4 bilhões, quatro vezes o valor já pago nos primeiros cem dias de governo Dilma.

Promessa de adutora no PAC 1; liberação no PAC 2

Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

Processo de construção no centro-sul da Bahia foi iniciado há dois anos

SALVADOR - Diariamente, a prefeitura de Guanambi, no centro-sul baiano, gasta R$ 1 mil em média com a contratação de caminhões-pipa para abastecer postos de saúde, escolas e, até, a feira livre do município. Seus cerca de 80 mil habitantes vivem, desde o ano passado, um rigoroso esquema de racionamento de água, que intercala um dia de fornecimento com dois de suspensão.

"Apesar de algumas obras para a ampliação da oferta de água, não houve como acompanhar a expansão da população abastecida pela barragem, hoje cerca de 130 mil habitantes, e a chegada de grandes empresas, como a Bamin (de exploração de minério de ferro, no município de Caetité) e a Renova Energia (que iniciou, em março, a construção de um complexo de geração de energia eólica em Guanambi)", diz o prefeito de Guanambi, Charles Fernandes (PP).

Por causa da situação, Fernandes decretou estado de emergência na cidade. A cidade corria risco de desabastecimento completo. Uma projeção realizada pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A (Embasa) mostrou que se o ritmo de chuva não se intensificasse, a barragem estaria seca até abril.

Foi nesse contexto que foi anunciada, no último dia 29, a ordem de serviço para o início da construção da chamada Adutora do Algodão, obra de R$ 75,7 milhões, com 233 quilômetros de tubulações para levar água do Rio São Francisco a nove municípios da região. A previsão de entrega é de 15 meses a partir da assinatura. Do total, R$ 30,8 milhões já foram disponibilizados.

Segundo o governo baiano, a obra integra o programa estadual Água para Todos.

A assinatura concluiu um processo iniciado há dois anos, pelo governo da Bahia. As tubulações foram compradas no início do ano passado, por R$ 61 milhões, com recursos do PAC 1, e foram entregues em agosto. Uma indefinição jurídico-administrativa atrasou o início das obras civis para a instalação da adutora. Ainda ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, em março do ano passado, anunciou que a construção da adutora teria de ser incluída no PAC 2.

‘Prateleira de projetos’ para turbinar a eleição

Renato Andrade, de O Estado de S.Paulo

Dificuldade para tirar do papel projetos do PAC 1 deixava claro que novo pacote teria destino conturbado

A distância entre desejo e realidade é a forma mais simples de explicar por que a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento não decolou. Mas é a característica eleitoreira do pacote que forçará o governo a evitar, de todas as formas, declarar que as promessas continuarão dormindo na prateleira.

A dificuldade de tirar do papel as centenas de projetos listados na primeira versão do programa já deixava claro, ao menos para quem estava fora do Palácio do Planalto, que a execução do novo pacote trilionário teria destino ainda mais conturbado que o primeiro.

Enquanto o ex-presidente Lula lançava sua "prateleira de projetos", numa concorrida solenidade em 29 de março de 2010, apenas 11,3% das obras previstas no PAC 1, lançado três anos antes, tinham sido concluídas. Entre o desejo de turbinar a campanha de Dilma Rousseff e a chata realidade dos números, Lula preferiu seguir pelo caminho que mais lhe convinha.

Durante a campanha, Dilma repetiu várias vezes que iria cumprir "todas as metas estabelecidas" pelo PAC 2. "É assim, com planejamento, metas claras e muito trabalho que vamos seguir mudando o País", disse a então candidata petista durante programa eleitoral em setembro.

Mas para contratar uma obra nova é preciso ter dinheiro em caixa e concluir o pagamento das antigas. Esse inconveniente foi percebido ainda em dezembro, quando a equipe econômica começou a preparar o corte de gastos que seria anunciado meses depois. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a admitir que os projetos da prateleira de Lula continuariam onde estavam. Menos de 24 horas depois foi reprimido pelo chefe, que garantiu que não haver necessidade de "cortar um único centavo" do programa.

Dilma terá agora a ingrata tarefa de explicar como a liberação de apenas R$ 102 milhões, de um total de R$ 40,1 bilhões previstos, pode ser interpretada de outra forma que não um radical corte do pacote. Não espere, porém, que ela reconheça que a promessa de cumprir "todas as metas" do programa era só conversa de campanha.

PAC demite mais do que a Vale do Rio Doce

Augusto Nunes, Veja online

Em dezembro de 2008, o presidente da Vale, Roger Agnelli, anunciou que as medidas adotadas para sobreviver à crise econômica internacional incluiriam a demissão de 1.300 funcionários.

Uma empresa privada não precisa pedir licença ao governo para tomar decisões do gênero. Um executivo como Agnelli não tem tempo a perder com consultas a políticos tão autoritários quanto ineptos.

Mas no Brasil as coisas não funcionam assim. O maior dos governantes desde Tomé de Souza transformou o condutor da Vale em inimigo da pátria ─ e não sossegou até que Dilma Rousseff conseguisse demiti-lo por excesso de competência.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, confirmou que a Construtora Camargo Corrêa resolveu demitir 6.000 trabalhadores alojados nos canteiros de obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.

Como é o PAC quem está pagando a conta dos dois mamutes em construção, como evitar represálias duríssimas do Planalto? Quantas cabeças rolariam na direção da Camargo Corrêa? Nenhuma, informou o entusiasmo do arauto da péssima notícia.

“As demissões são naturais, até porque a Camargo Corrêa fez uma autocrítica e contratou mais gente que o adequado”, festejou Carvalho, convencido de que a multidão de desempregados não vai arranhar a imagem do governo. Agnelli acabou perdendo o cargo por ter demitido 1.200 funcionários.

Mas a Camargo Corrêa é uma boa companheira. Por terem consumado um corte quase cinco vezes maior, os executivos da construtora não se limitaram a garantir o emprego.

Podem acabar transformados em candidatos a ministro da Fazenda.

2014, O ano que já começou

Carlos Brickmann, Brickamnn & Associados Comunicação

O senador mineiro Aécio Neves, provável candidato tucano à Presidência, fez uma bobagem de que já deve ter se arrependido: negou-se ao teste do bafômetro quando foi parado pela Polícia carioca. Abriu campo para que se pense qualquer coisa a seu respeito. Já o uso de carta de motorista vencida tem menos repercussão: muita gente esquece a data de renovação e compreende a falha do senador.

Mas o incidente do Rio abriu a temporada de caça a Aécio: os adversários de 2014 buscam enfraquecê-lo desde já. Imediatamente após o caso do bafômetro, surgiu o caso da rádio Arco-Íris, dona do carro Land Rover que Aécio guiava. O ex-governador mineiro é sócio minoritário da rádio, controlada por sua irmã, Andréa. Mas, como senador, pode participar de uma emissora de rádio? Legalmente, não, embora muita gente no Congresso seja dona de rádio e TV. Mas é sempre disfarçado: as emissoras são "da família" (como o império dos Sarney no Maranhão), de empregados que nem sabem o que fazem e de amigos (conhecidos, no grosseiro linguajar da política federal, como "laranjas").

Já surgiu também, na hora, a foto do jatinho executivo que Aécio usa habitualmente, e que pertence a algum empresário amigo. O PT - GAF é um belo Hawker 800, de fabricação recente, produzido pela British Aerospace. Seu preço divulgado é de aproximadamente US$ 15 milhões, dependendo do acabamento interno. O objetivo é mostrar que Aécio não dá muita bola para as leis, aceita favores de amigos ricos, vive folgadamente. Um playboy, não um presidente.
Duas dúvidas...
1. Por que se divulga que a Land Rover de Aécio custa mais de R$ 300 mil, quando pouco ultrapassa os R$ 100 mil?

2. Haverá alguma relação entre a operação policial que flagrou Aécio num Estado governado por aliados do PT e o fato de ser candidato do PSDB?

... e uma certeza
Aécio é jovem. Se for candidato em 2026, o assunto do bafômetro continuará sendo levantado. Seus adversários do PT são persistentes e organizados. Mas não deixa de ser engraçado que justo o PT vá implicar com o bafo dos outros.

Lição da História
O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que comandou o país na Segunda Guerra Mundial e saiu vitorioso, era muito bom de copo. Bebia muito e sempre. E jamais se preocupou em escondê-lo. Contam que, em determinada cerimônia militar, o festejado marechal Bernard Montgomery, que venceu o lendário Rommel no Norte da África, alfinetou o primeiro-ministro: "Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói".

Churchill, de inteligência rápida e fulgurante, respondeu na hora: "Eu fumo, bebo e prevarico e sou o chefe dele".

Ranzinzas
Cá entre nós, as brigas entre Fernando Henrique e Lula não lembram os filmes de Jack Lemmon e Walther Matthau, em que dois velhinhos ranzinzas se odiavam mas dependiam um do outro para atingir certos objetivos comuns?

Como ele é lindo!
Os jornais informam que o presidente Lula, em seu último ano de Governo, gastou R$ 1,63 bilhão em publicidade, e que isso foi mais do que o gasto de Fernando Henrique. Não tem a menor importância saber quem gastou mais ou menos: qualquer coisa que tenham gasto em publicidade é demais. Publicidade de Governo, num país sério, é institucional: campanha de vacinação, hora de verificar se o título de eleitor está em dia, época de alistamento militar, combate a epidemias, defesa civil.

Os outros gastos, mostrando que o país é de todos, que faz tudo pelo social, trabalhando em todo o Brasil, gente cuidando de gente, são imorais. São absurdos, abusivos. E só existem porque beneficiam todos os partidos que chegam ao poder, e que se popularizam gastando o dinheiro da gente.

Rosa de Fukushima
Até onde vão as consequências do acidente na central nuclear de Fukushima, no Japão? A radioatividade chega ao Brasil? A radiação nas águas do mar põe em risco a vida marítima? As respostas vêm neste domingo, às 21h, num programa que vale a pena acompanhar: a cientista nuclear Emiko Kuno é entrevistada pelo jornalista Marco Lacerda no programa Frente Verso, Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, 100,9 FM - ou em www.inconfidencia.com.br.

O fim da esperteza
Tancredo Neves dizia que, em política, quando a esperteza é demais come o esperto. O governador paulista Geraldo Alckmin, esperto como ele só, assumiu disposto a vingar-se do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que o derrotou em 2008, e de quem o apoiou, a maioria dos vereadores tucanos e José Serra. Serra foi isolado; Kassab ficou a pão e água. Os vereadores foram varridos do comando tucano.

Consequência: Kassab, político habilíssimo, montou um partido novo, o PSD, esvaziando o DEM, que apóia Alckmin; atraiu os vereadores perseguidos do PSDB; desidratou a oposição no Congresso. E emparedou Alckmin, que não pode deixar o cargo para tentar a Presidência porque seu vice, Guilherme Afif, está com Kassab.

Alckmin é um político esperto, mas não é o único.

Educar: é preciso começar!

Claudio Schamis, Opinião & Notícia

Ficou óbvio o que já sabíamos: educar não é tão importante assim para os nossos governantes, e pode até ser perigoso.

“Um país se faz com homens e livros” – Monteiro Lobato

Talvez devêssemos repetir a frase de Lobato para ver se ela entranha de alguma forma nas cabeças e veias de quem hoje está no poder e pode estar querendo mudar o rumo dessa prosa. Não basta chegar e “cuspir” somente as palavras e as promessas. Dizem que promessa é dívida. E pelo que podemos ver essa dívida está muita alta.

Dilma, ao assumir o comando de nosso país, fez 190 promessas, e entre elas temos algumas relacionadas à educação. Poderíamos destacar a promessa de aumentar para 7% do PIB os investimentos públicos em educação. Mas me reponde uma coisa, adianta aumentar alguma coisa se o que já é usado é jogado no lixo? Claro que os “amigos” e “adoradores” do Lula que, por conseguinte viraram “amigos” e “adoradores” da Dilma virão com pedras, paus e acusações de que nós da oposição somos isso, aquilo e um pouco mais. E que não é bem assim, é meio assim e pode ser assado. E que talvez seja um caso isolado.

Isolados são como estão os computadores que já são vítimas de cupins por terem sido largados na despensa da Escola Municipal Virgulino, no Piauí. Isoladas são como ficam nossas crianças quando estas são privadas de se educar, de aprender, de ler e de usar computadores comprados para justamente levá-las para o mundo com as ferramentas certas. E com certeza esse isolamento não é privilégio do Piauí.

No governo Lula entre 2007 e 2008, 41% das prefeituras investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) tinham licitações fraudulentas, e 58% gastavam dinheiro do Fundeb de maneira indevida. Maranhão, terra do “Rei” Sarney está entre os casos onde houve sumiço de R$ 2,6 milhões de abonos e gratificações para educadores, e na terra de Collor tem desvio de verba para a merenda escolar que foi utilizada para compra de uísque, uma fraude que pode beirar os R$ 8 milhões. Depois vem essas pessoas dizer que eu é que estou de porre.

É realmente um porre ter que ler essa total falta de responsabilidade educacional. Ou a total irresponsabilidade educacional. Como então acreditar na promessa de Dilma de que dará prioridade à qualidade da educação? Como crer que o governo irá equipar as escolas com banda-larga gratuita se até computadores, como acabei de citar, estão apodrecendo na dispensa das escolas?

Como confiar em alguma coisa se foi retirada do novo Plano Nacional de Educação (PNE) a Lei de Responsabilidade Educacional (LRE), que seria o mecanismo que poderia ajudar a punir fraudes nos gastos do governo com educação?

É essa a educação que nossos governantes querem passar? Acaba ficando óbvio o que já sabíamos: educar não é tão importante assim e pode acabar sendo perigoso. Será que, com alguns movimentos que existem de pessoas exigindo que alguma providência seja tomada, isso faça com que o governo tema que num futuro nossas crianças já mais educadas poderão e saberão separar o joio do trigo?

Não que teremos total garantia de que os próximos deputados e senadores serão os melhores do mundo, mas precisamos ter pelo menos a esperança de que isso possa acontecer.

Precisamos renovação e essa renovação só poderá ter chance se nos tornarmos um país sério na educação. Não podemos mais permitir que deputados como o Jair Bolsonaro sejam reeleitos, que Paulo Maluf seja reeleito, que Collor tenha poder, que Sarney continue atuando, que Severino Cavalcanti seja também reeleito. E que vários outros nomes que emporcalham nosso Congresso, nosso Senado, sejam também. Nessa renovação não podemos permitir que quem debochou do povo ganhe um cargo no governo, como aconteceu com o ex-deputado Edmar Moreira, o dono do castelo, que chegou a defender o fim do Conselho de Ética da Câmara, e que agora trabalha junto a Antonio Anastasia, em Minas. Será que AA bebeu do uísque comprado com verba da merenda escolar? Só pode ser.

Mas aí é que tá, nada disso pode ser. Nada disso poderia ser. Pode ser só no comercial e olhe lá. E mesmo assim…

E hoje me permito…

Salvem as baleias. Salve a educação. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

Brasil, potência das valas negras

Hugo Souza, Opinião & Notícia

Enquanto o país se consolida como uma das maiores economias, milhões de brasileiros ainda não têm acesso a esgoto.

(Fonte: Época)
Propaganda da ONG internacional World Wildlife Fund em 2009

Um levantamento da Associação dos Fabricantes de Materiais para Saneamento divulgado no início de março mostrou que as vendas do setor despencaram mais de 15% no primeiro bimestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se de um ramo altamente dependente da demanda do poder público, e a queda, que só no mês de fevereiro chegou a 19%, não tem outro motivo senão o atraso em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) idealizadas para minimizar um descalabro nacional, o de metade da população brasileira não ter acesso a esgoto.

Um relatório divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil, organização não governamental que atua na área de saneamento básico, mostrou que apenas 4% das obras de esgoto do PAC nos maiores municípios do país foram concluídas até o final de 2010, quando o planejamento era de que 60% delas estivessem prontas até o fim do ano passado.

Das 101 obras de saneamento e esgoto monitoradas pelo Trata Brasil, todas em municípios com mais de 500 mil habitantes e que envolvem investimentos totais da ordem de R$ 2,8 bilhões, apenas quatro foram concluídas.

Treze milhões de sem-privada
Vinte e duas obras estavam atrasadas no fim de 2010 e 11 delas sequer haviam começado. Nada menos do que 30 obras de saneamento básico do PAC estavam paralisadas no final do ano passado. Apenas uma obra se encontrava em estágio avançado e outras três ainda estavam na fase de licitação.

No início de abril, depois de se reunir com os empresários queixosos do setor de materiais para saneamento, o ministro das Cidades, Márcio Negromonte, disse que o governo está amadurecendo a ideia de usar emendas parlamentares para destinar recursos à área. Os investimentos médios em saneamento no Brasil são atualmente de R$ 5,4 bilhões por ano, mas especialistas dizem que deveriam ser três vezes mais do que isso para que a universalização do saneamento básico no país seja alcançada até o ano de 2030.

Quando o presidente dos EUA, Barack Obama, disse no Teatro Municipal do Rio que o Brasil é o país de um futuro que já chegou, talvez ruborizasse se naquele exato instante fosse confrontado com o fato de que 13 milhões de habitantes desta festejada potência tropical não têm vaso sanitário, segundo dados da OMS, do Unicef e do próprio instituto Trata Brasil.

Mau cheiro é o de menos
Sétima economia do mundo, o Brasil está também entre as dez nações com o pior sistema de saneamento do planeta, ainda segundo a OMS e o Unicef. Os indicadores brasileiros das áreas urbanas são piores, por exemplo, do que os da Jamaica, República Dominicana e até dos territórios palestinos, e os da área rural são comparáveis aos indicadores africanos.

E quando se fala em saneamento básico no Brasil, o principal drama não é o mau cheiro que os visitantes que chegam ao Rio pelo aeroporto Internacional Tom Jobim sentem na Linha Vermelha por conta das imensas valas negras em que os canais daquela região se transformaram. As obras de dragagem dos canais do Cunha e do Fundão já começaram. Foi um compromisso assumido pelo governo fluminense junto ao Comitê Olímpico Internacional, visando as Olimpíadas de 2016.

Com a população pobre, a que sofre com a diarreia, a hepatite e as verminoses — os verdadeiros dramas do saneamento básico, ou da falta dele — , a que mora nos bairros populares e nos grotões onde não passam os ricos, as excelências e as delegações esportivas, com essa gente, os compromissos são os de campanha, quando muito. E esses, como se sabe…

A crise do mérito no país dos ‘bebebês’

Claudio Carneiro, Opinião & Política

Para chegar às páginas de jornais, pouco vale destacar-se por seu conhecimento, inteligência ou formação.

Um assassino foi o grande personagem da mídia esta semana


Capa de todas as revistas semanais – exceto a Carta Capital – e primeira página de todos os grandes jornais brasileiros, um assassino é o grande personagem da mídia de um país que não sabe descobrir seus verdadeiros heróis e personagens relevantes. Com suas imagens inéditas e exclusivas na TV, o idiota de Realengo ganhou o destaque que pode estar – nesse exato momento – estimulando outras mentes doentias a fazer bobagens semelhantes para que seus nomes e fotos sejam estampados em cada calhau do jornalismo tupiniquim.

Nem é preciso citar o nome dele aqui. Todos os brasileiros já o conhecem muito bem. Melhor seria dar mais espaço para o policial militar Márcio Alexandre Alves que cumpriu seu dever com coragem e competência. Mas não. A mediocridade impera e os holofotes estão apontados para este triste personagem que adquiriu status semelhante ao de Fernandinho Beira-Mar que, durante meses, desfilou de jatinho – com ampla cobertura da imprensa – por diversas prisões de segurança máxima espalhadas por este território incapaz de reconhecer o talento e a inteligência de seus cidadãos.

Contraventores, infrutíferas mulheres-frutas e políticos corruptos, só para citar alguns exemplos, transformaram-se em referências nacionais. Os primeiros aparecem durante o carnaval, por exemplo, exercendo seu poder nas comunidades. As segundas deixam seus “Pânicos” e “Bebebês” para conquistar seu discutível estrelato enquanto os terceiros sequer sentem vergonha de mostrar que estão mesmo por cima da carne seca.

Para chegar às páginas, pouco deve valer levar-se uma vida digna e, num determinado momento, destacar-se por seu conhecimento e formação. De nada servirá o exemplo de Luis Henrique Pimentel Bennaton Usier, de 17 anos, estudante de Guararema, no interior paulista, aprovado no curso de Relações Internacionais na Universidade de São Paulo (USP). Por seu bom desempenho em olimpíadas internacionais de biologia, química, matemática e robótica, ele vai visitar três universidades norte-americanas para as quais foi convidado — Harvard, Princeton e Columbia – e escolher em qual delas vai estudar. Pobre Luis Henrique. Jamais terá seu nome pronunciado por William Bonner. Para virar pauta jornalística, o personagem precisa delinquir, roubar, barbarizar.

Traficantes, como se sabe, ganham muito dinheiro e têm muitas propriedades. Sequer estranhamos como têm acesso à documentação e legalização de seu grande patrimônio, como imóveis, carros, lanchas e outros bens. Cotados entre nossos melhores e exemplares atletas, ganhadores de medalhas e títulos mundiais, patriotas emocionados, os Hipólyto – Daniele e Diego – foram vítimas de patrulhamento nos últimos dias porque conseguiram comprar um apartamento de seis quartos na Barra da Tijuca. O imóvel, explicaram, vai abrigar toda a família, inclusive tia e primos. “Este ano, vendi o meu carro para ajudar mais no apartamento, abri mão desse conforto”, disse Daniele. Depois de anos dedicados ao esporte e ao país, os Hipólyto compraram um apartamento. Ah, Diego, se você traficasse…

Diferente dos Estados Unidos, Canadá, Cingapura e outros países desenvolvidos, somos o rincão que não privilegia o mérito mas o oportunismo. Pais de alunos ordeiros e de boas notas nunca são chamados nas escolas. Já os responsáveis por estudantes com notas baixas e mau comportamento estão sempre no serviço de orientação educacional. Merecem mais atenção. Quando o problema é superado, estes se tornam os símbolos da escola. Já os “normais” – aqueles que nunca deram trabalho – não merecem prêmio ou reconhecimento. Nossas escolas também não estimulam a competição e o desempenho. Nossos melhores alunos ou são CDF ou são “nerds”. É “mico” ser bom aluno. Isso está em nosso DNA.